WICH TROUBLE
WICH
TROUBLE
O homem que sempre pensei que era meu avô,
era um médico americano, que vivia entre os Kurdos nas montanhas, ele foi me
buscar numa aldeia no cu do judas, segundo ele, porque eu era filho de sua filha
com um guerrilheiro.
Mas descobri muito mais tarde, que na
verdade tinha ido me buscar a pedido de um homem que vivia de curar as
pessoas. Tinha medo de que me matassem,
porque me consideravam que era um menino com demônio no corpo.
Ajudava o curandeiro, vamos dizer assim, a
curar as pessoas, segundo os escritos em farsi que ele me deu, eu tinha um dom
milenário, colocar a mão em cima de uma pessoa, saber o problema que tinha,
aonde estava, como resolver, isso que tinha na época uns oito anos, nunca estava
com as outras crianças que brincavam de fazer a guerra.
Me levou com ele através das montanhas, em
cima de um jumento, fazia um frio desgraçado, íamos totalmente tapados.
Fomos parados umas duas vezes, como tinha
feições finas os guerrilheiros me tomaram por uma garota que ele levava para
casar.
Eu quando escutava queria dizer que não era
verdade, mas me lembrava do que ele tinha falado, nunca abrir a boca.
O curandeiro lhe tinha entregado uma serie
de papeis que estava enrolados num pano em volta da minha cintura.
Quando chegamos a aldeia que ele vivia, na
fronteira com a Síria, me disse que falasse o menos possível. Eu lhe ajudava em tudo, ali o que ele podia
fazer, era quase curandeirismo, pois dispunha de poucos meios.
Ele nunca tinha a porta fechada para
ninguém que viesse em busca de socorro.
Fui aprendendo com ele desde partos complicados, com retirar uma bala,
costurar, me ensinou a costurar com um fio muito fino, a dar pontos perfeitos,
me dizia que isso era como fazer um bordado, se o ponto fosse feio, o bordado
seria horroroso.
Na sua pequena cabana, tinha um
esconderijo, quando apareciam turcos, me dizia para me esconder, pois sempre
eram brutos, apesar dele ser americano.
Ele tinha um ouvido impressionante, me ensinou a usar esse sentido,
dizia para me concentrar no que fazia, mas que escutasse tudo em volta,
principalmente o paciente.
Estava costurando um paciente, quando lhe
disse que dentro de uns 15 minutos, chegariam os Turcos, escondemos o paciente,
junto comigo, eu com um trapo lhe tapei a boca, pois ele sentia muitas dores.
Ele limpava a mesa rustica de cozinha,
aonde fazia suas operações, nada de luxos, era o que tinha a disposição, quando
entraram os turcos, tirando a porta de seu lugar. Todos de armas em posição de tiro.
Por sorte tinha acabado de lavar a mesa,
jogou em cima dela, um pedaço de cordeiro, que soltava sangue para disfarçar,
tinha sido o pagamento que tinha recebido pelo parto feliz de uma mulher, que
tinha parido duas crianças.
No parto, se surpreendeu que ao sair a
primeira, lhe disse que a outra, estava ao contrário, enfiei minha mão, pela
bolsa que tinha rompido, virei a criança, a vim guiando para sair. Depois
coloquei as mãos no seu peito, me concentrei como tinha aprendido com o
curandeiro, soprei a pequena boca aberta, apertei o peito com meus dedos.
Ele ficou impressionado, pois em seguida a
criança começou a berrar como um bezerro desmamado.
O homem gemia baixinho, menos mal que com a
porta aberta, o vento gelado, fazia ruido.
Deram uma surra no meu avô de fazer gosto,
lhe ameaçaram se atendesse algum Kurdo, ele soltou, mas se aqui é uma aldeia
Kurda, quem vou atender. Outra porrada
na sua cara.
Mas ele era assim, os homens foram embora,
mas tinha aprendido que havia que aguentar mais um pouco, pois fingiam ter indo
embora para voltarem em seguida.
Quando entraram outra vez, ele continuava
no chão, sem forças para se levantar, dois homens o levantaram o jogaram numa
espécie de poltrona que tinha no casebre, aonde ele gostava de sentar-se, as
vezes dormir no inverno, pois a colocava perto do fogo.
Finalmente foram embora, pois um dos
garotos que estava vigiando, foi avisar.
Retiramos o Kurdo do esconderijo, o
colocamos em cima da mesa, acabei de dar os pontos que sangravam, bem como
depois dar pontos na cara do meu avô, devido aos socos que tinha recebido.
Limpei os dois melhor que pude, com minhas
mãos relativamente pequenas, quando cheguei a idade adulta, diziam que tinha
mãos delicadas, pois tinha os dedos finos e compridos.
Algum sacana perguntaria se meu piru era
igual.
Quando acho que tinha uns dez ou doze anos,
era uma idade intermediaria, a coisa estava preta, pois de um lado os turcos,
do outro os sírios que estavam em guerra, nunca paramos de trabalhar, o
guerreiro que tínhamos salvado a vida, veio ver meu avô, este lhe pediu que me
levasse até Bashar, um amigo dele.
Me vestiu, enrolando na minha cintura, os
tais papeis, me vestiu como qualquer garoto dali, me abrigando bem, pois tinha
nevado durante a noite.
De novo em cima do velho jumento aguentava
o meu peso, mas não o do homem.
O caminho era como um precipício, só se
podia passar uma pessoa. Quando chegamos
do outro lado, ele se viu cercado de soldados americanos, de uma base avançada
ali perto.
Estes levavam dois homens feridos. Mas não me deixaram toca-los, por mais que
insistisse.
Quando chegamos a base, me levaram com eles
ao pequeno hospital.
O homem que vinha comigo, foi levado para
interrogatório.
Vi que colocavam os dois homens em cima de
uma mesa branca, nunca tinha visto uma igual.
Começaram atender aos dois ao mesmo tempo,
dado momento balançaram a cabeça, dizendo que um tinha partido.
Sem que me olhasse, me levantei aonde
estava, o homem estava ali jogado, com várias balas no corpo, fui passando a
mão, com ajuda de um faca que estava por ali, depois descobri que se chamava
bisturi, fui tirando as mesmas, ao mesmo tempo que sussurrava alguma coisa que
vinha do meu instinto, ele respirava mais suavemente. Dei os pontos, tinham dois médicos me
olhando, os ignorei totalmente, com uma tesoura muito bonita, cortei as calças,
comecei a consertar uma parte da perna do homem, o osso estava descoberto, com
uma suave pressão, coloquei no lugar, em seguida comecei a juntar a carne,
costurando bem apertado, com pontos que sabia que meu avô iria elogiar.
Um dos médicos me olhava com os olhos, em
que se via carinho.
Me perguntou em inglês, como sabia fazer
isso?
Eu levantei os ombros, não sabia
inglês.
Ele começou a falar comigo em árabe, eu lhe
respondi que tinha aprendido com meu avô.
Como sabias que o homem ainda estava vivo.
Deve ter ficado surpreso, quando lhe
respondi que sua aura ainda estava acessa, por isso sabia que estava vivo, uma
das balas parecia impedir que seu coração batalhasse. Ele ficou surpreso com esse termo, que seu
coração batalhasse.
Mandou o pessoal me levar para tomar banho,
eu me negava a ir, acabou me levando aos barracões aonde tinha o seu, como
oficial, tinha direito um banheiro.
Me disse que eu devia me lavar, que ele
arrumaria roupas de algum soldado pequeno para mim.
Foi o que fez. Logo apareceram camisetas
pequenas, viu que eu tirava do meu corpo com muito respeito o que estava
embrulhado na minha cintura.
Tinha ficado impressionado com a cor dos
meus olhos, eram de um azul muito claro, para ele eu não podia ser Kurdo.
Enquanto tomava banho, desenrolou o pano,
viu um passaporte, que era da minha mãe, além de vários papeis em árabe, que
diziam meu nome, que era filho dela.
Ali estava meu nome, Ian Bashar White, eu
usaria depois sempre Bashar, que era de meu pai.
Fiquei furioso com o médico porque tinha
aberto minhas coisas.
Logo o chamaram para uma cirurgia, me
deixou sentado num canto, vi que o paciente, estava para morrer, pois lhe
atendiam em outro lado, que achavam mais importante, fui até a mesa, empurrando
um médico que o ajudava, sinalizei o que era importante, me fez sinal para me
sentar, eu vi que ou fazia ou o homem morria,
Acabei de rasgar a roupa do homem, sinalizei,
mas comecei a fazer o trabalho, retirei uma bala dali, a joguei no chão como
fazíamos na cabana, limpei bem o local, comecei a costurar delicadamente.
O homem voltou a respirar
tranquilamente. Nessa época se me
perguntasse que órgão estava consertando ou salvando não saberia responder,
fazia tudo por intuição, não sabia nada de medicina.
O médico me olhava rindo. No final estendeu sua mão com luvas, me
disse que tinha que usar uma para não contaminar o paciente. Me estendeu sua
mão, disse em árabe, que se chamava Gregory, mas que todos o chamavam, de chefe
Greg.
Passei a dormir num colchão no chão do seu
alojamento, tinha medo de cair da cama.
Me ensinou a lavar as mãos, me desinfetar,
usar luvas, mascara na cara, eu ainda lhe soltei que pensava que a mascara era
para não assustar o paciente.
Fui aprendendo inglês, com todos que
trabalhavam ali.
Eles tinham interrogado o homem a quem eu
acompanhava, esse lhes contou que tinha que me levar a uma embaixada, para
falar com um tal de Bashar, para que me mandassem para a América, pois minha
mãe era de lá.
Greg moveu meio mundo, para conseguir que
quando voltasse eu fosse com ele.
Mas para surpresa, já iam contatando com o
FBI, para descobrirem parentes de minha mãe.
Foi uma surpresa, saber que ela era órfã,
que tinha vivido num orfanato, que era enfermeira num hospital, quando conheceu
meu pai, um Kurdo que estudava na mesma cidade.
Quando ele foi embora, ela foi junto, eu
nasci no meio das montanhas. Durante
muito tempo ela tinha sido informante dos americanos, com relação aos
movimentos, dos guerrilheiros, pois os acompanhava, prestando serviços, me
deixava com o velho curandeiro.
Então minha origens tinham sentido, o
médico acreditava que esse curandeiro primeiro tinha me ensinado sua maneira de
salvar as pessoas.
Isso eu não tinha menor ideia, as vezes me
lembrava dele falando como me concentrar, como ver o que não se via a simples
vista.
Uma noite sonhei com ele, estávamos em
vésperas de embarcar para os Estados Unidos, me disse que tinha uma missão, que
se me via era porque estava morto, mas que seguiria me ajudando.
No dia seguinte estávamos na Base que os
americanos tinha no Líbano, quando o Greg foi chamado, eu fui junto, tinha medo
de me perder dele, tinha me explicado a minha situação.
Um general tinha passado mal. Em volta da
mesa, estavam vários médicos, cada um dizia uma coisa.
Fui até a mesa, lhe dei um soco na barriga,
saiu voando um pedaço de carne que estava preso no esôfago.
Abri o homem na frente de todo mundo, não
via ninguém, tiveram que lhe colocar uma anestesia pois não tinham feito
ainda. Quando cheguei ao coração,
mostrei ao Greg um tumor, vai morrer se não tiramos isso, os médicos me olhavam
horrorizado, aquele garoto, sem luvas, sem máscara, nem roupa apropriada. Greg fez isso comigo, enquanto com um
bisturi muito fino, subi em cima da mesa, fiquei literalmente sentado em cima
do homem, pois era muito grande, fui tirando o tumor com muito cuidado, não
olhava para ninguém, ia dizendo meu mantra interiormente.
Depois o Greg já estava ali, com agulha e
linha, para começar a dar os pontos, o fiz sutilmente, foi quando olhei a cara
dos homens, tinha aberto o peito do sujeito sem aparelho nenhum, simplesmente
tinha afastado as costelas, com minhas mãos.
Odiava desde essa época as luvas, pois
ficavam grandes na minha mão. Teria que
usar depois as de tamanho pequeno.
Quando desci da mesa, os homens falavam
entre si.
Mais tarde Greg me levou para falar com o
General, ele sabia que eu o tinha operado, me disse que o médico do câncer
tinha lhe dado cinco meses de vida, era sua última missão, eu lhe disse que era
mentira, que ele iria viver muitos anos.
Me soltou, peça o que queiras, mas Greg se
adiantou, queria que o senhor me ajudasse a adotar esse garoto, para poder
protege-lo, não está preparado para nosso mundo.
Eu ia pedir ao contrário, que me levassem
para ficar com meu avô, pois sentia que estava morrendo.
Mas o velho apareceu na minha cabeça
dizendo que eu tinha que ir com o Greg, que esse era meu destino.
O General realmente ajudou o Greg a me
adotar, mas mantive meu nome verdadeiro Ian Bachar White.
O avião me metia medo, embora no mesmo voo
fosse o General, deitado numa maca, eu fiquei sentado do lado dele, me
perguntou o que eu estava rezando quando lhe operava.
Não estava rezando, estava falando com tua
energia, essa aura que te protege. Que
ela devia batalhar, proteger, porque esse é o trabalho delas.
Ficou impressionado, pois eu falava isso
muito sério. Quando desembarcamos, lhe
disse antes de me despedir, teus filhos o senhor não viu crescer, mas tens um
neto, ele precisa do senhor, para seguir em frente, está muito perdido, eu o
curei para que o senhor o ajudasse.
Depois de encontrar o apartamento do Greg
bom, era tudo muito simples, como um médico militar, começou uma odisseia,
estudar, ele contratou professores para lhe ajudar, para fazer os testes para
encontrar aonde se encaixar.
Achou um livro na estante do Greg, sobre
anatomia, foi como entrar num parque de diversões, este lhe comprou um
esqueleto com todos os órgãos. Estudava
com afinco isso, prestando atenção em todos os detalhes.
Pediu ao Greg um professor de farsi, falar
ele falava, queria aprender a ler, escrever, para saber o que estava escrito
nos pequenos cadernos que estavam com ele.
Tudo para ele era fácil de assimilar. Meses depois chegou o companheiro do Greg,
ele entendeu rapidamente o que eram um para o outro, jamais fez nenhum
comentário, encontrava no Darryl, uma pessoa que podia discutir alguma coisa de
medicina, horas e horas, principalmente porque ele se interessou de como ver a
aura, foi lhe ensinando a ter confiança no seu instinto. Quem os visse juntos nunca duvidaria que eram
pai e filho, tinham o mesmo tipo físico, morenos com os olhos claros, nariz
afilados, cabelos crespos.
Se programaram os dois, para irem levar e
buscar na escola com o jeep militar, ele adorava, se preocupavam se estava
sofrendo ou não bullying.
Avisaram os professores, que ele poderia
avisar se algum aluno tinha alguma doença.
Num dos dias da aula de anatomia, que essa
escola em especial dava classe, os outros riam porque ele sabia decifrar
qualquer coisa do corpo humano.
Estava sentado olhando o professor explicar
algo, virou-se para seu colega, vá chamar um médico imediatamente, pois tinham
lhe falado para nunca fazer nada nesse sentido.
Mal ele acabou de falar, o professor caiu
no chão, ele disparou em sua direção, enquanto os outros ficaram estáticos
aonde estavam. Ele insistiu, uma das
alunas foi buscar a enfermeira da escola, mas ele já estava trabalhando, tinha
colocado de uma dessa caixas de pequenos sumos de laranja, um tubinho para o
professor respirar, tinha feito o furo com um lápis.
Quando o médico chegou ele disse o que o
professor tinha.
O diretor da escola chamou rapidamente o
Greg, pois imaginava o que ia acontecer.
Queria saber como ele sabia que o professor
estava passando mal?
Vi que sua aura começava a se apagar, aonde
estava o problema.
O professor o agradeceria eternamente ter
salvado sua vida.
Os outros alunos em compensação, passaram a
ter medo dele, nunca se aproximavam muito, salvo um que era filho de um major,
um mulato, sempre com um sorriso na cara.
Achou o máximo o que ele tinha feito. Queria como ele estudar medicina.
No recreio ensinava o outro a tentar ver as
auras. Um dia na sua cabeça apareceu o
velho, lhe disse que nem todo mundo, mesmo com alguma coisa mais técnica, pode
ver a aura. Só algumas pessoas
privilegiadas que sim.
Mas a amizade estava sedimentada, um
ensinava ao outro o que não tinha entendido.
Quando fez os exames, com a nota máxima em
tudo, ele reclamou um pouco que se aborrecia em algumas aulas, Darryl entendia,
pois tinha passado pelo mesmo processo.
Sentou-se com ele, contou como lhe tinha
acontecido. Vivia numa cidade pequena, sabia que tinha poucas possibilidades de
ir à universidade, não sabia o que era pior, se a rotina de trabalhar no campo,
ou aguentar as aulas que lhe pareciam monótonas. Virei o carrascos dos professores, fazia
perguntas, que sabia que não tinha ideia da respostas. Os provocava com isso, queria saber
mais. Um dia um deles me trouxe uma
enciclopédia imensa, me colocou na frente, disse que eu procurasse as
respostas.
No dia seguinte, coloquei no quadro a
resposta de uma pergunta que tinha feito, era uma coisa simples.
Por sorte ou azar, tivemos que mudar para
uma cidade maior, meu irmão mais velho tinha conseguido um emprego numa
fábrica.
Lá consegui trabalho montando circuitos
elétricos, foi como acender uma luz na minha cabeça, um dia apresentei ao chefe
um circuito diferente, que iria funcionar melhor.
Meu irmão podia não ter muitos estudos, mas
era inteligente, fez com que pagassem para registrarem a minha patente.
Assim consegui dinheiro para ir estudar
medicina.
Ficou finalmente feliz, quando entrou para
a faculdade de medicina, trabalhar com cadáveres não foi nenhum problema, o que
lhe interessava era estudar o cérebro, pois pensava que encontraria o
alojamento da aura. De uma certa maneira
chegou à conclusão de que o cérebro era como um motor, que produzia
energia. Embora claro, pensava que
havia uma parte mística nisso tudo.
Era um aluno sumamente aplicado, sabia das
coisas, mas queria saber mais. Suas
notas eram excelentes. Nas primeiras
férias foi trabalhar no hospital militar aonde exerciam o Greg bem como o
Darryl.
Se esbarrou numa coisa que nunca tinha
visto, primeiro os problemas psicológicos dos jovens que iam para a guerra sem
preparação, depois amputações, tudo isso.
Na primeira semana Darryl, chegou em casa o
encontrou chorando desconsolado, cheio de livros na frente dele. Queria encontra alguma explicação ali.
Passou a sonhar sempre com o velho, um dia
Darryl se surpreendeu, pois trabalhava justamente na parte de psicologia do
hospital, que ele conversasse com um doente que nunca falava, nem sequer dava
resposta.
Segurava a mão do rapaz, de seu corpo saiam
descargas elétricas, de pequena voltagem, que faziam o cérebro do rapaz
funcionar.
Este lhe contou o que tinha acontecido com
ele.
Quando Darryl lhe questionou a respeito,
lhe contou dos seus estudos, que queria saber aonde do cérebro, estavam a fonte
de energia da aura.
Até explicar tudo para ele, Darryl,
comentaria depois que tinha vontade de rir, pois se sentia completamente um
ignorante a respeito.
Esse mesmo rapaz, ficava olhando horas para
sua cabeça, até que encontrou como ele explicaria depois, o pedaço de sua aura
que estava interrompida, como ser tivesse tido um curto-circuito. Nesse dia se dedicou a colocar um dedo a uma
certa distância, Darryl disse que podia ver a energia saído de seu dedo, indo a
um ponto da cabeça.
No dia seguinte o rapaz se levantou como se
nunca tivesse acontecido nada com ele, conseguia contar por que tinha estado
mal, como se uma parte de sua cabeça tivesse ficado em negro.
Eu borrei o trauma que ele tinha, viu seu
companheiro morrer nos seus braços, era seu amigo, não suspeitava que ele o
amasse, ver morrer o amor de sua vida, lhe criou um bloqueio.
Quando acabou as férias, todos os
companheiros voltavam contentes, pois tinham ido passar esse tempo na praia com
outros amigos, ou com suas famílias.
Quando lhe perguntaram, disse que tinha
estado fazendo práticas num hospital do exército, alguns o chamaram de tonto
por não saber aproveitar a vida.
Ele pediu ao professor de anatomia, se
podia voltar a estudar os cérebros que tinham ali, se podia cortar, estudar os
mesmos.
Num deles encontrou um tumor imenso, que
abrangia a parte central do cérebro. Conseguiu o caso inteiro para estudar.
Passava horas estudando todos os relatórios
médicos, as placas dos mesmo de radiologia, scanners, as vezes saia correndo de
lá para ir à biblioteca.
O professor as vezes ia ver o que ele
estava fazendo, ria porque ele escrevia tudo a lápis dizia que assim era mais
fácil corrigir.
Chegou à conclusão de que se os médicos
tivessem feito uma perfuração, em uma determinada posição, aspirado o tumor,
podia ser que o homem não tivesse morrido, nem sofrido tanto.
Mas claro era um indigente, ninguém se
preocupou.
As vezes Greg ficava com ciúmes, das
eternas conversas entre os dois. Mas
esse caso lhe interessou, ficou analisando com ele as possibilidades de como
descobrir a posição certa.
Tempo depois o levou ao hospital, tinha um
rapaz com esse problema, ele ficou estudando com o Greg, como ajuda-lo, olhou
todos os scanners, para saber a que profundidade estava, como poderiam colocar
uma sonda para recolher uma amostra do tumor.
Ele levou uma cópia de tudo, se sentava
horas na biblioteca, a um ponto que o professor lhe passou a acompanhar. Lhe conseguiu uma cabeça para estudarem a
posição correta.
Depois acompanhou o Greg, a ele na
operação. Não podia ser com o paciente
deitado, ele deveria estar sentado, que a operação, fosse de cima para baixo.
Conversaram antes com o paciente, ele
queria era se livrar da dor que tinha constantemente, que não lhe deixava a
cabeça funcionar.
O mais interessante, foi que o professor o
viu se concentrar, ajudando o Greg a perfurar a cabeça do paciente, inserir uma
pequena agulha para coletar o material.
Depois da análise, era um câncer em
expansão, conseguiram de um fabricante um sistema novo para extrair através de
sucção o tumor.
Vieram os especialistas da fábrica, o viram
trabalhando. Ao final lhe chamaram de
doutor, ele disse que ainda era um estudante, interessado no funcionamento
cerebral.
Passaram semanas fazendo scanners do
paciente, o tumor tinha sido extraído, o medo deles era o tecido em volta.
Esse não reclamava mais das dores, sorria
quando o via. Dizia sem som, obrigado.
Os da fabrica ficaram loucos com a
experiencia, lhe convidaram para um seminário com outros médicos, quem foi pois
sabia tudo a respeito, foi o Greg, bem como o professor que tinha ajudado nos
estudos.
Ele se manteve a margem, podiam o acusar de
ser um simples estudante, se o paciente morresse seria complicado.
Meses depois esse saiu andando do hospital,
sem problemas aparentes.
Agora era o aluno privilegiado do
professor, este lhe trazia problemas que tinha tido ao longo de seu trabalho
como médico, os revisavam todos, até encontrar um ponto de duvida ou erro que
as maquinas não tinham visto.
Finalmente chegou o momento que fazer as
práticas, ele escolheu junto com seu amigo, o mais complicado deles, todos,
aonde faltavam recursos.
Sem querer aglutinou em volta dele,
enfermeiros que entendia o que ele fazia, colocava a mão nos pacientes quando
chegava, sabia se iam viver ou não.
Quando chegava algum paciente ou muitos ao mesmo tempo, de algum
acidente de tráfico, ou qualquer outra coisa, ele era o mais rápido.
Ficaram surpreso um dia que chegou um
paciente de um incêndio, que tinha queimado seu rosto, um médico disse que ele
perderia a vista, pois tinha se queimado a córnea.
Ele mandou os outros médicos atenderem as
outras partes do paciente, se concentrou, começou a soprar o rosto do rapaz, um
dos médicos, disse que seu sopro era gelado, como podia se a respiração de uma
pessoa era quente.
Conseguiu assim salvar o rosto do rapaz,
bem como os olhos. Quando um médico
oftalmologista veio examinar, ficou surpreso, era como se ele tivesse congelado
a córnea, à espera de um transplante, foi com o médico a sala de operações para
fazerem isso, com seus dedos finos, um bisturi que ele mesmo tinha desenhado,
que era como a prolongação de sua mão, fez a maior parte da operação.
Quando terminaram queriam dar pontos, ele
disse que não, começou novamente a soprar o rosto do paciente, até que a córnea
se soldou no lugar certo.
Tinha lido isso numa parte do livro de
farsi do velho, como curar a cegueira, ou mesmo os problemas dos olhos, nas
altas montanhas, a temperatura fria, que sem querer ajudava ou ao mesmo tempo
podia ser cruel.
O médico queria aprender isso, como ele
fazia. Mas claro tinha um problema,
tinha que se concentrar ao máximo, o homem nunca conseguia.
Quando tinha algum problema, o chamava em
seguida.
As técnicas modernas de cirurgia que tinha
aprendido na escola, pouco funcionavam ali, pois faltava tudo.
Chegou um paciente que os osso da perna
todos quebrados, não tinham como emendar ou consertar os mesmos, ele foi o
fazendo como se estivesse fazendo um puzzle, faltava metal para proteger,
mandou buscarem uma lata de coca cola, tirou toda a tinta, foi preparando tiras
do mesmo metal, com o homem que cuidava da manutenção do hospital, depois de
tudo desinfetado, ia colocando nos lugares que eram necessário apoio.
Foi uma operação larga, passou dois dias ao
lado do homem, esperando alguma rejeição ao metal. Um dos médicos tinha filmado com um celular o
mesmo, desde o sistema que filmava tudo.
No dia seguinte estava na internet.
A ele não interessava, o que queria saber
se o homem poderia andar outra vez, para trabalhar sustentar sua família.
Por causa dele, as grandes industriais
farmacêuticas, de material de operações, começaram a mandar produtos ao
hospital, isso foi facilitando as coisas.
Uma lhe mandou umas placas novas muito finas, que tinham desenvolvido a
partir da ideia dele.
Chamou o paciente, lhe fizeram milhões de
provas, para saber como ia o que ele tinha feito, tinha funcionado, a partir de
agora tinha material próprio.
Quando acabou as práticas, imaginaram que
ele iria para algum hospital moderno, dos grandes, disse que nem pensar,
seguiria aonde estava, pois ali precisavam dele, era sua obrigação.
Quando fez sua pós-graduação, agradeceu ao
Greg, bem como ao Darryl, por o terem ajudado ao longo desses anos.
Disse rindo, que naquela casa, quem chegasse,
ficaria horrorizada, pois as discussões era intermináveis, mesmo na hora que
comiam. Mas tudo era em cima da
medicina.
Devo agradecer também uma pessoa que
ninguém daqui conhece, falou o nome do médico, ele atravessou uma cordilheira
no meio da neve, para me resgatar, me ensinou os primeiros passos. Na plateia estava o general, com seu neto ao
lado.
O abraçou muito, tinhas razão, ele estava
perdido, quer estudar medicina como tu.
Olhou para o rapaz, seja bem-vindo, mas
creio que deverias ser botânico, vai mais isso com tua aura, bem com teu karma.
O rapaz ria, vê te disse avô, gosto mais
dessa parte.
Começaram os dois ali no meio da festa
falar de certas plantas. O convidou para
ir um dia a sua casa, para lhe mostrar um escrito em farsi, que falava de uma
planta que cada vez existia menos, que servia para mil coisas.
Saíram da festa sem ninguém ver, foram
conversando sem parar até a casa deles.
Quando o general deu pela falta do neto, o
chamou pelo celular, ele disse aonde estavam, quando chegaram, estavam os dois,
sentados, tomando coca cola, analisando tudo que tinham a respeito da planta.
Greg disse ao general, ele continua o
mesmo, quando algo lhe interessa, mergulha nisso.
Os dois descobriram que os pajés do
amazonas ainda usavam essa planta.
Nas férias foram os dois até uma aldeia
remota, para ver se encontravam as folhas.
Trouxeram mudas, para estudarem.
Rick, as vezes parava o que estava fazendo,
para olhar com paixão ao seu companheiro.
Chegaram à conclusão de que a planta era
como se fosse um fabricante de todas as proteínas necessárias para o ser
humano. Mas que justamente o ser humano
era culpado através da poluição da extinção da mesma.
O neto do General, David, basicamente
dedicou a sua vida, a tentar transformar cada detalhe dessa planta em medicina.
Chegou a ter uma plantação imensa, ajudado
por uma grande indústria farmacêutica.
Como Bashar dizia, felizmente não tem nada
nela, que ajude a matar alguém, pois senão as industrias da guerra estariam
atrás dela.
Ele traduziu para o Darryl, basicamente
todo o livro, era sua delicia, ficar horas sentado na sua pequena biblioteca,
estudando cada ideia.
Um dia por surpresa se virou, disse que
conseguia ver a aura do Greg, algo lhe preocupava, chamou Bashar, esse
confirmou, tinha algum problema, no pulmão.
Conseguiram os dois extraírem um pequeno
tumor.
Quando Darryl, lhe explicou como tinha
visto, Greg soltou que menos mal, que tinha ciúmes do tempo que ele passava em
cima dos livros, principalmente desse traduzido pelo Bashar.
Agora as vezes quando estavam todos em
casa, era como ele dizia, se entrasse alguém ia pensar que estavam discutindo a
matar-se.
Seria alguma coisa que iriam se aprofundar
tanto que levariam meses falando no assunto.
David finalmente de declarou ao Bashar,
este sorriu, nunca fiz nenhum movimento, pois essa é a parte do ser humano que
não entendo. Tinha 35 anos, ainda era
virgem sexualmente.
Para os dois foi um encontro perfeito.
Nunca teria ninguém mais em sua vida.
Evidentemente eram como Greg e Darryl,
nunca tinham comido perdizes, nem sido feliz eternamente, mas tinha aprendido
uma coisa, falar, se comunicar.
Ele escreveu uma série de pesquisa que
tinha feito, tanto a nível pessoal, como espiritual, com respeito a aura, foram
os quatro uma vez a Dharamsala, para conversar com os monges tibetanos a
respeito disso, lhes atendeu um que era médico, quando lhe mostrou uma cópia do
livro que ele tinha traduzido do curandeiro, lhe mostrou outro em tibetano
arcaico, que eram muito similar.
Agora fazia férias no meio deles.
Os tibetanos, chegaram à conclusão de que
ele era a reencarnação de um monge médico do século passado.
Ele aceitava todas essas coisas com
simplicidade, sem fazer grandes alardes, já tinham falado tanta coisa dele, que
nunca se importava. Tinha uma missão, essa era curar gente.
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