ÀNGELS

 

                                          

 

Hoje era o lançamento de meu último livro, tinha que me preparar para as perguntas, pois antes ia a uma entrevista, depois no lançamento, imaginava que muitos jornalistas iriam me fazer a mesma pergunta.

Àngels, tinha sido minha segunda mãe, a que me acompanhou toda a vida, tinha morrido a alguns anos atrás, eu estava em dívida com ela, a casa tinha ficado imensa para mim sozinho, tanto que resolvi, como tinha uma bela oferta de venda pela mesma para construírem um prédio, pois compravam as duas seguintes, vivia no Brooklyn de toda a vida, nunca tinha saído de casa como meus amigos, não ia perder a maneira como vivíamos.

Eu fui criado nessa casa pela minha avô Dorothy, era fruto de um romance desses de sonhos, minha mãe sonhava com uma coisa, meu pai com outra, claro nem chegaram a se casar, ele foi realizar o seu, a deixou para trás, seu nome era o mais comum Brown, existiam milhões como ele, o problema era encontrar o dito cujo.

Ela levou minha mãe para a casa de uns tios que a tinham criado, quando nasci, minha mãe ficou horrorizada imaginando que eu era albino, pois nasci loiro, olhos azuis fortes, bem como a pele branca.

Meu pai pelo que sabia minha avó, era mulato claro, mas minha mãe não, então, como analisar, Dorothy era bibliotecária na grande de Manhattan, foi se informar a respeito, bem como conversou com médicos.   Era normal, erámos todos os frutos de uma mistura de raças, ela me levou para sua casa, mas antes, arrumou alguém para cuidar de mim, pois passava o dia inteiro fora.

Angels, diria depois por culpa dos livros que lia sua mãe, tinha caído no conto, comeram perdizes, foram felizes para sempre.

Se casou muito jovem com um homem bonito, achava que isso bastava, ficou gravida logo em seguida, foi quando descobriu que ele bebia muito, era agressivo sexualmente quando estava bêbado.

Ela estava para dar à luz, quando um dia chegou, ela estava passando mal, ele queria fazer sexo, lhe deu um soco imenso na barriga, ela abortou em seguida, quase morreu, claro ele foi preso, julgado e condenado.

Ela estava chateada, sua família tampouco a queria por lá, eram descendentes de mexicanos, ela na verdade se chamava Maria de Los Angeles Brown.

Minha avó a conhecia de irem juntas para o trabalho, como ficou tempo sem vê-la, quando a encontrou a viu deprimida, perguntou se queria trabalhar cuidando de mim, pois estava com esse problema, minha mãe tinha ficado na casa dos tios, nem queria voltar para casa, tampouco estudar, um dos sonhos de minha avô, ela só tinha podido fazer um curso de secretariado, depois outro de bibliotecária, sua sorte, era super inteligente, sonhava que a filha faria uma universidade.     Mas segundo ela, minha mãe só tinha minhocas na cabeça.

Colocou na mesma, que eu tinha sido trocado no berçário do hospital, não mudava sua versão.

Angeles de deprimida com sua vida, quando me viu, ficou como louca, a partir desse dia, passou a viver lá em casa.

Eu aprendi a ler e escrever antes com ela, que tinha sonhado estudar, mas na sua família isso era quase impossível.

Brincava comigo, como se estivesse numa escola, ela era a professora, seu sonho de garota.

Tinha nessa época 17 anos, foi como que adotada pela minha avó.

Minha avó fazia o trajeto do trabalho para casa, lendo, estava todo momento livre com um livro nas mãos, passou esse hábito para a Angels, depois as duas se sentavam conversavam sobre o mesmo, de ler literatura barata como passaria a chamar o que sua mãe lia, romances tontos em que tudo ao final acaba dando certo, passou a ler coisas interessantes.

Anotava ideias.

Então cresci no meio disso, discussões literárias, livros, a primeira ver que li um, tinha 9 anos de idade, falaram tanto no livro, que o escondi para ler.

Fiz uma coisa que tinha visto Angels fazer, anotava num bloco as palavras que não entendia o significado, as duas tinham dois imensos dicionários, para tirar dúvidas.

Minha avó procurou o livro para devolver, mas não o achava, depois que li o mesmo, devolvi para o lugar que ela deixava sempre os livros.

Um mês depois, eu passei todo esse tempo ruminando o que tinha lido, muitas coisas que não tinha entendido, anotei, fui buscar informação.   Naquela época não existia o Google, ou coisa que o valha, tinha que me apanhar com os dicionários, perguntar a Angels, uma determinada frase o que queria dizer.   Ela não se tocou que eu tinha lido o livro.

Nessa época, além de ditados, nas aulas tínhamos que escrever redações, pois eu resolvi numa desta falar sobre o que tinha lido, o que as vezes não tinha entendido, claro a professora chamou as duas, que foram assustadas, o que eu tinha aprontado na escola.

A mesma tinha lido o livro também, mas eu mencionava o mesmo, quando citava as frases que tinha ficado encalhadas, analisava isso na redação, como os adultos era complicados na hora de resolverem seus problemas sexuais.

Riram muito, comentaram o que faziam, as duas liam os livros, depois debatiam, para que, ganharam mais uma participante, a professora Ruth, uma solteirona, adorava a leitura, era sua vida de escape para uma vida chata.

Foi ela quem incentivou a Angels a ser professora, inclusive a ajudou a conseguir o título, depois um emprego na mesma escola.

Foi interessante, quando conseguiu, eu estava naquela época que os garotos têm vergonha que os pais os levem a escola, eu ao contrário ia com ela, conversando sobre algum livro.

Eu adorava duas coisas, história do país, bem como livros sobre a Grécia, seus mitos, heróis, essas coisas.

Os de história, mal sabia o que ia estudar no ano seguinte, já estava com o livro a ser usado lido, relido, apontado, pois fazia anotações, com perguntas, colocava nas páginas, o mesmo ficava mais grosso, perguntas que devia fazer ao professor.

Depois me informava de outros escritores que tivessem escrito sobre o mesmo período, lia também, quando fazia a pergunta ao professor, a tinha fundamentado por ter lido vários escritores, alguns com raciocínio contraditório.

O mais interessante, nunca encontrava algum livro, que falasse da história dos índios americanos, ou dos negros, tinha a sensação na escola, que eles nunca existiam, minha pergunta era como estavam lá.

Tudo que se falava sobre a escravidão, ou mesmo os índios, era sempre tudo muito superficial.

Numa das conversas, levantei isso, no meu aniversário minha avo me deu o primeiro, sobre os índios, “Enterrem meu coração na curva do Rio” de Dee Brown, primeiro raciocínio era que podia ser meu parente, mas depois pensei, se ele é um índios não pode ser, infelizmente para meu raciocínio, descobri que ele era branco.

Discutia isso com as três, se matavam de rir, ao invés de estar preocupado, em sair correndo atrás de uma bola, com algum garoto dos vizinhos, eu estava interessado em outra coisa.

Quando perguntei sobre a história dos Negros, minha avô rebuscou, conseguiu um de John Hope Franklin, o li tanto, mas tanto, que as vezes tinha a sensação de que as páginas ficavam mais finas.

A cada coisa que acontecia com os negros atuais, eu corria até suas páginas, para reler algo.

Desta vez, não colocava anotações no meio da página, no meu aniversário, tinham me dado vários cadernos negros, pequenos, a professora me disse que era para escrever ali o que eu pensava, queria me incentivar a escrever um diário, pois dizia que eu escrevia bem.

Os usei para cada vez que consultava um livro, anotar o nome, o autor, a época, como minha avô tinha me ensinado, como se classificava o livro na biblioteca.

Era o tormento dos professores de história, porque as outras matérias eu tirava de letra, mas nas aulas de história eu era o chato.

No ano que estudamos a guerra civil, eu juntava cada tostão da minha mesada, não gastava como os outros o dinheiro do recreio, eu mesmo me preparava sanduiches, para não gastar o dinheiro no refeitório da escola.

Minha avô me tinha dado uma lista sobre o assunto, sinalizou os mais importantes, claro eu queria para mim, não o livro da biblioteca que tinha que devolver.

Chegava em casa, fazia os deveres, depois me grudava nos livros.

Estava crescendo muito, ficando meio curvo, por estar debruçado em cima dos livros, as duas conversaram comigo, me esforcei ao máximo para jogar basquete, fazer natação, exercícios, inclusive quando soube dos campeões de Boxe, negros, mergulhei em suas histórias.

Era interessante, um dos professores, foi falar com minha avô, deu de cara com uma mulher negra, eu era considerado como branco.   Ele não entendia meu interesse relativo aos negros, aos índios.

Anos depois diria que eu o obriguei a estudar sobre os mesmos, para não o pegar de calças curtas com as minha perguntas, quando eu mencionava um livro, ele anotava, depois ia ler sobre o mesmo, me chamava depois das aulas para falar como pensava.

Quando descobriu as reuniões lá de casa, se juntou a mesma, ria muito, tive que esperar muito tempo, para isso acontecer na minha vida, meus amigos me chamam de tonto, pois sempre vivi mergulhado nos livros, só pude estudar para professor.

Cheguei a época da universidade, ganhei duas bolsas de estudos, uma para estudar história, ninguém se candidatava para a mesma, outra para literatura.

Os professores a maioria me odiava, pois estavam acostumados a alunos, como eu dizia que pareciam ovelhas, pois concordavam com tudo, queriam mais um diploma.

Um deles que dava aulas sobre a guerra civil, analisando sobre alguns aspectos, citava sempre o mesmo autor, quando comecei a citar outros autores, não gostou, pior foi levantar a história dos soldados negros, eu tinha lido basicamente tudo sobre o assunto.

Me respondeu na cara, que eles não eram relevantes a história do pais.

Fiquei uma fera, falei com ele em particular, me disse para não encher o saco, tanto que eu levantava o braço ele fingia não me ver.

Não tive conversa, fui conversar com o chefe de departamento, esse também não me deu atenção, passei por cima dos dois, fui falar com o reitor.

Foi o mesmo que jogar merda no ventilador, o sujeito me jogou na cara que eu era um bolsista, falou o nome do homem que garantia minha bolsa de estudos, devia dar graças a Deus ter uma bolsa, depois não eres negro nem nada.

Mas tenho sangue negro, como o senhor tem, lhe mostrei seus traços no espelho, era uma coisa que ele escondia a sete chaves.

Pesquisei sobre quem tinha me dado a bolsa, era uma fundação de um senador, negro por sinal, escrevi ao mesmo sobre o que estava acontecendo.

Me mandou um bilhete, fui até Washington, acompanhado de meu grupo, os dois professores, minha avô e Angels.

Tínhamos discutido horrores sobre o assunto.

O mais divertido, ele já tinha mandado seus assessores, saber o porquê disso tudo.

Comprou a briga, trouxe um jornalista negro, para uma reunião na casa que vivia, ainda soltou, tinha sonhado que os filhos, fizesse o que eu fazia, todos os dois tinham estudado direito, nunca se interessavam sobre o assunto, para não destoar dos amigos que tinham.

Bom saiu no jornal de NYC, bem como de Washington, fez tanto alarde, que saiu basicamente em todos os jornais do pais, um rapaz que quer realmente saber a história desse pais.

Um deputado, com raízes índias, me perguntou se eu estudava também sobre eles, falei de todos os autores que tinha lido, o pouco que se sabia realmente da história original dos índios, mitos, essas coisas.

Sei que o professor foi afastado, passamos a ter um professor negro, sobre o assunto, mesmo esse nunca ia ao ponto frágil da história, para não ofender os brancos das aulas.

Um dia mostrei para ele, a lista com os sobrenomes, todos eram descendentes de emigrantes, deviam era se preparar para saber sobre a história de seu país de origem, bem como o que tinham trazido de bagagem para o novo mundo.

Mas me dei de cara que a grande maioria, queria era esquecer que era descendentes de emigrantes, como se isso fosse uma vergonha.

Fiquei tão horrorizado com isso, que escrevi meu primeiro livro para a classe de literatura, porque queremos esquecer de nossas raízes.

O professor achava o máximo minhas brigas na universidade, levou o texto para um editor, o mesmo salvo duas correções, me chamou para conversar.

Lá fui eu com Angels, afinal só tinha 20 anos, tinha entrado muito cedo na universidade.

Conversei primeiro com uma dessas pessoas que leem o texto, depois passam realmente para o editor.

Ele ficou surpreso, pensou em encontrar um negro rebelde, deu de cara com um branquelo, como me chamavam.

Ele ao contrário era mulato, quase negro, aprendi muito contigo, mostrei para ele um texto que estava escrevendo sobre os negros.

Primeiro vamos conseguir editar esse.

Fui aquele aluno, que no último ano da universidade, já tinha publicado um livro, riam dizendo que eu estudava literatura, mas o livro era sobre o curso de história que eu fazia ao mesmo tempo.

Minha avó, depois das entrevistas que dei, disse que finalmente algumas pessoas que trabalhavam com ela, lhe dirigiam a palavra, que a maioria dos comentários era assim, “ah esse teu neto, gosta de confusão”.

Nessa época li Ângela Davis, James Baldwin, escrevi sobre isso, como era ler a mensagem dos dois, o mais interessante, era que o Senador, começou a me mandar todos os livros de escritores negros, que recebia.

Me avisou que vinha a NYC, queria conversar comigo.

Achei interessante, pois convidou minha mulheres como ele chamava as de casa.

Foi genial, me ofereceu para bancar uma bolsa de pós-graduação em Estudos Afro-americanos e Estudos Étnicos da Universidade de Berkeley.

Devo ter ficado com a boca aberta, mas fui claro, não tenho dinheiro para ir viver lá, aqui vivo na casa de minha avó, o mais interessante era que ele pensava que Angels era minha mãe.

Nessas alturas minha mãe tinha desaparecido a muito tempo, da casa dos tios, como dizia minha avô, se casou, mudou para bem longe, ninguém sabia aonde estava.

Por sorte minha avô tinha me adotado legalmente.

O homem consultou seu secretário, disse que ia se informar quanto eu necessitaria para viver.

Lhe disse que se tivesse um quarto para viver, dormir, estudar, estava bom.

Ele fez um documento, sai da universidade diretamente para uma pós-graduação, sem ter tido que batalhar muito.

Fiz uma coisa louca, ao invés de ir de avião, ou trem, fui de ônibus, mas fiz eu mesmo um trajeto.

Fui descendo, por todos estados, que tinham uma população negra grande, tinha dois meses para me apresentar, juntei dinheiro do meu livro, que tinha feito um relativo sucesso, além de economias pois eu tinha já mania de guardar até as moedas que me sobravam, numa lata, quando estava cheia ia a uma mercearia perto de casa, trocava por dinheiro, que ia para o banco.

Os colegas me chamavam de pão duro, pois nunca convidava ninguém para uma cerveja, achavam que eu tinha ficado rico com meu livro, bah, eu era um mero desconhecido ainda.

Falava sim com minhas duas mulheres, de cada lugar que parava, tinha uma bagagem, pequena, as cuecas e meias lavava nos hotéis pequenos que me hospedava, o resto levava a uma lavanderia, eram roupas práticas, nada de passar.

Em New Orleans, fui a universidade para me informar a respeito de cursos que me interessavam.

Segui meu rumo, me apresentei em San Francisco, aonde eles tinham conseguido um quarto para mim, numa residência universitária.  Tive sorte, porque a pessoa que vinha compartir quarto comigo, era outro bolsista, ele ao contrário escrevia sobre os índios americanos.

As pessoas pensavam que nos dávamos horrivelmente mal, pois estávamos sempre falando, as vezes levantamos as vozes para depois cair na gargalhada.

Os professores gostavam dos dois, pois erámos capazes de debater o assunto como eles imaginavam.    Um deles dizia que em algumas turmas pensava que os alunos estavam mortos, pois só escutavam, ninguém falava nada, ou entenderam tudo, ou merda nenhuma.

Nas primeiras férias fui com meu colega a um desse encontro de tribos, ele se matava de rir, comigo conversando com os velhos, era respeitoso, soltava a pergunta, agora gravava tudo.

Um dia um professor, nos levou, a Chinatown, falava sobre como os chineses tinham chegado lá, para construir linhas de trem, como eram desprezados pelos outros que como já tinham passado gerações, se sentiam os donos da América.

Foi para mim como uma outra bofetada na cara, vi que a coisa não era só com os negros, índios, a cada emigrante que tinham chegado era como se os colocassem em guetos, para não se misturarem, uma coisa impossível na primeira geração, mas a segunda e terceira, isso acontecia.

Escrevia largas cartas ao meu grupo de NYC, falando nesses assuntos, imaginava que iam discutir.

Mesmo para o Senador, eu escrevia todos os meses, ele fazia questão de me responder pessoalmente, eu sabia que era ele, pois conhecia sua letra.

As grandes cidades, estavam cheias de guetos, eu e meu amigo Dee Washington, nos metemos a ir pelo subúrbio, para ver esses guetos, o professor nos animou.

Nossa tese de doutorado foi basicamente sobre como cada um via isso, a dele era mais complicada, pois falava dos imensos guetos, que viviam os índios americanos, nas reservas, que era uma cilada, de um lado os jovens que queria viver diferente, de outro os velhos amarrados a antigas tradições.

Eu discutia isso com ele, se matava de rir, dizia que nem um negro decente eu era, era um loiro metido a negro.

Para minha surpresa, estava preste a voltar, recebi pelo correi um livro por editar, escrito pela Angels, queria que eu lesse, fizesse alguma correção.

Era um livro totalmente feminista, baseado em mil conversas que tinha tido, com mulheres que ia as igrejas, as mães de família, que tinham acreditado na famosa frase, se apaixonaram, foram felizes, comeram perdizes.

A maioria nem sabia o que eram perdizes.

Achei o livro fantástico, tinha conversado com uma editora que tinha lido minha tese, estava reescrevendo a mesmas com algumas sugestões dela, lhe mostrei o texto da Angels.

Ela adorou, perguntou se já tinha algum editor.

Telefonamos para a mesma, estavam em plena reunião de sempre.

Disse que não, que tinha mandado para duas, que tinham devolvido o texto.

Imagina, saberem de um livro feminista, escrito por uma mulher negra.

Pois me interesso, interrompeu a editora, quando podes vir, para conversarmos.

Lhe faltavam meses para as férias da escola, a editora tomou um avião foi até lá conversar com ela, a mesma a arrastou a uma reunião lá em casa, ficou encantada.

Não me admira August ter saído assim.

Eu assinava meus livros como Brown Silver, achava mais prático.

Essa mesma editora lançou um livro sobre minha tese e do Dee Washington, tive que fazer de baba dele, vamos dizer assim, a princípio não gostou, mas depois viu que eu tinha razão, eram os motivos das nossas discuções, ele tornava as vezes o texto erudito, nada de pé no chão, no fundo sabia que queria ser um intelectual.

Ele dizia sempre descer do cavalo, isso eu fiz com ele, revi o texto inteiro, fazia anotações, ele de sacanagem dizia que eu ia roubar o texto dele.

Mas foi publicado com sucesso, ele pelo menos foi humilde, nas entrevista me agradecia, o ter feito descer do cavalo.

Eu voltei para NYC, sentiria falta desse tempo e do meu amigo, ele foi dar aulas de História na Universidade de Sacramento, eu tinha uma ideia na cabeça.

Como sempre tinha economizado até o último tostão, falei com meu benfeitor, fui fazer um curso sobre nossas raízes em New Orleans, inclusive aprender Yoruba.

Só voltei antes de acabar esse doutoramento a casa, para o enterro de minha avó, que foi uma coisa impressionante, a quantidade de gente.  Desde pessoas que ela conhecia da estação de Metro, até porteiro da biblioteca, ela falava segundo soube, com todo mundo.

Nunca ia a igreja, mas até o coro veio cantar na sua cerimônia.

Não conseguimos localizar minha mãe, os seus tios já tinham morrido a tempo, inclusive tinham deixado a casa para minha mãe, mas ninguém sabia aonde estava.

Contratei um detetive, para isso, pois claro o testamento de minha avó, estava preso por isso.

Angels, tinha acabado seu segundo livro, ia sobre o mesmo caminho, mulheres, a educação, entrevistou mulheres de todos os lugares de NYC, bairro por bairro, para saber como cada uma pensava, escutou suas histórias, algumas ela contava como exemplo.

Fazia sucesso, dava entrevistas, ia a programas de televisão, apresentado por mulheres, para falar do assunto.

Voltei para New Orleans, acabei o meu curso, voltei, para acabar de escrever a tese sobre o mesmo, tinha tido experiencias impressionantes, conversando com as pessoas de bairros pobres.

O mais interessante, muitos que estavam fazendo esse curso comigo, me olhavam de esquerda, por fazer isso, um então que era apadrinhado pelo mesmo senador, disse que eu gostava de chusma, os pobres não constroem nada me disse ele.

Fiquei passado, me veio outra vez, a história dos emigrantes que fazem tudo para esquecer o seu passado, como se borrassem o mesmo.

Falei disso com meu orientador, ele se matou de rir, com os negros é a mesma coisa, olhe bem seu senador, ele ajuda os jovens a irem em frente, mas seus dois filhos, trabalham em escritórios de gente rica, fazem tudo para esquecerem de seu próprio pai.

Me mostrou as casas de alguns ricos da cidade, pessoas que tinham saído do nada, que agora a segunda ou terceira geração, se achava acima do bem e do mal, mas que na verdade não tinham feito esforço nenhum para isso.

Meu professor de Yoruba, me comentava o mesmo, achamos que os estrangeiros foram a Africa para raptar ou roubar o povo, nada disso, eles mesmos vendiam os escravos, feitos da brigas internas entre tribos. Me convidou para ir a Nigeria, terás um exemplo real disso tudo.

Publiquei meu trabalho, muito bem recebido pela crítica, mas que os professores odiavam, falavam mal dele.

Mas graças aos meus livros, agora podia viajar.

Fui a Nigeria com esse professor, avisei meu benfeitor, esse me mandou um cheque seu particular, para gastos.

Foi como o professor tinha falado, a ele olhavam de soslaio, por ser um professor de Yoruba numa universidade americana, segundo eles, falava mal.

Foi me levando para o interior, me fazia escutar como o povo falava, me levou a várias aldeias, ia com ele conversar com os homens que levavam a religião deles, animista.

O primeiro, me olhou, riu dizendo, um negro/branco azedo, inclusive chegou a me cheirar, ria muito, se visses quem te acompanha, é um exu negro como a noite.

Me orientou como me devia comportar, eu no fundo não tinha religião nenhuma, não tinha sido educado indo à igreja, primeiro porque Angels era católica, minha avô cagava para as igrejas.

Na verdade nem sabia se tinha sido batizado, ou feito qualquer coisa em alguma religião.

Mas cada vez que ia mais para o interior, foi entendendo isso.

Meu professor me explicava tudo.

Um dia esbarramos numa aldeia na fronteira com Niger, demos de cara com uma aldeia toda destruída, cheia de pessoas mortas, tinham levado os bons, como escravos, os velhos, só tinham se salvado os que tinham se escondido, as crianças também.

Mas levaram muitas, seriam vendidas as que sobrevivessem, ao Sudan aonde havia um mercado, a maioria seriam escravos nos países árabes.

Fiquei horrorizado, pensava de outra maneira, mais uma vez, comecei a entender isso.

Um dos meus professores, com os quais mantinha contato me falou de retornados, tanto americanos, como do Brasil, que retornaram aos seus países de origens, faziam o mesmo, vendiam outros como escravos.

Anos depois, voltaria, iria a Benin, Burkina Faso, Mali, Senegal.

Fui descobrindo também que os domínios europeus tinha feito com esses países, perder suas raízes, linguísticas, exemplo mais concreto Senegal, que sob o domínio francês a língua principal era essa, hoje falava uma mistura de línguas, o mesmo Angola e Moçambique.

Me tornaria um experto em escrever sobre esses países, fui várias vezes a Portugal, para pesquisar na Torre do Tombo, ou a Sevilla, para usar o arquivo das Indias.

Finalmente o detetive encontrou minha mãe, num asilo em Los Angeles, fui até lá, era uma pessoa estranha para mim, por problemas de drogas, estava internada, não tinha noção do tempo, morreria pouco depois, era relativamente jovem, mas parecia mais velha que sua própria mãe.

Ainda disse a Angels, que sorte minha avô não estar mais viva, ia ser um baque.

Acho que ela desconfiava, pois dizia que sua filha era uma pessoa estranha no sentido que nunca a tinha sentido como sua filha, nesse ponto eras mais filho dela, eu mesmo, sempre me tratou como uma a mais da família, era a coisa mais rara escutar falar de tua mãe, se lembrava no dia do aniversário dela.

Finalmente se fez a leitura do testamento, a casa ficava para mim, além de dinheiro guardado no banco, aplicado, eu fazia igual, afinal foi ela quem me ensinou a economizar.

Deixou dinheiro para Angels, as vezes reclamávamos, daquela casa imensa só para os dois.

Me perguntava se nunca iria ter uma companhia.

Lhe dizia que era difícil, que minha cabeça, pouca gente aceitava, como dizia o homem que nunca tinha me visto, na Nigeria, que me chamou de Negro/branco, azedo.

Começava a conversar as vezes com uma pessoa que me interessava, se a mesma descambava para assuntos idiotas, ia perdendo o glamour para mim.

Como eu dizia a perdiz começava a cheirar mal.

Algumas vezes ia para a cama com o mesmo, mas depois, a futilidade, queriam todos aproveitar a vida ao máximo, mas isso significava ir de festas, discotecas, beber, fumar como loucos, drogas, eu odiava tudo isso.

As festas mais, pois em seguida estava de saco cheio, uma vez, talvez um homem que me interessou, foi raro o fato, estava na varanda do apartamento, esse homem se aproximou, estás chateado, o que tinha acontecido que me deixava assim.

Levantei os ombros, tinha vindo com um namorado, o assunto que todos falam, me parece banal, nenhuma conversa é consistente, só falam besteira.

Ele ficou me olhando, saiu, voltou com um livro meu, li teu livro mil vezes, acho interessante, isso que raramente tenho tempo para ler, meu trabalho me consome.

Foi quando entendi que a casa era sua, apontou um homem bonito, um negro de dois metros de altura, mas quando abria a boca, parecia grasnar.

Cada besteira que ele falava, todo mundo ria.

Tenho que aguentar isso, se quero ter companhia.

Eu discordei dele, eu prefiro ficar sozinho, a que ter que aguentar isso, soltei francamente que preferia as fodas de uma noite, que fazia o que queria, ia embora.

Fomos surpreendido, pelo seu acompanhante, esse perguntou de quem falávamos, para rir tanto.

De todos vocês, disse ele, que só falam besteiras, nada que se aproveite.

Tempos depois o encontrei num show de jazz, estava sozinho, me disse que seu namorado não gostava de música.

Fomos tomar alguma coisa depois em outro lugar para poder conversar, disse que tinha lido meus outros livros sobre a Africa, que achava interessante meu trabalho.

Nesse dia experimentamos ir para a cama, não funcionou, ele tinha uma maneira de se comportar um pouco estranha para mim, se fazia de frágil, eu não gostava.

Acabamos ficando amigos, ele quando queria ir assistir algo que o outro não queria, me telefonava, íamos juntos, depois sentar para conversar sobre mil assuntos.

Ele era médico, especialista, um dia me disse que sem querer escutar as besteiras que o outro falava, o fazia se esquecer dos problemas que enfrentava todos os dias.

Quando Angels, ficou doente, o chamei a levei para uma consulta, ele fez tudo que podia.

Queria falar só comigo, mas não esperava uma mulher como ela, eu é que estou doente, sou eu que tenho que saber quanto tempo vou durar.

Eu tinha mais cabelos brancos do que ela, dava aulas na universidade, aonde entrei fazendo concurso, fui subindo, os meus alunos, eu avisava no primeiro dia, que era duro na queda, se alguém estava ali, para ter um diploma fácil, era melhor tomar o caminho para outra sala.

Alguns realmente iam embora.

Perder a Angels, que era a única família que eu tinha, foi uma coisa dura, pois a via como sempre tinha visto uma mulher forte, ela tinha sobrevivido a minha avô, a professora que ia lá em casa, ao outro professor, hoje para conversar sobre livros só os dois.

Quando comentei isso com ele, depois de seu enterro, eu me sentia perdido, como ia ser agora, ele foi comigo lá em casa, me aconselhou a vender.

Me falou de um apartamento de um médico que se aposentava, ia embora de NYC, em Chelsea, era grande, inclusive tinha uma biblioteca, ele ia levar a mesma, uma parte, outra doava a universidade de medicina.

Vendi a casa da minha avô por um bom dinheiro, porque a construtora, já tinha comprado a outra, eu fui fazendo cu doce, até que me pagaram um absurdo pela mesma.

O médico se aposentou, mas já tinha se desfeito de tudo do apartamento, levei alguns moveis que gostava, outros dei para a igreja, que aproveitou todo o recheio da casa.

Fui comprando coisas devagar, só levei meus livros todos, bem como coisas que comprava em minhas viagens pela Africa.

Um dia Jeremias, meu amigo médico, me apresentou seu irmão, fiquei encantado pelo homem pela primeira vez um homem me atraia tanto.

Eram o oposto, era professor lá pros lados do Bronx, numa dessas escolas complicadas.

Foi como encontrar minha outra metade.

Ele tinha lido meus livros, inclusive os de Angels, me contou que tinha visto minhas entrevistas na televisão, como eu falava dela.

Peter era ao contrário do irmão uma pessoa simples, passou a ir lá em casa, fomos devagar, mas o dia que chegamos na cama, foi uma explosão.

Ele vinha de anos sozinho, como eu não tinha tempo para besteiras, já bastava o que aguentava numa escola, como ele dizia se salvo um aluno ao ano, para ir à universidade, é muito.

Podíamos conversar horas, sobre algum assunto.

Esse ano tinha projetado ir a Africa do Sul, queria analisar tudo, iria nas férias mais amplas, ele disse que seu dinheiro de professor, não dava, lhe convenci a ir comigo.

Foi uma coisa fantástica, ele as vezes via coisas que eu não conseguia ver.

Andamos por todos os bairros possíveis, consegui com um homem que trabalhava no hotel que estávamos, ir aos bairros obreiros, foi nosso guia nisso.

A realidade de lá, foi quando esbarrei na mesma coisa, os que conseguiam seguir em frente, queriam esquecer de aonde tinham saído, os que chegavam ao poder, logo eram presos pois roubavam para ficar mais ricos.

Ninguém se preocupava com os que ficavam para trás.

Quando voltamos, um dia conversamos mil coisas, ele me disse que tinha se surpreendido comigo, pois me imaginava um homem do mundo, como o irmão, que ia de férias pela Europa, roupas caras.

Mas eu me vestia simplesmente, minhas roupas duravam anos, em casa não tinha exageros.

Fui chamado pelo meu advogado, que reclamou que meu dinheiro aplicado agora era muito, que tinha que pagar muitos impostos.

Perguntei se dando bolsas de estudos eu conseguia abaixar isso.

Meu benfeitor ainda era vivo, fomos os dois até lá, seguia vivendo em Washington, fez a maior festa, lhe apresentei o Peter, lhe falei que ele era professor numa escola cheia de problemas, aonde se salva um era muito.

Eu conheço isso, sai de uma assim, fui o único a ir em frente, mas nem sempre consegui ajudar muita gente, pedi informação, como deveria fazer para dar bolsas de estudos.

Ele soltou uma gargalhada imensa, se levantou com lagrimas nos olhos, não errei contigo, de todos os que dei bolsas de estudos, foste o único que nunca me esqueceu.

Chamou seu velho secretário, ele me ensinou como devia fazer, como criar as mesmas, até hoje ele levava as do senador.

Nesse ano, preparamos tudo, no final do ano, Peter me trouxe dois alunos dele, para conversar, só um estava preocupado com o futuro, queria seguir em frente, mas tinha irmãos demais, a maioria nem estudava, não lhes interessava.

Tinha se deslumbrado com minha pequena biblioteca, riu quando viu duas estantes vazias.

Lhe contei que tinha comprado o apartamento com as estantes vazias, espero um dia que estejam cheias, lhe dei meu primeiro livro para ler.

Que ele voltasse com o Peter, pense no que queres estudar, vou tentar te ajudar.

De uma certa maneira, ele quando viu as fotos na minha biblioteca, lhe expliquei quem era minha avó, ele olhou para ela, olhou para mim, a Angels lhe expliquei que era uma mistura de mexicanos com negros, por isso era mulata, era tua mãe.

Lhe contei por alto sobre minha mãe, que tinha me repudiado, por pensar que era albino.

Bom sem querer ganhei um filho, alguém que tinha sede de aprender, lhe dei a bolsa de estudos, ia estudar direito, embora na metade do curso, mudou de rumo, foi estudar com o que realmente sonhava, ser escritor.

O incentivei a escrever como era para ele, conseguir ler um livro.   Me contou uma cena que ficou gravada na minha cabeça, que um dia voltando para casa encontrou numa lixeira, vários livros, os limpou do resto de comida que tinha em cima, os levou para casa, um dia pegou sua mãe acendendo a lareira com um que ele não tinha lido ainda, quando reclamou, ela disse que isso era papel, nada mais.

O fiz ir escrevendo sobre isso, as dificuldades dele, em se afastar, do relacionamento familiar, lhe disse que criasse um personagem, que fosse ele quem contasse a história.

Lhe dei os livros da Angels para ler, ele riu, ao descobrir que uma das mulheres com quem ela tinha falado, era sua mãe.   Me lembro dessa senhora, chegou lá em casa, muito simples, perguntou se podia conversar com sua mãe.

Enquanto essa limpava a casa, fazia comida, atendia os menores, ela falava, fazia tudo ao mesmo tempo.

Quando Angels lhe perguntou se tinha sonhado em estudar, disse que ela soltou, estudei o que pude, mas veja, na minha família ninguém tem futuro, olho esses meninos, tento não ser pessimista, mas os vejo trabalhando com o pai nas obras, só esse, me apontou, gosta de ler, lhe contou o que tinha feito com o livro, que eu tinha ficado com os braços caídos ao largo do corpo, decepcionado.

Ela me perguntou que livro eu estava lendo, lhe disse o nome, ela voltou trazendo, não um novo, disse que era seu, discuti muito com meu querido filho, sentada nos degraus do edifício me contou como vocês faziam, morri de inveja, confesso isso.

Agora estou aqui na tua casa, me deste um quarto, quando a vejo na fotografia, ela me disse, não desista.

Por isso pensei que eras filho dela, mas tinha certa vergonha de contar que minha mãe estava no livro dela.

Nos dois começamos uma conversa, sobre isso, ter vergonha do que foram nossos antepassados, falei dos emigrantes todos, se paras para pensar, esse é um pais de emigrantes, mas os que chegaram primeiros, odeiam os que chegam depois, é como se fossemos animais, mijamos nos cantos da casa, para dizer que é nosso espaço, que o resto é um invasor.

Ele na verdade foi o único que ficou morando lá em casa, segui ajudando a cada ano, um aluno do Peter.

Agora nos sentamos com nosso filho postiço, discutindo livros.

Um dia cheguei em casa, estava a policia na porta me esperando, eu vinha distraído como sempre lendo um livro no metro, não vi a chamada no celular.

Alguma gang que queria vender drogas na escola, tinha matado o Peter.

Meu mundo se veio abaixo, avisei o Jeremy, fomos para lá, ele honrou o irmão, eu não podia falar da cerimônia, mas James, sim falou, de como tinha encontrado uma outra família, como Peter o tinha incentivado ir para a frente.

Depois me contaria que o pai, lhe perguntou se estava tendo sexo com esses dois viados, com quem ele morava, que era melhor não voltar a sua casa, podia corromper seus irmãos.

Jeremy, quando soube o que os dois estávamos fazendo, ajudando essa gente nova, ocupou o espaço do irmão, se mudou de seu belo apartamento, conseguiu um ali perto, disse que não estava mais sozinho.

A muito tinha rompido seu relacionamento, o mesmo não parava em trabalho nenhum até que o escutou falando com um amigo, ele é tonto, para que vou trabalhar, se ele tem esse apartamento maravilhoso, compra tudo que necessitamos, finjo que trabalho durante um tempo, depois dou o fora.

Quem deu o fora foi ele, me senti sujo, uma velha puta que sustenta seu gigolo.

Procurou ocupar o espaço do Peter, lhe disse que fosse ele mesmo, íamos os três assistir algum espetáculo que ele gostava, mas os três amávamos mesmo era ir escutar algum grupo de jazz.

Um dia me perguntou por que o nosso não tinha dado certo.

Fui honesto, ele com todo aquele tamanho, querendo ser frágil na cama, comigo não funcionava, ele se matou de rir, isso foi o que me enfiaram na cabeça, um dia vou te provar que sou ao contrário.

Quando aconteceu, foi ótimo, estamos juntos até hoje, o meu filho, acabei adotando o James, que agora se chama James Brown Silver, escreve com esse nome.

Um de seus livros, em que ele fala dessa juventude perdida das escolas das minorias étnicas, foi transformado em filme, agora do segundo querem fazer uma série, usando o professor, que na verdade é o Peter, como personagem.

Veio conversar conosco, ele vive no apartamento que era do Jeremy, se casou tem dois filhos, os avôs somos nós.

Sonho, agora entendo minha avó, que eles possam ir à universidade algum dia.

Tentou apresentar a mulher e os filhos a sua família, levou um susto, tinham desaparecido, não viviam no mesmo lugar, um de seus irmãos tinha entrado numa gang, tinha matado alguém dali, tiveram que se mudar.

Essa era uma realidade, esse foi mais um livro que escreveu, nem assim conseguiu encontrar sua família.

Me dizia as vezes abraçados na janela, olhando os garotos no parque em frente, jogando como avô Jeremy, que diz sempre que tinha sonhado com isso.   Graças a deus encontrei uma nova família, que me colocou para frente.

Por último tiveram uma garota, ele escolheu o nome de Angels para ela, disse que tinha sido a primeira pessoa que o tinha incentivado.

 

 

 

 

 

 

 

 

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