LES PROCHES
LES PROCHES
Jean-Paul Laud, se arrenpendia do dia que
tinha concordado em hospedar em sua casa, o filho de sua irmã Marie.
Ela que tinha criticado tanto sua mãe, com
seu irmão mais velho Michael, ou Mimi para os íntimos, que tinha morrido jovem
nas drogas, este era o maior dos três, filho do primeiro casamento dela. Chegou a Paris, arrastando o Michael pela
mão, logo arrumou um emprego no açougue de seu pai, acabou casando com ele, daí
nascemos eu e Maria, mas ela nunca deixou de demonstrar que Mimi era seu
preferido. Talvez porque ele era filho
de um homem que tinha amado, com meu pai, ela estava em busca de segurança, seu
sonho era que ele fosse a universidade, ela pouco tinha estudado, era de
família pobre.
Tudo de melhor era para ele, eu herdava sua
roupa, menos cuecas, camisetas que meu pai me comprava. O velho ao contrário mostrava declaradamente
uma aversão ao Mimi, primeiro quando pediu que o ajudasse no açougue, nossa mãe
disse que nem pensar, para ficar cheirando carne morta, seu filho seria alguém
na vida.
Mas ao contrário de seus sonhos, Mimi era
mau estudante, escapava de casa, tinha amigos pouco recomendável, mas ela não
via nada disso.
Se ele lhe chamava a atenção, se colocava a
favor do filho, nos dois os menores, restava menor importância.
Eu ao contrário, era bom estudante, Marie
também, tirávamos boas notas, obedecíamos a nosso pai, chegou um momento que
ele simplesmente ignorava o Mimi.
Com 14 anos, eu chegava da escola, ia
trabalhar no açougue, não me importava, assim meu pai me dava uns
trocados. Marie ao contrário, ia para
seu quarto, fechava a porta, começava a estudar.
Meu pai tinha orgulho de mim, pois bastava
me ensinar uma vez, eu aprendia, um dia se sentou comigo, me explicando cada
parte de um animal, para saber o nome perfeito das carnes a serem vendidas.
Mimi me olhava com desprezo, vivia
reclamando de aonde vivíamos.
Um dia meu pai soltou, que ele tinha
memoria curta, pois quando chegaram a Paris, tinham vivido nas ruas, que era um
mal agradecido, claro nossa mãe pulava como uma leoa para defender seu filho
querido.
Realmente não era o sétimo céu, vivíamos
nos fundos do açougue, num apartamento, nem bom, nem mau, confortável, um
grande salão, que era a cozinha ao mesmo tempo, os quartos sim eram pequenos,
eu dividia um com Mimi, tinha que dormir em cima, pois ele se negava, a subir.
Dizia que ficava enjoado.
Meu pai me dizia, que tivesse calma, quando
estávamos a sos no açougue, dizia sempre nunca siga o exemplo do teu irmão,
esse não vai acabar bem.
Dito e feito, um dia desapareceu, nossa mãe
ficou como louca, meu pai falou com um policial que vivia ali perto, que vinha
comprar carnes todos os dias.
Ele levou minha mãe até a delegacia, para
dar queixa de desaparição, no que ela mostrava a foto, um dos policiais a levou
a morgue, lá estava o Mimi, com dois tiros na cabeça, tinha roubado drogas de
um traficante, para seus amigos.
Foi um deus nos acudam, mas claro não
haviam provas de nada, as balas eram de uma arma roubada, ninguém tinha visto
nada, tinha sido de madrugada.
Ela passou semanas fechada em seu quarto,
Marie teve que fazer comida para nós, reclamava mais fazia, criticava nossa mãe
até dizer chega.
Levou quase um ano para levantar a cabeça,
voltar a ser o que era.
Seguia guardando dinheiro para o Mimi, eu
ria muito, ela pensava que ninguém sabia aonde escondia dinheiro, numa lata,
escondida no antigo fogão a lenha, que não era usado.
Eu segui trabalhando, pelo menos escapava
dos largos suspiros dela, não queria que meu pai entrasse no seu quarto, um
belo dia, mudou, passou a usar a cama do Mimi, meu pai montou duas para nós
dois no quarto grande.
Eu, não reclamava, pois pelo menos passei a
poder comprar roupas para mim, ter meu canto, pois no outro quarto tudo era
dele.
Marie, seguia tirando as melhores notas da
escola, eu ficava em segundo plano, era bom aluno, mas não me sobrava tempo
para me dedicar tanto aos estudos.
Tinha que ajudar meu pai, nunca reclamei,
mas gostava de ler, escutar boa música, ao contrário do resto da família.
Marie conseguiu uma bolsa de estudos para
ir a Universidade, mas lhe faltava dinheiro, um dia entrei no quarto da minha
mãe, roubei a caixa mais escondida dela.
Fui ao banco com a Marie, abri uma conta
para ela.
Foi um escândalo de fazer gosto, como eu
podia roubar dinheiro que era para o Mimi, ela colocou na cabeça que um dia ele
entraria pela porta com um título de doutor.
Meu pai, pela primeira vez perdeu a calma, a
chamou de louca, se não se comportasse direito, ele ia mandar interna-la.
Isso bastou, mas a casa estava mal cuidada,
a comida nem sempre era boa.
Eu fui crescendo, mas nunca muito, tinha
sim corpo por ajudar meu pai, tampouco era bonito como o Mimi, um dia estava
tomando café num bar, encontrei um conhecido, ele tinha estudado com meu irmão,
rindo me contou que tinha descoberto o sexo com ele, dava para todo mundo no
banheiro da escola. Principalmente a
seus amigos ricos, queria ser como eles.
Como se piru de rico fosse diferente dos
pobres.
Guardei isso para mim, pois minha mãe vivia
implicando comigo, que minhas roupas eram simples, que eu não tinha bom gosto,
por aí vai, se fosse o Mimi, saberia escolher o melhor.
Meu pai dizia para ficar quieto, pois se
discutisse ela fazia um escândalo.
Passei a ganhar um bom salário, pois meu
pai, dizia que eu era trabalhador, valia por dois.
Como tinha casa, comida e roupa lavada,
guardava todo meu dinheiro no banco.
Este rapaz que tinha estudado com o Mimi, trabalhava no banco, me
ensinou a aplicar o dinheiro, não faça como teu pai, que deposita, mas deixa o
dinheiro parado.
Marie, seguia igual, chegava em casa, ia
estudar, ignorava solenemente nossa mãe, podia falar o que quisesse que ela
fazia que não escutava.
Mal acabou a faculdade, com boas notas,
conseguiu um lugar para dar aulas em Aix-en-Provence, meu pai lhe deu dinheiro
para alugar um apartamento, foi embora.
Agora nossa mãe falava de seu filho querido
para as paredes, basicamente só saia de casa para ir à Missa aos domingos.
Eu ao contrário, como meu pai abria os
domingos pela manhã, ia trabalhar, mas nos finais de semana, me encontrava com
meu amigo do banco.
Mas nunca voltava tarde para casa, pois
tinha que levantar-me cedo.
Talvez por isso, adquiri o hábito de ter
sexo, aqueles que nunca duram mais que o momento.
Henry esse meu amigo, dizia que eu era
rápido demais, não eres feio, tens bom corpo, não sei por que não tens um
namorado por mais tempo.
Justo nessa época, Marie apareceu com um
namorado, ele era professor da Universidade em Aix, aonde ela fazia pós
graduação, posteriormente ela passou a trabalhar na universidade.
Ele veio fazer a famosa pedida de mão. Quando se casaram, foi lá, só fui eu, pois
era um casamento civil, nada de igreja.
Nossa mãe fez um escândalo danado.
Dois anos depois, eu estava para fazer 29
anos, nosso pai morreu, tive que providenciar tudo, comprar um tumulo no
cemitério mais perto, o de Montmartre, aproveitei, comprei dois lugares, nunca
se sabe pensei.
Seu enterro foi interessante, muitíssima
gente, nossa mãe não foi, disse que não gostava disso.
Não perdoava claro que seu filho querido,
tivesse ido para um cemitério, mais longe, de pobres segundo ela.
Depois fomos a leitura do testamento, o
advogado, explicou aos três, que ele tinha mandado fazer uma avaliação do seu
local, bem como do apartamento atrás, quanto valiam. Nos passou o papel,
explicou que era uma zona que o comercio valia muito, era como se fosse a parte
baixa de Montmartre, ele dividiu em três, eu herdava o açougue, pois era seu
filho mais velho, minha irmã a metade desse valor, a outra ia para minha mãe.
O duro foi que ela ficou de presente para
mim.
Eu nunca disse a minha irmã o que fazia,
meses antes de morrer, meu pai, me passou uma boa quantia que tinha no banco,
para que eu aplicasse, mas no meu nome.
Esse dinheiro ficou para mim, fechei o
açougue o tempo necessário para fazer uma boa reforma, quando abrimos, eu tinha
ampliado o negócio, agora tínhamos uma parte que fazíamos sanduiches para o
pessoal que trabalhava ali perto, contratei uma mulher, abri a parte que ficava
justo atrás, que era a cozinha da casa, ali, ela cozinhava coisas práticas para
as pessoas levarem.
Minha mãe fez um escândalo, seu filho Mimi,
nunca faria isso com ela, mas eu tinha aprendido com meu pai, a não escuta-la.
As vezes a pegava falando com minha irmã,
reclamando, um dia lhe disse que aprontasse suas coisas, que iria viver com
Marie.
Essa veio correndo, dizendo que nem pensar,
mas claro pegou uma parte do dinheiro da velha.
Ela se deu conta que tinha que aceitar o
que tinha.
Anos depois tive que contratar uma pessoa
para cuidar dela, a cabeça foi a merda, tinha Alzheimer, a primeira cuidadora, um
dia me perguntou, quem era Mimi, pois ela ficava falando baixinho seu nome.
Um dia procurando documentos, numa caixa
que era dela, achei o registro de nascimento do Mimi, não constava o nome do
pai, era um bastardo como se diria na época.
Ela tinha construído uma fantasia em cima
disso, como se fosse viúva de um homem de bem, tudo era invenção da sua cabeça,
por isso Mimi, merecia o melhor.
Fiquei com uma pena imensa dela, podia a
ter mandado para um residência de pessoas maiores, como insistia a Marie. Mas tinha dinheiro para pagar duas pessoas
que se revezavam para a cuidar.
Um dia Henry comentou de um apartamento,
num edifício estilo Hausmann, me disse que os donos estavam apertados, velhos,
precisavam vender justamente para ir para uma residência.
Fui com ele dar uma olhada, o apartamento
era bom, mas claro precisava de uma puta reforma.
Consegui abaixar com isso um pouco o preço,
não muito pois os velhos me davam pena.
Separei alguns moveis que gostava, o resto
eles venderam ou levaram para aonde iam viver.
Fechei o mesmo, contratei o senhor que
tinha feito a reforma do açougue, um português que trabalhava com toda sua
família.
O que eu gostava era do salão, pois tinha
uma bela lareira, dava para se ficar em pé dentro.
Ali encontrei sem querer, duas caixas, na
hora pensei que os donos tinha esquecido, mas quando abri, vi que era muito
anterior a eles.
Tinham documentos, joias, dinheiro que nem
existiam mais. Retirei dali, guardei em
casa.
Quando o apartamento ficou pronto, justo
nessa época minha mãe, finalmente descansou dormindo.
No enterro só estávamos basicamente nos
dois, além do pessoal que trabalhava para mim.
Não havia nada de leitura de testamento, o
dinheiro dei todo para a Marie.
Essa tinha um mantra, que eu tinha levado a
melhor parte, diretamente na cara, lhe perguntei se invés de estudar tivesse
trabalhado no açougue, talvez.
Me olhava com cara de nojo.
Não falei nada do apartamento novo,
simplesmente depois me mudei, tinha feito uma coisa, uma parte, como era
antigo, era como um adendo ao mesmo, que se entrava por outra entrada, que era
como um lugar para os empregados da casa, quando vi na planta, mandei deixar,
só tinha uma porta que dava para a cozinha, que era a ligação.
Agora eu trazia meus homens, entrava por
aí, tinha um lugar meu para fazer sexo.
Mas claro, em seguida dispensava os mesmo,
pois no dia seguinte tinha que trabalhar, raros era os que ficavam.
Henry me criticava, ele tinha um
relacionamento a anos, com um homem mais velho que ele, cheio de dinheiro, me
dizia que eu tinha me acostumado a isso, um dia me veria sozinho.
Eu sabia como era minha vida, me levantar
as seis da manhã, gostava de dar exemplo, trabalhava até as duas, saia
correndo, ia a um ginásio, ali perto, fazia exercícios, tomava um belo banho lá
mesmo, voltava ao trabalho, antes, comia alguma coisa que a empregada tinha
feito.
Ela passou com a família a ocupar o resto
da casa, fazia questão de me pagar um pequeno aluguel. Segundo ela, assim podia vigiar os filhos,
eu me matava de rir, pois os mesmos me chamavam de tio, na realidade não tinham
mais ninguém como família.
O mais velho era bom, logo começou a
aprender a trabalhar, lhe pagava como meu pai fazia comigo um salário de
aprendiz. Ficava todo orgulhoso.
Marie um final de semana veio a um
congresso, quando viu que eu não vivia mais na casa que tínhamos sido criados, ficou
de olho grande no meu apartamento.
Fez milhões de perguntas, como eu tinha
podido, pois o apartamento era um clássico francês.
Os poucos moveis, eu tinha restaurado os
mesmos, no final de semana, o que gostava era que perto da lareira, tinha
montado uma estante, aonde estavam os livros que ia comprando.
Lia os jornais todos os dias, nos finais de
semana, lia o cultural, ia ver os filmes, ao teatro, me arrisquei ir a Opera
com o Henry e seu namorado, acabei ficando aficionado.
O namorado do Henry dizia que eu era como
um papel absorvente, me convidaram para um jantar na casa deles, preocupados,
pois todos eram finos, como eu me comportaria na mesa, embora a maior parte do
que estava ali, tivesse elaborado minha cozinheira.
Ficou surpreso que eu soubesse como me
comportar, com tantos talheres, copos etc.
Mas avisei que nunca bebia, não gostava,
dizia que minha bebida preferida era o café, tinha em casa uma cafeteira
moderna italiana, que tinha me custado um bom dinheiro, era um prazer.
Mas para ser simpático, na hora do
champagne, pedi só um pouco para brindar com os outros.
Um desses homens amigos dele, se interessou
por mim.
Virou um grande amigo, Jean-Luc, com ele
podia ter conversar imensas sobre livros, me convidava nos finais de semana,
principalmente no domingo que sabia que tinha a parte da tarde livre, para ir a
alguma exposição, discutíamos.
Ele dizia que lastima eu não ter ido a uma
universidade. Nunca fizemos sexo, ele me
dizia, eu até gostaria, mas iam dizer que estás vivendo as minhas custas, eu
aprecio tua companhia, posso falar de qualquer assunto contigo, sem que me
olhes diferente.
Ele vinha como eu, de uma família simples,
tinha se feito na vida sozinho, um dia me contou que tinha tido um homem que
ele tinha amado com loucura, mas quando ficou velho o deixou por outro mais
jovem. Eu fiz como tu, nunca morei com
ele, embora tivesse a chave do seu apartamento, um dia entrei, ele estava na
cama, com um homem muito jovem, negro, que acabou sendo meu amigo.
Eu o conheci, Paul era do Senegal,
trabalhava de cozinheiro num grande restaurante, quando podia nos
acompanhava. Era apaixonado por
Jean-Luc, sabia que quando ele podia, dormia com ele.
Os três juntos, era divertido, ninguém
sabia quem estava com quem.
Nessa época Henry me falou justo do
apartamento que estava do outro lado, me disse que era um bom investimento, o
comprei, mandei reformar, pelo português, ficou excelente, examinei a lareira,
mas não tinha nada, a do meu apartamento, estava tudo numa caixa forte no banco
do Henry. Nunca contei para ele o que
tinha ali.
Eu pagava agora uma escola melhor para os
filhos da Natty, minha cozinheira, guardava um dinheiro a parte, para os
meninos irem à universidade, se quisessem é claro. O mais velho era meu braço direito.
Um dia minha irmã apareceu, queria que se
filho fizesse a universidade em Paris, pois lhe daria mais nome, podia fazer em
Aix, isso era uma briga dela com o marido.
Mas vi imediatamente que o rapaz, Gabrielle
era cheio de vontades. Fiz uma coisa,
não queria perder minha intimidade, mostrei essa parte da casa, que quase não
usava.
Era um bom quarto, tinha uma saleta aonde
ele podia estudar, além de um banheiro moderno.
Mas não ela insistia que ele vivesse dentro
da minha casa, nesse ponto graças a deus tinha aprendido a nunca ceder à
chantagem da família.
Lhe disse que alugasse então um
apartamento, pois se ele tinha boas notas deveria estar estudando como ela, com
bolsa de estudos.
Mas lhe avisei na frente de sua mãe, se te
pego consumindo drogas, bêbado, ou metido com quem não deve, te coloco no olho
da rua, estamos entendidos.
Você não teria coragem me disse o galinho.
Experimente, verás. Lhe dei uma lista de regras, podia pegar
comida no açougue, ele fez cara de nojo, a mãe lhe dava dinheiro para isso.
Minha cozinha era boa, mas pouco usada, não
cozinhava em casa, comia a comida que vendia, Natty era excelente no que fazia.
Um dia abri a geladeira, para tomar agua,
estava cheia de garrafas de vinho, coloquei tudo no lixo, com um aviso na
porta, aqui não está permitido bebidas.
Ele quando fumava porros, fechava a chave a
porta de comunicação.
O apartamento do lado, eu o alugava, o
tinha mobiliado com auxilio do Jean-Luc, que me indicava professores, nunca o
alugava para famílias.
Preferia gente solteira, que fosse limpa,
mas cada um que saia, eu mandava pintar tudo de novo.
Gabrielle, saia agora com uns amigos, que
tinha conhecido por ali, a maioria eram russos, eu sabia que mais abaixo na
rua, tinha uma boate russa, volta e meia a polícia aparecia por lá.
O apartamento ficou vazio, ele me pediu as
chaves, queria mostrar para um amigo seu Dimitri, que procurava um lugar para
morar.
No dia seguinte, eu estava saindo de casa,
vi a porta do apartamento aberta, entrei, ali estavam dois homens imensos,
russos, com uma caixa no chão, os moveis não estavam em seus lugares.
Me disseram que tinha ordem pintar o mesmo,
eu disse que ainda não tinha alugado o mesmo, que tinham acabado de pintar
tudo.
O homem muito arrogante, me disse que já
tinha pagado três meses de aluguel para meu sobrinho.
Sinto muito, mas nada disso, eu nunca
aceito alugueis antecipado, aqui só por contrato.
O homem saiu arrastando o outro.
Fechei o apartamento, avisei Claude, que me
ajudava, que ia resolver uns problemas, fui até uma lojas de ferragens, aonde
tinha comprado fechaduras novas para meu apartamento, o homem me acompanhou,
mandei trocar a da entrada, bem como a dos fundos, esse não tinha como o meu o
pequeno apartamento.
Chamei meu sobrinho várias vezes pelo
celular, não atendia, via que fazia dias que ele não estava em casa.
O que tinha notado, era que esses homens
usavam um anel, diferente, iguais.
Quando me encontrei, vi que meu sobrinho
usava um, estava furioso, por eu ter trocado as chaves do apartamento, que
agora ele teria que devolver o dinheiro para o outro.
Que ele já tinha gastado.
Isso é um problema teu, telefonei na frente
dele para sua mãe, contei o que ele tinha feito, ela fez o mesmo que nossa mãe
fazia, o defendia. Que nem seu pai, nem eu o entendíamos.
Eu disse para ela que criava um novo Mimi,
ficou uma fera.
Disse que me mandaria o dinheiro, para ele
devolver.
Eu tirei o anel que ele tinha nas mãos.
Depois pedi ao Jean-Luc, que trabalhava na
universidade, que se informasse a respeito dele.
Quase cai do cavalo, esse semestre ele não
tinha ido nenhum dia a faculdade.
Nesse dia me vesti, o segui, até a tal
boate russa, coloquei o anel no dedo, o homem só faltou bater continência.
Depois vi que Gabrielle, chegava com um
grupo, tinham três garotas, que se viam que eram menores de idade, um deles
veio pedir bebidas, piscou o olho para o garçom, vim que o mesmo colocava uma
pastilha nos copos para as garotas, o que levava fez que não via, o garçom
tinha feito tudo, tranquilamente depois de ver o anel que eu levava.
Me dei conta do que era, iam drogar essas
garotas, que tinham cara de estrangeiras, para depois abusarem delas, sai do
meu lugar, foi o mais rápido que podia para o grupo.
Peguei o Gabrielle pelo colarinho, disse
que a bebida estavam com drogas dentro, ele me olhou confuso, eu saí arrastando
a garota que já tinha tomado tudo, as outras foram atrás, o Gabrielle na
traseira, fui chamando a polícia, bem como uma ambulância.
Quando esta chegou, as três estavam
vomitando, pois eu tinha enfiado o dedo na boca delas, uma gosma branca, tinha
feito isso várias vezes com o Mimi.
Foi o tempo da policia chegar, eu contei o
que tinha visto, ele viu meu anel, me perguntou se era do grupo russo, disse
que não, que esse anel era do meu sobrinho.
O enfiei na primeira ambulância, na outras
foram as garotas, eu fui no carro da polícia, contei o que tinha acontecido, eu
fiquei desconfiado, meu sobrinho, é um tonto, se meteu com essa gente, no dia
que vi os russo, no apartamento que estou alugando, eles usavam anéis iguais.
Depois vi meu sobrinho com um, fiquei com a
pulga atrás da orelha, principalmente que o mesmo tinha alugado o apartamento
para um tal de Drimitri, que não me caiu bem.
Gastou o dinheiro, agora tem que devolver.
O que fez o senhor, rindo disse que tinha
trocado a fechadura do apartamento, pois eu só alugava com contrato, isso de
depósitos, nunca sei quem é.
Chegamos ao hospital, Gabrielle também
passava mal. Telefonei a sua mãe que
estava dormindo, só lhe disse que arrumasse sua mala, viesse imediatamente para
Paris, que seu filho estava no hospital, por consumir drogas.
Meu Gabrielle?
Sim o seu Mimi Gabrielle, não o quero mais
na minha casa.
Vou pegar o primeiro trem.
Uma das garotas, a mais bonita, estava na
sala de operações, o médico disse que era alguma droga nova que deixava a
pessoa totalmente KO.
Eram italianas, segundo a que estava
melhor, que Gabrielle as tinha convidado para ir a esse lugar, os outros tinha
fumado hachis, bem como tomado algumas pastilhas que ela não sabia o que era.
O policial, só falou que mistura.
Quando ficamos a sos, se apresentou
inspector Bresson, gostei da postura do senhor.
Lhe contei mais ou menos que não tinha
gostado desde o princípio de certas posturas do meu sobrinho, falei de Mimi
para ele, a mãe criticou tanto a nossa, mas faz igual, o sujeito nunca é
culpado de nada.
O senhor podia me fazer um favor, lhe
contei da caixa vazia no apartamento ao lado, bem como da postura dos
russos. Ao mesmo tempo lhe falei da
lareira, que era possível guardar alguma coisa ali.
Ele chamou uns homens de antidrogas, fomos
até lá. Realmente, os filhos da puta
tinha escondido drogas, pacotes da tal pastilhas ali, por isso queriam entrar.
Eu fui dar uma mijada, quando sai, três
russos, apontavam armas para os policiais, eu cheguei por detrás, enfiei dois
dedos nas costas do mais próximo, tirei sua arma, apontei para os outros, a
policia logo tomou conta da situação.
Bresson disse que eu tinha sangue frio,
apontei um deles, esse era o tal Drimitri, esse ameaçava, queria seu advogado,
aprenderam a droga, bem como levaram esses homens, na saída o tipo me ameaçou,
teu sobrinho que se cuide.
Quando minha irmã chegou, eu contei o que
tinha passado, ela invés de se preocupar, me perguntou se o outro apartamento
era meu, porque não tinha oferecido ao seu filho.
A mandei literalmente tomar no cu, nisso
chegou seu marido, agora sabia que estavam separados, falei diretamente com
ele, pois vi que com ela, era impossível, estava alterada, meu pobre
filho. Contei que esse semestre o filho
deles, não tinha ido nenhum dia a faculdade, que estava consumindo drogas, que
estava no hospital por isso, que tinha misturado tudo.
Tua irmã me disse que ofereceste para ele
ficar na tua casa, que cuidarias dele.
Nem pensar, isso não é verdade, o arrastei
comigo, para ele ver como o filho se comportava, ficou uma fera.
Nos separamos por isso, ele é mau
estudante, mas ela o protege.
Depois desse filho nunca mais quis
outro. Perguntei se ele sabia quem era
o Mimi?
Me disse que não, lhe contei a história,
seu filho vai acabar como ele.
Mas ela só podia pensar como eu tinha dois
apartamentos.
Parei na frente dela, segurei seus ombros,
olhando na cara dela, lhe perguntei o que ela tinha feito com o dinheiro que o
velho tinha deixado para ela.
Gastei é claro.
Pois eu fiz ao contrário, apliquei, todo o
lucro que tenho do meu trabalho, só tiro o necessário para viver, aplico o
dinheiro, assim comprei o meu apartamento, bem como esse.
Que um dia espero que seja do teu sobrinho.
Nem pensar querida irmã, para teu filho
nada, já te disse o quero fora da minha casa.
Ficou uma fera, disse que eu lhe devia esse
favor, que tinha cuidado da nossa mãe.
O marido disse que ela vinha sempre a
Paris, para cuidar da mãe.
Fiquei rindo, só se for na cabeça dela,
aqui nunca apareceu, eu paguei durante anos, duas senhoras para cuidar da minha
mãe.
Pois a mim me disse que estavas sempre com
pouco dinheiro, que tinha que te ajudar.
Puta que pariu, eres mentirosa como nossa
mãe. Aí estourei, a vida dela era uma
mentira, o Mimi, era um bastardo, nem pai tinha, nosso pai quando os acolheu,
eles estavam dormindo na rua, ela inventou essa história de que era de família
bem, viúva, o que nunca foi verdade.
Espere um minuto, trouxe a caixa com esses
documentos, mandei ela dar uma olhada.
O marido soltou que ela só falou da família
de como viviam quando estavam para se casar, quando ele veio pedir sua mãe, por
isso não queria o casamento aqui, tinha vergonha da família.
Vive dizendo ao idiota do meu filho, uma
série de besteiras, por isso me separei.
Fomos ao hospital, fechei a porta dos dois
apartamentos, ela tocou no assunto outra vez, porque Gabrielle não podia ficar
nele.
Eu se fosse você, levava teu filho para
casa, os russos estão atrás dele, vai acabar como Mimi morto num beco.
Fez cara de horrorizada. Quando chegamos ao hospital, soubemos que
dois homens tinham entrado no quarto que ele estava, lhe deram uma surra.
Estavam lhe costurando a cara, ele nem
perguntou como estavam, tudo que disse a mãe, preciso de mais dinheiro para
pagar os russos.
Gastei o dinheiro todo em drogas, agora
devo mais.
O pai lhe deu um bom cascudo.
Disse a minha irmã que levasse o rapaz o
mais rápido dali, pois os russos, não era de brincadeira, o Bresson chegou
nesse momento, disse que o advogado do Drimitri o tinha conseguido liberar.
Eu concordo com o que diz seu irmão, esse
homem é chefe da máfia russa, infelizmente a justiça as vezes é cega, se eles
não sabem de aonde são, o melhor é irem embora imediatamente.
O marido disse que tinha vindo de carro,
saiu arrastando os dois.
Ela ainda teve tempo de me olhar, dizendo
que eu devia dar um pouco de dinheiro para seu filho, a mandei tomar no cu.
Depois tomando café com o Bresson, tinha se
informado das garotas, estavam fora de perigo.
Disse que faziam essas coisas, abusavam
depois as viciavam, tornando prostitutas.
Se elas quisessem podia por um processo
contra teu sobrinho, pois foi ele que as arrastou para lá.
Não tenho duvida nenhuma quanto a isso.
Falei para ele, minha irmã, recebeu
dinheiro do nosso pai, pelo visto gastou tudo, agora está de olho no meu. Pior, nesses anos todos, nunca telefonou, ou
veio me visitar, agora descobrir que vinha a Paris, dizendo que vinha ver a
mãe, isso vai dar um belo divórcio.
Tens uma maneira de ver as coisas muito
particularmente.
Contei como tinha sido minha vida, sonhei
em ir à universidade, me tocou, ajudar meu pai, ela sim foi, inclusive lhe dei
dinheiro que estava escondido pela nossa mãe, que mesmo meu irmão estando
morto, guardava dinheiro para ele ir a universidade.
Trabalhei com meu pai, desde jovem,
aprendi, quando ele morreu, reformei o negócio modernizando, prefiro pagar para
os filhos da senhora que cozinha para mim, um é meu ajudante, está inclusive me
cobrindo no trabalho, os outros dois são excelente garotos, não tem pai. Chegam no final do mês, vem me mostrar as
notas que tiraram, me chamam de tio.
Que a um sobrinho que nunca vi na vida, que
queria boa vida, imagina o que ele iria fazer nesse apartamento, o alugo para
que um dias esses meninos tenham o que não tive.
Eu gostei do apartamento, é muito caro?
Acabo de me divorciar, cai na esparrela de
me casar, embora o apartamento seja alugado fica para ela.
Claro amanhã se quiser, te mostro, porque
esses russos, tiraram os moveis todos da sala, estão nos quartos, colocarei
tudo no lugar, depois te levo ao meu advogado para fazer um contrato, com um
policial como vizinho, estarei protegido.
Ele ficou rindo.
Mudou para lá, seguimos nos encontrando de
vez em quando, comentou que gostava de viver ali, que o quarto dos fundos era
silencioso como ele gostava.
Um domingo, estava saindo para jantar na
casa do Jean Luc, ele também saia, disse que ia jantar fora, que estava
sozinho, se eu não queria ir com ele.
Disse que ia jantar na casa de uns amigos,
se não te importa porque são gays, creio que serás bem-vindo. Telefonei, avisando que levava uma pessoa,
mais um prato na mesa.
Quando chegamos, lá estava Henry com seu
companheiro, Jean-Luc, Paul, os apresentei a todos, logo estavam no maior bate
papo.
Jean-Luc contava que eu era o melhor
companheiro para ir aos museus, na semana anterior fomos a Opera.
Bresson soltou que já sabia, ele escuta
isso bem alto, vou reclamar do vizinho.
Mas eu gosto também, as vezes não tenho é tempo. A conversa foi boa, quando voltamos para
casa, me disse que o avisasse quando fosse a Opera, as vezes não vou, por falta
de companhia.
Eu fui muitas vezes sozinho. Na porta, me perguntou se eu era amante do
Jean-Luc?
Meu melhor amigo, ele tem o Paul, os dois
fazem um par espetacular.
Sim é verdade, a conversa hoje me relaxou.
Por que queres saber se tenho alguém?
Nunca tive um relacionamento com outro
homem, mas tu pareces ser um sujeito diferente, me puxou, me deu um daqueles
beijos cinematográficos.
Quando vi estava no seu apartamento, sem
roupa nenhuma, com ele me explorando.
A partir desse dia, ou dormia lá, ou ele na
minha casa. Mas sabia que eu levantaria
muito cedo.
Fiz uma coisa, incentivei Claude a fazer um
curso de administração, eu cobriria com um outro ajudante os dias que ele
estivesse na universidade. Mas ele era
como eu, acabava as aulas, corria para o trabalho.
Os negócios iam bem, éramos conhecidos,
tivemos que contratar uma moça para ajudar a Natty, pois as vezes tínhamos
encomendas para festas. Os amigos do
Henry, sem querer foram fazendo isso, a famosa divulgação boca a boca.
Nos convidavam sempre, Bresson, fez
amizades com muitos, alguns o cantava, para sair, ele ria, tenho o que quero,
para que aventuras.
O nosso já dura muito tempo, os meninos
estão na universidade, o pequeno esta estudando medicina, eu fiz uma coisa, que
imagino que minha irmã ficaria louca, dei em sociedade ao Claude o negócio,
assim podia sair de férias com o Bresson.
Quando soube que eu jamais tirava férias,
planejamos com antecipação.
Foi perto de uma delas, que meu cunhado me
avisou que o filho tinha morrido, numa briga de gangs, por causa de drogas, o
mesmo estava vivendo em Marseille.
Fui ao enterro, fiquei pasmo, de minha irmã
me acusar de não ter cuidado de seu filho querido direito.
Acabou a cerimônia, peguei o primeiro trem
para voltar para casa.
Ainda comentei com o Bresson, o ex-marido
me disse que deve horrores, pois o filho só lhe trazia problemas.
Dito e feito, entrou com um processo contra
mim, que eu lhe tinha roubado dinheiro na herança.
Saiu perdendo, pois o juiz a obrigou a
pagar o custo da causa.
Nunca mais a vi em minha vida.
Quando Claude, pensou em se casar, veio
falar comigo, o que eu achava, era como meu filho mais velho.
Claro eu conhecia a moça, ela trabalhava
numa empresa justo em frente, vinha sempre buscar comida para almoçar.
Lhe disse que perguntasse a sua mãe.
Essa lhe disse que fosse levando, a mesma
sabe que eres agora sócio do Jean-Paul, como ele não movia a partida, ficou
noiva de outro.
Lhe disse isso, que não se
preocupasse. Um dia me soltou que as
pessoas, pensavam que os dois tinham alguma coisa.
Isso te incomoda, eu sempre te tive como
meu filho, tu e teus irmãos, nada mais que isso.
Eu sei, mas vejo que as pessoas são
maldosas.
Eu cada vez deixava mais, principalmente
nos finais de semana, o local com ele.
Na segunda-feira ele fazia questão de se
sentar comigo para prestar contas.
Os outros dois foram se encaminhando na
vida. Afinal Natty tinha que se
aposentar, estava cansada, tinha idade, arrumamos uma garota que vinha de
cursos de cozinha, se adaptou bem ao local, sugeria novidades que vendiam.
Quando acabava dentro, passava a ajudar o
Claude fora.
Quando se casaram, agora o Bresson vivia lá
em casa, ofereci o outro apartamento para eles.
Quando nasceram os dois meninos, eu ria
muito de uma certa maneira eu era avô.
Todos os três se encaminharam na vida.
Me sentia contente, tinha construído uma
família diferente, nada de parentes consanguíneos, mas gente afim.
Levo com o Bresson, mais de 20 anos,
aproveitamos mais, agora que ele tem mais tempo, é chefe da delegacia, tem os
horários menos carregados.
Vamos a Opera, nos domingos a alguma
exposição, vamos com nosso grupo, depois almoçar em algum lugar.
Vivo a vida, agora me preocupo em gestionar
bem meu dinheiro, para meus netos.
Quando falo isso, Bresson se mata de rir,
por isso me apaixonei por ti.
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