RECALL
Tinha levado tanto tempo pensando que o
passado tinha ficado para trás que nunca imaginou que ele voltasse depois de
uma série de acontecimentos que lhe não só o levaram a refletir, mas bem como
voltar ao ponto de aonde tinha saído.
Estava a caminho de Kansas City, porque da
herança de sua mãe, lhe tocava a loja, bem como o pequeno apartamento que tinha
vivido sua infância e juventude, nem sabia que o senhor que tinha a loja de
ferragens, que tinha sido como um avô para ele, a tinha deixado para ela.
Sem querer lhe veio na mente a figura amada
de seu companheiro de décadas, tinha agora 40 anos, nunca imaginou, apesar da
profissão dele, que isso iria acontecer.
Jeremy, era policial, advogado embora tinha
desistido da profissão, por só conseguir emprego em escritório que defendiam
bandidos. Tinha morrido no meio de uma
guerra de gangs, pelo poder de distribuir drogas num bairro da periferia.
Foi como uma bofetada na sua cara, o pior
foi que somente Matt apareceu no enterro, seu pai, se negou a ir, isso
significava a ruptura que ele sempre tinha pensado, seu pai tinha sido uma
decepção, desde sempre.
Parou o carro na lateral da estrada, porque
de galope vieram todas as imagens na sua cabeça.
Tinha sido uma criança diferente desde
pequeno, muito branco, com o corpo cheio de sardas, olhos verdes, cabelos
vermelhos, totalmente diferente de sua mãe que era uma mulher linda, morena,
cabelos imensos crespos negros, uns olhos castanhos incríveis.
Quando se descobriu gravida, seus pais a
colocaram para fora de casa, ela fez muita coisa para sobreviver, inclusive
disse que no fundo tinha sido muito importante isso, pois se tinha tornado
independente, bem com coragem para aceitar, enfrentar a vida.
Quando ele foi para a escola, ela lhe
explicou o que fazia para ganhar a vida, trabalhava, num club de stripper na
estrada, na verdade não fazia stripper, fazia a parte de contabilidade,
administrava as contas, pagava as garotas que trabalhavam ali. Convites para se exibir não faltavam, mas ela
era pudorosa.
Claro, bastava trabalhar nesse lugar, para
ser chamada de puta. Então lhe explicou
que poderia acontecer com ele na escola, podem te fazer Bullying, não dê
atenção, de um lado é verdade, trabalho num lugar duvidoso, mas daí a que seja,
são outros quinhentos.
Não deixe que isso seja para ti, um
empecilho de ir em frente, lutar pela vida, por teus sonhos.
Na hora não entendeu muito. Mas bastou ela o levar na escola, as outras
mães comentavam, inclusive queriam que ele fosse expulso sem motivo nenhum.
Claro os filhos escutavam, o tratavam como
um paira, foi quando conheceu Jeffrey, que foi seu único amigo, na infância e
juventude, sua mãe sim fazia stripper, vinham de outra cidade, os dois tinham
mais ou menos o mesmo tipo físico, eram gordinhos, bem alimentado como dizia
sua mãe.
Um ajudava o outro a estudar, a enfrentar
os Bullying, ele disse ao Jeff, não se incomodem, eles tem é inveja, olhe as
mães que tem, gordas, feias, com essas tetas imensas, claro os maridos vão aos
clubes para se esquecerem da merda que tem.
A única vez que brigou, foi justamente por
isso, o filho de uma dessas, se meteu com ele, não teve dúvida, tens é inveja,
minha mãe é linda, a tua em contrapartida, está sempre com o vestido suja de
gordura, gorda, feia, com essas tetas imensas, esse cabelo ensebado.
O outro ficou uma fúria, quando o chamaram
no gabinete do diretor, soltou, o senhor me desculpe, era educado com as
pessoas mais velhas, mas sei que a mãe dele, que o insuflou contra nós, veja
bem, apesar de ter o trabalho que tem, minha mãe é uma mulher bonita, trabalha
com contabilidade, mesmo que fosse puta como ele me disse, não importa, é uma
mulher independente, a sua ao contrário é feia, gorda, mal cuidada, natural que
tenha inveja da minha, pelo que sei, seu marido não sai dos clubs a beira da
estrada, sem dúvida para escapar da mulher que tem.
O diretor diria depois, que não sabia se
rir ou ficar sério. Em contrapartida,
ele era o melhor aluno da classe, seguido pelo Jeff, o outro garoto era o pior,
sempre metido em merdas.
Só teve um encontrão com o mesmo, anos
depois no ginásio, os dois jogavam em equipes diferentes de basquete, o outro o
jogou no chão de proposito, ele quando chegou a uma idade, de gordinho que era,
esticou ficou muito alto, forte, porque já trabalhava nessa época, sonhando com
a universidade, trabalhava no armazém de ferragens embaixo de sua casa.
Jeff também trabalhava, num supermercado,
limpava, arrumava os produtos que chegavam, depois se tornou caixa.
Seguiram amigos, os dois participaram de um
programa que tinha surgido nas escolas, debates, tinham um tema, tinha que
estudar o mesmo, depois debater em cima disso.
Os dois se classificaram no debate da
escola, depois a âmbito da escolas da cidade, depois a nível do estado, por
último a nível nacional.
Ele foi o ganhador a nível nacional. O
dinheiro foi todo para o banco, como sempre, todo seu dinheiro era guardado
para ir a universidade, esse dinheiro se ele ganhasse uma bolsa de estudos,
ajudaria a se manter.
Ele e Jeff eram como namorados, tiveram
suas primeiras experiencias no porão da casa dele, nunca tinham chegado a vias
de fato, mas se masturbavam, se beijavam, mas principalmente compartiam sonhos,
ele sonhava ser jornalista, Jeff, queria se advogado, defender os pobres
segundo ele.
Tempos depois ia em direção a loja de
ferragens, subiria a casa, ao pequeno apartamento que compartia com sua mãe,
para depois descer para trabalhar. Nessa
época a club já não existia mais, sua mãe agora levava a loja de ferragens,
sempre tinha feito a contabilidade para o senhor Joseph, este estava velho,
cansado, ela começou fazendo a contabilidade, depois a administração da pequena
loja, bem como as compras.
Foi parado na rua, por dois homens, um era
igual a ele, branco, cheio de sardas, cabelos vermelhos mais escuros que os
seus, era como se ver mais velho. O
outro seria seu amigo para a vida inteira Matt.
Eu não te disse, ele é a tua cara, quem
falava assim era o Matt, o tinha visto no concurso, tinha se impressionado,
estavam quase na frente da loja, sua mãe saiu, foi direto a eles.
Ah, quanto tempo George, foi direto ao
homem igual a ele.
Este muito sério só lhe perguntou se eu era
seu filho?
Sim, é teu filho, virou-se para mim, aqui
está teu pai, depois de muitos anos. Na
época estava na véspera de fazer 18.
Subiram para a casa deles, ela ofereceu as
cadeiras, eles não tinham sala, só uma cozinha grande que ficava no meio do
apartamento.
Pensei que tinhas te casado?
Vim vender a casa que foi dos meus avôs
disse ele, me tocou de herança.
Sim eu soube que morreram, eram muito
amigos dos meus pais, mas a estes nunca vejo, só quando esbarro em algum lugar,
continuamos sem nós falar, pois eles queriam que eu abortasse.
Quando foste embora, nunca mais soube de
ti.
Finalmente Matt tomou a palavra, sempre era
assim, meu pai se calava ele tomava a palavra, vi seu filho no concurso, disse
ao George, que podia se seu filho de tão iguais que eram.
O senhor é algum advogado?
Não, sou jornalista, os dois vivemos
juntos, a muitos anos, temos uma vida em comum, advogado aqui é o George.
Entendi que os dois tinham um
relacionamento.
A minha mãe isso lhe deu igual, pois tinha
amigos gays, clientes, essas coisas.
Ele ao contrário abaixou a cabeça, como se
isso fosse um crime.
O mais estranho, que mal me tocou, quem sim
o fez, foi o Matt, que mexeu nos meus cabelos vermelhos.
Seguiu tomando conta da conversa, me
perguntou o que eu pensava fazer, se era sério o que tinha dito no concurso,
que queria estudar jornalismo, que o dinheiro serviria para isso.
Sim é verdade, penso em estudar jornalismo,
sempre gostei de ler os jornais, ver noticias do mundo, também gosto de
escrever.
Minha mãe contou que sempre tinha sido as
melhores notas em redação.
A senhora trabalha na loja.
Não me chame de senhora, meu nome é Judith,
mas respondendo sua pergunta sim, durante muitos anos, levei a contabilidade de
um club de stripper na estrada, mas depois o senhor que é proprietário da loja,
bem como desse apartamento, me pediu para levar para ele suas contas, comecei
por ai, hoje administro a mesma, faço as compras, todo o necessário, Frank me
ajuda, pois gosta de atender as pessoas.
Tem seu sálario é claro, para juntar dinheiro para a universidade, cumprir
seus sonhos, os meus ficaram para trás, quando fiquei gravida, mas sobrevivi.
Meu pai, não abria a boca. O romance deles tinha sido de uma noite, do
baile de formatura, nada mais. Nunca
tinham sido companheiros de turma, nem nada disso, sua família se achava
superior os do bairro. Tanto que segundo
Matt, meu avô assim que o filho foi embora, foi transferido para NYC, na
empresa que cuidava em Kansas City. Só
ficaram para trás, os avôs maternos de George.
Matt continuou falando comigo, sem nenhuma
postura paternalista, a partir que eu queria ser jornalista, a ele lhe
interessava. Queria saber aonde eu
queria estudar.
Lhe disse que tinha pensado NYC, mas que
era mais caro que San Francisco.
Vivemos lá soltou ele, se quiseres minha
casa está aberta para ti.
Meu pai continuava mudo, como se tivessem
descoberto alguma coisa feia de seu passado.
Matt me deu seu cartão, quando decidas fale
comigo, conheço muita gente que pode te ajudar, acabo de trabalhar na última
campanha presidencial, infelizmente meu candidato não ganhou.
Normalmente trabalho nisso, campanhas
políticas, faço a parte de jornalismo do candidato.
Quando foram embora, minha mãe soltou, teu
pai, continua o mesmo, entra mudo e sai calado, ele já era assim na escola, se
sentava muito reto na mesa de estudos, não falava com ninguém, nem sei porque
me convidou para o baile, era bonito isso sim.
Mas creio que bebemos demais nesse dia, daí que fizéssemos sexo. Mas nunca me arrependi, pois me deu este
filho maravilhoso que tenho.
Ela estranhou, que no dia seguinte, vieram
de novo, claro tinha o dedo do Matt nisso, ele queria saber se eu precisava de
ajuda financeira, o que fosse para ir em frente.
Meu pai ficou sentado ao meu lado, de vez
em quando me olhava, por fim falou, te vejo, é como me ver na tua idade,
imaturo, um pouco tonto, porque meu pai se achava acima dos outros, sem saber o
que fazer da minha vida. Por isso fui
estudar direito, nem pensei em outras opções, queria era sair daqui.
Tudo isso ele falou como se fizesse um
grande esforço, eu sentia como se tivesse usado um saca rolhas, para que ele
falasse. Até nossa voz era parecida.
Se vieres estudar em San Francisco, eu
posso te conseguir estágios nos melhores jornais, conheço todo mundo. Tinha uma risada franca, muitos me devem
favores, segundo muita gente eu sou um bom filho da puta.
Mais tarde, por ele sempre dizer isso, me
contou realmente que era, sua mãe tinha sido uma prostituta, que o tinha
deixado num orfanato, graças a deus fui adotado por um casal que eram geniais,
já morreram, mas até hoje sinto falta deles.
Não tenho vergonha de nada, minha mãe dizia
que vergonha, era roubar e não poder levar.
Estudei, trabalhei em muitos jornais, minha
área é a política.
Deu um cartão dele para minha mãe, dizendo
que qualquer coisa fizesse contato com ele.
Ela depois ria, George continua o mesmo, sempre alguém fala
por ele.
Matt, é uma grande figura, gostei dele,
seria um grande pai, isso não tenho dúvida.
A tempos ela vinha namorando um homem, que
era representante de uma marca de maquinas que se vendiam na loja.
Ele nunca avançava o sinal, a convidava
para jantar, ou almoçar, a levava ao cinema, me tratava bem. Queria se casar com ela.
Meu avô postiço dizia que a hora que ela
fosse embora, ele iria alugar a loja, pois já não enxergava direito, que lhe
lia o jornal era eu.
Correu a contar ao Jeff, o que tinha
acontecido, esse ria, eu já tenho mais difícil, minha mãe nunca soube dizer
quem é meu pai.
Os dois éramos candidatos a bolsa de
estudos, embora, ele não quisesse sair de Kansas City, dizia que gostava de
viver ali, queria fazer a universidade ali mesmo.
Eu já queria comer o mundo.
Quando ganhei a bolsa de estudos, escolhi
ir para San Francisco, pois sabia por Matt, que a vida ali era mais barata que
NYC.
O mais interessante, era que ele ligava
pelo menos a cada 15 dias. No final da
conversa, passava o telefone para o meu pai, que perguntava como eu ia, essas
coisas.
Me convidou para me hospedar na casa deles
quando fosse, assim teria tempo para arrumar um pequeno apartamento, venha
antes assim é mais fácil, me disse o Matt.
Minha mãe quando soube da minha decisão de
aonde ir, acabou aceitando o pedido de casamento de Tony, ou Antônio, iriam
viver em Los Angeles, aonde era a central da empresa.
O meu avô postiço, ajudado por ela,
conseguiu alugar a loja, agora sabia que era por isso que tinha lhe deixado de
herança.
Tive uma despedida do Jeff, os dois metidos
no porão da sua casa, muitos abraços beijos, mas não nos atrevemos a ir as
últimas consequências. Combinamos sim de
nos escrever, contar nossas coisas.
Tony, veio buscar minha mãe com um furgão,
para levar as coisas que ela queria de sua casa, não eram muitas coisas, eu
embarquei num avião rumo a San Francisco, com duas maletas, com minhas roupas
novas, alguns livros, nada mais.
Matt foi me buscar no aeroporto, me disse
que meu pai estava no seu escritório, tinha uma reunião importante.
Foi bom, porque me colocou ao par das
coisas. Teu pai, é um homem extremamente
fechado, tem dificuldade de se expressar em termos emocionais, é considerado um
grande advogado, pois é frio no que faz, analisa tudo, nunca mostra nenhuma
emoção.
Verás tenho muita paciência com ele, pois
sou o extremo oposto dele. A nossa casa,
na verdade é a que herdei de meus pais, para ele vir viver comigo, foi um
êxodo, pois colocava problemas em tudo, é a sua maneira de ser, não espere
muito dele, mas comigo podes contar para tudo, eu sempre quis ter um filho, ele
não, durante muito tempo quis adotar uma criança, mas sempre foi contra.
A casa era imensa, Matt tinha arrumado um
quarto para mim, me disse que era a suíte de seus pais, pois tinha banheiro
próprio. Riu muito dizendo que ao meu
pai, lhe dava vergonha fazer sexo ali, dizia que sentia meus pais, nos olhando.
Agradeci muito, nessa noite jantamos
juntos, meu pai fazia um esforço imenso, para estar a vontade comigo, me
perguntou meus planos.
Lhe disse que Matt tinha se oferecido, que
no dia seguinte iriamos procurar um pequeno apartamento perto da
universidade. Que minha mãe iria se
casar em breve, que ia viver em Los Angeles, com o Tony.
Ela merece, pois sempre se sacrificou por
mim, espero realmente que seja feliz, o Tony vai ter problemas, pois ela já lhe
avisou que vai continuar trabalhando, o fez a vida inteira, que não suporta
ficar em casa.
Aliás, é uma péssima cozinheira, ela mesma
não esconde isso, é boa em contabilidade, em administrar, mas cozinhar não é
uma coisa que goste, odeia. Nunca
convidou o Tony para comer em casa, as vezes que ele foi, levou a comida.
Vamos ver como se sai, na sua nova vida.
O mais interessante, que se tornou muito
amiga do Matt, se falavam sempre, a ajudou a arrumar emprego por lá, pois como
ele dizia conhecia muita gente.
Dias depois me mudei para meu apartamento,
era pequeno, mas eu podia pagar com minhas economias. Matt, quis me ajudar, mas lhe expliquei que
precisava disso, saber me manter.
O mais interessante, era que ele sempre
encontrava uma maneira de nos encontramos, criamos uma vinculo perfeito, uma
vez por semana, ele vinha almoçar comigo, o mais interessante, falávamos em mil
coisas, mas nunca no meu pai.
Uma vez por mês eu ia comer com eles, em
sua casa. Meu relacionamento com meu
pai, nunca prosperou, ao contrário, anos depois, entramos em choque muitas
vezes, pois tinha uma maneira de ver as coisas diferentes de mim.
Nunca me apresentou a ninguém, ou algum
amigo, dizendo meu filho, alias não era necessário, erámos muito parecidos.
Matt sim, as vezes estávamos comendo,
alguém se aproximava dele, me apresentava como filho do George, as pessoas
diziam como são parecidos.
Nessas comidas, falávamos de livros, de
assuntos do momento, principalmente de política. Nas férias do primeiro ano,
ele conseguiu um estagio para mim num jornal.
Passei uma semana das férias com minha mãe,
estava feliz, se vestia melhor do que sempre tinha se vestido, no meu trabalho
isso é importante, vi que Tony a amava realmente, ele era divorciado, mas não
tinha filhos. Me tratava muito melhor
que meu pai.
Quando se casaram depois de ter certeza que
entre eles a coisa ia bem, fui com o Matt, meu pai estava em NYC, para um
julgamento de um cliente.
Na verdade nos divertimos muito. Minha mãe ainda comentou, que quem parecia
meu pai era o Matt, quando lhe contei dos nossos almoços, do que ele tinha
conseguido para mim.
É uma verdade, o velho, como eu chamava meu
pai, é complicado, o Matt realmente o adora, mas tem que ter paciência com ele.
Quando o velho morreu de um enfarte,
dormindo, senti mais pelo Matt.
Nessas alturas eu já vivia com o Brian a
muitos anos, o tinha conhecido, nos cruzávamos pelos jardim da universidade, me
atraia, era um tipo como eu diferente. Era um mulato escuro, de olhos verdes,
como eu, com o cabelo rastafari, um sorriso imenso, ele sempre que cruzávamos
me olhava, sorria. Com o tempo nos
atrevemos a conversar, dai foi um pulo para acabarmos na cama, foi o melhor que
me aconteceu. Contei ao Matt, que logo
o queria conhecer.
Um dia marcamos de comer, eles se
entenderam bem de cara.
Foi honesto de me dizer, dá prazer de os
ver juntos, hoje em dia, os casais gays, são abertos, principalmente em San
Francisco, querem aventuras, viver a vida.
Vocês dois são diferentes, mas quero te
falar de uma coisa, para que saibas aonde pisas, teu pai não vai aceitar muito,
ele tem preconceito de cor. Não suporta
negros, no seu escritório não tem nenhum, vai chamar sempre o Brian de negro.
Eu evitei a partir disso os apresentar, mas
um dia fomos ao teatro, demos de cara com os dois, enquanto Matt nos abraçou e
beijou, ele ficou a parte me olhando na cara.
Nessa noite me telefonou, como eu podia me relacionar
com um negro, simplesmente o mandei tomar no cu, desliguei o celular.
Falei com o Brian, mas ele já tinha
entendido, Matt como sempre, num dos nossos almoços, na hora que fui ao
banheiro comentou com ele, dizendo não deixe que isso interfira na vida de
vocês.
Nunca entenderia isso, porque ele era
assim.
Quando fomos visitar minha mãe, nas
primeiras férias juntos, ele se deu bem com os dois, ela só pediu que ele
cuidasse bem de mim.
Ele ria dizendo, mas quem cuida de mim é
ele.
Já vivíamos juntos, nossa ligação era
fantástica, o mais interessante, era que os dois nunca tínhamos tido
relacionamentos sexuais antes. Seus
pais tinha morrido jovens, ele tinha sido criado por seus avôs, que tinham
falecido no ano que ele entrou na universidade.
Eu nunca tinha conhecido os meus avôs, nem
maternos, nem paternos, uma vez que falei com minha mãe, ela disse que o meu
avô postiço contou que os seus tinham morrido, deixaram tudo para a igreja que
iam, como se eu nunca tivesse existido, dei graças a deus terem me expulsado de
casa, pois eram duas pessoas mesquinhas, viviam cheios de regras de religião.
Eu telefonava sempre para o meu avô
postiço, que agora vivia numa residência, dizia que ninguém lia as notícias
como eu.
Ia haver uma campanha para o novo
governador da California, Matt ia trabalhar nela, arrumou um jeito de me
colocar como seu ajudante, assim aprendes o que é a vida, de como uma mentira
pode ser uma verdade, será teu aprendizado.
Realmente foi, tinha que assistir com ele,
as reuniões de campanha, viajar, foi um aprendizado, via como ele se movia no
meio disso tudo, conhecia todo mundo, os jornalistas das cidade do interior,
não os bajulava, mas tratava bem as pessoas, era educado, uns o chamavam de
ladino ou astuto, como dizia o Brian.
Era uma verdade, ele sempre conseguia
colocar as pessoas relaxadas, para conseguir o que queria, viajamos muito, ele
ria, me apontava certas pessoas, estão te devorando com os olhos, mas eu queria
era chegar ao meu quarto, ficar falando com o Brian.
Ele estava fazendo na época um estagio num
escritório de advogados, nem pensar em pedir ao meu pai, para ser no dele. Foi quando ele descobriu que tinha sido um
engano, por ele ser mulato, quase negro, sempre lhe tocaria um escritório
desses que defendem gangs, bandidos de todos os tipos, não era esse seu sonho.
Foi quando decidiu entrar para a polícia,
no final do curso, entrou para a academia.
Quando meu pai morreu, o Matt, fez uma
coisa, primeiro perguntou ao Brian se ele queria assumir uma parte do
escritório, como disse que estava bem aonde estava, que gostava do que fazia,
ele vendeu o mesmo, passou o dinheiro todo para mim. Nunca precisei de teu pai, tenho minha
herança, vou sim comprar uma casa na praia, estou cansando.
Agora estávamos sempre com ele, a morte de
meu pai o tinha afetado muito.
Dizia sem esconder, era um bom filho da
puta, nunca disse que me amava, quando eu estava de viagem em alguma campanha,
sabia que ele tinha aventuras, nos últimos anos, dizia que nunca tinha vivido
sua vida, queria aventuras, começou me pedindo para termos aventuras a três,
lhe disse que fosse tomar no cu por ai, mas eu não queria saber de nada, Matt
usava agora o quarto que tinha sido de seus pais, que mal se falavam. Ele nunca teve uma casa dele, se fazia de
famoso, mas quem lhe conseguia os clientes era eu, nunca dizia obrigado, era
incapaz dessas coisas. Tinha agora uma
aventura com um rapaz que tem a tua idade.
Ele quando soube que existia, só foi até lá
pela herança, não pensava em procurar tua mãe, nem a ti, diziam que iam querer
lhe explorar.
Entendi que tinha a mesma mentalidade do
pai dele, que quando soube que existias, nunca perguntou por ti.
Os conheci no enterro, ela ainda veio falar
comigo, mas ele não, pensei como é tonto o mesmo, pior era que se via que era
uma mistura de raças, mas ele se considerava único segundo o Matt.
Agora passávamos os fins de semana com o
Matt na casa que tinha alugado na praia, vivia tranquilo, escrevendo, me pediu
para revisar seu livro, falava justamente nessa parte de sua profissão, o de
assessor de algum candidato, dos que havia por detrás dos panos.
Nessa época foi a primeira vez que fiquei
no lugar dele, quando o procuraram, me indicou, meu filho pode fazer muito bem
a campanha, era para prefeito da cidade.
Ele dizia que se tinha que fechar os olhos,
ou como dizia, mostrando, olhar com um, o outro fechar para não ver as merdas,
mas havia sempre muito dinheiro.
Foi quando pensamos em comprar um
apartamento maior, pois eu estava escrevendo meu primeiro livro.
Ele primeiro ofereceu sua casa, já que não
vivia ali, ou a vendia ou tinha que alugar.
Sentamos com ele, eu não queria, pois era a
casa que meu pai tinha vivido, Brian tampouco, depois era muito grande para os
dois.
Ele vivia dizendo que queria que
adotássemos uma criança, vocês vivem juntos a tanto tempo, eu os ajudo, quero
ser avô.
Com o dinheiro que ele me tinha dado, bem
como das nossas economias, compramos um apartamento, tínhamos um quarto para
ele, quando vinha a cidade.
Nessa época o Tony morreu, deixando minha
mãe muito bem, ele tinha chegado a presidente da empresa.
Fomos os três ao enterro, convidei minha
mãe para vir, mas ela tinha seu trabalho, não pensava em se aposentar, gostava
do que fazia, tinha amigas, com quem sair.
Agora vou por livre, dizia, quero
aproveitar a vida, vivia em frente ao mar em Malibu, tinha comprado essa casa
com o Tony.
Vinha sim muitas vezes, quando o Matt vinha
também, nas férias, iam os dois ao Teatro, ao cinema, pareciam namorados,
conversavam horrores.
Um dia Matt disse, que devia ter sido ele a
conhecer minha mãe, pois teria um filho que amava.
Nunca duvidei quando ele dizia isso, que eu
era o filho que ele tinha sonhado ter.
Quando Brian morreu, no meio de um
tiroteio, fiquei uma merda, não conseguia escrever, nem pensar, vieram os dois
ficar comigo, me arrastavam como marioneta por todos os lugares, até que
consegui me levantar. Só tinha amado o
Brian na minha vida.
Matt dizia que eu era jovem que tinha que
refazer minha vida.
Eu lhe perguntava porque não fazia isso com
a dele.
Ria muito, você acha que quero outro na
minha vida, como teu pai, nem pensar, agora faço tudo que quero, te confesso
que a única coisa boa que ele me deu, foi a ti.
Já que não queria ser teu pai, eu assumi
essa parte.
Um ano depois, minha mãe descobriu que
tinha câncer, muito adiantado, os dois fomos para Los Angeles, cuidamos dela,
pois entrou em cuidados paliativos direto, não havia muito o que fazer.
Arrumou sim suas coisas como ela dizia.
Fiquei impressionado no seu enterro, iria
ficar ao lado do Tony, mas a quantidade de gente que tinha ali, era
impressionante, ela tinha feito sua vida, conhecia as pessoas, não só as que
viviam ao lado de sua casa, mas no seu trabalho, pessoas que chegaram de
limousine, eu fiquei impressionado, para o Matt não, eles se falavam muito.
Foi outra pancada, ele ficou lá em casa
comigo, voltamos a Los Angeles, porque um advogado me chamou, eu era herdeiro
de tudo.
Da casa de Malibu, bem como do dinheiro do
banco, para minha surpresa, a casa da minha infância, bem como a loja de baixo.
Ela tinha ido ao enterro do meu avô
postiço, tinha deixado tudo para ela, menos o dinheiro do banco que deixou para
a residência que vivia.
Ela não me disse nada, pois tinha sido
justo na época da morte do Brian.
Conversamos muito, os três nessa época, ela
dizia que adorava o Matt, ele é o pai que sonhei para ti.
Agora estava a caminho de Kansas City, para
assinar a venda do edifício. O iam
demolir.
Sai de aonde estava parado, logo entrei na
cidade, o advogado tinha reservado um hotel para mim.
Só sabia o sobrenome do mesmo, Atkins, ia
jantar com ele essa noite.
Apareceu com um garoto, lindo, meio
gordinho, quando o vi, me dei conta que Atkins era o Jeffrey. O abracei com gosto, o garoto, veio me
abraçar também, sem querer pensei o Matt ia adorar ter esse menino como neto.
Nos sentamos, então soube que o Jeff, tinha
estudado ali mesmo, em seguida começou a trabalhar no escritório que estava até
hoje, tinha se casado já com quase trinta anos, que a mãe do garoto tinha
morrido no parto. A surpresa era que o
mesmo tinha meu nome.
Nunca te esqueci, essa é a verdade.
O Frank, se encostou depois em mim, sofá do
hall do hotel, dormiu, a sensação que eu tinha era imensa, passei os braços em
volta dele, ele se arrumou, seguiu dormindo.
Foi quando Jeffrey me contou a história,
não era filho dele realmente, a mãe do garoto, tinha sido abusada pelo
padrasto, ele tinha movido uma ação contra o mesmo, quando viu que estava
gravida, ele se casou com ela, para que o menino não fosse como ele um
bastardo, sem pai a vida inteira.
Foi o melhor que fiz na minha vida.
Minha mãe morreu a muitos anos, logo que
fui fazer a universidade, se meteu com quem não devia, como tinha feito a vida
inteira, a coisa acabou mal.
Quando consegui meu trabalho, pensei em
mudar de nome, pois muita gente sabia da minha vida, me lembrei um dia de tua
mãe, que me disse, eu sempre passei por puta, meu filho sempre soube o que eu
fazia, mas as pessoas falam durante um tempo, depois deixamos de ser notícia.
Foi o que eu fiz, até me tornar dono do meu
escritório.
Lhe contei minha vida, falei do Brian, como
tinha sido meu companheiro todo esse tempo, nunca tinha me esquecido dele, a princípio
nos escrevíamos, mas depois com a vida, nos afastamos.
Brian sabia de ti, dizia que ter amigos
como tu, era importante na vida.
Uma vez pensamos em vir aqui, queria te
procurar, mas justo nessa época estava trabalhando numa campanha política, não
podia tirar férias.
Sentia uma paz estar ali com ele, só no
final falamos em valores do local, não era muito, mas essa noite fiquei
pensando, já tinha demais, tinha adorado o garoto, não sei se o Jeff vai
gostar, mas vou fazer uma coisa.
Telefonei para o Matt de madrugada, ele riu muito, sabes que durmo
pouco, lhe contei a história, ele achou o máximo, vá me buscar, vou pegar o
primeiro voo para ai.
Quando ele dizia isso, não havia nada que o
segurasse.
Fui logo, que soube do voo, falei com o
Jeff, vem meu verdadeiro pai, quer conhecer teu filho.
Então vamos contigo ao aeroporto, no
caminho, eu disse ao Frank, vais conhecer teu avô.
Ele riu quando falei do Matt para ele,
soltou que complicação.
Matt nos ignorou completamente, se abraçou
ao garoto, eu ria muito, o Jeff o tinha conhecido no dia que ele veio se
despedir de mim, ali na cidade.
Foi sentado no banco de trás, de mãos dadas
como Frank, falavam os dois sem parar.
Assinei os documentos, pedi para falar a
sos com o Jeff, lhe contei o que tinha pensado, lembra-se os dois dependíamos
de bolsas de estudos para seguirmos em frente, só o Matt se dispôs a me ajudar,
meu pai me ignorou, mas eu tinha meu dinheiro.
Acabo de receber a herança da minha mãe,
bem como recebi um seguro que o Brian tinha feito, então tenho dinheiro demais,
além dos que ganho com meus livros, gostaria de colocar esse dinheiro numa
conta para o Frank, assim ele poderia ir a universidade.
Jeff, fez então o movimento, se levantou,
me abraçou, acabou me beijando na boca.
Sempre te amei, confesso que tive
aventuras, mas nunca encontrava ninguém como tu.
Fomos ao Banco, para abrir a conta de
fideicomisso, em nome do Frank Atkins.
Ficamos mais uns dias na casa do Jeff, Matt
o convenceu que devia tirar umas férias, a casa de tua mãe esta fechada, que
devíamos ir para lá.
O Frank disse que só ia, se seu avô fosse
também, lhe perguntou se sabia fazer surf, pois ele queria aprender.
Voltamos os quatro no meu carro, nunca me
senti tão feliz, a chama do que sentia pelo Jeff ia renascendo, falávamos sem
parar.
Ele confessou a parte para mim, que muitas
vezes tinha pensado em ir atrás de mim, principalmente quando sua mãe morreu,
mas tinha que vencer por mim mesmo na vida.
As férias foram fantásticas, Matt ia a todo
o lado com o garoto, apresentava como seu neto, Jeff finalmente se abriu,
fizemos o sexo que sonhamos em jovens, agora maduros, era bom demais, acabou
vendendo seu escritório, abrindo um na cidade, viviam ali na casa de tinha sido
de sua mãe, primeiro por causa dos Frank e do Matt.
Esse viveria muito, dizia sempre, agora que
tenho um neto, não penso em morrer tão cedo, o mais interessante era que nunca
falava no meu pai.
Contava a história de como me tinha visto,
esse menino sempre foi esperto, precisas estudar para ser igual a esses dois.
Só faltava o Matt aprender a fazer surf,
mas ficava da varanda apreciando o neto, eu trabalhava em casa, estava
escrevendo o roteiro de um documental sobre campanha política, ele me ajudava,
continuava tendo muita gente a que cobrar favores.
Eu me sentia jovem outra vez, agora tinha
meu velho amigo e amante comigo, bem como um filho para educar.
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