BRÁS DE PINA

 

                                       

 

Pai Agenor de Brás de Pina, acordou assustado, quem lhe despertava era seu Exu Bara, falou em sua cabeça o que tinha acontecido.

Ele se levantou, jogou água na cara, para despertar de vez, colocou sua roupa branca, acompanhou o mesmo, a casa dos Exus, lá estava deitado no chão, o garoto, adorava aquela criança, pois era um dos poucos meninos ali da favela, que lhe diziam bom dia, quando chegava da cidade.

Sua mãe, essa era um caso sério, antiga rainha da bateria da Imperatriz Leopoldinense, uma mulata clara, que na época do carnaval, fazia tudo para ficar mais morena, para assim dizerem que era uma verdadeira mulata, alta, magra, umas pernas fantásticas, cabelos crespos, sempre pintados de loiro, tinha ido para a Europa, com outras sambistas, como diziam iam para ganhar dinheiro, enganar algum gringo tonto, algumas se casavam por lá.

Essa esteve enrolada com um francês, tinha um nome importante, Jean de Castel-Béjar, mas quando descobriu que o titulo que diziam que ele tinha, as terras pertenciam tudo ao seu irmão mais velho, que ele só era professor na famosa École de Comerce, de aonde saiam os alunos privilegiados, alguns para cargos importantes nos governos, políticos, diretores de grandes empresas.

Deu no pé, se aproximava o carnaval, ela queria como sempre brilhar na avenida, veio correndo para o Brasil, nas vésperas do carnaval passou mal, a tiveram que levar para o hospital, estava gravida de seis meses, não tinha como contactar com ele.   Aliás o tinha ofendido horrores, dizendo que ele era uma merda na cama.

Ele riu, dizendo que ela é que tinha se metido na cama dele, não te prometi nada, ele era conhecido como um desses solteirões de ouro, pois nunca se escutava falar de suas aventuras, muito menos com ela, pois a levou na surdina.  As suas companheiras, tiveram namorados milionários que as levavam pela noite Francesa, esse nada.

Quando soube disso, quase teve um surto, mas aguentou firme saiu de rainha da bateria, com uma pequena barriga, o que era de estranhar.

Três meses depois com atraso, pariu escondida, a coisa saiu mal, foi quando chamaram o Pai Agenor, pois quem lhe tinha feito o aborto, tinha sido uma ex-filha dele, que vivia metida em confusão, mas nessas horas, sempre chamava por ele, sabia que ele era médico.

Era professor e médico do Hospital Universitário Clementino Fraga filho, ou mais conhecido como o hospital da Ilha do Fundão, aonde estavam as universidades.

A socorreu, apesar de o fazer na surdina, tinha que ficar de repouso.

Acabou a levando para seu terreiro em Brás de Pina, já que ela vivia ali perto.

Rejeitou o garoto desde o primeiro momento, era um filho indesejado, planejava sim fazer chantagem com o pai.

Mas a porca torceu o rabo, o menino era loiro de olhos azuis, cabelos crespos, a pele muito branca, nada a ver com uma mulata como ela sonhava ser.

Durante um tempo andou na linha, mas como sempre quando chegava o carnaval, ficava como louca.

Pior tinha ficado diferente depois do parto, quadris mais largos, tetas caídas, se meteu em mil confusões para arrumar dinheiro para conseguir fazer uma cirurgia estética nas tetas, levantar a bunda, essas merdas que pensam sempre que vai dar lugar a um sucesso.

Mal qual o que, escolheram uma garota mais nova, com alguma ligação, com alguém da televisão, a deixavam sair na escola, quanto muito como sambista.

Se meteu com um traficante de drogas, que acabou assassinado, depois com outro que lhe dava todas as que ela queria.

Durante um tempo a mãe dela, a ajudou, cuidando dos meninos, mas um dia voltando para casa, depois de passar o dia inteiro no lesco, lesco, fazia um calor infernal, chegou em casa, caiu dura.

Agora ela tinha de se ocupar do filho que odiava, o maltratava sempre, ficou gravida de novo desse homem que vivia de vender drogas.

Passou a gravidez inteira meio dopada.

Quase morreu no parto, a criança era linda, mas tinha algo diferente.

Segundo o Exu, nesse dia o seu homem chegou em casa como sempre, viu saindo dali um dos que ainda a rondavam para a foda de um momento.

Lhe deu um tiro, seu filho ainda tentou defendê-la, o mesmo cortou sua cara com um golpe de navalha, mas se desequilibrou, pois pisou no próprio filho, caiu batendo a cabeça numa quina de uma mesa velha.

O menino pegou o irmão nos braços, saiu correndo, um garoto de 6 anos, mas alto, se lembrou de uma pessoa que lhe dizia sempre, qualquer coisa me procure, era um negro que vivia na antiga casa do engenho, aonde era um terreiro.

Quando chegou o mesmo o levou a casa dos exus, arrumou uma esteira, ele se lamentou de ter sujado o irmão de sangue.  O coitado está quieto, é um bom menino.

Exu, sabia que o outro estava morto o pai, tinha pisado no seu peito com todo seu peso.

Colocou a mão sobre a cabeça do menino, o fazendo dormir, ao mesmo tempo, esquecer de tudo.

Foi até o local, provocou um grande vendaval, que muitos falariam depois, como podia ser isso numa noite linda de lua cheia, isso eram coisas de Exu diziam outros, o que provocou um incêndio no barraco, bem como nos dois seguintes.

Mas ele de uma maneira, despertou as pessoas, que conseguiram apagar o incêndio, menos no barraco da rainha da escola de samba.

Ele voltou, despertou o Pai Agenor, que costurou o rosto do menino, com pontos de cirurgia estética, assim a cicatriz seria mínima.

Ficou com uma pena imensa, o outro Exu tinha levado, deixado lá no incêndio.

O maior, a mãe de vingança tinha colocado o nome de Clodoaldo de Castel Béjar, sem o seu sobrenome, mas o escondia tanto, que os vizinhos nem sabiam que tinha dois filhos.

Isso que nas favelas, todos sabem da vida de todo mundo.

Ele fez uma coisa, se esse menino fosse entregue as autoridades, estava lascado, se lembrou de uma amiga, que poderia ajudar.   Tomou um belo banho, se vestiu com o uniforme da universidade, andava sempre de branco, conjugava com o seu de médico.

Enfiou o menino no carro, levou com ele, para todos parecia que ia trabalhar.

No banco traseiro, levava o garoto bem tapado.

Branca de Iemanjá, tinha sido sua mãe de santo, hoje estava vamos dizer aposentada pela idade, sua filha, era casada com um Consul francês.

Contou para ela toda a história, esse menino, merece uma vida melhor, pois a mãe o maltratava, dizendo que por culpa dele a vida dela, tinha ido a merda.

Nada foi a merda, pois essa menina só vivia fazendo confusão, só pensava nesse maldito carnaval, ser rainha da bateria, essas merdas, como sempre todas pensam em se dar bem, esquecendo que esse tempo passa rápido, que o corpo vai para as cucuias.

Branca de Iemanjá, o adorava, por causa do seu linguajar, era muito amiga do Pai de Santo, aonde ele tinha finalmente feito a cabeça, se assentado.

Se dividia entre suas três vidas como ele dizia, ser professor, médico, cuidar de almas, não sobrava tempo para mais nada.

Exu tinha borrado com sua borrasca, as marcas de sangue, que saiam do barraco até a casa do pai de Santo.

Ele avisou sua secretária que tinha um problema pessoal para resolver, que as aulas da manhã ficavam suspensa.

Se ele dizia isso, ela sabia que era algum caso sério.

Esperou um tempo, depois falou com a filha em Brasília, mesmo assim, a pegaram na cama, como toda a dondoca rica, aproveitava.

Sua mãe lhe explicou a situação, ela passou para o marido, este falou com o Pai Agenor, se conheciam, um dia foram até sua casa de santo, tinham problemas, não conseguiam fazer filhos.

Ele resolveu o problema, meio médico, meio espiritual, por isso agora tinham uma menina.

Falou o nome do professor, Jean de Castel- Béjar.

Agora em Paris e noite, mas assim que chegue na embaixada, eu ligo para lá, tenho um amigo, que é professor na mesma escola, peço para ir falar com ele.

O menino, dormiu dois dias, nesse tempo lhe deram banho, ele vinha depois do trabalho para ver a cicatriz, quando ele despertou, estava num quarto bonito, com aquele homem que ele nunca mais esqueceria a cara, Pai Agenor, ainda tinha isso, era um homem bonito, ninguém sabia por que era pai de santo.

Viu que ele procurava alguém, lhe perguntou quem.

O senhor negro que sempre me ajuda, quando minha mãe me dá uma surra, ele aparece para me consolar.

Entendeu que estava falando do Exu Bara.

Esse apareceu em seguida, se sentou em cima da cama ao lado do menino.

Lhe disse, pode confiar em pai Agenor, ele vai resolver tudo da melhor maneira.

Já tinha saído nos jornais desses que se espremem sai sangue, falando da morte dela, confundiram o homem que a tinha matado, com o filho, pois de alguma maneira Exu tinha feito encolher o corpo, a tinha encontrado com os dois filhos, um bebê, outro um pouco maior.

Como sempre cada um dava uma informação diferente, uns falava que era uma mulata para ninguém botar defeito, outros nem tanto, que vivia nas drogas, que tinha começado a tomar, para emagrecer depois do parto, por causa das operações de tetas, silicone na bunda, coisas assim.

Ficou tudo por isso mesmo.

Pobre, sempre é tratado da mesma maneira, para que rebuscar mais se ninguém ia dar importância, ela já não era famosa mesmo, teve de novo seus poucos dias de glória, a notícia saiu na primeira página, depois foi passando até desaparecer.

Finalmente tiveram notícias, o amigo do cônsul, tinha falado com o professor, esse disse que ela tentava, lhe tirar dinheiro, mas como não tinha visto nenhuma documentação, não deu nada, essa garota é complicada.

Ele ia sair de férias, perguntou se podia ir ao Rio, para fazerem um teste de ADN, ficaria hospedado na casa de Branca do Iemanjá, Pai Agenor ia buscá-lo no aeroporto.

Quando comentaram com Jean, ele imaginou que quem o ia receber era um negro, que tivesse cuidado.

Mas quando chegou deu de cara com um sujeito branco, cabelos negros, uns olhos negros impressionantes, ainda por cima falava francês.

Comentou com ele, que tinha ajudado no parto do seu filho, realmente a garota era complicada, isso ele concordava, as vezes maltratava o menino, dizendo que ele era o culpado das burradas que ela fazia.

Mas que tinham morrido no incêndio.

Agenor ficou impressionado, o Jean, tinha um belo tipo, era alto, loiro como o filho, com os mesmos cabelos crespos, os mesmos olhos do garoto.

Quando olhou o mesmo, tirou do bolso uma fotografia, mostrou para Branca, para ele, eram iguais.

Passou com carinho a mão em cima da pequena cicatriz, já estava diminuindo.

Mesmo assim, por insistência de Agenor, fez o teste de ADN, tudo se confirmou, mas o genro de Branca, veio de Brasília, conseguiram a documentação, mantiveram o nome da mãe, mas o Jean não entendia o outro nome.

Souberam que era o do pai dela.

Mudaram o nome, pois na verdade todos chamavam o garoto de Aldo, parecia um nome italiano.

Mas o menino estava agarrado com o Pai Agenor, esse conversava com ele, olhava desconfiado a esse pai, que tinha aparecido por arte de mágica.

Não o deixava se aproximar muito, desconfiava, tinha visto tantos homens entrarem em casa com sua mãe, que isso o tinha traumatizado.

Exu entendeu o que se passava, ajudou conversando com ele em sonhos, timidamente começou a se relacionar com o pai, esse preocupado pois suas férias acabavam.

Sua preocupação na verdade era em Paris, como ia, ter esse garoto lá, seu apartamento era pequeno, em comparação com o do irmão, tinha sim uma bela biblioteca, ele tinha desmanchado dois quartos para isso.

O genro de Branca arrumou para ele dar umas palestras na Fundação Getúlio Vargas, na área que ele era especialista. Eram, alunos de pós-graduação, tão diferente dos idiotas como ele chamava os que assistiam suas aulas, que já se achavam os reis do mundo.

Lhe convidaram para dar aulas durante um ano, nesse curso.

Ele foi a Paris, pediu uma excedência, quando voltou o menino, estava no terreiro, foi até lá, com Agenor, se sentiu em casa, não se preocupava de sair todos os dias, ir de carro, de segunda mão que tinha comprado, pegava a AV. Brasil, ia até Botafogo, até que arrumou um apartamento por lá, um dia se sentou com Agenor, se declarou a ele, tinha se apaixonado pelo mesmo.

Agenor agora se desdobrava, ia dar aulas, depois hospital, três dias da semana, a não ser que sua Yao chamasse, por algum problema, ele ia até Brás de Pina.

Estava era cansado, um dia conversou com Branca, ela sempre o orientava, fizeram como uma reunião com seus Orixás, pois ele na verdade não tinha vivido nada de sua vida, devia muito a eles, tinha procurado ser bom.

Mas no terreiro ainda tinha seu pai de santo Original, Ernesto do Bara, ele lhe disse que podia ir, mas nunca se esqueça daqui.

No final do ano, foi ele que tirou uma licença, foi com Jean e Aldo para Paris.

O menino se relaxava se ele estava junto, se apertaram no apartamento do Jean, mas isso para eles não era problema.

Aldo de não ter pai, agora tinha dois que o queriam.

A mãe do Jean, ainda era viva, quando viu o menino, riu muito, pois era a cara dele quando criança, o irmão que só tinha filhas, via seu poder sumir, um dia esse menino assumiria seu lugar, não gostou muito, mas como seu irmão era totalmente independente, se relaxou, ainda mais quando soube que ele vivia com outro homem, um médico.

Agenor, estava aproveitando esse ano, para estudar, se reciclar, na sua área.

Sentia sim falta de seu lugar, do terreiro, de atender as pessoas necessitadas, ali, ele estava rodeado de gente com um certo poder.

Um dia Jean lhe chamou, estava com o reitor de aonde trabalhava, o mesmo parecia estar mal, eles estavam perto, examinou o homem completamente, disse o que ele tinha.

Meu médico diz que não tenho nada disso.

Bom, acho melhor ir para um hospital, chegaram ele se identificou, fizeram os exames que ele disse, inclusive ali era melhor, com mais possibilidades, que no hospital que ele trabalhava.

Se confirmou.

Passou da dar consultas ali no hospital, para toda essa gente, algumas tinham era problemas espirituais, mas aonde fazer algo, não podia jogar os búzios, nem mandar tomar um banho de ervas para abrir o espaço que necessitava.

Pensou muito, conversou com Aldo, que agora tinha 11 anos, tenho que ir embora meu filho, iras nas férias me ver, com o Jean foi mais complicado, esse ficou nervoso, o adorava.

Lhe explicou de suas obrigações, aqui, tirando vocês dois, não sou nada.

Voltou para o Rio, quando chegou na velha casa de engenho, parecia que todos os Orixás o esperavam, fez um belo assentamento, voltou a sua vida, sentia falta do Jean, do Aldo, mas tinha que seguir em frente, na verdade nunca tinha amado ninguém assim.

Lhe doía, mas seguiu em frente tinha sido assim a vida inteira, nunca tinha falado com o Jean, que tinha saído de um orfanato, que tinha estudado, com ajuda de Branca, de alguns amigos dela.

Nunca contava sua vida para ninguém, até antes, de ter feito concurso, para professor da faculdade de medicina, bem como trabalhar no hospital, agora vinha com uma extensão na sua especialidade, embora ali faltassem alguns aparelhos que tinha usado por lá.

Falava duas vezes por semana com o Jean, escutava a mesma reclamação, sempre, sentia sua falta.

Nas férias eles vieram, ficaram lá em Brás de Pina, um dia viu o Aldo conversando com o Exu Bara, na casa de exus, ficou na porta escutando, o mesmo perguntando desse outro menino, bem como de sua mãe.

Bara lhe explicou da melhor maneira possível, venho sonhando com o menino, ele me diz que vai voltar outra vez, que eu lhe dê uma chance.

Quando fez 16 anos, disse ao Agenor, que queria fazer sua cabeça no candomblé, o senhor sabe meu pai, um dia virei para substitui-lo.

Jean quando escutou isso, primeiro se assustou, iria perder esse filho que tinha aprendido a gostar, já lhe doía, ter perdido o homem que adorava.

Nisso seu irmão morreu, uma coisa meio escandalosa, no ano anterior, tinha sido a mãe do Jean, deixou uma parte da herança para o neto, o que criou um problema com seu irmão.

Eram coisas que ele queria.

No fundo tinha arruinado a família, embora fosse casado com uma mulher rica, queria tomar posse de coisas que eram da mãe.

Foi encontrado morto com uma amante, sua mulher se reuniu com o cunhado, os advogados, conseguiram de certa maneira baixar a poeira do caso.

De qualquer maneira, foi o que fez Jean tomar consciência que não queria mais viver essa vida, tampouco queria um titulo que não valia nada na verdade.

Liquidou tudo, isso lhe deixava com um bom dinheiro, o que era do filho, colocou no banco do Brasil de Paris, como um fideicomisso, para ele fazer o que quisesse quando fosse adulto.

Voltou com ele para o Rio, iria dar aulas na fundação, agora, falava português, tinha aprendido, pois queria se relacionar direito com o filho, com Agenor, mas foi morar em Brás de Pina, não queria mais ficar longe de quem amava.

Saia de manhã, como filho, o deixava no Liceu Francês, depois ia ali para perto para a fundação, voltavam os dois de tarde, para casa.

Agenor adorava chegar, mesmo que tivesse que atender gente, estar com sua família.

Quando finalmente Aldo raspou sua cabeça, fazendo todas as obrigações para seus Orixás, ficou feliz, adorava ir colocar agua nas quartinhas, Exu dizia que ele via os Orixás, não era como a maioria dos filhos de santo, que fazem por fazer.

Não vêm nada, nem tampouco escutam.

Jean dizia que finalmente era feliz, durante anos tive que usar duas caras, uma por causa da família, mas nunca tinha romances, o dessa menina, foi porque ela se meteu na minha cama.

Tinha uma coisa, ele nunca se interessava como um estrangeiro pelo carnaval, para ele pareciam uma coisa confusa, seu filho era igual, dizia que como Agenor nessa época parava de dar consultas, tiravam férias isso sim, iam para alguma praia.

Numa das idas, foram para Parati, uma casa fora da cidade, numa praia pequena, com a mata ao fundo, para Agenor, foi uma paixão à primeira vista.

Claro tudo que é bom dura pouco, anos depois, Aldo, viu que seu pai tinha problemas de memória, começava uma conversa em português, depois mudava para o francês, mas falando outro assunto, ou se perdia na rua, agora quem levava o carro era ele.

Daí foi um pulo, para diagnosticarem que tinha Alzheimer precoce, que era daqueles galopantes, Agenor cuidou dele até o final.

Quando eles estavam em Parati, disse que queria ser cremado, que suas cinzas ficassem naquela mata.

Fizeram como ele queria, a estás alturas, Aldo, já tinha assumido o uso de seu dinheiro, mas ainda não o que queria estudar.

De um momento para outro, os herdeiros do antigo pai de santo, venderam as terras em volta, bem como a casa do Engenho.

Agenor pensou muito, comprou da pessoa que lhe alugava a casa de Parati, se mudou para lá, estava cansado de correr de um lado para o outro, já não tinha idade para tanto.

Arrumou um emprego no novo hospital, ele podia se virar em várias partes que tinha especialização, o duro era aguentar o verão que a população aumentava demais.

Mas tinha seu lugar, tinha construído perto da mata atlântica, a casa dos Orixás, algumas pessoas apareciam, tudo era boca a boca, tinha decidido não ter filhos de santo como antes, ajudava o pessoal, as vezes no hospital aparecia algum paciente que ele, dizia que o problema era outro, o ajudava assim mesmo.

Aldo tinha ficado no Rio, no antigo apartamento que o pai tinha comprado, estudava medicina, como tinha sonhado, olhava como modelo, como Agenor trabalhava.

Tinha um belo exemplo a seguir, ia passar todos os finais de semana com seu pai, além claro de poder se sentar perto da mata, conversando com Exu Bara, tirando dúvidas.

Os anos passaram, um dia quando estava ali, apareceu uma garota, devia ter uns 14 anos, o pai a tinha colocado para fora de casa, estava gravida de algum turista.

Exu lhe disse, aí está teu irmão que morreu, eles fizeram tudo para ajudar a garota, a acolheram no sítio, até ela parir no Hospital, não sabia o nome do pai.

Aldo fez uma coisa, com a ajuda do juiz, se casou com ela, assim o menino teria um nome, não seria um bastardo como ele tinha sido a princípio.

No parto foi complicado, era uma garota franzina, o médico disse que a coisa estava complicada, ela acabou morrendo na mesa de operações depois do parto.

A família agora queria a criança, mas como tinham se casado, era dele.

Tinha um amor espantoso pelo filho, pois ao seu irmão pequeno ele tinha procurado proteger sempre. Mas o menino vivia lá em Paraty, com Agenor, esse tinha uma senhora que o cuidava.

Ainda veria esse menino chamado Jean de Castel-Béjar, se formar também em medicina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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