ALTERAÇÃO
Tudo começou no meio de uma imensa
barafunda, estava dormindo pois já era tarde da noite, meu pai tinha me
colocado na cama como sempre, apesar de tudo, eu já tinha 16 anos, era uma
coisa que ele gostava, pois era o momento que podíamos conversar, o assunto do
momento era se eu já tinha escolhido a universidade.
Fui sacudido até despertar pelo meu tio, o
olhei horrorizado, estava cheio de sangue, na hora não entendi. Ele vivia discutindo com meu pai por causa de
dinheiro, apesar de ser uma pessoa vista pelas outras como equilibrado, vivia
perdendo dinheiro no jogo na cidade ao lado.
No dia anterior tinha pedido dinheiro para
pagar uma dívida, mas nunca devolvia, pois se metia outra vez em confusão.
Quando chegamos a sala, lá estava meu pai
caído no chão com um tiro na frente, mais adiante minha mãe, sentada na sua
cadeira preferida, com os olhos muito abertos.
Meu tio gritava comigo, sei que es inteligente, sabes a combinação do
cofre de seu pai?
Claro que eu sabia, mas também sabia que no
momento que fizesse isso, estaria morto, pois ele me mataria sem piedade, não
ia deixar cabo solto na história.
Estava tão assustado, perplexo ao mesmo
tempo, como ele podia ter feito isso, matar sua própria irmã, seu cunhado, só
por um punhado de dinheiro. Meu pai era
famoso na cidade por ser sovina, não tinha conta no banco, guardava tudo em
casa, quando ficava com uma quantidade de dinheiro alta, investia em alguma
compra.
Tinha que o distrair de qualquer maneira,
fingi abrir o cofre com dificuldade, lhe disse que se me escapava um último
digito. Ele se distraiu, digitando a
procura do digito.
Deixou a arma no chão, foi a conta, cheguei
ao lado dele como se nada, lhe disse, acho que me lembrei, quando fez sinal com
a cabeça lhe dei um tiro, caiu, eu aproveitei, coloquei a arma em sua mão,
disparei na têmpora.
Por sorte, não fiquei com sangue no pijama.
O que fiz foi chamar a delegacia da outra cidade, pois era a único ali.
Corri a cozinha, abri uma gaveta, tirei
umas luvas que minha mãe usava, abri o cofre, sabia o tempo que levaria o
xerife, bem como a ambulância para chegar, tirei todo o dinheiro e documentos
do cofre, coloquei tudo numa bolsa.
Os levei para o meu esconderijo preferido,
aonde guardava tudo que me era importante. Em cima de uma árvore atrás da casa,
voltei antes limpei meus pés, me sentei na poltrona ao lado de minha mãe,
parecia que nesse momento tomava consciência de tudo.
Já não teria meu amigo, meu pai, uma pessoa
muito séria, que trabalhava de sol a sol, no seu armazém. Minha mãe, ultimamente não estava bem, eu não
sabia o que acontecia. Sabia que os dois
estavam escondendo alguma coisa de mim.
Montei na minha cabeça uma história que meu
tio não estava sozinho, meu quarto ficava numa posição, que eu as vezes
reclamava, pois quase ao lado tinha uma estrada, aonde passavam caminhões, que
faziam um barulho infernal. Por isso
não tinha escutado os disparos.
Quando chegaram ao mesmo tempo os
policiais, bem como a ambulância nada podiam fazer.
Contei ao xerife da discussão dos dois no
dia anterior, meu tio devia muito dinheiro na sua cidade.
Isso sabemos, deve muito no casino que
temos. Pelo que soube, pois o
proprietário veio falar comigo, tem feito apostas direta com outros jogadores.
O que escutaste, o levei ao meu quarto,
disse que ali era difícil escutar o resto da casa, por isso não tinha escutado
os tiros, que tinha me levantado para ir ao banheiro, quando vi meu pai, corri
para a sala, vi minha mãe, depois meu tio ajoelhado em frente a caixa forte.
Nem tenho ideia de como aconteceu.
Nossa casa ficava afastada da vila, a casa
mais próxima era a mais de quinhentos metros, no momento não vivia ninguém lá.
Não sei se ele estava sozinho ou não, eu
tinha lavado muito bem as mãos para que depois não aparecesse pólvora nela.
Mas nem fizeram a prova comigo. Ele, o
levou ao seu quarto um dos seus inspetores, voltaram balançando a cabeça, o
mesmo me perguntou como podia dormir com esse barulho, tirei do bolso uma coisa
que normalmente usava nos dias que passavam muitos caminhões, um tampão de goma.
Talvez por isso não escutei nada.
Me perguntaram o que havia no cofre, lhe
respondi que meu pai tinha o costume de guardar dinheiro ali, bem como alguns
documentos, mas creio que eram copias das propriedades que ele tinha, o
advogado deve ter os originais, pois sempre me dizia que se passasse alguma coisa,
devia chamar o mesmo, mostrei aonde estava a caderneta de endereços, mostrei o
nome do advogado.
Foram semanas complicadas, passei meu
aniversário em vela, ou seja sozinho na casa, o juiz quando soube que eu ia
para a universidade me independizou.
Finalmente pude enterrar meus pais, quando
perguntaram se o faria pelo meu tio, eu disse que não, ele tinha matado meus
pais, como era funcionário público, que fizesse a prefeitura.
Finalmente me sentei com o advogado, ele
leu o testamento de meu pai, em parte deixava coisas para minha mãe, como esta
tinha morrido, tudo ficava para mim.
Leu a lista das propriedades, lhe disse que
colocasse tudo a venda, inclusive o armazém dele, bem como a casa que
vivíamos. Eu lhe disse que não tinha
dinheiro vivo, pois o necessitava para ir embora, ele foi vendendo, era as
minhas férias, fiquei ali fechado na casa, meus poucos amigos estavam fora da
cidade. O que foi bom, assim não teria
que ficar escutando perguntas.
Com a primeira venda, comprei uma
caminhonete em bom estado, embora de segunda mão, tinha a parte detrás fechada,
o resto do dinheiro no banco.
Assim que teve a metade das coisas
vendidas, vi que tinha um bom patrimônio.
Disse a ele, que o restante ele tinha tempo
para vender, tinha um cartão de crédito, me apresentei ao juiz, disse que iria
em direção a San Francisco aonde ia estudar, logo que tivesse um apartamento
lhe avisaria.
Por duas vezes apareceram lá em casa, dois
homens de má figura que iam atrás de meu tio, lhes contei o que tinha
acontecido, queriam que eu pagasse sua dividia, eu tirava o corpo fora, dizendo
que era impossível, todo o dinheiro do meu pai, estava investido em imóveis, eu
teria que esperar que o juiz ordenasse a venda.
Dentro da bolsa com as coisas de meu pai,
havia uma arma, bem como uma caixa de munição, peguei um pouco de roupa,
coloquei numa bolsa igual da que tinha dinheiro, essa escondi embaixo do banco
da caminhonete.
Sai da cidade, sentia que estava sendo
seguido, o que esses homens não sabiam, era que meu pai tinha me ensinado a
atirar, era muito bom nisso.
Na altura de um lago, me fecharam a frente,
saíram do carro deles, que estava atravessado na estrada, vieram em minha
direção com a arma na mão, o primeiro como tinha a luzes acessa acertei no meio
da testa, o outro quis voltar atrás, mas fui mais rápido, o atingi na nuca.
Os enfiei dentro do carro, tinha força para
isso, pois trabalhava descarregando caminhões para o meu pai.
Empurrei o mesmo para dentro do lago, como era
uma descida, ele foi direto para a água.
Vi que ao longe aparecia um carro, subi
rapidamente na caminhonete, fui embora sem olhar para trás.
Só parei em colocar gasolina, nos postos de
serviço, tomar um café, seguir adiante.
Quando cheguei a San Francisco, estava
exausto, consultei uma lista de pequenos hotéis perto da universidade.
No caminho ia pensando como ia levar tudo
isso, agora basicamente era rico, embora faltasse vender a casa, eu imaginava
que a que estava mais próxima, estava a venda a anos, a nossa então, com o
assassinato de meus pais, levaria mais, além de uma outra do outro lado da
cidade, que estava caindo aos pedaços, o resto tinha vendido por um preço um
pouco abaixo do normal, mas queria ficar livre de tudo.
Ainda pensei numa conversa que tinha tido
com meus amigos a tempo, que eles falavam se ficassem ricos o que fariam.
Todos no fundo gastariam em besteira, um
carro do ano, festas nas grandes cidades, quando me perguntaram, eu lhes disse
que iria fazer a faculdade que gostaria, sem me importar com o que queria meu
pai, que era fazer administração de empresas, para levar seu negócio, ele
imaginava que depois eu voltaria a viver ali com eles.
Nem pensar, fui pensando nisso, que
gostaria de estudar. Uma das coisas que
mais gostava era ler, na escola os professores me elogiavam pois escrevia muito
bem, talvez com o tempo pudesse escrever.
Adorava livros de histórias policiais, por
isso sabia como me comportar com relação ao meu tio, como consegui depois
inventar uma história certa.
Embora soubesse que se fosse a julgamento
seria absolvido, por tê-lo matado, seria em legitima defensa.
Fui imaginando uma história, conseguia o
ver frenético jogando no casino ao lado, mas recebia o dinheiro do mês, perdia
tudo, menos mal que não era casado. Se
falava numa amante, mas essa não apareceu, pois ninguém sabia quem era. Mal acabava esse dinheiro, vinha a nossa
casa num momento que meu pai não estivesse, pedia a sua irmã, ela sempre lhe
passava uma descompostura, mas acabava dando algum dinheiro para ele, nem sei
de aonde tirava.
Depois pedia ao meu pai, jurava que ia
devolver, nas nunca o fez, no armazém, tinha um livro com anotações do dinheiro
que tinha dado a ele.
Nem tinha olhado ainda o que tinha na
bolsa, isso o faria com calma, primeiro iria transferir o dinheiro do banco,
depois já se veria.
Tinha era que conseguir um apartamento
pequeno, me lembrei da historia dos amigos, esses falavam em um puto
apartamento, eu ao contrário tudo que queria era um que não tivesse barulho.
Me hospedei num hotel a um quarteirão da
universidade, era limpo, riram quando viram meus documentos, pois eram novos.
Sim os tirei a semanas antes de vir para a
universidade. Paguei uns quantos dias,
dizendo que iria procurar um apartamento pequeno para viver.
Tomei um bom banho, bem demorado como para
repor do cansaço, quando fui olhar a caminhonete, vi que tinha um furo na
carroceria, devia de ser de um tiro dos homens atrás de meu tio. Tinha me
desfazer dela.
No dia seguinte fui a universidade, ver a
lista de cursos que gostaria de fazer, perguntei a senhora que me atendia, se
sabia de algum apartamento para alugar.
Estas com sorte, normalmente daqui duas semanas, estarão todos ocupados,
eres um dos primeiros a vir fazer matriculas.
Num quadro aonde estavam as
ofertas, ela apontou um, disse que era ali perto, conhecia o proprietário, eu
disse que gostava era de silencio.
Me soltou, então perfeito, eu conheço o
dono, espera, falo com ele, vais olhar o mesmo.
Me ensinou como ir. Era
um prédio estreito de três andares, no térreo tinha uma livraria, no primeiro
morava o proprietário, que descobri depois era um antigo professor da
universidade, o apartamento foi um amor à primeira vista, era pequeno, pois era
como o final do edifício, tinha uma pequena varanda, em que se podia ter uma
pequena mesa.
Primeiro me perguntou o que pensava em
estudar?
Lhe disse que pensava estudar literatura,
bem como fazer algum curso de escritura narrativa, pois queria escrever livros,
uma coisa que amava.
Ele sorriu, me disse quanto era o aluguel,
apesar dos moveis, faltavam as roupas de cama, bem como toalhas de banho, o
resto todo tinha, acabo de colocar uma máquina de café nova, pois o antigo
residente, destruiu a que tinha aqui.
Lhe disse que amava o café, era uma
verdade, gostava de escrever com uma taça ao lado, o fazia escondido, pois
minha mãe dizia que café dava azia.
Tinha descoberto enquanto esperava o laudo
médico para o enterro, que ela estava com câncer no estomago, já muito
adiantado como diziam. Esse era o
segredo deles, talvez esperassem que eu fosse para universidade para isso.
Fiquei com o apartamento, voltaria mais
tarde para pagar três meses adiantado, perguntei ao senhor aonde podia comprar
as roupas de cama.
Me perguntou se eu tinha carro, que a
garagem ficavam pela rua detrás, me disse como entrar no beco.
Lhe disse que tinha uma velha caminhonete,
mas achava que não valia a pena ter uma ali na cidade.
Ele riu muito, depois que fizeres amizades,
vais querer ter tempo para ir à praia, nada como uma caminhonete. Gostas de fazer surf?
Sou do interior, nunca nem vi o mar, só de
longe quando cheguei.
Daria um jeito de como tapar o buraco da
bala.
Combinei com ele, fui para o hotel, depois
de comer alguma coisa, olhei finalmente a bolsa, tinha muito dinheiro, os
documentos eram das casas para serem vendidas, mas o que me surpreendeu era um
envelope com letras do governo, que valiam uma pequena fortuna. Alugaria depois
uma caixa no banco para isso.
Fui ao banco, pedi a transferência do meu
dinheiro, mostrei meu cartão de crédito, documentos, perguntei justo isso se
tinha uma caixa, para guardar documentos, me disseram que sim. Aluguei uma.
O rapaz ainda me disse que pelo volume de
dinheiro que tinha, seria um cliente preferencial.
Lhe contei mais ou menos, que preferia meus
pais vivos, que ser rico.
Paguei com o cartão de credito a
universidade, mas com dinheiro o aluguel.
Depois fui de compras aonde ele tinha falado, comprei vários jogos de
cama, toalhas, mais tarde compraria roupas como usavam os outros estudantes,
queria me misturar com eles, para que não notassem que era de fora.
Me informei, levei a caminhonete a uma
oficina que fazia chapa e pintura, expliquei que tinha o carro parado numa rua
aonde houve um tiroteio, o homem tapou, mandei pintar a mesma de negro, ficou
chocante.
Comecei a ir as aulas, gostava, alguns se
referiam ao velho professor como uma sumidade, ele agora levava a livraria do
térreo, volta e meia entrava para comprar alguma coisa.
Um dia tomei coragem, lhe perguntei se
gostava de novelas negras, tinha uma escrita, se ele podia ler para mim.
Lhe entreguei o manuscrito, me perguntou se
me importava se fizesse anotações nas margens.
Claro que não essa é uma cópia que fiz para
o senhor ler.
Me chame só de Robert, vou ler com atenção.
Dois dias depois eu ia subindo quando ele
me chamou, disse rindo, que tinha acontecido uma coisa rara, a maioria dos
manuscritos, quando me entregam, não passo das cinco primeiras páginas, dizem
que há que ler dez, mas o que escreveste me fez ler até o final, queria saber
quem era o puto bandido.
Tua maneira de construir os personagens, é
interessante, fiz algumas anotações, mas do uso de palavras que creio que
encaixariam melhor no que contas.
Eu estava como um bobo, com a boca
aberta. Me perguntou se eu tinha mais, eu o convidei
para subir quando fechasse a loja.
Tinha colocado uma mesa no meio da sala,
aonde escrevia, primeiro a mão, depois passava para o laptop, reescrevia,
relia, reescrevia outra vez, procurando palavras que justamente como ele dizia
seriam melhores em momentos dramáticos.
Lhe disse como trabalhava, mostrei dois
textos que estava no momento em processo de reescrever, corrigir.
Ele riu, eres muito rigoroso consigo mesmo.
Fiz uma cópia dos textos, para ele.
Examinou o espaço, gostou da modificação
que eu tinha feito, bem como tudo estava limpo, vou ver com tempo as anotações
que o senhor fez. Tenho que apresentar
um trabalho, aproveito para apresentar isso ao professor.
Perguntou o nome do professor, disse que
tinha sido aluno dele, cometeu um erro, seu primeiro livro fez um sucesso
incrível, sendo vendido inclusive para o cinema, entrevistas, em jornais,
televisão, isso o afastou do que deveria fazer, estar escrevendo. Tudo isso lhe criou um vácuo, que acontece
com muitos, não conseguem escrever.
Uma pergunta, de aonde tiraste esta
história?
Bom uma parte dela, só a inicial, passou-se
em minha cidade, li tudo que saiu nos jornais, acompanhei o julgamento, comecei
a imaginar se não havia algo mais por detrás da mesma, falei longamente com o
detetive que levava o caso, expliquei o que pensava, ele concordava comigo, que
o que era acusado, estava como em cima de uma lamina, havia algo suspeito.
Fui conversando com as pessoas em volta,
comigo se soltavam, falava o que não diriam ao inspetor. Até chegar ao pai, que estava escondido atrás
do filho, chantageava o mesmo dizendo que estava velho, que ele uns dois anos
em prisão não afetaria nada, mas ele sim tinha muito a perder.
O inspetor descobriu toda a trama, usando
como que ao rapaz, lhe cairia cadeia perpetua, nesse momento se assustou,
contou toda a verdade.
O velho, insistia de acusar o filho, até o
momento que ele disse aonde estava escondida a arma, claro que ao escrever,
criei uma espécie de romance, misturado com a novela negra.
Lhe passou as duas seguintes, dois dias
depois se encontraram na escada, o chamou a sua casa, o fez sentar-se, ele já
imaginando o pior.
Queria te dar uma sugestão, uma coisa que
esta muito de moda, essas três histórias são boas, mas experimente juntar todas
numa coisa só, como a primeira tu me contaste que falaste com um inspetor,
invente um personagem, um homem diferente de todos os agentes que se conhece,
com caráter, forte, com um comportamento sério.
Reveja as três, faça como se fosse três
capítulos de um livro, entrelace as três histórias, na primeira mantenha o lugar
original, as duas seguintes, pode trazer para San Francisco, como se esse
inspetor estivesse sido promovido.
A logica do professor Robert era
interessante, subiu, pegou o primeiro, começou imaginando tudo que tinha visto
de inspetores de polícia. No dia
seguinte foi a delegacia mais próxima, ficou observando quando os inspetores saiam,
como se vestiam, se lembrou do mesmo que conhecia, como se vestia e comportava.
Criou um personagem diferente, um homem
feito a si mesmo, ex-combatente, que se sentia de luto pela humanidade, já não
acreditava nela, isso ele pensou com relação ao que tinha acontecido em sua
família, ainda não entendia como podia ser assim.
Seu tio podia ter sido um homem com uma
certa classe, inteligente, tinha estampa, mas era todo ao contrário, alguma
coisa o tinha feito desviar-se do caminho que talvez tivesse imaginado para si
mesmo.
O personagem estaria sempre vestido de
negro, usaria botas, que estariam sempre sujas, um casaco negro, que precisava
ir para a lavanderia, as camisas negras, sempre estariam com o colarinho um
tanto quanto sujo.
Refez todo a história pensando nisso, transformou
a si mesmo como um informante, um estudante que mostra ao inspetor como se deve
falar com as pessoas, para que confiem nele.
Ao mesmo tempo tinha entregado o texto
antigo ao professor, que devolveu o mesmo com uma nota 8 que nem era má, nem
boa, disse que escrevia bem, mas que esse tipo de história estava defasada no
tempo.
Mostrou para o prof. Robert, o que lhe
disse, pelo menos deixou seu ego mais confortável.
Ele imagina que todos devem escrever como
pensa, mas atenção, os editores, estão buscando sempre algo diferente, que
cative o público, que venda. O mais
importante é o detalhe de cativar o público, se o atinge, ele será seu fiel seguidor,
tens que desenvolver uma maneira tua de escrever, como vai o que te disse?
Já refiz totalmente o primeiro texto, lhe
entregou uma cópia, fui fiel a sua sugestão.
De manhã no dia seguinte, o prof. Robert, estava lhe esperando embaixo.
Ria, foste além do que eu te disse, apesar
de saber o conteúdo da história, ela ficou mais rica, o personagem é
cinematográfico, vai agradar em cheio, porque como o descreves, o público conseguira
vê-lo ou pelo menos imaginar.
Vou esperar os outros dois, como se fossem
do mesmo livro.
Na semana seguinte lhe entregou as outras
duas história, tinha conseguido entrelaçar as mesmas, fazendo no princípio, o
inspetor chegando à delegacia, que ficava perto de sua casa, as suas maneiras,
sua vestimentas, se chocam com os que já estão ali. Ele é diferente, não só no aspecto,
vestimenta, como maneira de pensar, de atuar.
Quando examina a cena do crime, fica imaginando, como alguém poderia
chegar a isso.
Nos interrogatórios, observa a pessoa que
tem em sua frente, se coloca em sua pele, para poder entrar na sua cabeça.
Na terceira, ele finalmente encontra um
lugar para morar, aonde ele introduz o terceiro crime, como analisa todos os
vizinhos do edifício, para poder chegar ao que realmente matou a vítima, por um
motivo no fundo idiota, mas que o próprio é um psicopata latente.
Depois de ter entregado a cópia para o prof.
Robert, subiu para trabalhar num trabalho da universidade. Era uma análise sobre Macbeth de Shakespeare,
além de criar outra história moderna a respeito.
Eram as duas da manhã, quando bateram na
porta, era o prof. Robert, cheio de entusiasmo, conseguiste, tome essas duas
copias com as anotações que fiz, quando me entregares já feitas, vou falar com
um editor amigo meu.
Foi dormir cheio de energia, nesse dia a
aula que tinha não lhe interessava, o professor era profundamente chato.
Reescreveu, as correções que ele tinha
feito, atualizando para termos usados em San Francisco, desceu lhe entregou as
três histórias.
Depois mergulhou em criar uma história
atual sobre Macbeth, imaginou um império comercial, em que o filho mata o pai,
para ser o todo poderoso da empresa, mas é viciado em drogas, de personalidade
frágil, manejado pela mulher ambiciosa, bem como sua mãe.
Pela primeira vez o professor falou no seu
trabalho, que estava bem construído, que tinha uma linguagem moderna, mas
tampouco falou muito mais no assunto.
No final de semana, o professor, perguntou
se o podia acompanhar a um restaurante, lhe apresentou o editor, no caminho
sugeriu seu comportamento, crie um personagem de ti mesmo, como fizeste com o
personagem do livro.
Embora seu nome fosse Robertson, todo o
mundo o conhecia como Rob, pensou que gostaria de ter um nome a parte, para não
o ligarem talvez ao que tinha acontecido com ele.
A comida foi agradável, primeiro o prof.
Robert perguntou pela família do editor, depois falaram de vários assuntos. o
Editor cujo nome era como o seu Rob, tinha um humor incrível, disse que era fan
das novelas negras, que estas tinham alimentado toda sua juventude. Hoje ninguém escreve assim. Citou vários autores, que escreviam através
de um personagem que os refletiam, uns gostam de música, então ela está
presente.
Mas teu personagem mostra sem querer um
mundo anterior, muito escondido, que a guerra que ele participou, lhe marcou,
que talvez ele busque justiça nesse mundo tão negro como o vê.
Ele entendeu, tinha gostado, queria saber
se tinha mais.
Começou a falar da proposta da editora, ele
disse que o prof. Robert, era seu agente, pois não entendia muito desses
negócios. O professor, o tinha alertado
no problema de ficar preso a uma editora por contrato, porque lhe iam exigir
livros em seguida, que havia muita pressão em cima disso, que ele estaria preso
a ansiedade, a necessidade de produzir por dinheiro, que isto matava a
inspiração.
Por isso disse que o prof. Robert era seu
agente, esse riu, aceitou o reto, começou a negociar com seu amigo editor. Prestou atenção, pois gostava de aprender.
O curso já estava quase no final, quando o
livro chegou a livrarias. Era agradável
entrar em casa, ver seu livro na vitrine da pequena livraria.
Tinha feito um trabalho impecável, para o
final do curso, mas só tirou uma nota 8 outra vez, entendeu que para o
professor, isso era o máximo.
Quando saia da aula, o professor lhe parou
para dizer, se ele gostava de novela negra, devia ler um livro que tinha sido
lançado nesse mês, que o autor era muito criativo, que era uma coisa que
faltava a ele. Já imaginando, perguntou o nome do autor. R. Rod, lhe disse o professor, quase soltou
na sua cara, esse é meu nome abreviado.
Já estava na terceira edição, quando os
cadernos culturais do jornal, pediram uma entrevista, o prof. Robert, lhe
ensinou como se comportar. Crie um
mistério em torno a ti, não responda perguntas pessoais, mas sim sobre o
personagem.
Ele ao contrário do personagem, apareceu
usando uma roupa de surfista, com os cabelos compridos que tinha deixado
crescer desde que tinha chegado a cidade, agora ia todos os dias ao ginásio,
para manter o corpo forte, usado, também para recuperar do tempo que passava
sentado atrás do laptop.
A camisa aberta, mostrando o peito meio
peludo, cabelos compridos, óculos escuros. Quando começaram as perguntas a
nível pessoal, se esquivou.
Algumas pessoais era idiotas.
Uma lhe chamou a atenção, pois era também
feita por um homem que destoava de todos ali, estava vestido de com traje de
linho, amarrotado, tinha se sentado mais atrás, fumava muito pelo visto. Lhe perguntou se pensava em vender os
direitos autorais para alguma séries de televisão.
Foi honesto, não recebi nenhuma proposta,
tampouco pensei nisso quando escrevi o livro.
O homem balançou a cabeça, começou a
conversar com o prof. Robert, que se apresentou.
Mais tarde se identificou como um produtor
de cinema, de séries de televisão.
O alentou a fazer um curso de roteiros,
para ele mesmo saber como montar a história visando um público viciado nesse
tipo de história policial.
Ele já estava trabalhando uma das primeiras
histórias que tinha escrito, na época tinha uns 14 anos, sua mãe o tinha chamado
de bisbilhoteiro. Tinha lido no jornal,
na parte policial, primeiro riu da ingenuidade do reporte, por sinal uma
mulher, que tratava do caso como se fosse um crime passional.
Ele começou a ir pelas redondezas,
escutando as várias versões da história, todos falavam como se sua versão fosse
verdadeira. Ele gravou as mesmas sem as
pessoas saberem, depois escutava, passava para o papel, começou a compara-las,
todas tinham um ponto de partida, mas no fundo cada uma era uma história
diferente, pois tinham visto da vítima de várias maneiras, inclusive como uma
filha da puta.
Um dia um garoto que tinha conhecido,
contou que sua avó tinha outra versão porque conhecia as duas pessoas.
Esta sim lhe contou uma história como devia
ser, começo, meio e fim. Como tinham se
conhecido, relatou a festa do casamento, em que já se via que não iria dar
certo, que a noiva tinha bebido demais, que quando fazia isso, virava uma
mulher fácil. Depois o inferno que tinha
sido o matrimônio, com o homem trabalhando como um louco, ela aparentemente uma
esposa exemplar que saia com suas amigas, quando ele estava cansado demais para
sair, se comportando como uma mulher solteira.
Um gestação complicada, para nascer um menino negro, morto, pois o parto
se produz antes do tempo. O choque do
marido, que era branco como leite, olhos azuis, cabelos loiros, ante um filho
negro.
Foi um escândalo, motivo da primeira
separação do casal, depois ele começa a seguir a mulher nas suas saídas, vê que
ela gosta de homens negros, quando a encara na situação, ela lhe disse na cara
que gostava de negros, pois tinham um piru imenso, ao contrário dele, que
parecia uma criança na cama, motivo pelo qual ele a mata num momento de fúria.
A velha foi testemunha no processo contra o
rapaz. Contou tudo isso.
A Fiscal, tentou bombardear a velha, mas
esta era esperta, repetiu a cada pergunta com a verdade.
Ele se colocou na pele do inspetor que
tinha criado, para rever todo o texto, criando uma nova visão de tudo, inclusive
mostrando que a velha tinha sido colocada para o lado, na investigação por
outro policial, pois lhe parecia uma velha fofoqueira.
O detetive não, escutou a versão dela,
acreditando na senhora, analisou todos os antecedentes do rapaz, para saber
como chega a estourar. Seus complexo,
os bullying que tinha sofrido na escola, de apesar de ter um corpo de atleta,
ter um piru pequeno, o quanto isso mexia na cabeça de um heterossexual.
Criou uma série de conversas, do
prisioneiro com o inspetor, em que ele conta os abusos que vem sofrendo na
prisão. Quando terminou, reviu várias
vezes, prestando atenção as palavras como o prof. Robert tinha ensinado.
Este não esperava que ele já tivesse outro
trabalho em andamento. Vejo que me
escutaste, nos dias antes tinha tido uma entrevista na televisão, quando lhe
perguntaram sobre um novo trabalho, ele respondeu que estava em andamento. O entrevistador, soltou um comentário
maldoso dizendo que todos os escritores que faziam um certo sucesso, logo em
seguida tinha um branco.
Mas contou ao professor, que essa história
tinha sido a primeira que tinha escrito, o original escrevi com 14 anos, passou
ao professor o mesmo, mas dei uma visão totalmente diferente com o inspetor.
A cada história tinha falado um pouco sobre
o inspetor, mas nunca aberto realmente qual era no fundo seu problema.
O professor, lhe entregou o texto, vejo que
aprendeste com minhas correções, desta vez tinha feito a história mais longa,
procurando não cansar o leitor, ou já pensando nele, criando sim desde o princípio,
uma rede de intriga, que ofusca a história verdadeira, que só aparece no final.
Mandou através do professor, o texto para o
editor, que telefonou em seguida, que tinha passado pela mão de dois dos
editores da empresa, por último pelas suas mãos, que iriam preparar uma capa,
para a história.
Era a temporada de verão, o prof. Robert
disse que fechava a livraria, que iria durante um mês a uma casa de praia que
alugava todos os anos, fazer um pouco de surf.
Foi com o professor que lhe convidou, numa
conversa, o mesmo lhe perguntou se não tinha ninguém na sua vida.
Sinto que me falta encontrar uma pessoa que
me desperte isso, sou virgem ainda, embora fale de sexo nos livros, as vezes
fazendo isso me sinto como um voyeur, pois não tive experiencias na minha
adolescência.
Bom na praia, estarás rodeado de gente de
tua idade, com várias linhas de pensamento, muitos só pensam no surf, mas por
detrás disso tem muita coisa, alguns são viciados em drogas pequenas como a
marijuana, outros em cocaína. Sempre há uma história por detrás de tudo.
Contou que tinha um amigo, que era pintor,
tivemos uma relação a anos atrás, mas nos separamos, pois ele ama esta vida, de
viver aqui, fazer quando muito uma exposição por ano, já está consagrado, não
necessita segundo ele, muito para viver.
Faz sexo com os surfistas que aparecem em sua casa, assim vai levando a
vida, sem pedir muito.
A casa que eles tinham alugada era próxima
do pintor. Se notava que de noite havia
um certo movimento.
Ele foi se enturmando, escutando as conversas,
as gírias que usavam para falar, procurando entender o que queriam dizer no
final. Um deles, lhe ensinou a fazer
surf, pois o prof. Robert, disse que era mau professor, entendia que ele queria
que fizesse amizade com os da sua idade.
Um dia esse que lhe ensinava, lhe perguntou
se era amante do professor, ele tem idade para ser teu pai. Embora muita gente goste disso.
Quando ele negou, o outro comentou que
muitos jovens dali, tinham certo problemas com a figura paterna, que faziam
sexo justamente com o pintor por causa disso.
De noite depois do jantar, se sentava com
esses jovens em volta de uma fogueira, escutando as conversas, marijuana ele
suportava, fingia que aspirava, mas na verdade, estava mais interessado de como
os via se soltando, mudando as conversas.
Um deles comentava que gostava de fazer
sexo com o pintor, pois este nunca lhe pedia nada, que era limpo, que algumas
vezes lhe dava dinheiro quando pedia.
Outro comentou que nunca ninguém ficava
para dormir. Que o passado do pintor,
era meio escuro, ninguém sabia de aonde tinha saído, como tinha chegado ali,
que tinha certa fama, que gostava de pintar os surfistas nus.
Um deles disse rindo, que tinha posado para
ele, mas que justamente sem querer tinha ficado excitado pela maneira como o olhava,
que tinha ficado de pau duro, que o pintor tinha vindo até ele, chupado seu
caralho até ele gozar, depois voltou a pintar como se fosse nada.
Pelo menos ele se protege nos fazendo usar
camisinha quando faz sexo conosco.
Dias depois aconteceu uma morte entre os
surfistas, um deles, se via que tinha um certo trato, mas que gostava de drogas
pesadas, ele estava na praia, quando o mesmo pegou sua prancha dizendo que ia
dormir no mar, no dia seguinte apareceu mais abaixo em outra praia, mas com um
tiro na cabeça.
Se ele tinha saído para fazer surf no mar,
como aparecia com um tiro na cabeça.
Tinha notado sim que ao entrar no mar, levava uma mochila de Neoprene,
dessas que não se molham. Ao encontrarem não tinha a mochila.
Se interessou pelo assunto. Começou a prestar atenção nas várias
conversas e versões, que cada um falava.
Um dia estava com um grupo na parte esperando as ondas, quando um deles
comentou ao ver um barco ao longe, que não tinha pinta de ser de um pescador,
creio que foram estes que o mataram, são barcos de traficantes, com certeza
devia dinheiro para eles.
Os policiais ali da vila, tinha entrado na
casa do surfista, a tinha encontrado toda revirada como se procurassem alguma
coisa.
Um deles soltou que deviam estar buscando cocaína,
que ele conhecia o mesmo, que esse nunca escondia nada em sua casa. Por detrás da mesma, tinha uma mata, a polícia
com cachorros treinados, encontrou ali um esconderijo com muita cocaína, bem
como dinheiro.
Um dos rapazes comentou, que tinha visto o
pintor um pouco deprimido, que tinha ido até lá com intenção de fazer sexo com
ele, que o mesmo estava abatido.
Quando comentou isso com o Robert, ele fez
um comentário interessante, quem se mete com jovens acontece isso.
Sabia dos comentários todos que faziam a
respeito do pintor, um dia estavam comendo peixe no restaurante da praia,
quando o pintor se aproximou, era um tipo muito atraente, tinha menos idade que
o Robert, cabelos largos, castanhos misturados com brancos, uns olhos
penetrantes, um corpo de enfarte.
Virou-se para o Robert, lhe perguntou se eu
era seu novo protegido?
Ficou me olhando na cara, para ver minha
reação ao seu comentário. O ignorei
completamente.
Robert soltou, se nem os apresentei, como
podes fazer um comentário destes.
Ele estendeu a mão, Georg Schuld, tinha um
certo sotaque alemão, mas se via que era mais por pedantismo.
Robert soltou, segues fingindo que és um
alemão refugiado?
Porra Robert, tu sempre estragando meu
estilo.
Sem que ninguém o convidasse, se sentou,
com uma cerveja na mão que estava tomando.
Lhe perguntei diretamente, escutei várias
versões da mesma história, qual o relacionamento que o senhor tinha com esse
rapaz que foi assassinado?
Ficou me olhando sério, depois olhou para o
Robert, como dizendo, quem é esse.
Acho melhor responder, pois ele é melhor
que muito inspetor de polícia, vai descobrir de qualquer jeito.
Respondeu, olhando diretamente aos meus
olhos, o conheci na praia, o convidei para posar para mim, depois fiz sexo com
ele. Tinha uma peculiaridade, gostava de
sexo pesado, de ser passivo, apesar de todo seu corpo, era como uma mulher na
cama. Por isso me desinteressei dele.
Sempre me vinha oferecer cocaína, que nunca
comprei, prefiro a marijuana, me relaxa, se oferecia para sexo, mas não me
interessava, depois de cheirar, sempre contava um pedaço de sua história, vinha
de uma família bem, mas totalmente desestruturada, seus pais são de Los
Angeles, tem negócios no cinema, disse o nome.
Ele sempre foi o filho complicado, pois
dizia que tinha visto coisas em sua casa que faria Sodoma e Gomorra ficar
vermelha. Que seu pai era um
pervertido.
Quando estava colocado, se comportava como
uma mulher, as vezes o vi na praia fazendo sexo com mais de um.
Mais alguma pergunta detetive?
O que sentias tu por ele?
Boa pergunta, pena, lastima por ver uma
vida perdida, ele não sabia fazer outra coisa que surfar, para manter essa casa
que tinha aqui, vendia drogas. Isso me preocupava, mas ele não se
interessava por nada. Creio que devia
dinheiro para os traficantes.
O que me chateia, disse olhando ao Robert,
é que era uma criança esperando que alguém o orientasse, nisso não sou bom,
venho de uma família complicada também.
Um dia se quiseres posar nu para mim, te
conto toda minha história.
Eu desta vez ri, me imaginando nu na frente
dele.
Gostou da ideia.
Robert lhe perguntou se continuava gostando
de novelas negras?
Sim tem um autor novo, que gosto muito R.
Rod, é muito bom.
Pois te apresento o mesmo, me indicou.
Ficou me olhando com outros olhos, esse teu
personagem me fascina, iria para cama com ele no mesmo momento que o tivesse na
minha frente.
Ri muito, cheguei a engasgar. Pois não tenho nada dele, ao contrário, sou
tímido, sem ambições sexuais com ninguém.
Pois eu pensei que eras o novo cachorro do
Robert, que a anos está sozinho. Ele é
um bom professor em termos de sexo.
Eu nunca tinha visto Robert com ninguém,
embora tivesse me atraído desde o princípio.
Quando voltamos para casa, comentei que
todo mundo pensava isso de mim, que eu era seu cachorro sexual, levei um tempo
para entender de cachorro, mas isso depois me fazia graça.
Nunca te insinuaste, ao contrário
respeitaste meu espaço.
Porque gosto da tua maneira de ser, eres
intuitivo, sabia desde o momento que li teu primeiro texto, que irias longe, tem
um toque interessante em ti. Me
escutas, deixei de dar aulas por isso, falava, explicava, mas poucos me
escutavam, isso é frustrante.
Como foi teu relacionamento com o Georg?
Me apaixonei por ele, era aluno de Belas
Artes, já tinha esse tipo relaxado, começamos a sair, quando vi seus quadros,
vi que estava diante de uma pessoa com talento.
Embora seus trabalhos sempre tenham essa coisa voltada para a
sexualidade, mais tarde quando soube detalhes de sua vida, foi que entendi, mas
não me pergunte que não vou contar. Mas
depois as drogas me separaram dele, ele diz que não mas sempre gostou da
cocaína para pintar, dizia que lhe soltava, chegava ao seu studio estava
fazendo sexo com algum modelo, isso eu não ia suportar, o mandei tomar no cu.
Eu te interessei em algum momento.
Honestamente sim, mas temos uma diferença
de idade grande, mas primeiro te respeito, nunca iria avançar em nada contigo.
Nessa noite estava pensando nisso, quando
se sentiu excitado, se levantou, entrou no quarto do Robert, ele estava com as
mãos atrás da cabeça, como que pensando na vida.
Se deitou ao lado dele, sem falar nada, começou
a beija-lo, ele o foi guiando, quando viu estava explodindo num orgasmo louco
com ele.
Já não eres mais virgem, falou no seu
ouvido. Pensei que ias te interessar
por esses garotos de tua idade.
Nada os escuto falar, mas não me
atraem. Na verdade, na época da
história que tinha escrito, tinha era se interessado pelo inspetor, mas claro
ele era menor de idade.
Em seguida voltaram a fazer sexo outra vez,
nunca tinha se sentido assim.
Despertou de manhã nos braços do Robert,
pela primeira vez depois de muito tempo se sentia protegido.
Se levantou, foi fazer café, trouxe uma
caneca para ele, que estava recostado na cabeceira da cama. Lhe perguntou se estava arrependido.
Não estava pensando no Georg, ele tem uma
cabeça um pouco retorcida, pelo que lhe aconteceu na sua infância, bem como
juventude. Me contou várias versões, uma
a sério, outras sobre efeitos ou da marijuana ou cocaína, essas ele fantasia a
respeito.
Se queres te levo ao studio, para ver o que
pinta.
Foram, ficou surpreso, era quase uma
obsessão, todas as figuras eram masculinas, nuas, algumas em cima de uma prancha,
se via que o fundo era impreciso como se fosse o mar.
Os rostos eram impressionantes, ele poderia
ir dizendo o nome de cada um que tinha conhecido na praia, que dizia ter feito
sexo com o Georg.
Num caderno, tinha seu rosto desenhado,
fiquei com tua imagem na cabeça. Tinha
captado um lado seu de inquisidor, ao mesmo tempo de algo escondido. Quase cheguei a tua alma, mas em outro
aspecto creio que incentivei algo entre vocês, o olhar dos dois é
cumplice. Sou honesto de dizer que
gostaria de ter sido o primeiro.
Devo ter assustado aos dois, ao responder,
que preferia chegar ao fundo da minha fruta madura, de quem gostava muito,
nunca fui de aventuras, muito menos agora que me dedico a escrever em sério.
Ele sorriu, isso se nota em ti, eres um tipo
sério, não estas para passar tempo com ninguém, ontem a noite reli teu livro
inteiro. Ouvi dizer que esse mês sai
outro. Há momentos que leio, penso
estar vendo um filme. Com certeza já te
procuraram para levar a história ao cinema.
Sim, mas meu agente, indicou ao Robert, me
disse para esperar um pouco.
Esse livro que tens já vai para sua quarta
edição, o novo já se verá.
Robert soltou, que o novo ele tinha escrito
com 14 anos, que agora o tinha reescrito mais maduro, incluindo o personagem do
detetive, que ele inventou.
Georg descarado disse, que se ele entrasse
ali, vestido de negro, ia ter prazer em ir abrindo cada botão de sua roupa.
Apesar de fazer um tipo interessante, não
sentia atração por ele, quando saímos, comentei isso com o Robert. Sou honesto de dizer, que sempre tive medo de
como seria minha primeira vez, quando era adolescente, escutava meus
companheiros contando sua primeira vez, me parecia frustrante, fazer sexo, as
pressas num assento desconfortável de um carro, com medo que se aproxime
alguém.
Um dos meus melhores amigos, me contou sua
primeira vez com o capitão da equipe de basquete, no meio do mato os dois, que
era frustrante o tipo ter um corpo fantástico, mas que não tinha imaginação
como sexo. O mesmo capitão me contaria
depois uma história com uma garota no meio do mato, que o tinha levado a
loucura, que ele não sabia como se comportar, deduzi que a garota era o outro
meu amigo.
Isso eu não queria, o que tivemos a noite
foi o que sempre tinha imaginado, o que disse é verdade, quero te conhecer, me
atraíste desde o dia que fui olhar o apartamento, quando falavas do meu texto,
queria te abraçar, para agradecer.
Foram tomar um banho de mar juntos, viu que
os surfistas ficavam olhando, lhe acenavam ele retribuía.
Mais tarde perguntou ao Robert, se tinha o
celular do produtor, que tinha se interessado pelo seu livro. O chamou, este pensou que era a esse
respeito, disse que isso era com seu agente, não com ele, que dentro em breve
saia um livro novo, que voltariam a falar, mas estava interessado numa
informação. Perguntou pelo pai do
rapaz assassinado.
Ele confirmou mais ou menos a história, que
na casa dele, aconteciam orgias, que as vezes o mesmo tinha ido parar na
cadeia, por denuncias de vizinhos, pelos escândalos. Que sua mulher tinha sido assassinada, por
um rapaz muito mais jovem do que ela, num pequeno apartamento, os dois até as
nuvens com cocaína. Que de uma certa
maneira, ela tinha sido uma estrela de cinema, que tinha se perdido, depois de
casada com esse homem.
Que uma filha estava internada a anos num hospital
psiquiátrico, inclusive falou o nome, sei por que tem um ator que deveria fazer
um filme agora, que tive que internar lá, pelo mesmo problema, drogas. Fez um comentário, que pareceu estar
escutando o Robert falar, muita gente não está preparada para o sucesso.
Vi tuas entrevistas nos jornais, bem como
na televisão, teu agente te preparou bem, nada de ser estrela. Uma grande verdade, pois que depois dos 10
minutos de fama, o mundo te engole.
Ele encontrou um dos policiais que estavam
levando o caso do rapaz, lhe comentou que o tinha visto entrar na água com uma
mochila de Neoprene, parecia quadrada no fundo.
Mas quando o encontraram não existia a tal mochila. Falou do comentário de um dos surfistas, mas
sem indicar qual, que falou do barco com drogas que cruzava sempre no mesmo dia
da semana, fico pensando se ele não teve um esbarrão com o pessoal desse barco.
Ele disse o dia, bem como o horário que os
rapazes diziam que passavam. Deviam vir
do México. O policial agradeceu, disse
que seria necessário mais policiais pra isso, bem como a polícia marítima.
Na noite marcada, ficou sentado com o
Robert na varanda, tinha contado para ele, esperando ver se acontecia alguma
coisa.
De longe se via trocas de tiros, embora não
se escutasse nada.
Se fosses polícia, ias ser uma coisa, meu
garoto.
Agora as noites eram fantásticas, eles cada
vez se exploravam mais, adorava ver o Robert, sentado em cima dele, sentindo
seu sexo dentro, a cara que colocava de prazer, bem como gostava que ele
fizesse o mesmo com ele.
O novo livro foi lançado, em menos de um
mês estava na segunda edição, ele fazendo um curso para aprender escrever
roteiros, fazia como exercício, escrever sobre o novo livro, ao mesmo tempo
alinhavava o livro com a história do surfista.
Robert lhe apresentou um texto, o tinha na
gaveta a muito tempo, queria que ele lesse, como se tivesse invertido os
papeis.
Entendeu desde o inicio que o livro era
sobre ele, sua história com o Georg, como alguém podia decepcionar tanto.
Na época ele ainda era professor, lhe deu
um único conselho, escrever sem omitir nada, agora ele já não tinha que se
esconder por ser professor, você mesmo me ensinou isso.
Robert lhe ensinou como ler entre as letras
pequenas de um contrato, ou se tiveres dúvidas, lhe apresentou um advogado
experto nisso, analisaram o contrato para a série profundamente, o advogado foi
inclusive a Los Angeles, para conversar com um conhecido, experto no assunto.
Depois de muitas negociações chegaram a um
acordo. Uma das coisas que ele queria,
era poder escolher o ator que fizesse o papel, pois isso seria marcante para o
enredo.
Lhe mandaram os vídeos com as provas, ele
separou três, pediu para ver o casting desses três, um deles, apenas tinha
feito uma ponta numa outra série.
Fez a mesma pergunta aos três se tinham
lido os livros, sabiam da história.
Somente esse que disse que ao ler o
primeiro livro, ficou pensando no personagem, contou como o via, pediu que ele
falasse o texto como tinha escrito, o personagem conversando com a velha. Era crucial para ele que entendesse o
personagem, como chegar as pessoas.
O rapaz riu, fui criado pela minha avô, sei
como lidar com elas, mas tinha cru, pois entrou em cena uma atriz que ele
admirava, na hora ficou sem fala.
Mas refez a cena como imaginava. Ele aprovou o rapaz.
Tiveram uma longa conversa, de como ele tinha
construído o personagem, no contrato regia que a roupa tinha que ser sempre
igual, um casaco velho, a bota sempre suja, etc.
Quando o primeiro capitulo ficou pronto,
vieram trazer para ele dar uma olhada, foi honesto em dizer que gostava de
cinema, mas quanto a televisão nunca tinha acompanhado uma série, teria que seguir
esta para ver, como se desenvolvia o personagem.
Quando Robert, reviu todo o texto, ele leu
outra vez, começava como ele via agora o Georg, claro ele tinha mudado de nome,
mas a cena dele pintando um surfista, depois fazendo sexo com o mesmo, era o
ponto de partida, era como se ele voltasse atrás o encontro de um professor com
mais idade, um rapaz despontando no meio da arte, a sedução sobre ele, o
reencontro com as drogas, da qual tinha escapado, para poder sobreviver como
professor, seus livros que hoje eram histórias, mas que em sua época foram
sucesso, mesmo a parte mais crua como ele tinha se perdido depois do primeiro
sucesso de um livro transformado em filme, quando pensava ter os pés no chão,
quase recai outra vez, ao ver o homem que ama, mergulhando no que ele tinha
escapado. A roda de sexo que este
mantem com os modelos.
A surpresa de ter que renunciar a tudo para
voltar a ser um excelente professor, mas posteriormente decepcionado, incluía a
ele no final, quando o vê, reencontrando uma maneira nova de amar, com alguém
que o entende, corresponde ao que ele sente.
Leu essa parte chorando, sim o amava muito,
pois compartiam tudo.
Quando lançaram o livro, Georg veio vê-los,
sai com a parte menos privilegiada em tudo isso, mas sem dúvida alguma
verdadeira, me avisaste dos 10 minutos de gloria, mas para isso, tive que sair
daqui, ir viver aonde vivo. Apesar de
tudo isso, dos surfistas, sou honesto de dizer que os invejo, pois os dois tem
um equilíbrio fantástico.
Depois de tantas entrevista, um autor que
surge de suas cinzas, como dizia uma manchete, com um texto totalmente LGBT,
sem esconder nada. Era um sucesso.
Ele via Robert cansado, um dia enquanto
faziam sexo, ele desmaiou. Queria dizer
que não passava nada, mas o convenceu de no dia seguinte ir ao médico, depois
de uma série de exames, o médico foi franco, mesmo que faças repouso absoluto,
a solução é um transplante de coração, no momento a fila é grande, mas vamos
ver o que podemos fazer.
Ele ficou quieto, andou soturno uns dias,
fechava a livraria, saia sem dizer aonde.
Agora estava sempre cansado inclusive para
subir as escadas, conseguiu um rapaz, para cuidar da livraria, ficava mais
tempo com ele. Dormiam juntos agarrados,
com medo de um perder o outro.
O médico pediu novos exames, pois havia uma
possibilidade, se ele estivesse em condições, colocar um coração mecânico,
enquanto esperavam que a fila avançasse das doações compatíveis.
Mas morreu na mesa de operação, houve uma
rejeição imediata ao coração mecânico.
Ele ficou arrasado, avisou as pessoas da
lista que ele tinha deixado, bem como o advogado, para que se fizesse o que ele
queria.
Queria ser cremado, que as cinzas fosse
depositadas no mar, na vila que eles iam sempre.
Alugou a casa, queria passar um tempo lá, o
proprietário, lhe avisou que a ia colocar a venda, lhe perguntou quanto queria,
pois tinha muito dinheiro parado no banco, da época de sua fuga para San
Francisco.
Na leitura de testamento, deixava o que
tinha para ele, bem como uma carta, ele fizesse o que achasse melhor com a
livraria.
Ele pensou bem, tinha dinheiro, agora do
livro do Robert, como havia gente interessada em levar a história ao cinema,
vendeu os direitos, junto com o mesmo valor disso tudo, incluiu um pouco do que
tinha escondido na caixa forte do banco, criou uma bolsa de estudos para novos
escritores, essa era gerida pelo amigo dele Editor, bem como selecionaram
alguns professores para isso.
Ele foi para a casa da praia, para escrever. Tinha todas as entrevistas, tudo que tinha
conversado com cada surfista, mas tinha feito diferente, analisava a cada
entrevistado, para fazer um perfil de como via a pessoa, nada de dizer o fulano
disse isso, tinha anotado cada postura do mesmo. Ao mesmo tempo para fechar o círculo, foi a
Los Angeles, na sua velha caminhonete, para conversar com a irmã do
surfista. Esta estava numa fase boa, perguntou
se podia conversar com ela. Contou que
estava escrevendo a história de seu irmão que tinha conhecido na praia. Tudo que se descobriu fui que ele tentava
enganar os traficantes, alegando que tinha sido roubado, tinha o dinheiro para
escapar dessa vida, ele não sabia bem para onde e como.
Ele esteve aqui umas semanas antes, queria
me resgatar do hospital, que fossemos começar, uma nova vida longe de tudo
isso. Tive uma recaída quando soube que
ele tinha morrido, entendi o que estava fazendo. Tentar conseguir de qualquer maneira
dinheiro para começarmos bem, uma nova vida.
Eu ao contrário tinha falado com ele, que
devíamos começar por baixo, como fazem todas as pessoas.
Mas claro, isso não foi o que aprendemos
naquela casa, começou a contar para ele, como tinha sido a infância deles, em
que todas as vontades eram satisfeitas.
Depois a adolescência complicada, com as festas cheias de drogas, sexo,
a troco de nada.
Quando minha mãe morreu, desencarrilhamos
de vez, nem sabia quando estava drogada, ou vivendo alguns momentos de
realidade. Hoje meu pai está arruinado,
mal pode pagar o hospital. Não tem
credito, nem como diretor, ou mesmo produtor.
Se quiseres falar com ele, tudo bem, mas te
aviso, vai cobrar, pois necessita de dinheiro.
Um dia ainda copilando notícias, com a
ajuda do produtor da série, este comentou que ele estava escrevendo um livro sobre
o filho dele, começou a falar em dinheiro.
O senhor espere, em momento algum do livro
menciono que é seu filho, eu só o conhecia da praia, ele não usava seu
nome. Disse o nome que ele usava, é o
que consta também na investigação, ele tinha trocado de identidade, portanto
não tenho que pagar nada ao senhor.
Sua filha me avisou que o senhor tentaria
ganhar dinheiro as minhas custas, mas nem pensar. Já consultei meus advogados a
respeito, não tenho que lhe pagar nada, a partir que não menciono o nome do senhor.
O homem ficou uma fera, com certeza, vai me
colocar como um pai desnaturado, que drogas seus filhos, em orgias, festas com
muito álcool, drogas pesadas.
Isso está dizendo o senhor, os que estão
aqui em volta estão escutando tudo, eu não mencionei nada.
O homem lhe inspirava uma pessoa horrorosa,
conversou com o produtor da série, ainda estavam filmando o segundo livro,
desta vez, o personagem será outro, um surfista curioso com respeito da morte
de um amigo.
Porque senão esse homem pode causar problemas
com a série.
Muito bem pensado, o Robert dizia que
tinhas a cabeça muito bem plantada, que sabia resolver as coisas.
Reescreveu o inicio todo, mudando o
contexto, criando outro personagem, um surfista que é advogado, que por algum
motivo abandonou sua carreira, para viver ali na praia, observa tudo, cada
pessoa que lhe conta a história, descrevendo de confia ou não no que conta, o
quanto tem de verdade, ou invenção do mesmo.
Fala do pintor, que troca sexo, com modelos para seus quadros.
Justo dias antes, o Georg veio
visita-lo. Comentando que não o via na
praia, ele lhe disse que estava escrevendo, que isso lhe tomava muito
tempo. Se ele quisesse podia desenhar a
capa do livro. Lhe perguntou se ia
falar dele.
Sim é um dos personagens.
Espero que ao contrario do Robert me veja
com um personagem mais simpático.
Vou fazer uma coisa, te dou uns minutos
para falares de ti mesmo, com relação aos surfistas.
A cara do Georg ficou séria.
É uma merda, chegar aonde cheguei, depois
de quase destruído minha carreira, depois das duas primeiras exposições, em que
minha obra era disputada pelos grandes colecionadores, me senti o rei do
mundo. Queria estar em todas as festa
que me ofereciam, claro a maioria acabava em sexo, era bonito, desejável. Mas no dia seguinte despertava com um gosto
amargo na boca, nem sabia com quem tinha feito sexo, nem com quantos na
verdade.
Robert me deixou com toda a razão, pois eu
o estava arrastando para uma coisa que ele não queria. Nunca me perdoou por isso, nem eu tampouco,
pois iria acabar com a vida dos dois.
Mas a minha maneira o amava, tinha sido a
primeira pessoa a acreditar em mim.
Quando os vi juntos, mesmo antes de serem
um casal, eu senti ciúmes, pois era o oposto a mim, contigo ele conseguiria o
que tinha sonhado, vocês falavam a mesma linguagem.
Quando aos surfistas, não passa de sexo, é
uma coisa que necessito, embora acabe sozinho na verdade, eles fodem, vão ao
banheiro, dão uma mijada, vão dormir por aí, com seus amigos, para contarem que
fuderam o velho pintor, a troco de uns trocados.
Desde a morte do Robert, estou em branco,
não consigo fazer nada, vejo tudo que joguei pelo esgoto.
Eu se fosse você, em vez de ficar pintando
surfistas, pintava essa realidade, dê uma volta a tua carreira. Pense nisso.
Sim o farei, prometo se consigo pintar,
farei algo diferente.
Podemos sair alguma vez para comer, o velho
restaurante da praia o leva agora o filho do dono, não é a mesma coisa, pois é
um filho da puta.
Sim qualquer dia desses, eu já fui lá
comer, os empregados parecem ter medo dele, além de ser extremamente grosseiro.
Dizem que todos são mexicanos
indocumentados, que ele explora.
Noites depois ainda estava escrevendo,
escutou ruídos nos fundos da casa, quando chegou tinha um rapaz atirado no chão
com um ferimento. O levou para dentro de
casa, ele pediu que não chamasse a polícia, pois não tinha documentos. Chamou o Georg, pois não conhecia mais
ninguém que pudesse confiar. Entre os
dois limparam a ferida, o Georg foi buscar um médico que conhecia, esse deu os
pontos.
Georg disse que ele podia ficar na sua
casa, mas ele cortou, com ele sempre podia cair para o outro lado. Não é necessário, ele pode ficar aqui.
Cuidou dele, vários dias, até ele estar
bem, para contar sua história.
Juan Hidalgo, era de Vera Cruz, estudante
de literatura, tinha vindo para cá, com um rapaz que era seu amigo de infância,
os dois eram apaixonados um pelo outro.
Jamais imaginei acabar assim. Ele morreu no caminho, já tínhamos cruzado a
fronteira, mas claro os passaportes, estavam com o homem que nos trazia, meu
amigo quis recuperar os mesmo, pois tínhamos outros planos, acabou levando um
tiro na cabeça, seu corpo ficou ali jogado no meio do caminho.
Fomos obrigados a vir, eu tinha sido
selecionado por esse filho da puta para trabalhar no seu restaurante, foi ele
que pagou para virmos, explora todo mundo, paga mal, claro com isso não podemos
pagar o que lhe devemos.
Por que não o denunciaram a polícia?
Ele tem um amigo na polícia, a quem dá
dinheiro, então esse caminho fica difícil.
Vou te mostrar um que conheço, me dizes se
é ele.
Não era, foi visitar o mesmo, comentando
que estava escrevendo finalmente o livro sobre a morte do surfista, que tinha
descoberto muitas coisas, começaram a conversar, tocou no assunto do
restaurante.
Esse é um filho da puta que veio para cá,
de uma delegacia de Los Angeles, é mafioso como nada, mas amigo do chefe.
Contou para ele, o que acontecia,
precisavam liberar esse pessoal, encontrar os passaportes, os documentos desta
gente.
Eu te ajudo, mas temos que fazer na
surdina, perguntou ao Juan Hidalgo, se sabia aonde ele guardava os
documentos. Ele disse que num velho
cofre, misturado no meio de coisas da antiga decoração do bar.
Ele o policial, ajudados por alguns
surfistas que este conhecia, entraram uma noite, não só tinha documentos, como muito
dinheiro, além de drogas, espalhou um pouco de drogas pelo chão, levaram os
documentos, avisaram a DEA, nesse dia, Juan deu os documentos aos que lá
estavam que desapareceram. Quando a DEA,
chegou, o policial que acobertava tudo, ficou do lado do dono, mas quando
abriram o cofre, porque os cachorros cheiravam ali, foi difícil escapar.
Foram os dois presos. O velho proprietário, disse que tinha se
aposentado, pensando que o filho estava levando seu negócio, colocou a venda o
mesmo. Logo uma família de portugueses,
comprou o local.
Ele regularizou como tinha prometido ao
Juan Hidalgo, conseguiu uma das bolsas de estudos, em nome do Robert. Para ele
terminar seu curso na universidade, lhe emprestou o apartamento do Robert, para
ele viver.
Este não sabia como lhe agradecer. Lhe
sugeriu que escrevesse sobre o que lhe tinha acontecido, ele revisaria para
ele, bem como o ajudaria a publicar.
O rapaz lhe deu um beijo na boca, em
agradecimento.
Ninguém tinha lhe beijado depois do Robert,
na verdade, só tinha feito sexo com ele, com ninguém mais.
Quando o livro ficou pronto, foi para San
Francisco, entregou o manuscrito ao editor, que o leu, dizendo que estava
perfeito, ele cobrou do Georg que desenhasse a capa do livro, contou que o
personagem era um homem que fazia surf, que era advogado, lhe criou a imagem.
Ele fez o desenho enquanto ele falava,
ficou perfeito, como ele queria.
Lhe agradeceu.
Este de brincadeira, nada disso, pelo menos
um beijo.
Pela primeira vez, sentiu asco, não gostou,
saiu da casa dele limpando os lábios, sabia agora que nunca faria sexo com o
mesmo.
Antes de ir embora, falou com seu amigo da
polícia, este estava farto do que fazia, ali, a coisa não ia em frente.
Quando lhe perguntaram se transformaria a
história num roteiro para o cinema, disse que sim, mas que queria que uma
pessoa fizesse o casting. Chamou o
policial, ele só teria que deixar os cabelos crescerem, pois nos seus momentos
de folga sempre estava em cima de uma prancha, tinha justamente o perfil do
personagem.
Sugeriu ao produtor, que poderia, fazer uma
série que hoje em dia dava mais dinheiro, sobre esse detetive que estava sempre
fazendo surf, uma pessoa simples, que resolvia seus casos.
Ele trazia anotações de várias coisas que
tinha acontecido por lá.
Gostaram da ideia, Jarbas Passarinho, era descendente
de portugueses, aceitou o reto de ser ator, chegou a estudar um pouco, sempre
se falavam.
Ele sempre lhe agradecia a
oportunidade. Lhe entregou vários
cadernos de anotações, de casos que ele tinha levado, que podiam fazer algo.
O livro foi um sucesso, ele se dedicou a
escrever sobre o personagem.
Primeiro criou, o personagem, com uma
história, um passado, alinhavando várias histórias de emigrantes portugueses
que vinham para os Estados Unidos, a dele começava nos guetos portugueses de
Boston.
Foi com ele até lá, o apresentou as avós
que falavam das vila que tinham saído de Portugal, procurando uma vida melhor
para os filhos. Mas chegamos aqui atrás
do sonho americano, o que encontramos foi quase um trabalho escravo, limpar
casa dos ricos, cozinhar nos restaurantes.
Falavam das receitas, ele comeu algumas, escreveu as mesmas, para fazer
depois em sua casa na praia.
Depois conheceu uma terceira geração, que
alguns tinham chegado à universidade, trabalhavam em escritórios, tinham
melhorado a vida, se mudado para bairros mais classe média, como querendo
esquecer de aonde vinham. Alguns nem
falavam português corretamente. Voltou
com um bom material, Jarbas ficou hospedado em sua casa, lia o que ele
escrevia, fazia algumas correções, iam fazer surf juntos.
Acabaram na cama, foi como reencontrar
algo, entre os dois havia entendimento.
Quando chegaram as filmagens pela primeira
vez, ele ia, queria que a criação do personagem fosse perfeita, incluía algumas
vezes que o personagem soltava uma palavra em português, como as coisas saiam
mal, como os velhos falavam, “caralho”, a maioria dos atores nem sabia o que
era, os dois se riam disso.
Quando o primeiro capitulo ficou pronto, os
produtores chamaram alguns distribuidores, sabiam que o autor era o mesmo da
outra série de sucesso, nada podia ser mais oposto que a outra, esse havia
cenas de surf, alguns dos rapazes da praia participavam, pois as filmagens
exteriores eram lá.
As entrevistas para a televisão, fez o
mesmo mantra que Robert tinha feito com ele, cuidado com os 10 minutos de
fama. Chamavam Jarbas para grandes
festas, sempre tinha uma desculpa para não ir, dizia que preferia ficar com
ele, discutindo algum capitulo novo, ou modificação que faziam. Reviram tudo que ele tinha escrito sobre o
surfista para poder fazer uma coisa, que escapava um pouco ao livro, por causa
do pai. Era como uma outra história com
o mesmo fundo.
Quando a temporada ficou pronta, acabou o
texto do seu último livro sobre o inspetor de San Francisco. Justo nessa época, viu nos jornais, a
notícia, que algo tinha acontecido na lagoa, que tinham encontrado os dois
cadáveres dos dois homens que ele tinha matado.
Não se preocupou, pois tinha usado luvas
para manejar os homens, bem como empurrar o carro para a agua. A pessoa que se lembrava da caminhonete, não
sabia que marca era, nem tampouco a placa, pois as luzes estavam acendidas
muito fortes, tampouco sabia dizer se estava parada antes.
Tudo que se sabia, eram dois cobradores dos
devedores do casino, que estavam atrás de um homem que tinha morrido, no caso
seu tio, mas que não existia ninguém mais da família ali, tampouco o inspetor
que tinha levado o caso, era vivo, tinha morrido a alguns anos de câncer.
Tudo ficou por isso mesmo, mas de qualquer
maneira o afetou, era como se o passado voltasse a bater na sua porta.
Procurava não chamar mais atenção, sua
figura na verdade nada tinha a ver com a pessoa que era agora, tinha não só
mudado de nome, como seu corpo tinha se transformado ao longo dos anos.
Mas estaria sempre atento a isso, a única
pessoa que sabia de sua história era o Robert, a quem ele tinha contando antes
de morrer, pois esse dizia que não sabia de aonde ele tinha saído.
Com o dinheiro da série Jarbas tinha
comprado um restaurante que estava fechado a muito tempo, trouxe seus pais para
trabalharem lá, bem como alguns parentes.
Isso de certa maneira esfriou as coisas entre eles, pois respeitava
muito a família, era como ser adolescentes, com encontro furtivos. Até que a mãe dele, lhe chamou atenção, que
quando tinham ido para Boston, estava patente que os dois viviam juntos. Voltaram a viver juntos.
Mas em seguida foi chamado para um casting,
para fazer um filme em NYC, lá foi ele.
Ele passou por lá, pois tinha resolvido
tirar umas férias, aproveitar o lançamento da série na Europa, para ir até lá.
Viu que o Jarbas, estava meio envolvido
pelo diretor do filme, entendeu, esse agora tomara seu caminho, espero que com
os pés no chão, quando conversaram, bateu nessa tecla novamente, que tivesse
cuidado.
Durante a viagem, tinha levado uma das
histórias de sua juventude, começou a atualizar a mesma, durante o dia, dava
entrevistas, conversava com diretores e produtores franceses, de noite
escrevia, o convidavam para alguma festa, aceitava como muito jantar.
De novo se resguardava, saia um pouco
queimado da relação com o Jarbas, entendia que não era como a do Robert, com
quem tinha sonhado passar o resto dos seus dias.
Lhe atraiam os homens sérios como o Robert,
quando voltou o texto já estava quase pronto, mostrou o rascunho para o editor,
que riu muito. Voltas atrás no tempo
para ao mesmo tempo contar a história do personagem, contando uma nova
história, isso dará movimento não só aos que seguem os livros, que perguntam
sempre de aonde saiu o personagem, mas com um uma outra historia de fundo, que
não tem nada a ver com isso. Ele tinha
usado o que tinha sentido com a história do descobrimento do carro, para fazer
algo parecido com o personagem, como se alguma coisa de seu passado viesse a
toma, no caso, algo que tinha lhe acontecido na guerra.
De novo chamava a atenção da mídia, o que
era um renascer do personagem.
Por algum motivo, os produtores da serie de
surf, diziam que não dava dinheiro, não fazia tanto sucesso que a outra.
Não se preocupou, pois Jarbas estava
fazendo um filme atrás do outro, era feliz como queria.
O editor lhe passou um caso que tinha
acontecido em San Francisco, envolvendo um transexual em pleno processo de
conversão, com um antigo romance.
Leu tudo que saiu, falou com o inspetor,
falou com o próprio transexual, que lhe contou sua vida, que tinha sido um
fraude desde que tinha nascido, quando era criança um trauma, porque se sentia uma
menina, conforme foi crescendo, num corpo de um adolescente que jogava basquete
para satisfazer seu pai, inclusive era bom, tinha conseguido uma bolsa de
estudos para a universidade em cima disso.
Tinha uma namorada para esconder seus problemas, mas quando a deixou não
aceitou. Quando saiu da universidade,
começou sua transformação que levava anos, até que tal namorada descobriu,
começou a persegui-lo, inclusive atropelando o mesmo, tinha sido em legitima
defesa, ela apareceu armada no hospital, ele se defendeu, a arma disparou, mas
agora por causa do tiro que tinha levado também já não poderia seguir, pois
tinha estado entre a vida e a morte.
Ficaram bons amigos, em sua transformação ele só tinha colocado seios
que teve que retirar, pois um dos tiros dela, atingiu o silicone, voltava a ser
homem novamente.
Depois do julgamento, enquanto escrevia a
história, bem como encaixava seu personagem nela, ele fazia uma analise disso,
convidou Peter Drives, para ficar na casa de praia, se recuperando. Este um rapaz do interior, se divertia na
praia com os surfistas, que o aceitaram como mais um. Tinham largos bate papos com os mesmos,
pois tinha estudado psicologia.
Dizia que finalmente tinha encontrado o que
queria, agradecia sempre o Rob por isso.
A amizade entre os dois era fantásticas,
podia ficar horas debatendo algum assunto, lhe fazia lembrar do Robert, sabia
que nunca o poderia substituir por isso.
Necessitava de alguém que preenchesse essa
laguna em sua cabeça.
Quando o livro bem como o roteiro da série
ficou pronto, comentou com o produtor, além do diretor, que tinha lhe picado a
vontade de fazer com que o personagem se apaixonasse pelo transexual. A cara dos dois foi ótima, isso seria como
matar o personagem.
Num certo ponto, ele estava meio de saco
cheio de estar preso a este personagem, a um ano tinha vencido o contrato com o
produtor.
Lhe disse que no livro, faria isso, que o
personagem tomaria novo rumo, assumindo um romance com um transexual.
Este lhe perguntou se tinha se apaixonado
pelo mesmo.
Riu, nem se poderia dizer, porque seu
processo não terminou, teve que retirar inclusive o silicone que tinha
colocado, agora é feliz com seus amigos surfistas.
Tinha fechado a livraria, Peter abriu no
local um consultório de psicologia, vivia no apartamento que era do Albert, os
dois estavam sempre juntos, levou mais tempo que podia imaginar que realmente
começasse alguma coisa com ele.
Uma das clientes do Peter lhe contou sua
história, era um homem que tinha se transformado em mulher, sendo detetive num
departamento em Los Angeles, teve que se transferir para a policial de San
Francisco, lutar para se impor como uma pessoa que era boa profissional.
Começou a escrever sua história, claro ela
lhe contava tudo, foi analisando todo o processo de uma pessoa que se sente
outra ao longo do tempo. Todas as
penúrias que teve que passar, seu trabalho como detetive, a dureza do trabalho,
inclusive com a má vontade dos companheiros, aos que teve que conquistar,
fazendo um trabalho perfeito.
Quando lançou o livro, esta lhe chamou a
atenção, que Peter estava apaixonado por ele.
Finalmente entre eles, começou um
relacionamento, como ele gostava, largos papos, inclusive na cama depois de
terem feito sexo, tinha imaginado que ele gostaria de se sentir mulher, mas não
era o que acontecia entre os dois, eram iguais.
Peter mesmo reconhecia que tinha estado
enganado todo esse tempo, me sentia atraído por homens, mas por ti, é como uma
complementação, nos entendemos a todos os níveis.
Passavam a semana em San Francisco, no final
de semana iam para a Praia. Lá Peter
tinha seus clientes cativos, os jovens surfistas meio perdidos que vinha falar
com ele.
A alguns que tinha feito sexo, com outro
homem, que colocava em duvida sua masculinidade, ele tinha largos papos com
estes. Um deles, era apaixonado pelo Georg a anos,
mas este o via como sempre para um sexo rápido.
Quem lhe deu a dica, foi o Rob, em vez de
te levantares, ires ao banheiro se vestir, fique, deite de novo ao seu lado, o
abrace, beije, faça carinho, não aceite dinheiro dele. Tampouco tome drogas antes ou depois.
Semanas mais tardes encontraram os dois
passeando pela praia, de mãos dadas.
Foi divertido, quando chegou a um ano de
relacionamento, Georg descobriu que ele tinha feito isso, os convidou para
jantar.
Tens razão eu nunca dei chance a me mudar
de conduta, agora era feliz, já não precisava dos outros jovens, ele tinha um
homem ao seu lado.
O mesmo acontecia com ele. Com o dinheiro todo que tinha ganhado, não só
tinha agora, uma bolsa estudos para escritores, bem como para transexuais que
buscavam uma saída de um mundo que não os entendia, para conseguir um futuro.
Agora escrevia livros que iam surgindo,
quando lhe pediam um roteiro, dizia que não, que tomava muito tempo, ele queria
tempo para ele mesmo.
Afinal tinha realizado seus sonhos de
jovem, ser escritor, era feliz com o Peter, como tinha sido com o Robert,
quando Georg falava nele, sentia uma certa nostalgia, por ter sido seu primeiro
amor.
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