TRANSVERSAL
Fui atravessando a vida como indo por uma
transversal, nunca uma linha reta, nada era perfeito para isso, mas hoje
olhando para trás, vejo que não importa muito, mas sim sobreviver a qualquer custo.
Meu nome por si só era complicado,
September Madison, preferia que me chamassem de Madison, assim não tinha que
dar muitas explicações.
Como dizer que ao meu pai lhe faltava algum
parafuso, pois como era cowboy de rodeios, tinha batido com a cabeça mil vezes
no chão, as vezes tinha dores, que o levavam a gritar, colocava as duas mãos puxando
os cabelos amarelos, sem brilho, com minha mãe, éramos sete num velho furgão
que ia de rodeio em rodeio, eu era o menor deles todos, na época tinha uns seis
anos, acredito, porque não sei minha idade real, só encontraram certidão de
nascimento de cada um, na bolsa de minha mãe.
Tudo aconteceu de uma maneira trágica,
íamos por uma estrada complicada cheias de curvas, nem tenho ideia para aonde
íamos, eu não sabia ler nem escrever, se algum dos meus irmãos conseguia ler um
letreiro, dizia aos outros.
O mais velho estava preocupado, pois o
velho reclamava de dores desde que tinha levantado, minha mãe, tentou
convence-lo de só seguir viagem no dia seguinte, ela iria a cidade com o mais
velho, comprariam medicamentes para ele.
Ele estirou os bolsos para fora, tudo
acabou no posto de gasolina, além da comida que compraste, até o próximo
rodeio, isso se ganho, nisso ele era bom, comeremos.
Eu tinha aprendido com os outros a me
virar, nos dias de vacas magras, ir pelas latas de lixo, na parte traseira de
algum restaurante, aonde se apresentava, havia que sobreviver, não tinha noção
dessa palavra, mas era uma coisa real, as vezes depois tinha dor de barriga, caganeira,
mas não importava.
Nos fez entrar todos no furgão, eu só me
lembro dos gritos, quando ele conduzindo, colocou as mãos na cabeça gritando,
na minha cabeça era como se ele quisesse arrancar seus cabelos já ralos,
gritava como um louco, nisso caímos por uma ribanceira, o furgão começou a dar
voltas, sem querer, eu fiquei por baixo dos meus irmãos maiores, talvez tenha
sobrevivido por isso.
Quando tudo parou de dar voltas, eu tentava
tirar meus irmãos maiores de cima de mim, claro no puto furgão, que era velho,
não existia cinto de segurança.
O que estava justo em cima de mim, tinha a
cabeça para trás, como nos filmes de terror que tinha visto nos acampamentos,
com os outros garotos que tinham televisão.
Nenhum deles se mexia, o mais velho, que já
treinava para ser cowboy, tinha alguma coisa no peito, que ia até a parte
detrás, na hora não entendi, era um pedaço de vidro.
Nesse momento chegaram homens, que me
ajudaram a sair, eu sentia dor no corpo inteiro, principalmente nos braços,
depois fui entender que tinha quebrado os dois em vários lugares.
Por isso não tinha força para os tirar de
cima de mim.
Depois começaram a retirar os outros, os
examinavam, faziam um movimento negativo com a cabeça, o pior que vi foi minha
mãe, sua cabeça tinha ficado presa num pedaço de vidro, meu pai tinha a cabeça
caída, depois entendi que um vidro tinha cortado a mesma, pois estava pendurada
para trás.
Só eu fui para o hospital, tentaram
localizar parentes, mas o único um irmão de minha mãe, disse que nem queria
saber, a tinham avisado, mas essa louca seguiu esse homem, agora aguente, não
entendeu que a mesma tinha morrido.
Arrumaram meus braços, eu de certa maneira
não tinha muito conhecimento do que tinha acontecido, estava era gostando, pois
as enfermeiras me lavaram todo, rasparam minha cabeça com medo de piolhos,
reclamando como eu podia estar tão sujo, minhas roupas eram velhas, restos dos
meus irmãos.
Mas o que gostei mesmo, foi depois, me
colocarem numa cama com lençóis limpos, isso eu não conhecia, cheiravam a
limpo.
Tinha agora os dois braços engessados, até
o ombro, o médico depois de falar com a polícia, entendeu porque eu tinha
sobrevivido, tinha sido sem querer protegido pelos corpos dos meus irmãos.
Quando perguntaram meu nome, tinha várias
certidões nas mãos, eu disse September Madison.
O único comentário foi, que meu pai tinha
bom gosto para os nomes, na hora não entendi, mas cada um tinha como nome o mês
que tinha nascido.
Quando me tiraram o gesso, semanas depois,
me examiram outra vez, depois apareceu um homem para me fazer massagens além de
exercícios.
Escutei uma das enfermeira falando, que eu
era o único paciente que não reclamava da comida, ainda perguntava se podia
comer mais.
Me fizeram um exame total, antes de me
colocarem nas mãos de uma assistente social, a mulher era azeda, tinha um humor
de cachorro velho.
Me levou para um orfanato, aonde para comer
havia que se defender, nem se distrair, pois senão algum maior pegava alguma
coisa do seu prato, por isso aprendi a comer o mais rápido possível, deixava
para o final, as coisas que ninguém gostava, mas eu não me importava, queria
era ter a barriga cheia. Aprendi a ler
e escrever rapidamente, a professora que vinha me elogiava.
Tinha encontrado um jeito de me defender
pelas noites, rearumava a cama, prendendo os lençois, bem como encostava a cama
na parede, dormia com a bunda encostada nela, mas se alguém se atrevia, dava um
murro, além de gritar, bem alto.
No pátio era igual, com a comida, embora
dissessem que era ruim, fui esticando.
Quando fui adotado a primeira vez, por um
casal, entendi que me queriam para trabalhar para eles no campo, os filhos
tinha se mandado, queriam uma vida melhor, nem tinha ideia de aonde estava na
realidade. Pelo menos comia bem, os
dois velhos se cuidavam, mas o senhor morreu dois anos depois, desceu do
trator, o deixou ligado, foi tirar uma pedra que estava na frente do mesmo,
esqueceu que estava numa descida, o trator passou por cima dele.
A mulher claro me devolveu, os filhos
apareceram para vender as terras, a enfiaram numa casa de pessoas maiores, até
já tinha me acostumado com os dois.
Lá fui eu outra vez para o lugar de aonde
tinha saído.
Quando me levaram outra vez, não gostei
imediatamente do homem, tinha cara de sem vergonha, me examinava de corpo
inteiro, claro nesse dois anos, tinha esticado, além de ter um bom corpo, com o
trabalho braçal que fazia, não reclamava pois a comida era farta.
Dois dias depois, o homem entrou no quarto,
completamente nu, queria tirar meu lençol, mas por habito, eu fazia como no
orfanato, então estava difícil, aproveitei, tinha uma garrafa de água na mesa
de cabeceira, bati na cabeça dele, com os gritos, a mulher apareceu, quando viu
o marido nu, com o piru duro, foi um escândalo total, ela chamou a polícia.
Mas destas vez, pela idade não me levaram
para o orfanato, o policial, falou comigo, me internaram numa escola,
justamente para garotos, que fugiam de casa, ou por algum motivo estavam pelas,
ruas, lá existia aulas para aprenderes a trabalhar, o que me interessava era
aprender alguma coisa para trabalhar depois.
Quando vi a oficina mecânica, logo me
interessei, aprendi tudo que pude durante dois anos, que era o tempo que eu
podia ficar lá, iria fazer 17 anos, me colocariam para fora.
O mesmo policial, me levou a uma oficina
mecânica, de um conhecido, era um senhor de uma certa idade, ele nunca falava
na mesma, tinha estado na prisão, segundo ele por culpa justamente desse
policial.
Era um edifício antigo, embaixo era a
oficina, em cima, ele morava, dois quartos pequenos, uma sala aonde estava a
cozinha também, banheiro que era bom, uma varanda nos fundos, que dava para
lugar nenhum, ficava numa posição boa, pois era um beco sem saída, mas junto a
uma avenida importante da cidade.
Ele me disse as regras, eu ri, arrumar
cama, não deixar roupas pelo chão, eu estava acostumado a tudo isso, só não
tinha aprendido a cozinhar.
Ele logo me comprou dois macacões para
trabalhar, na cozinha tinha uma maquina de lavar roupa, depois secavam nessa
varanda dos fundos.
Pela primeira vez na vida, tive cuecas
novas, bem como camisetas, ele comprava de pacotes, todas brancas, dizia que
era mais fácil de tirar as manchas de graxas dos carros, usava uma espécie de
botas.
Posso dizer que sem querer foram os
melhores anos de minha vida, era um homem sério, me contou sua vida, que tinha
roubado muito, que conduzia carros para assaltantes de banco, mas esse policial
o pegou.
As vezes apareciam dois tipos, logo em
seguida me dizia que tinha que fazer alguma coisa, ia com eles, aparecia dois
dias depois, mas que eu devia seguir trabalhando.
Tinha aprendido a dirigir com ele, me
levava a estradas secundarias sem movimento, foi assim que aprendi, logo tirei
cartão de motorista.
Um dia apareceu ferido, o cuidei, ele
gostou, passou a mão pelo meu rosto, num gesto de agradecimento, sou honesto,
para quem nunca teve carinho, fiquei como louco, tomei a inciativa lhe beijei a
boca.
Quando vi, dormia na mesma cama que ele, me
cuidava bem. Um dia me ensinou uma
coisa, uma parede falsa na oficina mecânica, justo no lugar, que havia um oco
no chão, para se entrar por debaixo dos carros, ali tinha essa parede falsa,
mesmo que se batesse o ruido era como as outras, vi que ali tinham bolsas,
dinheiro que me toca dos roubos, para minha aposentadoria, vou viver em Daytona,
me contava como era, tinha saído de lá, falava do mar, do cheiro do Atlântico,
que sonhava em voltar.
Nunca fiz pergunta nenhuma desses dias que
desaparecia, só sei dizer que não gostava desses homens, depois lia nos jornais
velhos que deixavam por lá, ou na pequena televisão da cozinha que tinha havido
um assalto a algum banco, em qualquer cidade por perto. Claro sabia que eram eles, pois ele chegava
colocava a bolsa no esconderijo.
Nessa época se quisesse ter fugido, o faria
sem problemas, mas adorava esse homem, ele cuidava de mim.
Um dia estava trabalhando, caiu desmaiado,
chamei a ambulância, fechei a oficina, fomos para o hospital.
Depois dos exames, falaram com ele, na
minha frente, tinha um câncer na cabeça, num lugar que não era operável, que
pouco podiam fazer.
Um dia ele disse que ia resolver as coisas,
foi a um advogado, fez um testamento, não tinha família, tudo seu era para mim,
a oficina, bem como o edifício, que ele tinha comprado com dinheiro dos roubos,
além de dinheiro no banco.
Eu quase não gastava dinheiro, ele me
pagava como um mecânico normal, um salário até alto fui saber depois não queria
que eu fosse embora.
Um dia esses homens apareceram, estranharam
ele estar tão magro, contou para eles, que estava para morrer.
Queriam que ele fosse junto, mas alegou que
poderia morrer conduzindo, que não valia a pena, perguntaram se eu podia ir no
lugar dele.
De jeito nenhum, pois pode me acontecer
alguma coisa, ele já sabe como me socorrer.
Realmente dias depois, colocou as mãos na
cabeça, foi caindo como um trapo no chão, chamei a ambulância, desta vez não
saiu do hospital, me disse que na mesa de cabeceira, tinha um cartão de um
advogado, que eu devia fazer contato com ele, pois saberia como fazer seu
enterro.
Obedeci, o mesmo apareceu, mas já era
tarde, morreu dormindo de noite segurando minha mão, me disse antes de dormir,
que eu tinha sido a melhor coisa na sua vida.
Lhe disse que ele também era o melhor de
mim.
Achei interessante no enterro tinham várias
pessoas, algumas eram clientes, que viram a notícia no jornal. Lá estava o policial, bem como os dois
bandidos, até me fez graça, principalmente na hora que colocaram o caixão
dentro da terra, os famosos sete palmos.
Vi o advogado falando com o policial, que
depois me acompanhou ao seu escritório, me falou do testamento, agora era tudo
meu.
Nesse ponto o velho policial me ajudou
muito, foi comigo ao banco com o testamento, passaram o local para meu nome,
transferi o dinheiro para minha conta, junto com o meu salário era bastante, o
policial, disse que eu devia aplicar esse dinheiro, para ir rendendo.
No momento, como nos últimos tempos eu
trabalhava sozinho, tinha aprendido com ele, anotar tudo num livro, as peças
novas, quanto custavam, a mão de obra como devia cobrar, enfim tinha me
preparado para o futuro.
A principio me fez trabalhar sozinho, o que
foi bom, segui meu ritmo, a casa agora era minha, fiz uma coisa que sempre
sugeria a ele, pintar todas as paredes de branco, pois tinham um papel de
parede feio, ele disse que já estavam quando tinha comprado.
Fiz uma coisa, a cada dois dias ia
depositar os lucros da oficina, em um outro banco, falei com o policial que
odiava meu nome, ele conseguiu que eu tirasse documentos, como Madison Smith, com
esses abri conta num outro banco, fui colocando a cada deposito, um pouco do
dinheiro das bolsas.
Mas uma noite vi que esses dois queriam
entrar na garagem, agora usava um quarto que dava para o beco, se escutava
tudo, mas eu estava preocupado, telefonei para a polícia, fugiram como coelhos
assustados.
Um dia vendo uma propaganda na televisão
nova que tinha comprado, falava de câmeras de segurança, não tive dúvida, fui
me informar a respeito.
Veio um sujeito interessante, examinou
tudo, disse que o melhor era colocar uma em cima da porta da garagem, outra em
cima da porta que levava ao apartamento, que da varanda detrás não precisava,
pois não havia como chegar lá.
Eu disse que tinha que ficar bem escondidas
todas as duas, além de um alarma na porta da oficina, outra por detrás da porta
da escada.
Tentaram mais uma vez, desta vez, coloquei
a cara para fora da porta, os avisei que estavam sendo gravados, que iria
chamar a polícia.
Disseram que queriam o dinheiro dos roubos.
Eu disse que ele tinha gastado isso no
tratamento que tinha feito, bem como no hospital. Eu tinha pago tudo com o
dinheiro dali, mas sobrava muito.
Não acreditaram, no que forçaram a porta o
alarma começou a tocar, saíram correndo.
Desci apaguei o mesmo, pensei bom
investimento.
Quando meu conhecido policial apareceu,
tinham lhe falado dos tipos.
Eu sei que ele continuava conduzindo para
esses malandros, lhe disse o que me tinham falado, mas que eu nunca tinha visto
dinheiro nenhum dando sopa, que acho que era esse dinheiro do banco que tinha
me deixado, ele gastou muito no hospital, bem como comprando um lugar no
cemitério, tinha organizado seu enterro.
Ele me disse que eu precisava de um
empregado, me trouxe um rapaz, que tinha saído do mesmo lugar que eu, apesar de
ser jovem, tinha uma mulher um pouco mais velha, saída de orfanatos como ele,
com um garoto pequeno.
Ela trabalhava numa dessas lojas imensas,
na perfumaria, as calças na verdade levava ela.
Ele era um jovem bonito. Se insinuava para mim, mas eu não queria
confusão para meu lado.
Adorava o dia que ele aparecia com o
garoto.
Este ficava esperando que eu pedisse uma
ferramenta, eu dizia o nome, ele me entregava rindo.
Um dia Joseph apareceu de cabeça baixa,
tinham brigado, ela o tinha pegado com um rapaz.
Imagina, fui abusado a vida inteira, gosto
de fazer sexo com homens.
Lhe disse que podia ficar no quarto dos
fundos, mas um dia se meteu na minha cama.
Ele nos finais de semana que ela
trabalhava, ficava com o garoto, ele era agarrado a mim, não ao pai, este creio
que nunca teve maturidade para isso.
Nessa época eu tinha uns 29 anos, os dois
ladrões apareceram queriam que eu conduzisse seu carro, disse que nem pensar.
O convidaram, lhe disseram o quanto lhe
tocaria, Joseph na verdade achava a vida que levava chata, queria ir pelo mundo
tendo aventuras com todos os homens que visse.
Fazer sexo com ele, era impressionante,
estava sempre pedindo mais, uma vez o vi se insinuar para um cliente, que a
calças marcavam um belo caralho.
Lhe dei uma bronca imensa, disse que se
queria isso, saísse de minha casa, ou me respeitava, principalmente o lugar de
seu trabalho.
O muito idiota, se deu mal, pois na
perseguição com a polícia, levou um tiro.
Os dois filhos da puta, levaram o carro que tinham roubado para a porta
da oficina, com ele dentro.
Foi uma bela confusão, pois quando me
levantei de manhã, vi o carro, com ele dentro morto, não tive dúvida, chamei a
polícia. O que eu conhecia, tinha se
aposentado, chamei o advogado, pois me levaram para ser interrogado.
Falei a verdade, que tinham proposto a mim,
mas tirei o corpo fora, acho que convenceram meu ajudante, mas esse é um garoto
tonto.
Ele achava acreditava eu, que com o
dinheiro podia ir embora dali, para San Francisco, vivia falando nisso.
O policial que me interrogou, era super
atraente, afinal nada me ligava ao roubo, inclusive tinha chamado a policia sem
tocar em nada, no carro só tinham as digitais dele, bem como dos outros dois,
pela primeira vez tinham alguma coisa dos mesmos.
Tentaram me implicar, dizendo que eu tinha
ficado com o dinheiro do motorista anterior, deixei a polícia analisar tudo,
apenas avisei ao inspetor, cuidado estão sendo gravados, deixem tudo como está,
ou os denuncio.
Mostrei como do meu controle, se via tudo
no beco, bem como dentro da oficina, não que quebrem nada, ou os denuncio.
Nem sequer desceram nesse oco, tinha um
carro em cima, fizeram o mesmo no meu apartamento.
A mulher apareceu com o garoto, os
apresentei ao policial, o garoto se agarrou comigo, disse que tinha saudades
minhas, eu também lhe respondi.
Contei para o inspetor, o que ele fazia me
ajudando, ele ria, aprendi.
Apesar dos dois terem tentado me implicar,
não conseguiram.
Segui com minha vida, agora tomava cuidado,
consegui um senhor para me ajudar na oficina.
Um belo dia, apareceu a mulher do Joseph
com o garoto, agora com dez anos de idade.
Disse que tinha uma oferta de casamento,
mas que o homem odiava crianças, se eu queria ficar com seu filho, pois não o
queria meter num orfanato, que ela sabia o que era isso, como sabia que eu
também tinha vivido em um.
Disse que o aceitava, desde que fosse uma
adoção completa, nada de guarda, falei com o advogado que preparou os papeis.
Assim Tim, passou a ser meu filho, Tim
Madison Smith.
Imediatamente o coloquei numa escola boa
ali perto, o diretor era meu cliente, era uma escola particular, mas podia
pagar. Ele como que desabrochou,
adorava ler, com ele passei a ver filmes para jovens que nunca tinha visto na
televisão.
Vinha da escola, a mulher do meu ajudante,
vinha de manhã, preparava comida para os dois, no final de semana deixava
comida para todo o final de semana.
Eu era feliz, essa era a verdade, um dia o
inspetor, apareceu com seu carro, ficamos conversando, ele viu que era verdade,
o Tim me ajudando, lhe contei que ia bem na escola, ele todo orgulhoso subiu
para ir buscar seu boletim, eram segundo o diretor as melhores notas da escola.
Rodrigo, era filho de emigrantes mexicanos,
disse que tinha estudado com dificuldades, que adorava mecânica também, tinha
entrado para a polícia comecei de baixo, mas consegui chegar aonde queria.
Me contou que os dois que estavam num
presidio, tentaram fugir, mas acabaram se dando mal, foram assassinados lá
dentro.
Contou no que revisaram o local que viviam,
encontraram dinheiro suficiente para viverem o resto da vida bem.
Eu contei para ele, como uma maneira de me
livrar, que achava que o dono original, que me tinha deixado a oficina, tinha
gasto o que lhe tocava conduzindo, comprando o prédio, bem como montado a
oficinal.
Mas nunca me falou que tinha dinheiro
oculto.
Eu agora todos os meses, dos lucros, tirava
uma parte, juntava com o que restava ainda ali, depositava numa conta,
aplicada, para um dia meu filho ir à universidade, esse era meu sonho, pois eu
teria feito engenharia mecânica.
Alguns carros velhos que apareciam, que não
existia a peça no mercado, nem nos depósitos, eu as reconstruía.
Nas primeiras férias que resolveu tirar,
foram para Daytona, fizeram a viagem num furgão que tinha comprado de segunda
mão.
Foi ótimo, adoraram, aproveitaram a praia
como loucos, nunca tinha visto o mar, aquela imensidão de água o relaxava.
Viram várias oficinas mecânicas, perto da
praia aonde ficaram, algumas reclamavam que só tinham muito movimento no verão.
Resolveram ir subindo, passaram por
Jacksonville, depois Charleston, até chegar a Myrtle Beach, gostaram,
encontraram uma oficina, pois o furgão estava dando problemas, era um senhor já
de idade, disse que nenhum filho tinha se interessado, estavam pelo mundo, dois
tinham morrido nas guerras.
Era um negro alto como ele, com os cabelos
todos brancos, disse de aonde eram, que tinha adorado a pequena cidade.
Ele apontou para o Tim, se o menino quiser
ir a universidade, tem uma ótima, em Atlanta.
Trocaram telefone, o homem mostrou aonde
morava, se te interessa vendo também, era uma casa antiga, numa praia perto,
toda de madeira, foram com o senhor conhecer, esse fez um churrasco com peixe, brincou
dizendo que o estavam conquistando pelo estomago.
Voltaram justamente passando por Atlanta,
Tim ficou deslumbrado, ali tinha o que queria estudar, Matemática pura, bem
como Física.
Mal chegaram, apareceu o inspetor, disse
que pensava que tinha escapado dele, contaram da viagem, ele soltou que inveja,
se tivessem me convidado iria com vocês.
Tim disse ao pai, ele está interessado no
senhor.
Um mês depois, já tinha saído duas vezes
com o inspetor, até que este o convidou para conhecer sua casa, era como a sua,
tudo em ordem, mas os dois na cama era a desordem total, como o Tim tinha
apoiado o pai, logo frequentava a casa.
Foi quando uma empresa, iria comprar os
edifícios da frente do beco, se interessavam em comprar a oficina.
Sentaram-se os três, falando de Myrtle
Beach, Yohann, tinha visto as fotos, com o dinheiro que tinha da oferta, mas o
que tinha guardado no banco, poderia comprar, conversaram com o proprietário,
estou os esperando.
Yohann, telefonou para a delegacia da
cidade, pediu para falar com o chefe, disse que sua família queria se mudar
para lá, disse aonde trabalhava, que era inspetor, se quisesse podia tirar
informação.
Venderam tudo, o pouco de dinheiro que
havia numa última bolsa, ele depositou para pagar a casa do senhor, limpou bem
o lugar, colocando uma estante velha ali, como se fosse um lugar de
ferramentas.
Yohann ia junto para uma entrevista, o mais
interessante é o que iam levar era um nada, cabia tudo no furgão, foram se
revezando, entre os dois a condução, ficavam em motéis a beira da estrada, pois
ele tinha férias só durante um tempo.
Uma noite os dois conversaram, não penso em
te perder por nada desse mundo, levaste muito tempo para perceber que eu
aparecia para te ver.
Os dois se davam bem, era o que importava,
Yohann, dizia que sempre tinha gostado da decisão dele de adotar o Tim, fico
imaginando esse menino, num orfanato, só quem passou sabe como é, os dois
tinham contado um ao outro, como tinha dado um duro para escapar do mesmo.
Para Yohann foi uma paixão a primeira
vista, não só pela praia, mas pela casa, que incluía a venda.
Foi a entrevista, era uma delegacia
pequena, com dois inspetores, um se aposentava, o contratavam. Ele voltou só para fechar seu apartamento
que era alugado, como liquidar suas coisas.
Madison inicialmente ficou trabalhando com
o senhor, até que ele o apresentou para todos os clientes cativos, os deixo em
boas mãos.
Tim, se tinha encaixado na escola, dentro
de dois anos, iria à universidade, estava feliz, nunca mais tinham sabido de
sua mãe, era como se tivesse desaparecido do mapa.
Quando Yohann voltou, se incorporou, os
três tinham uma coisa que não perdiam, no verão o final de semana era da
família.
Justo quando Tim foi para a universidade,
ele foi promovido a chefe da delegacia, tinha mais tempo livre, todos os
policiais, bem como inspetores, levavam seus carros a oficina do Madison.
Tim entrou na universidade pela porta
grande, embaixo de avisos dos pais, para não consumir drogas, álcool. Mas ele nem pensava nisso.
Os dois se sentiam sós, nos finais de
semana que sabiam que Tim não tinha que estudar para alguma prova, iam os dois
passar os finais de semana com ele.
Os professores elogiavam suas notas e
esforço.
Quando estava para terminar o curso, foram
fazer uma viagem a Paris, além de irem visitar o Grande Colisionador de
Hadrones, o Colisionador de partículas mais grande da Europa, CERN, fica na
fronteira de França com Suiça.
Tim ia com um convite dado a Universidade,
logo sem querer foi entrevistado por um ex-professor de Atlanta, lhe faltavam
meio semestre para terminar a universidade, o convidaram para vir fazer práticas
lá.
Os dois ficaram sem ação, mas depois
chegaram a conclusão que era a vida dele.
Tim estava eufórico, estudou como um louco,
para poder ir, até acabou as provas antes do tempo, foi com uma carta de
recomendação da própria universidade, sendo as notas mais altas no que
interessava.
Liberou para ele, todo o dinheiro que tinha
colocado na sua conta, assim ele poderia alugar um apartamento, embora no
principio lhe ofereciam alojamento com os outros em práticas.
Se falavam todo o possível, ficavam
esperando a chamada do filho.
Nas férias foram para lá, mas claro ele
pouco podia lhes dar atenção.
Viram que a vida do rapaz, tomava outro
rumo.
Com o tempo, recebiam uma chamada ao mês,
depois a cada dois meses, depois quando ele ficou como definitivo, veio, para
agradecer aos dois tudo que tinham feito por ele.
Entenderam que o rumo da vida dele, ia ser
diferente, não fizeram nenhum movimento para o segurar, já tinham conversado
isso antes.
Yohann que sempre tinha querido filhos,
tinha visto no Tim o filho que ele tinha sonhado, universitário, um homem que
tinha lutado para sair adiante.
Ficaram só os dois, Madison, entendia a
tristeza do Yohann, mas tampouco esperava perder o mesmo, que de uma certa
maneira era um pouco mais jovem que ele.
Um dia o chamaram com urgência, tinha tido
um enfarte numa reunião da delegacia.
Foi correndo para o hospital, chegou só o
tempo de poder se despedir. Yohann lhe
agradeceu esses anos todos, que tinham tido juntos, sorrindo, disse que se
aproximasse, eu sei que tinhas o dinheiro do roubo, mas te amava.
Morreu em seguida, segurando sua mão.
Telefonou urgente para o Tim, esse pediu
desculpas, mas nunca chegaria a tempo, era como se a distância, tivesse criado
também uma parte da vida dele, que ele quisesse esquecer, um pai morto como
bandido, uma mãe que o abandonou.
Ele ficou ao princípio desesperado, tinha
se apegado tanto ao Yohann nesses anos que tinham vivido juntos, sonhando com
uma velhice tranquila ali aonde tinha escolhido para viver.
Ele tinha tido poucas pessoas na sua vida,
para amar, mas sem dúvida Yohann tinha sido o mais importante, agora então que
sabia que ele tinha montado a vida dele, bem como a do Tim com esse dinheiro, o
respeitava mais, sabia que o amava verdadeiramente.
Quando o velho contou para ele a história
do dinheiro, disse não se preocupe, esses bancos tem seguro, o mesmo devolverá
tudo para eles.
Era uma verdade, Yohann uma vez comentou
isso, como querendo o deixar em paz.
Ele sempre tinha ajudado as ONGS,
orfanatos, antes ia olhar como funcionavam.
Quando Tim o convidou para ir ao seu
casamento, primeiro pensou em não ir, pois ele não tinha vindo vê-lo depois da
morte do Yohann.
Mas foi, com o coração apertado.
Tiveram uma larga conversa, ele falando de
quando era pequeno, o tinha escolhido como seu pai, pois o seu nunca lhe fazia
sequer um carinho, tu ao contrário me davas toda a atenção, quando minha mãe me
deixou, eu sabia que podia contar contigo, foste o melhor pai do mundo, mas
tenho que deixar o passado para trás.
Só lhe disse uma coisa, contou mais ou
menos sua história, ao final lhe disse que o passado, por mais que se queira o
deixar para trás, este nunca nos deixa.
Não gostou da mulher com quem ele se
casava, era de uma família boa, mas se achava acima de todos, embora fosse uma
simples assistente.
Anos depois ficou gravida, rejeitou o
garoto desde o princípio, nessa época Tim recebeu um convite da universidade de
Atlanta para vir fazer uma conferência, veio com o garoto.
O deixou com o avô nos dias, que esteve na
universidade, depois chegou, se soltou literalmente numa cadeira, tinham lhe
oferecido a chefia do departamento de Física da universidade.
Foi honesto com o pai, meu casamento é uma
merda, ela rejeita o garoto, como minha mãe fez comigo, estou cansado do
trabalho lá, seria uma bela oportunidade voltar.
O senhor me aceita de volta.
Se abraçou a ele chorando, dizendo, tinhas
razão, o passado sempre nos acompanha.
Foi a França com eles, o divorcio foi
consumado rápido, ele tinha a guarda do garoto, aceitou o convite da
universidade.
Madison, só fez uma coisa, manteve a casa
da praia, mas se mudou para Atlanta, com o filho, a universidade lhes arrumou
uma casa, logo conseguiu uma oficina que estava a venda, ali perto, com o tempo
tinha seus clientes daqueles de sempre.
O menino, fazia o que o pai tinha feito,
ele ia pedido as ferramentas, ele sabia de todas, quando viu o avô
reconstruindo uma motor inteiro, compondo peças que faltavam, soltou, eu quero
um dia fazer isso.
Tinha saído ao pai, era um excelente
estudante, mas adorava ir aos finais de semana a praia.
Ele tinha novamente uma família.
Tim durante muito tempo, não teve ninguém
na sua vida, até o dia que pediu se podia falar com ele, estava apaixonado por
um companheiro da universidade, de uma área totalmente oposta, era catedrático
de Literatura.
O menino que se chamava Madison como o avô,
o aceitou, esse também tinha na alma a coisa de ser pai, Junior se abria mais
com ele, que com o Tim.
Era como uma república masculina.
Um cliente trouxe uma moto, para ver se ele
podia consertar, a queria vender, tinha sido de seu filho, que tinha
desaparecido pelo mundo.
A comprou, levou um tempo restaurando a
mesma para seu neto.
Este anos depois quando foi estudar
Engenharia mecânica, tinha o logro de ter recuperado e construído peças em 3D,
para várias motos, ou mesmo motores velhos.
Ajudava o avô na oficina mecânica, com
sempre tivesse feito isso.
O companheiro de Tim, Marcial, era
descendente de italianos com mexicanos, adorava reuniões de família, um dia
sentado com ele, quando Junior foi a universidade, ele soltou que mais um que
vai voar.
Marcial lhe disse que se enganava, esse
menino o venera, o senhor é o centro da atenção dele.
Dito e feito, acabou a universidade, foi
chamado para trabalhar para uma grande empresa, voltou, disse que o seu negócio
era construir motores, nada de ficar construindo em cadeia.
Ficou conhecido por poder restaurar motos e
carros antigos, compondo peças, era conhecido de todos que tinham restos de
motores, peças antigas, o avisavam.
Quando chamaram Tim para ir de novo a
França, para a possível construção de um outro CERN, disse que não. Depois entre eles, disse que de maneira
nenhuma ia perder sua família novamente.
Anos depois foram procurados pela policia
de aonde viviam antes.
Acharam estranho, tinha encontrado a mãe do
Tim, a descobriram simplesmente porque a mesma tinha mania de enrolar seus
documentos num saco plástico, isso conversou o mesmo, o homem com que tinha ido
embora era um assassino em série, conquistava mulheres sozinhas, as convencia
de que ia casar-se com elas, depois as matava.
A encontraram num lugar, aonde iam
construir uma urbanização, quando começaram a escavar, deram com um grande
túmulo coletivo, sua bolsa estava juntos com ela.
Foram até lá, a enterraram ao lado de seu
pai, isso abalou muito o Tim, mas ele tinha sua família para o ajudar.
Mas na verdade morreu antes que Madison,
que ainda ajudou a cuidar dele muito tempo, tudo isso tinha afetado muito seu
cabeça, acelerando um processo de Alzheimer, foram anos difíceis, mas ele tinha
seu neto ali ajudando também.
Ele nunca tinha pensado nisso, sobreviver
tantos anos, pela amizade que tinha construído com Marcial, foi lhe contando
toda sua vida, inclusive a história do dinheiro.
Este escreveu tudo, mas só publicou depois
de sua morte, com quase 95 anos. Teve tempo de ainda conhecer seus dois
bisnetos, filhos de Junior com uma professora negra que conheceu.
Os dois era tal para qual, intensos, os
meninos adoravam o avô Marcial, bem como o bisavô Madison.
Seu enterro foi impressionante, pois tinha
construído amizades solidas.
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