RHYS BROWN
Éramos cinco amigos de uma cidade pequena
perto de Sacramento, no Novo Mexico, nem todos nascemos ali, mas fomos
companheiros desde que fomos a escola.
Eu, cheguei nessa cidade com minha mãe,
para viver com minha tia, que tinha uma granja, tinha nascido ali, mas depois
quando se casou, se mudou para Washington, segundo minha tia, pois minha mãe
não me falava muito no assunto, ele trabalhava para alguma agência, nunca soube
se para o FBI ou a CIA, nunca se sabia aonde estava, como minha mãe se sentia
sozinha lá, voltou para casa da sua família, ele só apareceu uma vez, depois
nunca mais.
Mas ela recebia todos os meses um valor em
dinheiro depositado em sua conta, mas não o tocava, dizia a minha tia, que era
para um dia eu ir à universidade, que nenhuma das duas tinha ido, porque os
pais achavam uma besteira uma mulher estudar.
A cidade vivia de várias fábricas, ela
trabalhava numa delas na parte de administração, era uma empresa que fazia de
tudo em termos de vestiários, por último roupa de trabalho para os
trabalhadores das outras fabricas.
Sempre a via falar por telefone com um tal
de Winston, que lhe atendia, falavam de meu pai, este dizia que não sabia aonde
ele estava, com certeza fazendo algum trabalho fora do pais, perguntava por
mim, como eu ia, se o dinheiro seguia chegando.
Quando desligava, ela soltava um suspiro
largo, abaixava os ombros, ia se sentar numa poltrona na sala, junto a minha
tia, enxugava algumas lágrimas. Minha
tia soltava o famoso, “no News, good News”, assim seguia a vida adiante, mas
todos os meses essa chamada era um clássico.
Depois nesse dia subia para me colocar na
cama, coisa que não fazia os outros dias, fazia um gesto que meu pai fazia
quando eu era pequeno, despenteava meus cabelos.
Nos outros dias não fazia isso, quem me
colocava na cama, era minha tia, dizendo que minha mãe tinha chegado exausta do
trabalho.
Eu nessa época comecei minha paixão pelos
vídeos, quando entrei para a escola já no nível antes de ir à universidade,
tinha uns 13 anos, minha tia me deu de presente minha primeira câmera de vídeo. Eu como um pombo de peito inchado, mas
claro, para conseguir, renunciei a qualquer outro presente, de aniversário,
natal, pois sonhava com isso.
Filmei meus amigos de todas as maneiras,
eles sérios, inventava histórias, os fazia declamar alguma poesia, algum texto
que estivéssemos estudando.
Já disse que éramos cinco, Peter o mais
chegado a mim, pois era meu vizinho, James, Owen, Richard, todos tínhamos o
mesmo sonho, ir embora dali, o mais complicado era o James, era o mais fechado
em si mesmo, chegou à cidade depois, seu pai trabalhava numa das fábricas, o
pegava de vez em quando, porque não tirava as notas mais altas da escola. Isso
era impossível, pois teria que superar a mim e ao Owen, este sonhava alto, ir
para NYC, ser ator de teatro na Broadway, então era o meu preferido para gravar
algum texto.
Os cinco nos apertávamos com nossas mesadas
para ir ao cinema, se passava algum filme que nos interessasse. Mas claro tínhamos que pagar para o James,
pois esse não tinha mesada.
Ele em contrapartida era o mais bonito do
grupo, quando íamos ao lago, a única diversão da cidade, ficávamos os quatro
admirando seu corpo branco, perfeito, sua cara bonita, os cabelos loiros
cacheados, não se parecia em nada a seus pais.
Os cinco descobrimos o sexo ao mesmo tempo,
entre todos, nos masturbávamos, de uma certa maneira sabíamos que seriamos
gays.
O mais sem vergonha era o Peter, esse não
duvidada de colocar o piru dos outros na boca, eu me matava de rir, ele me
dizendo, temos que ir a San Francisco, abria os braços como uma vedete, dizendo
Castro nos espera, sabia tudo sobre essa parte de San Francisco.
Na época da AIDS, não se falava outra
coisa, como se essa rua fosse um antro de perdição.
Nessa época minha mãe morreu de uma maneira
besta.
A fábrica que ela trabalhava, estava em
greve, pois o herdeiro da mesma a tinha vendido a outra empresa, ia fabricar na
China, pois lá conseguia fazer preços melhores, tinha se associado a um da
máfia chinesa.
Minha tia discutia muito com minha mãe,
para essa não ir à manifestação, essa tinha dúvidas, os cinco discutimos a
respeito, eu queria ir, sabia de um edifício diante da fábrica, de aonde podia
fazer um vídeo, para mim era importante.
O único que se arriscou foi o Peter, como
sempre ele me acompanhava em todas as loucuras.
Fomos no dia antes, imaginamos o ângulo
perfeito para gravar tudo, no dia seguinte de manhã, não fomos a aula, só para
ver a manifestação.
Estava lá em cima filmando, quando vi minha
mãe, parecia nervosa, tinha pelo visto, reconhecido alguém na multidão, tentava
sair a qualquer custo, estava nervosa, foi abrindo caminho, como se o diabo
estivesse ali, nisso que conseguiu sair, um carro, depois consegui filmar,
vinha com duas pessoas, da lateral da fábrica, atropelou minha mãe, ela foi
lançada no espaço, parecia estar voando, bem como mais uma quantas pessoas, o
carro ficou justamente preso, por causa de duas que estavam embaixo das rodas
do carro.
Vi uma pessoa sair, tinha a roupa toda de
jeans, um casaco, uma arma na mão, bem como levava os cabelos compridos, que de
uma certa maneira lhe tapava a cara, se misturou na multidão, que levou um
tempo para entender o que tinha acontecido.
Minha mãe estava atirada em cima de um
carro, desci correndo dando ordem ao Peter para continuar filmando, nisso
apareceu a polícia. O homem dentro do
carro, era justamente o filho do proprietário, o mesmo que fechava a fábrica.
Tinha um tiro na cabeça.
Minha mãe a ambulância levou para o
hospital, embora o médico balançasse a cabeça, eu como um louco segui junto,
disse ao Peter para levar minhas coisas para casa.
De lá telefonei a minha tia na granja, ela
veio como louca, tinha avisado a irmã, para não ir pois tinha um péssimo
pressentimento.
Minha mãe não passou dessa noite, mas
despertou, falou alguma coisa no ouvido de minha tia, era sobre o número do tal
Winston, lhe comunicasse tudo, mas que ele devia seguir mandando dinheiro para
a conta, para que eu fosse a universidade.
Até o último momento a sua maneira se
preocupava por mim, isso nunca iria esquecer.
Só depois do enterro, foi que lembrei do
vídeo, primeiro vi com ela e o Peter, disse que tínhamos que mostrar para o
xerife.
Esse veio, comecei a mostrar desde o
momento que ela parecia ver alguma coisa, como ia tentando sair dali, antes de
aparecer o carro, se escutava um tiro, claro abafado pelo ruido das pessoas,
ninguém tinha escutado nada.
Depois o atropelo, pois o carro tinha
subido a calçada, atropelando as pessoas, como ficava tudo, além é claro, do
sujeito saindo do mesmo.
Fizemos uma cópia para ele, que ia tentar
aumentar para ver se via o rosto do indivíduo, embora achasse difícil, pois o
mesmo fazia tudo para tapar a cara.
Mas disse uma coisa que foi importante, as
famílias estão se reunindo, para reclamar do pai desse homem uma indenização,
pois ele matou dois que estavam embaixo do carro, bem como dois que ficaram
numa cadeira de rodas para sempre, além é claro de tua irmã. Disse o nome do advogado que devia procurar.
De qualquer maneira a fábrica já estava
vendida, seria agora outra coisa, os novos donos contrataram muitas das
mulheres da anterior.
Isso pareceu acalmar os ânimos, foi duro
tirar o dinheiro do velho, mas o advogado era bom conseguiu.
Lá foi mais dinheiro para minha conta. Ela não queria nada para ela, dizia que tinha
suficiente com o que ganhava.
Ela na minha frente ligou para o tal
Winston, falou duro com ele, que ela estava morta, mas que eu precisava
dinheiro para seguir em frente, frisava muito o da universidade, em momento
algum perguntou do meu pai, quando ele perguntou por mim, passou o telefone
para mim.
Foi educado, era uma voz, que poderia ser
de qualquer um, como uma gravação, disse que eu devia abrir uma conta no banco,
que ele saberia de imediato, seguiria mandando dinheiro.
Eu já pensando em comprar um laptop, os
primeiros que chegava na cidade.
Ela cortou o mal pela raiz, se queres de
dou de presente, fazemos como fizemos com a câmera de vídeo, sem presentes o
resto do ano, segui tendo minha mesada.
Estávamos no último ano, minhas notas eram
as melhores da escola, podia ter uma bolsa de estudos, nossas conversas agora,
era o que cada um queria fazer. O que
tinha em sua cabeça tudo resolvido era o Peter, queria ir para San Francisco,
arrumar um emprego em Castro, o resto viria depois, Owen e Richard tinha já
resolvido, iriam para NYC, na aventura, o único como eu que não sabia o que
fazer era o James, pois o pai o queria colocar para trabalhar na fábrica.
Segundo o comentário do Peter comigo, ia
ser uma merda, tinha feito sexo com um que trabalhava lá, quando comentou do
James, esse riu dizendo, se vê que é bonito, mas frágil, não vai aguentar, nem
creio que o contratem. O pai, é um
imbecil, faz muitas merdas, que os outros empregados temos que consertar.
Ele estava desesperado, não tinha um puto.
Eu fiz 18 anos, minha tia, foi comigo ao
banco, me autorizando a usar meu dinheiro, que era muito, naquela época para
mim, era como estar milionário.
Resolvemos entre os cinco, pois não ia ter
formatura, iam sim fazer uma viagem, mas na última hora se cancelou, eu sugeri,
como nos devolveram o dinheiro da viagem, se comprássemos bilhete de ônibus
para ir passar uns dias em San Francisco, eu e Peter procuramos um hotel barato
na internet, resolvemos ir, mas claro o James não podia, seu pai não permitia,
dizia que ele escolhia mal suas companhias, viajar com todos esses viados.
Mas combinamos com ele, eu compraria os
bilhetes, ele ficaria escondido na estrada, quando o ônibus se aproximasse, ele
correria, mandaríamos parar o mesmo, lhe daríamos o bilhete já pago.
Foi o que fizemos, nos divertimos no
primeiro dia, no segundo andando pela avenida de Castro, Peter arrumou um
emprego, viu um cartaz numa livraria, o homem estava acabando de colocar, ele
diria depois que tinha sido um sinal.
Eu resolvi ficar uns dias, conversei com
minha tia, ela me deu o número do Winston, lhe disse que estava em duvida do
que estudar, me falou que na universidade, tinha um psicólogo, me mandou falar
com ele em seu nome.
No terceiro dia, enquanto Peter já assumia
seu novo emprego, eu fui a entrevista, os outros de passeio de barco.
Conversei com o homem, lhe disse o que
imaginava fazer, literatura comparada, mas só a matéria principal, as outras
não me interessava, um curso de informática que tinha visto, anunciado como uma
coisa nova, dedicado a cinema, escritura de roteiro para cinema.
Ele me explicou que era possível, mas
claro, eu teria futuramente um diploma furado, que não me abriria caminho para
nada. Me lembrei de minha mãe falando
de uma conhecida de Washington que tinha muitos curso, mas sempre preferiam
alguém indicado, que na verdade ninguém sabia se o curriculum era verdadeiro,
pois ninguém comprovava nada.
O homem me ajudou, fiz inscrição nos cursos
que queria, cada secretária me avisava do mesmo, que no final, isso não me
daria um diploma completo.
Eu quase respondia que cagava para isso.
Contei para os outros como ia fazer. James nos escutava, com os olhos arregalados,
nesse ponto ele era muito covarde, nunca tinha se arriscado a nada, aguentava a
brutalidade do pai e da mãe, sem reclamar.
Peter ficou, fomos no último dia, olhar um
apartamento, que o dono da livraria arrumou para os dois, era um edifício
antigo, um terceiro sem elevador, mas éramos jovens, tinha dois quartos, aonde
eu poderia ter minhas coisas, uma sala, com uma cozinha incorporada, além do
banheiro.
Paguei os três meses, pois ele não tinha
dinheiro, não tinha recebido seu primeiro salário ainda.
Voltamos, vim conversando o tempo todo com
o James, gostava imenso dele, ele poderia ser muitas coisas, mas quem sabe se sairia
bem.
Quando chegamos fui direto conversar com
minha tia, Owen e Richard, dois dias depois pegaram um desses ônibus que vão
parando em todas as cidades, rumo a NYC, os pais tinham dado dinheiro para eles
começarem qualquer coisa.
Eu estava intrigado, nenhuma noticia do
James, quando falei com sua mãe, só faltou me bater, que eu tinha levado seu
filho a desgraça, falei com minha tia, tinha algo errado na situação, ela
chamou o xerife, foi uma confusão impressionante, o pai dizia que ele tinha ido
para San Francisco com esses viados, não tinha voltado.
Eu disse que era mentira, que o tínhamos
deixando na frente da casa.
Um dia fui ao lugar, aonde íamos sempre no
lago, vi sua mãe deixando flores em determinado lugar, agora eu tinha um
celular, presente da minha tia, para nos manter em contato.
Chamei a ela e ao xerife, este veio,
encontramos o James, com um tiro na testa, ao apertarem a sua mãe, ela
confessou que o pai o tinha matado.
Mas o pior veio depois, acabou confessando
que James não era filho deles, o tinham raptado numa cidade perto de Boston,
para quem eles trabalhavam, era um bebê.
Por isso as vezes James dizia que não
encaixava ali.
Os dois foram presos, isso atrasou minha
partida, pois não se podia enterrar, até que apareceram seus pais verdadeiros. Fizeram teste de ADN, era o filho perdido a
tanto tempo.
Passei uma tarde inteira com os dois que
foram lá em casa, falando dele, fiz cópia dos vídeos dele declamando poesia,
tudo que tinha feito com ele.
Finalmente conseguiram liberar o corpo, o
levaram embora, ainda pensei, ele finalmente conseguiu sair daqui, pois odiava
a vida que levava, mas da pior maneira.
Comecei a partir da conversa com eles, além
da mulher que o tinha roubado, que me contou uma história que havia que separar
a verdade, de uma mentira, se colocava no papel de vítima, o marido tinha
raptado o garoto, pois ela não conseguia ter filhos.
Depois o que o xerife tinha descoberto, os
dois eram pessoas problemáticas, já tinha raptado antes uma garota, de família
rica, para obter dinheiro.
Como a policia tinha se metido no meio, o
homem a tinha matado como tinha feito com o James com um tiro no meio da
testa. Esse filho da puta, tinha sido
do exército, se descobriu depois, que o mesmo, era o encarregado, de limpar,
que significava se iam a alguma aldeia, matavam todos, ele ia de um em um dando
o tiro de misericórdia.
Coloquei tudo em caixas, todo meu material,
umas quantas roupas, já tinha visto que se vestiam diferente por lá, falei como
Peter, preocupado, pois seus pais não tinham recebido muito bem a noticia que
ele tinha ficado por lá. Embora eu
garantisse que ele já tinha um emprego.
Como o aluguel estava pago, ele estava
conseguindo viver do seu salário, ri muito com ele, quando me disse que já
tinha ido a lugares fantásticos.
Verdade seja dita, o James era bonito, mas
ele era diferente, tinha um tipo que atraia atenção, já com uns quinze anos, eu
lhe chamava atenção, pois encarava os garotos com quem queria fazer sexo.
Lhe perguntei se estava tomando cuidado?
Claro que sim, me achas louco, soltou uma
gargalhada como sempre fazia.
Ele já sabia da história do James, mas
ficamos de falar tudo quando eu chegasse.
O gerente do banco me chamou, falou de uma
remessa que tinha chegado, que era agora de um valor maior, fui ao banco, tinha
chegado como sempre, ninguém sabia de onde.
Falei com o Winston, que disse que já que
ia viver em San Francisco, a vida lá era mais cara.
Não disse para ele, que todo o dinheiro que
tinha mandado ao longo desses anos, nunca tinham sido tocados, sim aplicado.
O gerente me indicou uma pessoa em San
Francisco, para transferir minha conta, na surdina me disse que iam fechar a
agência, que falasse isso para minha tia, já sabia como eram essas coisas numa
cidade pequena.
Ela fez uma coisa, fomos a uma loja de
carros de segunda mão, eu fiquei literalmente apaixonado, por um desses carros
antigos, com uma parte de carroceria de madeira, que hoje em dia não se fazem
mais, que aparecia nos filmes antigos.
O dono disse que pertencia a uma senhora
que tinha morrido a pouco tempo, os filhos nem quiseram tocar no mesmo. Estava bem conservado, só tivemos que limpar
o motor, me fez dar uma volta com ele, dizendo, parece um gato. Realmente o dito cujo, não fazia ruido.
Coloquei minha coisas dentro, agora
basicamente só saberia de minha tia pelo celular, falaria duas vezes por semana
com ela, dava notícias do Peter a sua família.
Como o pai o tinha tratado mal, quando
chamou, o mandou a merda.
Lá fui eu, entrar em San Francisco foi toda
uma aventura, consegui uma garagem no edifico ao lado, não o queria deixar na
rua, ria muito, Peter diria depois, que as pessoas sempre olhariam, pois
parecia que tínhamos saídos daqueles filmes de praia, Rock Roll, que passavam
na televisão, quando éramos garotos.
Tive que escutar todas suas aventuras, mas resolvemos
uma coisa, que as aventuras sexuais seriam na casa do parceiro, nunca lá em
casa.
Ele disse que adorava ir a casa desses,
porque assim conhecia a pessoa, as vezes vê um tipo todo arrumando num bar ou
discoteca, o sujeito está na última da moda, quando chegas a casa do sujeito é
pior que um chiqueiro.
Ele tinha uma imaginação incrível.
Lhe perguntei se tinha decidido fazer
universidade, ele disse que esse ano não, queria conhecer a cidade, poder
pensar no que fazer.
Eu ao contrário, montei meu quarto como
tinha sonhado, comprei uma mesa velha, ali era meu lugar de trabalho, investi
numa impressora, tinha levado uns poucos livros, os que mais me interessavam.
Ele já tinha descoberto aonde comprar
roupas de cama, etc. No carro eu tinha
trazido toda sua roupa, sua mãe me passou escondida do marido, que dizia que ia
fazer uma fogueira.
Eu tinha achado genial a roupa que usava,
ele me arrastou, levamos no carro, toda nossa roupa, fomos trocando por outras,
era uma loja de segunda mão, eu consegui umas calças que depois fariam sucesso,
que eram da marinha, hoje já não se usam mais, com os botões na laterais, um
tanto boca de sino, um casaco do exército, para o inverno, mas o que mais
gostei, foi um desses blusões que usavam os que tinham motocicletas. Muitas camisetas.
As roupas grandes lavávamos numa
lavanderia, as outras, em casa. Nada de
passar roupa, secar, dobrar, estavam perfeitas, Peter dizia que arrugadas
tinham mais charme.
Deixei meu cabelo crescer, como todos
usavam na época, nunca mais os cortei.
Arrumei um dia que saímos, meu primeiro
namorado, já o tinha visto no corredor da universidade, só não sabia que era
professor.
Ia a casa dele, cumprindo nosso trato, nada
de levar para casa.
Ao mesmo tempo, no primeiro dia de aula,
quando cheguei com meu carro, fiz sucesso, eu era diferente, entre ser caipira,
ao mesmo tempo moderno.
Procurei um trabalho para a parte da tarde,
consegui um na biblioteca, indicado pelo professor de literatura.
Tinha aulas de manhã, comia no refeitório
da universidade, depois ia trabalhar, logo depois das aulas tinha trabalho, mas
da metade da tarde para a noite, a coisa ficava frouxa, aproveitava para seguir
escrevendo a história do James.
Depois de juntar todas as histórias,
resolvi, fazer uma coisa, começava como o tinha conhecido no primeiro dia de
aula, em que todos tinham sua merenda, ele não, que entre os cinco repartimos
com ele.
A partir desse dia, cada dia tocava um
levar um pouco mais para dar para ele. O
mesmo eram as roupas, ele era mais magro que a gente, íamos passando as roupas
para ele, dizia rindo que no fundo, era uma mistura dos amigos, que adorava
pois tinha o cheiro de cada um.
Contei tudo, como tínhamos descoberto o
sexo, entre todos, mas conversas comigo, que ele reclamava que tinha alguma
coisa na vida dele que não encaixava, mas não conseguia se lembrar do passado,
antes de chegar à cidade.
Depois falei a história que tinha contando
a sua suposta mãe, o pai tinha escutado falando no julgamento, era outra
história, ele acusava a mulher de ter raptado esse garoto que não servia para
nada, sempre seria uma merda de frágil, como era seu pai verdadeiro, um bom
filho da puta, como tinha matado a garota que tinha raptado antes dele, esses
bebês filhos de grã-finos, choram muito, são frágeis, melhor matar. Mas cada vez que eu ameaçava, ela o
defendia.
Depois pedi que cada um escrevesse o que se
lembrava dele. O mais sem vergonha foi o
Peter que me contou que tinha feito sexo com ele, em San Francisco.
Os outros demoraram para responder, já os
inclui quando escrevi como livro.
Um dia a chefa, me pegou escrevendo no
laptop, que me acompanhava a todas as partes, pediu uma cópia para ler.
Depois me devolveu, com duas correções, que
eu devia trocar a frase de lugar.
Ficava melhor sem duvida nenhuma, me pediu
uma cópia outra vez, a mandou para um editor, esse deu de cara com um rapaz de
19 anos, que ainda estava no primeiro ano da universidade, mas fui a
entrevista, queria saber como era.
Me perguntou o que eu queria fazer?
Lhe disse que estava num curso de
escritura, ia apresentar ao professor, faria o mesmo no curso de roteiro de
cinema, pois o queria transformar num roteiro, quem sabe no futuro, filmar o
mesmo.
Ficou me olhando, disse que eu tinha a
cabeça muito bem arrumada.
Lhes interessava publicar o livro.
Lhe respondi, que ainda me faltava a parte
dos dois amigos, do grupo, que estavam em NYC, não tenho ideia de como viam o
James.
Ele me disse que lhe impressionava, como eu
tinha resolvido sem querer o crime.
Além do momento, em que descrevia o James,
uma vez, que estávamos os dois sozinhos abraçados na minha cama, conversando,
eu conseguia me lembrar perfeitamente da cara dele, a tinha descrito.
Além é claro que não sabia se sua família
original ia permitir uma publicação.
Sai da conversa eufórico, parecia que
andava a uns dez centímetros do chão.
Falei com os dois de NYC, que me contaram o
que estavam fazendo, pequenos papeis na Broadway, como tinha sonhado, o outro
estava trabalhando de vitrinista num grande armazém, que era o máximo, pois
exigia criatividade, ainda me soltou, todos do departamento são gays.
Em uma semana, pude ler, incorporar a parte
deles.
Owen, sempre tinha achado que o James não
encaixava na cidade, não entendia que ele sendo tão fino, realmente fisicamente
era para ser uma pessoa fina, saísse daqueles pais tão brutos.
Quando ele se sentava na mesa para comer,
era com cerimonia que comia.
Owen descrevia uma vez que o convidou para um
Ação de Graças em sua casa, já que na sua não faziam nada.
Minha mãe depois nos encheu o saco, que
James sim sabia se comportar na mesa, que nós éramos uns famintos.
O que não deixava de ser verdade.
Richard mais sem vergonha contava de um dia
que tinham estado no lago só os dois, conversando, tentei beija-lo, me disse
que não, mas tomamos banho como sempre nus.
Eram uma verdade, sempre que íamos ao lago,
se não tinha ninguém todos tomávamos banho nus.
Finalmente pude acabar o livro, o montei,
tirando as partes que eram besteiras, mas falando das conversar com cada um,
era regra geral, ele dizer aos outros que algo não encaixava.
O que no fundo era uma verdade, falei com o
xerife, consegui o número de celular dos pais, disse o que estava fazendo,
fomos amigos desde garotos.
Disseram literalmente que iriam consultar
um advogado, para saber se tinham ou não direito a interferir.
Eu por outro lado, fui consultar um, esse
me disse que se usasse nomes diferentes, que contasse como um romance, que eles
não poderiam fazer nada.
Um dia para minha surpresa, recebi uma
chamada do Winston, me perguntou em que andava metido.
Na hora não entendi, até que ele mencionou
o nome da família do James, lhe respondi que já tinha consultado um advogado,
se contasse como um romance, mudando o nome das pessoas, sem falar da família
original, eles não podiam falar nada.
É uma família muito importante, nunca
perdoaram o FBI, por não conseguir encontrar seu filho.
Acabas sendo tu que levantas toda essa
história.
Eres como teu pai, sempre metido em
confusão.
Cortei dizendo que nem sabia quem era meu
pai, pois sequer me lembrava da cara dele, se o encontrasse na rua, não saberia
dizer quem era.
Pela tua última foto, eres a cara dele,
cuspida e escarrada.
Lhe perguntei como sabia de minha cara,
começou a rir, tenho minhas maneiras, acompanhei todo teu crescimento ao longo
dos anos.
Me perguntou se seguia recebendo o dinheiro
como sempre, me avisou, só vai até que termine os cursos, com boas notas.
Fiz o que o advogado tinha falado, troquei
o nome de todo mundo, mudei algumas coisas como se fosse um romance.
Mostrei para minha chefe, me disse que
ficava mais interessante, como se fosse um livro policial. Mesmo assim comuniquei aos pais dele, por
cortesia, agradeceram, pediram uma cópia do mesmo.
Posteriormente me escreveram, dizendo que
não sabiam que todos seus amigos eram gays.
Nem respondi.
Entreguei o texto para o professor, lhe
disse que tinha mandado uma cópia para um editor, lhe disse o nome, que já
tinha lido o texto anterior, que ao mesmo tempo estava transformando a história
num roteiro de cinema.
Ficou olhando minha cara, como querendo
dizer que eu era pretencioso.
Mas tirei a nota máxima no final do curso,
pois me mandou escrever um outro texto, como se fosse um jornalista, me deu a
notícia.
Mal sabia ele que eu tinha essa mania, li a
notícia, fui falar com o jornalista, que tinha escrito o texto, depois com
todos os implicados, que ao abrirem a porta riam, pois me escutavam falando por
telefone, depois viam minha aparecia, que de uma certa maneira fazia a coisa
funcionar, se relaxavam, pensavam um simples estudante.
Escutei todas as versões da história,
depois falei com o policial que tinha atendido o caso, bem como o inspetor, por
último o fiscal.
Esse riu na minha cara, me impressionaste
com tua voz, abro a porta, vejo um garoto.
Mas quando me escutou falando, como eu
tinha feito, me pediu para ler tudo que eu tinha.
Depois me agradeceu, fizeste o trabalho
melhor que o policial, o inspector, mesmo o pessoal que trabalha comigo, metade
desses pontos de vista eu não sabia.
O julgamento seria em breve, me disse que
esperasse, para ver o que dizia o advogado de defesa, que foi o único que não
quis falar comigo.
Eu tinha pouco tempo para entregar o
trabalho, deixei um espaço, justamente para isso, o advogado de defesa.
Foi uma experiencia impressionante, pois
era como ver a partida de futebol, desde outro ângulo.
Mas suas provas, foram demolidas pelo o
fiscal, que chamou todo mundo que eu tinha entrevistado, que a policia não
tinha feito, a história virou, o fiscal ganhou o caso.
Deu uma entrevista, inclusive me
agradecendo, um simples estudante, fez melhor o trabalho do que uma equipe
junta.
No dia seguinte, depois de ter entregue o
trabalho, o professor me olhava de outra maneira.
Estava entrando na biblioteca, quando
Winston me chamou, garoto, como gostas de confusão, um dia serás ótimo
trabalhando aqui.
Lhe perguntei o que era aqui, não
respondeu.
Acabei o ano, os dois trabalhos tirei nota
máxima, pois tinha pesquisado, ele disse na cara dos outros alunos, sem um erro
de gramática.
Mal sabia que eu tinha revisado tanto tudo,
que tinha olhado por essa parte também.
No ano seguinte incorporava a parte de
informática, o que me facilitaria mais ainda minha maneira de trabalhar.
Quase não via o Peter, pois o mesmo, agora
tinha um namorado, um francês do consulado, estava sempre na casa do mesmo, dizia
que era um apartamento maravilhoso, com vista para a bahia, ele sempre tinha
gostado dessa ideia do luxo.
Que nas férias iria como outro para Paris.
As vezes durante a semana nós falávamos por
celular, pois nossos horários não coincidiam, nem nosso tipo de vida, a dele
era de ir de festa em festa, o mesmo acontecia com os dois de NYC, quando
falávamos, minha conversa não encaixava com a deles.
Diziam sempre em tom de deboche, que eu
nunca deixaria de tentar ser a nota máxima, bem como parecer um intelectual,
que havia que viver nossa juventude.
No fundo queriam dizer que eu devia fazer
como eles, ter um namorado em cada esquina.
Meu romance com o professor não tinha dado
certo, ele queria ler o que eu escrevia, mas não lhe permitia, dizia na sua
cara, que estava em sua casa para outra coisa.
Um dia me disse que queria um
relacionamento como um casal.
Nas férias tirei uma semana fui visitar
minha tia, estava igual, com suas coisas, nos sentamos, falei das conversas com
o Winston, me disse que minha mãe nunca falava nada, que mesmo entre suas
coisas, não havia nada a respeito de teu pai, sequer a certidão de casamento.
Nunca foi explicita a respeito disso, um
dia o conheceu aqui, duas semanas depois foi embora para Washington com ele.
Quando voltou, foi como se tivesse o rabo
entre as pernas, a partir desse momento, começou a trabalhar na fábrica,
colocou na cabeça que o dinheiro era para teu futuro na universidade, ela agora
ia adorar saber de seus progressos.
A mãe do Peter veio falar comigo, ele tinha
falado com ela do seu romance com o francês, fui honesto, dizer que não
conhecia o mesmo, falei inclusive do nosso trato, que os romances fora de casa.
Quando voltei, levei um susto, o quarto
dele estava vazio, fui a livraria, não trabalhava mais lá, o dono contou que
estava vivendo diretamente com o francês.
Finalmente me devolveu a chamada do
celular, me convidou para jantar com eles, fiquei surpreso, o francês tinha
idade de seu pai, era um tipo, verdade seja dita, um homem bem cuidado, muito
afetado, o apartamento era maravilhoso para o padrão que Peter gostava.
Iriam na semana seguinte para Paris.
Ele em particular me perguntou sobre o
nosso apartamento?
Lhe disse que seguiria lá, quase joguei na
sua cara, que nos últimos cinco meses, desde que basicamente vivia com o
francês, ele não pagava a parte dele, mas a cobrança do mesmo entrava em minha
conta.
O livro saiu, fez sucesso logo de cara, a
minha chefa dizia que era fácil de ler, isso era importante, que as pessoas
gostassem do que estava escrito desde o primeiro momento.
Logo me chamaram para entrevistas, alguns
apresentadores, pensavam encontrar uma pessoa de mais idade, quando viam a
minha cara, cabelos compridos, um bigode fino, que mais parecia um projeto de
bigode, roupas relaxadas, alguns até comentavam.
Eu contei que escrevia desde que tinha
noção, acreditava que desde os dez anos, um dia desses abrirei uma caixa que
tenho, com todas minhas lembranças.
Inclusive perguntando do meu pai ausente, que nunca escutava falar dele.
Recebi uma chamada do Winston, que eu nunca
voltasse a falar do meu pai nas entrevistas.
Fui procurar no meu registro de nascimento,
nunca tinha tido curiosidade de olhar, aparecia como sendo Rhys Browen, fui
procurar no famoso vovô Google, nada.
Deixei de lado, o fiscal conseguiu que eu
falasse com o acusado do caso que tinha ajudado, escutei o sujeito, era uma
outra versão de tudo.
Ele já sabia do livro que eu tinha escrito,
me falou que seu advogado tinha sido uma merda, contratado pelo seu pai, um
homem muito rico.
Me contou toda sua vida, desde garoto,
enfiando num colégio interno, para não encher o saco deles, que viviam em
sociedade, tinham reconhecido para ele, que não gostavam de crianças, sai do
colégio, para a universidade, sem maturidade nenhuma, logo conheci drogas, comecei
o ciclo de internamentos, falou como se sentia em cada um desses.
Imagina, vais para um lugar, esperando que
te curem, vamos dizer assim, esbarra que é um lugar para pessoas ricas, cheias
de loucuras na sua cabeça, escuta tudo aquilo, pensas eu sou melhor que eles,
não cheguei a isso.
Até que matei meu companheiro, claro ao
descobrir que estava comigo, pelo dinheiro que tinha, meus pais me deram logo
um apartamento, para viver longe deles, que nunca apresentasse nenhum namorado,
nada, não queriam saber.
Mas imagina, um garoto sem conviver com
ninguém, que foi como passei a minha primeira infância, chega numa escola, quer
ser amigo de todos, assim acabei sendo pasto sexual, para professores, que eu
achava que me queriam, colegas que abusavam de mim no banheiro da piscina,
enfim, virou uma coisa normal, na universidade não foi diferente, como agora
também, sou a senhorita de um traficante de drogas, esse pelo menos, a consegue
para mim, mas cuida que eu não transpasse tudo.
Quando matei meu companheiro, minha família
fez tudo para o caso ser abafado, subornou o policial, o inspector, só não
conseguiu com o fiscal. Contavam ganhar
com isso, pois os mesmo tinham feito mal seu trabalho.
Vai vocês, consegue descobrir o resto. Esses vizinhos viviam reclamando dos
escândalos que meu namorado drogado aprontava, um dia saiu para ir ao
supermercado de botas, mas nu.
A policia trouxe para casa, já conheciam
meus pais, ficou por isso mesmo.
Fui falar com o fiscal, ele escutou toda a
gravação, tinha comprado um desses celulares mais modernos que gravam a
conversa sem a outra pessoa perceber.
Ele realmente confessou que matou o outro,
mas estava de drogas até a alma, isso seu advogado não usou direito, mas matou.
O mesmo cobra uma fortuna, para atender
essa gente rica, peça uma entrevista com ele.
O mesmo não queria atender, quando falei
meu nome, atendeu, perguntou o que eu queria, lhe disse que tinha sido
autorizado pelo seu cliente, inclusive tinha uma carta firmada por ele, pois o
tinha entrevistado, que iria publicar um livro a respeito, que usaria nomes e
sobrenomes, autorizado por ele.
O outro deu um suspiro profundo, me disse
que fosse no dia seguinte a primeira hora.
Quando cheguei, ele estava com o pai, um
sujeito pomposo, um tipo de pessoa que nunca suportei.
Tirou um talão de cheque, perguntou quanto
eu queria.
Fiquei olhando a sua cara, o senhor me acha
com cara de chantagista, nem pensar, mas se me der uma entrevista como se deve,
posso mudar de ideia, usar nomes falsos na história, lhes entreguei meu livro
sobre o James, era meu melhor amigo, foi assassinado pelo seu suposto pai, que
o tinha raptado quando criança.
O filho da puta soltou, que não tinha tido
essa sorte, que tanto ele como a mulher odiavam crianças, tudo tinha acontecido
de imprevisto, ela quando viu já não podia abortar.
Nem quis dar de mamar, pois isso ia afetar
seus peitos, contratamos uma pessoa para fazer isso, que foi a mulher que o
criou.
Me ofereceu uma barbaridade de dinheiro
para não escrever sobre o assunto, chegou a escrever no cheque.
Me levantei, disse na cara dele, quem devia
estar na cadeia é o senhor, não seu filho, o que ele fez é fruto de uns pais
egoístas.
Winston me chamou, eu lhe perguntei como
sabia das coisas.
Me disse que não devia escrever sobre esse
assunto.
Ri na cara dele, pensei que esse era um
pais democrático, que não só pensava escrever, como fazer um filme a respeito.
Consegui falar com o rapaz novamente,
perguntei se ele lembrava o nome da baba.
Me contou, mas não sabia aonde vivia.
Quando contei para o fiscal da entrevista, Jack
Hosken, riu, eu tentei falar com os pais dele, mas encontrei com uma barreira,
essa senhora a baba, deu trabalho encontrá-la.
Mas a subornaram bem, para não falar de
nada.
Enquanto ele for vivo, ela não pode abrir a
boca.
Nesse dia tinha ido jantar com ele, me
disse que lhe impressionava que na minha idade, a minha cabeça fosse assim.
Lhe falei dos meus amigos, Peter esta em
Paris, vivendo com um homem que podia ser seu pai, que Owen e Richard em NYC, a
sua maneira realizavam seus sonhos de jovens.
Eu sempre fui diferente deles, mas sempre
aceitei isso, que éramos diferentes, talvez daí que todos nos entendêssemos.
Uma semana depois fui chamado ao presidio,
o rapaz, me disse olhando com uma cara toda amassada, me deram uma surra, dez
abusaram de mim, mas fiz uma coisa, disse que cada um podia me usar
tranquilamente, sem problemas, fiz sexo com todos, o chefe dele disse ao meu
ouvido quando me penetrava que eram ordens de meu pai, para me matar.
O convidei para dormir comigo, ele não
sabia, mas minha baba vem sempre me visitar, me trouxe uma pequena gravadora, o
fiz falar enquanto me penetrava, esta tudo aí, abriu sua mão em cima da mesa,
ao lado da minha, seja rápido me disse, ele tirou a mão eu peguei o pequeno
cartão digital.
Na saída um policial, vai lhe entregar duas
cartas, estão no mesmo envelope, uma é a direção da minha baba, ela vai atender
você, a outra é uma para o fiscal, quero processar meu pai.
Num outro envelope, uma autorização, para
você chegar a uma caixa num banco, aonde estão coisas interessantes, olhe bem,
meu pai me quer morto, porque descobriu que eu na minha última visita a casa
deles, abri o cofre, retirei essas coisas de lá.
Acha que estou morto, ele consegue
recuperar, faça bom uso delas.
Me agradeceu pelo que fazia por ele, limpar
de certa maneira seu nome, não nego meu crime, mas nessa caixa, encontraras um
talonário, ele deu dinheiro ao meu amante para me matar, assim se livrar de
mim, foi quando o matei.
Saiu dali, sabendo que talvez fosse a
última vez que o via com vida, se ele estava agora com esse que tinha ordem de
mata-lo, enquanto pudesse o seduzir tudo bem.
Peguei os envelopes, era uma corrida contra
o tempo, fui a casa da babá.
Ela me explicou, os pais me puseram na rua,
como sabia de coisas demais queriam me dar dinheiro, ele me aconselhou a pedir
muito, assim pude comprar meu pequeno apartamento.
Me entregou a chave, disse qual era o
banco.
Falei com o Jack Hosken, esse foi comigo,
encontramos um caderno, que constava o nome do juiz que o tinha julgado, tinha
recebido um belíssimo cheque de seu pai.
Fomos falar com ele, se não trocasse o
rapaz de presidio, o íamos publicar nos jornais.
Ele ficou branco como um papel, nem se
atreva a falar com o pai do mesmo, podemos acabar com sua carreira, sabiam que
o filho fazia prova para fiscal, imagina o que vai acontecer com seu filho,
acabará com a carreira dele.
Ele deu a ordem imediatamente, fomos ao
presidio, mas já era tarde demais, o que tinha contado tudo, o tinha matado.
Mas contou tudo ao Jack Hosken, quem tinha
sido o policial dali que era o intermediario, bem como o diretor do presidio.
Todos tinham recebido um belo cheque.
O Jack Hosken, me disse que tomasse
cuidado.
Trocamos de caixa forte tudo, pois se ele
conseguisse uma autorização, encontraria uma caixa vazia. Ele tinha anotado num papel, o código da
caixa forte do pai, o Jack conseguiu uma ordem do juiz, que agora quando nos
via ficava branco. Jack ainda lhe disse
que era o culpado disso tudo.
A polícia acompanhou Jack a casa do pai,
ele não queria receber pois estava de luto pela morte do filho, o pegaram com a
mão na botija, tentando fechar o cofre.
Levaram tudo que estava dentro, com o outro
gritando que não sabiam com quem estava mexendo.
Jack pediu um juiz federal, que não tivesse
nenhum ligação com o dito cujo, foram para prisão preventiva os dois ele e a
mulher.
Voltei a casa da baba, agora ela não tinha por
que ficar calada, me contou como tinha sido a infância do rapaz, bem como as
festas, mais bem orgias que os dois promoviam, por isso tinham tanta gente com
rabo preso por eles.
Com a carta do rapaz, todos os documentos
que conseguiram, o juiz federal, condenou os dois a pena máxima.
O filho da puta ainda ameaçou o juiz,
dizendo se ele sabiam com quem estava lidando, pois iria conseguir alguma coisa
de podre sobre ele.
O juiz um senhor a beira da aposentadoria,
lhe soltou, por desacato, mais cinco anos de prisão, adoraria ver você
descobrir alguma coisa sobre mim.
Depois me recebeu com o Jack Hosken, vejo
que deverias estar estudando direito, para ser um fiscal, li teu livro, espero
o segundo. Mas esteja sempre preparado,
essas pessoas são vingativas.
O pior é que a merda sem eles fazerem nada
tocou o juiz que tinha condenado o rapaz, pois claro seu nome constava entre os
que recebiam dinheiro do pai.
O ódio o descobriram quando o juiz mandou
fazer um teste de ADN, o filho não era dele, mas sim da mulher, que nunca dizia
uma palavra, quando a fizeram encarar isso, contou que tinha acontecido numa
das orgias promovidas por ele, nem tinha ideia de quem era o pai.
Os documentos todos eram reveladores, foi
entregue a corte suprema, que iria investigar o assunto, pois envolvia não só a
deputados, senadores, que tinham participado em orgias na mansão do filho da
puta.
O FBI, iria montar uma rede para escavar
tudo, embora alguns implicados fizeram tudo para que isso não fosse em frente,
pois envolvia menores na sua maioria, nessa orgias.
O sem vergonha tinha um registro de tudo,
bem como encontraram vídeos explícitos.
De novo Winston, lhe telefonou, garoto,
aonde colocas a mão, sai muita merda, cuidado, eu se fosse você, tirava uma
licença de arma, para se cuidar.
Sem querer como saiu nos jornais, se falou
em classe.
Logo lhe avisaram que ele tinha duas
entrevistas, perguntou com quem, não lhe disseram nada, sua chefa foi quem
soltou, como mexeste em uma caixa de pandora, com certeza, são do FBI ou até da
CIA, para fazer o que fazem sempre, reclutarem pessoal.
Ande com pés de plomo.
Ele tinha aprendido uma coisa, não guardava
nenhum documento em casa, pois como vivia sozinho num edifício que não tinha
porteiro, isso era um perigo, seu laptop, bem como um disco duro de reserva,
ele levava sempre com ele.
Foi a entrevista, da porta quase solta uma
gargalhada, pois os dois homens se vestiam iguais, só faltava óculos escuros,
que estavam no bolso do casaco.
Tinham uma ficha dele completa.
Leram tudo para ele, que balançava a
cabeça, ao final ele só disse uma palavra, “I”.
Lhe ofereceram treinamento, que se
incorporasse ao departamento, sem especificar qual.
Ele se levantou devagar, disse que ia
pensar, se sabem tanto sobre mim, devem saber de meu pai, Rhys Browen, se esta
vivo, diga que se foda, se já morreu, já foi tarde.
Saiu o corredor estava meio escuro, viu que
entrava um rapaz, com aparência de chinês.
Andou dois passo, havia uma porta
entreaberta, aonde dois homens comentavam o que ele tinha falado.
Que sujeito mal agradecido, depois de tudo
que fizemos por ele, reconheceu a voz do Winston, entrou calmamente, o outro
disse que ele não podia estar ali, se via a entrevista do rapaz.
Ele antes que pudesse, apertou um botão que
viu através do cristal, quero avisar meu caro, estão te analisando aqui atrás,
antes de mais nada, não penso jamais em me juntar a vocês.
Fodam-se.
Virou-se para o Winston, só voltarei a
falar contigo, quando me resolva falar sobre meu pai. Quero saber a verdade,
senão já sabes do que sou capaz.
Tenho agora amigos na suprema corte, como
com os juízes federais, posso pedir uma ordem para verificar tudo no seu
“DEPARTAMENTO”.
Mesmo assim obrigado por todo o dinheiro
que depositaram, minha mãe nunca foi tonta, aproveitou, esse dinheiro foi
investido através dos anos, mais o que recebi de indenização do atropelo e
morte, o que me deste para a universidade, tudo foi investido, tenho dinheiro
por muitos anos. Nem se atreva a fazer
nada contra mim, tinha o celular gravando, o levantou fez foto dos dois, saiu
fechando a porta. Só escutou um
dizendo, filho da puta.
No dia seguinte todos os departamentos da
universidade, sabiam que usavam as instalações para entrevistar alunos para o
Departamento, aonde era, como se fazia.
O chinês, se aproximou dele, ri muito
depois que sai, pois se esqueceram de me entrevistar direito, o convidou para
irem almoçar em Chinatown.
Eles querem que vigie a minha família, sem
que eu queira pertenço a uma família poderosa em Chinatown, meu irmãos mais
velhos serão os chefes, me querem com titulo universitário, para formar
empresas limpas. Aceitei, pois assim
faço universidade. Pois não tenho muito
por aonde escapar.
Ficaram amigos, estavam conversando, quando
viu pelo espelho um sujeito como ele tinha visto no carro do patrão de sua mãe
assassinado.
Ficou quieto, seguiu falando, mas prestando
atenção, com o celular fotografou o mesmo no espelho, só que desta vez tinha um
óculos escuros.
Agora era como se estivesse atento a tudo.
Uma semana depois, chegou em casa, a
encontrou revirada, chamou o fiscal, ele apareceu com a polícia, ele não tinha
entrado.
Fizeram de tudo, mas quem tinha entrado,
tinha tido cuidado, tinha mexido nas coisas, principalmente em cima da mesa,
aonde tinha um rascunho de um projeto de filme, com o caso de James.
Tinha impresso esse pedaço, pois não
encontrava uma palavra que fosse coloquial.
Ele só imprimia depois de muito trabalhar,
mesmo assim o fazia na biblioteca da universidade, Agora prestava muita
atenção, passou a fazer no final do dia, aulas de karaté, em Chinatown em um
Dojo que ia seu novo amigo.
Um dia saiu, viu a figura que tinha visto
através do espelho, sentada no fundo de um restaurante, antes que esse se desse
conta, estava sentado na frente dele.
Riu, te peguei, tirou o celular do bolso,
posso passar essa foto para o Winston, o que achas disso.
O homem tirou os óculos, bem como o chapéu,
ficou parado olhando-se como num espelho.
Esses filhos da puta merecem o que eu faço
contra eles.
Quando te vi com o filho do chefe, fiquei
preocupado, falei com ele, me disse que tens uma cabeça incrível.
Isso eu sei, pois acompanho tudo que fazes,
venha, lhe entregaram uma bolsa de comida, ele saíram pela cozinha, ia falando
com todo mundo em chinês.
Andaram por uma vielas, até chegarem a uma
parte que era um beco sem saída.
Se agora te matasse.
Ias matar teu próprio filho.
Caralho é verdade te pareces a mim, tens
sangue frio, por isso te entrevistaram, que querem treinar para me caçar,
soltou um filho da puta bem sonoro.
Num pequeno apartamento, lhe disse, o uso
só para dormir, estou todo o dia andando, executando ordens.
Fui treinado, logo depois que nasceste,
vivia pelo mundo, executando pessoas, a mando do famoso departamento. Um dia desconfiei que tinha meus dias
contados, pois descobriram que eu guardava tudo registrado.
Foi quando disse a tua mãe, que fosse viver
com sua irmã, o Winston era meu melhor amigo no departamento.
Fingi que ia a China executar uma ordem
deles, mas fui diretamente a pessoa, contei o que tinham me mandado fazer, a
partir de então trabalho para eles.
Eu não sabia que tua mãe, era a mulher que tínhamos
atropelado, creio que ela me viu entrar na lateral da fábrica. Por isso queria
sair, dali, sempre temia por ti.
Tínhamos um código, nós falávamos por um
telefone que havia na rua.
Dia e hora marcada, recebi ordem para matar
o filho da puta que tinha vendido a fábrica, pois no final ele ficou com o
dinheiro, lesando ao chineses, esses nunca perdoam.
Me escreveu num papel que estava por ali,
aqui uma ordem para acederes a uma caixa que está no Luxemburgo, pois se me
acontece alguma coisa, disse o nome de um advogado, só ele sabe disso. Anotou o
numero do telefone do mesmo.
Se estão te seguindo, em seguida estarão
aqui, me beijou, nunca deixei de te querer, era só para te proteger, isso é
para se cheguem aqui, pensaram que te agredi.
Me deu um soco, depois que guardei os
papeis, nas meias por dentro da bota que usava.
Em seguida apareceram um dos homens que
tinham me entrevistado, me encontraram jogado na cama suja dali.
O que eu estava fazendo ali, esse homem me
disse que ia me contar um segredo, mas me deu um murro, cai na cama. Me ajudou a me levantar.
Viste quem era, disse que nem no escuro
tinha tirado o óculos.
Quando cheguei em casa, sentado na escada
estava Winston.
Vais me contar ou não, quem era?
Lhe repeti tudo que tinha falado com o
outro, usando inclusive as mesmas palavras.
Me disse que ia me levar até meu pai, só
isso. Tinha uma bolsa com comida, me
disse que era para ele.
Acho que o tipo era chinês, pois falava
algumas palavras erradas, depois ninguém se veste dessa maneira mais.
Sim os velhos na china se vestem assim, me
soltou o Winston.
Amanhã vais andar comigo Chinatown inteira
veras, isso.
Se quero andar Chinatown, não será contigo,
sim com meu amigo, Wong.
No dia seguinte fui as aulas como se nada
tivesse acontecido, conversei com o Wong, mas só disse que alguém tinha falado
com ele, sobre mim, que eu agradecia o silencio.
Segui meu trabalho como se nada, agora
fazia uma coisa, escrevia meu texto sobre o rapaz, tinha acesso a todo
material, quando ficou pronto, mandei para o editor uma cópia, bem como um
roteiro para um filme, ainda não tinha base necessária, para fazer um.
Começaram desta vez a entrevistas antes do
lançamento do livro, eu não escondia que primeiro tinha visto as mentiras da
polícia, sobre o assunto, depois quando o rapaz me chamou para conversar comigo. Nunca mencionava o nome dele, nem no livro,
era como um tema tabu.
Claro um jornalista se fosse interessado
descobriria, mas no livro, ele sempre era o rapaz.
Falei longamente de tudo que tinha
descoberto, como ele tinha me ajudado a fazer o resto.
Graças a deus, que agora os responsáveis
estão na cadeia, mas muita gente que menciono com outro nome, ainda anda por
aí, senadores, deputados, enfim muita gente que passa por honesta, estavam
nessas orgias, qualquer um podia ser o pai dele. Mas essas provas hoje estão todas no tribunal
supremo, bem como nas mãos do FBI.
Perguntem ao Winston.
Quem é Winston, me perguntou o
entrevistador, olhei surpreso para ele, eu não disse tal palavra, mas claro
isso já estava no ar, era minha vingança de muitos anos guardada.
Quando sai, recebi uma chamada, filho da
puta, te protegi todos esses anos, eu completei espero um dia que eu fosse
trabalhar contigo, para caçar meu pai, verdade.
Ele desligou o celular, mas eu tinha
gravado a conversa, agora comigo era sempre assim.
Fui para NYC, vi meus amigos, foram ao
lançamento do livro, saímos juntos em portada.
Peter telefonou de Paris, me convidando
para ir.
Logo, dois dias depois de um telefonema,
fui para Washington, fui falar com o juiz que tinha ajudado, lhe contei minha
história.
Não sei o que se passou, mas o
DEPARTAMENTO, pagou anos seguidos minha educação, a pouco tempo tentaram me
convencer de entrar para trabalhar com eles, com o intuito de que eu caçasse
meu pai. Quero ver a ficha dele, dei o
nome do Winston, o chamei, o idiota não tinha trocado de número, falou
diretamente com o Juiz, que lhe deu vinte minutos para estar em seu gabinete.
Entrou espumando, isso me dá por ter-te
protegido todo esse tempo.
A casa de vocês era vigiada noite e dia,
para ver se ele aparecia. Se sentou na frente do juiz, o melhor desabou na
cadeira, acabo de saber que me aposentam, tirou um pen-drive do bolso, entregou
ao juiz.
Fui o melhor amigo de seu pai. Ele fazia uma coisa errada, anotava tudo que
lhe mandavam fazer, de quem era a ordem, a quem tinha que executar, ele foi
treinado para matar.
Quando viu que tinham descoberto isso, foi
a China fazer uma execução, mas se passou para o lado deles, pois sabia que se
voltasse estava morto.
Eu consegui que lhe dessem por morto, pois
ninguém mais falou do assunto, assim consegui um pagamento a família, depois
uma bolsa de estudos para esse sem vergonha ir à universidade.
Pensei que ele ia se limitar a estudar, mas
o filho da puta, é igual ao pai, bom demais no que faz.
Agora o vigiam, pois sabem que ele de certa
maneira encontrou seu pai, sei que é verdade, mas já não está no pais, voltou
para a China.
Vai solta meu nome numa entrevista, mostrou
ao juiz, no celular, ele negando que tivesse falado essa palavra, mas todo
mundo viu e escutou.
Mas claro para te assassinarem, terão mil
coisas pela frente.
O juiz chamou o chefe do FBI, por telefone,
pediu que fosse ao seu gabinete, quando deu de cara com os dois, soltou, se
escuto falar alguma coisa que este rapaz está sendo seguido, ou mesmo ameaçado,
sua cabeça vai rodar. O outro inventou
milhões de desculpas, falando do livro que ele tinha em seu poder, o senhor
imagina o que aconteceria.
O juiz foi mais prático, colocou em cima da
mesa, um celular, que tinha gravado tudo, o senhor escutou minhas ordens.
Ele também tinha gravado, eu ainda lhe
disse que nem tinha ideia do que ele estava falando, nem sabia de documentos
nenhum.
Na frente de todo mundo, disse que iria
agora a Paris, visitar um amigo, que era casado com um cônsul francês, o que
nunca descobriste Winston, era que meus amigos, sempre fomos gays.
Ele ficou me olhando, como dizendo, fique
quieto, creio que tu também, o chefe dele tinha ido embora, tínhamos nos
despedido do juiz. Ou se sabias,
ficaste quieto, porque eres também essa amizade com meu pai, significa que o
amavas, verdade?
Garoto filho da puta, eres como ele como eu
digo sempre, ele descobriu isso, quando fazíamos treinamento, pois eu estava
sempre ao lado dele.
Mas claro, eu sempre trabalhei interno, ele
era mais duro na queda, virou sim um executor.
Depois era casado, tinha tua mãe e
você. Com o tempo foi ficando
diferente, achava que se acontecesse qualquer coisa iriam por vocês, por isso
pediu tua mãe para ir para a cidade de aonde tinha saído.
Depois desapareceu, uma vez a anos atrás,
estava em Istambul, fazendo um trabalho para o Departamento, fui sequestrado
uma noite, abusou de mim, como eu queria claro, me dizendo ao ouvido, é por
isso que andas atrás de mim.
Foi embora me deixando para trás, mas
cumpri o que prometi a ele, que sua mãe tivesse uma espécie de pensão, bem como
tu depois.
Me desculpe, mas deves sair desse lugar,
aceite sua aposentadoria, encontre algo que gostes de fazer, vá em frente,
afinal me pareces boa pessoa.
Lhe dei um beijo no rosto, ele colocou a
mão em cima, não te lembras, mas quando ia a casa de vocês, com ele, me fazia
isso. Obrigado meu filho.
Logo entro em contato contigo para dizer
aonde estou.
Fui para Paris, nunca ri tanto na minha
vida, Peter tinha realizado seu sonho, era um homem da sociedade, deu uma festa
no imenso apartamento que viviam, me apresentando todo mundo que conhecia do
cinema, dizendo que eu tinha dois roteiros.
Um deles, se aproximou, me disse muito
sério, que tinha lido os dois romances, ou melhor como sei que foram fatos
reais, livros de aventura, ou como queriam chamar, os americanos têm mania de
rotular tudo.
Lhe disse que tinha os roteiros dos dois,
lá mesmo, mas claro estavam em inglês, teria que aprender francês para
traduzir.
Me convidou para na semana seguinte ir
assistir a filmagem de um filme que fazia, é um policial, a história está
escrita, por um ator, que foi polícia antes, vais gostar de conhece-lo.
Eu tinha gostado era dele, mas Peter disse
que cuidado, ele acaba de se divorciar, foi uma coisa complicada, pois ela
falou que ele era gay, mas ninguém sabe se é verdade.
No dia combinado, mandou um carro me
buscar, fui para os subúrbios da cidade, assisti de camarote, toda a rodagem do
dia, aproveitavam o lugar, para fazer uma cena de um dia, outras de mais
adiante.
Me apresentaram o ator, escritor do texto,
ele me disse que tinha lido meu primeiro livro, gosto como escreves, parecia
que estavas sentado na outra poltrona, me falaram do novo.
Sim acaba de sair, como se refere a um
grande escândalo, fará sucesso, pois saiu nos jornais.
Ele me chamava de garoto o tempo todo,
afinal podia ter a idade de meu pai, se eu escrevesse sobre isso, ele poderia
fazer o papel.
O Peter tinha uma vida agitada, ri muito,
pois criticou minhas roupas, me fez ir com ele, para comprar roupas caras, lhe
disse que nem pensar, que eu gostava de andar dessa maneira.
Quando muito aceitava prender os cabelos,
numa festa, na casa dele, tinham sempre.
Um dia lhe disse, quero ficar mais tempo,
mas essa vida que levas, sei que era teu sonho, mas não encaixa comigo, me
perdoas amigo, vou para um hotel, ou alugarei um pequeno apartamento, ele logo
conseguiu isso.
Aí passei a andar pelas ruas escutando os
franceses falarem, me matriculei numa escola de idiomas para emigrantes. Não me saia mal, parece que eu atraia, as
pessoas vinham me contar suas histórias, as escutava, mal sabiam que eu gravava
tudo. Escutei de tudo, fuga,
sentimentos desencontrados por serem imigrantes, sendo considerados cidadãos de
segunda, de profissão todas.
Quando o professor descobriu meu livro que
estava sendo lançado lá, mas em inglês, mostrou para o pessoal, essas pessoas
vinham falar comigo, só um disse que eu não falasse nada a respeito dele.
Um dia andando por uma rua no centro, cheio
de restaurantes japoneses, um reflexo me fez virar, era meu pai.
Saímos dali, me levou num carro, para fora
da cidade, a uma casa no campo.
Pudemos conversar muito, ele me contou toda
sua vida, que tinha entrado para o Departamento, pensando numa vida melhor para
minha mãe, para mim.
Ele era da polícia, se destacava como
inspetor, por saber fazer a coisa funcionar, foi quando me mandaram Quantico,
para um treinamento, lá me recrutaram.
Pudemos ter um apartamento melhor. Mas ao começar executar o que me mandavam, eu
senti que tinha que me proteger, por isso escrevia tudo que me mandavam fazer,
bem como o nome de quem dava as ordens, alguns já morreram, outros estão aí na
política. Passam por serem pessoas
respeitáveis.
Lhe falei que tinha me vingado do Winston
pelos anos que tinha me mentido.
Ele se matou de rir, já na academia, ele
era apaixonado, ao mesmo tempo morria de medo que descobrisse, te contou de
Istambul?
Sim, me contou, eu lhe perguntei se uma
coisa que ele nunca entendeu, meus amigos, todos éramos gays, loucos para sair
daquela cidade pequena. Mas graças a ele, consegui.
Ele deve estar perdido, se eu pudesse,
estaria com ele, pois de uma certa maneira o queria.
A cara dele quando contou que tinha feito
sexo com o senhor, foi ótima.
Não me recriminas?
Jamais, cada um faz o que pode com sua
vida.
Por que estás estudando francês?
Porque quero ser eu a traduzir meus livros,
querem editar aqui, mas preciso aprender para manejar tudo isso.
O que estas fazendo agora?
Estou escrevendo a história das pessoas que
conheci nesse curso, são todos emigrantes, que de uma maneira ou outra foram
obrigados a sair de seu pais.
Ele me levou com ele, pelos subúrbios de
Paris, para conhecer como viviam essas pessoas.
De uma certa maneira me aceitavam.
Ele foi embora, disse que não lhe permitiam
ficar muito tempo fora. Se recebes uma
chamada me disse um nome Tao Browen, é teu irmão, sinal de que me mataram.
Tem aqueles papeis que te dei verdade, se
puderes o ajude, ele vive em Xangai, aonde estuda.
Tampouco vive comigo, podia ser um perigo
para ele. Mas se me acontece algo, uma
pessoa muito próxima o avisará.
Fiz uma coisa que horrorizou o Peter quando
lhe contei, aluguei um apartamento, justamente no bairro que sabia que viviam alguns
dos alunos que tinha conhecido.
Fui absorvendo como viviam, convivi com
suas famílias, isso me abria espaço para muita gente.
Comecei a comparar isso, com o que tinha
vivido em San Francisco, Chinatown, era uma coisa similar, imaginei a anos
atrás quando se formou o bairro como era.
Ali hoje em dia conviviam muitos vietnamitas, japoneses, orientais de
uma maneira geral.
O que eu sempre tinha pensado, agora me
dava conta que tinha errado, que eram eles que escolhiam isso, formar um gueto,
mas me enganava, a sociedade os obrigava a isso.
Eu era estrangeiro, mas o que achavam
interessante, era como se eu fosse um personagem.
Fui a uma festa na casa do Peter, ia
embora, queria fuçar isso, tinha pensado muito, iria deixar a universidade,
queria me aprofundar no sistema americano, escrever para cinema, iria desta vez
para Los Angeles.
Quando comentei o que tinha feito, aonde
tinha ido morar. O diretor de cinema,
me aplaudiu, um que tem a coragem que não temos. Nessa noite, havia muita gente falando, isso
sempre me confundia, fui para a varanda com uma taça de champagne nas mãos.
Ele chegou perguntou quando eu teria o
texto de meus livros disponíveis para fazer um filme.
Olhou diretamente nos meus olhos, me
convidou para sua casa.
Foi uma noite incrível, mas comigo era
sempre assim.
Me despedi dele, dizendo que o avisaria,
quando tivesse o texto em francês, pois seguiria estudando lá.
No dia seguinte, Peter foi me levar ao
aeroporto, vi de longe meu pai numa fila, embarcando num voo para a China, fiz
um gesto muito sutil, como se me estivesse despedindo do Peter, mas acenava
para ele.
Me mudei para Los Angeles, mas antes estive
meses mergulhado em Chinatown com meu amigo, tínhamos imensa discussão, sobre o
fato de eu falar em gueto.
Um dia me levou para conhecer seu pai. Era um homem impressionante, pois se via que
todos o respeitavam, depois me apresentou seu irmão maior.
Esse lhe faltava muito para ser igual ao
velho, mas falou que conhecia meu pai, um grande homem.
Escrevi um artigo, como eu via, ao mesmo
tempo respeitava essas pessoas, tinha vivido o mesmo em Paris, para saber como
era, mas dizia ao final do artigo que pensavam que sempre vemos como outros
olhos, nunca entendemos nossos semelhantes.
Por causa dele, me chamaram para uma
entrevista, fui honesto, veja bem descobrir essa maneira de ser em Paris, fui
estudar francês, pois queria eu mesmo traduzir ou entender uma tradução, do meu
trabalho, mas me toquei que temos a mesma coisa aqui, com sempre houve nas
grandes cidades americanas.
Os emigrantes sempre ficam a parte, algum
que consegue um nível superior, escapa, faz tudo para esquecer de aonde saiu,
consegue ir à universidade, mas não volta aonde saiu.
Eu mesmo sai de uma cidade pequena, com o
sonho de ser alguém em San Francisco, quando voltei da minha viajem fui visitar
minha tia, a cidade não mudou, sou eu que sou um estranho no ninho lá.
A tinha visto mais velha, queria vender
tudo, viver numa residência boa, iria ver uma para ela agora em Los Angeles,
assim estaria perto de mim.
Tínhamos conversado muito, falei do
encontro com meu pai, de todas as confusões que tinha me metido.
Ela ria muito, eres como dizia o Winston,
igual a ele, sempre metido em confusões, lhe contei do irmão que tinha, mas
achava que tinha que esperar, o queria conhecer, mas temia ser complicado.
Antes de ir para Los Angeles, fui falar com
meu amigo, me disse que iria dentro de uma semanas a Xangai, ia terminar a
universidade ali. Perguntei se lhe
incomodava de ir junto com ele.
Lá fui eu, agora teria que ir com cuidado.
Mas mal cheguei uma televisão soube, me
entrevistaram meu livro estava nas livrarias, da cidade, não tinha nada a ver
como eu imaginava a cidade, era extremamente cosmopolita.
Um dia na rua, dei de cara, com Tao, sem
saber como o reconheci de imediato.
Nos sentamos num café, ele falava um inglês
perfeito, lhe perguntei como ia nosso pai.
Não muito bem, esta ficando velho, já não
pode fazer o que a tríade lhe pede, então espera seu final.
Ele na verdade, é um problema para eles,
pois sabe demais, basta dar na língua nos Estados Unidos, que seria um problema
para minha mãe, que vive com ele.
Para todos os efeitos, sou sobrinho dela,
que foi adotado.
Me levou para aonde vivia, um lugar cheios
de estudantes do pais inteiro, mesmo alguns que vinham de fora, como meu amigo. Embora ele sempre estivesse cercado por
pessoas da Tríade.
Nosso pai, apareceu uma noite, abraçou aos
dois, disse que estava mal do coração, que lhe iam fazer uma operação, prefiro
Tao, que vás embora com teu irmão, tirou um passaporte americano do bolso
entregou para ele.
Foi o Winston que o conseguiu, nos
encontramos em Hong Kong, falamos muito, esta agora viajando pelo mundo
inteiro, para ver o que nunca viu, só nas fotos de sua sala.
Logo vai te procurar.
Embarcamos os dois juntos, quando nos
perguntaram, eu disse que era meu irmão, ele tinha traços mais americanos que
chineses, tinha herdado algumas coisas de meu pai.
Sua mãe apareceu uma noite para se
despedir, era uma mulher linda, disse alguma coisa para ele, que não entendi.
No avião me soltou, que nosso pai, tinha
encontrado outra saída, mas não disse qual.
Fomos direto a Los Angeles, saímos
procurando casa, ou um apartamento, conseguimos uma em Malibu, convidei minha
tia, que tinha vendido suas terras para vir.
A louca veio na sua velha caminhonete,
quando chegou na entrada, me chamou, fomos até lá para a levar para casa, Tao
foi dirigindo meu velho carro, ela nem sabia que existia ainda.
Adorou a casa, a acomodamos, adorava se
sentar na varanda olhando o mar, nunca tinha saído da sua cidade, nunca fui
aventureira como tua mãe.
Um dia o Winston apareceu, nos contou que
meu pai tinha encontrado uma saída honrosa, quis fazer um último trabalho, se
deixou pegar, o mataram.
Assim não tinham duvida nenhuma que ele era
da tríade até o final.
Ele aparecia sempre tinha largas conversas
com minha tia, do que tinha feito quando o aposentaram, uma viagem pelo mundo
inteiro, indo aos países que nunca tinha conhecido, a não ser através dos
relatórios dos homens que ele coordenava.
Jean o diretor francês veio atrás de mim,
queria fazer o filme, sobre o James, ficou lá em casa, claro que na minha cama.
Nos sentávamos para escrever o roteiro,
resolvemos começar de uma maneira diferente, ele sabia como fazer, começamos
quando o raptaram, até chegar à cidade, os amigos que fez, ao ir a escola,
fomos montando tudo, meu personagem era como um elo entre todos, o que era uma
verdade, até hoje era assim, as vezes, nós falávamos todos por skipe, ao mesmo
tempo.
Minha surpresa final, foi saber que o Peter
estava terminando um curso de línguas na Sorbonne. Tive que provar a mim mesmo,
que não sou uma pessoa tão fútil como pensava.
As coisas com seu amigo cônsul, não andavam
bem, estava naquela época que queria aventuras a três, com gente jovem para
recuperar a juventude, acabou que ele pediu o divórcio, que foi feito entre
bambalinas, pois o outro era de família importante.
Um belo dia apareceu lá em casa, chegou ao
mesmo tempo que Winston, este o convidou para ficar na sua casa, que não era
longe.
Jean tinha voltado com a primeira parte da
história para tentar o mercado ver se alguém produzia, mas claro, para os
franceses era americano demais.
Mas Peter começou a traduzir o livro para o
francês, as editoras de lá seguiam interessadas.
Eu estava ao mesmo tempo escrevendo um
livro, agora sobre o que tinha andado mergulhado, como os chineses tinha
chegado a essa região, trazidos para trabalhar como escravos na construção da
ferrovia.
Como foram se espalhando pelo pais.
Tinha encontro com estudiosos, mas um me
contou uma história de um que tinha vindo, o tinha raptado, jovem, era filho de
um grande senhor. Tinha estudos, quando
viu o que lhe esperava, começou a organizar os chineses, logo era o cabeça
deles, foi como surgiu a primeira tríade americana.
Montei um romance em cima disso, junto fiz
o roteiro de um filme, que um diretor, assinou um termo que ia respeitar o meu
texto, ficava horrorizado, pois eu estava todos os dias na filmagem, as vezes
me aproximava educadamente, sugeria uma mudança de palavras que melhorava o
texto. A contra gosto aceitada, dizia
sempre maldita hora que assinei esse contrato.
Foi quando entendi, que os diretores,
gostam de mudar tudo, fazer como imaginam, por isso a história sai
diferente. Já com trinta anos, me
matriculei num curso de cinema, voltava a minha paixão antiga, vídeo câmera.
Transpus para lá, uma das histórias que
tinha escutado em Paris, um emigrante da Nigeria, que tinha fugido por
perseguição, política, o imaginei, chegando a uma sociedade diferente, aonde
muitos negros ainda era de segunda, ele um catedrático da universidade de lá,
que só encontrava trabalhos brutos.
Falei com um ator afro-americano, como se
dizia hoje em dia esse topou imediatamente, fomos a Nigeria gravar as primeiras
cenas, mas antes passei por Paris, para encontrar com o da história, descobri
que tinha voltado para lá, o encontramos, nos ajudou.
Sabia que eu tinha mudado seu nome, nada o
relacionava com o filme. Foi mais fácil.
Tao foi junto, minha tia finalmente
resolveu ou escolheu aonde queria viver, dizia que me minha casa, sempre tinha
muita gente.
Peter ficou tomando conta enquanto
estávamos fora.
Quando voltamos, eu segui dirigindo o
filme, bem como produzindo.
Por causas das entrevistas, logo apareceu
gente querendo investir, o que me surpreendeu, eram trazido pelo ator
principal, pessoas negras que tinham vencido na vida.
O filme fez sucesso, que acabou me lançando
como diretor,
Peter dizia que eu tinha dado uma volta
imensa na minha vida, para voltar estar atrás das câmeras.
Comecei, já que Jean nunca tinha conseguido
patrocinador, a rodar a história do James, incluía na mesma a história de minha
mãe, como sem querer eu tinha filmado sua morte.
Uma cadeia dessas que passam séries
patrocinou, investiu dinheiro, mas a primeira temporada, só ia até a morte
dele.
Seus pais verdadeiros, agora já com idade
viram primeiro o texto, me apoiaram diziam que eu era o único que nunca tinha
esquecido seu filho, como lhes dizer que tinha sido meu primeiro amor.
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