AVI AVIDAN
Meu nome é Avi Avidan, mais conhecido hoje em dia, na delegacia que
trabalhava em Manhatan, como AVIS RARA, tudo porque tinha feito uma operação
significativa, para todos era uma aberração, ser um transexual, ao mesmo tempo
inspetor de polícia.
Quando voltou a delegacia, depois de três
meses de baixa por problemas de saúde, era uma mulher espetacular, mas resolveu
não mudar seu nome.
O chefe ficou furioso, pois não tinha lhe
contado nada, a única pessoa que sabia, era seu companheiro de trabalho, o
mesmo o tinha visitado sempre, dizia que não entendia, mas aceitava.
Ele era um homem bonito, mas como mulher
mais ainda, agora usava cabelos compridos, amarados atrás num rabo de cavalo.
O chefe como castigo, o colocou numa mesa,
revisando relatórios de casos que tinham acontecido durante sua ausência.
A primeira coisa que lhe sugeriu, foi se
aposentar, mas como se ele só tinha 33 anos, era impossível, o chefe de policia
da cidade, disse que não iam fazer isso, que se acostumassem, pois agora
apareceriam mais pessoas como ele.
Até gostou do novo trabalho, pois
necessitava de um tempo de calmaria, sempre tinha estado na frente de casos
complicados, seu rendimento era de 90% de casos resolvidos.
Falou com seu antigo companheiro, que agora
tinha que aguentar chacota de todos, pois como ele sabia, além de estarem
sempre juntos, inventavam mil histórias a respeito. Estava revisando anotações de casos que não
tinham resolvido, tentando olhar com outra perspectiva.
Os dois tinham uma maneira de pensar quase
idêntica, se conheciam desde a academia.
Hubert tinha sido criado no Canadá, mas
emigrou cedo para Estados Unidos, para estudar, fez universidade, mas não
gostou, por isso entrou para a polícia.
Ele entendia seu companheiro, de uma certa
maneira apoiava o que tinha feito, tinham tido largas conversas antes de sua
transformação.
Ele tinha agora nas costas, um divórcio mal
resolvido, em que sua mulher ao se casar outra vez, lhe devolveu os filhos. Eram dois adolescentes complicados, se abriam
sim com seu tio Avi, como o chamavam.
O garoto ficou alucinado quando o viu
transformado em mulher, já a garota, riu dizendo que agora teria quem a
entendesse. Os escutava sempre, Ray, o
adorava, falava dos problemas da escola, do bullying que sofria por ser bonito,
não gostar de esportes, já Ema era a rainha dos corações de todos os
companheiros, mas nunca se definia por nenhum, dizia, não quero acabar como
meus pais, metidos num casamento que não queriam.
Aos finais de semana, ia sempre comer com
eles, se tinham o dia livre.
Os considerava quase como seus filhos, em
seu pequeno apartamento, tinha na cozinha, uma folhinha que Hubert, ria, pois
ali só tinha anotado, as datas importantes para seus filhos, no mês de
dezembro, já anotado o que sabia que eles queriam de presente do tio, agora
tia.
Como não tinha mudado de nome, para os
garotos fazia menos confusão.
Um dia Ray lhe perguntou por que não se
casava com seu pai, agora era uma mulher, podia ser a mãe que faltava a eles.
Porque eu e seu pai somos só amigos, sempre
fomos assim, todo mundo dizia que entre nós havia alguma coisa, mas isso não é
verdade.
Hubert na verdade como os filhos, lhe
contava tudo, de seus aventuras falidas, tinha tentado até encontros por
internet, não funcionava.
Ray que era muito inteligente, dizia, vejo
os dois um dia, sentados numa varanda, numa cadeirão desses antigos, os dois de
mãos dadas.
Isso sempre provocava gargalhada geral.
Dos casos antigos, ao revisar tudo de outra
maneira, tinham conseguido resolver dois, isso que o faziam fora do horário de
trabalho, pois o chefe não tinha autorizado.
Mas o chefe de policia ficou sabendo, os
encarregou justamente disso, que fosse enviados aos dois, todos os processos
não resolvidos, que os inspetores, deviam se reportar a eles, os casos que não
resolviam.
Agora tinham os dois uma sala especial,
grande, aonde podiam estudar os casos.
Foram procurados por uma velha conhecida do
tempo de faculdade do Hubert, que em momento algum desconfiou que Avi tinha
sido um homem.
Contou que seu irmão, um inventor de
sucesso, tinha sido assassinado, que seu caso estava estagnado, pois ninguém
tinha resolvido nada.
Que seu apartamento continuava como ela o
tinha encontrado, totalmente revirado, moveis destruídos, como se alguém
procurasse alguma coisa.
Eles pediram a transferência do caso,
inclusive que os dois inspetores viessem contar tudo que sabiam.
Os mesmos o tinham como um caso aberto, sem
novidades nenhuma.
Achavam raro o que tinha acontecido, o
homem assassinado, aparentemente não tinha inimigos, trabalhava para uma
empresa desenvolvendo produtos. Mas
sempre fazia mistério até o final.
Não encontraram nada de seu último
trabalho, seu computador, estava praticamente vazio.
Sua secretária dizia que quando ele tinha
um projeto, nunca guardava o mesmo no computador, mas sim num minúsculo disco
duro. Mas não tinha achado o mesmo.
Segundo ela, ele reclamava que estava sendo
seguido, portanto, tomava mais cuidado que o normal. Seu carro também tinha sido destruído, além
de queimado.
Revisaram várias vezes o apartamento no
mínimo detalhe, nada, procuravam agora alguma coisa que fosse pequena, ou mesmo
minúscula, como ela dizia.
Sei que o levava normalmente com ele.
Um dia Avi se sentou com ela, ficou
procurando minucias, como ele se comportava no dia a dia, a mulher tinha uma
memoria fantástica. Contou que
normalmente ela o tinha que lembrar das datas importantes da família, bem como
o nome das pessoas.
Ele era capaz de lembrar das coisas de seu
trabalho, mas o nome das pessoas jamais.
Quanto mais ela detalhava, mais iam
construindo a imagem da pessoa, contou que ele tinha tido uma paixão por uma
mulher alemã, que confessava, dizer que a achava uma pessoa estranha.
Tinham rompido, um dia que ele despertou,
com ela procurando alguma coisa em sua roupa.
Um dos hábitos que ele tinha, era, todas as
semanas, tirar da carteira todas as moedas que tinha, colocar num cofrinho, em
forma de porco que ela tinha em cima da mesa, para comprar o café que ele
gostava. Assim não tinha que tomar o da
maquina da empresa, que considerava uma água suja.
Cada detalhe que ela falava, eles
procuravam alguma coisa.
Quando falou do pequeno cofre, depois de
semanas, a viram retirando moedas, as últimas que ele tinha colocado, lhe
chamou a atenção, uma moeda grande diferente das outras.
Ela mostrou para ele, era perfeita, mas era
diferente das outras.
A examinou profundamente, até que com uma
lupa, encontrou uma ranhura na mesma, ao ser pressionada, saiu um minúsculo pen
drive.
Era o que ele estava fazendo. O duro era saber quem o tinha assassinado,
pelo que estava dentro. Chamaram sua
irmã, ela disse que tinha outra moeda igual, me deu para guardar, as tinha
trazido de uma viagem que tinha feito a Corea, a vários anos atrás.
Igualmente tinha um pen drive, com projetos
que já tinha desenvolvido para a empresa, bem como para uma grande corporação
Coreana.
A irmã lhes avisou que estava sendo
seguida, tinham as duas moedas, numa caixa forte, num banco, mas mesmo assim
dizia, me sinto em perigo.
Até que conseguiram capturar a pessoa, eram
um homem que trabalhava justo para a corporação. Disse que tinha desenvolvido o projeto, com
o dinheiro deles, que depois se negou a entregar.
Por serem leigos, não entendiam de que ia o
projeto.
Quando chamaram um especialista, esse
disse, que se tratava de uma bala, que podia ser desenvolvida para qualquer
revolver ou espingarda, que ao penetrar no corpo humano, explodia, ao mesmo
tempo que se dissolvia no sangue.
Não haveria assim possibilidade de dizer
que arma a tinha utilizado, nem sobrava nada para se usar como prova num
assassinato. Por isso tinha se negado a
entregar o projeto.
Pois o exército, os fabricantes de armas,
iam se interessar, o material era muito simples, inclusive transformaria as
guerras numa coisa barata.
Fizeram uma apresentação da mesma ao chefe
de polícia, que achou melhor que o pen drive fosse destruído. Pois podia geral muitos conflitos.
O fizeram publicamente, ela mesma destruiu
na frente de jornalistas os dois pen drives.
Mas claro muita gente não acreditou,
insistiam com ela a venda do projeto.
Seguiriam duvidando sempre que o projeto
seguia existindo.
Mesmo o governo americano, se interessava
no mesmo.
Ela simplesmente dizia que não queria ter
na consciência mortes por causa de um projeto dele.
Agora tinham plena consciência da pessoa
que era o inventor.
Ele mesmo devia ter anunciado aos quatro
ventos o que tinha inventado, para assim ganhar mais dinheiro.
Acabou que o FBI a teve que fazer
desaparecer, dando-lhe uma nova identidade.
Mas antes ela agradeceu que tinham feito.
Mas para eles o processo seguia aberto,
pois apesar do motivo, não tinha encontrado quem era o assassino.
Até que encontraram uma morte similar. Mas desta vez tinham uma testemunha, uma
senhora que prestava atenção em tudo.
Disse que a pessoa assassinada, tinha sempre as janelas abertas, não
usava cortinas, assim se podia ver tudo que acontecia na sua casa.
Tinha assistido desde a poltrona que via a
televisão, ela mesma tinha chamado a polícia, prestou declarações. Descreveu o homem, era um asiático, alto,
para quem normalmente eram países de pessoas mais baixas.
Os dois começaram a remover todos os
processos que tinham alguma similitude, na cidade ou no próprio pais. Acabaram achando similares em San Francisco.
A caça durou algum tempo, mas finalmente
conseguiram pegar a pessoa.
Realmente era de sua arma as balas que
tinham matado o irmão da amiga do Hubert, bem como da vitima que a senhora
tinha visto.
Ela o reconheceu numa roda de
reconhecimento, sem pestanejar. Apesar
que o mesmo tinha um advogado pago pela máfia chinesa.
Foi quando descobriram entre os papeis
dele, uma oferta justamente da China, através de um clã de San Francisco,
queria saber como fabricar essas balas.
Pelo menos tinham resolvido o assassinato.
Quando terminaram os relatórios, foram os
dois de férias, alugaram uma casa na praia, com os garotos, para eles sempre
permaneceriam crianças.
Muita gente pensava aos ver juntos que eram
uma família como outra qualquer.
Avi nunca tinha tido grandes romances, não
encaixavam, mas se alguém visse os dois juntos, realmente pela maneira como se
comportavam pareciam um casal, não que existisse algo amoroso, mas sim de
entendimento.
O departamento que o chefe de policia tinha
dado a eles, foi em frente, tinham mais dois ajudantes agora, examinavam cada
caso com novas perspectiva, um dos ajudantes, era experto em informática, sabia
inclusive navegar na rede profunda como se dizia, ou internet negra.
Assim podiam buscar semelhanças nos crimes,
iam em busca de informações que não se via ao simples olhar. Os outros inspetores, não tinham essa
possibilidade.
Foram resolvendo casos, que já se tinha
perdido a esperança, mas resolveram uma coisa em comum acordo com o chefe de
polícia, nada de publicidade, tudo era muito discreto, só buscavam ajuda de
grupos de Swat, quando era estritamente necessário.
Em dois anos, tinha conseguido resolver
quase cinquenta por cento dos casos que chegavam agora de delegacias de toda a
cidade.
Mesmo os inspetores, quando se sentiam
estagnados, procuravam ajuda, sentavam-se com eles, analisavam desde outros
ângulos o que já tinham feito.
A grande maioria assim conseguia resolver
os casos.
Com Billy o informático, as vezes não
respeitavam os pedidos de ordem, primeiro fuçavam a vida da pessoa, bancos,
movimentos de dinheiro, chamadas telefônicas, aí com essas informações pediam
ordens de registro.
Funcionava, iam em frente.
Hubert finalmente achou sua meia laranja,
numa inspetora que os tinha procurado pedindo ajuda num caso que
trabalhava. Os meninos rebeldes, não
aceitaram muito, mas Avi conversou com eles, que era um direito de seu pai,
refazer sua vida.
Ray ainda soltou que preferia que fosse com
ela, afinal era uma mulher linda.
Ele acabava rindo do sonho do garoto, um
dia lhe disse que o que sentia pelo seu pai, era uma grande amizade, sabia que
a nova companheira do Hubert, não gostava muito da companhia dos dois, quando
chegou as férias, saíram em épocas diferentes, ela preferiu para não fazer
confusão.
Fez uma viagem que queria fazer a muito
tempo, foi a San Francisco, la entrou em contato com um grupo de transexuais,
foi interessante, pois havia gente de todos os ofícios.
Inclusive algumas da própria polícia, foi
interessante fazer novas amizades.
Quando voltou Hubert, disse que as férias
sem ela não tinham sido interessantes, os garotos ficam sempre reclamando,
fazem comparações, sabes o quanto isso é desgastante.
Um dia a pedido deles, foi almoçar só com
os dois, diziam que não gostavam da companheira do pai, Ray ainda soltou, menos
mal que ela tem a casa dela.
Ela não se meteu, não podia fazer isso,
poderia influir no trabalho dos dois.
Achava as vezes o Hubert distraído, chamou
a atenção dele para isso.
Acabou confessando que sua namorada tinha
lhe sugerido que saísse do departamento que estavam os dois, pois escutava
comentários que os dois tinham tido um relacionamento.
Acabou que eles se separaram.
Veio chorar como dizia no seu ombro, amigo
era para estas coisas, quando chegou o Natal, mal puderam comemorar, pois
tinham um caso gordo entre mãos. Um
caso que tinha sido dado como sem resolver, mas que envolvia políticos, policiais
corruptos, bem como a diretora de um orfanato.
Foi difícil de resolver, além de doloroso,
ao descobrir tantas desgraças.
O Natal passou sem muita graça, mais pelos
garotos, como sempre Ray soltou, mesmo com problemas, vocês estão juntos.
Quando chegou o verão, foram de novo para a
Praia, com as brincadeiras, teve um dia que o Hubert bebeu um pouco a mais,
estavam sentados na varanda, observando o mar, quando este se virou, lhe beijou
na boca.
Depois se afastou, a ficou olhando, ele
nunca sabia se a chamava de uma maneira feminina, ou masculina, em vista dela
não ter trocado de nome.
Avi, sinto muito, mas queria fazer isso a
muito tempo, foi tudo que disse.
Agora notava gestos dele em sua direção
mais carinhosos.
Falou disso com o psicólogo que a
acompanhava desde antes da transição, nunca me senti confortável sexualmente
com ninguém, mas talvez com ele, por ser meu amigo, gosto, o meu medo, além da
pergunta que tenho na cabeça, é, será que o amo?
Discutiu muito isso, a palavra amor. Ray que estava apaixonado por uma
companheira, veio lhe falar justamente sobre isso. O ajudou a analisar os seus sentimentos,
pois estava confuso.
Acabou em nada, mas foi uma conversa
interessante em dois sentidos, pois ao mesmo tempo analisava seus sentimentos.
Ray sempre ria com ele, pois tinha uma
maneira de falar séria. Um dia veio lhe
pedir um favor, tenho um companheiro, que vai fazer a transição, está sofrendo
bullying, poderias vir falar na aula sobre esse assunto.
Foi, quando os rapazes viram aquela mulher
bonita, de quase dois metros de altura, ficaram quietos. Explicou desde antes, que era a fase que
estava a pessoa, as dúvidas, os medos, a incompreensão principalmente da
família, dos amigos. A solidão da pessoa
é realmente enorme, eu graças a deus tive o meu companheiro da polícia, que a
principio não entendia, mas me apoiou o tempo todo. Foi a única pessoa que acompanhou minha
transformação.
Indicou o Ray, ele sempre esteve ao meu
lado, mesmo sendo jovem, creio que entendeu, nunca me criticou, ao contrário,
se abre comigo.
Depois muitos alunos vieram falar com ela.
Conversou principalmente com o rapaz que ia
fazer a transição, esse pelo menos a família entendia, pois se sentia uma
mulher desde criança.
Mas claro tinha sempre um grupo, que apesar
das informações não atendia, nem aceitava, um final de semana estava em casa,
apareceu o Ray com o olho roxo de um soco.
Contou que tinha defendido o amigo, esses
idiotas, acham que tem que ser como eles, são os mesmos que me enchiam o saco,
por não gostar de esporte.
Billy o informático, por um acaso estava na
sua casa, consertando seu computador, se meteu na conversa.
Imagine, eu sempre fui o diferente na
escola, me aborrecia com as conversas, só me sentia bem, aprendendo
informática, buscando coisas, informações.
Quando me prenderam por ser hacker, me acharam um herói, mas tomei
consciência que fazia uma coisa errada, até que fui trabalhar com Avi e teu
pai. Agora me sinto bem.
Deixou os dois conversando, foi comprar
comida, para eles.
Quando voltou se surpreendeu, pois parecia
que o Ray, tinha encontrado uma pessoa com quem falar.
Hubert chamou para saber se o Ray estava na
sua casa. Logo apareceu.
Os dois saíram para irem ao cinema, o
comentário do Hubert, parece que ele encontrou uma pessoa que apesar de poucos
anos mais velho que ele, tem a mesma linguagem.
Ficaram os dois sentados no sofá
conversando, o grande problema do Hubert era a Ema, que estava para entrar na
universidade, mas não sabia bem o que queria.
Mande que faça um teste psicológico.
Sem querer os dois estavam conversando de
mãos dadas, começaram a se beijar, daí foi um pulo para irem para a cama. Nenhum dos dois esperava o que aconteceu,
tinha sido ótimo.
Ficaram deitados, rindo um com o outro.
Hubert, soltou, Ray e que tinha razão, que
devíamos estar juntos. Mas resolveram
levar com calma, para não interferir no trabalho deles.
A coisa só se resolveu, quando Avi foi
chamado para ser assessor do chefe de Polícia, que tinha outro mandato. Assim com distância, deixaram de
esconder-se.
Ray quando soube, ficou contente, agora não
tenho que ir escondido a tua casa, passava mais tempo na deles.
Mantinha seu apartamento, pois queria saber
aonde chegariam com isso.
Hubert, realmente foi se abrindo, estava
apaixonado, para ele era difícil analisar as vezes seus sentimentos, visto
nunca ter amado ninguém.
Mas sabia por exemplo que se sacrificaria
pelo amigo, bem como seus filhos.
Ema resolveu fazer medicina, depois faria
psiquiatria, ela sempre tinha tido na cabeça o problema da mãe, que os tinha
deixado para trás.
O tempo foi passando, um dia Ray lhe disse
que tinha um relacionamento com o Billy, nos entendemos em todos os
sentidos. Mas tenho medo por meu pai,
achas que ele vai entender?
Ele falou com o Hubert, esse riu.
Desde o primeiro momento que os vi junto,
senti que entre eles nasceria algo, como vou condenar meu filho.
Billy que vivia sozinho, agora tinha uma
família.
Ray entrou para a universidade, com bolsa
de estudos, era super inteligente, resolveu estudar medicina, queria se
especializar nas transições das pessoas.
As pessoas se surpreendiam quando ele falava abertamente disso.
O começou a levar a reuniões de grupos,
para que ele fosse entendendo como se sentiam as pessoas. Essas quando souberam que ao que ele se
propunha, falavam como se sentiam nas mãos dos médicos.
O processo era doloroso, alguns médicos,
não eram sensíveis ao problema, faziam seu trabalho e pronto.
Enfim tinha uma família da qual estava
orgulhosa.
Com os anos, faziam o que o Ray sempre
falavam, se sentavam nos sofás, ou cadeira na varanda de mãos dadas, os
vizinhos achavam normal, visto ninguém saber que ele tinha sido homem antes.
Quando as pessoas não sabem, acham tudo
normal, mas se eu conto que fui homem antes, imagina o que poderão pensar, ou
mesmo fazer.
O fato de não ter mudado de nome, muita
gente falava que nunca tinha escutado falar de um nome de mulher assim, Avi.
Não perdia tempo explicando, apenas dizia
que nunca tinha entendido seus pais, quanto a escolha de nomes.
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