AJUSTE DE CONTAS
Tinha saído do platô de televisão
diretamente para um taxi que já lhe esperava, foi em direção ao Central Park,
aonde ficaria, ia recuperar o grande apartamento que vivia seu pai, daqui dois
dias seria o funeral. Por sorte tinha
essa entrevista na televisão, tinha saído de San Francisco, chegado a tempo
justamente da entrevista, o advogado de seu pai tinha reclamado que seu irmão
alegava que não sabia aonde estava, quem lhe deu o contato foi o mordomo, um
velho empregado da família.
Ah, esse seu irmão, ia ajustar conta com
ele, quando era jovem tinha sofrido na mão do mesmo, era mais velho que ele,
filho inicialmente de um relacionamento de seu pai, antes de se casar.
Quando o taxi parou na frente do edifício,
as pessoas pararam para olhar, primeiro um pé, num sapato de salto alto, depois
o outro, de dentro saiu uma mulher de quase dois metros de altura, com um traje
de lantejoulas negra, mas com uma barba imensa, bem como os cabelos recolhidos
num coque no alto da cabeça, que a fazia mais alta.
Mas o que chamava a atenção era a barba,
imensa, toda de caracóis, uma coisa que ele tinha copiado de uma escultura
grega que tinha visto quando garoto.
Uma senhora, correu com um bloco, para ele
lhe dar um autografo, acabei de ver o programa que participaste, como sempre
fantástico, seja bem-vindo a NYC.
Entrou no edifício, com o senhor do taxi,
ajudando a levar as cinco maletas grandes.
O porteiro abriu a boca, ele soltou, fecha
essa boca Mr. Morris.
Menino, como estas imenso, passou a mão no
telefone interno, em segundos o mordomo, Gerard S’Clair, já estava ali, o
abraçou, beijando no alto da cabeça, era como encontrar um velho amigo, levaram
as malas para o elevador, ele ia contando que tinha arrumado a suíte que era da
sua mãe, para ele, a senhora reclamou, se referia a mulher do seu irmão, mas
lhe disse na cara que o proprietário era o senhor.
Está tudo como era antes, mandei trazer os
moveis que estavam guardados no sótão, para que fique tudo como era, inclusive
os tapetes que a senhora odiava.
Ele ficou rindo.
Deves estar cansado depois da viagem, da
entrevista, tudo isso, ficas magnifico como essa roupa.
Estou é louco para tirar esses sapatos
altos, fazem parte do meu personagem.
Ele era conhecido por este tipo de roupa,
que usava nos shows, em seu local em San Francisco, contou ao Gerard, vendi o
mesmo, bem como o Edifício. Lewis, bem
como Benjamin, chegam hoje, tinha que acabar de limpar todo o apartamento. O resto dos moveis dos outros dois andares,
mandei para a beneficência, quando resolver aonde fico, trazemos para cá.
Lewis era seu marido, Benjamin seu filho.
Adorei as fotos que me mandaste, tenho no
meu quarto, junto a da tua mãe, bem como do velho.
Velho ele chamava seu avô, com quem tinha
começado a trabalhar, justo quando chegou da França. Vocês foram a família que sempre tive.
Era uma verdade, Gerard, tinha ficado órfão,
cedo demais, passou uns anos num orfanato na Bretanha, quando escapou, escolheu
um barco para NYC, ficou uns dias pelas ruas, quando seu avô o viu, começou a
falar em francês com ele, pois viu que ninguém o entendia.
Nunca mais saiu da casa de seu avô, depois
quando sua mãe casou, a acompanhou. Era
os olhos, o ouvido de seu avô, que não suportava o genro.
Este se acostumou a ele, quando sua mãe
morreu, lhe pediu para ficar.
Mal chegaram ao quarto, foi abrindo as
malas, uma cheia de roupas de mulher, uma mais chamativa que a outra, que ele
usava nos shows, outra com roupas suas, tinha trazido uma também com roupas do
Benjamin, Gerard, ele não para de crescer, vai ser mais alto que nos dois
juntos. Sabia que o Gerard ia amar seu
filho, como ele tinha feito desde o primeiro momento.
Fechou os olhos, podia se lembrar quando o
tinha visto.
Um dia estava fechando a casa de shows,
para subir, quando viu uma mulher gravida, deitada na calçada, com um garoto ao
seu lado. Estava para parir, lhe pediu para cuidar do seu filho, se fosse com
ele para o hospital, viu que ele tinha chamado a ambulância, o serviço de
menores o vai pegar, o levara para um orfanato. Ele chamou Lewis, que desceu imediatamente,
ficou apaixonado pelo garoto em seguida, era como ele, negro, com os olhos
azuis.
Quando a ambulância, bem como a polícia,
levaram a mulher para o hospital, o conheciam, ainda estava vestido de mulher,
subiu correndo lavou a cara, foi para o hospital.
Lá entregou seu cartão de crédito, pediu um
quarto para a mulher, a enfermeira, disse que era uma sem-teto, que vivia
sempre na rua. Metida em drogas, estavam
acostumados com ela, perguntaram pelo garoto?
Ela estava sozinha, a vi quando fui fechar
a persiana da minha casa de shows.
A enfermeira então riu, gosto muito de ver
seu programa de televisão.
Ele tinha um programa de televisão, em que
entrevistava cantores, gente que vinha fazer shows na cidade, gente da arte em
geral.
O médico voltou tempo depois, dizendo que o
feto já estava morto, menos mal, estava malformado por causa das drogas, não
sei se ela vai suplantar tudo isso, pois perdeu muito sangue, graças a deus o senhor
nos chamou.
Foi ao quarto que ela estava, as
enfermeiras lhe tinham dado um banho, ela chorava baixinho, pobre garoto, menos
mal que não nasceu nesse mundo de merda.
O que faço com seu filho?
O senhor podia adota-lo, assim não vai para
o orfanato.
Ele saiu no corredor, falou com Lewis, esse
disse que ia para lá, consiga um juiz, ela nos oferece o menino em adoção.
Lewis, já estava apaixonado pelo garoto.
Veio com um juiz amigo dele, resolveram
rapidamente os papeis, ela assinou, lhe dava lastima, maltratada como
estava. Rapidamente contou sua história,
tinha vindo do interior, com seu marido, este morreu numa obra, ela acabou na
rua com o garoto, esse agora era fruto de ter que se prostituir para
sobreviver.
Dias depois morreu, agarrada a sua mão.
Foram os três ao seu enterro, o garoto, já
estava agarrado a eles, tinha 3 anos.
Lhe pareceu normal ter dois pais ao mesmo
tempo.
Lewis, era negro, filho do advogado de seu
pai, seu avô era talvez um dos poucos rabinos negros de NYC. Esses três últimos anos tinham sido
fantásticos, criando o garoto, o levavam ao jardim de infância, ele pela manhã,
embora levantasse tarde, o levava a praça para jogar com os outros garotos, a
principio as mães o olhavam diferente, mas todas o conheciam de seu programa de
televisão, um garoto negro, com um homem imenso, com os cabelos e barba
brancos.
Mas viam como tratava o garoto com amor,
logo, se sentavam com ele, para conversar, queriam saber as fofocas dos
bastidores, quando o filho de alguma se negava a jogar com Benjamin, essas lhes
dava uma bronca, como iam ficar mal com ele.
Algumas traziam bolos feitos por elas,
outra biscoitos, tinha novas amigas, as convidavam para virem assistirem seus
shows.
Tinha a casa de Jazz, mais diferente de San
Francisco, ali atuavam artista alternativos, eram frequentados desde por gays finos,
como gente da sociedade, coisas assim, quando iam algumas dessas amigas, ele
mandava instalar na melhor mesa da casa, bem como servir bebida que queriam.
Ele sempre começava o show, sentado no
piano, esquentava o show como se dizia, cantando suas músicas preferidas,
depois apresentava algum artista, esses que apareciam procurando alguma
oportunidade. Tinha lançado muitos no
mercado.
Os acompanhava com sua banda. Ele mesmo preparava esses músicos, isso tinha
acontecido com ele.
Na entrevista que tinha feito, comentava o
Gerard, cantaste as músicas que tua mãe amava.
Era verdade, tinha cantado Moon River, música
com a qual tinha aprendido a tocar piano, bem como uma que sua mãe adorava,
Falling in Love Again, que tinha aprendido em alemão, como sua mãe gostava,
afinal eram de lá.
Na casa de seu avô, só se falava Ídiche, ou
alemão, portanto com isso teve facilidade depois de falar qualquer língua.
Sua mãe adorava Marlene Dietrich, pois a
tinha conhecido quando era jovem, numa festa que lhe levou seu pai.
Cantou com ela, fazendo dueto, sentada no
piano.
Aliás o piano estava ali no quarto, aonde
sempre tinha estado, ontem chamei o afinador, a senhora ficava furiosa, pois
não tinha conseguido tirar o piano daqui, mas a chave do mesmo, aleguei sempre
que tinha sido perdida, a escondi sempre no meu pescoço, não ia deixar ninguém
tocar no piano da minha menina. Sempre
tinha chamado sua mãe de sua menina, como ele era seu menino. Agora com certeza seria o Benjamin.
Em cima da mesa, tinha chá, bem como alguns
sanduiches pequenos, coisas que ele sabia que ele gostava.
Vá dormir meu velho, amanhã teremos um dia
movimentado, mas nada, ele se sentou ali, o olhando com admiração, num momento
riu, tens mais cabelos brancos do que eu.
Era verdade, o Gerard, ainda tinha os
bigodes negros, os cabelos negros, misturados com brancos.
Escovou os dentes, só faltou o Gerard o
colocar na cama, como fazia quando era garoto.
De manhã, despertou com passos ligeiros
pelo quarto, não abriu os olhos pensando que era o Benjamin, mas não era duas
garotas, da mesma idade dele. Se lembrou
que seu irmão tinha duas filhas gêmeas, estavam sentadas ao lado dele na cama o
examinando. Uma tocava sua barba, a
outra alisava seus cabelos. Uma dizia
para a outra é mais bonito que papai, ontem o tio Gerard o via na televisão da
cozinha, tem uma voz bonita, uma delas começou a cantar Mon River, gostei dessa
disse, nesse momento o velho entrava no quarto, ele se incorporou rápido, elas
caíram para trás as gargalhadas.
Ficaram ali rindo, Gerard trazia um
carrinho com uma bandeja com o café da manhã.
Não tens ninguém para te ajudar, lhe
perguntou.
Teu irmão é sovina.
Ele se levantou da cama de um salto, ela
abriram a boca por causa do tamanho dele.
Sentou-se para tomar café, com elas
sentadas no banco, ofereceu biscoitos, que cada uma aceitou, vocês já tomaram
café, deixe seu tio tomar tranquilo.
Ele disse que não se importava.
Gerard disse que nosso primo chega hoje, é
verdade.
Sim, se chama Benjamin.
Nisso entrou no quarto sem bater, talvez
por ter escutado a voz das meninas, a mulher de seu irmão, jesus, como era
feia, meio gorda, com os cabelos mal penteados.
Deixem seu tio em paz, esta na hora de ir para
a escola.
Depois num meio sorriso, lhe disse, seja bem-vindo.
Saiu antes que ele pudesse responder. Ia perguntar por seu irmão, sabia que ele
estava fora do pais. Segundo o
advogado de seu pai, tinha ido a China, alguém interessado em comprar a
empresa.
As meninas saíram, depois de lhe dar um
beijo, dizer bom dia.
As ensino direito, a mãe é como viste, mal-educada,
o pior é a velha, mãe do teu irmão, esta num processo de alzaimer horrível.
Ele foi tomar seu banho matutino, mal saiu,
chegou Lewis com Benjamin, que deu um abraço grande no Gerard, esse tinha visto
seu marido por fotos, mas nunca pensou que fosse tão alto, lhe abraçou, parecia
que chegava a sua cintura, foi abrindo as malas, colocando as coisas no
armário.
Mostrou ao Benjamin, que ele ia dormir na
saleta antes, até teu pai resolver tudo, dormes aqui.
Sim senhor, estou acostumados com esses
dois roncando.
Não saia de perto do Gerard, este estava
encantado.
Depois se sentaram os quatro na copa
cozinha, entraram duas senhoras, com uniforme de enfermeiras, para cuidar da
mãe de seu irmão. Ele avisou as mesma,
que no dia anterior tinha escapado, ido parar no hall do edifício nua.
Ele riu pensando na imagem.
É uma vergonha, deviam a mandar para um
hospital ou casa de pessoas maiores, pois apronta grandes escândalos.
Mas teu irmão, creio que não tem dinheiro
para isso, está arruinado, esperando pela herança.
Coitado pensou, mal sabe que não tem
direito a nada.
Mais tarde chegou o advogado de seu pai,
lhe disse que teria mais dois irmãos para conhecer, seu pai os reconheceu antes
de morrer, um deles trabalha na empresa, fez universidade é muito inteligente, a
outra é uma mulher impressionante, fez tudo na vida sozinha, estudou com bolsas
de estudos, é médica.
Mas não posso falar nada do testamento,
pois sabe como é, tive que recorrer ao pai do senhor Lewis, pois esse tem o
controle de tudo.
Ele sabia do que se tratava, pediu apenas
que quando tivesse lido o testamento, passasse os papeis para o Lewis, pois ele
era seu advogado.
No que estavam falando, apareceu na porta a
mãe do seu irmão, gritando que queria um homem para fuder, quero fuder.
As enfermeiras a custo a arrastaram, Gerard
disse que isso sempre acontecia, um menor descuido, era isso.
Caramba, a coisa é feia. Perguntou pelo
irmão ao advogado, ele disse que não sabia de nada, estava claro como água que
estava mentindo.
Falou que tinha tomado todas as
providencias, para seu pai ser enterrado no mausoléu da família.
Ficou uma fera, de jeito nenhum, não o
quero lá, está na parte judia do cemitério, ele não é judeu, sim um bom filho
da puta, consiga um tumulo, o mais longe possível do mausoléu. Eu pago as
despesas.
A cerimônia seria na capela do cemitério,
bem como depois o refrigério seria lá também, a senhora disse que de maneira
nenhuma ia preparar nada.
Saíram para almoçar, arrastando o Gerard,
Benjamin, ia de mãos dadas com ele, como se fosse seu avô.
Iriam se encontrar com o Lewis pai, este
como sempre tinha a cara fechada, apesar de hoje em dia aceitar o casamento do
filho com ele.
Mas quando viu o Benjamin, com os mesmos
olhos de sua mulher, que era uma negra com olhos azuis, caiu rendido com o
garoto. Volta e meia dizia, sou teu avô,
como querendo dizer que o Gerard não o era.
Afinal vens para a central, tomar meu
lugar, perguntou ao filho.
Estou pensando, o que era uma mentira, ele
tinha concordado em voltar para NYC, porque não podia se separar do marido, nem
do filho.
Volta e meia o velho olhava o anel que os
dois usavam, cheio de caracteres judio, era o anel de casamento deles.
Na verdade a culpa dos dois estarem juntos,
era dele.
Quando seu avô morreu, tudo ficou nas mãos
do velho Lewis, ele mandou seu filho para San Francisco, para justamente
atender em uma parte o J. Brandon Stein, o neto de seu melhor cliente.
Quando os dois se viram se apaixonaram um
pelo outro, mas levaram quase um ano, para finalmente estarem juntos.
Tinham que se ver sempre, pois seu avô
tinha estipulado que ele deveria receber parte da herança quando fizesse 30
anos, uma parte desse dinheiro comprou o edifício aonde fazia os shows, além de
viver.
.
Nesta época tinha um romance com um dos músicos que trabalhava para ele,
mas esse se mandou para Las Vegas, achando que faria sucesso. Estavam juntos a cinco anos, o que de uma
maneira abriu caminho para o Lewis.
Agora levavam 15 anos juntos, tinha vendido
o edifício por muito dinheiro tinha valorizado muito, iriam construir no lugar
um edifício imenso, como todos em volta.
Lewis administrava tudo para ele, seu
relacionamento se consolidou mais ainda quando apareceu o Benjamin na vida
deles. Os dois queriam uma família.
O pai tinha chamado várias vezes Lewis para
voltar, mas ele não queria, era feliz com J. Brandon, além de cuidar de tudo,
seus contratos com televisão, entrevistas, etc.
Não foi ao casamento deles, pois como
judeu, não aceitava muito isso.
Brandon como o chamava, agora teria que
pensar, os dois vinha pensando muito no assunto, queriam ter mais tempo para
eles, poderia ficar escrevendo como fazia para duas revistas de música, na
verdade para se ocupar, o negocio de seu pai não lhe interessava o mínimo.
Tinha outras intenções isso sim.
Quando voltaram para casa, encontraram a
velha passeando pela menos como se fosse a dona, começou a dar gritos, que
estavam sendo invadidos, as enfermeiras, estavam na cozinha tomando café. Como a casa estava vazia, soltaram a velha.
Nisso chegou à mulher de seu irmão com as
meninas, que se esconderam atrás da mãe, enquanto as enfermeiras levavam sua
avó para o quarto.
Isso é um inferno, estendeu a mão para o
Lewis, este apresentou Benjamin as meninas, tuas primas disse.
As meninas o levaram com elas para o quarto
dos jogos.
Me disseram que eres advogado Lewis, lhe
disse a mulher de seu irmão, podemos conversar.
Foi com eles, para a biblioteca, foi clara,
quero o divórcio, embora meu marido, tenha gastado quase toda minha herança,
tenho em propriedade individual, um bom apartamento no Brooklyn, além disso
nunca deixei de trabalhar. Podes me
aconselhar algum conhecido.
Este chamou um conhecido, que deu a direção
de seu escritório.
Já escutei falar nele, é muito bom, espero
que o dinheiro que eu tenho seja suficiente.
Me desculpe Brandon, mas viver com teu
irmão, além de ter que aguentar sua mãe, é muito para mim, para as meninas.
Nem quero saber como será o testamento, nem
me interessa, creio que a situação chegou a um limite, soube que teu irmão
voltou ontem, como teu pai, tem mais de uma amante. Sei que se casou comigo por interesse, mas faz
tudo abertamente como se nada importasse.
Amanhã depois do enterro quero ver como
irão as coisas.
Seu irmão só apareceu de manhã, mal o
cumprimentou, estavam todos na copa, tomando o café da manhã. Ele tinha pensado ir vestido como seu personagem
ao enterro, mas na última hora escutou o Lewis, se vamos começar nova vida, vá
mais devagar.
Foram para o enterro, na cerimônia, o
pastor, o chamou para falar, o tinha visto arrastar, pois o advogado o tinha apresentado
ao seu outro irmão e irmã, os arrastou para o primeiro banco com eles, de um
lado estavam sentado seu irmão, com a mulher e filhas.
Se levantou, foi até o púlpito, ao lado do
caixão que estava seu pai, acho que o senhor vai se arrepender de ter-me
chamado para falar.
Bom, nem me lembro da cara real de meu pai,
fui embora daqui, quando fiz 19 anos, hoje estou com 45, nunca mais o vi. Portanto ele escapou de um ajuste de contas.
Era um bom filho da puta, embora pareça que
tenha se redimido, reconhecendo mais dois filhos. Era um sem-vergonha de muito cuidado, na
verdade não tenho nada bom para falar a respeito dele, se foi me devendo 50
milhões de dólares, que se apropriou da minha herança materna. Evidentemente não vai me pagar, mais
nada. Ele pagava as devoluções ao seu
bel prazer, era quando falava com ele, me telefonava, dizendo, este mês não
posso devolver nada, talvez o mês que vem, sempre era assim metido em alguma
coisa um tanto quanto escura.
Nunca me preocupei, pois sempre
trabalhei.
Mas sei que tampouco ajudou muito aos
outros filhos. Aos credores, aviso, me
nego a pagar qualquer divida dele, qualquer coisa, se dirijam ao seu filho, que
cuidava dos negócios, a quem pedirei meus 50 tacos.
Ah, não será enterrado no mausoléu da
família, primeiro porque não era judeu, como nos, tampouco o quero ao lado da
minha mãe, a quem infernizou a vida, me disseram que será enterrado o mais
longe possível. Para isso, infelizmente
tive que pagar, embora podia ser enterrado como indigente, numa vala comum, que
era o que merecia.
Desceu dali, baixo um silencio total, o
sacerdote, perguntou se alguém tinha alguma coisa para falar.
Ninguém disse nada.
Ele saiu com seu marido, seu filho, recebeu
os pêsames de alguns, o advogado sorria, teve o que merece.
Amanhã nos vemos no escritório, apertou a
mão dos seus novos irmãos, foi embora.
Quem quiser que seguisse o caixão, ele já
tinha ajustado contas.
No carro foi rindo, dali de cima vendo a
cara hipócrita dessa gente, nem sei que são, na verdade espero que nunca
apareçam para cobrar alguma dívida.
Chegaram em casa ao mesmo tempo que seu
irmão, com a família, este viu uma bagagem no meio do corredor, o Gerard disse
a sua mulher que já estava tudo ali.
Ela disse, meninas despeçam de seu pai,
entregou ao mesmo tempo, uma notificação de divórcio. Cuide-se, veja se não faz mais nenhuma
merda.
As meninas deram abraços e beijos no
Benjamin, para o pai, apenas acenaram a mão.
Este saiu furioso minutos depois.
Quando voltou de noite, apareceu com um
médico, que levou sua mãe, para uma clínica.
Não disse uma palavra, apenas nos vemos
amanhã no escritório do advogado.
Benjamin, ficou com o Gerard, que dava
graças a deus da velha não estar mais ali, tinha uma senhora, limpando os
quartos.
Eles foram ao escritório, lá estava um
tabelião, que era quem tinha o testamento.
Ali estavam seus três irmãos.
O notário, abriu o envelope, sorriu, é o
testamento mais curto que tenho.
Seu pai, só tinha como seu, uma parte das
ações do seu negócio, essa parte ele deixa para ti, indicou seu irmão, ele não
tinha mais nada.
E o apartamento que vivo?
Esse pertence, como sempre pertenceu ao sr.
J. Brandon, como sempre pertenceu, as despesas do mesmo, sempre foram pagas
pelo seu fideicomisso. Portanto o senhor
não tem nenhum direito.
Ele ia enumerar uma série de coisas, mas o
notário, cortou, nada pertencia a ele, sim a mãe do seu irmão. Embora ele tenha feito empréstimos usando
coisas que não lhe pertenciam.
Ele pediu a palavra, tudo bem, realmente
sempre soube desses bens, pois estão no inventário do meu avô, o advogado sr.
Lewis, tem todos os documentos.
Vamos aproveitar que estamos todos reunidos
aqui.
O negocio que meu pai levava, não me
perguntem por ele, pois não tenho ideia.
Mas ele só tinha 45% do mesmo, o resto era
do meu avô, se dirigiu ao irmão, gostaria, de dizer que na verdade ele só tem 35%,
pois parece que precisou de dinheiro, colocou ações no mercado, que comprei, ou
seja eu tenho a maioria do negócio.
Como sei que, se dirigiu ao irmão que tinha
acabado de conhecer, que trabalhas lá, sabe como dirigir uma empresa, vou ceder
tudo isso, aos meus dois outros irmão, que não ganharam nada, vocês decidam
como gerir a empresa, não me metam no meio do negócio.
Os dois sorriam, pois já tinham conversado
com ele, quando chegaram, o rapaz que levava basicamente o negócio, seria o
manda mais, tinha feito um acordo. Pediu
que os três assinassem os papeis.
Virou-se para o outro, hoje quando chegares
no apartamento, verás que tua bagagem, estará no corredor, recupero assim a
casa que foi da minha mãe.
Mas tem o apartamento do Dakota, que era de
seu avô, vale uma fortuna.
Este está a venda, não penso em viver
lá. Se tens algo particular teu no
apartamento, pois o mesmo foi decorado pela minha mãe, diga ao advogado,
verificaremos.
Ah, sei que tentaste vender o negocio aos
chineses, se vê que não entendes muito do mesmo, isso seria impossível de
concretizar, se eles te adiantaram dinheiro, devolva, sabe como são, podem
mandar te matar.
Viu que este estava branco. Esperava poder vender o apartamento, tudo que
estava dentro, bem como uma casa na praia, nada pertencia ao seu pai, as
escrituras estavam todas em nome de sua mãe.
Saiu dali, dizendo aos outros dois, que
podiam ficar com o negócio, vendo a minha parte.
Pensava em fugir com o dinheiro que tinha
pedido aos chineses, mas estes já o esperavam na saída, avisados pelo advogado,
que ele nunca poderia ter feito negócios.
O advogado fez isso, pensando que com isso
seguraria Brando como cliente, mas ele foi embora, ficando o Lewis para
recolher os papeis, levar para a empresa que ia comandar agora, que era de seu
pai.
Ainda disse ao seu ouvido, grande merda,
deixaste para estes.
Ele sabia que o irmão que ele tinha dado
sua parte, era bom em negócios, poderia levantar outra vez a empresa.
Ele perdia dinheiro, mas não se importava.
Saiu dali, foi a um barbeiro, que quando o
viu, fez a maior festa, todos ali o conheciam da televisão, disse o que queria.
Serio?
Sim mudança total de look. Cortou os cabelos todos, deixando um corte
moderno, da barba só sobrou um pequeno cavanhaque.
Quando chegou em casa, Benjamin com sempre
se jogou nos seus braços.
Olhava a cara do pai, estas mais bonito
assim, verdade Gerard.
Ele se sentou com o Gerard, vamos mudar
tudo nessa casa, do quarto que estou ocupando, só fica o piano, tu deixaras o
quarto que vives, para usar o que quiseres da casa, já não tens idade para
trabalhar tanto, contrate alguém, para que tu supervise.
Um quarto para meu filho, nossos moveis
estão chegando dentro de breve. Gostamos de simplicidade.
Tens o apartamento do teu avô, fechado
todos esses anos, a cada dois meses, uma companhia de limpeza vai lá, para
limpar.
Eu já dei ordem para que retirem tudo que
for de valor, para vender, o apartamento também será vendido. Não quero viver lá, com aquela gente metida a
fina, enchendo meu saco.
A empresa das enfermeiras, está atrás do
seu irmão, pois não pagou o último mês, mas antes de você chegar, entrou aqui,
feito uma fúria, levou suas maletas, quando lhe perguntei por isso, me mandou a
merda.
Pague essa conta, mas nada mais.
Vamos contratar uma empresa, para mandar
pintar tudo, tirar esses papeis de paredes velho.
Mantenha somente a sala de jantar, pois
seguiremos usando está.
Eu poderia ficar no mesmo quarto de sempre.
Nada disso, aonde se vão hospedar os novos
empregados. Tu agora, serás um membro da
família como sempre foste.
Posso te chamar de avô Gerard, hoje já
disse quando alguém me perguntou quem eras tu, eu soltei que era meu avô. O velho tinha lagrimas nos olhos.
Ficaram os três, abraçados.
Temos sim que resolver aonde ficamos,
enquanto fazemos a obra.
Talvez na casa de praia.
Ah, Gerard te lembras qual sinagoga meu avô
me levava, precisamos fazer os procedimentos com o Benjamin. Eu mesmo preciso de um lugar para ir.
Era a sinagoga, que sempre foi do avô do
Lewis, ele sempre ia lá. Ainda tem seus
fiéis.
Telefonou para o Lewis, que estava com seu
pai, lhe perguntou a respeito.
Este lhe passou um numero de telefone, vou
avisar que vais chamar, fico contente que sigam as tradições.
Depois falou com as revistas que
trabalhava, que seguira escrevendo a partir de NYC, gostaram da ideia. Ficavam sempre desatendidos nessa área.
Já tinha um convite de um dos canais de
televisão, sabia que os das revista ia soltar a noticia que ele estaria vivendo
agora na cidade.
Tinham depois que conseguir escola para o
Lewis, mas agora era época de férias.
O porteiro já tinha espalhado aos vizinhos
que agora quem viveria ali era ele.
O velho Lewis, veio jantar com eles, o que
era um milagre. Tinha mais dois filhos,
mas só o seu marido era advogado.
Puxava o neto para perto dele.
Puxou a conversa sobre a sinagoga, o velho
comentou que precisava de uma reforma geral, pois seus fieis não eram muito
ricos.
Bom assim que vendermos o apartamento do
Dakota, vamos dar uma boa quantidade de dinheiro em nome do meu avô para a
sinagoga.
O resto podemos pensar em ajudar as pessoas
que a frequentam, o que acha.
Se surpreendeu ver o velho colocar a mão em
cima da sua, eu falava sempre isso para teu avô, mas ele era agarrado ao
dinheiro.
Esse ano, pai, soltou o Lewis, pensamos ir
a Israel, para o Benjamin conhecer, não queres vir junto.
A cara do velho era de puro gozo, levamos o
Gerard também, disse o Benjamin.
Claro filho, ele é parte da família.
As coisas foram entrando nos eixos, começaram
a ir a sinagoga, Benjamin se sentia bem, a maioria era de negros. Quando
venderam o apartamento, deu dinheiro suficiente para reformarem tudo que
precisava.
Ele mesmo ia com o filho as aulas, para
aprender o que nunca tinha aprendido, seguia escrevendo para as revistas.
Um dia lhe perguntaram por que sempre se
apresentava antigamente vestido de mulher.
Como lhe sobrava tempo, começou a escrever
sobre isso. Começou por toda influência musical que
tinha sofrido, por causa de sua mãe, que adorava o Jazz, bem como musicais,
filmes etc. Antes de morrer, como já
sabia que tinha câncer, só tocava música de Edith Piaf, Jacques Brel, por as acharem
dramáticas, mas a tocava à sua maneira, ele bebeu tudo isso, pois no final ela
na cama, ele tocava essas músicas ao piano.
Seu pai nunca estava em casa.
Quando entrou para universidade para estudar Jornalismo, pois as outras
carreiras não lhe interessavam.
Se formava um grupo de Jazz, precisavam de
cantores, ele foi ao casting, ao final lhe disseram que cantava bem, que tinha
um estilo bom, mas que no palco não atraia olhares.
Não teve conversa, foi para casa, se vestiu
com uma roupa de sua mãe, com uma peruca que ela usava depois de ter perdido os
cabelos, se apresentou ao casting, ia barbado, com um batom vermelho como ela
usava. O acharam o máximo, ele riu,
disse que já tinha feito o casting antes.
Como tocavam em casas de show, que o
público estavam conversando, ele entrava com toda sua altura, sentava-se ao
piano, todo mundo parava para olhar aquela mulher altíssima, muito bem
maquilada, mas de barba, começava a tocar, o resto do grupo entrava, mas já
tinham a atenção, o pessoal queria ver o que era capaz aquele homem vestido de
mulher, esperando que ele cantasse em
falsete ou coisa parecida.
Tinha um reportório imenso, aprendido ali,
no quarto de sua casa.
Seu pai ficou uma fera, contou para seu avô
que foi assistir o show, este adorou. Queria ver no que ia dar. Talvez por isso tivesse colocado a idade
para ele receber a herança com 30 anos.
Mas ele superou tudo, escrevia sobre música
para jornais, revistas, era um apaixonado por todas as épocas, hoje em dia,
escutava seriamente os novos cantores, para ver até aonde esse iria, se não era
o sucesso de só uma música.
Isso acontecia muito nesse meio, um
sucesso, depois dos 10 minutos de fama, desapareciam.
Ele os que ia descobrindo, orientava tudo
que podia, para isso não acontecer.
Mas hoje em dia as discográficas, engoliam
os cantores, talvez por isso nunca tinha gravado nada.
O livro foi um sucesso. Tinha seu programa
num canal de televisão, num horário que ele dizia perfeito, a meia-noite, pois
se alguém ficava até essa hora esperando um programa, era porque gostava do
mesmo, as vezes ia gravar o mesmo, na casa de show, aonde estava se
apresentando o entrevistado.
Volta e meia, cantava também.
Quando finalmente foram a Israel, o pai do
Lewis, tinha morrido, foram levar suas cinzas, pois era o sonho de sua vida. No
seu enterro, Benjamin, era o único neto que rezou o Kadish.
Quando o descobriram em Israel, foi
convidado para cantar num programa de televisão, queriam que ele aparecesse de
mulher, se negou, já não fazia isso, afinal concordaram, apareceu com era hoje,
cabelos curtos, crespos, brancos, em vez de barba um cavanhaque.
Fazia um número que tinham ensaiado em
casa, com o Benjamin, esse tinha uma voz, para um jovem fantástica. Cantaram várias músicas em dueto.
Isso chegou a NYC, aonde nunca tinham feito
isso.
Benjamin, tinha entrado para a Juilliard
para estudar piano, que adorava, tinha aprendido o básico com seu pai, agora
estava aprendendo a tocar os clássicos.
O de Israel, para ele, tinha sido uma
brincadeira. Brandon, queria que se ele tivesse
uma carreira que fosse sua.
Mas num ato benéfico para a sinagoga,
cantaram juntos, uma música que fazia sucesso de uma cantora de lá, bem como as
da sua avó. O publico veio abaixo,
quando ele cantou Falling in Love Again, dedicando a música a sua avó, que não
tinha conhecido.
Foi um pulo, para fazer shows, seus pais
sempre lhe orientavam para tomar cuidado com drogas, tudo isso, ele sabia da
história de sua mãe.
Foram com ele a um médico, que lhe explicou
se ela tomava drogas na época que estava gravida de ti, seria um pulo para ele
ser um viciado.
Mas ele não bebia, nos shows, tinha sempre
uma garrafinha de água que ele mesmo levava para o palco.
Lewis e Brandon, depois da morte do velho
Gerard, viveu até os 95 anos, o enterraram no mausoléu da família, em rito
judio, os dois foram viver na casa de praia, ele seguia escrevendo sobre
música.
Depois de muito tempo turnês pelo pais,
Benjamin, foi convidado para dar aulas na Juilliard, coisa que ele aceitou, ao
mesmo tempo que se dedicava a composição.
Passava muito tempo com os pais que
adorava.
Levou muito tempo para encontrar alguém com
ele dizia, tinha como exemplo os dois, que se entendiam de maravilha. Mas encontrou num companheiro da escola.
Agora as férias era ali na praia, a casa
inclusive tinha dois pianos, para poderem sempre haver música naquela sala.
Brandon dizia que a música o tinha salvado
de tanta merda da sua infância, aprender com sua mãe, tinha sido para ele um
porto seguro.
Os negócios dos irmãos, ele não se
interessava, tinha lhes dado o caminho, o resto era com eles.
Benjamin, tinha dois filhos adotivos, como
ele, o mais interessante que apesar de serem irmão, um era branco outro
negro. Os ensinava a tocar piano, seu
companheiro Stuart, os adorava também.
Seguiam dando aulas, tocavam quando queriam estar num palco, nada de
obrigações. Benjamin achava as Turnês
um negocio chato, pois cantar dias e dias seguidos a mesma música, para ele era
um tormento.
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