CALCANHAR DE AQUILES
Desde criança, tinha um problema, sempre
sabiam por aonde o atacar, sua mãe dizia que ele tinha o calcanhar de Aquiles, dizia
maldizendo a hora que seu pai lhe colocou esse nome, Aquiles Mendonça, natural
da Paraíba, embora não encaixasse no padrão das pessoas nordestinas, era alto,
loiro, com os cabelos crespos, olhos azuis como o de sua mãe, além de uma
beleza quase feminina.
Na escola, lhe enchiam o saco,
principalmente porque seu pai era o dono de uma usina de açúcar, lá pros lados
de Recife.
Viviam numa bela casa, em frente a praia, a
mesma tinha pertencido a um coronel americano, que a construiu, durante a
segunda guerra, ali existia uma base americana.
Sua mãe ao contrário de seu pai, não era de
lá, mas sim do Rio de Janeiro, o dia que descobriu que este tinha uma amante,
bem como duas filhas com está, o encostou na parede.
Conseguiu um divorcio muito bom, teria que
lhe pagar uma boa quantidade mensalmente, bem como lhe comprou um apartamento
no nome dele, em Ipanema.
A mudança foi brusca, de uma capital do
interior, para Ipanema no Rio de Janeiro, se sentiu no primeiro ano totalmente
deslocado, ela voltou rapidamente ao antigo emprego que tinha antes de se
casar, numa empresa americana, aonde era secretária nada mais que do Presidente
da mesma no Brasil.
Ele ia a uma escola pública, o pai pagava
para ele ir a uma particular, mas ela como tinha estudado numa pública na
Tijuca, achava bem ele ir numa também, dizia que nas particulares, tinham
muitos alunos medíocres.
A única coisa que ele gostou, tinha os avôs
que viviam na Tijuca, nos finais de semana tomava um ônibus na Visconde de
Pirajá, com destino a Tijuca.
Os velhos faziam uma festa incrível, sua
avó Mirthes, mandava logo fazer todos os doces que ele gostava, bem como sua
comida predileta. Seu avô Moises adorava, pois assim comia o que lhe tinham
proibido.
As vezes se não tinha que estudar, ficava
para o final de semana, sua mãe vinha no domingo para ver os pais, assim
voltava com ela.
Ele era um dos melhores alunos da escola,
queria fazer uma coisa, acabar o curso, poder ir a universidade com uma bolsa
de estudos. Algo dizia que não devia
depender do pai.
Nunca tinha tido um bom relacionamento com
ele.
Quando este descobriu que sua mãe tinha um
romance com um dos advogados da empresa, tentou conseguir a guarda dele, mas
ele com 17 anos, falou com o advogado, que não queria ir, pediu uma coisa, se
era para ficar numa briga entre os dois preferia que seus avôs tivessem a
guarda dele.
Aguentou enquanto isso, chantagem de ambos
os lados, o único jeito era as vezes sumir como ele fazia, ou ia a praia fazer
surf, ficava horas na água, nem lhe importava que as ondas do Arpoador nesse
dia fosse uma merda, ficava dentro da água, as vezes via seu pai, andando na calçada
o procurando, mas não saia da água.
Quando chegava em casa, tinha que aguentar
sua mãe, que o chamava de coronel, esse pensa que manda no mundo.
Então o jeito era escapar para a casa dos
avôs, o velho Moises, tinha seus conhecimentos no Fórum aonde tinha trabalhado
anos, conseguiu a guarda dele.
Mas impediu que os dois tivessem acesso a
ele, transferiu sua escola para a Tijuca, que de uma certa maneira era melhor
que aonde estudava.
Tinha arrumando um quarto na casa para ele,
viviam na Rua Basileia, quase esquina com Conde do Bonfim, ao lado tinha uma
igreja, as vezes ia com a avó para a agradar, esse velho não gosta de padres,
dizia ela.
A casa tinha um belo jardim nos fundos, que
ela cuidava com muito carinho, estava feliz ali, achava graça dos companheiros
da escola, quando descobriram que ele vinha de uma escola de Ipanema, aonde
todos eles sonhavam em viver para ir fazer surf.
Nos finais de semana saia de passeio com o
velho, ia no verão a Floresta da Tijuca, levando um farnel, procuravam um lugar
que seu avô Moises achava perfeito, ficavam ali escutando o cantar dos
pássaros.
Isso é viver dizia ele.
Quando ele fez 18 anos, seu pai apareceu,
queria apenas conversar, essa era a desculpa, na verdade queria era orientar
que ele fizesse administração de empresas, afinal seria seu herdeiro, com a
plantação de cana de açúcar, com o engenho.
Ficou olhando para o mesmo, sem dizer uma
palavra, achava que dessa maneira resolvia a questão. Seu avô lhe alertou, que quando uma pessoa
se calava, era como concordar.
Sua mãe ao contrário queria que ele fizesse
direito.
Ele no fundo estava furioso, como sempre,
ficava entre dois fogos, conversou com os avôs, se surpreendeu que eles sendo
já de idade tivessem uma linha de pensamento diferente.
Os dois lhe disseram que era ele quem tinha
que resolver, pois era sua vida, se escolhes errado terás que viver o resto da
vida com isso.
Te interessa ir tomar conta das coisas de
teu pai, voltar a viver em João Pessoa?
Foram lhe dando todas as perguntas que ele
tinha que se fazer, para tomar uma decisão, sua avó mais pratica, lhe disse que
fizesse um teste.
Falou com uma professora da escola, foi a
uma psicóloga fazer o mesmo.
O mais interessante é que não aparecia no
mesmo, nada como queriam seus pais.
Ele estudava inglês a muito tempo, viu um
dia um cartaz na escola de bolsas de estudos para passar um ano nos Estados
Unidos.
Fez as provas sem falar com ninguém, teria
que fazer nos primeiros dias do ano, as provas para a universidade, estava
inscrito.
Justamente dois dias antes saiu o resultado
das bolsas de estudos para os Estados Unidos.
Tinha conseguido uma bolsa, só comentou com
os avós, sabia que podia confiar neles.
De qualquer maneira fez o Vestibular, ali
no Maracanã.
Por incrível, achou era que tinha tido
sorte, tirou a 10 lugar na colocação podia fazer qualquer coisa que escolhesse,
inclusive medicina que aonde era mais difícil conseguir vagas.
Ele tinha uns dias para pensar, qual era a
decisão, foi com os avôs para a casa de seu tio que vivia em Maricá, aonde era
professor.
Nesse anos todos o tinha visto poucas
vezes, aparecia, para o Natal, telefonava sempre essa era a verdade, todas as
semanas chamava sua mãe, com o pai, pouco falava.
Não sabia o porquê desta distanciamento
todo com a família.
Ele era como ele, loiro de olhos azuis,
muito alto, pele queimada do sol, atualmente era diretor de uma escola por lá.
Foi ótimo, saia a fazer longos passeios com
ele, pela beira da praia, de uma certa maneira, ele achava incrível os pais
terem vindo.
Mas ele entendeu, os velhos queria que
conversasse com ele, que era mais jovem e mais moderno, mesmo sua mãe nunca
tinha falado muito no irmão mais novo.
Dias depois tocou no assunto.
Ufa, eu sei o que é isso, eu tinha duvidas
imensas, meus sonhos sempre iam em direção contrária à de meu pai. Estou admirado, ele mudou muito.
Quando soube que eu iria fazer filosofia,
ficou uma fera, que eu seria um mero professor, nesse pais de merda.
Mas como explicar para ele, que era isso
que eu queria ser, professor, sempre gostei de ensinar, veja tua avó, foi
professora, tudo bem tinha uma velha legislação, trabalhava com crianças
pequenas, se aposentou mais cedo.
Mas eu gosto disso, sempre gostei, num pais
como o nosso, estudar filosofia, literatura, linguística, só te dá margem a
isso, ser professor, depois fazer concurso, se tens sorte vais para uma boa
escola, senão para o cu do mundo, nos subúrbios, aonde a maioria dos alunos
pensa, para que estudar, se vou ter que abandonar para trabalhar.
Nelson seu tio lhe soltou, se tens
oportunidade de ir fazer durante um ano esse curso de Inglês, nem pense, gostas
de línguas, além de ser uma maneira de escapar de teus pais, tudo bem, meu pai
já falou comigo, ele vem juntando dinheiro para fazeres a universidade sem pressão
familiar.
Eu também entro nisso, pois a bolsa dará
para teres uma vida apertada, claro a diferença do real para o dólar é grande.
Mas como sempre a decisão tem que ser tua.
Um dia por curiosidade lhe perguntei por
que estava sozinho?
Ele riu, pensei que teus avôs ou mesmo tua
mãe tivesse comentado, eu sou gay, por isso preferi sair do Rio, para cá, tive
um relacionamento que não deu certo, não gostava da vida lá.
Aqui levo uma vida tranquila, tenho alguns
amigos mais chegados gays, ninguém se pressiona para teres um relacionamento.
Ele achou engraçado, pois todos os gais que
conhecia, eram afeminados, mas seu tio ao contrário, talvez por ser tão sério,
não o era.
No sábado saiu com ele, apresentou seus
amigos, todos tinham uma profissão, dois eram professores, um advogado, outro
gerente de banco, todos tinham mais ou menos a mesma idade, todos sozinhos, mas
nenhum deles era afetado.
Comentou isso, por curiosidade.
Um deles o que era gerente de Banco, lhe
respondeu, não é por sermos gays que temos que ser afetados, somos pessoas
normais.
Se um dia conheceres uma pessoa que goste
tudo bem, mas isso de ter que viver com alguém para ter uma foda semanal, é
besteira.
Por um acaso, só os dois que eram
professores, tinham um largo relacionamento entre eles.
Quando souberam da bolsa de estudos, os
dois deram o maior apoio.
Melhor ainda se consegues ficar por lá um
bom tempo, quando voltes, terás um emprego bom.
Lhe perguntaram quais as cidades aonde havia
possibilidade de ir.
Ele tinha anotado num papel os nomes, lhes
disse, Boston, Washington, NYC, Houston.
Washington e NYC, são cidades caras, vai
engolir tua bolsa de estudos, o mais interessante seria Boston ou mesmo
Houston, que tem uma universidade boa.
Assim que voltaram para o Rio, ele foi
consultar com a pessoa indicada do consulado, a maioria já tinha escolhido
justamente as duas que eram complicadas financeiramente.
Ele optou por Houston, conversou longamente
com o homem, mostrou o resultado de sua prova do Vestibular, ele pediu se ele
podia voltar no dia seguinte, vou consultar um amigo da Universidade de lá.
Nessa noite ligou para o tio falou com ele,
como tinha feito.
Uau, se consegues fazer universidade lá,
seria ótimo.
Mesmo que eu tenha que trabalhar, sem
problemas.
No dia seguinte logo cedo o senhor que o
tinha atendido, o chamou ao consulado, achou estranho, mas foi.
Este estava com um outro homem, explicou
que ele era o adido cultural da embaixada em Brasília, que por acaso estava lá.
Tinham levantado toda sua vida na escola,
as notas, sabiam que sua mãe trabalhava numa empresa americana, lhe perguntaram
com qual ajuda familiar ele contava.
Respondeu que de seus avós, seu tio, mas
que nem seu pai, tampouco sua mãe sabiam a respeito, os dois vivem brigando,
cada um quer que eu estude uma coisa, que não me interessa.
Muito bem, o adido cultural disse que ele
vinha bem recomendado por seus professores, lhe concederemos uma bolsa
americana, que é muito melhor que essa daqui.
Poderá viver na universidade, estudar, se
quiseres trabalhar, eles providenciam um emprego para ti.
Ficou super feliz, assinou os papeis que
lhe mostraram.
Fizeram uma reunião no final de semana, só
avisou sua mãe, deu de cara com o irmão, ainda perguntou o que ele fazia lá,
ele só levantou os ombros.
Quando consegui que se sentassem, contou o
sucedido.
Ah, soltou ela, foi por isso que
perguntaram ao meu chefe ao meu respeito.
Seu avô tomou frente de tudo, vamos ajudar
para ele se manter, teu irmão também vai ajudar, o que queremos saber o que
vais fazer.
Ela ficou surpresa, isso tramaram pelas
minhas costas, eu sigo achando que ele deve fazer direito.
Pois sinto muito, nem pensar, aqui
advogado, só se for de porta de cadeia, não quero nada disso, tampouco
administrar as coisas de meu pai, nem pensar em voltar para João Pessoa.
De qualquer maneira, eu não comentei, como
sou maior de idade, assinei todos os papeis, vou de qualquer maneira.
Ficou furiosa, primeiro pede para teus
avôs, serem responsáveis por ti, por achar que teus pais vivem te enchendo o
saco.
Lá vem a senhora como sempre com chantagem,
não funciona, meu calcanhar está bem protegido contra isso.
Ela acabou rindo, quando ele comentou isso.
Bom eu ajudo também.
Ótimo soltou seu tio, abriremos uma conta
para ti, no Banco do Brasil, assim todos depositamos todos os meses dinheiro,
assim ajudamos um pouco, pois a diferença de dólar, é grande.
Eles me alertaram disso, só que a bolsa já
não é a daqui, mas sim de lá, além de terem um departamento que pode me
conseguir trabalho.
Só avisou seu pai, num último momento,
apareceu furioso, como ele se atrevia.
Desce de seu jumento de coronel meu pai, eu
sou maior de idade, decido minha vida.
Lhe fez as maiores chantagens, quem ia
cuidar da herança da família Mendonça.
Sei lá, nem me interessa.
Acabou concordando, conversou com o Tio
Nelson que correu para a casa dos avôs.
Tinhas que estar metido nisso, soltou seu
pai para ele.
Nada disso, ele tomou essa decisão sozinho,
inclusive a bolsa americana, conseguiu conversando com o adido cultural
americano, aqui não tem dedo de ninguém da família.
Resmungou, mas concordou em depositar todos
os meses dinheiro, como fazia sempre.
Agora isso não passaria mais pelas mãos de
sua mãe.
Tirou o passaporte, o levou ao homem que o
tinha atendido, que o remeteu para Brasília, dias depois lhe chamou, tinha um
envelope grande para ele.
Abriu, tinha todas as informações da
universidade, bem como orientação, um bilhete de avião para daqui uma semana,
primeiro faria uns meses de aulas de inglês, para se adaptar a diferença, bem
como se preparar para ingressar no que quisesse na universidade.
No aeroporto, estava toda a família, se
abraçou ao seu tio, o agradecendo estar do lado dele, seu pai estava também,
lhe deu um bolo de dólares, que disse que tinha guardado.
Ia sentir falta dos velhos, das largas
conversas que tinham, eles disseram o mesmo.
Seu tio comentou que iria no ano seguinte
para NYC, fazer um curso, quem sabe arrastava os velhos com ele.
Quando se sentou no avião, pensou como
dizia sempre a senhora que trabalhava na casa, seja o que Deus quiser.
O voo era direto, quando chegou no
aeroporto, tinha um senhor com uma placa Aquiles Mendonza, ele riu, devem achar
que sou espanhol.
Se apresentou, como o Dean da residência
aonde ia viver.
Foi falando com ele em espanhol, embora
tivesse esclarecido que não era.
Alvaro Ramirez, se apresentou, o que
precisar de mim, é só falar.
Teria um quarto compartido, seu companheiro
era filho de um militar Mexicano, mas pelo visto parava pouco por lá, estava
aproveitando a boa vida da universidade.
Ele ao contrário logo se jogou nos estudos,
foi ao departamento que conseguia emprego, quando disse que nunca tinha
trabalhado na vida, sem experiencia, lhe conseguiram para trabalhar um turno no
McDonald, ele aceitou prontamente.
Fazia de tudo, inclusive acabava seu turno,
limpando a cozinha.
Quando foi entrevistado pelo seu
responsável na universidade, viu no curriculum, uma coisa nova, informática, no
Brasil ainda não tinha isso nas universidade.
Queria experimentar, mas se matriculou
junto em Literatura, uma coisa que ele gostava, os companheiros do Brasil,
diziam que ele era elitista, pois gostava mais dos escritores americanos.
Seguiu trabalhando mesmo depois que começou
as aulas, nem tinha tocado ainda no dinheiro de sua família, tinha comprado
roupas de inverno, com o dinheiro que seu pai lhe tinha dado.
Mantinha uma coisa, correspondência com os
velhos, com seu tio, sua mãe, lhe escreveu, mas nem sequer respondeu.
Ele nunca via seu companheiro de quarto,
quando muito dormindo, ele se levantava, tomava banho, ia para as aulas, o
outro seguia dormindo, tinham se falado duas vezes.
A maior parte do tempo, dormia fora dali.
Um belo dia, desapareceu, chegou, encontrou
inclusive seu armário vazio, tinha levado suas roupas também. Foi falar com o Alvaro Ramirez, esse riu,
coisas do pai dele, quando descobriu que o filho nem ia as aulas, mandou
leva-lo de volta, vou falar com eles, que devolvam suas roupas.
O que mandaram foi um envelope com dois mil
dólares, que ele comprasse tudo de novo, pois tinham jogado fora.
Foi o que ele fez, comprou roupas práticas,
como usavam seus companheiros de classe.
Fazer aulas de informática, foi como
descobrir um mundo de possibilidades, ainda aproveitou esse dinheiro que tinha
recebido para comprar um Laptop, pois era o único que não tinha ali nas
classes.
Mergulhou em cheio como fazia sempre com
todas as matérias, foi genial, pois tirava as melhores notas, era animado pelos
professores, tinham as portas abertas de seus gabinetes para ele.
Um dia de surpresa, recebeu a visita do
homem com quem o adido cultural tinha falado, comentou que tinha agradecido ao
mesmo, mandar um aluno realmente interessado nas coisas.
Isso nem sempre acontece, muita gente chega
aqui, quer cair na farra de estar livre da família, dos controles.
Ainda não me sobrou tempo para festas, como
lhe explicar que tinha uma certa dificuldade de se relacionar com os da sua
idade, era mais fácil se sentar com Alvaro Ramirez, que continuava lhe falando
em espanhol, que com qualquer companheiro de classe.
Ele tirava o corpo fora quando era trabalho
de grupo, pois sabia como funcionava, a desculpa era que trabalhava, não
poderia corresponder ao que os outros esperavam, fazia os trabalhos sozinhos,
tirando boas notas.
Um dos professores, lhe falou sobre isso,
principalmente em informática era as vezes necessário trabalhar em grupo.
Nas férias o professor lhe perguntou se ia
ao Brasil, disse que não, que ficaria estudando mais informática. Esse lhe conseguiu um estagio de dois meses
na Microsoft, para ele ganhar experiencia.
De uma certa maneira se decepcionou, pois
por mais que se esforçasse, o buraco era mais em baixo, viu que a competição
era ferrenha, um roubando a ideia do outro.
Quando voltou fez um relatório ao
professor, matizando isso, eu procurei aprender o que pude, realmente o
trabalho de equipe lá é imenso, mas quem sempre leva a gloria é o chefe, os que
realmente fizeram o grosso do negócio nada.
Tinha tido nesse tempo duas experiencias
frustrantes, uma com uma garota de outro setor da empresa, depois com um rapaz
do departamento ao lado.
Não gostou de nenhum deles, era como a
famosa foda de uma noite, ele entendeu que no fundo era um ingênuo, escreveu ao
seu tio, falando a respeito.
No ano seguinte, seu tio apareceu, avisou
que estava em NYC, ele com seu dinheiro comprou um bilhete barato, foi passar
um final de semana com ele.
Se divertiram a bessa, conversaram sem
parar, o tio saiu com ele pela noite, nada a ver com a de Houston, acabou rindo
muito.
Seu tio disse que a mentalidade americana
com respeito ao sexo era mais ou menos isso, fodas de uma noite, ou então
quando se encontrava alguém agarrar essa pessoa.
Falou dos avôs, estou tentando uma
transferência para o Rio, pois eles estão maiores, tua mãe ignora, nunca na
verdade foi ligada a família, talvez por isso se mandou quando se casou com teu
pai para a Paraíba. Sabia que ela
tinha um relacionamento, mas nunca comentava nada.
Ver o tio, lhe fez muito bem, voltou cheio
de energias.
Quando no último ano da universidade, tinha
que descobrir o que fazer depois, pensou muito, trabalhar para uma grande
empresa não fazia parte de seus sonhos.
Ao mesmo tempo, tinha aproveitado o outro
curso, para surpresa de todos acabo a universidade com um “cum Laude”. Seu tio avisou que vinha para vê-lo,
entendeu que havia alguma coisa mais.
Mas na verdade tudo acabou antes, estava
esperando a formatura, quando ele lhe avisou que seu avô tinha morrido, pegou
um avião para o Rio, chegou em cima da hora, ia sentir falta do velho, viu que
sua avó estava decaída, estranhou sua mãe não estar ali.
Seu tio disse que a tinha avisado a dois
dias, mas que ela estava de férias com um namorado na Europa, que disse que não
ia.
Ficou literalmente chocado, sua avó se
agarrou a ele, no enterro deu de cara com um que acontecia ao lado, lá estava o
americano que lhe tinha conseguido a bolsa, foi falar com o mesmo, este sabia
que ele se formava, marcaram de se falar, lhe apresentou seu tio.
Os dois se conheciam, de muitos anos atrás.
Ainda pensou em avisar seu pai, mas pensou,
isso só vai trazer problemas.
Dois dias depois foi conversar com o senhor
do consulado americano, ele lhe chamou, tinha ficado surpreso dele ser parente
do Nelson.
Nos conhecemos quando cheguei ao Brasil,
houve algo entre nós, mas não deu certo na época, eu era americano demais,
coisa que ele não gostava.
Um homem extremamente romântico, a pessoa
que estava enterrando era meu companheiro de muitos anos, um homem que teve a
paciência de me fazer pensar diferente.
Depois conversaram sobre seu futuro, se
queres saber a verdade, depois de falar com teu orientador, acho uma besteira
voltares para o Brasil, sei das tuas decepções, mas ele tem um projeto
interessante em mãos.
Ainda foram jantar, levou seu tio com ele.
Finalmente tinha conseguido a transferência
para uma escola perto da casa de seus pais na Tijuca, dizia rindo que teve que
puxar muito saco de político para conseguir.
No jantar, ficou rindo, como os dois
conversavam.
Ele voltou para Houston, claro não podia
faltar, era o orador da turma, falou muito que havia que percorrer ainda com a
informática. Ele tinha encontrado um
mundo novo para ele, a cada dia descubro uma possibilidade nova, há muita coisa
a se explorar.
Foi convidado para várias entrevistas,
inclusive pela própria universidade, o queriam como professor dos de primeiro
ano.
Mas o que lhe surpreendeu, foram
entrevistas das principais empresas, escutou muita bazofia, estava sempre
acompanhado de seu orientador, via na cara dele sinais de que merda.
Mas o mais surpreendente foi uma entrevista
para a CIA.
Sabiam de sua ligação com o Brasil, na
verdade depois de um treinamento o queriam em Brasília, apenas agradeceu, mas
nem pensava voltar tão cedo.
Foi sim, com seu orientador, a uma
entrevista em NYC, na hora não entendeu, era uma empresa pequena, que estava
começando. APPLE, seria anos mais tarde famosa pela marca da maça.
Aceitou ficar um tempo como prova.
Descobriu rapidamente que era a mesma coisa
da Microsoft, quando tinha acabado de desenvolver um programa, o que levava o
departamento cantou como tendo sido feito por ele, o desmentiu na frente de
todo mundo, não ia mais suportar isso.
Se me contrataram para isso, perder meu
tempo, para um idiota levar a fama, sinto muito, estou no lugar errado, o que o
dito cujo não sabia era que ele tinha sido entrevistado pelo todo poderoso da
empresa.
Acabou como diretor de um departamento.
Voltaria ao Brasil, para o enterro de sua
avó, dois anos depois, desta vez sua mãe estava, mas a achou distante, primeiro
porque viu a ligação que ele tinha com o tio, bem como com o americano John
Passos, agora viviam os dois juntos.
Achou interessante, o enterro foi muito
simples, na igreja que tinha ido tantas vezes com ela, muitas senhoras da idade
dela, o mais interessante que algumas se lembravam dele, que a acompanhava as
missas.
Seu tio lhe avisou que havia uma leitura de
testamento, dentro de dois dias, após a morte de seu pai não, pois tinha
deixado tudo para ela.
Se despediu de sua mãe, ficaria na casa da
avó. Lá ainda existia seu quarto, como o
tinha deixado.
Foi interessante, se sentiu finalmente em
casa outra vez, lastima pensou, aqui não tenho o que fazer, senão iria começar
alguma coisa.
Nessa noite sonhou com os avôs, como o
tinham recebido em sua casa, cuidado dele.
Dois dias depois foi a leitura de
testamento, ficou de boca aberta, pois lhe deixavam tudo que tinham, essa casa,
bem como um apartamento comprado a muitos anos de um amigo dele, no Flamengo,
atualmente alugado, nem seu tio sabia disso, tudo que estava no banco também
era para ele.
O mais interessante, ele a muitos anos,
tinha devolvido o dinheiro que tinham investido nele, na verdade mal tinha
usado o mesmo.
Sabia o valor exato que cada um tinha
investido nele, queria ir por livre.
Esse dinheiro estava no banco, os outros
tinham retirado sua parte, menos seu pai, nem seu avô.
Tudo era dele agora.
Quem não gostou foi sua mãe, nem uma
palavra para ela.
Nunca tinha entendido essa falta de
relacionamento dela com eles.
Já seu tio, ria muito, esse velho sempre me
surpreendeu, um dia me veio com uma conversa, sobre o futuro, foi quando vim
para cá, antes dele morrer.
Lhe disse que estava bem, esses anos todos
fora, tinha economizado, feito trabalhos para fora da escola, tinha meu
dinheiro.
Quando fui morar com o John, ele me disse
que finalmente tinha alguém comigo, que valia a pena, nos deu de presente esse
apartamento, que tinha comprado também de um amigo dos velhos tempos que ia
para uma residência de pessoas de idade.
Era sua maneira de eu ter voltado para
cuidar deles, pois íamos todos os dias passar a tarde lá, tomar o lanche, bem
como as vezes jantar.
Adorava conversar com John, sabia que ele
tinha ajudado.
Nunca soube como ele sempre tinha noticias
das coisas que conseguias, adorava quando lhe dizia que desde o primeiro
momento que tinha entrevistado, sabia que era uma pessoa com futuro.
Veja aonde chegaste?
Pois é mas estou de saco cheio, é sempre o
mesmo, alguém querendo roubar teu projeto, para dizer que é seu. Outro dia, imagina a cena, estávamos num
lançamento de um novo produto, o dono da empresa, se vangloriando disso, quando
ele nem sabia direito do projeto, que era meu, no final me apresentou como seu
ajudante, mas em momento algum disse que tinha sido uma coisa inventada por
mim.
Poderia ter feito isso, desenvolvido o
projeto para qualquer empresa.
Agora tem uma de Xangai que me convidou
para uma entrevista, é um mundo novo.
Daqui irei para lá, para saber o que
querem.
Se me permitem trabalhar como quero, vou
aceitar, apesar de ser um mundo completamente diferente.
Seu tio comentou com o John, esse veio
falar com ele, se vais, toma cuidado, a CIA, vai estar em cima de ti. Americano tem esse sentido, se estudaste lá,
é como pertencer a eles.
Foi prudente, marcou com o dono da empresa
em Paris, conversaram, não gostou da ideia, queriam era o projeto que ele tinha
acabado de fazer, que o modificasse, eles produzissem.
Merda, saiu do restaurante furioso,
embarcou no primeiro voo para NYC, foi meditando, a anos não tenho férias, nem
tempo para me relacionar com as pessoas tenho.
A primeira coisa que fez, foi pedir
demissão, o chefe pensou que era por causa da apresentação, ele foi honesto,
tinha sido a ponta do iceberg, vejo sempre alguém roubando minhas ideias.
Mas não disse o que ia fazer, resolveu
tirar férias.
Voltou para o Rio, foi ver com seu tio o
apartamento que o seu avô tinha deixado para ele.
Era perto do dele, mas de frente para o
mar, com vista do Pão de Açucar, na avenida Rui Barbosa, quase em frente ao
Museu Carme Miranda.
Ficaram bobos os dois, estava vazio
completamente, tinha estado alugado a muitos anos, nem imaginou o quanto seu
avô poderia ter pago pelo mesmo.
Meu pai tinha essas coisas, nunca falava em
dinheiro, se precisavas ele te dava, mas na verdade adorava viver naquela casa,
tinha sido de seus pais.
Ele trabalhou muitos anos, como diretor da
Petrobras, um dos mais altos escalão, por isso talvez pode comprar esse
apartamento.
Só havia que reformar os banheiros, pois
eram antigos, retirar as banheiras, isso ele tinha dinheiro.
Foi o que fez, assim alugaria a casa aonde
estava agora.
Ficou pensando muito, resolveu que ia
arriscar a uma coisa, faria projetos no Brasil, tinha sido convidado, porque o
John o apresentou ao reitor da universidade, para dar aulas, que ainda estavam
engatinhado no Brasil.
Aceitou, mas teria liberdade de trabalhar
por conta própria.
Fazia uma coisa diferente, foi viver no
apartamento da Rui Barbosa, ao mesmo tempo levou todos os moveis antigos da
casa para lá, na casa instalou seu escritório, com o tempo iria levando os
alunos mais interessantes para trabalhar para ele.
Passou a oferecer serviços de implantação
de informática a grandes empresas, abertos a todas que necessitassem dessa
modernidade.
Logo era conhecido por isso, foi ao enterro
de seu pai, em João Pessoa, depois que voltou foi duas vezes visita-lo, ele
tinha preparado um dos seu filhos do seu segundo casamento para ocupar seu
lugar.
Ficou com pena do rapaz, se via que não era
o que ele queria.
Escapaste dele essa é a verdade, nunca te
perdoou por isso.
Não esperava nada do velho, mas ajudou o
irmão a implantar a parte de informática na empresa.
No seu testamento, deixava tudo para as
filhas, bem como para esse filho, para ele nada.
A mãe, ele mal via, estava sempre voltada
para si mesma, como sempre dizia seu tio.
No fundo nunca a tinha entendido, vivia
nesse apartamento de Ipanema, agora aposentada, saia com as amigas, levava uma
vida fútil, uma pessoa que tinha trabalhado.
Um dia se apresentou em sua casa, num
domingo, que estavam lá almoçando, seu tio e John, andou pelo apartamento
inteiro, reconheceu os moveis da casa, soubeste aproveitar esse moveis que
naquela casa não encaixavam.
Ele preferiu não dizer nada, na comida, ela
acabou ficando, soube que os dois sempre vinham comer com ele, ou na casa
deles, ou saiam.
Ela foi direta ao assunto, se ele não tinha
ninguém?
Riu, ninguém perfeito, ainda não encontrei,
tampouco me sobra muito tempo, a empresa agora está bem, mas nesse pais, que as
pessoas encomendam um trabalho, se não cobras adiantado, ficas a ver navio.
Nem seja por isso, soltou o John, tens
sempre convites para voltar inclusive para dar aulas na universidade, ele te
adoram.
Pois é, aqui, são poucos alunos que
realmente veem um futuro, a maioria acabara trabalhando para alguma coisa do
governo, mas sou honesto de te dizer, bendita hora que fiz duas universidades,
posso me dedicar a escrever livros.
Ainda de certa maneira sou jovem.
No meio do almoço, se levantou disse que
tinha que ir embora.
John soltou na certa seu velho amante, está
livre esta tarde.
Foi quando soube que ela era a anos amante
do velho chefe americano que tinha, que seu avô tinha descoberto, daí a briga
entre os dois.
Quanta perda de tempo, ele tinha esperado
ela ir embora, para combinar com os dois de irem olhar uma casa em Arraial do
Cabo, que lhe tinham oferecido como forma de um pagamento.
Foram na semana seguinte, a casa era muito
bonita, moderna, em cima de um parte alta, com uma pequena praia embaixo.
Concordou, ficou com a mesma, mas acelerou
o processo, pois no Brasil nunca se sabia.
O melhor, foi que gostou do lugar, pela
primeira vez, como não precisava fazer obras na mesma, foi passar uns quantos
dias lá.
Ficou surpreso de dia estar em casa,
baterem na porta.
Abriu, viu dois jovens dali da região,
disseram claramente que estavam acostumados a irem nas festas da casa.
Eu sou o novo dono, infelizmente, aqui
haverá a partir de agora poucas festas, não gosto muito disso, venho aqui para
descansar. Os dois se ofereceram para
lhe fazer companhia.
Ficou de boca aberta, então soube que o
antigo proprietário fazia verdadeiros bacanais lá.
Contou para seu tio, que riu a bessa, não é
a toa que acaba de perder a empresa, tiveste sorte em conseguir a casa.
Agora, escapava para lá, sempre uma semana
do mês, seu tio se aposentou, veio viver lá com o John, um dia os viu
conversando com um pescador, já o tinha visto várias vezes aonde ia comprar
peixe, inclusive tinha comprado com ele.
Foi o John que disse, esse homem, um dia
mandou tudo a merda, veio viver aqui como pescador, um casamento que ele não
queria, uma empresa familiar complicada, renunciou a tudo, vive numa casa
simples, mais acima.
Passou a ter conversa com ele, quando ia
buscar peixe.
Um dia estava cismando na praia quando ele
apareceu.
Ficou sentado ao seu lado na areia,
conversando.
Ele perguntou muito sério em que estava
pensando.
Tinha descoberto dias antes, que o
funcionário que mais acreditava, estava vendendo informações da empresa a
outra.
É como sempre tivesse o calcanhar de
Aquiles, talvez resultado do meu nome. Sempre me tracionam pelas costas.
Mas de uma certa maneira, aprendi muito
pelo mundo, então ele vendeu informação pela metade, eu nunca passo tudo para
os outros.
Resolvi fazer uma coisa, com os anos, sem
ter muito em que gastar, investi meu dinheiro sempre, aqui nesse pais, nunca se
sabe. Tudo que recebi da empresa
americana, fui trazendo devagar, aplicando em coisas firmes.
Posso passar o resto de minha vida sem
trabalhar, mas não sei ficar quieto, só quando estou aqui.
Eu aprendi, venha pescar comigo, sairei
essa madrugada, será um prazer te ter a bordo.
Ele surpreendido aceitou, nunca imaginou a
paz de estar em alto mar, com uma noite de lua em cima dele.
O outro o olhava, lhe disse, finalmente te
vejo relaxado.
Passou a repetir, aprendeu a pescar, seu
tio quando soube se matou de rir, ele está querendo algo contigo.
Foi honesto, lhe perguntou por que lhe
convidava?
Lhe respondeu com um beijo, tinha beijado
muita gente, mas não dessa maneira, tudo era diferente, fizeram sexo na praia,
sem pressa, sem se preocupar se alguém os via.
A partir desse momento, foi ficando, fechou
a empresa, terminou os contratos, passou a viver lá. A maior parte do tempo,
estava era na cabana dele.
Agora passado quase 15 anos, vinham do
enterro do John, tinha sido cremado, levaram no barco de Carlos, as cinzas para
soltar em alto mar como ele queria.
Seu tio estava abalado, tinha sido um amor
de juventude que não deu certo, mas depois tinham se recuperado, foi a melhor
coisa da minha vida.
Eles passaram a viver na casa, para não o
deixar sozinho.
Saiam para pescar, sempre, na verdade
Carlos não necessitava de dinheiro, mas era um prazer aonde a paz, era
perfeita, as vezes passavam a madrugada inteira pescando, sem dizer uma
palavra, para os dois era perfeito.
Agora ele tinha os cabelos imensos, brancos
com loiros, que lhe davam a cara de um professor louco.
Os gastos eram poucos, vendeu a velha casa
da família, retirando de lá as poucas coisas da empresa. Pensou muito ainda em vender o apartamento do
Rio.
Um dia por surpresa sua mãe mandou lhe
avisar que estava doente, foram os três ao Rio de Janeiro, tinha um câncer, já
tinha passado anos tratado do mesmo, mas sem solução.
Por que a senhora não me avisou?
Ora para que? Para te escutar falar que eu não soube ser
mãe?
Eu alguma vez disse isso, eu apenas escolhi
viver com meus avôs, pois cansei de estar no meio de uma disputa idiota.
Eu sei disso, fizeste bem, de uma certa
maneira me deste a liberdade que eu não tive antes de viver minha vida, por
isso arquei com as consequências.
Seu enterro, foi interessante, estava cheio
de mulheres como ela, amigas, solteiras, divorciadas, mas com uma vida
arranjada.
Para ele, era uma perfeita desconhecida, a
reconhecia como sua mãe, mas não sabia quem era.
Lhe deixava o apartamento, algum dinheiro,
nada mais.
Disse as amigas que podiam retirar de lá o
que quisesse, pois ia vender o apartamento.
Foi com seu tio, tinham feito uma
verdadeira limpeza no mesmo, assim ficou fácil de vender.
Decidiu realmente viver como Carlos, o
resto de seus dias, afinal tinha já sessenta anos, estava bem, foram levando a
vida em frente.
Seu tio sempre tinha tido junto com John
amigos ali na vila, sempre tinha alguém para conversar, mas dizia que seu tempo
de romance tinha acabado, afinal tenho quase 85 anos dizia rindo.
Ninguém acreditava que aquele homem com seu
companheiro que iam sempre pescar, vivessem naquela casa imensa.
As vezes os dois se sentavam na varanda
olhando o mar, de mãos dadas, sem uma palavra, de repente um fazia um carinho
no outro, um beijo fulgas, estavam felizes.
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