NADA DE NOVO

 

              

 

Tinha por habito dizer quando o chefe lhe perguntava sobre algum caso, “nada de novo no Front”, porque muitos casos da delegacia estavam sem resolver, ele podia atribuir a muitos fatores, principalmente que o pessoal era relapso.    Mas o chefe era chapado a antiga, permitia muitas coisas, pois a maioria dos homens estavam ali ao mesmo tempo que ele.

Isso o desanimava, os seus casos, eram os únicos, que terminavam, diziam que ele era como um animal atrás de uma presa ou vítima, em colocar a culpa.

Mas seus relatórios eram perfeitos, trabalhar nas delegacias fora do centro de Londres tinha isso, podia ter até calma para escrever, revisar os mesmos.

Só lhe davam casos de assassinatos, pois o chefe sabia que ele qual um cão de caça, iria atrás do assassino.

Tinha agora entre as mãos um caso, complicado, por culpa dos próprios policiais que tinham atendido primeiro, depois os dois inspetores que analisaram a cena do crime.

Um deles inclusive depois de recolher uma possível prova, jogou no lixo, dizendo que não ia dar trabalho aos forenses.

Ele como viu, recolheu a prova, colocando o envelope de plástico, dentro de um outro.

Como era superior a eles, os fez voltar analisar tudo como era devido, eram os piores da delegacia, estavam sempre comendo alguma coisa cheia de gordura, a apresentação dos mesmo era uma lastima, gordos, nunca aguentavam correr atrás de um suspeito.

Ficou ali, vigiando cada passos deles, viu quando um deles encontrou um pequeno pacote de drogas, enfiando no bolso, parou ao lado do mesmo, ficou olhando sua cara, com um envelope de provas na cara dele.   Tudo que disse, não tens vergonha?

Esse só levantou os ombros, ele chamou dois policiais, disse que levassem os dois para a delegacia, por roubo de provas, foram fazendo o maior escarcéu.

O problema era justamente que os dois tinham sido anteriormente braços do chefe, escondiam o que esse fazia.

Ele pela primeira vez, tomou uma decisão, alcançou os policiais que levavam os mesmos, disse que lhes levassem a central, retirou da mão deles, os celulares, enfiou num pacote de provas, em seguida fez o que a muito tempo, o chefe da central tinha lhe pedido, provas.

Voltou ao interior, riu para si mesmo, sabia agora que os outros policiais estariam andando de sapatos altos em cima de ovos.

Reanalisou, cada cômodo da casa, foi impressionante o que encontrou de provas, eles queriam dar o caso como um suicídio, mas evidentemente era um assassinato.

O rapaz vivia sozinho, ali tinha tudo de última geração, coisas caras, para uma casa como a que estava, que viviam famílias acomodadas, a maioria trabalhando numa fábrica ali perto, aonde ganhavam mal.   Quando chegou viu o chefe das drogas, com um grupo de seus cupinchas observando tudo.

Justamente o que tinha escondido o pequeno pacote de drogas, tinha balançado a cabeça para o mesmo.

Foi quando ficou em cima dos dois.

Chegou nesse momento o chefe dos forenses, o chamou a parte, esse já sabia do que ele tinha feito.

Quando estavam saindo do local, esperou os policiais colocarem fitas adesivas na porta, sabia que os da drogas iam entrar.

Deixou dois guardas ali, na porta, viria em seguida os de antidrogas.

A coisa era feia, ele tinha se admirado, pois o apartamento tinha o melhor de tudo, em sua casa ele nem tinha nada disso.

Vivia numa extensão da mesma rua, tinha tentado encontrar um apartamento para viver, mas só conseguiu essa pequena casa.

Tinha o mínimo possível de coisas, na sala uma mesa que já estava ali, que ele usava para trabalhar, uma poltrona na frente da televisão, a cozinha ainda era melhor, embora tivesse o hábito de se levantar, colocar a cafeteira, tomava café em pé na mesma.

De luxo só uma geladeira, com coisas, para um lanche, a metade estava vazia, era daquelas com uma parte para congelados, essa só tinha gelo acumulado.

Seu quarto tinha uma poltrona, para se sentar, para calçar os sapatos, um armário embutido, que estava sem portas, o inquilino anterior tinha levado as mesmas, a pouca roupa que tinha estava no centro.

Ele quando ia trabalhar, levava um saco, com sua roupa, conhecia uma senhora que cuidava de uma dessas lojas com lavadoras e secadoras, lhe pagava para fazer isso para ele, nesse dia, passava na volta por lá.

A única coisa de valor que tinha era seu carro, um velho, por sinal nem fabricavam mais, tinha pertencido ao seu avô.    Mas segundo os mecânicos, o motor era como se fosse um gato, pois não fazia um escândalo.

Como dizer as pessoas, que seu avô era um aficionado, por carros, ele mesmo cuidava do motor dos mesmos, esse era seu preferido, era ainda da época da guerra, nem sabia de aonde ele tinha tirado o mesmo.

Ficava apertado na garagem da pequena casa, quando chegava no trabalho, usava um dos carros da delegacia.

Estava no meio do caminho, quando o chefe da central lhe chamou pelo celular, outra coisa que ele tinha, era dos antigos.

Estacionou o carro numa lateral, contou o que tinha visto, que os dois eram amigos do chefe, que esse com certeza daria o caso com fechado, um suicídio.

Disse que tinha chamado os de antidrogas, pois ele tinha encontrado coisas dentro do apartamento.

O senhor me desculpe, mas estou de saco cheio de tantos casos sem resolver, o pessoal é incompetente.

Ao contrário de ires a tua delegacia venha ao meu escritório, houve um minuto de silencio, ao contrário, eu vou para a delegacia, mas não avise ninguém.

Quando chegou o chefe já sabia o que ele tinha feito, estava lhe dando uma bronca impressionante, como ele se atrevia a fazer isso com seus companheiros, o pior era um tipo grosseiro, que tinha subido puxando o saco dos de cima.

Estava aos gritos com ele, como se isso fosse resolver a questão, queria que ele retirasse a queixa imediatamente ou te........... parou de falar, pois a porta se abriu entrando o chefe da central.

Siga, ou então o que?

Ele tinha perdido toda a pose.

O melhor que fazes, é sair de férias, quando volte, vá para a central, já terei assinado tua aposentadoria, te falta dois anos, mas vamos negociar isso.

O mesmo foi se sentando lentamente como em câmara lenta, não podes fazer isso, foi falando baixinho, dediquei minha vida a esta delegacia.

Por isso está uma merda, é a pior de todas.  Os outros da delegacia estavam todos olhando pela porta aberta.

Foi até a cadeira do chefe, o arrastou basicamente para fora.  Olha a merda que é isso, foi passando a mão pelas mesas, jogando tudo no chão, sanduiches esquecidos, cafés, isso parece uma lixeira.

Ele vinha acompanhado de um homem que tinha ficado do lado de fora, andou pela sala inteira olhando cada funcionário, fazendo um tirar a gravata uma suja, a jogando numa lixeira, eu vou entrar na sala do chefe, para resolvermos a situação, vocês tem dez minutos para arrumarem essa sala, senão mando para a rua todo mundo.

O arrastou com ele, ele era o único que tinha uma sala a parte, se via pelo vidro que estava arrumada.

Se sentaram os quatros na sala, disse ao chefe, que retirasse tudo que fosse seu particular dali, o mesmo tentou enfiar numa pasta dois processos.

O que estava com ele, retirou de suas mãos, isso não é teu particular.

Ele conhecia esse homem, tinha sido treinado por ele, era um osso duro de roer, duro como ninguém tinha sido ele, que por ordem do chefe, que o tinha mandado para lá.

Ninguém precisa saber que eres meu melhor homem, mas preciso de ti nessa história, isso já faziam um ano.

A principio não tinha gostado da história, pois era como um espião, mas quando tomou consciência do que acontecia ali, entendeu.

Ali, o que menos era corrupto, era corrupto, desde o pessoal de rua, até os internos.

Quando o velho chefe terminou, esse o acompanhou até um carro, mandando que fosse para a central, a sala já tinha outra cara, as lixeiras vazias.

O chefe da central, se plantou no meio, anunciou, a partir de hoje o chefe será este senhor, cuidado é duro de roer.   Os que quiserem ir para casa, ou para outra delegacia, fora de minha jurisdição, é só irem a central, assino embaixo, embora, vocês estão sujeitos a uma avaliação do novo chefe.

Esse se apresentou Andrew Storm, meu próprio sobrenome diz o que eu sou.   Amanhã, isso será como um quartel, todo mundo dentro de seu horário, limpo, barba feita, cabelos cortados, até as unhas vou examinar, as mesas têm que estar limpas, irei me sentar na mesa de cada um analisar os processos todos.

A cara do pessoal era impressionante, principalmente os mais velhos, que eram amigos do velho chefe, ele chegou-se a um deles, o devia conhecer, disse algo baixinho.

Depois chamou uma que fazia as vezes de secretária, estava muito maquilada, usava uma roupa, mais para putas, diziam que era amante do velho.

Lhe disse que mandasse limpar a sala, bem como lhe disse baixinho, amanhã venha descente.

Ela ficou vermelha, apesar de toda a maquilagem que usava.

Se sentaram na sua sala, que era a única limpa, vejo que continuas o mesmo, até que aguentaste muito, sei que é horroroso, ver merdas como estas, mas eras o indicado, meu trabalho agora consiste em te preparar para ser o chefe da delegacia.

Ele disse que não queria, que gostava do trabalho de rua, isso de ficar atrás de uma mesa, sabes que não é comigo.

Estava com 36 anos, essa era a verdade, sua única ambição quando jovem, era escapar de casa.

Vivia numa pequena vila, perto de Bristol, aonde o pai, era o famoso manda mais, dono de basicamente tudo.

O pior era que apesar de usar o sobrenome dele, era para todos um bastardo, pois não era casado com sua mãe.

Essa era dona do pub da vila, nunca se incomodou, a única coisa que o velho fez bem, foi colocá-lo num colégio interno, quando viu suas notas, seus filhos, nunca tinham sido bons estudantes, se sentou com ele, conversaram, dizia que era o único filho que ele podia fazer isso.

Acho que aqui não tens futuro, nunca serás meu herdeiro, infelizmente essa é a realidade, trabalhar no pub de tua mãe, tampouco é um futuro, sei que podes ser muito mais que isso.

Ele tinha que concordar, odiava estar no pub, ajudava no que era preciso, mas odiava bêbados, o ruido que faziam, principalmente quando tinha que estudar para uma prova, por sorte seu quarto era no sótão, longe de tudo isso.

Para sua mãe, ele tinha sido um acidente de percurso, era a famosa loira burra, bonita, cintura de vespa, odiou quando ficou gravida, perder as mesmas, suas tetas cresceram, nunca mais voltaram a ser o que era.

Mas claro aceitava a ajuda do velho que lhe deu o pub, mesmo a mensalidade que dava para o filho ela embolsava.

Um dia o velho viu o filho sujo, com uma roupa que não via uma lavadora a muito tempo, lhe perguntou que fazia com sua mesada.

Ele olhou o velho, na cara, ninguém ousava fazer isso, não sei o que o senhor está falando, eu não tenho mesada, minha roupa, fica pequena rápido, essas consegui na igreja, tem uma senhora que quando aparece alguma do meu tamanho me avisa.

O velho ficou uma fera, ele na época tinha doze anos, o levou até o banco, apesar do gerente dizer que ele era menor de idade, lhe deu ordem, para lhe pagar diretamente a sua mesada, nada para a mãe dele.

O ensinou como administrar isso, tens que encontrar um esconderijo, lhe contou quando era garoto, seus irmãos mais velhos, lhe roubavam a mesada, aprendi, encontrei um lugar no meu quarto, escondia ali.

Depois escondia num armário do corredor, que era cheio de material de limpeza, roupas de cama.

Me pegavam, mas sobrevivi, aprendi a me defender.  Se te chamam na escola de bastardo, como me chamavam, não tenha vergonha, tem o nome de tua mãe e de teu pai.

Quando foi para o internato, era o mesmo, o velho o levou até a cidade antes, compraram um enxoval, as roupas do uniforme, mas cuecas, meias, tudo com fartura.  Seja sempre higiênico, que ninguém possa dizer que vives sujo.

Despois descobriria a história do velho, era filho bastardo do conde, mas foi o único que sobreviveu, acabou herdando tudo, mas o seu pai o casou com a filha de um rico proprietário, ela já vinha com o primeiro filho na barriga.

Foi obrigado a dar um nome ao mesmo, na escola era o que vivia lhe chamando de bastardo.

Seu pai um dia lhe disse que bastardo era ele, que nem sabia quem era seu pai.

Quando ele soltou isso na cara do outro, no dia seguinte, ele e sua mãe, foram viver na casa familiar em Londres, nunca mais apareceram por ali.

Foi para a escola, era um bom estudante, não o melhor, nem notas mais altas, mas aplicado, sua paixão era estar na biblioteca lendo, buscando alguma coisa para completar o que estava estudando no momento.

Foi estudar direito como o pai queria, embora na realidade nem tinha ideia do que gostaria de estudar, nessa época sua mãe morreu, bebia demais, segundo o velho, a tempos tinha se juntado a um dos homens com dinheiro ali da vila, com isso perdeu a ajuda que o velho lhe dava.

Ele vendeu o pub, colocou o dinheiro no banco na sua conta, foi visita-lo na universidade, lhe disse que o melhor que ele fazia era nunca mais voltar a Bristol, tente fazer uma carreira aqui.

A universidade pagava o velho, seguia lhe dando uma mesada, descobriu depois que era muito mais que recebiam os outros companheiros.

Mas oitenta por cento ele guardava, nunca sei como será o dia de amanhã, tinha essa mania até hoje, só comprava realmente o que necessitava, o resto era besteira.

Tinha aprendido com um companheiro, a ir comprar roupas numa loja de segunda mão, a proprietária tinha algumas costureiras, que arrumavam para a pessoa.

Ele desde o internato, era bom em vários esportes, só não gostava de futebol, mas o resto era com ele, correr, ginastica, natação, tudo isso ele gostava.

O mais interessante, apesar de sua altura, tinha saído ao pai, não era bonito como ele, mas sim, tinha uma cara normal, muito séria para sua idade, diziam os professores.

No meio da multidão só se destacava pela sua altura, o resto, era loiro, olhos azuis escuros, mas com uma cara normal, não era o famoso bonito.

Por isso talvez, passava desapercebido na universidade, sem namoradas, sem amigos, seu pai pagava para ele ter um quarto só para ele.

Sabia que se dividisse um quarto, ele tinha passado por isso, os outros queriam festas, farra, bebidas, drogas, ele queria que seu filho fosse alguém por ele mesmo.

Estava no último ano, fazendo práticas num escritório de advogados, quando foi avisado da morte dele, falou com seu advogado.

Este lhe disse que o melhor que ele fazia era ficar em Londres, estou te mandando uma carta de teu pai, foi ele quem pediu isso.

Me encontrarei contigo, quando possa.

Em seguida quando foi a universidade, descobriu que seu irmão tinha cortado o pagamento da mesma.  Que se ele quisesse terminar, que pagasse por esse último ano.

Quando leu a carta que o velho tinha lhe mandado, avisava dessas coisas que faria o outro.

Lhe dizia o nome de um outro advogado, que o fosse procurar, na carta, tinha um cartão do mesmo.

Marcou com o homem, o de seu pai, era um velho, esse ao contrário era um jovem, o escritório era modesto.

Me surpreendi o dia que teu pai entrou aqui, foi um dos meus primeiros clientes, primeiro me perguntou se eu era filho, disse o nome do meu pai.

Eles tinham servido juntos.

Veio várias vezes, principalmente quando vinha a Londres, para ir ao médico.

A partir daí, passei a ser seu advogado no relativo a ti.

Ele me dizia que tinha te feito estudar direito, pois achava que isso dava futuro, mas quando viu como eu trabalhava, fiz a universidade com bolsa de estudos, trabalhei em vários escritórios, mas a maioria só defende bandidos, eu prefiro atender a pessoas com problemas, não dá muito dinheiro.

Se preocupou, como ias fazer, pois sabia que assim que seu filho mais velho assumisse tudo, iria cortar o grifo como ele dizia, a tua mesada, o pagamento da universidade.

Sim inclusive estou vivendo uns dias na casa de um companheiro de lá, sua mãe aluga quartos para justamente pagar a universidade dele.

Bom, então vamos ao assunto, ele depositou um bom dinheiro numa conta no banco, mas me disse que te aconselhasse a não tocar ainda nesse dinheiro, pois teu irmão pode embargar.

Deixou um pequeno apartamento para ti, está em teu nome, nada do outro mundo, num bairro que não chama a atenção, isso foi sugestão minha, ali tem de tudo, todas as raças inclusive.

Que se eu pudesse te orientasse.

Tens ideias de que não fosse direito, o que gostaria de fazer?

Estou como tu, estava estudando porque não sabia o que estudar, tampouco sou um aluno brilhante, os dois escritórios que fiz práticas, se dedicam a mafiosos, gente do tráfico de drogas, tampouco é isso o que quero.

Sempre fui um apaixonado da novela negra, de policiais, coisas assim, pensei muito entrar para a polícia.

Perfeito, com o estudo que tens, poderás, já sair como um inspetor, vou te apresentar meu tio.

Foi assim que tinha conhecido o seu chefe, o aconselhou, seria seu professor, lhe disse que fizesse mais tempo de curso, assim realmente poderia sair como inspector.

Foi o que fez, aprendeu a se desenvolver, era bom atirando, observando, se saia sempre bem nos exercícios.   Alguns durante o curso se metiam em confusão nos dias livres, ele ao contrário, reanalisava os exercícios que tinha feito, o que poderia ter feito melhor.

Quando acabou o curso com uma das notas mais altas, foi trabalhar com o professor, que assumia uma delegacia.

Disse que os cargos de chefe de polícia, eram uma coisa política, que tinha trabalhado com um dos melhores, mas quando esse saiu, lhe aposentaram antes do tempo, por ter ido contra uma ordem de um deputado rico, eu tive que aceitar o cargo de professor, que gosto, mas para mim o importante é estar analisando um caso.

Esteve quase cinco anos ali, quando lhe tocou, ir para essa delegacia, não lhe esconderam o que queriam que ele fizesse.

No dia seguinte foi trabalhar como se nada, ao sair, viu um dos que estavam observando o apartamento do outro na esquina.

Pensou o que faz esse aqui.

Quando desceu do carro na delegacia, viu que até o pátio estava limpo.

Que estavam colocando uma estrutura para pintar a fachada, que até agora era uma merda.

Na entrada, teve vontade de rir, pois o da recepção, estavam com barba feita, cabelos cortados, uniforme impecáveis.

Quando entrou na sala grande, pareciam que tinham passado um verniz em tudo, embora tinha várias mesas vazias, o chefe lhe chamou, alguns foram embora, ou pediram demissão, ou foram a central pedir uma transferência.

Lhe deu uma quantidade de curriculum, estude os mesmos, depois conversamos.

Mal se sentou seu telefone tocou, era de antidrogas, ele estava certo, havia pelo apartamento muita drogas escondidas.

Acho que esse sujeito, estava tentando se livrar do chefe, montar ele mesmo um grupo novo de distribuição, o sujeito que ele não sabia quem era, elogiou seu trabalho, qualquer coisa me procure.

Dois anos depois como chefe da delegacia, meu chefe tinha voltado para a central, ali tudo funcionava.   Recebi uma chamada do advogado do velho, bem como do meu.

Meu irmão tinha morrido em estranhas circunstâncias, tinha sido assassinado no palacete por um grupo de jovens numa orgia.

Agora eu era o herdeiro principal.  Tinha que ir a Bristol, para saber o que me tocava.

Falei com a central, deixei no meu lugar, um dos novos que tinha treinado eu mesmo para fazer o trabalho.

Voltar de aonde tinha saído, lhe parecia uma piada pesada, mas foi assim mesmo, foi com o advogado que o representava, quando entraram no escritório do outro, esse só faltou lhe lamber os sapatos.

Escutaram os dois tudo, o irmão tinha na verdade torrado 80% do dinheiro da herança, a mansão estava sem pagar impostos a anos, lhe avisei muito, mas esse nunca escutava nada.

Drogas, muitas festas, se envolveu com quem não devia.

Bom encurtando a história, a mansão deve, disse uma soma absurda de dinheiro, de impostos, só sobra limpo a casa de Londres, porque como a mãe dele vivia ali, ela controlava tudo.

Quando morreu, ele perdeu o norte completamente, fica para ti também, passou um resumem da conta do banco.

Sem querer se lembrou de uma coisa, tinha um companheiro que tinha saído de um orfanato ali mesmo em Bristol, caia aos pedaços.

Disse para o velho advogado passar tudo para o seu, já resolveria.

Telefonou para seu conhecido, perguntou quem era a responsável do orfanato.

Irmã Maria, disse o outro, queres adotar alguma criança.

Ele riu, pois esse seu conhecido por ter vivido no orfanato, sonhava com uma família, tinha se casado, mas agora estava divorciado, a mulher lhe colocou chifres com seu melhor amigo.

Foi na surdina falar com ela, só avisaria seu advogado depois.

Parou do outro lado da rua, olhando o prédio, estava caindo aos pedaços, pensou muito, quando entrou era uma barafunda de crianças, perguntou pela senhora, apareceu uma senhora alta, muito magra, se apresentou como a superiora, mas ela não era a irmã Maria, essa apareceu em seguida, era ao contrário dela.

Eu falo consigo, depois se for o caso falas com a superiora.

Contou da mansão, o governo vai tomar o local, mas se a senhora vai para lá, fundando um novo orfanato, podemos tentar conseguir, eu ainda faria uma coisa, o que resta do dinheiro da herança, a senhora usa para adequar o mesmo.

Isso seria um sonho, mas tenho certeza de que a Madre superiora, vai aceitar, apesar dessa cara que tem, de limão azedo, é uma pessoa que trabalha muito para manter esse lugar.

Foram falar com ela.

Ufa, isso nos livraria de uma coisa, esse lugar está caindo aos pedaços, mas se falo com o bispo, ele vai logo querer meter a mão.

Foi então que chamou seu advogado, contou o que queria fazer. Teriam que mover alguns círculos, ele telefonou para seu chefe na central, contou o caso, se ele podia ajudar.

Mas não queres ficar com a mansão, nem com o resto do dinheiro?

Não, eu não preciso disso, se o senhor viu, como vivem essas crianças, entenderia.

No dia seguinte estava lá, foi com ele, as freiras e o advogado até a mansão, ela ficaram encantadas, avisou que só as terras em volta pertenciam a mansão, o resto o velho vendeu, ou vendeu seu herdeiro.

Deixou os outros tomando conta da história, ia agora resolver o de Londres, era uma casa imensa, tradicional, num bairro chic.

Andou a casa inteira, pelo tamanho, era impressionante que lá só vivesse a mulher de seu pai.

Falou com o advogado, esse aproveitou para ele se lembrar que tinha dinheiro no banco, o que seu pai tinha lhe deixado, que ele nunca tinha tocado.

Nunca precisei, claro com esse dinheiro podia reformar a casa, mas para ele, era muito.

Mandou colocar a mesma a venda, como estava, o quarto aonde tinha vivido nos últimos anos, a velha, cheirava mal, uma mistura de perfume forte, com medicamentos.

Esse dinheiro iria para o orfanato também.

O chefe tinha conseguido o que queria, sem interferência do bispo, esse quando soube já era tarde, realmente soltou na cara de todos, seria um lugar perfeito para ele viver.

O chefe soltou, a pessoa que faz a doação, nunca ia permitir isso, é do orfanato.

Conseguiram até perdão da divida antiga, bem como do imposto de transição.

Quando tudo se resolveu se apresentou na central, queria saber aonde iria agora, o chefe queria o manter ali, mas claro atrás de uma mesa.

Agradeceu, tinha sido promovido, mas a seu negócio não era esse.

Foi trabalhar numa parte da central, com um velho conhecido, resolvendo casos antigos.

Foi como achar o seu lugar perfeito, analisavam cada caso, colocavam o mesmo desde outro ângulo, em um ano, o chefe tinha imaginado, que levaria mais tempo, tinham resolvido 10 casos, dados como sem solução.

Já que ficaria por lá, procurou um lugar para viver, sua casa era muito longe, achou relativamente perto da central, um apartamento, num edifício antigo, podia pagar pelo mesmo, com seu dinheiro guardado a tanto tempo, o banco ainda lhe ofereceu uma coisa, ele deixa o dinheiro aplicado, iam descontando do mesmo.

Ele parou para pensar, mesmo pagando tudo, ainda lhe sobraria dinheiro, para futuramente juntar com sua aposentadoria.

As pessoas comentavam que ele estava sempre sozinho, era uma verdade, nunca sentia confiança em alguém para compartilhar sua vida, tinha tido a principio de sua vida adulta, amantes mulheres e homens, esses quando viam a casa que vivia, ninguém ficava.

Tinha tido um romance com um homem das redondezas, era de família mulçumana, um dia lhe disse que seu pai lhe obrigava a casar-se.

Se despediram numa boa, meses depois lhe procurou, mas para ele já era tarde, não gostava de complicações, manter um romance com uma pessoa casada não era a sua.

Seguiu como se nada, como ele pensava, se acontece alguma coisa bem, senão, ia levando.

No seu apartamento novo, tudo era simples como o anterior, só comprou uma estante para livros, uma boa cama, a poltrona, bem como a televisão era da casa antiga.

Uma cozinha pequena americana, seguia comendo na rua, nada de fazer comidas.

Alguns diziam que ele era agarrado, pois não saia de festas com os outros, nada de encher a cara, tampouco farras.

Gostava de sua maneira de viver.

Com os anos, diziam que tinha mal humor permanente, mas não era verdade, o que não gostava era perder tempo.

As vezes o velho chefe o chamava para uma reunião, dizia que o queria trazer para a central, ele saia da reunião com o mesmo dizendo, só se for para vir nessas reuniões armado, a cada idiota que solte alguma merda, eu tenha direito de dar um tiro no meio da testa deste.

O velho se matava de rir.

Seguia no mesmo lugar, cada ano chegava mais casos, a maioria era por incompetência, seja do policial que tinha começado o caso, do inspetor, do chefe da delegacia.

Analisava cada coisa, quando ele aparecia em uma delegacia, já sabiam que o iam ter que aguentar, como um cachorro mordendo as pernas, que não ia largar, enquanto não resolvesse o problema, era melhor soltar logo de uma vez, ajudar a resolver o problema, do que ficar enrolando, isso só iria piorar a situação, pois sabiam que seus informes, contaria com nomes, pontos e virgulas tudo.

Ele as vezes nem falava, soltavam o verbo rapidamente, sem querer sua simples presença assustava, pois jamais dava sequer um sorriso, sua cara era impenetrável.

Só seu companheiro era que entendia cada gesto, ou olhar dele, por isso funcionavam.

O mesmo chegou a recusar uma promoção, dizendo, que com ele, sabia aonde estava pisando, podia confiar sua vida nas suas mãos.

A tempos atrás, tinha resolvido um caso complicado, nenhum policial, ou inspector tinha imaginado que era um assassino em série, claro, eles logo descobriram, assassinatos iguais em vários lugares da cidade, ele quando juntou os mesmo sem resolver em qualquer parte, começaram a analisar o perfil do assassino.  

Chegaram a triste conclusão, que era um policial, algum que tinha ido trocando de delegacia, sem querer o encontraram, era um dos famosos incompetentes, criava casos com os companheiros.

Sigilosamente o começaram a seguir, quando o pegaram com a boca na botija, foi um caos, pois o sujeito era complicado, começou a atirar, mas primeiro matou a vitima que tinha prisioneira com ele.

Os dois tanto fizeram que o capturaram com vida.

O pior foi descobrir que o mesmo tinha suplantando o nome de outro policial, por isso ninguém desconfiava dele.

Seu companheiro acabou levando um tiro no braço, mas voltou a trabalhar rapidamente, disse que aguentar a mulher e a sogra em casa, era muito para ele, posso acabar matando as duas.

Procurava sempre saber noticias do orfanato, iam bem, todos os anos, tirava uma parte de seus lucros no dinheiro aplicado, mandava para as freiras.

Apesar de ter idade para se aposentar, levou trabalhando mais dez anos, só então pensou no assunto.

Mas claro não sabia ficar quieto, acabou indo trabalhar no orfanato, dava aulas para as crianças, lhes ensinava a pensar no futuro, fazia uma coisa, analisava, rebuscava na vida de qualquer pretendente a adoção, para saber se o que fazia era perfeito para a criança.

Ele mesmo, ia visitar a família para ver como estavam tratando seu filho.

Os garotos adoravam, pois ele tratava todos como se fossem seus filhos, os que tinham boas notas, ele conseguia bolsas de estudos, bem como ajudava, mas isso sem que ninguém soubesse.  Morreria dormindo, com quase noventa anos. 

Quando comentavam com ele, que sempre falava mal de Bristol, como tinha acabado lá.

Respondia rindo, que ele não vivia em Bristol, mas sim no orfanato, aonde o tinham acolhido.

Alguns quando ele falava isso, soltavam que ele estava ali para se aproveitar das crianças, isso porque as defendia com unhas e dentes.

Os candidatos a pai, sofriam em suas mãos, mas dificilmente errava na analise que fazia do indivíduo.

Quando saiu no jornal o anuncio de sua morte, a igreja estava completamente lotada, inclusive com pessoas do lado de fora.

Se podia dizer que tinha passado pela vida, mas ele tinha ajudado a muita gente.

 

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