LUKE

 

                                                 

 

Me chamo Roman, Luke era meu irmão, não tenho nenhuma lembrança dele que seja má. Durante muitos anos ele foi o centro do meu universo, naquela cidade perdida no meio do pais.

Nossa casa era como todas as outras da região, de madeira, só os ricos do outro lado da cidade tinham casas modernas, de tijolos, a nossa, em alguns lugares no inverno era uma tragedia, eu aprendi uma coisa na escola, fazia uma massa de jornais velhos, com cola e água, com isso preenchia os buracos do meu quarto, senão aguentar o inverno era uma barbaridade.

Lucas se foi de casa com uns 16 anos, ele era mais velho que eu, creio que dez, nunca dizia a idade dele certa, se juntou a um grupo de Hells Angels que existia por ali.

Mas todas as semanas eu tinha meu dia com ele, adorava, ele vinha me buscar a um quarteirão da escola, eu me escondia dos meus colegas, ele quando chegava com a moto, eu subia atrás, íamos fazer algum pic-nic na beira do rio, se fosse verão, tomávamos banhos de rio, os dois pelados, eu ria muito, mas no inverno era impossível, fazia um frio de rachar, ai íamos a uma antiga fábrica abandonada, nos escondíamos em algum lugar, que o vento que fazia a curva ali na cidade, não incomodasse, ele logo queria saber como tinha ido minha semana, como se comportava nosso padrasto comigo, depois antes que minha mãe voltasse de aonde trabalhava, ela liderava um grupo de mulheres que costuravam para uma grande empresa.

Ele me levava para casa, parava ostentosamente na frente, acelerava, me dava um beijo na cabeça, depois ia embora.

Quando eu tinha 14 anos, o encarei seriamente, pois no dia anterior tinha escutado minha mãe conversar com uma amiga, estava como sempre, chegava começava a encher a cara.

A amiga dizia que tinha visto o Luke com seus amigos, minha mãe começava a contar a mesma história de sempre, eu honestamente não acreditava em nada.

Então nesse dia, fazia um frio desgraçado, estávamos no nosso abrigo na fábrica, lhe disse diretamente que estava farto das mentiras que escutava a respeito dele.

Ele mais uma vez tinha me perguntado do nosso padrasto, lhe disse que não era mais criança, queria saber da verdade.

Me olhou seriamente, me disse que me perguntava, pois nosso padrasto tinha abusado dele, quando falou com sua mãe, ela não acreditou nele.   O filho da puta, como ele dizia, levava as terras que tinham sido do meu pai, ela nunca tinha se interessado a respeito, ele fazia o que queria.

Seus amigos eram o xerife, bem como o pastor da igreja, ele sempre chegava tarde em casa, porque ficava enchendo a cara com os dois.  Nunca soube o que ele fazia com o dinheiro que ganhava com as terras, nunca dava dinheiro em casa.

Mas eu sabia aonde ele escondia o mesmo, o idiota não tinha uma conta no banco.

Os três são pédofilos, lhe disse que o filho do xerife era meu companheiro de classe, que as vezes em pleno verão aparecia com uma camiseta de manga comprida mais própria para o inverno, que nesses dias, não participava de jogo nenhum, para não ter que tirar a camisa.

Aí tem me disse ele.

A partir desse dia, começou a me contar sua história, que seu pai tinha morrido na capital, que sua mãe tinha voltado para a cidade de aonde tinha saído, foi quando começou a trabalhar de costureira nessa fábrica, reencontrou com teu pai, que tinha sido companheiro dela de escola, logo nasceste tu, mas eles nunca se casaram, por isso ela não pode tocar, nem vender a fazenda, pois será tua um dia.

Ele se lembrou de um dia que seu avô paterno apareceu, o via poucas vezes, veio com um advogado, o levou ao banco, abriu uma conta no nome dele, lhe disse ao ouvido, esse dinheiro ninguém pode tocar, é para ires à universidade, tinha também uma caixa forte, uma das poucas do banco, ali ele guardou os documentos das terras, bem como uma certidão de nascimento, seu testamento, que deixava tudo para mim.

Mal ele morreu, minha mãe colocou seu amante, tomando conta da mesma, me lembro como se fosse ontem, ela dizendo bêbada para ele, que não queria saber nada de lá, tu cuida, isso basta.

Ele bem que tentou vender várias vezes as terras, mas não podia porque não tinha documentos.

O advogado sempre parava os pés dele.  

Ameaçava quando estava com o xerife, que um dia daria cabo nesse filho da puta.

Meses depois das nossas conversas, eu via meu irmão muito nervoso, pois lhe tinha contado a história do meu companheiro de classe.   Ele me disse que vinha seguindo o nosso padrasto, bem como o xerife, para ver o que faziam.

Nesse dia, ele agora esperava que eu entrasse em casa, para ir embora, escutei gritos, era meu padrasto abusando do meu companheiro Jack, voltei correndo para a porta, meu irmão já tinha feito a curva, ia embora, fiz sinal para ele balançando os dois braços, ele parou.

Contei o que tinha visto, ele entrou como uma fera, deu um muro na cara do filho da puta, o jogando no chão, eu arrastei o Jack, puxando as calças, sangrando pelo anus.

Luke encheu o outro de porrada, nesse dia levou os dois para ficarmos com seu grupo. Antes telefonou para minha mãe, falando uma quantidade absurda de palavrões. Dizendo o que seu marido querido estava fazendo.   Meu irmão fica aqui, até a senhora tomar vergonha na cara, se ele aparecer aqui com o xerife, matarei os dois.

Jake me contou que o xerife na verdade não era seu pai, que o alugava aos amigos, para que fizesse o que quisessem com ele, que sua mãe tampouco acreditava nele, nem quando mostrava as manchas dos braços, das pernas.   Dizia que ele tinha feito isso jogando futebol, que seu marido era um exemplo de pessoa.

Nesse dia o Luke foi com outros a casa dela, a trouxe até ali, me fez contar o que tinha visto, ela só balançava a cabeça negativamente, dizia que eu estava inventando.   Ele perdeu a calma, abaixou as calças do Jack, mostrando o sangue.  Ao invés disso, ela começou a acusar o Jack de ter feito isso com seu filho querido.   Ele lhe deu um tapa na cara, ela levou um susto, Jack começou a contar o que o xerife fazia com ele, bem como o pastor da igreja, a homens que vinham de outros lugares.

Por que não fazem com o Roman?

Porque, ameacei a minha mãe, bem como ao nosso padrasto que se ele fizesse isso com o Roman, eu o mataria.

A mulher saiu arrastando o Jack, que ela não o ia deixar ali no meio desses loucos.

Mais tarde, soubemos que o Jack tinha ido parar no hospital, por uma surra que tinha levado dela, bem como do xerife, por dizer calunias.

Luke, com seus amigos, ficaram uma fera.

Nessa noite, quando fui dormir, desapareceram.

No dia seguinte a cidade estava em polvorosa, tinham encontrado na praça, que tinha um coreto, os três, nus, todos tinham um consolador de metal no cu, tinham lhes cortado a língua, bem como os genitais, ali tinha uns quantos cachorros comendo essa parte deles.

Depois meu irmão me contaria, que com o consolador de metal no cu, tinha dado uma descarga elétrica neles, no fundo um tinha matado o outro, pois eles nem tocaram em nenhum deles, os tinham obrigado a fazer isso.   A impressão digital que se encontrou nos consoladores, eram deles mesmos, usavam isso com outros garotos.

Foi um escândalo, nesse dia logo de madrugada, Luke me avisou que tinham que ir para fora um tempo, me deu um número de celular, de um desses de carregar, foi embora.

Eu adorava o chefe dele, era o homem mais bonito que eu tinha visto na minha vida, usava uns cabelos imensos, sempre presos num rabo de cavalo, só os soltava quando não estava na moto.

Me orientou como eu tinha que fazer, nunca falar nada.

Veio um xerife de outra cidade, o Jack foi quem teve coragem de contar ao mesmo o que seu padrasto fazia com ele, bem como com outros garotos da parte pobre da cidade, os alugava a todos os homens, que apareciam ali, depois iam embora.

Sua mãe, estava aterrada, principalmente depois que encontraram embaixo da casa no porão, uma estante que ele mostrou ao novo xerife, aonde estavam vídeos dele e de outros sendo abusados, bem como fotografias, caixas com dinheiro.

Ela se tocou, que tinha acreditado nesse homem, porque era xerife, nunca tinha imaginado isso.

Minha mãe ao contrário, seguia não acreditando, queria que eu dissesse ao novo xerife, aonde estava o Luke, bem como seus amigos.

Chegou a me pegar pelos ombros me sacudindo, bêbada, lhe dei um empurrão, a jogando no sofá.    Soltei tudo que tinha guardado dentro de mim, a chamando de idiota para baixo, bêbada, lhe dei uma descompostura de fazer gosto, na cara dela, esvaziei todas as garrafas que estavam ali, a deixei totalmente molhada em cima do sofá.

A partir de hoje, como essa casa é minha, a senhora arrume outro lugar para viver, abri a porta, arrastei o sofá para fora, com ela em cima, nevava de fazer gosto, joguei todas suas coisas ali, ela entrou para dormir no seu carro.

Eu fui aonde sabia que estava o esconderijo do filho da puta, encontrei mais duas caixas cheias de dinheiro, depois descobriria que o padrasto do Jack, tinha como um livro, aonde anotava o dinheiro que tinham repartido entre eles.

Quando a policia interrogou minha mãe, ela só reclamou de mim, que a tinha expulsado de sua casa, mas eu já tinha ido à polícia com o advogado de meu avô, a casa era de meu pai, minha portanto, eles nunca tinham sido casados.

Teve que ir viver num quarto alugado ao lado da fábrica que trabalhava.

Eu fiz os exames finais, falei com Luke bem como seu chefe, lhes disse que podiam ficar nas terras que eram minhas.

A policia que agora estava na cidade, no fundo não tinha nada contra eles, a não ser minha mãe falando para todo mundo, como o filho da puta era bom com ela, que seus filhos eram uns miseráveis, depois da fábrica, ia sempre encher a cara no bar da esquina.

Fiz as últimas provas que tinha que fazer, contei finalmente aos dois, o que o advogado tinha me falado, a casa era minha, bem como as terras, além do fideicomisso, que tinha no banco.

Não falei é claro do dinheiro que tinha escondido do filho da puta.

O chefe disse que eu devia pensar em ir à universidade, o mais longe possível dali.

Foi quando percebi que meu irmão estava usando drogas, que o chefe fazia tudo para o controlar, me disse em particular me levando para casa, pois Luke não podia se mover do lugar.

Me contou que o que tinham feito, tinha abalado o Luke, pois na hora meu padrasto tinha contado aos seus amigos, como gostava de abusar dele, dos filmes que tinham feito, dizia que ele gostava, não passa de um gay querendo ser homem.

Que tinha sido ele quem tinha cortado a língua dos três pédofilos.

Agradeceu, iremos viver nas tuas terras, eu cuidarei delas para ti, eu tinha vindo na moto, agarrado ao corpo dele, mas não sejas sem vergonha de ficar me abraçando assim eu tenho idade para ser teu pai, aliás ele foi um grande amigo que eu tive.

Combinamos de seguir nos comunicando, pelo mesmo sistema.

Nesse dia de madrugada ele voltou, me chamou na janela, disse para me vestir.

Me levou aonde viviam, Luke tinha tido uma overdose, falei com ele, o vamos enterrar num lugar que ele adorava, era aonde na beira do rio, íamos nadar, nada de cemitério, ele queria ser livre, lá pelo menos tem o rio que passa por aqui, sua alma seguira o curso do mesmo.

Ele só avisou o novo xerife, este depois contaria a minha mãe.

Mas antes ela dormiu na cadeia, para curar a ressaca.  Mas se negou a ir ao enterro, dizia que ele tinha matado o homem que ela adorava.

Nesse dia me sentei com o advogado, bem como o xerife, contei que ia embora, que tinha autorizado os homens que sempre estiveram ao lado do meu irmão, que o chefe deles, que tinha sido amigo de meu pai, ficassem nas terras que eram minhas.

Ele era conhecido com Iscariotes, pois se chamava Judas, fiz um documento que autorizava isso, minha mãe quando soube ficou uma fera, ela tinha colocado na cabeça que meu padrasto era meu pai.

Disse que depois que eu fosse embora ela podia voltar a viver na casa, mas que não queria mais saber dela, que tinha sido sempre uma mãe idiota, que deixasse de beber, olhe-se no espelho, ela tinha sido uma mulher bonita, mas era um caco hoje em dia.

Dois dias depois, tirei os documentos para conduzir, tinha deixado as penugens da minha cara crescer, para parecer de mais idade, eu era sim alto, nada mais, peguei a caminhonete que era do meu pai, que o filho da puta usava, os homens de Iscariotes, a arrumaram para mim.

Coloquei poucas coisas em cima.

Todo mundo perguntava para aonde eu ia, mas fiquei quieto, só fui falar com Jack, para saber se ele queria ir comigo.

Ele coitado tinha ficado com a fama de gay, disse que não, preciso saber quem eu sou, mas tenho que enfrentar minha batalha aqui, aonde destruíram minha vida.  Estava trabalhando na fábrica de roupas, aprendendo a costurar.

Na verdade, não tínhamos uma amizade, nós falávamos, mais nada.

Me agradeceu a mim e ao Lukas, o termos salvados desses homens, mas existem vídeos pelo que me disse o novo xerife, por todo pais.   Então prefiro ficar aqui, já verei mais à frente o que faço.

Sai para a estrada, na noite anterior, eu tinha estudado com o Iscariotes, o mapa, me falou dos lugares que ele tinha estado, tome teu tempo disse ele, pois eu não sabia ainda o que queria estudar, só lhe contei que amava os livros, pois era minha escapatória naquela casa.

Me falou então de Literatura, filosofia, o que eu poderia fazer, mas que eu tinha tempo suficiente para isso, vá devagar na viagem.   Riu muito me contando o que tinha feito, quando tinha se escapado da família dele.   Sai na estrada, analisei, qual o lugar mais longe, fui parar no Canadá.

Eu sabia que se fosse a NYC, era uma cidade muito grande, cara, que o melhor era para o outro lado.

Sai em direção ao Pacífico, tinha curiosidade para ir ver o mar, aonde viviam os surfistas, coisas assim, eu adorava os filmes que apareciam os surfistas, as histórias sempre eram idiotas, mas me atraia essa vida no mar.    Tinha visto num documentário, um surfista famoso, falando que quando ele estava na água, finalmente era ele mesmo, sentia que fazia parte desse elemento.

Fui devagar, conhecendo as cidades, escondi muito bem o dinheiro do filho da puta, o resto eu tinha um cartão de crédito, na primeira grande cidade, que encontrei, fui a um banco abri uma conta, apresentando meus documentos, depositei uma parte, disse que tinha recebido uma herança, fiz o mesmo em várias outras, até, ter uma boa conta.

Eu não entendi se eles tinham esse dinheiro todo, porque continuavam fazendo essa maldade.

Poderiam ter tido uma boa vida.

Falava sempre com Iscariotes, me disse que ele, bem como os homens que tinham ficado com ele, estavam cultivando as terras, que depositaria uma parte do lucro na minha conta.

Que minha mãe tinha voltado a viver na casa, que tinha outra vez ido dormir na cadeia, por causa de uma briga com a mãe do Jack, que tinha conseguido o lugar dela na fábrica, o dono estava farto das suas bebedeiras.

Me disse que o Jack, estava trabalhando lá, as vezes vem dormir aqui, me diz que sou o mais parecido a um pai que ele tem, pois não permito que ninguém abuse dele.  Creio que tudo isso o afetou muito, pois continua sendo imaturo, não é como tu, um rapaz que virou homem na marra, irás longe.

Eu nunca me esqueceria sim, do dia que fui embora, o beijo que ele tinha me dado.

Um dia encontraras uma pessoa a que amar, vá em frente.

Levei quase um ano, pois ia parando muito, para chegar a Las Vegas, estava no caminho, nesse meio tempo, tinha me desenvolvido, pois quando parava um tempo em alguma cidade, arrumava algum emprego, agora tinha uma barba cerrada, uns bigodes imensos, que eu enrolava numa das pontas, como fazia um dos homens do Iscariotes, um mexicano, sempre desconfiei que os dois tinham alguma coisa, pois estavam sempre juntos.

Depois de me deslumbrar com a noite da cidade, cheias de neon, consegui um hotel pequeno, aonde se hospedava as pessoas que não tinham muito dinheiro.

Andei pelos casinos, olhando como se jogava, observava a mesas da roleta, como faziam.

Um dia tirei um dinheiro do banco, pensei, jogarei só esse valor, se eu perco, tudo bem, não era um valor muito alto.

Fiquei parado ao lado, prestando atenção, ao meu lado tinha uma senhora, que parecia saída de um filme de terror, velha, bem vestida, mas cheias de rugas.

Observei como jogava, sempre pouco, mas sempre ganhava alguma coisa.  Ela seguia com as mesmas fichas, as que ganhava, colocava na sua bolsa.

Fiz como ela, joguei, seguindo minha intuição, sempre tinha sido bom em matemática, probabilidades, ganhei, fiz o que ela tinha feito, as fichas, coloquei de lado.  Ri muito depois, que ela me conseguiu um saco plástico, quando ganhei a segunda vez.

Um tempo depois, ela colocou a mão no meu braço, me dizendo, vê esses homens atrás, estão prestando atenção nos dois, pois agora ela jogava aonde eu jogava, tá na hora de mudarmos de cassino, trocamos as fichas fomos para outro.

Ela se apresentou, tinha um nome interessante, Marie Laforet Ford.

Me contaria depois que era ovelha negra da família.

Com ela aprendi a prestar atenção em tudo em volta.

Tens que estar ligado ao que acontece na mesa, nas pessoas que jogam, nas que observam, ela me tinha visto no dia antes.

Comemos alguma coisa, fomos para outro casino, ganhamos várias vezes, fazendo da mesma maneira.  Dali fomos para um mais longe possível.

Me convidou para ficar na sua casa.  Não se preocupe, estou velha demais para me jogar na tua cama.

Fomos buscar seu carro, um belo conversível, da Ford é claro, disse que seu marido, tinha desenhado o mesmo.   Vivia um pouco fora da cidade, uma bela casa com piscina. Os muros eram altos, eletrificados, assim se vem me roubar, pelo menos tenho tempo para me preparar.

Acabei ficando ali dois meses, me ensinou a me comportar numa mesa, os outros tipos de jogos, as cartas na sua mão tinham magia.  Me dizia, tens o dom, me ensinou todos os truques do Poker.   O mais interessante, para todo mundo eu tinha cara de ingênuo, mas me ensinou a me vestir, saímos de compras, me levou a um barbeiro, aonde fizeram minha barba, bem cortada, um belo corte de cabelos.

Pensei um dia, ela está sendo mais minha mãe, que a que me pariu.

Nos divertíamos juntos.   Um dia se sentiu mal, fui com ela ao hospital, me agradeceu esses meses, eu tinha resolvido aproveitar o que me restava da vida, então fiquei sabendo que tinha um câncer sem cura, ela tampouco fazia nenhum tratamento paliativo.

Eu tinha notado que as vezes fazia um gesto como controlando uma dor, mas não sabia do que.

Ela nunca saiu do hospital.  Me deu as chaves do seu carro, chamou um advogado, que iria avisar seu único filho, que era professor na universidade de NYC, ele é ao contrário de ti, odeia tudo isso.

Nos despedimos, me desejou boa sorte, escolha uma carreira que possas aproveitar a vida.

Nas noites que não saiamos, ficávamos vendo filmes antigos, ela tinha feito cinema, me contou que seu nome real era Marie Laforet, me mostrou as fotos, de filmes franceses que tinha feito, apenas tive a sorte ou azar de conhecer um herdeiro da Ford, fui feliz e infeliz no meu casamento, por isso resolvi fazer o que mais gostava nos meus últimos dias, jogar.

Me deu as chaves da casa, me disse aonde estava o dinheiro que tinha ganho nesses últimos meses, riu dizendo que era para eu começar a vida por todo o alto.

Eu nunca tinha visto os filmes, como tinha visto com ela, os livros, bem como os filmes na televisão tinham sido meus companheiros de infância e juventude.

Nesse tempo com ela, tinha me ensinado a observar as nuances de uma interpretação.

Me interessei, me disse que podia fazer um curso na Universidade de Los Angeles, UCLA, pois tinha um curso de artes, cinema, roteiros, de muitas outras coisas.

Me deu o telefone de uma advogada, uma amiga sua, ela te ajudará, já falei com ela.

Ele tinha achado interessante, pois ela parecia não dormir, aproveitava a noite para falar com as pessoas.

Me deu um cartão dessa advogada.

Vendi minha caminhonete, segui no seu carro, até Los Angeles, já não parei mais em cidade nenhuma.  Mas todos os dias a chamava no hospital, até que atendeu uma voz de homem, no celular, se identificou como seu filho, lhe disse que era seu amigo, queria saber como estava.

Morreu ontem à noite, com um belo sorriso na cara, acredito que descansou.

Perguntou se eu era o Roman.

Sim, foi minha amiga esses últimos meses.

Pois ela não parava de falar em ti, se fores um dia a NYC, me procure, vou levar seu corpo para casa.

Ele foi a igreja mais perto de aonde estava, para rezar por ela.

Finalmente chegou a Los Angeles, procurou um lugar na praia para ficar.  Telefonou para sua amiga, essa deu seu endereço, venha, porque vou para NYC, para seu enterro, ela ida odiar o que vão fazer, mas o filho quer assim.

Fui até ao endereço que ela tinha me dado, era uma bela casa.

Pensei como era amiga de Marie, que devia ter a sua idade.   Era muito mais jovem, lhe disse que tinha que procurar um lugar para viver, o que pensava em estudar.

Ela me contou desde o dia que te conheceu no casino, disse que esse era o filho que ela queria, pois o seu era muito pomposo.

Olha tenho uma casa em Venice Beach, que alugo, foi pagamento de um cliente que me devia, me deu a chaves, fique lá, chamou alguém por telefone, que chegou uns vinte minutos depois, era um rapaz bonito, disse que era seu ajudante, lhe deu ordens para me ajudar a me instalar, que me orientasse sobre a universidade.

Peter Ruiz, me estendeu uma mão forte, disse para ela, que ele tomaria conta de tudo.

Ele adorou a casa, comentou com o Peter, que estava perto da praia, tenho que aprender a fazer surf.   Mas no dia seguinte sua preocupação era ir à universidade.

O semestre acabava, mas ele poderia fazer por fora um curso de escritura criativa, bem como um de escrever roteiros para filmes ou series.

Não teve dúvida nenhuma se inscreveu, tinha dinheiro suficiente para isso.

Ia a universidade com o seu carro, agora sabia se comportar no lugar, agradeceria sempre a sua amiga, Marie.

Procurou se adaptar, se vestindo como os outros alunos.  Mas em seguida se desligou dessa preocupação, começou a escrever um texto sobre a vida de Luke, tudo que ele tinha lhe contado, bem como o Iscariotes, criou os personagens, de uma certa maneira era como se o irmão estivesse morrendo confessando o que tinha feito e o porquê.

Em contra partida, era como se Iscariotes contasse uma outra versão, eram similares, mas o que seu irmão tinha lhe contado era mais suave, a do amigo era mais crua.

Falava dos abusos, desde que ele tinha chegado na casa, até que ele saiu.  Depois os anos que levou planejando sua morte, bem como a tinha realizado, a ideia do choque, com os homens todos com consoladores de metal no cu, era de uma maldade suprema, pois todos eram muito brancos, ficaram como que negros.

Luke, sabia que ali no coreto tinha energia, pois quando realizavam concertos, se acendiam luzes, se precisava as vezes de tomadas para as bandas de rock.   Ele sabia aonde fazer isso.

Tinha sido uma vingança perfeita, a não ser porque o padrasto tinha contado a todos o que tinha feito com ele.

Isso o tinha desestabilizado, mesmo com toda a ajuda e apoio do Iscariotes, não tinha funcionado.

Se fosse hoje em dia, ele tinha certeza, que teria ajudado o irmão na sua vingança.

Falou com Iscariotes, para saber como iam as coisas, tinha recebido no dia anterior, uma correspondência do banco, relativa à remessa que ele tinha feito.

Este comentou que sua mãe tinha acabado perdendo o emprego, pelas confusões que tinha arrumado na fábrica.

Veio falar comigo, dizendo como o campo era seu, eu lhe devia pagar um aluguel, queria saber aonde estavas, disse que não sabia, mas a consegui segurar aqui, até que veio o advogado com o novo xerife, com isso se esclareceu de vez que ela não tem direito a nada, nem viver na casa que vive.   Fez um escândalo de fazer gosto, mais uma vez acabou dormindo na cadeia.

Iscariotes comentou que tinham ficado poucos homens lá, mas o que estavam queriam o equilíbrio que tinham encontrado.

Apresentou o texto inteiro, primeiro na aula de escritura criativa.

O professor veio falar com ele, pois achava o texto excessivamente forte, cru.

Mas o senhor me desculpe, mas a história é justamente essa, escrevi baseado num fato real.

Ele argumentou que as pessoas não gostavam muito da realidade.

Por um acaso comentou com o Peter, esse avisou que a amiga de Marie já estava de volta, quando falou com ela por telefone, lhe pediu que trouxesse uma cópia.

Ela foi dura, pense, a maioria que dá esse tipo de curso, são escritores que escreveram um ou dois livros, mas depois não conseguem fazer mais nada, eu vou ler, tenho como a Marie, uma série de amigos que são editores.  

Fran Sauders, era como a Marie, conhecia muita gente, agora pelo uma vez por semana se encontrava com ela para conversar.

Ela perguntou se ele estava só usando o dinheiro, ou aplicando o mesmo, porque dinheiro parado não ia em frente.

Passou a aplicar através dela, uma parte do dinheiro.  Mas fazia como nos jogos, investia uma certa quantidade, o lucro, ele devolvia como ela lhe ensinou ao banco, seguia sempre fazendo o mesmo, era uma maneira segura.

Foi lhe apresentando uma série de pessoas, que no futuro, seria importantes para ele.

O professor de escritura para roteiros, ele entregou o texto original, bem como o que tinha criado em cima para fazer um filme.

O professor elogiou o dois trabalhos, creio que um filme seria interessante.

Fran tinha mandado o texto para um editor seu conhecido em NYC, que lhe chamou dois dias depois, comentou com ela, que o texto era cru demais, mas que tinha lido de cabo a rabo.

Estava interessado em publicar.

Ela era especialista nisso, ficou como sua agente, foi com ela a NYC, foram conversar com o mesmo, ele só tinha feito duas observações, normalmente eu faço muitas com os escritores da sua idade.

O livro ia ser publicado, o editor disse que quando muito poderiam vender o texto para um filme, mas para uma série era difícil.   Ficou qualquer coisa de falar com Fran.

Ele mandou uma cópia do texto para Iscariotes, esse chamou em seguida, li de uma tacada só, fiquei impressionado, nunca imaginei que me tivesses escutado realmente.

No momento que conversamos, penseis que estavas aturdido, mas vejo que não, absorveste justamente o que eu lhe dizia.

Não sei como será recebido aqui, embora realmente para se comprar um livro é necessário ir a outra cidade, pois nessa é difícil.

Contou para ele que Jack agora aparecia sempre para conversar, lhe passarei, assim que acabe de reler o texto inteiro.

Aproveitou para lhe fazer uma pergunta, se ele poderia, lhe contar a história de seu pai, pois pouco sabia dele.   Inclusive o Luke tinha comentado na conversa que tinham tido, que tinha tido uma morte muito estranha.

Quando queria me fazer esse entrevista senhor escritor, marque, mas vamos fazer uma coisa, irei me encontrar contigo.

Vou ver se recupero, na época que ele morreu, saiu muitas coisas no jornal que existia aqui naquela época, quem escrevia era um outro amigo nosso, hoje vive em Sacramento, te passarei o contato, quem sabe ele tem mais coisas.

Quando avisou que estava pronto, marcaram justamente de se encontrar em Sacramento.

Iscariotes fez a maior gozação quando o viu chegar com o carro que lhe tinha dado Marie.

Se alojaram os dois num motel desses de beira de estrada, lhe passou todos os recortes que tinha a respeito de seu pai.

Ficaram dois dias conversando sobre o mesmo, Iscariotes tinha sido amigo dele desde criança, este tinha tido uma infância também complicada, no caso dele era ao contrário, tinha uma madrasta que jogava seu pai contra ele.

Imagine que a única coisa que meu pai tinha era uma oficina mecânica, pois ela tanto fez que ele deixou para ela de herança, mal ele morreu, no dia seguinte vendeu ao melhor postor, indo embora da cidade.

Anos depois a encontrei num motel de quinta categoria, lá pelos lados de San Luis, se prostituindo, por sorte não me reconheceu, inclusive se ofereceu para mim.

Ainda pensei em lhe fazer uma maldade, mas resolvi que não valia a pena.

Nessa época da minha infância, teu pai era meu único amigo.  Ele tinha sérios problemas de relacionamento com teu avô, pois esse o tinha encontrado se beijando justamente com esse outro amigo que vai conhecer.

A partir desse momento, o velho, andou atrás dele como um carrapato, o controle era férreo.

Não lhe permitiu ir à universidade, porque achava que nas universidades, existiam um bando de degenerados.

Nessa época apareceu tua mãe, já com o Luke junto, vinha de algum lugar, mas quando perguntavas, ela sempre dizia outro diferente.

Não sei como fez, mas manobrou teu pai, sabia que ele era de uma família com dinheiro, embora para ele isso não fosse importante, nunca tinha sido feliz.

Logo nasceste tu, ele ficou como louco, pois dizia que sempre queria ter sido pai, ainda mais que Luke te adorava, o queria também como um filho.

Mas teu avô não permitiu que eles se casassem, como as propriedades estavam no nome dele, dava uma mesada nada mais ao teu pai.

De um lado ele sofria a chantagem de tua mãe, que queria se casar, para no futuro ser dona da fazenda, ou mesmo da casa.

Mas o velho era duro, a chamava sempre de lambisgoia, dizia que ela nunca colocaria a mão no dinheiro dele.

Mas o que desequilibrou teu pai, foi que voltou a ver o homem que ele tinha amado, veio visitar a família, tinha acabado a universidade, iria agora dar aulas na mesma.

Quando viu que teu pai tinha uma família, não quis se envolver, me contou depois, que na verdade tinha ido para busca-lo, mas ao ver que tinha um filho, uma mulher, desistiu.

Só soube muito mais tarde que eles não eram casados.

Teu pai se agarrou a mim, que tinha voltado da guerra, comprei uma moto, sai por aí, nos passeios mais perto, ele ia, porque sabia que eu voltaria no mesmo dia.

Andava sempre deprimido, seu único consolo, eras tu, bem como o Luke, para este ele era o pai que não tinha tido.

Tua mãe ao contrário, nunca se aproximava muito dos dois, deixava os cuidados dos dois, tudo nas mãos dele.

O encontraram enforcado, falou-se muito em suicídio.   Eu criei uma baita confusão, pois não era tonto, fizeram a autopsia, o tinha estrangulado antes de o colocar como enforcado, creio que a pessoa que o fez, esperava que isso disfarçasse o assassinato.

Sempre me preocupei pelo meu amigo, pois era a pessoa mais solitária que conheci, se eu não estava, estava sozinho.

Tua mãe começou a trabalhar na fábrica, para se livrar de ter que criar os dois.

O velho um dia apareceu na casa dele, fez o maior escândalo, pois o viu cuidando dos dois, como se fosse a mãe de vocês.

Ele ficou muito deprimido, mas nunca se encontrou ninguém para ser o assassino, inclusive insinuaram que tinha sido teu avô, mas ele nem estava aqui, estava fora a negócios.

As pessoas falaram muito, na época tua mãe, já andava com esse sujeito, ele ia busca-la na fábrica, para tomar um drink, quando teu pai reclamava, ela atacava, que ele tinha nascido com alma de mulher, que gostava de ficar em casa cuidando dos dois.

Mas precisava respirar, depois de um dia duro.   Como ele não precisava trabalhar, tocava a ele fazer o papel de senhora da casa.

Acredito, mas não tenho prova nenhuma que foram os dois que o mataram.

Ela arrumou a maior confusão, pois quis reclamar de teu avô a fazenda, bem como a casa, mas o velho era mais esperto que ela, se negou a lhe dar inclusive uma pensão, ela pensava assim largar o trabalho chato que fazia, deixaria os dois para trás.

Pior que era uma idiota, comentava isso com todas as mulheres da fábrica, que agora com a morte do marido, pelo menos teria dinheiro.

Mas não conseguiu nada, pois teu avô tinha tudo amarrado, inclusive fotos comprometedoras dela com vários homens, mas ultimamente com teu padrasto, que ninguém sabia de aonde tinha saído.

Logo que chegou aqui, ele fez amizade com o xerife e com o puto sacerdote.  Acho que tinham se conhecido durante a guerra.

O xerife, apesar de se falar e provar que ele tinha assassinado, ficou quieto.

Quem me contou essas coisas, foi um policial, que não concordava como levavam as coisas, o xerife o colocou no olho da rua.

Foi embora daqui, mas antes contou da suas suspeitas, bem como que eu tinha razão.

Logo se casou com o outro, o resto você já sabe, a principio tinham uma senhora que teu avô pagava para vir cuidar da casa, bem como dos dois.

Ela dizia para quem quisesse ouvir, que ele devia era dar dinheiro para ela, para cuidar do neto, mas isso ele nunca fez.

Ele tinha sim medo, que ela ou o filho da puta te matasse, atrás da herança, por isso amarrou tudo antes do tempo.

No dia seguinte foram se encontrar com o homem que seu pai tinha amado.

Ainda era um homem bonito, com os cabelos ficando branco.  contou que era professor na universidade, já tinha lido o livro editado, principalmente ao ver seu sobrenome.

É um belo trabalho, podemos dizer que cru demais, mas perfeito.

Levaram dias conversando, ele como Iscariotes, tinham sido amigos de seu pai desde criança, na adolescência quando só os dois estudavam, se apaixonaram, acho que uma coisa levou a outra, nos encontrávamos as escondidas, na casa de teu avô tinha um porão, teu pai arrumou ali um lugar segundo ele para estudar, os dois descemos um velho sofá.

Ali fizemos nossos primeiros encontros sexuais.  Nunca contamos para ninguém.

Um dia o velho nos viu, fez o maior escândalo, chamou meus pais, nos deixou os dois nus nesse porão.   Quando meus pais chegaram, escutaram tudo, me levaram para casa, no dia seguinte me mandaram para cá, na casa de uma tia.

Encontramos uma maneira de passar uma correspondência entre os dois, através de Iscariotes.

Porque se mandava para casa do teu avô, nunca a veria, o mesmo se fosse para a minha, minha tia as queimava, dizia que eram frutos do pecado.

Depois quando terminei a faculdade, fui até lá na esperança de traze-lo para viver comigo, mas era tarde, já tinhas nascido, tinha além de ti o Luke que ele considerava seu filho.

Disse que era impossível, ir embora comigo.

Sem querer me dei de cara com teu avô, que eu sabia que não tinha consentido o casamento deles, mas mesmo assim não nos apoiou.

Eu voltei para cá, em pouco tempo soube que tinha se enforcado.

Eu sempre o amei, nunca mais consegui ter ninguém na minha vida, pois buscava homens que se parecessem com ele.

Eres tão bonito como ele.  Te olho parece que o estou vendo.   Mas tem uma coisa que eres diferente, foste à luta, sabes escrever, ele ia adorar como o fazes.

Quando voltou Fran disse que tinha um produtor interessado em ver o texto que ele tinha escrito para fazer um filme.

Mas nas entrevistas não gostou, o sujeito pensava em açucarar muito a história, fazer um Love Story gay, disse que não lhe interessava, ou era como tinha escrito ou nada.

O sujeito ainda lhe aumento o valor, mas ele disse que não.

Começou a escrever a história de seu pai, mudou o nome do Iscariotes, bem como do James, havia uma parte mais crua, que era a relativa a sua morte, como o xerife tinha escondido a verdade.

O Iscariotes, que agora era amigo do novo xerife, tinha conseguido uma cópia da sua autopsia, o que lhe deu margem para fazer isso mais duro e interessante.

Quando o livro foi lançado, foi a NYC para o lançamento, Fran também foi, marcou um jantar com o filho da Marie.

Era um homem alto, Peter Ford, atraia as atenções aonde entrava, pois tinha um tipo espetacular, bem como era muito másculo e bonito.

Finalmente nos conhecemos, foi o que disse ao apertar suas mãos.

Passou todo o jantar flertando com ele, mas só ele falava, entendeu então o que Marie dizia do filho, era como se fosse o centro do mundo.

Num determinado momento, comentou que tinha lido o livro, que se parecia a Jean Genet, Fran discordou completamente.

Lhe perguntou se tinha lido Jean Genet, só respondeu que tinha lido no original francês, nada mais.

Nisso chegou um homem, que ele entendeu que era o companheiro do Ford.  Tomaram café, este lhe fez uma pergunta, que tal tinha sido o convívio com a mãe do Ford.

Foi o melhor que me podia ter acontecido, uma mulher impressionante, no pouco tempo que estive com ela, basicamente me transformou no que sou hoje.  Sua inteligência era uma coisa a parte. 

Fran concordou perfeitamente, fez o mesmo comigo.

Falou de mim, perguntou Ford.

Sim, vejo agora que tinha razão completamente.

O que disse?

Que eras pomposo, que pensavas que eras o centro do mundo, que eras inteligente, mas não o suficiente para entender a vida com ela mesma.   Uma vez lhe mandaste uma carta, ela corrigiu todos os erros de gramática que tinha nela, que escrevias muito mal.   Falavas demais, mas eras oco por dentro.   Que agias com as pessoas como um encantador de serpentes, que foi o que fizeste comigo desde que chegaste, mas eu venho de outro mundo, nada a ver com o teu.

Ficou super ofendido, se levantou indo embora.   O outro não parava de rir, digo isso sempre a ele, nem sei por que mantenho hoje em dia amizade com ele, pois o amor que eu sentia foi para a casa do caralho.

Adorei o livro que escreveste, fui eu que comprei, esse é um mão de vaca, acha que as editoras têm obrigação de lhe mandar os livros, como é mal educado, hoje em dia, ninguém lhe manda nada.

Concordo com Fran, não tens nada de Jean Genet, eres mais cru, retratas uma realidade americana, nossos homens voltaram das guerras todas, com as cabeças torcidas, entendo que não falas disso.

Me horroriza até hoje os abusos a menores, eu sei disso, porque eu mesmo sofri disso.

Ficaram conversando um bom tempo.

Jacques Landon, lhe ofereceu um cartão, quando vieres me procure.

Fran disse que ele tinha alugado a casa que já te hospedaste uma vez, quando vais nos visitar.

Assim que acabar o texto que estou escrevendo, terei um tempo livre.

Depois sozinho com a Fran, ela soltou rindo muito, Marie fazia o mesmo que fizeste, acabava com a pomposidade do filho.   O mais interessante, ele esperava que ela tivesse uma herança imensa para deixar para ele.   Acontece que a Casa de Las Vegas era alugada, ela já tinha distribuído todos seus bens, para orfanatos, ongs, coisas do gênero, para ele nada.

Sei por que me contou que esses meses que ficou contigo, se divertiu mais na vida, tive que ficar velha para encontrar um filho que devia estar destinado a alegrar minha vida no final.

Ela sabia que ia morrer, não fez nada dos cuidados paliativos.

Voltou para Los Angeles, estava escrevendo a história de um transsexual, que tinha conhecido, toda sua trajetória, desde uma cidade no cu do mundo, até a atualidade, hoje em dia era psicólogo, ajudava as pessoas.

O levou com ele, queria que conversasse com o Jack.

Foi quando descobriu que estava vivendo com Iscariotes, o resto dos homens tinham ido embora, viviam os dois no campo, ele ia todos os dias a cidade, para trabalhar.  Ocupava agora o lugar de sua mãe na Fábrica.

Iscariotes, participava com eles na conversa.

Um dia o chamou a parte, disse que estava dando um pouco de dinheiro para sua mãe, pois a tinha visto roubando comida nos supermercados.  A levei ao médico, tem câncer, mas não se cuida, o fígado já foi para a casa do caralho, de tanto beber.

Foi com Iscariotes até a casa, já pelo lado de fora dava pena, caia aos pedaços, dentro era pior, era como uma lixeira, tinha síndromes de Diógenes, trazia todas as merdas que encontrava na rua para casa.

Olhou para ele, soltou, estas parecido com teu pai.  Uma lastima não ter amado como ele merecia.  Virou-se para Iscariotes, tu sim o amaste sempre, verdade.

Dois dias depois a polícia veio até o campo para dizer que ela tinha feito um escândalo imenso no hospital, pois estava mal, mas não queria tomar banho para ser examinada.

Tiveram que seda-la, para que a pudessem limpar.  O médico disse que não pode fazer nada, pois não para de beber.

Durou mais uns quantos dias.

Depois do enterro, em que foram somente eles, sentou-se com o advogado, colocou o terreno da casa a venda, já que esta estava para cair.  Ele lhe entregou uma caixa, ela me pediu que lhe entregasse isso, depois de sua morte.

Iscariotes, iria se juntar ao seu velho grupo, ele convenceu junto com o psicólogo do Jack o acompanhar, lá poderia ser ajudado.

Mas ele disse que não, amava o Iscariotes, iria com ele.

Colocou as terras a venda, a mesma saiu antes da venda da casa, pois as terras eram boas.

Ele só tocou na caixa que sua mãe tinha deixado, quando chegou em Los Angeles.

Eram vários diários, numerados, o primeiro era de uma adolescente, dizia que uma professora tinha falado com as garotas que escrevessem sobre o que sonhavam.

Seus sonhos era da típica adolescente que quer ser artista de cinema.  O texto era super superficial, como a iriam descobrir, que seria lançada a fama.

Não menciona sua família, nem tampouco como vive.

O segundo já era depois de um pulo, ela durante a gravidez do Luke, que odiava o mesmo antes dele nascer, era fruto do relacionamento dela com um diretor de teatro.   Esse disse que como ela, existiam muitas loiras burras no mundo.  Nunca assumiu o filho.

O jeito, como sempre tinha costurado suas próprias roupas foi ir para o interior.

Nem tinha noção direito como tinha chegado ali, seu único comentário era que seu carro velho não ia adiante, sua ideia era ir a Los Angeles, ser atriz em Hollywood.

Sem carro, sem dinheiro, arrumou para trabalhar na fábrica, costurando, logo conheceu o seu pai, percebe que ele é uma pessoa manejável, mas seu pai não permite que se casem, apenas lhes dá a casa para viver, quando percebe que está gravida, tenta abortar, mas descobre tarde demais, já lhe bastava um filho, dois, seu sonho de ser atriz se esfuma.

Rouba descaradamente tudo que seu pai ganha com as terras, como confessa, que rouba alguma coisa das companheiras da fábrica.

É quando conhece num bar aonde vai curtir suas frustrações o que viria a ser seu padrasto, mas confessa que nunca se casou com ele.   Os dois tem uma coisa em comum, bebem demais.

Numa dessas bebedeiras, vão até o campo, matam seu pai, resolvem encobrir, forjando um suicídio.   O xerife que é amigo de bebedeiras dos dois ajuda.

É quando começa a ajuda-lo com os garotos que abusam, gravam os mesmos, para vender depois os vídeos por internet.

O filho do xerife é adotado, ou seja Jack não é filho dele, tampouco de sua mulher, por isso nunca dá atenção.

As duas sabem de tudo, mas fingem que não vêm.

Quando Luke reclama que está sendo abusado, se cala, pois esse homem é a única esperança que tem, também a ameaça de dizer que ela matou meu pai.

Ou seja entre eles existe uma manipulação total.   Seus sonhos parecem poder seguir adiante, quando meu pai morre, mas se lasca completamente, quando o velho lhe frusta essa saída, colocando todas as propriedades em nome do neto, bem como o dinheiro, ao que ela nunca pode ter acesso.

Planeja matar o filho para conseguir isso, mas Luke de uma certa maneira frusta tudo, pois mata o homem com quem vive, bem como o xerife e o pastor que participa de tudo.

Cada vez vai caindo mais no álcool, quando perde o emprego, o que escreve nunca tem sentido, sempre chama o Luke, bem como a ele, de filhos da puta, pois estragaram sua vida.

Ela nunca tem culpa de nada, sempre são os outros.

Ficou na dúvida sem saber se escrever a respeito, no fundo, ele que vive em Los Angeles, sabe que nas portas dos Estúdios, existem mil loiras como ela, nunca sairia das loiras que fazem pontas.

Resolve contar a história de outra maneira, de uma loira dessas que conta sua história, num dia atendendo um cliente como prostituta, ele pergunta como ela chegou até ali.

Conta seus sonhos de jovem, que seria uma atriz fantástica, que na verdade deixou dois filhos para trás, que nunca chegou a nada, além das pontas em filme, entrando sem dizer uma palavra, saindo pela outra porta, até que começa a se prostituir.

Sabe dos filhos, por uma amiga de sua cidade.

Um se perdeu nas drogas, o outro seguiu em frente.   Um dia vê numa livraria, um livro, reconhece o nome do escritor, é o seu filho pequeno, se coloca na fila, para conseguir um autografo, mas ele não a reconhece.

Faz tudo para se aproximar dele, mas os seguranças não permitem.

É quando se olha no espelho, o que vê refletido, é uma velha de mal aspecto, com os dentes maltratados, cabelos com a raiz branca aparecendo, uma roupa de segunda mão que fica horrível nela.   Entende, quem ia querer uma mãe assim, que não passa de uma puta velha.

Fez o texto de um realismo cruel, pois na verdade isso acontece mil vezes na cidade maldita de Hollywood.

Já não voltaria mais para sua cidade, comprou a casa que tinha alugada de Fran, ela funcionava como sua agente, acabou aceitando vender a mesma.

Tempos depois o Jacques apareceu, foi inclusive ao lançamento de seu livro, conversam, conta que não pode escrever a realidade de sua mãe, por isso criou essa história sobre todas as putas e loiras burras de Hollywood.

Desta vez vende os direitos, do filme para um amigo do Jacques, começam a conversar, sem querer começam um relacionamento.

Jacques conta como se apaixonou pelo Ford, primeiro pela aparência, primeiro me deslumbrei ter um relacionamento com um homem tão rico, pensava que ele sendo professor na universidade tinha muita cultura.    Mas quando estava com seus amigos gays, a conversa sempre era a mesma, acabei ficando como seu amigo.  A máscara foi caindo, um dia conheci sua mãe, me disse na cara que não perdesse meu tempo se queria ir em frente.

Ela como mãe tinha se decepcionado com o filho, pois lhe tinha dado todas as oportunidades.

Por isso foi embora para Las Vegas.   Falava sempre com ela, no dia que te acolheu, me contou que finalmente tinha encontrado um filho como queria.    Eu fui para lá, para acompanhar seus últimos momentos, Ford, dizia que não sabia o que falar com ela.

Nos momentos que estávamos a sos, me contou como eras.   No dia que te conheci, já tinhas vencido na vida.  Quando depois de aguentar o Ford, ele fez a pergunta que nunca deveria ter feito, eu acabei rindo, pois ele não esperava que fosses franco com ele.

Ficou uma fera, quem pensavas que eras para falar assim, eu ainda argumentei que tinhas falado o que ela sempre falava para mim, para a Fran.

Os dois acabamos deixando de falar nele.

Agora só anda com gente jovem que conhece nas Saunas, nos lugares públicos, ele que sempre teve horror a discotecas, agora vai atrás de algum jovem que o ache um coroa bonito.

Estão mais é atrás do dinheiro que pensam que ele tem, mas não lhe sobra muito da maneira como vive a vida.

Devias escrever uma história baseada nisso, “pobre menino rico”.

Quem o estragou foi o pai, que vivia brigando com a mãe, por querer colocá-lo com os pés no chão.

Os dois se davam bem, ele agora escrevia alguma história que pesquisava, buscando a mesma nos jornais.

Uma fez um sucesso incrível, escreve sobre um adolescente, vindo como emigrante do Mexico, acabou como gigolo de velhos, lhe acusam de ter matado um.  Ele insiste em sua inocência, começa a ir ao presidio que está, contrata um advogado, pois só teve um de oficio, que descobre todos os erros do processo, quando se prova sua inocência, o ajuda a estudar, a procurar um futuro.    Jacques acompanha todo o processo com ciúmes, pois vê que ele é o extremo oposto do Ford, que faz as coisas como devem ser feitas.

Ele nunca criticou o Jacques por ter vivido o tempo que lhe pareceu necessário para ser alguém nas sombra do Ford.

Ramirez, finalmente pode estudar, ocupa um lugar na casa, usando um quarto pequeno, na traseiras da casa.

Quando consegue entrar para a Universidade com uma bolsa de estudos, ajudado por ele, agradece muito, mas continua a viver ali.

Nesse tempo Jacques recebe um convite para ir para a Universidade de Berlin, trabalhar com literatura americana.

Se separam, tempo depois, Ramirez, lhe diz que desde o momento que o ajudou, ficou apaixonado.  Mas levam mais de um ano para iniciar um romance.

Já são companheiros a 15 anos, ele continua escrevendo.

Ramirez é considerado um gênio em Matemática, é convidado para ir para o MIT, mas se nega a separar dele.   Contigo tenho equilíbrio, tenho medo, pois eres o centro da minha vida.

Por mais que procure, nunca mais teve notícias de Iscariotes, tampouco do Jack.

Seu livro póstumo, seria justamente sobre isso, os homens que representaram tanto na sua vida, Luke, Iscariotes, Jack, Ramirez.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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