ANGEL ROMAN

 

                                           

 

Matt Level, estava no trem em direção a Bérziers, para atender um pedido da diretora da Vogue francesa, não lhe podia negar nada, pois ela o tinha ajudado a pouco tempo.

A velha história, tinha ajudado um jovem saído do nada a ser um manequim, quando este caiu em desgraças, por causa das drogas, o acusou de o ter metido nisso.

Nada mais longe da verdade, ele odiava as drogas, tinha perdido um irmão por causa disso, ele bem como sua irmã mais velha, odiavam qualquer referência a isso.  Tinha isso, além de uma acusação de abuso sexual, mas fora de lugar, tudo bem ele era gay, isso não escondia, mas se colocando ao lado do manequim, ele era um nada, tinha 1,65 metro de altura, o outro quase 1,90, como podia ter abusado dele.

Tinha uma norma também, nunca se envolvia com os manequins com quem trabalhava, sabia que eram complicados, ou melhor dizendo problemáticos, se podia avisar de todos os perigos, mas nunca escutavam, eram loucos pelos famosos cinco minutos de fama.

As ordens que tinha, era, ir até uma confecção fora da cidade, tinha o nome da diretora, fotografar uma coleção masculina, diferente, ele perguntou que manequim usaria, ela riu dizendo que ele já descobriria.

Desceu na estação, estava moído, essas viagens de trem, era realmente para quem gostava, ele preferia o avião, mas com o material que trazia, era mais difícil.

Na estação, lhe esperava uma senhora, um tanto quanto fora do peso normal, para não dizer gorda, mas com um sorriso na cara impressionante.

O abraçou, como se o conhecesse de muitos anos, inclusive o ajudou a carregar suas coisas, isso normalmente as pessoas não faziam.

No carro lhe foi explicando, que a fábrica, ficava um pouco fora da cidade, perto de Sérignan, em direção a praia.   Usamos uma velha igreja abandonada, graças as irmãs de um orfanato, quase ao lado de nós.

Foi comentando a paisagem, se gosta de praia, aproveite, é fora de temporada, mas a água está apetecível, ele foi achando engraçado, pois normalmente os donos de fabricas, se achavam acima do bem e do mal.

Esta aproveitou, para lhe explicar que na verdade eram um grupo de mulheres, vindas de muitos lugares, a maioria com problemas sociais, abandonadas, maltratadas, as irmãs do orfanato as ajudaram a princípio, inclusive a mim mesma, venho de Paris, conheço o mundo da moda, por isso me ofereceram dirigir, a diretora da revista me conhece, quando a convidei para vir passar uns dias aqui na praia, se encantou com o tipo de roupa que fazemos, trabalhamos com linho, temos uma loja em Sete, outra em Marseille, assim sobrevivemos, principalmente no verão.

Ele ia perguntar sobre o manequim, ela se adiantou, me disse que usasse o Angel como manequim, é um rapaz que saiu do orfanato, o chamam assim, pois foi encontrado na igreja, embaixo de uma imagem do Anjo Gabriel, então ficou com esse nome.

Gabriel, disse ele?

Não, Angel, pois tinha cara desses anjos barrocos.

Veja é um rapaz especial, aprendeu a costurar, fazer tudo na fábrica, antes mesmo que as mulheres, basta dizer o modelo, que ele já está preparando a mesa de corte, sabe fazer de tudo, inclusive alguns modelos são dele.

Depois a irmã superiora do orfanato lhe fala mais dele.  As mulheres o respeitam, ele é o único homem que trabalha na fábrica.

Quando outros rapazes da redondeza, tentaram fazer bullying com ele, sabia se defender, inclusive dizendo que ele pelo menos trabalhava, não estava tentando enganar os turistas, nem vender drogas.

Foi fazendo uma imagem do mesmo.  Mas caiu do cavalo, quem veio ajudar a tirar as coisas do carro foi justamente ele, educadamente lhe estendeu a mão, se apresentou, era altíssimo, 1,85 mais ou menos, ou talvez até mais.

Olhos azuis, quase translúcidos, cabelos loiros cacheados, realmente como os anjos barrocos de igreja, mas com um corpo de fazer inveja a muita gente, muitos que deviam ir ao ginásio não tinham esse corpo.

Disse a diretora, que tinha preparado a antiga sacristia, para fazer as fotos.

A câmera vai engolir esse rapaz, dizia isso quando sabia que a pessoa seria fotogênica.

Sem o menor problema, o foi guiando, o apresentando as costureiras, dizia o nome, de aonde eram, elas seguiam trabalhando, levantavam a cabeça, balançavam a mesma.

A diretora explicou que estavam atrasados com a produção para o verão, por sugestão da sua amiga, acrescentamos mais modelos de verão para a temporada.   Muita roupa de linho para os homens, sinalizou a maioria desenho do Angel.

Realmente ele devia ter preparado a antiga sacristia, estava completamente vazia, era um espaço grande.

Só estavam ali, um desses expositores de loja, de metal, com muita roupa pendurada, era o único, o resto segundo o rapaz, seria agora ele escolher o que queria.

Depois o arrastou com a diretora atrás, ela lhe disse baixinho, ele é assim mesmo, uma pessoa natural, sem malicia nenhuma foi mostrando tudo, como faziam a montagem das costuras, ideia da senhora, a sala de corte, explicou que o linho era fabricado ali na região.

Falava direito com um ligeiro sotaque do sul da França, mas falava corretamente.

Esse poderia até ser ator de cinema, pensou.

Tinha uma certa ingenuidade, que podia ser perigosa no mundo de hoje, numa grande cidade como Paris.

A irmã superiora nos espera para almoçar disse a diretora.

Perguntou a Angel se ele vinha também?

Não senhora, comerei com as costureiras, ajudei a preparar pela manhã a comida de todas.

Foram só os dois, ela ia comentando, é aqui perto, mas imagino que o senhor não está acostumado a andar tanto.

Nada disso, aprendi a fazer largos passeios por Paris, sem querer se viu contando a ela sua história, a dois anos, os trabalhos ficaram escassos por causa dessa denúncia.

Mas vivo com minha irmã, ela sempre administrou tudo para mim, tem uma cabeça privilegiada, para isso, me obrigava a sair de casa, caminhar, pensar na vida. Acabou dando tudo em nada, pois realmente eu não tinha a culpa absolutamente, o rapaz queria era dinheiro, pois perdeu tudo em drogas.

Por mais que se fale, avise dos cinco minutos de fama, nunca estão preparados, se deslumbram com esse mundo.

A irmã superiora, se parecia muito a diretora pela maneira de ser, o recebeu bem, almoçaram os três a parte.

Sei que o senhor vai usar o Angel como manequim, só lhe queria avisar, esse rapaz é especial, infelizmente foi adotado duas vezes, as duas voltou para cá, a primeira abusaram dele, na segunda vez, como era maior se defendeu.     A assistente social, acabou indo para outro lugar, pois recebia dinheiro para isso.

A beleza dele atrai, da segunda vez, ele tinha 13 anos, já tinha noção do que acontecia, fez um bom escândalo, acabou aqui de novo, me pediu que não o desse mais em adoção, que preferia ficar aqui, até ter idade.   Nessa época, indicou a diretora, ela veio aqui, começou a ensinar algumas irmãs a costurar, tinha trabalhado numa grande casa de moda em Paris.

A fábrica começou dentro desses muros, Angel, pediu se podia aprender, seria um modo dele se virar quando saísse daqui.

Foi o único que se interessou, depois sempre foi de ajuda, nunca fez corpo mole para nada, agora mesmo vem nos finais de semana, cada grupo de pavilhão, que é por idades, uma das irmãs dorme para controlar esses garotos, ele vem a substituiu no final de semana, diz que elas precisam descansar, dormir direito. 

Os pequenos o adoram, pois antes de dormir, se senta no centro do quarto, lhes conta história.

Depois coloca cada um na cama, como ela faz.

Por isso gostaria que o senhor fosse com cuidado com ele, a senhora da Vogue quando o viu ficou deslumbrada, com sua educação e beleza.

Quase soltou que ele também.

De tarde começou a montar um fundo infinito, com a ajuda dele, com um rolo de linho cinzento.

Depois pediu que ele fosse provando as roupas para ver como faria.

Todas a roupas eram simples, em sua cabeça deu um estalo, como era a praia ali perto.

Foi com a diretora e Angel dar uma olhada.

Disse que preferia fazer as fotos a maioria na praia, pois ficaria mais interessante, teríamos que fazer essa parte muito cedo, pois o sol do meio-dia para fotografia era uma merda.

Nem se tocou do palavrão, escolheu os lugares, assim também não necessitas de nada de maquilagem, eu odeio, nos grandes desfiles, acham que tem que ter, mas eu prefiro sempre a cara lavada, é mais natural, além que com esse tipo de roupa encaixa melhor.

Olhou todas as camisas, perguntou por que elas não pintavam um lado da mesma, motivos marinhos, peixes.

Ela ficou rindo, pensávamos que eram só as de cores, na volta Angel o levou a parte do armazém, mostrou as camisas que ele mesmo pintava.

Ele adorou todas, vamos misturar isso, ok.

Faremos primeiro aqui na sacristia, depois faremos basicamente o mesmo na praia.

Aproveitou o final do dia, o sol caia, batendo sobre os desenhos das vidreiras antigas, a maioria já não tinha imagens, mas sim cores.

Se preparou, montou a primeira roupa com ele, calças folgadas de linho cinzento, com uma camiseta de linho pintada a mão, com uma camisa jogada em cima.

Mas antes fez uma coisa, queria saber como ficava o rosto dele na câmera, era fantástico, pois ele simplesmente estava aí, não posava.   Como se essas roupas estivesse toda a vida no seu corpo.

Fez uma série de fotos, até que a luz desapareceu.

Tirou de uma das bolsas, uma pequena impressora, colocou o cartão da câmera, papel, pulsou o botão, a mesma começou a imprimir uma a uma.

Quando viu estava cercado pelas mulheres, que iam comentando baixinho entre si o que viam.

Ao parecer isso não afetava o Angel, isso o impressionava, se fosse outro, estaria fazendo propaganda de sua própria beleza.

A diretora adorou todas, comentou o que ele faria, a câmera te adora, ficas muito bem.

Eu acho que um manequim profissional, saberia valorizar mais as fotos.

Sem querer me vi falando, nada disso, estariam posando, isso tiraria a espontaneidade desse tipo de roupas.

Ele perguntou a senhora se tinha hi-fi, mandou uma cópia das fotos para a diretora da Vogue, quase em seguida, ele chamou, me pegaste num jantar chato, no Ritz, adorei as fotos, riu dizendo gostaste do manequim, esse menino promete.

Ele não disse nada.

Ele foi dormir no orfanato, a irmã tinha arrumado uma cela para ele.  De uma maneira ele gostou, pois lhe transmitia paz.

Se despertou, escutando as irmãs rezando as matinais.

O levaram tomar o café da manhã com a garotada.

Ele nunca tinha gostado muito de crianças, principalmente de fazer fotografia com elas.

Depois foi para a praia, mandou ele levar as mesmas roupas que tinha fotografado, assim fazemos duas versões.

Quando terminaram, ele riu, se fosse um manequim profissional, teriam que esperar os retoques de maquilagem, que lhe arrumassem os cabelos a cada momento, tudo que ele odiava.

Com Angel, era diferente, ele entendia no momento o que ele queria, só se assustou quando ele estendeu um pano no chão, se jogou nele, lhe disse que viesse caminhando devagar, em sua direção, o queria fotografar de baixo para cima, quando eu diga pare, fique quieto.

Ao primeiro grito ele se assustou, pois até então ele falava baixo.

Mas depois já entendia quando ele fazia isso com cada roupa, aproveitou, um lugar, em que a floresta vinha até a praia, para usar isso como fundo.

Queria ver esse lugar no final do dia, para fotografar somente roupas brancas.

Tinha uma das camisas que ele adorou, eram imensas, tipo para se usar para ir a praia, ou piscina, lhe perguntou se não tinha uma sunga de praia.

Não senhor, nunca usamos, tenho sim cuecas que chegam no orfanato de segunda mão.

Lhe explicou o que era um taparabos, como usavam os japoneses, ou mesmo muitos povos antigos.

Se me permite, o montarei a primeira vez, tu aprendes, preciso de tecido explicou como, lhe disse que fossem de cores, assim ficavam melhor com esse tipo de camisa.

Perguntou se não tinha nenhuma pintada?

Não senhor, mas posso pintar para amanhã, que estilo o senhor quer?

Desde quando um manequim que já tinha um certo nome o chamava de senhor, nenhum deles, eram todos mal-educados.

Sem querer comentou isso com diretora, vou ficar mal acostumado, lido sempre com manequins complicados, que se acham donos do mundo, se esquecem que a fama acaba rápido.

Me chamarem de senhor, só no primeiro momento, soltam logo um Matt, como se fossem íntimos meus a anos.

Viu que Angel escutava, sem dizer nada.

Depois veio lhe perguntar se podia lhe continuar chamando de senhor, é mais por respeito.

O senhor é um fotografo conhecido, eu um rapaz, que acaba de sair do orfanato, não conheço nada do mundo, a não ser as duas vezes que me levaram daqui.

No dia seguinte, ele apareceu com duas camisas dessas imensas, tinha pintado durante a noite, uma era azul a pintura era toda em branco, a outra era branca com a pintura em cores.

Elogiou o trabalho, perguntou se tinham linho negro ou azul marinho.

Ele disse que tinham um rolo, que nunca foi usado, pois sempre pedem branco.

Faça uma pintura em branco com azul.

Ok, farei no meio do dia, assim, podemos fazer de noite, o viu colocando o tecido em cima da mesa, ele mesmo cortando, dizendo como deviam fazer, para a chefe das costureiras.

Ele aproveitou, pediu para cortarem tecido ao largo, para fazer os taparabos.  Na hora elas não entenderam, mas ficou surpreso dele explicar.

Fui olhar no dicionário de noite.

Não dormes, lhe perguntou?

Sim, mas tinha que fazer as camisas que o senhor pediu.

Depois foi com ele a sacristia, lhe explicou como fazer o taparabos, o fez por cima da calça que estava, ficou de costa quando ele fez o primeiro.

Tinha realmente um corpo espetacular, lhe perguntou se fazia ginastica.

Ele riu, é de trabalhar mesmo, mas faço ginastica com os garotos, a maioria os ensino a se defenderem dos abusos, que podem acontecer, quando nos adotam.

Ficou impressionado dele falar com naturalidade do assunto.

Nessa noite ficou até mais tarde, o vendo preparar as camisas, pintar as mesmas, foi fotografando tudo.

Quando sua amiga do Vogue chamou, estava ajudando a colocar a parte pintada para secar.

Lhe contou o que estavam fazendo.

Entendi, estas valorizando as roupas, realmente se a reportagem for toda branca, só servira para quem vai à praia, depois me mande uma foto.

Lhe mandou uma que já tinham feito na sacristia.

Ela só respondeu, com um UAU.

Preciso que faças um close dele, para fazer a capa da revista.

Depois estavam só os três ali, ele explicou a diretora e ao Angel, o que poderia ocasionar essa foto.   Vão aparecer muitos fotógrafos atrás de ti, com contratos de exclusividade.

Acho que devias pensar bem.  Explicou que sua irmã funcionava como uma agente, ela sabe ler os contratos, aprendeu lendo os meus, nada de exclusividade. Acabam ganhando dinheiro as tuas custas.

Perguntou a diretora qual a idade que ele tinha.

Quem respondeu foi ele, não sabemos, visto que quando me encontraram aqui, parecia ter mais idade, ou era só o tamanho.

Para poder trabalhar aqui, a irmã superiora me fez um documento, dizendo que tenho dezoito, mas creio que tenho mesmo é dezessete.  Mas sou mais maduro que aparento, realmente não tenho essa malicia que o senhor comenta, nunca vivi numa cidade grande, mas confio no que disse.

Talvez se acha que tenho chance, iria com o senhor.

Bom eu poderia te ajudar, arrumando uma professora de comportamento, que foi uma grande atriz, disse o nome dela.  Poderia melhorar tua forma de falar, sabe a vida de um manequim é curta, podias fazer cinema, ou mesmo teatro.

Ela poderia te preparar para isso.

Mas não tenho dinheiro.

Espera, ligou para a diretora da Vogue, como sempre quando falou em dinheiro, essa disse que estava fazendo um favor a fabrica.

Ele ficou uma fera, favor uma merda, vais estar com uma matéria exclusiva, que ninguém tem, não penses tu que estou fazendo isso grátis, o rapaz merece receber como qualquer manequim, aliás ele é melhor que muitos que me mandas, que me dão mais trabalho, inclusive parte da roupa desenhada, é feita por ele.   Vou mandar minha irmã falar contigo.

Só escutou a outra dizendo, estou lascada, negociar com tua irmã é um suplício.

Em seguida chamou sua irmã, sabia que ela adorava ficar lendo na cama, comentou o assunto, essa pensa que estou fazendo isso grátis, porque está me dando a chance, quero que amanhã vás até a revista, com um contrato dos meus,

De outro lado, faça um contrato com o nome de Angel, não sabia se ele tinha sobrenome.

Ele riu, eu escolhi chamar Angel Roman, sua irmã escutou o nome disse que gostava, bem como da voz dele.

Aproveite fale com Colette se ela pode ter mais um aluno, ele precisa aprender a falar direito, sabes o que ela ensina?

Prepare um quarto em casa, vou levar o rapaz comigo.

Depois começou a rir, sempre sou assim precipitado, nem perguntei se querias ir comigo.

Mas não se preocupe, jamais abuso de nenhuma pessoa que trabalha comigo.

Contou o que lhe tinha passado, falou do seu irmão, ele foi ser ator de cinema, foi para Hollywood, como uma grande promessa, acabou nas festas, nas drogas, ninguém sabe como, isso que lhe martelei milhões de vezes na cabeça, nada de beber demais, tampouco drogas, fez um filme de sucesso, depois morreu, hoje ninguém lembra mais dele.

Queres vir comigo?

Sim quero ir com o senhor, sei que posso aprender, mas tenho que pensar de uma maneira de não deixar as senhoras na mão.

Fizeram fotos mais dois dias, no último dia fez a foto da capa, ele com uma camisa negra pintada por ele, tendo como fundo o pedaço de floresta atrás.

Quando lhe mostrou, ele ficou contente, a única coisa que lhe ensinou, porque ele tinha umas pestanas espessas foi passar um lápis em volta dos olhos, assim seus olhos azuis sobressaíram mais.

No dia seguinte antes de ir embora, foi ao orfanato, estendeu um cheque a irmã superior, para ajudar nas despesas, pediu a conta do banco, minha irmã, mandara sempre uma doação, nunca fui tão bem recebido em um lugar, como aqui.

Ficou surpreso, pois tudo que Angel tinha era uma mochila.

Ele comprou duas das camisas largas, para levar, se tivesse que fazer uma foto de studio.

Sem que ele soubesse, pois não tinha tirado suas medidas, Angel tinha lhe preparado três camisas, uma de cada cor.

Agradeceu, a diretora os levou a estação, agora tinha como um ajudante.

Falou nisso com ele, atualmente não tenho ajudantes, no principio podias me ajudar em alguns trabalhos.

Sua irmã quando o viu, os tinha ido buscar na estação, o abraçou e beijou. Entre todos colocaram as coisas no carro.

Ele explicou que viviam meio fora do centro, porque tinha o studio, que na parte central de Paris, isso era complicado e caro.

Ficava perto da Place Monge, se via o minarete da mesquita de Paris, ela foi fazendo como faria uma guia turística, um dia desse vamos comer lá, eu adoro.

No dia seguinte, ela saiu para fazer um passeio com ele, antes lhe deu a fatura, do trabalho, não entregue antes de cobrar, quando chegaram ele assinou, depois da explicação dela, um contrato, a partir de agora serei tua agente, como sou do meu irmão, verás que me odeiam, pois sou capaz de brigar com o diretor mais famoso.

Ele chegou à revista, antes passou para a secretária a cobrança do trabalho dos dois, levava impressa as fotos, mas o que elas necessitavam estavam num pen drive.

Sua conhecida, riu, imagina o escândalo de tua irmã ontem aqui.

Assinou a ordem para pagar, depois começou a olhar as fotos, foi separando as melhores, quando pediu a para a capa, ela lançou um suspiro, esse menino vai ser logo corrompido.

Ele soltou, creio que não, tem a cabeça muito bem montada em cima dos ombros.

Aonde ele está hospedado, o queria levar numa festa hoje no Ritz.

Nada disso, ele está com minha irmã que é sua agente, já se apossou dele, hoje a tarde vai conhecer Colette que aceitou em lhe dar aulas.

Há que prepara-lo para esse mundo, nada de o atirar aos leões.

Ela riu, bem pensado, podemos sim no dia que sair a revista, fazer um micro desfile com as roupas, essas que ele pintou ficaram fantásticas.

As negras, além dessa ideia dele usar taparabos, ficou excelente, como tem esse físico, será um sucesso.

Podemos conversar a respeito, amanhã volto para escolhermos as fotos, a diretora mandou um texto para explicar como funcionam.

Foi embora, saiu do edifício, com dois envelopes, com os cheques, marcou com sua irmã, para saber aonde estava, nesse momento desciam da Torre Eiffel, marcou com ela num restaurante perto de Port D’Alma, aonde os dois gostavam as vezes de comer.

Aproveitaria, se estivesse aberto, para mostrar a Maison YSL.

Teriam que abrir uma conta no banco para ele, isso ele resolveria.  Tinha também que falar com sua irmã, um valor para depositarem para o orfanato, isso tinha pensado, não tinham filhos, podia ajudar.

Nunca tinha lhe passado isso pela cabeça, sem querer se lembrou dele mesmo comendo com os garotos, alguns por curiosidade vinham falar com ele.  Tinha feito algumas fotos dos mesmos, quem sabe um reportagem para frente.

Quando os encontrou Angel, estava entusiasmado, nunca subi num lugar tão alto, que emoção, viu que ali, só tinham pessoas bem vestidas, ficou constrangido.

Não se preocupe, comporte-se normalmente disse sua irmã, Colette, cuidara disso para ti.

Ela sabia como relaxar uma pessoa, algumas pessoas vieram falar com ele, claro que sabia que era por causa dele, o que fazia ele com um jovem tão bonito.

Mas não disse nada, dali pegaram um taxi foram para a casa da Colette, ela sim vivia num edifício que comprou nos seus velhos tempos de gloria.

Os recebeu como sempre, eram amigos de toda a vida, era muito amiga da mãe deles, a cara do Angel quando entrou era ótima, mas ela foi logo dizendo a ele, são obras de arte sim, mas cópias os originais já vendi a muito tempo, se matava de rir, mas se por acaso vem fazer uma fotografia aqui, parece que eu vivo no velho esplendor, menos mal que minha agente, cuida bem das minhas finanças, senão estaria pedindo dinheiro na esquina.

Pegou o Angel pela mão, o afastou deles, começou a andar em volta deles, falando baixinho, se relaxe, não vou te morder, estou apenas sentido tuas emoções.

Te levantas cedo lhe perguntou?

Sim sem problemas.

Eu adoro trabalhar logo de manhã, podias estar aqui por volta das 9:00 da manhã?

Até mais cedo.

Ela se matou de rir, teu conceito de cedo é relativo, gosto apesar de dormir pouco, de ficar até as oito na cama.

Agora toca, ensinar o rapaz a andar de metro, para chegar aqui.

Bom nos dois primeiros dias, por exemplo amanhã tenho que abrir uma conta no banco para ele, iremos depois dá aulas.

Perfeito, eu estou no momento ensinando a um aluno, como pronunciar, como se fosse da Bretanha, nós os franceses, temos o mal habito de pensar que tirando Paris, ninguém sabe falar direito.

Lhe deu um livro para ler, leia esse trecho para mim.

Ficou de costa para ele escutando, muito bem soltou, pronuncias limpo, embora com um certo sotaque do sul, mas isso limpamos.

Pediu para ele andar, foi logo dizendo levanta esse corpo, cabeça mais alta, olhe bem de frente, isso.

Depois o mandou se sentar, se surpreendeu que o fizesse perfeitamente, quando ele sorriu, as irmãs, isso nos ensinam.

Caramba com esse sorriso, terás Paris aos teus pés.

Mas uma coisa garoto, escute bem o Matt, bem como Marie Level, pois esses sabem desse mundo, já viram dezenas de pessoas subirem, bem como cair do pedestal, os santos são de barro, sempre caem, o mais importante é como cair, sempre de pé.

Imagine, fui estrela de Maison de France, só os primeiros papeis, agora com a idade, me oferecem papeis de velha, bruxas, avós, tenho claro que me conformar, mas ela me orientou como guardar dinheiro, pois meus amantes me davam joias, guardei todas, pois tinha justamente isso, medo da velhice.

O tempo passa, escapa entre os dedos de nossas mãos.

Ele já a olhava com adoração, sabia que dessa mulher aprenderia muito.

Desceram, disseram ao mesmo tempo, vamos de metro, para aprenderes como se mover mais rápido pela cidade. Marie foi falando, foi uma mulher fantástica, ia lá em casa, quando nossos pais eram vivos, pois eram do mesmo lugar.

Ela ensinou meu irmão a representar, mas ela já dizia que ele era muito fútil, diferente de nos dois, era mais alto, bonito, mas como nossa própria mãe dizia, tonto.

Na verdade, era filho do primeiro casamento de nosso pai, mas foi criado pela nossa mãe.

Lhe compraram um passe, explicaram como funcionava, ele disse que já estava devendo dinheiro demais para eles, não se preocupe, falamos em casa.

Quando chegaram, se sentaram na biblioteca, o studio do Matt ele já tinha visto, era no térreo, aonde antes era uma loja.

Matt, lhe entregou o envelope, teu primeiro dinheiro, pelo teu trabalho nas fotos.

Ele quando viu o valor, soltou espontaneamente um assobio.   Caramba, nunca vi tanto dinheiro.

Amanhã, vais com a Marie ao Banco, como vai depositar o que eu ganhei fazendo esse trabalho, abres uma conta no banco, assim podes ir guardando tudo que ganhas, irei te orientando como aplicar o mesmo, para render, ok.

Se não fosse minha irmã, com o escândalo que me montaram, eu estaria na rua, como diz a Colette, a imitou sendo dramática, pedindo dinheiro na esquina, mas claro guardei tudo que ia ganhando, herdamos essa casa, bem como comprei o studio embaixo, então sem problemas.

Desse dinheiro quero mandar algum para o orfanato, lá sempre precisam de dinheiro, a fábrica paga um aluguel, pela velha igreja, mas sempre faz falta.

No dia seguinte começou as aulas com a Colette, depois foram ao banco, ele tinha, pois a irmã tinha lhe dado o numero da conta do orfanato, depositou 10% para lá, o resto Marie, colocou numa conta para render.

Uma semana depois, Colette chamou o Matt, se ele podia ir no final do dia a sua casa.

Falou longamente com ele, esse rapaz, apesar do que me contou, foi abusado duas vezes, sabe se defender, mas não tem malicia, no comportamento das pessoas.

Me disse que nunca mais fez sexo com ninguém, gostaria que falasses com ele, é possível.

Ele riu, logo eu, que tenho dificuldade de verbalizar as coisas.

Será importante para ti, isso.

Realmente foi uma conversa interessante, lhe explicou que iria receber cantadas, para sair, fez como faria a Colette, lhe dando exemplos.

Terás que ser político, recusar, sem ofender, a não ser que te interesse a pessoa. Mas a maioria só quer mesmo é sexo.

Nosso mundo se mistura com a alta sociedade, com novos ricos, que pensam que ao ter dinheiro, podem comprar tudo que veem por diante.  Como estão acostumados a terem tudo, acham que podem te conseguir de qualquer jeito.

Lhe explicou como fazer, acabaram rindo muito, quando depois de várias maneiras de falar, ele começou a rir, Angel lhe perguntou por quê?

 Por ser mais fácil mandar a pessoa a merda logo de cara, mas as regras da sociedade, inventadas não sei por quem, exigem esse miss em cene.

Marie que tinha assistido tudo disse rindo, que no mundo que trabalhava, era uma das poucas mulheres, que era muito mais difícil, por isso tinha que bancar a dura.

A irmã superiora, telefonou agradecendo o dinheiro que tinha mandado, ele ficou super feliz.

Quando voltei depois de minha primeira adoção, ela me protegeu, me sentia culpado, como se tivesse feito algo errado. Na segunda vez, ela não estava, ficou uma fera, mal sabiam que tinha sido ela, quem tinha me ensinado a me defender, foi atrás da assistente social, que tinha feito isso, está acabou desaparecendo.

Usam sempre a crianças, por serem a parte mais frágil, por isso eu ensino os meninos a se defenderem.

Matt estava na cama, pensando se aceitava um convite para dirigir a parte de fotografia de um filme, o dinheiro era bom, embora ele não gostasse do roteiro, as localizações ele conhecia, não eram fáceis de trabalhar.

Escutou baterem na porta, esta se abriu, entrou Angel, me desculpe, mas precisava pedir um favor para ti.

Diga, se puder eu faço.

Precisava que me ensinasse a fazer sexo, pois sofrer abusos não significa que sabia fazer sexo.

Não sabia o que dizer, se colocava no seu lugar, no fundo era um homem que não tinha muito atrativo sexual.

Conhecia outros fotógrafos que sim, mas ele era no fundo uma pessoa simples, que amava seu trabalho, sério, trabalhador.

Quando viu, Angel estava deitado ao seu lado, tinha tirado a roupa, estava nu.

Quase riu, ia lhe dizer que era mais fácil ele lhe ensinar, mas quando começaram a se beijar, lhe ensinou a explorar o corpo do companheiro.

Com muita calma, quando viu estavam quase no clímax.  Depois de um tempo Angel começou de novo, lhe provocando, quando viu era tarde, pois o penetrava.  Ficou como louco, a anos não sentia nada disso.

Antes de dormir depois, pensou, tenho que aceitar esse trabalho, pois senão vou me apaixonar por esse garoto, a coisa não será fácil, me doera muito que amanhã parta com outra pessoa.

Mas antes disso, o melhor que aconteceu, foi de novo a fábrica, com ele, preparou um vídeo com todas as roupas, lhe ensinou como se movimentar nesses caso, viu que nesse sentido o trabalho da Colette tinha sido muito bom.

O lançamento do vídeo, bem como a revista, foi obra da revista, tanto Marie como Colette, tinha recebido roupas desenhadas por ele, como se fossem de época.

A festa é claro, além de ser em cima das roupas, ele era o centro das atenções, todo mundo queria conhece-lo, ficou rindo, como quem te viu, quem te vê.

Se movia entre os convidados, de braço da diretora da revista, ou então com Colette que conhecia muita gente, principalmente de cinema.

Recebeu muitos cartões, depois diria que nem tinha ideia de quem era, os famosos convites para festas.

Logo através de Colette, lhe chamaram para fazer um casting, um filme que o diretor dizia que procurava alguém como ele.  Claro Marie e Colette foram juntas, uma como sua agente, a outra porque tinha trabalhado o texto com ele.

O diretor lhe disse o que queria, ele sem olhar a câmera, fez tudo como tinha pedido.

No final o diretor pediu u close up, fez sinal de positivo, aí o coitado teve que negociar com sua irmã, pois queriam lhe pagar menos, por ser um iniciante.

Ele o chamaria a Amsterdam, aonde estava fazendo o filme, para dizer, eu teria aceitado qualquer valor, nunca fiz isso, mas só fiz uma exigência que a Colette estivesse comigo para trabalhar o texto, claro com eles pagando.

Ele ria, como uma criança, nesse meio tempo sabia que ele sempre que podia, ia até o orfanato, ajudar.

Marie se impressionava, ele nunca se esquece de lá, ela agora ia junto, gostava do lugar, a irmã superior disse que a maioria da idade dele, quando saiam, numa mais voltavam para nada.

Querem se esquecer do que viveram.

Ele terminou o trabalho do filme, não gostava do ambiente que era rodado, a vida noturna da capital, estava em cima da exploração sexual, das mulheres e rapazes que vinham sem preparo nenhum da Europa de Leste.

Estava exausto, mas foi assistir a filmagem da qual Angel participava.

Ficou surpreso, Colette que assistia ao seu lado, a mim também, é como se ele sempre tivesse feito isso.   Me contou que eram raras as vezes que se passava um filme no orfanato, aonde não tem nem televisão.

Mas quando o diretor quis lhe mostrar uma cena, não gostou, pediu para fazer outra vez, pois não tinha entendido a ideia, o mesmo a achava perfeita, mas ele tanto falou que fez de novo, disse que não, mostraria mais nada, pois era capaz de querer refazer o filme.

Já em seguida tinha contrato para outro, Marie dizia que agora ele participava junto com ela da discussão.

Tinha nesse próximo, como era filmado na praia, conseguido incluir várias roupas desenhadas por ele, que o nome da fábrica, aparecesse nos letreiros finais.

Quando já estava no terceiro filme, finalmente alugou um pequeno apartamento perto da casa deles, já incomodei muito.

Matt ia dizer, que jamais, adorava conversar com ele, embora não quisesse, tinha se apaixonado por ele.

Mas com ressurgir por seus trabalhos, tinha sua agenda cheia.

Participou da semana da moda, desfilando para dois figurinistas, que no final lhe quiseram pagar com roupas, ele foi claro, falem com minha agente, agradeço muito, mas não tenho lugar para ir, com essas roupas.

Marie foi dura na queda, queria alegar que o lançavam.

Ela riu muito, sempre tem um querendo se dar bem, como lançado se ele já fez dois filmes, antes disso.

Quando estreou o primeiro, foi acompanhado a várias canais de televisão, todos os tipos de programas que divulgava o filme.

Ficavam impressionado, com seu desenvolvimento, quando as perguntas eram tontas, ele dizia, passemos para a seguinte, isso não interessa a ninguém, estamos para falar do filme, não sobre minha vida pessoal.   O único que fazia era divulgar a fábrica, bem como o orfanato.

Mas claro isso nunca interessava muito aos programas, então o que fazia era ir com alguma roupa de lá, pois em seguida lhe perguntavam qual era a marca.

Ele tinha no seu apartamento uma maquina de costura, ele mesmo as vezes fazia sua roupa.

No lançamento do segundo filme, ia ser em Cannes, ele aparecia todo o tempo perto da praia, com roupas que tinha ido buscar na fábrica.

A diretora telefonava a Marie, dizendo que trabalhavam como loucas, agora tem um garoto que ele das últimas vezes ensinou a pintar as camisas.

Em seguida, fez um filme passado também no sul, era filmado num lugar, que criava cavalos de raça.   Telefonou ao Matt, que ele tinha que vir fazer a fotografia do filme, esse não queria, mas acabou aceitando o convite do diretor.

Estranhou que ele como ele se comportava em cima dos cavalos, ele riu a bessa, cheguei aqui antes, mostrou um rapaz da sua idade, ele me ensinou como me comportar com os meninos, chamava os cavalos de meninos.

Um dia andando a esmo, antes de dormir, escutou ruídos, levou um susto, era ele nu, fazendo sexo com o rapaz.

Depois lhe diria, adoro suas mãos rudes, passando pelo meu corpo, numa senti o que sinto por ninguém, me ensinaste bem, a não ter preconceito contra o trabalho da pessoa.

Ele também não tem mãe, foi criado em outro lugar por seu pai, nesse trabalho, aprendeu a ler e escrever por conta própria.

O rapaz era muito educado.

Lhe perguntou como ia fazer, se em seguida ia fazer um filme na Itália?

Virei vê-lo sempre que possa, pois ele tem sua vida, eu a minha.

Depois descobriria que era certo, a cada tempo, tirava uns dias, viajava ao sul, para estar com seu homem, como ele dizia.

Matt ia fazer um filme em Hollywood, leu o roteiro, perguntou a quem fazia casting, se já tinha encontrado a pessoa para fazer o segundo papel.

Lhe disseram que não, mando o trecho de um filme que ele tinha feito.

O diretor veio especialmente para falar com ele.   Teria que aprender inglês a galope, Colette como sempre lhe ajudou a conseguir um professor.

Mesmo quando estava com Matt, só falava inglês, sentou-se com ele, dizendo que na américa, tudo era diferente, as festas, as drogas, bebida, a fama.

Não se preocupe, se estou contigo, estou com Deus.

A única coisa que o diretor do filme lhe perguntou era se sabia montar a cavalo, lhe mostrou uma série de fotos que Matt tinha feito dele, em cima do cavalo.

Teria que deixar os cabelos crescerem mais um pouco.

Faria justamente o papel de um jovem cowboy, a quem um homem de mais idade se apaixona.

Ele foi passar uma semana no sul, se dividindo entre seu homem, o orfanato e a fábrica.

Nunca para, dizia a Marie, que estar com ele, era sempre assim, estava em movimento, é como tu, como o filho que não tiveste.

Esse era o sentimento que tinha agora por ele, por isso se preocupava.

O filme seria rodado num paisagem incrível, no deserto, entre Santa Fé e Taos.

O diretor tinha mania de ensaiar certas cenas antes.  No primeiro dia o ator principal, apareceu bêbado, tinha sido um homem bonito, ao que a bebida, as festas tinha arrasado.

Quando o viu, ficou parado, lhe perguntou se essa belezura ia contracenar com ele, isso é covardia.

Claro pensava que era um jovem idiota, mas quando viu como trabalhava, ficou quieto, sem nem mais nenhum comentário.

Depois foi perguntar ao Matt, se era algo dele?

É como meu filho, fui eu quem o descobriu.

Costumavam se sentar no final do dia, para discutir o texto, havia uma única cena, em os dois homens se beijavam.

Nesse dia o ator tinha bebido demais, ao final disse que estava apaixonado por ele, pelo que ele tinha sido.

O quis agarrar, mas Angel sabia se defender.  Ainda o ficou segurando para que não caísse no chão.

Depois de um bom banho frio, ao que Angel lhe disse que escovasse bem os dentes, pois não o ia beijar com esse cheiro de bebida.

Quando voltaram para Los Angeles, o mesmo ofereceu uma festa, Matt lhe ensinou como fazer, entrar, dar o ar da sua graça, ser apresentando, sair pelo outro lado.

Depois os dois foram se sentar na praia.

Dias depois, quando ele terminava seu trabalho, Marie lhe chamou, um diretor que iria rodar um filme em NYC, queria fazer um casting com ele.

Foram os dois para lá.  Na viagem ele contou que o ator tinha se insinuado, mas fez uma coisa que fiquei impressionado, um dia quando fazíamos a maquilagem, se colocou ao meu lado, me disse, fui bonito como tu, mas acreditei em todas as mentiras que me falaram, usei de tudo demais, olha como estou, não siga por esse caminho.

Nos últimos dias no deserto, Matt, achava interessante o outro vir se sentar sempre ao lado dele.

Um dia se deu conta que o mesmo segurava sua mão.

Não disse nada, o tinha conhecido quando era bonito.

Depois se encontraram em NYC, um dia apareceu no set de filmagem, o convidou para jantar, ele pensou que tinha ido por causa do Angel.

Lhe disse na cara que gostava da sua seriedade, estás sempre mergulhado em teu trabalho, admiro isso.

Os dois tinham a mesma idade, acabaram na cama.  Matt contaria depois, que o outro tinha bebido, riu por ele só tomar água.

Disse que tinha sido um fracasso na cama, pois aquele homem imenso, interessante, era uma mulher na cama.

Mas só falou isso ao Angel.

Ele fazia um papel pequeno, na viagem de volta, disse que na américa se pagava melhor o trabalho.

Mas tem um problema, os temas não são muito profundos.

Mal chegou, no dia seguinte foi para o sul, desta vez, voltou com um brilho diferente no olhar, chegou na casa do Matt, este estava na biblioteca.

Aconteceu algo, disse que tinha ido ao orfanato, tinha se apaixonado por um garoto, o deixaram a pouco tempo, a mãe, aparece para buscar, até que alguém a seguiu, o oferece a troco de dinheiro para sexo.

A assistente social a colocou na cadeia.   O quero para ser meu filho.

Contou que o seu homem estava para casar, queria uma família. Mas como ele não parava, tinha uma namorada.   Quando lhe falou do garoto, o outro disse que nem pensar, era negro.

Era uma verdade, mas tem os olhos azuis como os meus, parece meu filho.

O jeito foi ele e Marie, irem com ele para o sul.

Tinha se desencantado do rapaz que ele amava, eles quando viram o garoto, foi imediatamente amor à primeira vista.

Era realmente como ver Angel, pequeno, em com outra cor.

Marie, resolveu adota-lo, a mãe queria dinheiro por ele.

O juiz deu a guarda do menino para ela.

Matt ria, porque sua irmã, dizia sempre que não tinha instinto maternal.

Com isso, Angel não saia lá de casa, disse a minha irmã que só aceitava trabalhos na França, que estava cansado de não saber aonde estava.

Um belo dia seu homem apareceu, a namorado tinha descoberto sobre a relação deles, estava perdido.

Angel foi duro, nunca falamos num relacionamento, eu gosto de ti, nunca te trai nesses lugares, mas sei que tu sim. Então creio que não pode dar certo, quero estar perto do meu filho.

Ele tinha uma ideia na cabeça, que era, criar cavalos, tinha se apaixonado por isso, pelos cavalos de lá.

Foi fazer um filme com um diretor francês, que era passado justamente no deserto, os cavalos eram maravilhosos segundo ele.

Uma parte tinha sido filmada no Marrocos, outra parte na Tunísia.

Voltou moreno, agora já não tinha tanto a cara de anjo barroco, quando estava em Paris, fazia aulas com um professor da escola de belas artes, que lhe ensinava a pintar em várias técnicas.

Um Matt foi a sua casa, se espantou de encontrar um retrato seu.

Mas se eu nunca posei para ti.

Eu nunca me esqueci da noite que passei contigo, foi a melhor da minha vida, esse que eu dizia meu homem, era porque me disseste que preferia que fosse assim, que eu tivesse outras pessoas.

Mas sempre estiveste na minha mente.

Se aproximou dele, o beijando diferente, como um homem beija a outro, não mais como um jovem que beija outro.

Quando viram estavam na cama.

Nunca pude me esquecer disso, o dia que te pedi que fizesses sexo comigo.

Matt ria, primeiro senti ciúmes de todos os homens que se aproximavam de ti, depois, me acostumei, mas sempre te amei, talvez desde o dia que te vi na fábrica.

Agora voltava a viver na casa deles, ia ao seu apartamento para pintar, fez uma série que ficou famosa, durou anos, agora era um ator maduro, bonito, mas viril.

Quando acabou conseguindo adotar o garoto, Matt se matou de rir, o dia que Ismael, se aproximou lhe perguntou como o devia chamar, Matt, avô, pois tinha idade para isso.

Com tu queiras, foi sua resposta.

Gosto como meu pai te chama, Matt, imitou o pai.

Anos depois souberam que a mãe dele tinha morrido brigando por uma seringa, no meio de okupas em Marseille.

A mandaram enterrar com dignidade.

Nunca deixavam de ir ao Orfanato, ajudar no que era possível.

Com os anos, adotou uma garota pequena, porque lá era só de garotos, mas foi fácil, era a querida de sua irmã.

Quando Colette morreu, ele fez um discurso emocionante, essa senhora, que não sabia de aonde eu tinha saído, me ensinou a ser quem eu sou, como ator, entendeu que o meu não era o teatro sim o cinema.  Sempre me incentivou, falávamos todas as semanas.

Para surpresa de muitos, a leitura do testamento era divertida, disse que tudo que tinha dentro de sua casa era falso, mas que o apartamento, ao ver o amor dele pelo orfanato, que fosse vendido que o dinheiro fosse para lá.

Ela era madrinha do Ismael, o garoto a adorava, o mais divertido era que conseguia imita-la, quando fazia alguma coisa dramática, ela se matava de rir.

Com os anos, Angel comprou umas terras, perto do orfanato, aonde passou a criar cavalos, quando apareceu o famoso homem, procurando emprego, viu que ali não tinha espaço para ele, trouxe seu irmão.

Matt morreu com quase 90 anos, chegou a ver o Ismael, ir à universidade, era um gênio em matemática, tinha aprendido tudo com Marie.

Ele ainda disse ao Angel, esse rapaz, é louco por ti, se referia ao irmão do Homem, Jules, não perca tempo chorando por mim, eu te amei, fui amado, vou em paz.

Morreu essa noite.

Foi enterrado ali mesmo no campo, numa parte que ele gostava, de aonde podia ver o mar.

Angel cada vez mais pintava, quando fez sua primeira exposição, foi bom, fazia tempo que não fazia cinema, alguns ligaram uma coisa na outra, mas nas entrevistas, ele dizia, eu precisava de um pouso para criar meu filho, viver com o amor de minha vida.

Nunca escondia que amava o Matt.

Tinha respondido ao Matt, que já se veria.

Tinha suas obrigações, metade do dinheiro da exposição, foi para o orfanato.

Nunca deixaria de esquecer aonde tinha sido criado e cuidado.

Agora lhe traziam tecido da fábrica para que ele pintasse, o fazia com o maior prazer, pois tinha sido a partir disso que tinha encontrado outro caminho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentarios

Entradas populares de este blog

PRECISO ANDAR

PALAVRAS

DR. CASTELLO