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SHELTER

                                                   Tinha passado muito tempo fora do ar como ele dizia à respeito do seu estado catatônico, mas a dois meses, devido a uma confusão no hospital que ele estava, sem que nada ou alguém lhe dissesse, despertou. Num primeiro momento não sabia aonde estava, se lhe perguntassem, só poderia dizer seu nome, Sam Toth, além do número de sua placa, passou a mão pelo peito, não estava ali, se sentiu superado. Nisso entrou um enfermeiro no quarto que compartia pelo visto com mais pessoas, dizendo bem alto que não tinha sido nada, todo estrondo se devia, a um carrinho, cheio de coisas da cozinha que tinha voado desde o último andar, até o térreo. Pois ele tinha sentido como uma bomba estourando perto dele. ...

H. SCHUABER

                                                Voltava do enterro do homem que tinha sido tudo na sua vida, pai, avô, pois tinha idade para isso, além de seu melhor amigo, orientador. Na verdade nunca tinham sido parentes, tudo começava com sua mãe Beatrice, quando caiu o murro, ela tinha sido uma das primeiras a escapar, foi parar em Hamburgo, nunca falava de aonde tinha saído, nem como tinha chegado à cidade. Mas com a caída do muro, a cidade estava cheia de gente atrás de trabalho, então os homens tinham prioridade, pois a maioria trazia a família com eles. Ela acabou no porto, logo Franck ou Franciskus, olhou para ela, disse que passasse no seu local, um puteiro famoso na época. Nesse dia ela conseguiu tomar um banho, num lugar para refugiados, colocou um...

BARATA

                                                Estava acostumado a que lhe chamassem de várias maneiras, José Barata, ou Zé, Zeca, Zezinho, por aí vai, ou mesmo Josef Barata Azulay, sobrenome que usava desde que tinha sido adotado por seu pai Saul Azulay. Agora no voo para o Brasil, sem querer foi se lembrando da sua infância, era um garoto esperto, descia com sua mãe, para a feira ali na rua Ronald de Carvalho, que ia da Praça do Lido, até a Barata Ribeiro, quando aprendeu a ler, perguntou para a mãe, se o tal Barata Ribeiro era seu pai, ela lhe deu um sorriso triste, dizendo que não. Viviam no morro, na favela Chapéu Mangueira, que ficava por detrás do Leme, ali ela tinha uma horta, aonde plantava ervas medicinais, nunca saberia como ela sabia das coisas,...