CORPUS CHRISTI

 

                                      

 

Tudo tinha começado por duas coisas, a fé louca de sua mãe, ou mesmo o desejo dela que ele ficasse longe dos problemas de família.

Ele pertencia a uma das grandes famílias mafiosa de NYC, tinha três irmãos mais velhos do que ele, tinha nascido quando sua mãe imaginou que jamais voltaria a ficar gravida.

A espantava porque era um bebê quieto, que estava sempre observando tudo em volta, preocupada, pensando que era um castigo de deus o levou a um médico.

Esse riu, tens sorte, porque eu só recebo aqui mães com reclamação, com filhos hiper ativos, loucos, o teu é quieto porque será sempre um homem observador. 

Na verdade era como se ele tivesse nascido numa família errada, as vezes chorava, quando a mãe o levava pequeno a mesa de jantar, com aquela família falando aos gritos, gesticulando como loucos, mesmo já maior, preferia comer na cozinha do que estar na mesa da família.

Era o único que acompanhava a mãe, que ia todos os dias a primeira missa da igreja, perto de casa, aonde era amiga do padre da mesma, tinham nascido na mesma região da Sicília.

Eram da família Barrovecchio, tão velha e tradicional, como sanguinária.

Ela adorava o filho, não queria que fossem como os outros que mal tinham terminado os estudos, ela que sempre tinha sonhado ir mais além.

Se aconselhava com o padre da igreja, esse o conseguiu colocar numa escola católica, passava o dia inteiro lá.   Um carro negro, com um chofer, um guarda costa, além de sua mãe e claro, o iam levar todos os dias, era interessante que o único que lhe dava carinho, era justamente o guarda costa, passava os dedos sobre seus cabelos crespos, o despenteando, ele adorava.

Seu pai, mal se aproximava dele, os irmãos muito mais velhos, nem se fala, aquela casa estava sempre cheia de homens de seu pai, mas nem se atreviam se aproximar dele, ante a olhada feroz de sua mãe.

Ela era a única que conseguia colocar ordem na mesa, dava um grito, nisso depois ele ligaria que tinha sido uma cantora de opera com futuro, mas tinha se casado com um dos mais poderosos mafioso da cidade.

Ele só estava na mesa do grande salão, aos domingos, sentava-se direito, como tinha aprendido na escola, comia, pedia licença para se retirar, embora as vezes ficava escutando as conversas atrás da porta.

Sabia o que era sua família, um dia na escola um garoto o provocou para brigar, ele ia se defender, quando outro se aproximou disse para o que lhe tinha provocado, cuidado ele é da família Barrovecchio, podem te mandar matar toda a tua família.

O outro ainda lhe pediu desculpa, entendeu que por isso os outros garotos não se aproximavam dele.  Ali ele no final era um paria, o único que parecia não ter-lhe medo, era um negro, que estudava ali de favor.

Com ele jogava bola, basquete, claro ele também era um paria ali.

Quando acabou esse período, sua mãe convenceu seu pai, que ele devia ir para uma escola interna, ele imaginava que devia ter sido uma batalha imensa da parte dela.

Mas talvez por ele ser diferente dos outros, o pai concordou, ela com o padre, conseguiram que ele fosse admitido numa escola interna em Roma, na verdade eram um dos seminários mais estritos de lá.

Mas antes para sua surpresa, um dia o padre sentou-se com ele, falou de abusos que poderiam acontecer, lhe ensinou uma série de truques, o primeiro deles, dar um chute no saco, nunca permita que te passem a mão pelo teu corpo.

Depois lhe explicou que isso tinha acontecido com ele, quando estudava para padre.

Ele no fundo nunca tinha se imaginado ser padre, não gostava da ideia, achava a missa um grande teatro, tinha feito tudo, primeira comunhão, todas essas coisas para agradar a mãe.

Os dois o foram levar a Roma.

Mal viu a cidade, pois foram direto ao seminário, lá deram a ela, uma lista para um enxoval que ele devia ter, o padre Carlos Alboreta, disse que ia com ela, ele foi junto, pois tinha que provar as roupas, o que ele não gostou, foi ter que usar uma batina, a de noviço.

O padre Carlos, um dia se sentou com ele, falando que ele aproveitasse, teria aulas de mil coisas, isso poderia lhe formar para muitas coisas, mesmo que não quisesse ser padre.

Aproveite, aprenda, se depois não queres ser padre, isso te facilitará para a universidade.

Ele levou ao pé da letra tudo isso, tinha o hábito de não falar muito, quando quiseram que ele fosse coroinha na missa, pediu desculpas educamente, disse que preferia assistir, concentrado em Deus, sempre falava as coisas muito sério, sem esboçar nenhum sorriso, isso o ajudaria no futuro, pois era como se tudo que falasse fosse verdade, embora fosse uma gorda mentira.

Não queria ser coroinha, pois via o que faziam, achava um saco.

Ele assistindo a missa, parecia estar rezando, mas na verdade dava largas á sua cabeça, imaginando coisas.

Seu único contato agora com o mundo exterior, era justamente o padre Carlos, esse adorava uma carta, tinham uma correspondência impressionante, todas as semanas relatava o que tinha aprendido, o que tinha visto nas saídas que fazia com os outros alunos, para visitarem museus, principalmente o do Vaticano, o professor os levava somente a uma parte, ali, tinha que analisar tudo que viam, nada de visitar o museu inteiro, depois não se lembrar.

Esse era guloso, aproveitava para passarem numa confeitaria, comiam doces, no verão sorvete, pois no seminário não existia nada disso, só dizia, limpem bem a boca, para não nos denunciar.

Dizia sempre, depois terei que me confessar, pelo pecado da gula, isso fazia as gargalhadas enquanto enfiava um doce inteiro na boca, virando os olhos para cima.

Ele só tirava as melhores notas em Latim, as línguas todas, até alemão falava bem, cada um tinha uma cela, nada de dormitórios imensos, porque ali, estavam todos alunos de famílias ricas.

Um companheiro que se achava especial, dizia que o sonho de sua mãe era que chegasse a cardeal.

Um dia passeando como gostava de fazer, os companheiros o imaginavam pio, pois fazia isso, com o rosário na mão, mas a maioria das vezes estava era cantando alguma música que tinha escutado na cozinha do seminário, aonde um padre colocava a rádio no último volume.

No final do jardim, um dia ficou parado em frente a uma imagem da Virgem, alguma coisa lhe chamou a atenção, um gato entrando pela parte detrás, foi olhar, era um espaço vazio na parede, a mesma vegetação, dava para a rua.   Aprendeu a escapar por ali, levou uma roupa que comprou, calças jeans, camiseta, no inverno um casaco, quando começava a noite, escapava por ali, ia conhecer a Roma que não o deixavam ver.

Andava pelas ruas, um dia por precaução, viu um canivete imenso, se lembrou que um dos homens de seu pai, tinha um, entrou, comprou o mesmo.   Todos os meses chegava um envelope lacrado, dinheiro que sua mãe lhe mandava.  Encontrou um esconderijo na sua cela, escondia ali, agora quando saia, levava para desfrutar, primeiro comer algo que não houvesse lá, por exemplo em belo hamburger, com coca cola.

Um dia andando por um bairro da parte velha, viu um grupo de jovens da sua idade, todos vestidos de negro, com cordões de prata, como se fossem as gangs de NYC, inclusive faziam o mesmo gingado.

Nisso passou um carro, parou, um deles abriu a braguilha mostrando o piru para o homem, em seguida entrou.

Entendeu eram prostitutos, mas formava uma gang para se proteger.

Ficou até com inveja, pois não tinha experiencia sexual nenhuma.

Ficou imaginando, que devia ser bom, porque o sorriso na cara dos rapazes e do homem do carro era grande.

Nesse dia quando voltou, subiu de fininho, pois seu quarto estava no último andar do seminário, o hall da escadaria era imenso, saia de um dos quartos um professor, com a batina aberta, arrumando o piru, entendeu que o mesmo tinha abusado de um garoto novo, que tinha vindo de algum lugar, ficou escondido nas sombras, quando o mesmo passou com um sorriso malvada na cara, não gostava do mesmo, sempre o via passar a mão nos menores, quando tentou com ele, um professor avisou, sua família é mafiosa, olha lá com que te metes, nunca mais se aproximou.

Ele saiu da sombra numa velocidade de impulso, deu um empurrão no mesmo, que caiu pela vazio da escada.  Olhou para baixo o mesmo estava jogado no chão, numa posição grotesca.

Olhou no quarto que ele tinha saído, era seu companheiro alemão, estava encolhido na cama, foi até ele o consolou, pegou uma toalha que estava ali, o ajudou a se limpar, não se preocupe, não voltara mais.

No dia seguinte, ninguém falava no assunto, logo tinham outro professor para substituir o mesmo.

 A partir de então passou a prestar atenção, se infiltrava numa saleta ao lado da do prior, fingia que estudava, para escutar as conversa do mesmo.

Foi quando o escutou falando com alguém, que por fim tinha se livrado desse sem vergonha, claro amigo do Cardeal Nunzio, esse sempre mandava um para se esconder lá.

Um que ele desconfiava que abusava dos pequenos, passou a segui-lo, aparentemente estava rezando, mas tinha agora um mantra, espere a oportunidade.

Um dia o viu tentando abusar de um garoto que não era dali, na sacristia da igreja, tirou seu canivete, veio por detrás, lhe cortou a jugular, o garoto se assustou, ele abriu a porta da igreja para o mesmo, dizendo, não se preocupe, era um filho da puta.

O garoto nunca mais apareceu.

De novo não se escutou falar nada, entendeu, que o que acontecia dentro daqueles muros, não se falava fora.

Um dia viu que um desse padres, que estava ali, mas que não rezava missa, tampouco davam aulas, saia do mosteiro, saiu correndo, mas tomando cuidado, tirou só a batina, colocou o casaco, prestando atenção se levava o canivete.

O mesmo foi justamente em direção aonde ele tinha visto os rapazes, ficou observando de longe, viu que nenhum deles queria ir com ele.

Depois quando passou perto, um deles dizia esse homem é tarado, quase me matou quando fiz sexo com ele, queria me asfixiar.

Logo mais adiante, encontrou no chão, ao lado de uma lixeira, um pedaço desse cabos com cobre dentro, enrolou em sua mão.

Mais adiante, viu que ele dava dinheiro a um homem com mal aspecto, lhe dava dinheiro, levava um garoto pelas mãos, o mesmo se debatia, o seguiu, viu que o mesmo entrava num edifício, arrastava o garoto para baixo da escadaria, quando ele abaixou as calças, depois de ter aberto a batina, não teve conversa, tinha força, o derrubou no chão, passou o fio pelo seu pescoço, o enforcou como tinha visto num filme, ia sempre ao cinema quando escapava.

Só tomou o cuidado de limpar o fio na própria batina, como levar o mesmo com ele.

Pegou o menino assustado pela mão, o levou com ele, parou ao lado do que lhe parecia o chefe de bando dos meninos, o chamou a parte, contou que o padre tinha querido matar o mesmo, pagou para um homem pelo menino.

A esse é seu pai um bom filho da puta.

Deixaram o menino na frente de um orfanato, tocaram a campainha, aqui vão cuidar de você.

O outro rapaz, lhe estendeu a mão, lhe disse seu nome Dario, ele disse o seu Umberto.

Dali foram atrás do pai do garoto, que estava contando mentiras a um bando de bêbados, esperaram um pouco, quando ele olhou no relógio, o filho da puta, sabia aonde o outro tinha levado seu filho, quando entrou no lugar, os dois tiraram seus canivetes, era iguais, sorriram um para o outro, o atacaram o deixaram ao lado do padre.

Desta vez sim, houve escândalo, pois a policia por causa de uma chamada do Dário, apareceu.

Ele teve que voltar correndo para o seminário, se lavou, tirou o sangue do canivete, bem como lavou sua roupa que tinha manchando.

Entendeu por que se vestir de preto, o sangue não aparecia.

Agora quando escapava ia se encontrar com o Dário, ele fazia uma coisa, anotava o número da placa do carro, assim se o rapaz não volta posso denunciar.  

Viviam todos num edifício abandonado, nos andares de baixo, tem famílias de okupas, nós ficamos no último andar, porque se a polícia aparece, podemos escapar pelos telhados.

O prior não gostou nada, porque desta vez o escândalo estourou na sua cara.

Foi quando viu pela primeira vez o Cardeal Nunzio, tinha uma cara sebosa como ele diria, estava furioso, reclamava se ele mandava esses padres para lá o prior tinha obrigação de cuidar dos mesmos.

Saiu batendo a porta.

O prior estava furioso, sempre claro estourava na cara dele, não só apareceu a polícia, mas também um dos homens da guarda papal.

Viu logo que esse era um protegido do Cardeal Nunzio, realmente esse lugar que ele ficava, dava para escutar tudo, bem como observar.

Era a terceira morte suspeita, ali no seminário, como podem entrar aqui se a porta principal não permite.

Ele não ia falar do seu esconderijo para sair.

O mesmo revistou cela por cela, para saber se era alguém dali, mas não encontrou nada, tinha aprendido com o Dário, aonde devia levar o canivete, para ninguém desconfiar.

Dentro das meias, como as mesma tinham elástico, era fácil, a principio incomoda, depois te acostumas.

Agora a cada saída, aproveitava para estar com ele, quando lhe disse que era virgem, esse riu, venha comigo, lhe ensinou a fazer sexo.  Achou interessante, este lhe ensinar como colocar uma camisinha, há que se proteger, nunca se sabe com quem andas.

Quando se encontravam, iam ao cinema, às vezes, iam comer, eram como namorados.

Um dia chegou, soube que a policia tinha levado o Dário.

Quando voltou a aparecer, estava mais magro, tinham lhe dado muitas surras, lhe mostrou de longe o policial que tinha feito isso, ajudou na sua vingança, ele quer parte do que ganhamos, um bom filho da puta, sempre leva um dos garotos para fazer sexo, o maltrata.

Vamos fazer o seguinte, se fico aqui ele vai achar que sou um novo, vai me querer, assim o pegamos os dois.

Foi o que fizeram, ele entrou no carro, o sujeito era asqueroso, meio gordo, pelo retrovisor de seu lado, viu que Dário montava numa vespa para segui-lo.  Sabia para aonde o estava levando, para um jardim bem escondido.   Assim ele chegou antes, por sorte o homem tinham pensado em leva-lo para um hotel, mal desceu do carro, abaixou as calças, disse para ele chupar, ele se ajoelhou, aproveitou para tirar o canivete das meias, quando Dário, surgiu por detrás, ele cortou do mesmo o piru inteiro, Dário lhe cortou a jugular, entre os dois o colocaram no carro, este lhe deu umas luvas dessas de plástico, azuis, assim não deixamos impressões digitais, o fez se lembrar de aonde tinha tocado, passando um lenço por ali.

No dia seguinte pouco se falou no assunto, entendeu que isso era como os padres, a polícia escondia tudo.

Ele pediu para o Dário seguir o policial do Vaticano, queria descobrir aonde vivia o Cardeal Nunzio.

Dário lhe contou que ensinava todos os garotos a se defenderem, quando descobriram aonde vivia o mesmo, inclusive aonde tinha segurança eletrônica no palácio do mesmo.

Mas o principal era saber por aonde entrar, via que os empregados saiam todos, que só ficava esse homem da guarda do vaticano.

Entraram todos pela casa, encontraram os dois fazendo sexo na cama, o Cardeal sentando em cima do guarda, gemendo como uma puta.

O idiota tinha deixado sua arma na saleta antes, Dário, disse ao seu ouvido que sabia usar, todos estavam com luvas. Só havia um abajur numa mesa lateral acesa, se moveram na sombra, deu um tiro na cabeça do guarda, mas não deixaram o Cardeal sair de cima, outro na cabeça deste.

Dário tinha um celular, roubado segundo ele, fizeram fotografia dos dois, disse que depois mandaria para os jornais, fizeram uma limpa na casa, coisas pequenas de valor.

Levaram a arma, bem como todo dinheiro do bolso do mesmo, inclusive o anel do cardeal.

Ele alertou, isso é perigoso vender, pois mais vale derreter essas coisas de ouro, para não chamar a atenção.

No dia seguinte, apesar de tudo, estava nas manchetes de jornais sensacionalistas, o cardeal sentado em cima do outro morto.

Foi um bom escândalo, ele ficou dias sem sair, apesar de ter alertado os meninos, sabia que algum ia tentar vender para conseguir dinheiro.

Escutou o prior rindo as gargalhadas, falando por telefone, que finalmente tinha se livrado do Cardeal, que agora ia colocar para fora todos os que ele não queria ali.

Estava na época que tinha que decidir se queria ou não ser padre, tinha se formado na escola normal vamos dizer assim, sua mãe apareceu com o Carlos Alboreta, esse conversando com o prior, riu a bessa, alguém fez um favor ao senhor.

Depois perguntou se ele não queria se confessar, mas ele aproveitou para falar com os dois, não queria ser padre, não era seu sonho, queria sim ir para a universidade.

Sua mãe tinha parentes em Roma, foi falar com eles, uma das suas tias, uma solteirona, o receberia em casa, vivia num antigo palacete, dividido em apartamentos, ele ficaria na área de serviço, teria uma entrada separada, assim não a incomodava.

Sua mãe foi com ele, ao Banco, abriu uma conta, aonde depois ele depositou todo dinheiro que tinha escondido.

Foi quando leu no jornais, que tinham pegado um dos garotos, tentando vender alguma coisa que tinha roubado da casa do Cardeal, mas que os outros tinham escapado.

Agora não tinha que sair escondido, sabiam aonde viviam, foi até lá, mas justo nesse dia viu que o outro tinha falado isso para a polícia, viu que a maioria saiam dali, presos, mas não o Dário, ficou observando os telhados até que o viu.

Fez um sinal, que ia comprar roupas diferentes para ele, pois procuravam os que usavam roupas negras.

Voltou rapidamente, este sinalizou aonde estava, entrou no hall do edifício atrás de uma pessoa que abriu, ajudou a mesma a levar as compras para cima, foi até a parte de cima, abriu a porta, assim Dário pode sair, lhe disse para trocar de roupas.

Tinham a mesma altura e corpo.

Agora era aonde esconder o mesmo.

Esse disse que ia ficar fora um tempo, tenho dinheiro escondido, assim posso ficar fora uma boa temporada.

Ficaram preocupados, com o que o garoto podia ter contado, ele deixou a barba crescer, os cabelos também, mas não disse ao Dário aonde ia viver, este sabia que ele vivia no seminário, nada mais, tampouco seu sobrenome.

Começou as aulas na universidade, estranhou muito, o pessoal não levava muito a sério, a maioria que vinha do interior queria sim desfrutar a suposta liberdade que tinham.

Ele levava a sério, sempre tinha gostado disso, estudar.

Agora falava com sua mãe uma vez por semana, num determinado horário, ela lhe chamava pelo celular.

Lhe contou que um de seus irmãos tinha feito uma merda, tinha se associado a um traficante de drogas, que seu pai tinha ficado furioso.

Agora era como resolver o problema.

Pela primeira vez ele iria nas férias para casa.

Evidentemente estranhou muito, a única pessoa com quem ele podia falar das coisas era justamente o padre Carlos Alboreta, esse o avisava muito do rumo que estava tomando as coisas na família.

Um dia foi com sua mãe, de compras, mas na verdade foram ao banco, ela lhe contou que a casa estava sendo vigiada, que era melhor ele ficar com o padre.     Temo muito que a cúpula da família, nos expulse, o que facilitaria a polícia.

Nesse dia ela levou sua maleta para a casa do Padre, ele lhe arrumou um lugar para ficar.

Não creio que devas voltar para Roma.

Nunca perguntava como ele conseguia as coisas, usava claro suas influências, pessoas que ajudava, que conhecia, conseguiu uns documentos com o nome de Umberto Vecchio, mesmo os documentos que vieram de Roma da universidade, vinham assim.

Se matriculou na universidade da NYC, para seguir o curso no semestre seguinte.

Via sua mãe, na sacristia da igreja, porque durante a missa, ela sinalizou que estava sendo seguida.

Lhe deu uma autorização para aceder a uma caixa num outro banco, caso lhe acontecesse alguma coisa.

Ela ia todos os dias a missa, no mesmo carro, com o guarda costa de sempre.

Tinha vontade de falar com ele, mas isso era perigoso.

Um dia saiam da igreja, passou um outro carro, metralhou todos eles, o padre saiu correndo, lhe fez sinal para ficar dentro, logo a polícia estava ali, o único sobrevivente era justamente o guarda costa, tinha levado vários tiros, estava no hospital, sendo operado.

Sua mãe tinha morrido no ato.

Viu da torre da igreja, seu pai e seus irmãos ali, que seu pai discutia com seu irmão que era o culpado disso tudo.

Nesse dia ele estava na igreja, só para vê-la durante instantes, ela passava a mão pelo seu rosto, coisa que sempre fazia, quando estavam a sos, em casa isso nem pensar, tinha passado a fazer isso, cada vez que iam a Roma, para visita-lo.   Dizia como estas ficando bonito meu filho, pareces com teu pai.

Ele achava estranho, porque seu pai tinha cabelos lisos, de uma certa maneira ele era diferente dos outros.

Foi dois dias depois, pois imaginava que o quarto do guarda-costas, estaria vigiado.

Conseguiu num dos vestiários, uma guarda pó de um médico, que inclusive esqueceu o crachá, os que estavam ali na porta, não o conheciam.

Ele entrou tranquilamente, se aproximou da cama, esse abriu um sorriso imenso, sem querer no momento que esse disse meu filho, entendeu, era filho dele.

Fez um sinal para ele se aproximar, lhe disse que na caixa do banco, ele entenderia, não tenho muito tempo de vida, vão acabar comigo, mas não importa, a pessoa que mais amei, já não está, tirou debaixo do travesseiro um cordão com uma chave, vá a minha casa, lhe disse baixinho aonde era, procure, lhe explicou, que tinha que afastar o armário, vá logo antes que esse teu irmão procure algo por lá.

Lhe beijou, lhe disse baixinho no ouvido, adeus meu pai.

Então era isso, porque ela o protegia, não era filho do todo poderoso senhor Barrovecchio, mas sim do guarda costa de sua mãe.

Depois o padre Carlos Alboreta, lhe disse que eram da mesma cidade, os três viemos para cá juntos.

Ele de noite foi a casa de Antonio Piano, seu verdadeiro pai, esperou para ver se não tinha ninguém, se tampouco estavam vigiando o lugar, subiu, levava uma lanterna que tinha comprado, assim era mais fácil, era um apartamento pequeno, mas tudo estava pelo chão, claro tinham estado ali.

Mas o detalhe principal, era um armário do quarto, que tinha tudo no chão, mas não tinham descoberto o que ele tinha falado para ele fazer, afastou as roupas do chão, acionou o botão escondido, ficou de boca aberta, num oco da parede por detrás, tinham pilhas de dinheiro, muito mesmo, achou uma bolsa, colocou tudo dentro, mesmo assim sobrava dinheiro, arrumou uma de supermercado, colocou o resto, por detrás de tudo, tinha um envelope, enfiou preso por dentro de sua camisa.

Quando saiu, tinha colocado tudo no lugar, escutou, seu irmão chegando irritado, esse filho da puta tem dinheiro aqui escondido.

Lhe dei dinheiro para pagar o traficante de drogas, o mesmo obedecendo ordens de minha mãe, não pagou, por isso essa confusão toda.  Nem era para meu pai saber.

Ele se escondeu, subiu mais um andar, ficou esperando que eles saíssem, foram embora sem nada, não tinham encontrado o esconderijo.

Desceu depois de algum tempo escondido nas sombras, foi para aonde morava, ali tampouco era seguro ficar, se eles sabiam dos dois, o seguinte seria ele.

Não queria o padre Carlos Alboreta no meio, tirou tudo que era seu, foi para um apart-hotel, com seu novo nome.

Lá ao abrir o tal envelope, viu um registro de nascimento, de André Piano, encaixava com sua data de nascimento, viu o nome de sua mãe original, sem o sobrenome de seu pai, com o de Antonio Piano.

No dia seguinte, saiu, fez uma coisa, entrou num salão, todos ali eram negros, pediu para fazer corte moderno, bem como tingirem seus cabelos de loiro, gostou de como ficou, comprou roupas novas, diferentes das que usava, foi a um lugar de documentos, falou que tinham roubado seus documentos na universidade, queria novos documentos, claro com seu novo nome, só tenho minha certidão de nascimento.

Assim nasceu seu nome verdadeiro, André Piano, lhe mandariam para seu novo endereço.

Depois foi a caixa do banco que sua mãe tinha lhe falado, mais dinheiro, inclusive pequenas barras de ouro, tirou tudo que pode numa maleta, depois voltaria por mais.

Foi até o outro banco, abriu uma conta com seu novo nome, bem como contratou uma caixa, guardou, inclusive sua certidão de nascimento.

Só levou com ele, uma carta dela para ele.

Quando a leu, entendeu tudo, os três tinham vindo acompanhando a amiga, ela era filha de um grande chefe da máfia em Palermo, se casava com seu pai, para fazerem um pacto.

Com ela vinha o amigo padre, bem como o que seria seu segurança a vida inteira, todos os três eram amigos de infância, filhos de homens de confiança de seu pai.

Por isso, sempre estavas protegido, se acontece alguma coisa, já eres esperto para saber o que fazer, mude de nome.

Isso ele tinha feito.

De um telefone público, falou com o Padre Carlos, esse respondeu com uma voz terrível, disse que tinha acabado de rezar outra missa, agora pelo seu grande amigo Antonio Piano.  Ele entendeu, a mensagem, fique longe, mataram o teu verdadeiro pai.

Marcaram de se ver nessa noite, vou sair pela porta traseira da igreja, pouca gente sabe que existe, volto para a Sicília, aqui não estou seguro.

Ele sabia aonde dava a porta, quando o padre saiu, viu que seu irmão mais velho saia sozinho da sombra, com um revolver nas mãos, o que este não esperava era que ele viesse por detrás, com uma navalha que tinha acabado de afiar, lhe cortou a jugular.

Saíram os dois dali, foram trocando de ônibus até que o levou ao seu apart hotel.

Conversaram, tenho que pegar o primeiro avião para Itália, de lá para a Sicília, lá estarei seguro. Acho que devias fazer o mesmo, o teus dois avós são poderosos por lá.

No dia seguinte, deixou logo cedo no aeroporto o padre que embarcou no primeiro voo para Roma, de lá iria direto para Palermo.

Ele fez uma coisa, perguntou no banco se tinha agência em Itália, disseram que lhe dariam um cartão de crédito bom, já tinha seus novos documentos, retirou tudo do outro banco, além do resto da caixa, guardou tudo ali, além de depositar, viu qual o valor que poderia levar com ele.

Nessa mesma tarde embarcou para Roma.

Em todos os canais de televisão se falava do estranho crime, o de seu irmão assassinado atrás da igreja.  Se falava num ajuste de contas, por ele dever dinheiro a máfia das drogas.

Ele embarcou, teve que ir de primeira classe, de qualquer maneira, poderiam procurar uma pessoa morena, ele era loiro de olhos verdes como seu pai verdadeiro.

De lá telefonou para o Padre Carlos Alboreta, já falei com teu avô Piano, vamos te buscar no aeroporto.

Comprou um bilhete, num voo antes, chegou ficou observando algum movimento estranho, riu para sim mesmo, para quem ia ser padre, aonde vim parar.

Viu Padre Carlos, entrar vestido como qualquer outra pessoa, lhe fez um sinal, o seguiu de longe, viu um carro velho, parado, ele abriu uma porta, ele entrou correndo.

Deu de cara com um velho, riu, era como ele seria com mais idade, o homem o abraçou, meu filho, foi tudo que disse.

Disse que o iam levar para a casa de uma irmã dele, ficarás lá, até tudo ficar calmo.

Estão furiosos, porque Carlos, escapou da trama de vingança de teu irmão mais velho, ele ia assumir agora a cabeça de família, já que o pai dele tem câncer, planejava se associar com traficantes de drogas e armas, para ter mais poder. Mas alguém o matou.

Meu filho não entregou o dinheiro que devia aos traficantes, ninguém sabe aonde está esse dinheiro.

Ele sorriu, estava em sua conta, uma parte guardada numa caixa forte.

Tens que ficar escondido, eu trabalho para teu outro avô, mas esse não pode tomar partido como eu, nem sabe que existes, aqui também existe uma luta pelo poder, teus tios, acham que ele está velho, mas não o conhecem, não vai passar o poder tão facilmente.

Carlos ficara contigo, se virou para ele, nada de missas, nem igrejas, fiquem até conseguir levar vocês para um lugar seguro, aonde ninguém te conheça.

A tia o recebeu como um rei, vivia numa casa isolada no campo, este era uma mansão antiga, aonde ainda se fazia azeite, tinha um muro alto, dali se podia ver se alguém chegava pela única estrada que ia até ali.

Era normal seu irmão aparecer, pois ela era viúva, ele tinha parte de seu olivar que era da família.

Ela vivia com uma senhora que cozinhava, essa era muda, o marido lhe tinha cortado a língua, por falar demais.

As compras trazia seu avô da cidade.

Um dia disse que seu outro irmão estava por lá, tinha vindo reclamar, achava que Padre Carlos estava escondido por ali.

Nessa noite, seu avô veio com um de seus homens, com outro carro, estiveram estudando, deves ir para o sul, mas não quero saber para aonde, assim não posso confessar nada.

Saíram de madrugada, foram só parar para comer em algum lugar do caminho, depois dormiram em Agrigento, mas no dia seguinte, seguiram viagem, lá sem usar seu nome de Padre Carlos Alboreta, ligou para um amigo em Gela, era padre como ele, disse que precisava de ajuda, uma casa para passarem um tempo.

Podem vir, consigo para ti. Disse que os esperava na entrada da cidade, disse o lugar.

O mesmo usava uma bicicleta, estava ali parado, sua batina já tinha visto dias melhores, levo uma pequena igreja, numa praia de pescadores.

Arrumou uma casa numa praia afastada para eles, deviam chamar menos atenção possível.

Como para se distrair, ia a praia, logo deixou de ser tão branco, ficou moreno, seguia usando os cabelos curtos, mas mais queimado de praia.  Assim pode ir a vila, os dois agora pareciam de lá, ele tinha aprendido a falar como os dali.

Usavam um telefone público de uma farmácia para falarem com seu avô, esse disse que a coisa estava feia, que seu irmão, que tinha aparecido, queria que a família de lá fizesse como eles agora tráfico de drogas, o velho não queria, mas seu tio sim.  Depois a família só tinham mulheres, elas também são contra.

Na surdina eles voltaram para Palermo, se instalaram num pequeno hotel, perto da vila aonde vivia seu outro avô.

Ele passou a vigiar todos os movimentos de seu tio, o mesmo, ia sempre seguido de seu homem de confiança, só na casa de uma amante, era que ele entrava sozinho.

Um dia que ela saiu, ele entrou por detrás, deixou ali escondido uma arma.

Nessa noite quando ele chegou, ele já estava dentro da casa, escondido, com revolver com silenciador, quando os dois estavam fazendo sexo, ria muito com padre Carlos que dizia fornicando, lhe deu um tiro na cabeça, bem como nela também, saiu como tinha entrado.

Depois de longe ficou observando, como o homem de segurança ficava nervoso, olhando o relógio, até que resolvia entrar.

Saiu ficou parado, olhando de um lado para o outro para ver se via alguém, mas não se via viva alma na rua.

Até que resolveu ligar para seu avô. Logo ali, estavam cheios de homens do velho, este entrou para olhar, saiu com a cara feia, dizendo alto para o outro, vê o que dá lidar com gente de drogas, isso se acabou.

Seu avô Piano, lhe contou que esse homem que tomava conta de seu tio, na verdade, era homem de seu avô, o tinha para o controlar, como teu irmão esse só faz merdas.

Soube que seu irmão vinha para tentar resolver o problema, temos que descobrir, como chega à droga, para avisar a polícia.

Seu irmão apareceu com um dos segurança de seu pai, estava nervoso, o avô Piano, assistiu a reunião, com ele, este é um pouco imaturo, contou para o velho em que navio ia chegar a droga, mas que antes a jogariam no mar, perto de Cefalú, o velho não gostou que lhe contasse todos os detalhes, ai tem trampa.

Seu avô Piano, tinha contatos na polícia Marítima, iriam vigiar em Cefalú, bem como bem antes.

Ele viu no mapa uma cidade chamada Finale, disse ao avô, vai ser aí.

Alertaram todos, para todos os efeitos, seu irmão não tinha saído do lado do outro avô, seu avô Piano, era o único que tinha saído, sempre acompanhado de seus homens, para ir visitar a irmã.

Ninguém sabia que estavam escondidos lá.

Nessa noite, o carregamento foi pego pela Polícia Marítima, justamente no lugar que ele tinha falado, essa gente não tem imaginação, foi tudo que disse.

Seu irmão ficou uma fera, acusou seu outro avô de ter falado com a polícia.

Esse tinha como prova, que tinha estado todo o tempo com ele, bem como seu segurança, quando ias mijar ou cagar, teu homem estava ao meu lado, explica como.

O velho sabia que tinha sido o avô Piano.

Nessa noite ele entrou na casa do outro avô, raptaram o seu irmão sem ninguém dar por isso, claro o avô Piano sabia fazer as coisas, era homem de confiança do velho.

O mesmo estava mijado e cagado de medo, o deixaram junto com o traficante de drogas, que se sentia traído, a policia recebeu uma mensagem dizendo aonde estavam os dois.

Foi um escândalo, um americano que vinha introduzir drogas na Itália, seu outro avô tirou o corpo fora, não sabia de nada.

O segurança desapareceu, ou foi desaparecido, como dizia seu avô Piano.

Só sobrava agora, seu irmão pequeno, esse era o único que tinha ido a universidade, era advogado, parece que aconselhou seu antigo pai a não se meter, só falou por telefone, com o seu outro avô.

Suas tias, gradativamente foram assumindo as coisas do velho.

Quando esse morreu, elas era as primeiras mulheres a comandar um grupo da máfia, os homens achavam as mesma piores que os homens.

Assim anos depois quando o avô Piano, aposentado morreu, ele voltou para NYC.

Carlos Alboreta, agora era padre na mesma aldeia do amigo, o ajudava em tudo, mas já não usava batina, nem fazia missa, dizia que tinha visto muita merda, para seguir acreditando em Deus.

Ele foi primeiro para NYC, reviu suas coisas, observou a família, seu irmão que tinha ficado a frente dos negócios, tinha agora a maioria das coisas oficialmente, legalizada.

Ele fez uma coisa, tinha perdido tempo demais em sua vida, resolveu fazer uma coisa, foi para o outro lado do País, se inscreveu num curso de escrita, a primeira coisa que fez, como tinha recuperado as cartas que tinha escrito para a mãe, bem como tinha as que ela lhe escrevia, montou uma história a partir disso, mas nunca usou a palavra máfia, mas sim dizia família complicada, a origem da mesma era irlandesa, não italiana.

O livro publicado fez sucesso.

Seguiu em frente, anos depois escreveria seguindo a mesma, a história de seus pais, os dois vindo na história de alguma aldeia perdida da Irlanda, para NYC.

Sem querer contou sua história.

Para todos os efeitos ele era um Piano, nunca o ligaram ou isso parecia com o que tinha acontecido com seus irmãos, só voltaria a Sicília, quando soube que Carlos Alboreta, estava mal, escutou a versão dele na história, era interessante, ele foi ser padre, apesar de apaixonado pela sua mãe, mas essa tinha que se casar, eram como um triangulo amoroso que se protegiam dos outros.

Lhe disse que sabia que as mortes de Roma, tinha sido ele, está no teu sangue, sempre faras qualquer coisa para sobreviver, proteger os mais fracos.

Teu avô de Palermo nunca descobriu quem matou o que veio dos Estados Unidos.

Esteve ali, até o final, depois como tinha de herança a terra dos seu avô Piano, foi viver no campo, mas antes fez uma visita a casa de suas tias, elas se mataram de rir, disseram graças a ti, somos as poderosas.

Nunca lhe incomodaram, ele cuidava agora das terras, da sua gente, os que trabalhavam ali, montou uma escola na vila perto, para os meninos irem a mesma, um de seus homens levava os garotos.

O queriam para prefeito da cidade, mas ele nem pensou no assunto.

As vezes pensava no Dário, quando ia a Roma de uma certa maneira o procurava, tinha sido o seu melhor sexo, na verdade o descobrimento do mesmo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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