JOHN JOHN JR.

 

                                         

 

Seu nome sempre gerava confusão, John John Jr, mas completo se acrescentava Brandon de seu pai, ou podia usar o que normalmente fazia o de sua mãe Maxwell, isso era uma dor de cabeça.

Tinha um relacionamento complicado com seu pai, desde pequeno, era um homem alto, 2 metros de altura, sua mãe não ficava atrás, tinha 1,85 metros, ele quando nasceu, teve que ser por cesárea, pois pesava quase seis quilos.

Sua mãe contaria depois, que a primeira vez que o estava trocando, seu pai o levantou até o teto, ele sem conversa mijou na sua cara, isso escutou tantas vezes que era capaz de ver a imagem.

Seu pai na época era casado, tinha duas filhas muito feias, tinham saído a sua mulher, um casamento arranjado.

Sua mãe ao contrário, era uma mulher linda, enganava perfeitamente, podia passar por uma loira burra, mas tinha feito a universidade, aonde foi campeã Olímpica de Natação, tinha defendido a pátria como ela dizia, medalha de ouro em duas modalidades.

Tinha sido nadadora desde garota, destacava por isso, além de alta, tinha os ombros largos, quadris estreitos, se estivesse com calças jeans, de costas podia passar por um homem.

Mas ao contrário, era extremamente feminina.  Quando se formou, saiu para procurar emprego, tinha feito práticas em dois escritórios na bolsa de valores, mas a queriam contratar somente como secretária, pela aparência que tinha, os cabelos apanhados num coque tradicional, saias justas pretas, com um corte atrás que ela considerava um clássico.

Num dos maiores, aceitou, ser secretária do diretor, foi lá que conheceu meu pai, que um dia apareceu para almoçar com um velho amigo.

Quando soube o que ela queria a contratou para seu escritório, pensando, essa se vai dar mal logo de saída, mas se fudeu, porque ela já no primeiro ano, era a melhor do escritório.

Ele deu em cima dela, desde o primeiro momento, foi clara com ele, era casado, para ela isso significava que era capado, disse isso na cara dele.

Um belo dia, atendendo um cliente, que não conhecia, só por telefone, o mesmo apareceu no escritório, acabaria sendo como um tio para mim.

Douglas Macfar, era gay, mesmo assim se deslumbrou com ela, tinha estudado com meu pai na universidade, era herdeiro de uma grande fábrica de medicamentos.

Foram almoçar, ele perguntou quanto estava ganhando no escritório.

Não esperava escutar o que ela disse, esses idiotas, me pagam menos que os homens, estou só fazendo nome, aprendendo o que não consegui na universidade.

Ele disse que a admirava desde que tinha sido campeã Olímpica.

Não a deixou voltar ao escritório, venha comigo, a levou ao maior concorrente do escritório de meu pai, um dos maiores da cidade, foi entrando, seguido por ela, abriu a porta do presidente, o chamando de seu filho da puta, a apresentou, Gloria Maxwell, o outro também se lembrava dela.   Escutei falar que trabalhas para o John John, um bom filho da puta.

Quando escutou quanto pagavam para ela, chamou a secretária, que trouxesse o diretor de recursos humanos, a contratou como qualquer outro, entendeu claro se ela vinha Douglas, trazia sua conta para ele.

Meu pai ficou ofendido, pois ela voltou ao escritório pediu demissão, aí ele começou a corteja-la, mas só foi para a cama com ele, quando pediu o divórcio.

Pensou que ela ia pedir para ele casar-se com ela, nem pensar, não quero estar presa a nenhum homem.

Logo ficou gravida, mas vivia sozinha, num apartamento que pagava ela, nada de receber dinheiro de homem, ele as vezes ia dormir lá.   Agora ela frequentava um lugar, para seguir nadando, então levou a gravidez numa boa, segundo ela parecia que tinha engolido uma melancia inteira.  Ninguém ousava a desafiar, tinha hoje em dia uma carteira de clientes, muitos trazidos por Douglas, alguns porque não gostavam do escritório de seu pai, outros porque era como ela os atendia, se sentiam reis.

Nunca disse para ninguém de quem era o filho, o mantinha a parte de tudo.

Trabalhou até basicamente a última hora, estava justamente atendendo o Douglas, com o irmão dele, quando rompeu aguas, disse isso para ele que ficou nervoso, mas acabou de atender seu irmão, se levantou calmamente, pegou sou bolsa, dizendo vou para o hospital.

O médico lhe disse que com o quadril que ela tinha, ia ser um parto complicado, melhor fazermos cesária.

Quantos dias tenho que ficar aqui?

Dois dias no máximo, o Tio Douglas não saia do lado dela, mas tampouco avisou meu pai.

Este só soube depois de que eu tinha nascido.

Dizem que como um idiota, em vez de ir ao Hospital saiu distribuindo charutos cubanos, para todos os homens do escritório.

Quando chegou eu estava nos braços do tio Douglas, ele não gostou.

A partir desse dia, fazia uma campanha contra o amigo, ao mesmo tempo que gerava grandes discussões com ela.

Queria montar um apartamento grande para viverem juntos, ela foi taxativa, nem pensar.

Quando ela contratou uma senhora negra, grande, forte, para ser minha babá, ele que não gostava de negros, disse que nem pensar.

Ela se levantou o encarou, na minha casa mando eu, se estás acostumado a mandar na tua mulher, problema teu.

Em seguida fez uma coisa, que até tio Douglas demorou para entender, se mudou de armas e bagagem para Long Island, uma casa imensa, com uma piscina atrás, foi aonde aprendi a nadar, antes mesmo de andar.

A Daisy foi junto, ela tinha que sair cedo de casa, atravessar de ferry, mas não se incomodava, o escritório estava justo perto.

Queria que eu crescesse como ela, num entorno de família, que fosse a escola pública, isso claro gerava grandes discussões com meu pai, pois achava que não devia ter se mudado, queria que eu fosse a uma escola de grã-finos, tudo ela dizia que não.

A grande surpresa foi que Daisy tinha sido professora na sua cidade antes de vir para NYC, basicamente aprendi a ler e escrever, com três anos, com os cubos com letras, quando me levou ao jardim de infância, foi para me socializar, mas era um problema, era mais alto que os outros, me enchiam o saco, dava logo um soco.

Tinha um filho de italianos, esse era gordo, batia nos outros, um dia vi num filme, o pai colocando o filho nas pernas lhe dando umas palmadas, fiz isso com ele, disse baixinho se ele fazia com os outros sempre daria uma surra nele.

Sua mãe apareceu no jardim de infância reclamando, teve foi que aguentar que seu filho era mal educado, não contente foi falar com minha mãe, quando viu aquela mulher imensa, bem arrumada, perfumada, tudo que ela não era, murchou, ainda cobrou da minha mãe, porque não me levava a igreja, se eu tinha sido batizado.

Nem pensar, tenho horror a igreja, meu filho está registrado, aliás de duas maneiras, uma com meu sobrenome, outra com o do pai, mas me nego a me casar por causa disso.

Anos depois, essa mulher investiria seu dinheiro com ela.

Mas logo fui a escola, Daisy tentava me controlar, pois pegava os livros do ano inteiro, os lia inteiro, já sabia tudo.

Me aborrecia nas aulas, mas tirava as melhores notas, então ficava louco para a hora do recreio, para correr, como ela dizia, parecia que tinham soltado uma cabra louca no espaço, pois era o que eu fazia, a escola tinha uma piscina olímpica, ficava como um louco esperando o dia da aula de natação, para me jogar, enquanto os outros aprendiam, eu me dedicava a cruzar a mesma, melhorando minhas braçadas.

Quando o professor foi falar com minha mãe, para que eu concorresse ao campeonato das escolas, ela disse que ia conversar comigo.

Nos sentamos os três, pois claro nessas conversas a Daisy fazia parte, tinham se tornado amigas, me contou o que tinha acontecido com ela, de um campeonato, passei a outro, até ser campeã Olímpica, mas isso só me ajudou numa coisa, fui a universidade grátis, mas não fazia amigos, tinha que treinar sem parar.

Perdes muito tempo, se surpreendeu com minha resposta, eu acho um saco esse homem ficar medindo o tempo, gosto de desfrutar da água, mas isso de ficar como um louco não.

Ela se matou de rir.

Meu pai quando soube, numa das suas visitas, ficou uma fera, como ela podia cortar minhas asas, a resposta o surpreendeu, foi ele quem decidiu.

Veio falar comigo, da gloria olímpica, essas besteiras todas, que eu ficaria um homem famoso, olhei para ele, me lembrei uma coisa que tio Douglas falava com o namorado que vinha com ele, se referindo ao meu pai, esse sujeito cheio de bosta nas calças.

Não quero ser como o senhor, um sujeito cheio de bosta nas calças, nunca foste o primeiro em nada.

Ficou furioso, pensou que tinha sido um comentário de minha mãe.

Creio que foi algum companheiro teu de universidade que comentou isso.

Ele como sempre atacava tio Douglas, dizendo que esse gay que ainda trás o namorado, para tua casa, isso é pernicioso.

Cada vez que ele falava essas besteiras, ela apontava a porta da rua, a casa é minha, aqui entra quem eu quero.

Todos os meses ele depositava dinheiro para minha manutenção, ia direto para o banco, só fui saber quando fui a universidade, nunca tocou nesse dinheiro, o tinha sim investido.

Depois começou uma briga interminável, pois queria que eu fosse estudar interno como ele, na melhor escola de ricos do pais, para ter um futuro.

Minha mãe fez uma coisa, me levou até lá, aquilo parecia orfanato, todos vestidos iguais de gravata, casaco combinando com a calças, eu que gostava de camisetas, ri muito.

Disse que não queria, seguiria estudando na escola pública.  Depois ele começou a pressão para a universidade, dizia o nome delas com a boca cheia.

Um dia que ele tinha vindo no final do dia, deixou uma pasta aberta em cima da mesa, caiu um projeto para um cliente dele, ela leu, achou uma merda.

No dia seguinte fez outro projeto, mandou para o mesmo, ele ficou furioso, pois tinha roubado seu melhor cliente.

Aprendas a trabalhar, aonde se viu ir a casa de um concorrente, deixar uma pasta aberta em cima da mesa, com um projeto, mal feito por sinal.

Passou meses sem ir la em casa, foi falar com o cliente, se deu mal, pois ele comparou o que ele tinha apresentado, com o dela.

Me desculpe, ela é mais brilhante que você.

Esse homem depois, um milionário viúvo, a pediu em casamento, mas tinha filhos, ela disse que nem pensar, virou amiga dele, a levou a frequentar a alta sociedade, ela sabia se vestir bem, sem ser uma dondoca, mas odiava ficar conversando com as mulheres, o negocio era conseguir clientes para seu escritório.

Quando finalmente decidi o que estudar, Daisy me convenceu de uma coisa, meu pai queria pelas minhas notas, que eu fosse estudar o que era moda entre os ricos na época, mandar os filhos estudarem em Paris, na Alta escola de negócios.

Mal sabia ele, que tinha outros sonhos, tinha me descoberto nas aulas de desenho, a professora ria muito, pois eu era o único garoto que fazia a mesma, se alguém me enchia o saco, sabia que levaria um belo soco pela cara.

Nessa época conheci o meu melhor amigo, um dia estava na piscina, um grupinho provocava um rapaz, meio gordinho, de óculos, tinha chegado a pouco tempo na escola, tinham pisado seus óculos, eu sai da agua, meti mão no que comandava tudo, um deles que tinha medo d’água mas ia por causa dos amigos, joguei na piscina, para ele aprender a não encher o saco dos outros, ainda dei uma bronca incrível no professor, que tinha visto tudo isso, sem fazer nada, pior e que arrastei o Daniel, atrás de mim os dois de sunga de piscina, até a diretoria, reclamei dos meninos, do professor, que não tinha feito nada.

O ensinei a se defender, tinha obrigado o professor a comprar outro óculos para ele, no semestre seguinte não estava mais.

Os dois disputávamos as melhores notas da escola, mas quando queriam me dar bolsa de estudos, disse que ele era melhor do que eu.

Ele era descendente de portugueses, falávamos o tempo todo, o obrigava a correr comigo pelo circuito da escola, a fazer aulas de boxe, aí ele foi emagrecendo, juntos fizemos sexo a primeira vez nas nossas vidas.

Os professores odiavam os dois, pois éramos os únicos a discutir com ele, ele ia estudar numa boa universidade, justamente o que meu pai queria que eu fizesse.

Mas aceitei ir para Paris, nesse dia que tomei a decisão, não disse nada, tinha aprendido a ficar quieto, isso me ensinou a Daisy, fique na tua, depois fazes o que queres.

Nessa época ela seguia morando em casa, mas já trabalhava no escritório de minha mãe, primeiro como secretária, depois era uma das melhores, tinha aprendido a se vestir com minha mãe, lhe choviam propostas de matrimonio, mas tinha aprendido com sua guru, como chamava minha mãe, que homem só para encher o saco.

Lá fui eu para Paris, meu pai foi junto, alugou um belo apartamento para mim, nada de luxo, mas como tinham meus companheiros, claro logo odiei, a maioria ia as aulas de terno e gravata, eu odiava.

Tinha uma senhora que vinha limpar, cozinhava para a semana inteira, lavava e passava minha roupa.

No primeiro ano, eu já tinha problemas, pois já tinha lido todos os livros recomendados, era o terror dos professores, pois quando começavam a citar um autor, eu falava de outros, discordava com ele, fazia isso inclusive nas provas, respondia como ele queira, ao mesmo reclamava dele por detrás.

Um dia passeando, deu de cara com a École de Beaux Arts, perguntou se podia andar para conhecer, o porteiro chamou um aluno, que lhe mostrou inteira, depois o levou secretária, ele se informou, perguntou se podia fazer algum curso nas férias que se aproximavam.

Disse que sim, chamou um professor, marcou com ele, trouxe os desenhos que fazia.

Disse a sua mãe que não iria nas férias porque ia estudar.

Nessa época ajudada por tio Douglas, pelo seu melhor cliente, comprou o escritório o dono se retirava pois tinha câncer.

Colocou mais mulheres para trabalhar, meu pai se arriscou a dizer que ia conseguir alguns clientes dela, mas se enganou, só um que era machista foi com ele, voltou depois com o rabo entre as pernas, ela o obrigou a aceitar a Daisy como sua gestora.

Ele veio visita-lo nas férias, com uma das suas filhas que ia se casar, esta comprava o vestido num dos grandes costureiros, assim o salvou de ter que aguentar o pai.

Um dia viu uma classe de escultura, depois de sua aula, foi até lá, estava vazio, ele viu um bloco de barro, sem querer se sentou, começou a construir sua primeira escultura.

No dia seguinte o professor queria saber de quem era. Na base estava J.J.M.

Foi então que soube que era eu. Virei seu aluno, dizia que minha alma já era uma escultura.

Quando comecei o terceiro ano da Escola de Altos Negócios, já não tinha interesse nenhum.

Fui para seu ateliê, lá prós lados de Saint Queen.

Aprendi tudo que podia com ele, me dizia que tinha que pensar, me arrastava para o Louvre, íamos para a parte aonde estavam as Esculturas, me fazia observar cada uma, depois me levou ao museu Rodin, ao museu D’Orsay, para admirar o que havia ali.  Eu adorava a figura central de cima, que no fundo era um Pensador de Rodin.

Fiz mil estudos em cima da mesma.

Tinha já uma bela coleção, não eram grandes, pois o Jean Marcuse, usava seu ateliê, para fazer esculturas para o governo.

Trouxe até lá o dono de uma galeria, quando viu tudo que tinha ali, elogiou meu trabalho, alguns ainda faltavam coser, mas mesmo assim, disse que eram bons.

Eu tinha mil esboços do Pensador de Rodin, ficava imaginando como seria hoje em dia, se o fosse retratar, um dia me peguei cagando, na mesma postura.

Isso, pensei, é aonde o homem moderno, pensa, nada melhor que o banheiro.

Arrumei numa caçamba uma que tinha de uma obra, copiei o modelo, comecei a construir a figura, só que agora, era diferente, era como eu, um rapaz grande, magro, com os cabelos crespos imensos, mas a cara era do Jean Marcuse.

Não o deixei ver, até estar pronto.   Ele se matou de rir.

A cozemos, ele me ensinou a fazer o molde para fazermos em bronze, quando ficou pronto, chamou o da galeria, a colocou num fundo branco, iluminada desde cima, o homem ficou como louco, deixei o Jean negociar por mim, mas já aprendendo.

O mesmo levou para sua Galeria em Saint Germain, a colocou na vitrine, Jean levou todos seus alunos para olharem, sem dizer de quem era.  Na traseira estava J.J.M.

Fiz as provas de final de curso, ia para casa, minha mãe disse que vinha com a Daisy de férias.

As levei para ver a escultura, a Daisy que era a única que sabia do que eu fazia, se matou de rir, minha mãe, ficou rodando em volta, quando viu a assinatura, só fez uma coisa, pegou minha cabeça, me fez abaixar, nessa época já tinha 2,10 de altura, magro como sempre seria.

Depois as levei ao ateliê do Jean Marcuse, que ficou louco quando viu a Daisy, a fez sentar-se para desenha-la, dali, fomos comer aonde íamos sempre, todo mundo pensava como eu podia ser filho do Jean, se era mais alto do que ele, quando viram minha mãe, entenderam.

Ela não comentou nada com meu pai.

Charles Klein, vendeu a mesma para um de seus melhores clientes, quando me deu o cheque no valor, fiquei de boca aberta, era muito dinheiro, levou outras que estavam prontas, montou uma bancada no meio da galeria.

Eu depositei o dinheiro no banco, para ser aplicado, afinal tinha aprendido isso.

Com esse dinheiro anos depois compraria o local do Jean.

Ele sempre tocava no assunto, nunca me via com ninguém.

Lhe disse que o sexo tinha que surgir quando me interessava por alguém, nunca tinha me esquecido do Daniel.

Mal começou o quarto ano, fui correndo para NYC, a Daisy tinha morrido, no fundo essa viagem eram uma coisa que ela sonhava, minha mãe sabia que nunca mais poderia fazer outra.

Foi um baque a toda prova, essa mulher tinha estado em minha vida, desde criança.

Um dia fui visitar meu pai no seu escritório, dei de cara com o Daniel, que trabalhava lá, mas claro num segundo plano.

Disse que ali, só os puxa sacos subiam.

O levei para conhecer minha mãe, ela o contratou, ocuparia o lugar da Daisy.   Estivemos uma vez no seu apartamento pequeno, foi fantástico, me lembrava de detalhes do corpo dele.

Quando voltei, consegui que um colega me avisasse das provas, mas não fui mais a aulas, só aparecia para fazer as mesmas.

Comecei a fazer uma escultura da Dayse em tamanho natural, me lembrei que me contou quando tinha visto a escultura do pensador, que fazia isso muitas vezes quando garota, sentada num tronco nas margens do Mississipi, sonhando com o futuro.

Jean ficou como louco, a fiz, como imaginava de criança, com umas tranças de seus cabelos pixaim, depois adulta ao lado, como era nos últimos anos.

Foi a primeira escultura que fiz policromada, depois de cozida, ele me ajudou a preparar tudo, soltou uma grande mulher, se tivesse menos idade tinha me casado com ela.

Mandei uma foto para minha mãe, que me chamou emocionada.

Essa foi para a Galeria, mas fiz outra, mudando algumas coisas, que deu um trabalho louco, tivemos que mandar de avião de carga, minha mãe pagou os custos, ficava na entrada do escritório, com uma placa, Daisy a mulher que realizou seus sonhos.

Um jornalista que era seu cliente, quando veio fotografou a mesma, fez uma reportagem, mas ela disse que a tinha comprado em Paris.

Eu estava no meio de uma turbulência como diria, começava uma série que levaria anos trabalhando, parti da ideia de como seriam hoje os deuses do Olimpo.

Primeiro fui ver o que havia, nos Museus, depois os livros.

Jean riu muito da minha ideia, comecei a desenvolver uma coisa muito louca na minha cabeça, que Zeus hoje em dia, seria metade homem, metade mulher.

Nisso me envolvi em aventuras, como ele dizia, porque saia comigo buscando pessoas para posarem, uma noite estávamos num bar, cheio de artista, vi uma mulher fantástica, uma amiga dele disse que era uma transexual, mas que ainda tinha o piru.

Me levantei no meio daquela confusão toda, riam de mim, pois seguia tendo cara de garoto, fui até a pessoa, perguntei se podia falar com ele.

Saímos nos sentamos num banco na rua, comecei a explicar o que queria fazer, se ele podia posar para mim.

Riu a bessa, tinha cara realmente de homem, mas tinha peito, uns cabelos imensos, no dia seguinte estava lá no ateliê, primeiro desenhei seu rosto de mil maneiras, suas mãos, seus pés de homem, isso conversando com ele, quando pedi que tirasse a roupa, tínhamos uma cortina que separava em dois o ateliê, Jean percebeu, disse que ia para a École.

Quando tirou tudo, vi que tinha um membro grande, ai disse que não opera por isso, era o que gostavam os homens com quem ele tinha sexo.

Me lembrei deu uma escultura de Zeus, meio recostado num trono, com as pernas abertas.

Desenhei como um louco, ele ria, disse, eu devo ter feito inconscientemente, que eu passava a língua pelos lábios.

Quando o chamei para ver, tinha seu membro duro.

Fizemos sexo ali mesmo no chão do ateliê, ele ficou louco, pois eu também tinha igual ao dele.

Ficamos amigos para sempre, nunca falávamos no assunto.

Comecei a fazer a escultura, teria que ser em duas partes, Jean, foi me ajudando, disse que queria ver como eu me sairia.

Teríamos que fazer o trono aparte, na verdade depois o repetiria mil vezes em bronze para as outras esculturas.

Depois comecei a montar em isopor, esculpindo a escultura, num bloco imenso, fui limpando, até ficar como eu queria, ele se matava de rir, pois era um deus, com peito de mulher, com um membro imenso, com um cetro e um raio, que depois fizemos em dourado.

Tive que fazer em duas partes, para poder montar depois.

O Charles alertado pelo Jean veio ver, ficou como louco, mas lhe disse que ainda teria tempo, tenho outros Zeus na cabeça.

Jean tinha uma amiga, que era imensa, não gorda, mas forte, tinha sido lutadora de boxe, a convenci de posar para mim.   Ele depois diria, esse garoto, me rouba todas as mulheres que quero que posem para mim, me dizem não a ele sim.

Fiz um deus para ninguém botar defeito, ela tinha usado tanto tempo os peitos protegidos, que tinha por causa de um câncer, tirado os mesmos, fiz com cicatriz e tudo, mas com buceta, o cetro e o raio, já tinha, era só repetir, bem como o trono.

Quando ficou pronto, ela adorou, não podia me ver, dizia para que estivesse em volta, esse menino me imortalizou.

Depois fiz um Zeus negro, esse era outro conhecido do Jean, eu acreditava que no passado eles tinham tido uma aventura.

Tinha os cabelos Black Power, todo misturado com fios brancos, uma barba imensa, o fiz de duas maneiras, uma em pé com um dos pés em cima do trono, outro ele só em pé, com um pano preso nos braços, tinha um piru proporcional, nada demais.

Jean ficou preocupado, pois ele um dia lhe soltou, vou comer esse branquinho, mas não tive nada com ele.

Um dia vi na rua, um rapaz árabe, depois descobri que era Argelino, que fazia musculação num ginásio ali perto, perguntei se podia posar para mim.

Ficou fascinado com isso, o fiz meio árabe, com um turbante, com a coroa por cima, essa era a parte, como o cetro e o raio, tinha um corpo fantástico, mas um piru pequeno, pediu se eu podia aumentar um pouco.

Com esse sim fiz sexo, mas ele queria o que eu tinha, lhe deixei como um louco, tinha aprendido com o Daniel a explorar a outra pessoa.

Ele depois passava por mim rindo, ainda fiz mais duas, uma era outro negro, mais jovem, que era transexual, fiz como eu o imaginava, com peitos, tinha buceta pois tinha se operado, só acrescentei um cabeleira que ele não tinha, pois raspava a cabeça.

Ele quis fazer sexo, mas eu não.

Por último um dia num restaurante japonês, viu um que tinha sido lutador de Sumo, estava em Paris, visitando um amigo, tinha emagrecido, me contou que levava mais de dez anos em tratamento para emagrecer.

Mas o fiz como era, imenso de gordo, com uma cara bonachona.

Sentado no trono, era outro que tinha o piru pequeno.

Quando Charles veio, disse que tudo isso ocuparia sua galeria, eu ainda fui fazer as provas finais da escola, o diretor me chamou, como eu podia tirar as melhores notas, eu lhe disse que tinha estudado tudo no começo das aulas, lhe mostrei fotos do meu trabalho, faço esse curso para agradar o ego de meu pai, mas nunca usarei isso.

Na verdade só usaria, agora para negociar contratos.

Minha mãe veio, com o Daniel, me saciei dele, adorava fazer sexo com ele, se ela sabia não dizia nada. Mas desta vez, mandei um convite para o meu pai, ao mesmo tempo me graduava na escola de Negócios.   De proposito, se inaugurava no mesmo dia da festa.

Ele veio todo tonto, eu fui a mesma de tarde, recebi o diploma, lhe dei o mesmo, podes colocar no teu escritório, ele queria porque queria que eu voltasse para me ocupar do mesmo.

Depois o arrastei ao vernissage, ele ficou como um louco vendo as esculturas, deu de cara com minha mãe e o Daniel.

Perguntou o que estavam fazendo lá, minha mãe lhe entregou um catalogo, ali estava minha cara.

Ficou uma fera, eu tinha gastado seu dinheiro a toa.   Lhe disse que a anos não vivia no apartamento, mas sim perto do ateliê, a muito tempo não dependo do senhor. Esse é o meu caminho.

Jean, se apresentou, o arrastou a ver o resto. Foi interessante, foram chegando os modelos, a primeira modelo, chegou me beijando na boca, os outros foram mais discretos.

Daniel me perguntou se tinha feito sexo com ele, eu disse que sim, mas não se preocupe, ninguém é como você.

Meu pai, estava entre escandalizado, então perguntou de quem era a escultura da Daisy que tinha saído nos jornais. 

Dele é claro, uma homenagem a mulher que me ajudou a cria-lo.

Ele soltou, espero que um dia faça uma minha, fiquei rindo, pois imaginei a tal cena que era eu mijando na sua cara.

Quando comentei, disse, é isso que fazes hoje, sonhei o dia que voltavas para ocupar o meu lugar, mas vejo que errei completamente, fechou a cara foi embora.

O Daniel disse que uma das filhas trabalhava para ele, que odiava.

Duas tinha sido vendidas para museus, a do lutador de sumo, iria para o Japão, uma outra, foi para a Alemanha.

Tinha um galerista americano, que veio com um jornalista, que fez uma matéria para o NY. Times, quando perguntou meu nome, eu disse com o sobrenome Maxwell, meu pai ficou uma fera, depois telefonaria, dizendo que meu sobrenome era Brandon.

Quem chegou depois da inauguração, foi tio Daniel.

Foi ao ateliê, ficou apaixonado por duas pequenas esculturas, dei para ele, afinal, era ele quem comprava para mim meus blocos de desenhos, lápis quando era criança.

Disse que a culpa de tudo isso era ele.

O fiz tirar a roupa toda, na frente de seu velho namorado, do Daniel, seria meu modelo principal para Hermes.

Em seguida comecei a trabalhar, sobre Hermes e Hélios, o deus do sol.

Levei dois anos trabalhando sem parar, cada vez que tinha uma folga, Daniel, pegava um avião vinha ficar comigo.  Eu adorava, mas no fundo sabia que fazia isso, para marcar terreno, lhe disse que não se preocupasse, ele que agora tinha um corpo bonito, de malhar nas academias, posou para o primeiro Hélios.

O fiz de duas maneiras, como imaginava, outra como Louis rei de França, como deus Sol, tivemos que criar os artilugios que usaria em todos.

Ele adorou, disse que por ele, se depois tinha sessão de sexo, ficaria para sempre como modelo.

Jean dizia que tinha virado meu ajudante, adorava participar, no catalogo, eu colocava que tinha a participação dele, em quase tudo.

Como sempre, no de Hermes, como era da comunicação, consegui convencer uma série de jornalistas, para posarem para mim, inclusive um que tinha uma das pernas com prótese, por ter estado numa guerra, perguntei se se incomodava que usasse isso.

Era a mesma coisa, um deles o fiz em cima de uma televisão imensa, uma caixa de dar com loucos.

Charles dizia que eu cada vez fazia maior as esculturas, teria que mudar de galeria, eu para o sacanear dizia que eu iria trocar de galerista.

Assim fui trabalhando, quando acabei com todos os deuses masculinos, uma escritora escreveu numa revista, que eu tinha esquecido das mulheres, a convenci de ir ao ateliê, mas não queria posar nua, tinha pudor, a fiz vestida de corsé.

Me faltava Posseidon, nessa época Jean estava cansado, afinal tinha idade, queria deixar de dar aulas, diziam que os alunos não se interessavam realmente em aprender.

Fomos para o sul, alugamos uma casa numa vila pequena, de pescadores.

Ali, desenhei muitos como Posseidon.  Um em particular, virou meu deus, saia de barco com ele, tinha um corpo espetacular, um dia me levou para passear no seu paraíso, uma praia pequena, embaixo de uma montanha, ali fizemos sexo na água, pedi para posar para mim, tive que fazer foto, era ele saindo da água com seus cabelos imensos.

Um dia apareceram uma série de rapazes surfistas, ele ria, pois ali não havia ondas.

Os desenhei todos, era Poseidon com um séquito de sereios.

Os coloquei todos os nus em sua volta, quase vira um bacanal. Jean se divertia, um dia me disse que estava apaixonado pelo Poseidon, se não me importava de ficar ali com ele.

Eu voltei sozinho para Paris, um de seus velhos ajudantes na École de Beaux Arts, com a recomendação dele veio trabalhar comigo.

Essa deu mais trabalho, fez Posseidon saindo da água, com seu tridente, a coroa repetiria em todos, mas a melhor era a que tinha feito só da cabeça dele saído, com a coroa e a metade do tridente, o chão era como se fosse o mar, outra no mesmo estilo era ele com todo seu séquito de sereios, da mesma maneira, mas a que vendeu primeiro, foi a dele, com todos seus sereios em volta, todos nus, com escamas.

Jean veio com ele ver, riram muito, era o amor da velhice dele, agora terei que repartir com todo mundo.

Realmente Jean pelo tamanho, teve que alugar uma galeria maior, que estava a venda, me associei com ele, para isso.

O que eu gostava era que Daniel, vinha com minha mãe, assim matava as saudades dele.

Minha mãe pensava em se aposentar, queria saber se eu voltaria, quando disse que não, disse que tinha uma oferta de compra.

Perguntei ao Daniel, porque não vinha, assim gerenciava a nova galeria, ficaria para sempre comigo.

No principio foi difícil, pois tínhamos maneiras diferentes de viver, fomos nos adaptando, ele nunca se esquecia de eu ter sido seu primeiro amor.

Quando minha mãe vendeu tudo, foi morar em uma cidade a beira mar, seu velho sonho, perto de Miami, disse que em NYC, lhe enchia o saco, depois soube que meu pai tinha tentado comprar seu escritório.

Tio Douglas, estava viúvo, foi viver com ela numa casa linda na praia, os dois sempre tinham se dado bem.

Meu pai apareceu um dia, achou estranho Daniel viver comigo, eu disse a ele que tínhamos casado, ficou uma fera.  

Me ameaçou de deserdar, o mandei enfiar seu dinheiro no cu.

Depois fiz uma escultura pequena, com a história da mijada na cara, mas em tamanho médio, mandei para ele.

Nunca me agradeceu, sabia que estava no seu apartamento.

Nunca conheci minhas irmãs, só de longe, tampouco me aproximei nunca.

Quando finalmente acedi a fazer uma exposição em NYC, era como uma liquidação de obras que não tinha terminado, as acabei, levaram todas de barco para lá, pois pesava muito.

O dono da Galeria ria, pois meu pai ia todos os dias com algum amigo, dizendo que eram obras de seu filho, eu fui só na inauguração, minha mãe veio com tio Douglas, adorei estar com eles, depois descemos com eles para aonde viviam.

De lá, fui para o Benin e Nigeria, para desenhar os Orixás, na volta fui a Bahia no Brasil, era completamente diferente, misturei tudo, Daniel ficava com ciúmes, que ver todos aqueles negros depois posando para mim.

Mas sabia que só gostava dele.

Estava no final da coleção, quando Tio Douglas chamou, minha mãe tinha morrido dormindo, fui correndo para lá, não tinha podido me despedir dela.

Ele estava desanimado, o arrastei para Paris comigo, de lá fui passar uns dias com meu amigo Jean, o coitado estava velho, tinha se casado com seu pescador, para lhe dar segurança quando morresse.

Tio Douglas ficou lá, adorava o lugar, o mais interessante, foi que depois da morte do Jean, ficou vivendo com o Poseidon, os dois tinham a mesma idade.

Levei uns bons anos para acabar tudo sobre os Orixás, tinha uma maneira toda minha de trabalhar, as fiz a grande maioria policromadas, a exposição foi nas duas galerias ao mesmo tempo.

Charles dizia que fechava com chave de ouro, sua carreira, ia se aposentar, Daniel comprou a sua parte, afinal ele me representava.

Foi quando fizeram uma espécie de retrospectiva no Palais de Tokio, com tudo que ele tinha vendido do meu trabalho. Ocupava uma ala inteira, muita gente não quis emprestar as obras.

Agora trabalho devagar, tenho dois ajudantes jovens, aos que vou ensinando a pensar e trabalhar como o Jean fez comigo.

Em breve vão expor um trabalho feito em conjunto, foram dois rapazes que resgatei de uma vida difícil, quando comecei a fazer uma série que eram sonhos.

Como os emigrantes imaginavam viver quando chegavam, e como viviam.

Um deles, estava sendo pressionado para entrar para uma gang, vivia de favor na casa de uns parentes, os levamos para viver conosco, gostaram de fazer escultura, os fui ensinando.

Tem talento os dois, assim terei herdeiros.

Um adotei eu, o outro o Daniel, ele é um puta paizão com os dois, que agora têm 20 anos, tem futuro como dizemos.

Os ensinei como tinha feito como Jean, trabalhar em conjunto.

Daniel virou um galerista respeitado, nunca esconde que deve tudo ao Charles que lhe ensinou tudo que sabia.   É fácil chegar na galeria, o mesmo estar lá, me aposentei, mas não suporto estar em casa.

Quando viu o trabalho dos garotos, riu dizendo, coitados caíram nas mãos de um louco, pela arte, completa, diz que os vendo é como me conheceu.

Diz que atualmente sou o único escultor que ainda faz figuras humanas perfeitas.

Consegui reaver a escultura da Daisy, a do escritório, pois minha mãe tinha deixado de herança, a doei para uma museu na cidade de aonde ela saiu no sul.

Agora quero fazer uma série somente com Osiris, me chamam de louco, pois dizem que vai levar anos para sair, mas não me importo, fomos de férias ao Egito, com os meninos, foi uma loucura, um deles se apaixonou pela figura de Anúbis, não para de desenhar, o outro se apaixonou pelos painéis dos museus, desenhou todos, o quer fazer num material que inventou que parece vidro.

Já combinamos, faremos a exposição os três juntos.

Soube que meu pai tinha morrido, tempos depois, porque a filha que cuidava do escritório, me telefonou, disse que ele tinha me deserdado, não sabes como te odiei, escutei a vida inteira ele me jogar na cara que um dia ias voltar, levar o escritório a gloria.

Morreu fechado no seu apartamento, levaram dias para o encontrar, o porteiro estranhou que não o via, mas como viajava muito, deixou passar, uma vizinha reclamou do cheiro.

Foi tudo muito rápido, desculpa não te avisar.

Não me incomodei, era um belo desconhecido para mim, sempre me cobrando coisas, nunca perguntando o que eu queria.

Daniel que tinha trabalhado para ele, dizia que era um chato, que o pessoal o detestava, pois se achava o máximo.   Mas tua mãe era melhor que ele.

Na verdade nos últimos anos, depois que me enfrentei a ele, dizendo que não ia voltar, me senti livre, nem pensava nele.

Agora passávamos as férias no sul com tio Douglas e o Posseidon, que estão ótimos para a idade que tem.

Esperamos um dia estar como eles.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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