S.O.B.

 

                                             

 

Quando escutou o chamarem a primeira vez assim, não fez nenhum movimento, pois não sabia o que diziam.

Sabia que sua mãe tinha morrido, nesse dia que sua tia Lucy, era só amiga de sua mãe, compartiam apartamento, lhe contou, lhe apresentou o homem que era seu pai.

Bob Smith.  Ficou olhando para cima, aquele homem imenso, tinha o mesmo tipo de cabelos que ele, eram vermelhos, olhos azuis, anos depois quando começou a crescer, soube que ele tinha dois metros de altura.

Este o levantou do chão, virou-se para Lucy dizendo, realmente só pode ser meu filho, mesmo assim fizeram um teste de ADN.

Anos depois me contaria a história, era uma outra visão de tudo aquilo.  Nada a ver com o que li nos jornais de pequeno, que minha mãe tinha se suicidado, num bar de putas.

Em parte era verdade, na autopsia se revelou que estava até a alma de drogas, fizeram o mesmo teste em tia Lucy, essa disse que nunca consumia o que lhe ofereciam, ou mesmo misturavam na bebida.

Segundo tia Lucy, estavam as duas sentadas com os homens que tinham marcado, as duas se prostituiam, mas num sistema reservado, escolhiam os acompanhantes.

Ela viu que o barman, colocava alguma coisa na bebida, avisou a minha mãe, mas essa disse que tinha sede, depois pediu outro, tia Lucy a agarrou pelo braço, mas já era tarde, era alguma coisa muito forte, pois bebeu de um trago, quando se levantou para ir ao banheiro, o acompanhante de tia Lucy a segurou forte pelo braço, depois seria uma prova, tinha ficado com o braço todo marcado, pois as duas eram muito brancas.

O homem que estava com minha mãe, foi atrás, mas viu que ela saia do local, estava no estacionamento, o mesmo a alcançou, a quis forçar ali mesmo, ela quando passou a mão por detrás, viu que o sujeito tinha uma arma, a agarrou, lhe acertou um tiro na cabeça.

Neste momento, chegava uma patrulha, que vinha justamente analisar esse local, pois estavam vendendo uma droga diferente.  As pessoas perdiam totalmente o controle de si mesma.

Ela quando viu meu pai, começou a gritar seu nome, ele levou um susto, a conhecia de anos atrás, justamente seis anos, eu tinha cinco nessa época.

Tentou andar até ele, armada, cheia de sangue, um dos policiais pensou que iria atirar, lhe gritaram que deixasse a arma no chão, mas ela estava como louca, segundo me contou Bob depois, gritava seu nome e o meu Andy.

O policial era um novato, ficou nervoso, embora Bob fizesse sinal que não fizesse nada, disparou, acertou diretamente ao coração.

Tia Lucy nesse momento saiu correndo do local, abraçou a amiga, depois de um tempo, se deu conta do Bob, só lhe disse que minha mãe o tinha procurado muito.

Teve que ir a delegacia, lá contou que tinha visto o barman colocar alguma coisa nas bebidas, estavam fazendo provas em todas as mulheres.  O sujeito que estava com ela, estava preso.

Foi então que contou ao Bob, que tinha conhecido minha mãe no hospital, ela tinha acabado de me parir, tia Lucy se recuperava de um aborto mal feito.

Ela te procurou, mas ninguém queria dizer aonde estavas.

Ele lhe contou que tinha sido transferido para trabalhar em Washington, com um chefe de polícia que o tinha treinado na academia.

Só quando este se aposentou foi que voltou, na verdade estou aqui a uma semana, esperando uma delegacia para trabalhar, me colocaram com anti-vicio enquanto isso, que era a unidade que tinha trabalhando antes em Los Angeles.

Foi então que ela contou que ele tinha um filho, os dois tinham tido uma aventura fulgas, coisa de uma noite, mas ela ficou gravida.

Durante esse tempo, teve que viver da caridade de umas freiras, por isso tinha nascido nesse hospital. Mas não me quis dar em adoção, pois ela mesma tinha vindo de um orfanato.

Sonhava em ser artista de cinema, mas claro, bonitas como ela, existiam um batalhão.

O jeito para sobreviver foi se prostituir, tinha sido informante dele, se via alguma coisa de drogas, na verdade ela quando começou era menor de idade, quando chegou a Los Angeles, resolveu trocar de nome, pois como todas no orfanato, tinha o nome de alguma santa, ela se chamava Maria, então conversando com uma conhecida, lhe ensinou como fazer, alegar que tinha sido roubada, que tinham levado todos seus documentos.

Assim passou a Louise White, quando ficou gravida, se desesperou, não queria abortar, sonhava em ter uma família.

Quando conheceu a Lucy no hospital, esta a levou com ela, para sua casa, nunca atendiam os clientes em casa, contou a essa toda sua história.

Foi quando troquei de nome, passei a me chamar Andrew White Smith, pois depois da prova de ADN, me levou para viver com ele, faltava pouco para acabar o ano na escola, ele me levava todos os dias, ia para seu trabalho na delegacia.

Mas claro as mães dos outros alunos, sabiam da minha história, os filhos escutavam, logo me faziam bullying, me chamando de filho da puta, “SON OF BITCH”, quando de noite o Bob chegou para me buscar na casa da Lucy, ficou uma fera.   No dia seguinte, na escola, viu o grupo de mulheres, se aproximou, mostrou seu cartão de policial, as avisou, se os filhos não parassem de fazerem bullying as denunciaria por fazerem fofocas.

Nesse dia um avançou, era o pior aluno da escola, sua mãe era a mais feia do grupo, além de relaxada.   Lhe dei um murro no nariz, Bob foi chamado a escola, justamente nesse dia, estava tratando de sua transferência para San Francisco, sabia que ali eu sempre estaria ligado a essa reportagem.  Quando chegou, a mulher estava uma fúria, a encarou, deve ser difícil para a senhora, verdade, que ele tivesse uma mãe bonita, porque a senhora como puta, ia passar fome, pois além de feia, cheira mal, olha seu filho, parece um porco como a senhora.

Ela disse que ia apresentar queixa contra ele, não se preocupe, vou apresentar uma queixa formal contra a senhora, por incitar seu filho a fazer bullying.

Nesse momento chegava o pai, quando ela reclamou, ele disse que o policial tinha razão, fedes, eres uma péssima cozinheira, andas suja, esse menino realmente parece um porco, por isso tenho aventuras fora.

Foi um escândalo, no dia seguinte, o garoto não apareceu mais na escola.

Eu estava adorando viver com o Bob, embora sentisse saudades da minha mãe, ela era carinhosa, todos os dias me vestia direito, examinava se eu tinha as orelhas limpas, pois queria tomar banho sozinho.  Depois me levava a escola, no caminho se tinha dinheiro me comprava um bom lanche.   Depois vinha me buscar, mas estava sempre arrumada.   Em comparação com as outras que ficava na porta da escola fazendo fofocas, era linda.

Nesse dia, quando foi me buscar na casa da Lucy, sentou-se comigo ao seu lado, eu estava sempre agarrado com ele, como se fosse minha tabua de salvação.

Disse que tinha pedido uma transferência para San Francisco, através de um amigo que tinha feito a escola de Polícia na mesma época, que tinha sido aceito.

Assim estaremos longe disso tudo.

Lucy perguntou a ele, como ia fazer.   Ele respondeu que a princípio, eu iria a mesma escola que os filhos de seu amigo, que depois ficaria na casa deste, que ele quando terminasse o serviço, iria me buscar.

Eu realmente estava acostumado com tia Lucy.

Essa lhe disse se ele conseguisse um emprego honesto para ela, iria para lá, mas sabes como gosto de ser independente.    Meses depois se mudou, pois Bob conseguiu um emprego para ela de secretária na delegacia que ele trabalhava.

Todas tinha inveja dela, pois além de bonita, se vestia bem, recatada, nada das roupas que usava antes.    Anos depois se casou com o chefe, que tinha ficado viúvo, com dois filhos, ela demorou a aceitar, fez questão que ele soubesse de seu passado, do que tinha acontecido, que jamais poderia ter filhos, devido ao aborto que tinha feito.

O homem estava apaixonado por ela, acabou aceitando tudo isso.

Fomos ao seu casamento, de imediato não gostei dos garotos que iam ser seus filhos, eram adolescentes, bem complicados, o pai os acabou colocando num internato.  Ela nunca deixou de trabalhar, dizia ao meu pai, nunca se sabe o dia de amanhã, prefiro me resguardar.

Ele me ensinou como ser independente, falava abertamente comigo de tudo.

Devia ter uns 10 para 12 anos, quando escutei ele contando a tia Lucy, que era gay, que minha mãe tinha sido uma coisa por acaso, os dois se envolveram porque se sentiam sozinhos.

Que ele tinha ido para Washington, pois era apaixonado por esse homem que era seu chefe, mas claro, não deu certo, era muito mais velho que ele, controlador.

Por sorte se aposentou, me mandaram de volta.

Estava contente aonde estava, tinha um bom companheiro, tinha sido promovido, agora era investigador criminal, tinha se preparado muito para isso.

Fomos viver num apartamento melhor, ficava a menos de um quarteirão da escola, eu ficava até meia tarde na escola, depois ia fazer aulas de Karate, na academia de um japonês, que Bob tinha ajudado.

Tudo ficava relativamente perto.  Depois ia para casa, ele me ensinou a preparar um belo sanduiche, sempre tinha tudo na geladeira.   Quando ele chegava exausto, eu já tinha o dele preparado, lhe trazia um copo de leite, pois ele odiava bebidas.

Um dia me contou por que, seu pai era alcoólatra, adorava pegar os filhos quando estava bêbado, mas ele tinha escapado de casa, tinha entrado para o exército, pelo seu tamanho, serviu durante dois anos na polícia militar, tive sorte, foi um intervalo em que o pais não estava metido em nenhuma guerra, de lá saiu para a polícia.

Ele me respondia tudo o que eu lhe pergunta, sem problema algum.   Dizia que seu pai, quando muito dizia bom dia, nunca falava nada com os filhos.

Quero que além de pai, sejamos amigos.   Nos finais de semana, que tinha livre, saiamos, para que eu fosse conhecendo a cidade, além do lugar que vivíamos.

Eu adorava andar de bonde, ele sempre fazia algum trajeto para isso.

Um dia num desses passeios, encontramos seu companheiro, vi que entre os dois havia alguma coisa, mas ele queria que primeiro eu o conhecesse informalmente.

Roger Brown, era um mulato claro, tão alto quanto ele, nesse dia alugamos um barco para passear pela bahia de San Francisco.

Me diverti horrores, quando fomos comer, Roger perguntou o que eu queria, Bob nunca me deixava comer no McDonald, dizia que era uma comida que engorda.

Roger disse que como era ele que convidava, eu tinha direito a escolher.

Meses depois ele passou a viver conosco, ele adorava beisebol, sem querer me passei a amar esse esporte, ele nos arrastava para assistir jogos, vibrava como um louco.

Me ensinou a jogar, Bob era mais de basquete, por isso jogava na escola.

Um dia um companheiro, não era meu amigo, veio me perguntar se meu pai, tinha uma aventura com outro policial.

Lhe respondi olhando sério na cara, a vida é deles, porque não estudas mais, como sempre quem faz esse tipo de pergunta, ou é idiota, mal estudante, mas no fundo tem inveja.

Ficou me olhando sério, me disse que tinha certa inveja de mim, pois seus pais, eram pessoas difíceis, tomavam drogas, seu pai nunca parava em emprego nenhum, fico com inveja dos teus sanduiches na hora do lanche, pois sempre passo fome.

No dia seguinte levei um para ele, depois o arrastei comigo, para a academia de Takeda, falei que era um amigo que precisava aprender a se defender.

Tínhamos a mesma idade, mas eu era mais alto que ele, separei as roupas que estavam pequenas para mim, perguntei ao Roger se podia dar para ele.

O Roger, me disse que o convidasse no final de semana para irmos de barco, ele adorava o mar.  

Pensei que Tim, fosse perguntar aos pais, se podia ir.   Me contou que a dois dias não sabia deles, fui a diretoria, pedi para usar o telefone, chamei meu pai, os dois apareceram em seguida, Tim lhe deu o endereço aonde morava.

Foram até lá, ficaram horrorizados, era um lugar em que metade dos apartamentos eram de Okupas, uma coisa que começava a acontecer na cidade, com edifícios meio abandonados.

Nesse dia Tim, dormiu lá em casa.  Adorou tomar um bom banho, depois preparei para os dois uns belos sanduiches como me tinha ensinado o Bob.

Foram encontrar os pais dele, dois dias depois na morgue da polícia, tinha morrido de drogas.

Quando fizeram contato com os pais dela, esse disseram que pensavam que estava morta a anos, que não podiam criar o Tim porque eram velhos.

Nos sentamos todos, ele perguntou ao Tim se queria viver ali com eles.

Me olhou, perguntou se eu o queria como seu irmão.

Nossa amizade tinha crescido nesse tempo, gostava da companhia dele, pelo menos tinha com quem conversar.

Entre os dois, Roger decidiu tentar a adoção, com a ajuda do chefe, conseguiu.

Uma assistente social, apareceu várias vezes, um dia no final do dia, nos encontrou estudando, eu estava ensinando matemática ao Tim, não era sua matéria favorita.

Íamos, comer, não sei se para saber como íamos fazer, os dois nos colocamos na cozinha, preparamos uns belos sanduiches, lhe mostrei que a geladeira estava sempre cheia.

Lhe disse que em casa não tinha nunca bebidas, pois Bob não gostava.

Sentamos os três, comendo, conversando, falando da escola, do que estávamos estudando, ela perguntou ao Tim, se estava contente.

Ele riu, aqui não passo frio, tenho o que comer, um irmão, com quem posso estudar, um dia acabou contando, porque tinha me perguntado se meu pai era amante do Roger.  Seus pais o tinham alugado a um pédofilo que tinha abusado dele, para terem dinheiro para drogas.

Lhe disse que falasse disso para o Roger, pois oficialmente ele era seu pai.

Mas nessa semana eles chegavam em casa mortos, estavam resolvendo uma série de crimes, que envolviam pédofilos.

Fomos dormir, Tim se levantou para tomar água, olhou uma foto, ficou parado tremendo, eu despertei com Roger, o chamando, pois ele parecia, estar fora de si.

Tinha reconhecido o homem, aí contou que seus pais o tinham alugado ao mesmo, para terem dinheiro para drogas.

Roger soltou que não sabiam aonde o filho da puta morava.

Se me levas a casa que vivia antes, eu saberei me guiar até lá, meu pai não queria que fosse, mas não ia deixar meu irmão sozinho nisso.

Fomos os quatro, era um edifício velho, ele disse inclusive o número do apartamento, se lembrava que tinha observado tudo isso, pois sua mãe tinha lhe falado ao ouvido, se o homem o ameaçava, que ele escapasse, por isso fui memorizando tudo isso, de como voltar para casa.

Os dois chamara reforços, conseguiram capturar o homem, bem como todos os arquivos que tinha, o mesmo fazia distribuição de pornografia infantil.

A partir desse dia, depois das aulas, íamos a um psicólogo, eu fazia questão de ir com ele, depois íamos ao Karate, as vezes ele ficava violento, eu entendia, era porque se lembrava de alguma coisa.

A assistente social, aparecia agora a cada quinze dias, chegava justo no momento que íamos comer.    Um dia de brincadeira, disse que vinha a essa hora, pois estava morta de fome, sabia que ali, oferecíamos comida, com copo de leite.   Nas outras casas, estão loucos para me ver pelas costas.

Depois de muitos exames, o médico avisou aos nossos pais, que Tim jamais poderia provar bebidas alcoólicas, tampouco drogas, ficaria viciado em seguida.

Me tocava vigiar, na escola sempre aparecia alguém vendendo Marijuana, ou alguma pastilhas, os dois nos ensinaram a observar, depois os avisávamos, mandavam sempre um carro de polícia, para pegar o sujeito, não adiantava muito, eu dizia que eram como alguma coisa má, desaparecia um, logo tinha outro no seu lugar, o que eu estranhava era que eram sempre jovens, os dois nos explicaram que a maioria tinham saído de orfanatos, sem preparação nenhuma para a vida, tinham poucas opções, uma grande maioria entrava para o exército, para serem bucha de canhão.

Meu pai dizia que tinha tido sorte, pois os dois anos que servi na Policia Militar, o país não estava em guerra com ninguém.

A maioria morre, numa guerra que não foram eles que inventaram, que só servem para vender armas.

Dentro de um ano, teríamos que escolher o que fazer na universidade, eu tentava ter as melhores notas, para ir com bolsa de estudos, assim se tivesse que pagar alguma matricula, seria para o Tim.

Eu nessa época, não entendia muito meus sentimentos, o via como meu irmão.  Mas na verdade estava apaixonado por ele.

Tinha resolvido estudar direito, mas não para ser advogado, tinha ido com o Roger, duas vezes a julgamentos em que ele era testemunha.  Gostava da postura dos fiscais, sempre via suas mesas cheias de provas.

Roger dizia que os policiais tinha que fazerem um bom trabalho, para que os advogados dos bandidos, não conseguissem usar isso contra.

No segundo que fui, ele não era testemunha, mas sabia do caso, um conhecido dele tinha feito merda no processo.  O Fiscal, sofreu para conseguir condenar o filho da puta que tinha matado dois garotos.

Entendi o que ele queria dizer, depois foi falar com o fiscal, explicou que me tinha trazido, para ver como era um julgamento, já que queria estudar direito.   Mas expliquei educadamente que não queria defender bandidos, mas sim ser fiscal.

Ele riu, quando estiveres na universidade, venha fazer práticas comigo, me deu um cartão dele, Nelson Rockefeller, perguntei ao Roger se ele era da família rica.

Acho que não, pois trabalha muito, se fosse rico, não iria trabalhar assim.

Tim era um problema, não conseguia se decidir, dizia que estava confuso, nessa época ia mais ao psicólogo.

Um dia lhe perguntei o que lhe atormentava, estávamos os dois sentados na minha cama, um ao lado do outro, me soltou em plena cara, que pensava que estava apaixonado por mim.

O muito idiota, respondeu que o tinha como irmão, mas mesmo assim o beijei.

Ele ficou como louco, lhe disse para ir com calma, pois éramos jovens demais, para assumir um relacionamento.

Logo em seguida, resolveu ser policial, entrou para a academia de polícia, o mandaram para longe, senti uma falta dele imensa.

Eu entrei para a universidade, estudava as leis como um louco, quando estava para entrar de férias, fui falar com o fiscal.   Nada de pedir ao meu pai, ou ao Roger para irem falar com ele, tinha seu cartão, fui pessoalmente, me fez esperar um bom tempo.   Estava analisando com um ajudante um processo.

Me reconheceu, rindo disse que eu tinha crescido mais, estava mais alto que ele.

Justo nessa época o Tim voltou para casa, estava diferente, reclamava que eu não tinha tempo, apesar de estar de férias, estava era trabalhando, estudando tudo que o fiscal, estava analisando.

Bob e Roger ficavam orgulhosos dos dois, no final de semana, íamos fazer vela.

Um dia Tim me contou que tinha feito sexo como se devia com um colega, que tinha ficado confuso, pois tinha sido uma coisa, falta amor no que aconteceu, gosto de romancear.

Sempre lhe perguntava se estava tomando cuidado, com relação as drogas, se usava proteção no sexo, ele me chamava de mamãe.

Ele acabou antes, foi trabalhar, numa delegacia complicada, Roger sempre conversava com ele, para tomar cuidado, era um região de muitas drogas, policiais corruptos.

Os dois batalharam para o trazerem mais para perto, mas ele disse que queria subir sozinho.

Quando lhe saiu uma promoção, ele não estava bem, teve que reconhecer aos dois e mim, que para obter uma informação crucial num processo, tinha aceitado drogas de um camelo.

Claro teve que ir à reabilitação, pois ficava desesperado por querer mais.

Como estava em casa, outra vez, o vigiava.

Eu estava fazendo práticas direto com o fiscal, estava no último ano da faculdade, já sabia o que queria.   Dava um duro desgraçado analisando os processos, para o fiscal, poder realmente apresentar um trabalho bem feito.

Ele me elogiava, dizendo que inicialmente eu seria um ajudante fantástico, pois sentia confiança em usar minhas informações.

Tim, andava angustiado, agora tinha dúvidas, se tinha escolhido direito, se não tinha entrado na polícia, por não saber o que queria.

Sua escapatória era o desenho, o fazia compulsivamente.   Um dia lhe disse que devia abandonar a polícia, num processo, que envolvia um professor da escola de belas artes, conversando com o mesmo, lhe mostrei os desenhos dele.

Me disse para mandar o Tim ao seu studio.

Voltou para casa maravilhado, era um mundo que ele não conhecia, falou com nossos pais, deixou a polícia, inicialmente tirou uma licença, depois quando fez sua primeira exposição, que foi um sucesso, a deixou definitivamente.

Eu ficava orgulhoso dele, ele ao contrário me dizia que graças a deus me tinha como irmão, pois era a segunda vez que o salvava de algo que o atormentava.

Um dia me contou que tinha feito sexo com o professor, é como gosto, com romance.

Eu estava sempre no seu pé, com relação as drogas, me dizia é claro que tomava cuidado.

Nessa época eu já era o braço direito do Nelson, passava mais tempo com ele, que com minha família.

Ele era muito sério, sabia que não era casado, um dia me contou que tinha esse nome, por causa da sua mãe, ela tinha tido uma aventura com um Rockefeller, ficou gravida, o homem era casado, mas o reconheceu como filho, depois do teste de ADN, foi ele quem me pagou a universidade, pós-graduação, até chegar a fiscal.

Sua mãe, vi uma foto dela quando jovem, era como a minha linda, ele dizia que ela o tinha criado, sendo scooter, mas que sofria bullying na escola, pois no fundo era uma puta de luxo.

Lhe contei meu caso, rimos muito quando lhe disse que quando escutei a primeira vez o palavrão, não sabia o que era.

Infelizmente morreu jovem, mas tenho meu pai.

Ele riu dizendo que tinha inveja dos dois, uma vez imaginei os dois na cama, com todo esse tamanho, a mesma deve ser reforçada.

Foi quando descobri que ele era gay.

O levei num final de semana que íamos fazer vela, ele conhecia os dois.   Tim ficou morto de ciúmes, me disse depois que nunca pensou que meu chefe fosse tão bonito.

Eu ri muito lhe dizendo que nem tinha pensado nisso, a nossa diferença de idade era grande.

Isso não significa nada, me soltou.

Foi quando soube que tinha um relacionamento com seu professor.  Que este tinha arrumado para ele expor em NYC, a partir de lá seria famoso.

Eu morria de medo, por causa do que podia acontecer.

Roger, me tranquilizou, ensinar o ensinamos, ele deve ser responsável por ele mesmo, não podemos ficar dirigindo sua vida, mas estamos aqui para o que precisar.

Quando fomos a NYC, para sua vernissage, lhe chamei a atenção, estava bebendo muito.

Riu na minha cara, dizendo que era só champagne para brindar seu sucesso.

Estava eufórico, pois tinha vendido tudo, com o dinheiro, disse que ia realizar um sonho, eu estranhei que o professor não tivesse vindo.

Ficou com ciúmes do meu sucesso disse.

Com esse dinheiro vou tentar a sorte em Paris, tinha ido nas férias do professor até lá, tinha se deslumbrado com a cidade.

Tentava falar com ele sempre, as vezes tinha a voz, diferente, era quando me perguntava se eu já tinha ido para a cama com o Nelson.

Lhe dizia que não, que tínhamos sim muito trabalho, ele ia sempre velejar conosco, dizia que isso o relaxava.

Um dia o escutei falando com o Roger, ele como sempre era uma pessoa fácil da gente se abrir.

Que estava apaixonado por mim, mas nossa diferença de idade o impedia de avançar.

Creio que ele também gosta de ti, mas tens que pensar que ele está a principio de carreira, isso pode estragar tudo.

Um outro fiscal, veio pedir ao Nelson se não podia me ceder por algum tempo, pois sabia como eu trabalhava, ele levava um processo complicado.

Claro, o mesmo estava em final de sua carreira, se aposentava em breve, eu já tinha feito as provas para fiscal, seria o mais jovem em anos.   Mas todos elogiavam meu trabalho, por ser muito direto com as provas.

Sabia que tinha a mão do Nelson na história, queria me dar passo, eu nesse último ano, tinha treinado um rapaz, para me substituir, um largo processo.

Me apresentei ao meu novo chefe, o conhecia de cruzar com ele nas salas de julgamento, sabia que era duro na queda, me apresentou o processo.

Um caso fácil, ao mesmo tempo difícil, pois os quatros acusados, um era o pai, um viciado em drogas, os outros três, pessoas da sociedade, a vítima, um garoto de cinco anos de idade.

Os pais ficaram na porta, quando escutaram gritos, a mãe fez tudo para entrar, quando chegaram ao quarto, havia mais duas pessoas, um homem imenso, um deputado, penetrava o garoto, mas já estava morto, o que o tinha alugado, filmava, nem se deram conta que a criança não se mexia, o outro fez a mesma coisa, o pai parado na porta só pensava no que iria cobrar agora, pois tinha alugado só para um.

A mãe, escondida chamou a polícia, foi ela quem abriu a porta, foi um escândalo, o deputado, com as calças abaixadas, se masturbando na cara do garoto, o outro, um homem imensamente rico, o terceiro filmando tudo.   Para a polícia era como um caso cerrado.

Foram todos presos, saiu nos jornais o dia seguinte, mas claro os três tinham os melhores advogados da cidade.

Por sorte tinham de prova o vídeo que o sujeito tinha feito, inclusive se via a hora que o garoto morria.   O pai reclamava mais dinheiro dos outros dois, pois tinham matado seu filho.

A mãe confessou que não era a primeira vez, que tinham alugado para a mesma pessoa, só que não sabiam dos outros dois.

Ele nem ousou pensar em contar para o Tim, pois sabia que isso mexeria com sua cabeça, agora tinha mais liberdade para se encontrar com Nelson, almoçar, as vezes jantar.  Acabaram indo para a cama, porque ele avançou o sinal.

Sempre tinha gostado dele, apesar da diferença de idade.

Quando Tim chamou, o achou estranho, contou que tinha finalmente ido para a cama com o Nelson, ele só disse, isso meu irmão, porque esse mundo é uma merda.

Dois dias depois estava almoçando com o Roger, quando chegou um Email, com várias fotos do seu trabalho.  Ficou gelado, alguma coisa tinha acontecido com ele.

Saiu correndo do restaurante, já chamando seus pais, ele não podia viajar, pois o processo iria a julgamento em seguida.   Os réus queriam que fosse em separado, mas ele não concordou, tampouco o juiz, um homem duro na queda, estudou com ele o caso.

Seus pais, foram para Paris, ele estava dando um duro danado para se concentrar, pois não conseguia falar com o Tim.

Só teve noticias no dia seguinte, quando seus pais entraram no studio dele, estava em estado catatônico, sentado no chão, todo mijado, cagado, sem poder falar.

O internaram, uma semana depois conseguiram o trazer de volta.

O dono da galeria estava furioso, pois acreditava nele.

Ele graças a deus tinha conseguido ganhar o processo contra os quatro, o que tinha a condena mais leve era o pai, por ser um drogado, 15 anos, os outros três, inclusive o deputado, 25 anos cada um, iam recorrer do processo no supremo.

O pior era que o deputado e o outro, eram inclusive avôs, de família respeitável, o escândalo foi grande.

Mas o pior foi sua postura no tribunal, se achavam acima do bem e do mal. O que estava filmando, descobriram na casa, um imenso arquivo, de vídeos, inclusive o deputado, abusando de outros garotos, que ninguém sabia quem eram.

A família desse, desapareceu da cidade, pois eram conhecidos.

Desconfiavam, mas não tinham certeza de nada.   Um dos filhos o mais novo, depôs contra ele, pois o tinha abusado com 12 anos, em seguida se suicidou.

Ele ao final estava arrasado, quando seus pais chegaram com o Tim, esse foi direto para um hospital, semanas depois finalmente conseguiu falar, lhe contou o que tinha acontecido.

Estava pintando na rua, quando um casal de rumamos, se aproximou com um garoto, pensou que iam pedir esmola, mas o pai o ofereceu para fazer sexo.

Quando olhou a cara do garoto, viu a si mesmo, por sorte havia dois policiais perto, que pensavam o mesmo que iam pedir esmola.

Quando ele comentou o que tinham lhe oferecido, olharam as calças do garoto, com a traseira cheia de sangue.

Ele ainda teve que se aguentar, ir à delegacia denunciar, se descobriu que nem era filho dos mesmo, mas sim uma criança roubada na Bretanha.

Para ele, foi o caos, pois não conseguia tirar a imagem do garoto o olhando, pedindo ajuda.

Foi como voltar atrás em tudo que tentava esquecer, se fechou no studio e começou a pintar sobre isso, foi ele que tinha vista as fotos.   Um garoto, sujo, com os olhos escancarados, suplicando ajuda.

Mais uma vez meu irmão, consegues me entender, me ajudar.

Pediu desculpas por não ter ido, mas tinha que comparecer a esse julgamento.

Não queria que ele soubesse por ninguém, lhe contou o processo.  Viu que Tim ficava nervoso, chamou o médico.

De novo se colocou mal, o grande problema, era que as medicinas, o tornariam um dependente, estavam tentando um tratamento mais moderno, sem tantas medicinas, o médico avisou, que teria que ficar mais tempo depois se desintoxicando dessas medicinas todas.

Mas para surpresa de todos, que pensavam que ele estava se recuperando, escreveu uma carta ao irmão e aos pais, não escondendo nada.

Nunca na verdade tinha conseguido suplantar o problema dos abusos, mesmo com o psicólogo, nunca conseguia se colocar totalmente para fora, estava levando uma vida em Paris, fora dos limites que se tinha imposto, se sentia sozinho.

Sentia falta do seu irmão, conversava com ele mentalmente, pois era sempre o único que o entendia, haja visto, simplesmente viu as fotos, sabia que alguma coisa acontecia.

Mas não posso seguir em frente, já não tenho forças, sei que nunca mais me livrarei desses medicamentos, sou um prisioneiro do meu passado, da própria vida que sonhei para mim.

Numa distração de um enfermeiro, roubou do carinho de medicinas, uma quantidade grande de pastilhas.  Quando descobriram já era tarde, estava morto.

Para os três foi uma pancada imensa, por sorte ele tinha o Nelson, que não saiu do lado dele.

Receberam notícias semanas depois, que o dono da galeria, tinha feito a exposição com o que tinha, a crítica francesa tinha amado o trabalho dele.

Mas esse seu sonho, já tinha ido a merda.

Seu professor, um dia depois do enterro, veio falar com ele, contou que Tim, antes mesmo de ir embora, já estava desequilibrado, tinha lhe confessado seu amor pelo irmão.

Mas nunca tinha avançado, com medo de perde-lo.  Segundo ele, eras tudo de bom que ele tinha, contigo podia falar de tudo, já o tinhas salvado mais de uma vez, seguiria o fazendo.

Andy, estavam tão arrasado, que nem a notícia que seria o próximo fiscal, o mais jovem em várias gerações.  Os jornais falava dele, de seu trabalho, porque mesmo sendo ajudante do Nelson, alguns casos, levava ele.

Nelson se preocupava, agora vivia com ele, dizia que não suportava entrar na casa dos pais, dormir no quarto que tinha compartido com o Tim.

Confessou ao Nelson a mesma coisa, tinha demorado muito a se livrar do desejo de fazer sexo com o Tim, mas tinha medo, gostava dele, não queria perder seu irmão.

Com tudo isso, Bob e Roger, resolveram se aposentar, realizar o sonho deste último, venderam o apartamento, compraram uma casa na praia, perto de San Francisco, assim ele e Nelson podia ir de vez em quando passar o final de semana.

Mas não conseguia falar com eles nunca do Tim.

Roger que o adorava, estava mais acabado, tinha sido realmente como perder seu filho preferido, com ele conversava muito.

Eu nunca quis que ele fosse policial, por isso, sabia que ao ver certas coisas que vemos no nosso dia a dia, acabaria com ele.

Mas o destino, realmente está traçado, pelo menos procuramos lhe dar uma vida melhor.

Isso era sem dúvida uma coisa que era verdade, tinham sido uma família, para ele.

Nelson agora era juiz, as vezes se viam frente a frente no tribunal, mas eram profissionais.

Os jornais sempre elogiavam seu trabalho, pela maneira que levava, os pédofilos, quando viam que seriam julgados por ele, tentava de todas as maneiras escapar, pois sabia que ele se valeria de toda sua astucias, provas, para condena-los.

O deputado do caso do garoto, não durou muito tempo na prisão, foi assassinado.

A família tinha desaparecido no mapa. Segundo Nelson, tinha inclusive trocado de nome, pois usar o mesmo seria como uma maldição.

Agora ele preparava dois ajudantes, para futuramente serem fiscais, queria que as pessoas tivessem oportunidades, como o Nelson tinha dado a ele.

O adorava, as noites dos dois era diferente, jamais tocavam em qualquer caso que estivesse levando, nada de levar problemas para casa.   Anos depois ele adotou um garoto, que se parecia com o Tim, segundo Nelson era um pai, fantástico, os avôs babavam em cima do garoto, Bob o adorava colocar na cama.

Um dia recebeu um chamado de uma senhora, foi com a polícia ao local, era uma casa de okupas, encontraram os pais, totalmente drogados, uma criança muito pequena, ali toda suja, jogada no chão, tentando comer alguma coisa que via, era uma barata.

Ficou horrorizado.   O pai, estava morto, com a seringa ainda no braço, acabaram descobrindo que o mesmo tinha só um irmão, com uma família imensa.

Esse disse que o mesmo era assim desde jovem, a mulher estava internada, não sabia se um dia poderia sair dali.

O homem disse que não poderia ficar com ela, pois já tinha filhos demais, ele acabou adotando, fizeram os exames, ao parecer, não havia problemas, talvez ela tivesse parado com as drogas durante a gravidez.

Agora tinham um casal de filhos, Nelson fazia uma gozação, que ele estava mais para avô.

Morreu quando os garotos, tinham uns dez anos de idade.   Justamente quando o promoveram a Juiz.   Para ele foi duro, mas tinha que pensar nos garotos.

Falava em contratar uma senhora para cuidar deles, mas a solução foi outra, Bob e Roger, vieram um dia adoravam estar com os meninos.

Riu da cara do Roger dizendo que já não aguentava ver tanta água, compraram uma casa grande entre os três, assim eles cuidariam das crianças.

Ele adorava os ver no parque, com os meninos, Roger era agarrado a menina.

Ainda chegaram a ver os dois indo à universidade. 

Ele para muitos era uma incógnita, só tinha amado o Tim e o Nelson, não era capaz de sentir interesse por mais ninguém.

Apesar que seus pais lhe diziam que devia tentar novamente, ele quando conhecia alguém, via logo que não era como ele queria.

Até que conheceu um escritor, que era vizinho deles, tinha um filho da mesma idade, na verdade era seu sobrinho, como brincava com os seus, se encontravam, ele era do Texas, então fazia churrasco, convidava o vizinho.

Roger dizia que o tinha convidado a ele.

Um dia o colocou contra a parede, estou esperando uma chance faz tempo.

Mas foram devagar, cada um na sua casa, só quando os três foram a universidade, foi que passaram a viver juntos, era o amor da sua madures.

 

 

 

 

 

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