SHELTER

 

                                            

 

 

Tinha passado muito tempo fora do ar como ele dizia à respeito do seu estado catatônico, mas a dois meses, devido a uma confusão no hospital que ele estava, sem que nada ou alguém lhe dissesse, despertou.

Num primeiro momento não sabia aonde estava, se lhe perguntassem, só poderia dizer seu nome, Sam Toth, além do número de sua placa, passou a mão pelo peito, não estava ali, se sentiu superado.

Nisso entrou um enfermeiro no quarto que compartia pelo visto com mais pessoas, dizendo bem alto que não tinha sido nada, todo estrondo se devia, a um carrinho, cheio de coisas da cozinha que tinha voado desde o último andar, até o térreo.

Pois ele tinha sentido como uma bomba estourando perto dele.  Foi nesse momento que o enfermeiro viu que ele seguia todos seus movimentos, chamou o médico imediatamente.

Esse, o levou para outro quarto, começou a conversar com ele, foi se lembrando de tudo, que estava no meio de uma batalha, ele e seu companheiro de toda a vida Steve Granger, não podiam sair do buraco que estavam, de repente olhou para o lado, Steve perdia sangue por muitos lugares, gritava auxilio, mas nada acontecia.

Até que morreu, o grito que soltou foi imenso, sua boca ficou aberta, parada, os olhos ele não conseguia se mexer. O grito não parava de repercutir em sua cabeça, até que apagou.

Segundo o médico, só o encontraram dois dias depois, sentado com a cabeça do amigo, nas suas pernas, no mesmo buraco.

Te tirar de lá, foi complicado, ele entendia, quando eram crianças faziam isso, peso morto, imaginava, retirarem desse buraco um homem de dois metros de altura, forte como um touro, como o chamava Steve, mas dizia carinhosamente meu touro.

Tinha sido amigos companheiros, desde a escola, embora Steve fosse filho do proprietário de todas as terras em volta da vila, não era somente da que pertencia seu pai a gerações.

Toda sua família trabalhava nessas terras, era como se fossem inimigos entre si, mas os dois mandaram tudo a merda, era amigos.

Nessa noite no hospital, sonhou com ele, o juramento que tinham feito no seu covil, ou esconderijo, ninguém sabia disso, alguém tinha feito esse lugar a muitos anos atrás, eles num dia de chuva o tinha descoberto.   Ficava totalmente isolado no meio da floresta, que na verdade não pertencia a ninguém, quando quiseram disputar essas terras, descobriram que pertencia ao governo de sua majestade, então deixaram de brigar por ela.

Os dois limparam o lugar, roubaram de suas casas, colchões velhos, bem como edredons, pois ali fazia frio de madrugada.   Se escondiam, diziam em casa que tinha ido de casa com algum amigo.   Ali descobriram o sexo, um com o outro, se amaram profundamente.

Quando foram chamados os dois ao mesmo tempo para a guerra, foram para o mesmo batalhão, viviam na mesma caserna, cama com cama, escapavam nos finais de semana livre, para algum hotel, para dormirem juntos.

Como agora nesse momento, ele era capaz de sentir o cheiro do Steve, tirou o travesseiro detrás da cabeça o abraçou, imaginando que era o amigo.

Este lhe dizia sempre se alguma coisa me acontece, tens que voltar, seguir tua vida, seja como seja, talvez na nossa cabana.

Um mês depois saiu do hospital andando com suas próprias pernas, recebeu dinheiro, bem como suas coisas.

Tomou um trem para a cidade mais perto da vila aonde tinham crescido, vivido toda sua vida, ali tudo era verde, ao contrario do que encontraram no golfo, muita areia.

Desceu do trem, sabia que a essa hora, já não haveria nada para ele chegar a vila, passou por um pub que ainda estava aberto, os dois nunca gostaram de bebidas, evidentemente porque a família inteira bebia demais.

Foi andando pelo caminho paralelo a estrada, ninguém o veria, pois estava com sua roupa do exército, de camuflagem, na verdade passou por ele, apenas dois carros, mas sabia que o povo dali era desconfiado, nunca daria carona a um desconhecido.

Sem saber por que, foi direto ao covil dos dois, parou na porta, que como sempre estava tapada por um espinheiro, um truque de quem tinha conhecido, a planta cobria totalmente a porta, a escondendo.

Por sorte era noite de lua, acendeu um isqueiro velho que tinha no seu bolso, ele não fumava, mas Steve sim, foi em direção a mesa, ali estava como sempre uma garrafa com uma vela em cima, acendeu.

Quando a chama, ficou mais clara, pode ver tudo em volta, os livros dos sonhos, como os dois chamavam os livros de aventuras, por isso tinha entrado para o exército, para irem pelo mundo.

Mal sabia que iriam somente a um lugar, durante muito tempo, ele tinha se perdido na noite de sua mente, Steve tinha ido para a vida do outro mundo.

Se jogou em cima do colchão, depois de ter deixado seu saco do exército no chão, sem querer teve um acesso de riso, pois a cama é claro cedeu, foi ao chão.

Apesar da fome, tinha comido várias barras energéticas, no caminho, tinha enchido o cantil, com água da fonte da vila.

Dormiu profundamente, era como estar em casa finalmente, no lugar que os dois tinha construído entre si.  Seu ultimo pensamento como sempre foi para o Steve, eu não te disse que essa cama não aguentava muito tempo, pois os dois a tinha construído com troncos da floresta.

Despertou por volta das cinco da manhã, saiu do covil, a neblina como sempre, cobria tudo.

Lavou a cara no riacho, riu se lembrando do tempo que eles era garotos, antes mesmo de descobrirem o covil, que vinha ali tomar banho no riacho, os dois nus, aquela água fria.

Riam porque estavam acostumados.

Como um autômato, sabia que as cinzas do Steve, a tinha trazido para a vila, tomou rumo, queria render uma homenagem a ele, pelo caminho, foi colhendo flores que sabia que ele gostava, pois normalmente ele fazia isso, suas flores preferidas para alegrar o covil.

Entrou pelo fundos do cemitério, como em todas as vilas, ao lado da igreja, foi buscando as pedras mais recentes, aonde normalmente constava o nome do morto.

A encontrou, levou o maior susto, pois tinha uma com seu nome, basicamente ao lado.

Sentou-se no chão, ficou ali, olhando as duas.

Como era possível, pois isso, o médico lhe disse que nunca tinha aparecido nenhum familiar.

Nesse momento como num relâmpago, se lembrou de um detalhe esquecido no fundo de sua mente, no buraco que tinha caído, estava ali outro soldado, totalmente desfigurado, sem querer tinha sido ele que tinha acionada a bomba ao pisar em cima da mesma, só estava seu tronco no final do buraco.

Esteve ali sentado um bom tempo nem se deu conta que o dia tinha aberto, alguém tinha avisado ao pastor, pois ele estava sentado do seu lado.

Conhecia os dois?

Ele balançou a cabeça que sim.   Ia dizer que era o que estava ali, Sam Toth, mas sem saber por que ficou quieto.    Se o homem que o conhecia desde garoto, não o reconhecia, melhor.

Perguntou pela família dos dois.

A do Steve, levou um baque, hoje que leva tudo é seu irmão pequeno, do outro, os irmãos foram indo embora, só ficou o velho, como sempre com um mal humor do diabo.

Cuida sozinho dessa granja que cai aos pedaços, nunca aceita ajuda de ninguém.

Dizem que era seu filho preferido, o que ele achava que ia a universidade, nunca esperou que ele seguisse o Steve para o exército, os dois queriam ver o mundo segundo eles.

Não foram a lugar nenhum resmungou o velho.

Venha tomar um café com esse velho.

Quando entraram na casa paroquial, era a mesma senhora que o tinha atendido a vida inteira, ela sim o reconheceu, fez uma cara de espanto, mas ele lhe fez um sinal de silencio.

Serviu os dois, depois o ficou observando, o pastor, disse que tinha que rezar a missa, se ele vinha, a velha Margaret, disse que ele tinha que comer mais, tinha feito mais duas torradas, ele logo iria à missa.

Ainda resmungou, que a mesma só iam as velhas que não tinha o que fazer, para depois fazerem fofocas na taberna tomando chá.

Depois que o velho saiu, ela o abraçou, na verdade ela era uma tia sua, aonde andaste garoto.

Teu pai ficou uma fera quando soube que tinhas morrido.

Ele comentou por alto com ela o que tinha acontecido, passei anos catatónico, lhe explicou o que era, o choque de tudo que vi, que nos aconteceu gerou isso.

Só então enfiou a mão no bolso para chegar à conclusão, que o nome que constava no seu documento era realmente do outro.

Enterraram alguém nessa tumba?

Uma urna pequena com cinzas.

Sabia por que viviam no mesmo barracão, que esse que ele agora tinha o nome, George Mactosh, tinha saído de um orfanato, por isso ninguém tinha procurado por ele.

Ele lhe contou por alto, que tinha saído do hospital, só recobrei minha consciência a pouco tempo, as coisas ainda fazem confusão na minha cabeça.

Só meu pai leva a granja?

Não, lá vive com ele, o filho de tua irmã mais velha, tem o mesmo nome que tu, Sam, ele ajuda o velho no que pode, mas sabes como ele é.

Não aceitou tua morte, ficou dizendo que esse monte de cinzas não era o filho dele.

Talvez nisso, ele é o pai do Steve deixaram de brigar, agora os dois, tomam cerveja no pub no final de semana, falando dos dois.

O arrastou com ela a missa, depois disse ao pastor que o tinham que levar a casa do pai do Sam, porque ele queria render homenagem aos amigos.

Quando foram chegando, viu um garoto de uns quinze anos, trabalhando como um escravo, lavrando com sempre, a moda antiga.

Era super parecido com ele.  A senhora perguntou pelo seu avô, este riu, escondido em seu lugar preferido.

Na sua velha destilaria, ia acompanha-los, ela fez sinal que conhecia o caminho, afinal tinha sido criada naquela casa, mas ao ficar solteirona, foi cuidar do pastor.

O rapaz o olhava com cara de curioso, deixou tudo, os foi seguindo, a pastor de vez em quando passava um lenço pela cara, nenhum deles dizia nenhuma palavra.

Quando chegaram o velho estava acendendo o fogo embaixo da caldeira.

O que queres irmã, foi dizendo a ela, mais um desgraçado, perdido no mundo, veio para me dar os pêsames.

Quando o olhou, ficou com a boca aberta, o tinha reconhecido, dizia que ele era o único que tinha os olhos de sua defunta mulher, os outros tinha saído a ele.

Abriu os braços, chorava, mal conseguia falar, o abraçou, ficou com a cabeça do velho no seu ombro.

Ele repetia como uma ladainha, meu filho querido, não parava, a cara do pastor, do outro Sam era de espanto.

Sua tia disse ao mesmo, ele é o Sam Toth, enterraram outro em seu lugar.

Na sua cabeça se formava uma ideia, talvez fosse melhor assim, os velhos tinha se juntado, porque tinham perdido seus filhos, talvez se ele aparecesse agora, voltariam a mesmas brigas de antes.

Seu sobrinho Sam, apagou o fogo, foram andando para a casa, por fora era uma ruina, mas por dentro estava bem.

Prepare um chá Sam pequeno, como lhe chamava o velho.

Pode deixar que eu faço isso, disse sua tia.

Colocou um avental que estava atrás da porta, venho sempre fazer comida para estes dois, senão morrem de fome.

O garoto ia dizer que não era verdade, seu pai, soltou, vais teimar com essa velha, perdes teu tempo.

Ele com calma explicou ao pai, não sei o que aconteceu, devem ter trocado as placas, explicou o que tinha lhe acontecido, o velho não entendia uma palavra tão complicada, foi o pastor que lhe explicou.

Uma pessoa pode passar anos, com isso, é como se tudo se borrasse da mente da mesma, não é assim?

Sim foi o que me aconteceu, foi necessário um dos internos, que é considerado como louco, jogar do último andar, pelo espaço da escada, um carrinho, cheio de coisas de cozinha, o estrondo ao parecer, me fez despertar, pois me lembrou, do buraco que eu estava com o Steve.

Contou ao pai o que tinha acontecido, vinha esse rapaz o George na frente, ele era nosso superior, deve ter pisado numa bomba enterrada, vá se saber lá por quem, ele voou, nos ao contrário caímos, eu era o ultimo da fila, o corpo do Steve deve ter me protegido.

Não sei quanto tempo ficamos ali dentro, quando vi o Steve morria, não podia fazer nada, gritava por auxilio como um louco, mas no meio de tantas bombas, tiros, obuses, claro ninguém me escutou, fiquei com grito parado na minha cabeça, ainda sonho com ele.

Nisso a porta da cabana, se abriu, era o pai do Steve, o reconheceu imediatamente, fez cara de interrogação, lá foi ele começar a repetir tudo de novo, mas Sam pequeno, tomou a dianteira, foi lhe contando tudo que tinha escutado.

Ele só perguntou se seu filho tinha sofrido muito?

Não, creio mesmo que quando caímos nesse buraco, ele já estava morto, não sei como sobrevivi, pois via voarem com cima da minha cabeça tudo quanto e tipo de bombas, tiros gritos, talvez por isso, mergulhei na escuridão.

Fizeram alguma confusão, pois o que está enterrado no meu lugar é o George, ele não tinha família, era ele quem nos guiava.

Por isso não avisaram ninguém.

O homem o abraçou, pelo menos sei que meu filho não estava sozinho, aliás os dois nunca se largavam verdade velho.

Um chamava o outro de velho.

Ou seja eles sabiam, viu o que ele estava pensando, os dois riram, claro alguém tinha que chamar a razão esses dois cabeças duras, vocês dois pensavam que faziam tudo escondido, só nunca descobrimos aonde vocês se escondiam na floresta.

Viu que o Sam pequeno, sim sabia, mas não disse nenhuma palavra.

Ele sabia agora, que teria uma larga batalha pela frente para recuperar seu nome verdadeiro.

Semanas depois quando foi com um advogado, o que atendia a família do Steve, a uma coisa do exército, o coronel que os atendia, deixou cair os ombros, sempre é uma merda isso, teremos uma batalha pela frente, será necessário um teste de ADN, com seu pai, bem como todo o atestado médico desse tempo que ele esteve fora.

Ninguém dizia catatônico.

Voltou ao hospital, conversou com o médico, desde o primeiro momento, ele constava com George, uau, isso vai ser complicado.

O Coronel, ao qual faltava um braço, disse que isso era o que o exército, oferecia aos seus soldados.

Depois de quase dois anos, ele recuperou seu nome verdadeiro.

Com o Sam pequeno, recuperou o covil, iam os dois para lá agora caçar, mas nada de dar tiros, como faziam os velhos, preparavam pequenas armadilhas, para as lebres, animais pequenos.

O garoto, adorava esse lugar, vi todos esses livros de viagens, imaginei os dois aqui, um dia rindo disse que imaginava o que eles faziam nessa única cama.

Seu pai, nem o do Steve falavam nada.

Com o dinheiro que recebeu do exército, pelo seu erro, comprou um trator para arar as terras, o mesmo fazia com o Sam pequeno, nas terras vizinhas, o pai do Steve, tinha a maioria de suas terras alugadas.

Depois da primeira ida dele ao pub com os dois, nunca mais voltou, odiava o cheiro do lugar, suor, bebida, vomito, essas coisas.

Um dia no covil, contou que o Steve também odiava isso, sonhávamos ir pelo mundo, mas erramos, devíamos ter entrado para a marinha.

Trocaram a pedra, aonde estava seu nome, colocaram a do George Mactosh, ele ia todas as semanas levar flores para as tumbas, conversava com os dois.

As vezes Sam pequeno o acompanhava, o escutava falando alto com os dois, ele dizia tio, não fale alto que as velhas aqui escutam tudo.

Uma delas tinha contado que ele era louco, pois falava com os dois enterrados, sua tia, soltou no meio do pub cheio, isso antes que ficar fechada numa casa, sem tomar banho, uma casa fedida como ela mesma.

Ninguém mais falou nada.

Sam pequeno se matava de rir, ele o obrigou a ir à escola da cidade próxima, lhe comprou uma vespa, assim ele podia ir.  Pois descobriu que o antigo ônibus escolar não existia mais.

O irmão pequeno do Steve que ajudava o pai a cuidar das terras, vivia na cidade, vinha todos os dias de carro.

Ele aos poucos pagou as poucas dividas do pai, com o sobrinho, pintou a casa toda por fora, os irmãos as vezes apareciam, queriam dinheiro, mas trabalhar ali, não.

Ele disse que não podia ajuda-los, pois estava pagando as dívidas do velho.  

Esse soltou num Natal, o primeiro, que tinha dado dinheiro para todos eles, quando foram embora, portanto não tinham direito a nada, tudo ali era do Sam pequeno, que tinha trabalhado desde garoto com ele.

Os irmãos não gostavam, mas seguiam aparecendo para isso.

Quando viram a vespa do sobrinho, queriam saber quem tinha comprado, ele disse que tinha sido o Pai do Steve, quando lhe perguntaram ele fez um sinal, disse que sim.

Meus filhos são iguais, querem vender as terras, para terem dinheiro fácil, todos tiveram mais oportunidades que o Steve, mas quando aparecem é para pedir alguma coisa.

Ele todo o lucro que conseguia ter, conversou com o pai, era para o Sam pequeno ir à universidade.

Um dia apareceu um homem rico na vila, queria comprar todas as terras, para fazer um tipo de hotel Rural, o pai do Steve colocou o homem para correr. Mas depois comentou, claro a hora que eu bata as botas, todos farão isso, por isso já fiz meu testamento.

Convenceu o pai do Sam para fazer igual.

Ele escapava sempre que podia para o covil, as vezes a lembrança do Steve lhe doía, nunca tinha amado outra pessoa, nem sabia como seria.

Quando seu pai morreu, justamente o Sam pequeno, tinha conseguido uma bolsa de estudos para Oxford, uma coisa rara, depois descobriria que tinha sido o pai do Steve.

Seus irmãos apareceram como urubus em cima da carniça.

Depois do enterro, um advogado, o mesmo que ele conhecia, disse que iria de tarde, ler o testamento.

Ficaram furiosos, dizendo que os dois tinham se juntado contra eles, o pai deixava tudo para os dois, que a eles, tinha dado dinheiro suficiente, se não tinha conseguido ir em frente, era culpa deles, não sua.

Foram embora, batendo a porta.

Se sentou com o Sam pequeno, no covil, ficaram conversando, ele iria para Oxford, ele ficaria ali sozinho.

Quando voltaram na segunda feira, não encontraram a casa, seus irmãos a tinham queimado, como vingança.

Um homem que alugava terras do pai do Steve, se ofereceu para comprar, ele tinha economizado todo o dinheiro que podia depois de pagar as dívidas do pai.

Abriu uma conta no banco, da cidade, em nome do Sam pequeno, assim ele iria por livre em Oxford.

Primeiro pensou em ir para Londres, mas quando foi com o sobrinho a Oxford, viu um cartaz da policia que procurava por gente, se apresentou, como ex-militar,

O chefe de polícia, riu, sobre a confusão a respeito dele, era amigo do coronel, que tinha levado seu caso.

Ele vive aqui, pois estudou, dirige um grupo de estudos, para ex-militares, talvez fosse interessante para ti.

Ele alugou uma casa, para ele e seu sobrinho, aproveitaram a ajuda do chefe de polícia para isso.

Mr. Adams como gostava de ser chamado, o tinha como seu auxiliar mais direto, ele mesmo ia atender os casos, ele foi aprendendo.

Com o Coronel, foi aprendendo coisas, era um curso, de cultura, o mesmo tinha sonhado em ser professor em Oxford, mas a perda do braço o sacudiu muito.

Eram largas conversas que tinha num pub, ele que odiava os mesmo, se sentava, pedia uma Coca-Cola, alguns pensavam que ele tinha sido alcoólatra, nada mais longe da verdade.

Descobriu sim que os dois eram quase vizinhos, viviam na mesma rua.

Sam pequeno, foi se desenvolvendo na universidade, foi estudar humanas, bem como literatura.

Adorava devorar um livro de viagens, sonhava em ser jornalista.

Sem querer a amizade dele com o coronel, foi ficando mais intensa, os dois podiam conversar qualquer assunto, até o dia que o homem lhe perguntou sobre o Steve.

Sem vergonha nenhuma contou para ele o que eles tinham.

Quando Sam pequeno foi para Londres, trabalhar num jornal, o coronel tinha conseguido que ele fizesse primeiro práticas, depois ele mesmo conseguiu um contrato, pois era bom escrevendo.

Ele ficou sozinho, agora sua amizade do Gilbert, o coronel, era mais completa, até que esse o convidou para vir morar com ele, na casa deste tinha um lugar que ele adorava a biblioteca, com ele aprendeu também a amar a Opera, agora na temporada, algum final de semana ia com ele a Londres, para assistirem alguma, aproveitavam para ver o Sam pequeno.

Nunca o tinha chamado de júnior, sempre o tinha como o pequeno Sam.

Agora era quase de sua altura.

Ele nunca escondeu de ninguém que vivia com o Gilbert, as vezes Mr. Adams, ia com eles a Londres para verem alguma exposição, assistirem se era temporada uma opera.

Dizia que se tivesse sabido aproveitar a vida, nunca teria se casado, era viúvo sem filhos, então com os dois podia falar de tudo.

As vezes se reuniam na biblioteca, para discutirem algum caso que estava levando, dizia que na delegacia, sempre vazava alguma coisa, até descobrirem quem fazia isso, levou tempo.

Era justamente um dos homens de confiança dele, disse que ganhava pouco, tinha família.

Mr. Adams apenas o transferiu de delegacia, pois dizia que entendia, como alguém ia sustentar uma família com quatro filhos, com o salário deles.

Quando Sam pequeno, recebeu um primeiro encargo, para ir a Bruxelas, escrever sobre a comunidade Europeia, foram os primeiros a saber, ele pegou um trem no mesmo dia, para conversar com seu tio, com o Gilbert, depois discretamente, lhe disse que cuidasse de seu tio.

Mas se é ele quem cuida de mim.

Gilbert, apesar de só ter um braço, se virava muito bem, seguia dando aulas, tinha seus horários livres.   Lia vários jornais do mundo.  Preciso saber o que está acontecendo por aí, nesse vasto mundo.

Nas primeira férias depois disso, foram a Bruxelas, visitar o sobrinho, agora ele era o correspondente junto à comunidade Europeia.

Volta e meia ia cobrir alguma coisa relativa a algum pais membro.

Eles dois aproveitaram tomaram um trem, foram a Paris, fizeram todos os passeios possíveis, Sam comentou com Gilbert, sonhávamos no nosso covil, fazer justamente isso.

Nunca escondia que tinha amado o Steve com todas suas forças, como agora tinha aprendido a amar e respeitar o Gilbert.

Mais de dez ano depois, Gilbert, descobriu que justamente no osso que lhe sobrava no ombro, tinha um câncer ósseo.

Foram os dois ao médico, ele fez todos os exames, o oncologo, os recebeu, Gilbert, perguntou quais eram suas possibilidades de cura.

O oncologo, lhe disse que quando muito de dez por cento, pois já tinha se estendido muito.

Disse que não faria nenhum tratamento de quimioterapia, ou rádio, que entraria direto no que podia lhe dar um tempo de vida confortável, fez um testamento vital, não queria ser entubado, nem que fosse revivido.

Mas felizmente morreu dormindo, no dia anterior tinha falado justamente com Sam, que ele tinha lhe dado os melhores anos de sua vida, que o tinha amado, justo no instante que tinha entrado no seu escritório, dizendo que não estava morto como diziam.

Pois eu me sentia assim sem meu braço, morto, contigo aprendi a viver.

Deixou uma parte de sua herança para ele, outra parte, para o Sam pequeno, uma terceira, para a universidade, que tinha lhe permitido dar aulas.

A cerimônia, foi emocionante, Sam pequeno, veio para assistir, tinha uma namorada que era jornalista também, da França.

Depois da leitura do testamento, ele disse que assim poderia comprar um apartamento que em Bruxelas valiam uma fortuna, iriam morar juntos a principio para saber como se relacionar.

Sam se sentia meio perdido, como ele diria depois, tinha sido salvo por Mr. Adams, pois tinham um caso complicado entre mãos.

Faziam gozação dos dois na delegacia, pois diziam que nunca entendiam por que falavam aos sussurros, era uma mania de Mr. Adams, que temia sempre que alguém divulgasse as notícias antes do tempo.

Quando disseram que ele o iam aposentar, Mr. Adams, disse que ia fazer agora o que sempre tinha sonhado, viajar pelo mundo, tudo que pudesse.

Ele pensou, claro tinha justamente sua pensão de militar, que nunca tocava, além do dinheiro que o Gilbert tinha lhe deixado, pensou muito, conversou com o Sam pequeno, acho que é a hora de realizar meus sonhos de juventude, ele tinha adorado a viagem que tinha feito com o Gilbert.

Se sentou com o Velho Mr. Adams, fizeram o primeiro traçado da viagem que iriam fazer, justo no dia que lhe ofereceram o cargo dele, disse que se aposentava antes do tempo, iria acompanhar seu mentor pelo mundo.

Levaram muitos anos fazendo isso.

Quando Mr. Adams, morreu em Roma de um enfarte, ele trouxe o corpo para Oxford, aonde foi enterrado em uma cerimônia oficial.

Sam pequeno veio, tinha se casado depois de anos vivendo juntos, mas não tinha dado certo, agora era correspondente em Paris, sua mulher estava a anos trabalhando na Asia, ele tinha ficado com o filho.   Porque o senhor não vem para viver comigo em Paris.

Foi, mas com uma condição, vivia num apartamento ao lado do sobrinho, tinham os dois a mesma mulher que cuidava da casa, bem como levava o pequeno a escola.

Ele aproveitou, fez um traçado, viajava por toda a França, conhecendo cada lugar ou vila pequena do pais adotivo.

Se era só um final de semana, ia com o menino, ou mesmo o Sam pequeno vinha junto.

O garoto dizia que iam como os três mosquiteiros.

Assim ele realizou os sonhos de sua juventude, agora sempre sonhava, com o Steve, lhe aparecia nos sonhos, junto com o Gilbert, um dia estaremos juntos, pensava.

Mas não agora, tinha que mostrar ao pequeno, muitos lugares do pais de sua família.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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