HAPPY GROOVE

 

                                         

 

Odiava seu nome, coisas de seu velho, como ele explicava, mas quando se apresentava no trabalho, dizia simplesmente Groove.

Normalmente Happy era nome de mulher, por isso, escondia.

Acabava de vir do enterro de sua mãe, essa tinha vivido bastante, para quem sempre tinha um câncer, talvez como dizia seu irmão, o fato dela ser otimista, ajudava a se curar sempre, mas acabou morrendo do coração.

A muitos anos ela vivia com seu irmão menor, professor da universidade de NYC, este nunca saiu de casa, todos os dois tinham estudado com bolsas de estudos, pois o dinheiro que seu pai vinha guardando para irem à universidade se esfumou com a doença de sua mãe.

Primeiro ela ficou furiosa, quando ele começou a gastar esse dinheiro, era um sonho dos dois, que não tinham podido ir, dois jovens saídos de orfanatos, mas foram em frente.

Na verdade só o tiveram depois de quase oito anos de casado, quando finalmente puderam comprar uma casa, a mesma até hoje no Bronx.

Seu pai era da delegacia de lá, no final da vida, se encarregava da administração da mesma, era braço direito do chefe da delegacia.

Morreu de uma maneira idiota, tinha ido à farmácia comprar os remédios para sua mulher, quando ia pagar, entraram dois ladrões, para assaltar a delegacia, ele sem querer fez um gesto instintivo de retirar a arma, levou um tiro, caiu como um boneco de inflar.

Foi enterrado com honras, menos mal que sua pensão seguiu servindo para manter a saúde de sua mulher.

Ele começou a trabalhar logo num supermercado grande perto da casa deles, se levantava de madrugada, ia ajudar a descarregar os caminhões que chegavam com mercadorias, a colocar as mesmas ou no armazém, ou dentro da loja, depois saia correndo comendo um sanduiche que sua mãe deixava preparado na geladeira, o chefe lhe dava sempre um yogurt, desses em vias de caducar, não se importava.

Ninguém se atrevia a mexer com ele, pois era alto, magro, mas cheio de músculos.   Ia as aulas, depois corria para casa, colocava a comida na mesa, nessa hora chegava seu irmão pequeno da escola, sempre com os joelhos ralados de jogar futebol, ou outra coisa.

Comia, saia de casa, voltava ao supermercado, ali, fazia o que lhe mandavam, repor, ficar no caixa para substituir alguma mulher que faltava, nos finais de semana, ajudava as pessoas a colocarem as compras nas bolsas, para as senhoras maiores, levava a mesma até seus carros.

Com isso sempre ganhava alguma gorjeta.

Quem mais reclamava era seu irmão, pois tinha que herdar as roupas dele, ficava num mal humor tremendo, até que resolveu seguir seu exemplo, arrumou um emprego.

Nenhum saiu de casa, ele só se foi quando terminou a universidade, tinha feito direito, foi uma decepção, seguindo a orientação de um amigo de seu pai, entrou para a academia de polícia, foi quando saiu de casa, de uma certa maneira adorou essa independência, mas seguiu ajudando em tudo, principalmente ao seu irmão menor.

Este quando resolveu estudar matemática, sua mãe argumentou que isso só o levaria a ser professor, mas ele gostava.

Acabou o curso, começou de baixo na polícia, queria saber como eram as ruas, alugou um quarto perto da delegacia que lhe destinaram em Long Island, ia nos dias de folga para casa, se fosse um final de semana, ajudava a mãe a colocar a casa em ordem, manteve sempre seu quarto lá.

Ela passava um tempo bem, depois recaia, aparecia o câncer em outro lugar.

Esse desgraçado me ama, dizia ela com seu bom humor, nunca me deixa de lado.

O último a tinha deixado muito débil, a via sorrindo sempre, nunca se queixava, agora usava seus cabelos brancos, num coque, fazia gozação com ela, se tinha dormido assim, pois se levantava já arrumada.

Com a idade, voltou a ir à igreja com as amigas, depois iam tomar um café, a maioria falar dos netos, mas ela cobrava isso dos dois, mas nem um nem outro pensava nisso.

Ele porque ao longo dos anos, tinha visto muita coisa errada, companheiros que se divorciavam, problemas com os filhos, mesmo esse amigo de seu pai, estava no terceiro casamento, dizia graças a deus não tenho filhos, sempre é preocupante.

Um dia sua mãe o chamou, para seu espanto, marcou com ele, no centro da cidade, foram tomar um café, ela soltou que tinha descoberto que seu irmão era gay.

Qual o problema, ele tem direito a escolher o que quer de sua vida.

Eu sei, mas por isso nunca terei netos, anos depois seu irmão tinha um relacionamento com um professor como ele, foram ao orfanato aonde tinha saído, conseguiu adotar um menino, depois uma menina, aí ela ficou contente, tinha finalmente seus netos sonhados.

Quanto a ele, ela parecia entender, a vida de policial, os riscos.

Seu enterro tinha sido uma coisa imensa, tanta gente, seu irmão comentou, ela conhecia todo mundo do bairro, ajudava sempre que podia o padre que cuidava da igreja.

Quando esse chegou, descobriu que ele tinha saído do mesmo orfanato que eles tinham estado, foi como reatar uma velha amizade.

Esse falou emocionado, que tinha sido de uma grande ajuda sempre, principalmente a entender as mulheres que lutam para levar os filhos adiante.

As senhoras tinham preparado uma pequena festa, ele já estava farto de tanto apertar mãos.

Dois dias depois tinha que se apresentar numa nova delegacia, agora no centro de NYC, seu irmão perguntou por que não vinha viver com eles, a casa era grande.

A pouco tempo tinha se separado do professor, com quem tinha vivido muitos anos, este como sempre, como era mais velho, de repente queria recuperar o tempo que tinha estado dentro do armário.   Mesmo com o casamento Gay, seu irmão tinha optado a não se casar, quando ele lhe perguntou por que, foi seco, nos relacionamentos gays, nunca se pode fiar nos companheiros, quem adotou os garotos fui eu, ele nunca passará de um professor adjunto, pois não se esforça, ele ao contrário era titular da cadeira de Matemática Pura, com dois doutoramentos.

Desmontou o pequeno apartamento que alugava, na verdade tinha livros, roupas, o resto era do mesmo.

Recuperou seu velho quarto, só trocou a cama, que era pequena.

As vezes quando estava em casa, estranhava, pois estava acostumado ao silencio, sem querer tinha tirado o quarto do filho mais velho de seu irmão.

Quando chegou a sua nova delegacia, tinha um aviso, para se apresentar para o chefe, quando entrou na sua sala, tinha com ele, uma mulher com uma cara de dura, lhe apresentou.

Felicity Duran, ele sem querer começou a rir, comentou, imagine eu me chamo Happy, odeio, foi quando ela riu, eu peço sempre que me chamem de Duran, pois o outro não combina comigo.

O chefe disse que como vinham os dois de fora, seriam companheiros, ele concordou prontamente, sabia do caso dela, a tinham mandado para uma delegacia conflitiva, no Harlen, sem querer ela denunciou até o chefe da mesma, todos estavam ligados a drogas.

A promoveram, mas como ela dizia, fizeram isso para se livrar de mim.

Os dois se davam bem, observavam tudo, lhes tocou uma parte de Chelsea, que tinha problemas.

Foi quando ele resolveu se mudar, comentou com ela, a casa é mais do meu irmão, com os meninos, acho perfeita para ele, sem querer o mais velho tem que dormir na sala, por minha culpa.

Um dia resolvendo um assassinato, ele descobriu um apartamento, num desses edifícios que antes eram para pessoas de baixa renda, comprou com suas economias, reformou o mesmo, era grande para ele, dois quartos, sala, cozinha, banheiro, o único luxo, era a cozinha, pois colocou uma lavadora e secadora, uma boa geladeira, não gostava de cozinhar, mas tinha sempre coisas para uma salada, sanduiches para de noite, isso bastava.

Devagar foi mobiliando o mesmo, sentou-se conversou com o irmão, abriu mão de sua parte na casa dos pais, assim ele podia ficar tranquilo.

Quando o apartamento ficou pronto, os levou até lá para conhecer.

Seu irmão um dia que se encontraram por acaso, lhe perguntou claramente em que time ele jogava, pois o via sempre sozinho.

Foi claro, não tenho preferência, mas nunca passo de uma noite, quando muito um final de semana, tinham se encontrado, pois o ex de seu irmão tinha se metido em merdas.

Ele foi claro, lhe disse para ficar de fora, tens dois filhos, ele se meteu nisso sozinho, que se apanhe.

Era uma verdade, o mesmo tinha se apaixonado por um garoto, que se prostituia, drogava, outras merdas, quando o outro apareceu morto, complicou sua vida.

Estava suspenso da universidade, por causa do escândalo, a família do mesmo tinha dinheiro, que se apanhasse.

Nesse ano ainda ajudou o irmão que queria realizar uma viagem com os filhos, ele pagou a viagem do mais velho.

Este lhe telefonou agradecendo, reclamando que não aparecia, dos dois era o que mais conversava com ele.

Quando ele quis levar os livros que tinha no quarto, ele pediu, meu pai nunca me deixa ler esse tipo de livros, eu adoro, deixa, assim leio, depois discuto com o senhor.

Por sorte seu irmão foi de viagem, pois em seguida seu ex apareceu morto, num beco, na autopsia se descobriu que estava se drogando, cheio de marcas nos braços, bem como entre os dedos do pé.

Não disse nada ao irmão, ia contar só quando ele voltasse.

Mesmo assim foi ao enterro com Duran, para observar os que estavam ali.

Contou para ela a história, do romance de seu irmão, por sorte ele está longe daqui na Europa com seus filhos.

Foi quando descobriu que Duran tinha um filho, ela ainda vivia com seus pais, esses cuidavam de seu filho, enquanto trabalhava.

Nunca tinham tocado nesse aspecto da vida particular de cada um.

Levavam o trabalho a sério.

Um dia estavam observando um conjunto desses, se dizia que as drogas andavam soltas por ali.

Viram um dos novos da delegacia, conversando com um negro, no final se saudavam como se fossem velhos amigos.

Esse deu de cara com eles, explicou, fomos criados juntos aqui, venham comigo, os levou até o edifício de aonde tinha saído, era a casa de sua avó, essa mandou que ele fosse fazer café para as visitas.

Falou do outro rapaz, infelizmente, não teve jeito, eu criei meu neto, sua mãe, bem como a desse rapaz, se prostituiam, então ficava comigo, mas o meu neto foi em frente, este não gostava de estudar, dizia que para que, pois seu futuro seria uma merda.

Minha filha, infelizmente morreu assassinada, a mãe dele, seguiu em frente, ninguém sabe quem é seu pai.

Durante um tempo aqui, estivemos em paz, pois teve um chefe que não permitia que os garotos do edifício vendessem drogas, saiu a uma semana da prisão, chamou o neto, que trouxe o café, pediu para chamar o homem.

Ele ficou impressionado, era bonito, não tinha nenhuma tatuagem como os outros traficantes.

Chegou beijou a senhora, os cumprimentou, quando soube que eram da polícia, disse cuidem desse garoto, fui eu que disse que escolhesse bem o lado que ia ficar.

Eu estou me mudando, vou para o outro lado da cidade, fora daqui.

Quero começar vida nova, tenho um companheiro que tem uma oficina mecânica, esse vai me ajudar.

Quando desceram viram o mesmo guardando coisas num furgão, se despediu deles, pedindo que olhassem esse garoto.

Dois dias depois o amigo do policial apareceu morto num beco, dentro de uma lixeira, o caminhão que recolhia o viu.

Foram até lá, viram o rapaz chorando num canto, desconsolado.

Falei tanto para ele que ia acabar mal, dizem que fizeram isso, por sermos amigos, mas nunca me disse uma virgula do que fazia.

A partir desse dia os dois o tinham a vista, era a eles que este chamava quando via alguma coisa errada.

Os dois anos depois o indicaram para um curso para subir para inspector, se saiu bem, disse que tinha aprendido dos dois como agir em cena.

Seu irmão agora dava aulas para pós-graduação, tinha recebido um convite para ir trabalhar no MIT, veio consulta-lo.

Eu acho que para os meninos será melhor.

Ele concordou, assinou os documentos da venda da casa de sua mãe, o irmão foi embora, o filho mais velho veio falar com ele.

Queria estudar literatura, tio adoro escrever, meu pai diz que isso não dá futuro.

Pergunte para ele, o que seu avô dizia, que Matemática, tampouco dava futuro.

Nessa época, tornou a se encontrar por um acaso numa livraria do centro, com o homem que tinha conhecido na casa do policial.

Jerry Aguirre, disse que seguia trabalhando na oficina mecânica, mas aprendi a gostar de livros, na prisão, tinha como ele, as têmporas com cabelos brancos.

Disse que nunca mais tinha voltado aonde antes vivia.

Quando estava pegando um livro, ele disse que o tinha lido, tenho em casa, se quiseres te empresto, assim depois podemos conversar a respeito.

Nem sabia por que tinha feito isso.

Acabaram na cama, ficou impressionado, nunca tinha se dado bem com ninguém como que com ele.

Menos mal que sabes de aonde venho.  Contou depois deitado, que o companheiro que o ajudou, tinha sido seu namorado na prisão, mas o mesmo não se acostumou ao trabalho, me passou a oficina, se juntou a um grupo de Hells Angels, desapareceu.

Agora se encontravam sempre, principalmente quando ele tinha o final de semana livre, não tinha mais que ir a casa de seu irmão.

Jerry fez questão que ele fosse um dia conhecer seu espaço, era do outro lado da cidade no Bronx, uma oficina mecânica pequena, ele vivia em cima, o lugar era super ordenado, coisa que as vezes faltava em sua casa, livros por todos os lugares.

A mais de dois anos mantinham essa relação, um dia para sua surpresa, Jerry lhe chamou, precisava falar com ele.

Estava sendo pressionado por dois ex-companheiros de prisão, para conduzir um carro num assalto, não quero nada disso para mim.

Foram falar com o chefe, esse autorizou os dois, a levarem o caso, Jerry passou a levar um micro, assim eles puderam descobrir aonde ia ser o assalto, simularam inclusive a prisão do Jerry.

Mas claro com isso, ele tinha que sair da cidade.

Nessa época ele ia tirar férias, o convidou para ir até Cambridge, no Massachusetts, aonde vivia o irmão, foram os dois de carro, saíram na surdina.

Os meninos estavam imensos, o melhor foi a olhada que seu irmão deu ao Jerry, viu que se interessava por ele, a reciproca era verdadeira.

Este fez questão de contar sua vida ao seu irmão.

Tinha vendido o local de sua oficina, que tinha comprado com os anos.

Comprou outra lá, ia ficar por lá, ele voltou com as mãos abanando, tinha perdido o homem que gostava, não podia dizer que o amava, pois isso era outra coisa.

Anos depois seu sobrinho veio, queria estudar literatura em NYC, pois assim saia de casa, agora Jerry vivia com eles.

Sua irmã queria estudar para ser professora, especializada em crianças com síndrome de Down, ele ao contrário queria ir pelo mundo como tinha sonhado.

Arrumou o outro quarto para ele.

Tinha voltado a ter relacionamentos de uma noite, nada mais, de preferência que fosse gente séria.

Nessa época sua companheira Duran, conheceu um policial de outra delegacia, começaram a sair, se casaram.

Ele tinha sido promovido, agora trabalhava na central, era assistente do Chefe de Polícia de NYC.

Lhe faltavam cinco anos para se aposentar.

Seu sobrinho, adorou, embora tenha recebido uma prelação dele, sobre drogas, outras coisas.

De uma certa maneira era maduro para sua idade, reclamava sempre dos outros que tinham uma certa imaturidade a respeito do futuro.

Logo arrumou um emprego ajudado por um professor, de leitor de textos, para uma editora.

Lia, depois passava para o tio, discutiam os textos.

Assim é fácil, pois achava que pensavam igual.

Quando terminou a universidade, foi trabalhar nessa empresa.

Lhe ofereceram um estagio em Paris, numa filial que tinham lá, seu trabalho era ler textos, que podiam editar nos Estados Unidos, lá ele encontrou seu lugar, fez inclusive pós-graduação na Sorbonne, em literatura comparada.

Agora nas férias ia sempre visita-lo, mas se perdia ele só pela cidade.

Sempre tinha gostado de descobrir os lugares, um dia por acaso se encontrou com o policial que tinham ajudado.

Esse estava de férias como ele, começaram a andar pela cidade, ele agora era inspector em Long Island, lá pelo menos sai do lugar aonde vivia, quando minha avó morreu, vendi o apartamento, comprei um pequeno aonde trabalho.

Seu sobrinho, um dia que saíram para jantar, queria apresentar sua namorada para o tio, era uma daqueles francesas de pura cepa, super bem vestida, contou que tinha aprendido ela mesmo a costurar, já que sua família era pobre.

Fazia pós-graduação na universidade, ali tinham se conhecido.

Seu sobrinho depois comentou que o rapaz te olha com adoração.

Trocaram inclusive o voo, para voltarem juntos, esse o convidou para conhecer sua delegacia, bem como aonde vivia.

Dai para um relacionamento foi um pulo.  Nas férias seguintes, alugaram uma casa na praia por perto.

Tempos depois foram ao casamento de seu sobrinho em Paris, assim se encontrou com seu irmão, tinha vindo sozinho com a filha, o relacionamento dele com o Jerry não tinha dado certo, queria me controlar, claro havia uma diferença entre os dois, seu irmão estava sempre com a cabeça metida em livros de Matemática pura, o outro queria viver.

Andaram pela cidade, sua sobrinha disse que dentro de um ano, se casava também.

Breve serei avô soltava seu irmão.

Foram os dois ao casamento dela, seu irmão veio da França, dizia que agora seria difícil para ele se adaptar de novo lá.

Tinha um novo emprego numa editora de lá, uma das maiores, já tinham o primeiro filho, um garoto que era parecidíssimo ao seu irmão.

Seu irmão reclamava que tinha ficado sozinho, mas não pensava em se aposentar, queria seguir estudando como sempre tinha feito em sua vida.

A ele lhe faltavam meio ano para ficar livre, tinha tirado uma excedência que tinha direito, quando voltasse se aposentava.

Um dia sua sobrinha o chamou nervosa, tinha matado seu irmão, ele tinha saído do prédio central da universidade, quando um carro, passou atirando num sujeito que vendia drogas ali, uma das balas o acertou no coração.

Tomou um avião para lá, Bruno Rodrigues não podia sair, estava no meio de uma investigação importante.

Ele foi sozinho, tiveram que esperar seu sobrinho chegar de Paris, para fazerem o enterro, o mais interessante foi que na autopsia, de descobriu que seu irmão tinha câncer, no princípio, tinha, sempre tinha fumado muito.

Ele ao contrário, nem fumava, nem bebia.

Ainda ficou um tempo, para ajudar a venderem a casa de seu irmão, a vasta biblioteca que tinha de Matemática, foi para a universidade, a casa para os filhos.

Jerry apareceu no enterro, se falaram, nada mais.

Quando depois de tudo resolvido, o sobrinho o convidou para ir passar um tempo em Paris.

Quando se encontrou com Bruno, teve uma surpresa, tinha conhecido outra pessoa.

Gostava dele, era verdade, mas um amor profundo, desses das histórias ou novelas, não.

Acabou se aposentando, foi para Paris, na primeira oportunidade, foi visitar com seu sobrinho, a família dela, que já conhecia, vivia no sul, em Montpellier, mas na praia.

Adorou, era totalmente diferente de aonde ia sempre.

Acabou ficando uma temporada, alugou um apartamento pequeno perto da praia, fazia longas caminhadas, um dia sem querer por força do habito, evitou um assalto a loja que ia sempre comprar camisetas, nisso que chegou a polícia, ele se identificou.

Explicou que tinha agido por instinto, o comissário o olhava rindo, ficavam conversando, saíram para comer, o outro era moreno, contou que era descendente de Argelinos.

Por isso Claude Murad, esse o convidou um dia para saírem de barco para pescarem, adorou, quando viu, estava metido num relacionamento com o mesmo.

Levaram anos juntos, tinha ido a NYC, vendido seu apartamento, marcou um encontro com Felicity, essa agora ocupava um cargo como ele tinha antes.  Contou que seu casamento não tinha dado certo, nunca falei nisso para ninguém, mas como sempre foi um erro.

Seu filho agora era ajudante de fiscal, tinha uma vida pela frente.

A convidou para ir visitar, logo que tenha um apartamento te aviso.

Claro com o dinheiro que tinha do seu, comprou uma casa mais afastada de cidade, uma pequena vila, viveu anos com seu comissário, até que esse no final de sua carreira, morreu numa briga entre gangs, de Argelinos.

Ficou chateado, mas como sempre, agora saia de barco para pescar, como gostava, Felicity veio passar umas férias, ficou uma temporada, se davam bem.

Ela adorava sair para pescar, mas claro, o filho se casou, precisava de alguém para cuidar dos seus filhos, ela voltou para sua casa.

Fez amizade com pescadores, com alguns saia agora para pescar de madrugada em alto mar, um deles em especial era seu amigo, ria muito pois ele tinha um corpo imenso do exercícios, conversavam horrores, tomando um calvados, a única exceção que fazia com a bebida.

Quando viram estavam num relacionamento, adorava sair de madrugada, ver a lua sobre o mar.

Perdeu a pista de sua sobrinha, mesmo seu irmão reclamava, desapareceu no mapa, foi para outra cidade com o marido, depois não tinham notícias dela.

Seu sobrinho sim, vinha nas férias com os filhos agora tinha três, ele saia com os meninos, de barco.

Andrés Silva, era descendente de portugueses, adorava crianças, tinha sido casado, mas sem filhos, então os meninos fazia o que queriam com ele, os ensinou a nadar, mergulhar, o chamavam de avô Andrés.

Estava agora beirando os 80 anos, viviam juntos, riam muito, pois tinham vindo de lugares distintos, a história do Andrés, era interessante, seus pais eram retornados de Africa, tinha nascido lá, mas viviam sempre perto do mar.

Agora usava mais seu barco para irem pescar, durante a noite já era pesado para eles, tinha aprendido com ele a mergulhar como os meninos.

Estes ia chegando a época de férias, chamavam para falar com o Andrés para preparar tudo, queriam sair de barco.

Seu sobrinho se matava de rir, pois dizia que eram mais agarrados com os dois, que com seus outros avôs.

Quando teve seu primeiro enfarte, Andrés cuidou dele, avisou seu sobrinho, mas não saiu do seu lado.

Agora a caminho dos 90, sentavam-se na varada da casa, olhando o mar, se lembrando de coisas do passado.

Lamentava a morte do irmão, a lacra das drogas sempre era culpada de mortes de pessoas que nada tinham a ver com seus problemas.

Adorava essa tranquilidade que tinha com Andrés, numa férias foram visitar Portugal, mas ele não gostava de lá.

Andaram bastante, mas claro, as praias eram diferentes, no final estavam loucos para voltar para casa, sair de barco, agora como tinha um pouco de insônia, adorava se sentar na varanda, vendo a lua sobre o mar.

Quando vinham os meninos era uma festa, até seu sobrinho preferia ficar lá que na casa dos sogros, usava como desculpa as crianças.

Nas férias seguintes, foram com seu sobrinho, os dois maiores, a Moçambique, aonde tinha nascido o Andrés, foi genial, os meninos se divertiram muito.

 

 

 

 

 

 

 

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