DINORAH
Assim se chamava minha mãe, Dinorah Canto Melo, era uma mulher lindíssima, feita a si mesma, saiu de Belford Roxo, na baixada fluminense como se dizia. Era filha de uma mãe de santo, que todo mundo estranhava, pois era loira de olhos azuis, ninguém sabia como tinha ido parar lá. Minha avó, Basílica, ela odiava o nome, era conhecida como Mãe Zica de Oxumaré, seu centro de candomblé ou tenda de candomblé, era conhecidíssimo na baixada. Na verdade minha mãe era filha de uma irmã sua com um estrangeiro, um dia apareceu por lá gravida, com uma barriga imensa, ficou até parir, Mãe Zica já tinha visto no jogo de búzios que ela ia dar no pé. A encostou na parede, se vais embora, me dê sua filha em adoção, mas tem uma coisa, nunca mais apareça por aqui. Tinha uma auxiliar do juiz, que devia milhões de favores a Mãe Zica, a registraram como sua filha direto, coisas do Brasil como ela dizia. A cuidou como sua filha, embora soubess...