UNLIKE

 

                                               

 

Brian e Barry não podiam ser mais diferentes um do outro, só regulavam em altura, o resto eram como duas gotas diferentes num mar de pessoas.

Tinham se conhecido na academia de polícia, vinham claro de distintos meios, Brian depois do orfanato tinha sido policia militar, já Barry vinha de uma família de classe média, tinha feito direito, mas não gostava, queria ação, por isso entrou para a polícia.

Os dois ficaram no mesmo quarto, de imediato surgiu entre eles um bom relacionamento, se completavam.  A grande diferença na realidade era que Brian, era uma pessoa no meio da multidão, seria difícil reconhece-lo, tinha um corpo forte, mas a cara, bem como o resto, maneira de se vestir, tudo o mais, ele era uma pessoa normal, aparentemente sem atrativo.

Já Barry era o oposto, aonde chegasse se destacava, tinha um rosto másculo, com forte traços, também um corpo forte a partir dos esportes, mas se descuidasse, lhe saia uma barriga, fisicamente, junto com a cara, era impressionante, as pessoas parava para o ver.

Por isso conjugavam.  Fizeram a primeira experiência ainda na academia, tinham que entrar numa sala analisar as pessoas que estavam ali, era uma cena de um crime, ele sugeriu ao Barry que colocasse uma camiseta apertada, aonde se destacavam seu corpo, ele ficaria um passo mais atrás, assim poderia analisar a cara de todo mundo.

Em segundos decifraram o exercício, quando o professor perguntou como, explicaram, Barry tinha entrado, feito as perguntas, ele ficado mais atrás, observando as reações.  Era bom nisso, tinha aprendido no exército.

A partir de então procuravam fazer os exercícios juntos, eram sempre a nota mais alta, na academia surgiu também a atração física de um com o outro.  Os dois adoravam a natação, um dia coincidiram nos banhos, um ficou olhando para o outro, o que Brian tinha demais, um piru grande o Barry tinha de menos, um normal.

Daí foi um passo para fazerem sexo.  Barry sempre tinha que escapar das garotas que estavam ali fazendo curso.  A preocupação deles era que fossem separados depois da academia.

Um dia o professor principal, lhes avisou que haveria uma série de chefes de delegacias, observando os exercícios, que fossem relaxados, fizessem o trabalho limpo, a maioria procurou impressionar, os dois não, foram os primeiros da turma a descobrirem quem era o culpado.

Depois os mesmos chefes, assistiriam o exercício de tiro ao alvo.

Ficaram impressionados com Brian, pois não errou nenhum tiro.  Quando comentaram, ele soltou que Brian era capaz de acertar o algo com os olhos fechados.

Acharam que era brincadeira, lhe deram um óculos negro, ele olhou bem o alvo, estava em posição, acertou todas, a última bala deixou para acertar no meio das sobrancelhas do alvo.

Foi aplaudido, lhe deram inclusive a única medalha da academia.

Quando foram entrevistados, o chefe da delegacia mais importante de NYC, os chamou para serem entrevistados juntos, depois de falar com cada um em particular.

Brian argumentou porque se saiam bem nos exercícios, combinamos isso desde o primeiro dia.

O chefe fez uma experiência com os dois, como ele dizia, o Barry tinha entrado, todos os olhares foram para ele, Brian ficou em segundo plano.

Entendeu, os dois diziam que queriam seguir trabalhando juntos, além da cumplicidade entre eles, tinham um bom relacionamento.

Foram contratados, trabalhariam juntos, Barry era de NYC, conhecia a cidade bem, Brian não, mas foi descobrindo com ele a cidade.

Logo foram morar juntos, sentiam falta, durante um mês enquanto procuravam um apartamento, que pudessem pagar, Barry ficou na casa dos pais, reclamava que estava de saco cheio, pois o pai, um advogado de renome, queria que saísse da polícia.

Montaram o apartamento com dois quartos, mas dormiam juntos, eram unha e carne, saiam pela noite, gostavam de tomar algo, mas em seguida iam para casa.

Quando tinham que estudar um caso, o faziam junto, anexando os comentários um do outro em suas cadernetas.   Usavam seu velho truque quando entravam em alguma cena que tinham que descobrir quem era o culpado, raramente erravam.

Quando tinham dúvidas, debatiam por horas cada acusado, buscavam freneticamente aonde podia estar o móvel do crime.   Quais os motivos que tinham cada um.

Eram considerados os melhores de seu departamento, chegaram juntos a inspetores, um novo chefe quis separa-los, mas não funcionava.

Levavam juntos 10 anos, estavam os dois com 35 anos, quando numa redada, Barry foi atingido, na cabeça, Brian matou quem tinha atirado, com um tiro certeiro no meio da testa.

Barry ficou em coma, quase dois meses, todo o tempo livre, Brian ficou com ele, dormia no hospital, não saia de seu lado, falaram muito sobre isso.

Um dia o médico disse que era impossível seguir adiante, os órgãos mais importantes começavam a falhar, ele já tinha morte cerebral a bastante tempo.

Quando desligaram os aparelhos, Brian ficou em choque, pois segundos depois Barry morreu, para ele era como amputar uma parte dele.

No enterro falou do primeiro dia, quando se conheceram, do exercício que tinha feito juntos, de como agiam a partir daí.  Sua família veio buscar suas coisas, mas ele escondeu a camiseta que dormia, pois já fazia a algum tempo dormir com ela ao lado para sentir seu cheiro.

Só sobrou uma foto dos dois na academia, mais jovens sorrindo.

Começou a ir a um psicólogo que um conhecido lhe falou, não queria ir a um da polícia, preferia pagar para poder desabafar tudo que tinha sentido.

Falou da sua infância no orfanato, da única pessoa que lhe dava atenção, a freira que cuidava da pequena biblioteca, dos livros que lhe conseguia.  Tinha começado a gostar das novelas policiais nessa época, tinha seus autores preferidos, os detetives que usavam a cabeça, a observação.  Depois o tempo no exército, aonde viu morrer muita gente, mas não estava preparado para se separar do Barry.

No tempo que ele esteve hospital, fazia trabalho interno, era bom nisso também, o chefe delegava a ele, examinar casos que estavam parados.   De analisar esses casos, resolveu vários, quando lhe perguntavam como, ele dizia observação, em cima do que tinham os policiais escrito sobre o assunto.

Alguns passaram a vir analisar com ele o que tinham entre mãos, quando empacavam, sabia que ele não ia se vangloriar do assunto, se fazer importante.

Se sentava com eles, analisava o caso desde o princípio, os fazia retroceder na sua memória, para se lembrar de cada dado escrito ali.

Lhes ensinava como proceder, ao chegarem a uma cena de um crime, observar tudo em volta.

Muitos o agradeceriam depois.

Um dia o chefe lhe chamou, falou de uma policial que vinha queimada de outro delegacia, mas que ele tinha assistido suas provas na academia, ela é parecida contigo, observadora, queria que experimentasse passar alguns dias com ela.

Perguntou por que vinha queimada de outra delegacia?

Ele lhe explicou que a tinha colocado para trabalhar na rua de patrulha, que ela tinha se saído bem, o que não melhorou seu relacionamento com os colegas.

A trouxeram para uma entrevista, realmente era como ele, uma pessoa normal, tinha um corpo forte de quem deu duro na vida, um olhar direto, observador, estava vestida normalmente, era direta nas suas respostas.

Começaram a trabalhar juntos, primeiro caso que tinha que resolver era dos que estavam parados, analisaram profundamente os implicados, no assassinato de uma jovem, que na autopsia descobriram que estava gravida.  O forense se descuidou, não fez uma prova de ADN do feto.   Agora era tarde.

Quando chegavam na casa de alguém, tinham que mostrar suas credenciais, não pareciam policiais, sim gente normal.

Os dois tinham as mesmas coisas, entravam examinando tudo, desde o comportamento das pessoas, a casa em si.

O que acharam estranho foi que a mãe da vítima falava mal dela, quando viram seu segundo marido, entenderam tudo, era um tipo bonitão, que se fazia de encantador, a mulher se derretia para ele.   Jogou seu charme para cima da Joan, essa, deixou para ver até aonde ia.

Depois falaram com ele na delegacia, aí ele se traiu, disse que a enteada se jogava para cima dele.  Quando falou que ela estava gravida, fez cara de surpresa, disse que não sabia, que os policiais tinham falado só com a mãe, que esta era muito ciumenta.

Quando falaram com ela, a coisa ficou preta, descarregou sua raiva em cima da filha, que por causa dela não tinha podido ter mais filhos, vai essa desgraçada fica gravida do meu marido.

Aí estava o móvel do crime.  Foram apertando os dois, descobriram que ela tinha jogado a filha pela escada numa discussão, mas que ele a tinha ajudado a atirar a mesma numa lixeira.

Caso resolvido.   Os detetives que tinham o caso original, não tinha pensado no assunto, tampouco tinham visto o padrasto nenhuma vez.

Foram resolvendo esses crimes todos, que estavam parados, o chefe dizia que formavam uma dupla perfeita.  Alguns falavam que entre os dois essa ligação, vinha que tinham sexo.

Nada mais longe da verdade, descobriu que Joan, ou Jonny com a chamavam as amigas, vivia junta com outra amiga, eram um caso, quando ele descobriu, perguntou se lhe incomodava isso. Esse tinha sido o problema na outra delegacia, pois descobriram que era lesbiana.

De minha parte nada, contou para ela a ligação que tinha com o Barry.   Agora as vezes saia com elas, mas claro iam a bares de lesbianas, ele como sempre tomava uma cerveja, ia embora para casa.

Um dia foi abordado por um advogado, amigo delas, ficaram conversando, era um bom tipo, mas gostava de chamar a atenção.  O convidou para ir a um bar gay, se surpreendeu ao ver que ele conhecia todo mundo, ficou deslocado, nada funcionou entre eles.

Gostava de estar com outro homem de igual para igual, a coisa de fragilidade não o interessava.

No verão foi para Cape Cod passar uns dias numa casa alugada, era mais afastada possível da vila, tinha quase uma pequena praia para ele.

Um dia viu um pescador ali, na enseada, ficou curioso, pois o via pescando tranquilamente, lhe perguntou se tinha peixes para vender.  Este lhe fez um sinal, aproximou o barco, mostrou o que tinha.   Me desculpe pesco para me distrair, relaxar, mas posso te ceder alguns peixes.

Estou numa casa mais a frente, com meus pais.

O via um pouco mais velho para viajar com seus pais.

Comentou isso.

Nada é que eles a anos cuidam do meu filho, sou viúvo, meu garoto tem síndrome de Dow, não gosta da água.

Agradeceu os peixes, dias depois encontrou toda a família no supermercado, achou divertido o garoto se aproximar dele, parar na sua frente o olhar inquisitivamente.

Lhe estendeu a mão, perguntou seu nome, quantos anos tinha.

Bobby, fez um sinal com a mão que tinha seis anos. A avó sorria, não sei como fizeste uma coisa difícil, ele nunca faz isso com ninguém.

Foram todos tomar um café, viu que o garoto olhava a geladeira de sorvete, o pegou pela mão foi até lá, prestou atenção aonde ele olhava, lhe disse, vou descobrir qual sorvete gostas.

Foi direto a um, a cara do garoto era ótima, batia as mãos. Quando voltaram a mesa, se sentou ao lado dele.

Foi então que soube o nome do pai, James Junior, pois o seu pai também era James, a avó era Anne. O convidaram para ir de tarde tomar um café.

Junior lhe disse como chegar, siga a estrada aonde esta a casa que te hospeda, na enseada seguinte tem duas, a maior.

Assim fez, ficou conversando com o Junior, com o Bobby do lado, este dizia que seu filho gostava dele.

Tenho dificuldade em lidar com ele, pois passo o dia inteiro fechado na universidade, era professor de direito, chego em casa exausto, ele já esta na cama, me preocupo, pois um dia meus pais faltarão, como vai ser.

Tua mulher morreu?   Lhe perguntou.

Não, foi embora, sempre foi muito fútil, não suportava estar na presença do garoto, pediu o divórcio, o deixou comigo.   Se casou outra vez, com um homem mais velho, que já tem os filhos criados.

Viu que o Bobby ficava na beira da praia, olhando as ondas, perguntou se ele queria entrar, venha te ensino a nadar, foi o que ele fez, entrou o fez deitar-se nos seus braços, ia lhe ensinando como fazer, o garoto ria muito feliz.

Como consegues isso?, lhe perguntou o Jr.

Ora, eu vivi num orfanato, por um acaso tinha piscina, eu sempre gostei de nadar, então ensinava os menores.  

Jr, o convidou para ir pescar, ele disse que nunca tinha feito isso.  Queria sim aprender a mergulhar.  Este lhe disse que tinha material na casa para fazer isso.

No dia seguinte fizeram, quando voltaram Anne o convidou para almoçar, tinha trazido duas lagostas que o Bobby ficou encantado.

Antes do almoço o levou com ele para a água, continuou lhe ensinando, lá pelas tantas tirou o braço, o garoto se virava sozinho.   Quando percebeu, ficou em pé, lhe deu um sorriso imenso, como dizendo posso fazer sozinho.   Lhe ensinou a boiar, de costa para a água. 

Nunca tinha pensado em ser pai, Barry dizia que não suportava as crianças, ele ao contrário talvez por estar sempre no meio de grandes, pequenos, tinha paciência.  Quando ficou grande, ajudavas as freiras a cuidar deles, os proteger dos abusadores.

Saíram da água, ficaram deitados na areia, até que Anne os chamou para comer.

JR comentava a facilidade que ele tinha, ele explicou novamente por quê.

Nunca pensei em ser pai, quiça um dia, pois na minha profissão é difícil.

Explicou o que fazia, que atualmente trabalhava com uma companheira, que tinha o mesmo sentido que ele de observação.

De tarde na praia o JR lhe perguntou se não tinha ninguém na sua vida.

Sem querer falou do seu relacionamento com o Barry, como tinha sido difícil lidar com sua perda.

O comentário foi, que era difícil imagina-lo com outro homem.  Não tenho experiência nenhuma com outro homem, nunca me senti atraído por nenhum, mas por ti tenho curiosidade, as vezes te imagino sozinho naquela casa.  Primeiro pensei que estavas escondido, a curiosidade aumentou quando me confundiste com um pescador, me trataste de igual para igual.

Nunca olho por este prisma as pessoas, aliás as pessoas mais fúteis, são as mais fáceis em descobrir se mentem, pois tem uma série de manias ao se comportar, se mostrar em público, que é mais fácil.

Deu uma série de exemplo, no dia seguinte aproveitou a carona deles para ir ao supermercado, deu um exemplo ao Jr. Olhe aquela mulher, muito bem-vestida, maquilada, cabelos arrumados para ir a uma festa, mas preste atenção no que compra.  Tudo do mais barato, desvia a atenção com sua presença, mas está sem dinheiro, deve estar aqui caçando algum rico, distraído.

Dito e feito, quando estava no caixa na frente deles, viram que não tinha dinheiro para pagar tudo, mas antes tinha ficado paquerando o Jr.

Pagou com vergonha, foi embora em seguida, num carro espetacular.

Para esta mulher a aparência é tudo, fara qualquer coisa para sair do buraco que está metida, acabara se casando com um homem que não quer, para poder manter sua aparência.

Anne soltou, tens um senso de observação fantástico.

Ele a olhou firme, lhe disse que cuidasse de seu marido, pois ele tem algum problema no coração.

Como sabes?

Porque volta e meia, coloca a mão em cima, apertando o mesmo.

No dia seguinte levaram o James pai ao médico, este confirmou o que ele tinha falado, o velho não os queria preocupar por causa do garoto.

Estava nessa noite sentado na sua varanda, quando apareceu o JR vinha agradecer pelo que tinha feito.

Imagine, ossos do oficio, prestar a atenção.

Que vês em mim?

Um homem inteligente, mas que está preso ao trabalho que não gosta, para ter tempo para seu filho, esta curioso comigo, mas não se atreve a dar um passo.

Jr segurou sua mão, é verdade, tenho medo de me machucar, pois fui tão infeliz no meu casamento que tenho medo.

Ficaram conversando de mãos dadas, quando ele se levantou para ir embora, ao acompanha-lo até o carro, ficaram parados um diante do outro, se beijaram, foi uma coisa espontânea, viu que ele também estava excitado, mas não fez nenhum movimento para rete-lo.

No dia seguinte apareceu com o barco para ir pescar, lhe disse que ia o levar a um lugar que tinha descoberto.  Mais adiante uma pequena enseada que de longe não se notava, era um lugar agreste, tiraram a roupa tomaram banhos nus, se beijaram, fizeram um sexo sem compromisso, um masturbando o outro, mas abraçados, se beijando.

Depois se deitaram na praia, Jr, soltou que nunca tinha se sentido assim, ficaram deitados um ao lado do outro, voltaram ao barco, mergulharam por ali, pegaram mais lagostas.

Do barco examinaram o lugar, daria uma bela casa ali em cima, com essa pequena praia.

Um ninho de amor, lhe soltou o Jr, o deixou em casa. Brian ia embora no dia seguinte, tinha que se incorporar em seguida.  Mas foi se despedir dos vizinhos, esteve conversando com o Bobby que iriam se encontrar em NYC, afinal viviam pertos uns dos outros.

Jr, lhe perguntou se podia ir dormir com ele essa noite.

Claro que sim, se é isso que queres sim.

Como ficou tarde, pensou que não vinha, mas perto das onze da noite apareceu, tive que inventar uma desculpa como qualquer adolescente, mas minha mãe me deu força.   Me disse que eres uma excelente pessoa.

Começaram a se buscar um no outro, deixou que ele o penetrasse, viu sua cara de êxtases, foi claro com ele, gosto de tudo, mas não sou o cara que vai fazer papel de mulherzinha.

Depois o relaxou muito, conversando abraçados, quando Jr viu ele já estava dentro dele, primeiro levou um susto, mas depois se relaxou ao escutar sua voz rouca no ouvido.

Dormiram abraçados, vais me procurar Jr, foi a única coisa que lhe perguntou no outro dia no café da manhã.

Sem dúvida, Bobby já estava perguntando quando íamos te ver outra vez.

Ele é um garoto especial, apesar da síndrome de Dow, é muito inteligente.

Foi embora sentido saudades antecipadas deles.

Dois dias depois, depois de colocar sua casa em ordem, foi trabalhar, mal chegou, foi chamado ao gabinete do chefe, este lhe disse que tinha sido promovido, que iria ser chefe de outra delegacia, não muito longe dali.

Perguntou pela Joan?

Bom ela está tentando trabalhar com um jovem que acabou de sair da academia, mas não creio que vá dar certo?

Se a requisito, podia ceder, gostaria de a ter como meu braço direito.

Claro que sim, vocês dois forma uma dupla interessante, pela maneira de trabalhar.

Quando falou com ela, ficou contente, era inclusive mais perto da casa dela, que dá sua.

Falaram bastante, preencheram os papeis, dois dias depois, foram os dois a delegacia nova.

Foi interessante, o chefe que saia era velho, a maioria dali, estava a anos fazendo a mesma coisa, cheios de manias, poucos casos resolvidos.

Deixou o velho se despedir, o aposentavam antes do tempo, uns dois anos, pelo fato da delegacia não render, o chefe superior apareceu, conversou com ele, depois com os dois, tínhamos duas opções, uma era fechar totalmente esta, mas mandar esse policiais para outra delegacia, era empurrar para frente problemas. 

Vocês façam uma triagem, os que não querem, vamos trocar, lhes mandaremos para fazer serviço interno.

Os dois combinaram da seguinte maneira, faziam turnos com cada um, analisariam cada um deles. Como funcionavam.

A maioria estava acostumado, a receber presentes das lojas que passavam todos os dias, tinha criado um circulo vicioso, faziam sempre as mesmas coisas, nunca entravam num beco, a não ser que fossem avisados que havia algum morto por ali, tampouco pesquisavam muito, não queriam problemas, a maioria faltavam cinco ou seis anos para a aposentadoria, mesmos os mais jovens pela convivência, faziam igual.

Separaram esse dos mais velhos, pois o antigo chefe fazia isso, um mais velho com um mais novo, se tinham que correr atrás de alguém, fazia o mais jovem.

Numa sala vazia, montaram um pequeno lugar para fazer exercício, para ficarem em forma, um deles se destacava, pois ia a um ginásio, falou claramente, já estava entregando os pontos, aqui todos só pensam em aposentadoria, um dia me peguei pensando nisso, me falta mais de vinte anos.

Esse ficou como coordenador do mais jovens, os mais velhos que se negavam a mudar, foram mandando para central, ficou proibido receber presentes das lojas, que nos bares bebessem grátis, mas que o serviço a eles tinha que ser iguais, agora patrulhavam os becos, foi falar com os responsáveis pelas limpezas, que essas fossem feitas também nos becos.

Em breve treinavam a turma nova que veio, no sentido de observação, os acompanhavam nas investigações, depois se sentavam com eles para analisar tudo.

Em pouco tempo era um delegacia modelo.  Achou estranho o Jr não ter feito contato, um dia o foi esperar na saída da universidade.

Ele primeiro fez uma cara de espanto.

Perguntou pela família, mas principalmente pelo Bobby?

Sempre pergunta por ti, quando vamos te ver, mas estavam preso com o problema de meu pai, tive que contratar uma pessoa para ajudar minha mãe, pois o velho está muito débil.  Diz que esses exames o desmoralizaram.   Mas sou honesto de dizer que quis te procurar, mas pensei, esses problemas são meus, tenho que resolver.

Brian riu, mas se tens alguém que te ajude, é melhor.

Contou que tinha sido promovido, que agora era o chefe, tinha um horário mais flexível, a partir que se turnava com a Joan.   Que ela tinha um senso de mando incrível.

Acompanhou o Jr até em casa, foi honesto, senti tua falta, mas do Bobby também.

Quando abriram o porta o garoto se jogou em cima dele.  Ficou imensamente feliz.

Tinha o dia seguinte livre pela manhã, combinou com a Anne que tinha que levar o marido ao médico, que viria cedo, levaria o Bobby para passear, comeriam alguma coisa, depois o trairia de volta, ela tinha o número de seu celular para qualquer coisa.

Logo de manhã, veio buscar o Bobby, que disse que estava pronto a horas.

Como sabe que foram horas, ele mostrou o relógio da parede, disse que os ponteiros demoravam muito a passar.

Foram a uma praça cheia de brinquedos, ficou jogando com ele, depois passaram numa loja, comprou um relógio de criança para ele, lhe ensinou a ver as horas, assim não tens que olhar o grande, perguntou o que ele queria comer?

Riu muito dizendo, o que minha avó não deixa, um hamburger.

Se sentaram os dois, comendo tranquilamente, esse será nosso segredo.

O levou para casa, viu que Anne estava preocupada.  Sentou-se para conversar com ela, depois de colocar Bobby na cama, para fazer uma siesta.

Anne acabou contando que o marido estava muito mal, bem como levava mal tudo isso, sempre foi um homem de ação, estar restringido a ficar mais tempo sentado, era difícil.

Eu fico presa, tem a senhora que me ajuda com o apartamento, mas ele as vezes parece mais criança que o Bobby.

No final de semana saiu como Jr, conversaram a respeito, o levou para seu apartamento, ele riu, dizendo que era muito espartano.

Para quem viveu num orfanato depois no exército, até tenho coisas demais, principalmente minha paixão, livros.

No dias seguintes esteve preso por vários problemas, mas telefonou para a Anne para saber como iam as coisas, na quarta-feira, tinha a manhã livre, foi buscar o Bobby, notou que o garoto estava fechado, sentou-se para conversar com ele.  Este disse que sentia que o avô ia partir.

Lhe explicou que a vida era assim, depois foi com ele a uma livraria, o deixou escolher livros com gravuras, alguns que ensinavam a ler e escrever.

Estava encantado.

Ele falava todos os dias como o Jr, algumas vezes, ele aparecia, dizendo que sentia sua falta, se abraçavam, ficavam juntos, faziam sexo, mas se levantava muito cedo para passar por casa.

Seu apartamento tinha o quarto do Barry ainda, o arrumou para o Bobby, disse ao Jr. Quando vieres para o fim de semana, trás o garoto, ele vai se acostumar de nos ver juntos, assim tua mãe descansa, ele tinha o final de semana livre, fez o que sempre fazia com o Bobby, se sentaram com os livros, ia lhe ensinando a ler, escrever, ele tinha facilidade.

Contava histórias para ele, depois ele se jogava no meio dos dois, para verem um filme, algum jogo de beisebol que gostavam.

Conversava com Joan sobre o seu relacionamento com o Jr, como ele era fechado em si mesmo, que mantinha o deles entre quatro paredes.  O que nos une é o garoto, o adoro, sinto que ele a mim também.

Quando o pai do Jr morreu, Anne a principio ficou como perdida, confessou que estava cansada, que precisava descansar um pouco, a levou para fazer um check up, o médico recomendou que tirasse um tempo agora para ela.

Ele convenceu ao Jr, de ficarem em sua casa, tinha já procurado uma escola em que o Bobby podia passar o dia inteiro, depois a senhora que já cuidava da casa junto com a Anne, o ia buscar, ficava com ele até eles chegarem, preparava o jantar.

Anne foi passar um tempo com sua irmã, no campo.  Mesmo assim não melhorava, se sentia apática, cansada.  Foram vê-la várias vezes.  Foram de novo ao médico, como Jr, tinha uma reunião, ele a levou.   

Não sei o que seria sem ti, sei que gosta do meu filho, mas ele sempre foi fechado em si mesmo, nunca aproveitou a vida, tenho sempre medo por ele.   Embora sei que gostas demais do Bobby. 

Sim talvez seja o filho que nunca tive, vai bem a escola, quando tentaram fazer bullying com ele, soltou na cara dos meninos, que seu pai era chefe de polícia, que o tinha ensinado a defender-se, um não acreditou, tinha lhe ensinado um pouco de boxe, aprendemos a nos defender dos maiores no orfanato, ensinei para ele como fazer, o outro levou um soco na barriga, caiu sentado, agora é seu amigo.

É um garoto especial, apesar da síndrome de Dow, é inteligente, tem um futuro pela frente.

Espero que nunca o desampare.

Anne morreu dormindo meses depois sem voltar a viver com eles.

Jr ficou deprimido uns dias, mas foi superando, agora viviam definitivamente juntos, mandou reformar o apartamento dos pais.

Foi contratado por um escritório de direito, dos melhores da cidade, a vida deles se tornou complicada, ele tinha horários difíceis, ao mesmo tempo escondia totalmente o relacionamento deles.

Um dia disse que o apartamento estava pronto, que tinha já trocado os moveis, por alguma coisa mais moderna, que voltava a viver lá com o filho, bem como a senhora Manuela.

Ficou chocado, em momento algum perguntou se ele queria ir junto.

Quando se sentaram para falar, Jr disse que nunca tinha vivido sua vida, mal acabou a universidade tinha se casado, depois sempre tinha estado preso aos pais, depois a ele, queria viver um pouco.  Só combinaram uma coisa, nos finais de semana, Bobby ficava com ele.

Sem querer apesar de gostar do Jr, gostava de ser pai do menino, este era agarrado com ele, quando chegava no final de semana que podiam ficar juntos dizia, voltei para casa.

Por mais que lhe dissesse que tinha a casa de seu pai, um dia lhe soltou que ele saia muito, as vezes não dormia em casa.

Entendia, sem querer ele tinha aberto ao Jr, uma porta que ele tinha fechada desde jovem, talvez agora ou se perdia, ou encontrava alguém que realmente amasse.

Tempos depois o encontrou uma noite que tinha saído com o Joan, que estava sozinha, com ele acompanhado de um jovem pelo menos 10 anos mais jovem.

Falou com ele o necessário, perguntou pelo Bobby, o rapaz fez cara de curiosidade, entendeu que ele não tinha falado no filho.  Ficou quieto.

Joan foi quem comentou que o via perdido nisso tudo.

Dois dias depois apareceu em sua casa, furioso, o rapaz tinha rompido com ele, por ter escondido seu filho.

Sinto muito, não fiz por mal, tentei ser o mais normal possível, sabes o quanto gosto do teu filho.

Então fique com ele, bateu à porta foi embora.

Nesse final de semana, lhe tocava ficar com o Bobby, não o trouxe, telefonou perguntando se tinha acontecido alguma coisa, só lhe respondeu cuide de sua vida.

Entendeu a mensagem, voltou a conversar com o psicólogo, sentia falta do garoto, este sugeriu que tentasse adotar alguém. Quem sabe não faria bem a ele.

Já estava com 45 anos, logo seria velho demais para adotar uma criança.

Foi até o orfanato que tinha sido criado, já não existia mais, tentou localizar as freiras, ninguém sabia aonde tinham ido parar.

Nos lugares que procurou, sempre colocava como problema, ele ser sozinho e policial, quem cuidaria da criança se lhe acontecesse alguma coisa.  Finalmente desistiu, pensou muito, tenho que me conformar.

Seguia seu trabalho com a Joan, a delegacia era considerada a melhor de toda a cidade, da merda que era, eles tinham se superado.

Um dia estava em casa lendo, quando chamaram ao interfone, na hora não reconheceu a voz do Bobby, abriu a porta para ele, estava ofegante, disse que alguma coisa tinha acontecido com seu pai.

Só colocou uns sapatos, chamou ao mesmo tempo a ambulância, saíram disparado.

No caminho perguntou como sabia chegar a sua casa?

Bobby respondeu sorrindo, que tinha vindo várias vezes, mas não tinha tido coragem como hoje de chamar, pensava que ele estava aborrecido com ele.

Contigo nunca, lhe fez um afago na cabeça.   Chegaram ao mesmo tempo que a ambulância, Jr estava desacordado, o médico que vinha junto avisou, algo com drogas. 

Ele procurou algum indicio pela casa, mas reparou que tinham feito uma limpa geral. Perguntou pela Manuela?

Bobby respondeu que não vinha mais, tinha se aborrecido com seu pai.

Telefonou para a senhora, ela ficou de ir imediatamente, ele iria para o hospital.  Não demorou muito a chegar, trabalhava em outro lugar.  Ela queria explicar por que tinha ido embora, ele disse que depois.

Quando chegou ao hospital, tinha feito uma lavagem no estomago do Jr, o médico confirmou que tinha sido uma overdose, que por pouco ele não morria.

Ficou sentado ao lado dele, furioso, mas ao mesmo tempo com pena, como esse homem que ele tinha conhecido de uma maneira, tinha se perdido assim.

Como disseram que ficaria dormindo a noite inteira, foi para a casa dele, levaria o Bobby para sua casa, avisou a Manuela que preparou uma bolsa com roupa para ele levar.

Quando conversou com ela, esta lhe contou uma história que sem querer o escandalizou, que cada dia que chegava em casa, estava um homem diferente, nem sempre com bom aspecto, que tinha encontrado o Jr duas vezes bêbado, ou quiça drogado, com o Bobby trancado em seu quarto.

Foi para casa com o garoto, em breve ele teria uns doze anos, o tempo tinha passado, estava alto, tentou por todos os meios não demonstrar que estava furioso.

Se surpreendeu com ele lhe dizendo que podia ficar furioso, pois ele as vezes também ficava, nem reconheço mais meu pai, mudou demais, agora anda sempre mal acompanhado.

Sentiu uma pena imensa do garoto, se Jr estivesse bem lhe daria uma surra de fazer gosto.

Não conseguia entender, ele reclamava dos pais, mas estes o tinham ajudado muito.

Ele que sempre quis ter uma família, adorava a Anne, podia conversar horas com ela.

No dia seguinte, levou o Bobby a escola, pediu que o chamasse, se houvesse qualquer coisa, de lá foi para o hospital.

Ainda com o soro nas veias, Jr estava sentado, lhe agradeceu o ter socorrido.

Agradeça ao teu filho que me foi buscar, porque a pessoa que estava contigo limpou rapidamente a casa, abriu a porta do quarto, como podes trancar teu filho no quarto, tens vergonha dele.

Ficou mais furioso ainda em saber, que ninguém do escritório sabia do seu filho, estou preste a subir de categoria, não quero que nada atrapalhe.

Perguntou se ele estava no seu sistema médico, sentiu que sua cara transmitia o que sentia, pois se pegou de boca aberta, só conseguia pensar, se alguma coisa acontecesse com o Bobby, como séria.

Respirou fundo muitas vezes, para se controlar, saiu pelo corredor, nisso entrou um homem com traje completo, esperou que fosse embora.

Era o chefe do Jr, lhe disse que tinha sido uma intoxicação de comida.

Se sentou calmamente, nem sabia de aonde tirava essa calma aparente. Lhe perguntou se nesse momento complicado de sua vida, não queria deixar o Bobby sobre sua guarda, o cuidarei bem, sabes disso.

Sei, foi por isso que me afastei de ti, gostava mais dele do que de mim, sentia ciúmes do meu próprio filho, bem como nunca entendi como minha mãe se sentava contigo para conversar sobre os problemas, em vez de contar a mim.

Ela achava que já tinha muito, por isso, sabia que podia confiar em mim.

Está bem, estou numa relação complicada, se descobrem no escritório, poderei perder meu emprego.

Mas há uma condição, quero isso de papel passado.  Podes ir a minha casa sempre que quiseres, mas Bobby fica lá.

Fizeram o papel, registrado em cartório, com ajuda de uma amigo advogado.

Levou as coisas que o Bobby queria para sua casa, ele estava feliz, agora ele ia sempre as reuniões na escola, soube que Jr não ia nunca.

Ao principio Jr ia duas vezes por semana comer com eles, depois passou a ir num domingo, mas nunca ficava muito tempo, sabia que se sentia avergonhado.  Só lhe perguntou uma vez se tinha resolvido o problema que tinha com o rapaz com que andava.

Sim, me afastei dele.

Devias ir a um psicólogo, se não consegues falar comigo que sou teu amigo, fale com alguém para que te ajude.

A resposta o surpreendeu, “não estou doente”.

Não disse mais nada, no final de semana ele não apareceu, quando telefonou, disse que estava com gripe.

Na semana seguinte nem sinal dele, chamou sua casa, nada, resolveu chamar o escritório dizendo que era um amigo da família, que tinha notícias da tia dele.

Ficou pasmo, quando lhe disseram que ele tinha sido transferido para San Francisco, estava trabalhando na fusão do escritório de NYC, com um dali, lhe deram o número do seu celular.

Teve que respirar muito para ficar calmo, contou para a Joan, que foi franca, tens a guarda do garoto, creio que ele se livrou do mesmo do qual se sentia prisioneiro.

Ela adorava o Bobby, algumas vezes, saiam para comer, se divertia com ela.  Uma vez ela comentou que se não fosse pelos olhos, nunca diria nada, ele era superinteligente, falava normalmente sem problemas.

Quando conseguiu falar com Jr, mais ou menos falou, que agora se sentia livre, que ficaria algum tempo por lá.

Só pediu que telefonasse para seu filho, ele agora tem um celular, lhe deu o número, ele merece uma explicação, que faças da tua vida o que queiras, mas lembre-se tudo na vida tem preço.

Um dia foi chamado na escola, foi preocupado, pensando em algum problema, deu de cara com o orientador, Bobby tinha as melhores notas de sua turma, se esforçava ao máximo, repetiu o mesmo que Joan tinha falado, se não fosse os olhos, que na verdade a medida que ele crescia, iam perdendo essa característica da síndrome de Dow.

Fizemos um teste, ele tem uma inteligência acima da média, é bom estudante, quando chegue a hora de ir à universidade, poderá conseguir uma bolsa de estudos.

Jr mandava dinheiro sempre, resolveu juntar esse dinheiro numa conta para o Bobby ir à universidade se ele quisesse.

O levava ao seu psicólogo, agora ele já se movia sozinho pela cidade.  As vezes o chamava de pai, principalmente na frente de alguém.

Um dia estava com Joan analisando umas fotos de suspeito, todos tinha uma coartada, era difícil, ele estava ao lado, apontou um dos últimos, acho que é ele, observem a forma de seus olhos, estivemos estudando isso outro dia, a maneira como olha, tem ódio nesse olhar, falou da forma da cara, veja na foto é como ele estivesse mastigando a raiva que sente.

Tornaram a examinar, verificar a coartada, pressionar a pessoa que a tinha dado, acabaram descobrindo que tinha pagado para essa pessoa mentir.

Joan convidou o Bobby para jantar, foram a sua casa, ela já sabia do que ele gostava.

Ele soltou de repente, apesar de não sermos parentes, fazemos uma família de pessoas que se encontraram pela vida.

Quando chegou a época da universidade, ele decidiu fazer psicologia, conseguiu a matricula pelas notas que tinha na escola.

Ele avisou ao Jr, que só telefonava para o Bobby.

Este ficou surpreso, pois o mesmo não tinha falado nada para ele.  Creio que já não confia em mim.   Lhe contou que tinha um relacionamento sério, mas que seu companheiro não sabia do Bobby.  

Ele como tutor legal do Bobby o tinha independizado, pois queria que ele mesmo gerisse seu dinheiro.

Ele seguia tendo aventuras de uma noite, até que sem saber por que deixou disso tudo.

Conheceu um professor do Bobby, este lhe disse que falava muito com ele, é um rapaz superinteligente, me contou que chegou até aqui pelo senhor.

Não me chame de senhor, fico contente, é o filho que sempre quis ter.

Ele não é seu filho?    Mas me disse que o senhor era seu pai.

Ele contou ao professor a verdadeira história, sempre o quis como meu filho.

Vamos juntos nadar todas as semanas, é o nosso dia, meu dia de folga é sagrado, irmos nadar, fui eu que o ensinei, quando o conheci.

O professor Marcus Stein, disse que nadava na mesma piscina, em outro horário, um dia irei para podermos seguir conversa.

Esse seguir conversa virou um namoro, agora depois de dois anos, viviam juntos, Bobby soltou num jantar, assim pelo menos vejo que tens uma pessoa que te ama.

Avisou ao Jr da formatura do Bobby, ele disse que não sabia se podia vir, mas que faria força.

Por surpresa para muitos, Bobby era o orador da turma.

Começou falando, quando era criança me sentia diferente das outras, todo mundo me olhava de uma maneira, como dizendo coitado.

Quando conheci meu pai, ele me olhou como eu esperava que todos olhassem, me ensinou a nadar, tinha tempo para brincar comigo, me ensinou a ler e escrever antes do tempo, me dava livros fantásticos, na verdade me ensinou a ser uma pessoa observadora.

Quando obteve minha guarda, me senti protegido pela primeira vez na minha vida. Sempre tem tempo para mim, minhas dúvidas, meus anseios.  Graças a ele estou aqui hoje, sem ter ido a uma escola especial, sim me entrosando com os ditos normais.  Também sabe que me esforço, acabo de saber que ganhei uma bolsa de estudo para fazer uma especialização na minha área, vou trabalhar com jovens com o mesmo problema que o meu.

Joan que estava sentada com eles, passou um lenço para o Brian que chorava como uma criança, Marcus lhe dava força.

Obrigado também a tia Joan, que me ensinou muitas técnicas de observar as pessoas, para poder analisar seu comportamento.

Desta vez, foi a Joan que começou a chorar.

Quando se levantaram para sair, viram que Jr, estava sentado no final da plateia sozinho, sem se mover.

Foi até ele, estendeu a mão, como estás.

Ele se esqueceu de mim totalmente, faz muito tempo que não falo com ele, me diz somente que tudo vai bem.

Quando Bobby se juntou, olhou ao pai, disse, obrigado por me trazer a esse mundo, me dar essa família que tenho maravilhosa.

Lhe apresentou o Marcus, meu companheiro, ele foi professor do Bobby no primeiro ano, nos conhecemos por ele.

Ficou para o jantar, mas depois com uma desculpas foi embora, ficando de aparecer no dia seguinte.   Não apareceu, mandou uma mensagem que voltava a San Francisco.

A vida seguiu em frente, muitos anos depois, um dia o Jr apareceu, cansado, tinha perdido seu companheiro desses anos.  Esse nunca tinha sabido da existência do Bobby.

Bobby a estas alturas, tinha editado dois livros, era sempre convidados para programas de televisão, para debates sobre medicina, sobre psicologia.

Seu desenvolvimento era impressionante. 

Jr, apareceu justamente na véspera do seu casamento, ia se casar com uma companheira, viviam juntos a muito tempo, num apartamento ao lado do Brian.

Aparentava mais idade do que tinha na verdade, ficou surpreso, tinha perdido todos esses anos com o filho, disse que o tinha visto algumas vezes na televisão, que seu companheiro o achava o máximo, mas nunca teve coragem de falar nada.

Agora voltava para um posto em NYC, seria um dos chefes ali.  Perguntou se podia seguir mantendo contato.

Foi ao casamento no dia seguinte, sabia que Brian faria o papel de pai, mas este lhe arrumou um lugar na mesa da família.  Tentou fazer de todos os meios que ele se sentisse bem-vindo.

Mal chegou à cidade, se instalou no seu velho apartamento.  Um dia confessou que sempre tinha sonhado com isso, uma vida que o convidassem para eventos, que ele fosse importante, paguei um preço muito alto.

Quando nasceu o primeiro filho do Bobby, se chamava Brian, este ficou como louco, era um garoto forte.  Depois tiveram mais dois, a menina se chamava Joan, o último levava o nome do pai de sua mulher.

Bobby era um especialista na sua área, poucas vezes via o pai.  Algumas vezes se cruzavam no meio de algum evento, se cumprimentavam socialmente, mas ele nunca reconheceu como seu filho, agora era muito tarde.

Brian sempre teve pena, mas como dizia o Marcus, as famílias se forma de muitas maneiras, conseguiste uma família acreditando, amando um garoto desprotegido, nunca te importaste se ele tinha ou não síndrome de Dow.

Eu nem reparava nisso, gostava dele, sempre vou me lembrar do dia que o vi a beira do mar, que lhe ensinei a nadar, como eu fazia com as crianças no orfanato.  De como nos divertimos com isso, creio que o amei a partir daí.  Jr, talvez tenha razão, eu o amava mais que a ele.

Talvez a única pessoa que entendeu isso tenha sido Anne, ela percebeu isso, pois antes de morrer falava muito nisso.

Mas também encontrei a ti, essa era a verdade, os dois seguiam juntos, agora aposentados, iam sempre com as crianças a piscina, ele tinha ensinado seus netos a nadar, sempre tiravam férias juntos para passarem uns dias perto do mar.

Um dia numa festa beneficente, se encontrou com Jr, este perguntou a mulher do Bobby pelas crianças.

Ah, estão com seus avôs na praia, vamos amanhã para lá.  Eles adora seus avôs, quando sentiu que tinha falado muito, era tarde.

O convidaram para ir, mas ele na verdade não conhecia nenhum deles, tinha sua vida, com que tinha sonhado.

Quando morreu sozinho no apartamento da família, levaram dois dias para descobrir, que fim amargo soltou o Brian.   Descobriram que ele tinha voltado a usar drogas, talvez para evadir-se de sua realidade.

Deixou o apartamento para o Bobby, que o mandou vender, para fazer um fundo para os meninos irem à universidade. Um dia na praia, comentou com ele, ele nunca me levava para pescar, dizia que eu não sabia nadar, ficava o mais longe possível de mim. Nunca soube se sentia vergonha, ou culpado de alguma coisa.

Me senti querido, quando me ensinaste a nadar, quando insistia de me levar com vocês para pescar, não notava, mas me incentivava nas coisas.   No tempo que vivemos contigo, depois da morte de minha avó, vinhas me olhar antes de dormir, como um pai faria com seu filho, faço isso com os meus.

Queria um mundo que tinha sonhado, acabou sozinho que lastima.

Foram ao enterro, ali estava muita gente que tinha trabalhado com ele, alguns perguntaram quem eram, Bobby respondeu que um parente nada mais.

Marcus e ele adoravam os aniversários dos netos, as festas tradicionais, seguiam vivendo lado a lado, assim podiam ficar com os meninos, quando eles necessitavam sair.

Era uma festa, os levavam como comer hamburguer, aonde o Bobby sempre falava, iam as praças como dois avôs, tinham uma família.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

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