BAYOU

 

                                          

 

Estava preocupado, as crianças, estavam cansadas, o voo com transbordo, tinha sido largo, ele de uma certa maneira, estava acostumado a isso, por suas longas viagens por Africa.

Na viagem tinha sonhado com o homem que tinha amado em sua vida, tinha se conhecido quando eram jovens, estudaram juntos, quando ele chegou a Paris, com sua mãe, uma mulata clara, para ninguém botar defeito, tinha se casado com um francês, ele quis adota-lo mas seu pai original não permitiu, já que levava seu nome.

Marcel era filho de pai francês com uma argelina, os dois tinham os cabelos crespos, o convidou para se sentar ao seu lado, no primeiro dia de aula.

A partir daí não se largaram, um defendia o outro, ensinavam o que o outro não entendia, ele já falava inglês, francês, crioulo, então tinha uma imensa facilidade para qualquer língua, depois aprendeu o idioma que se especializou o Yoruba.

Se lembrava como hoje, na plantação de seu pai, tinha uma grupo de casas ou cabanas na beira do rio, a mais afastada, vivia um homem que todos diziam que era o bruxo.

Ele adorava escapar, ir falar com esse homem, com ele falava em Yoruba, mas sem saber disso, afinal ele era uma criança.

Sua mãe, não era casada com seu pai, isso ele tinha muitas mulheres, filhos uma quantidade imensa, era o que se falava, mas reconhecidos, só ele, Lucrécia, James.

Ela conheceu o que seria seu marido, numa festa que seu pai tinha dado na mansão de New Orleans, aonde vivia a família.

Se apaixonou, embora seu pai a apresentasse como sua esposa, ela o desmentiu, vivo com ele, assim o francês avançou, pois estava deslumbrado com sua beleza, que depois cativaria a sociedade francesa.

Já Marcel, o pai era do serviços do governo, fazia de tudo, era embaixador, ou adido cultural em algum lugar do mundo, sua mãe nunca ia junto, ficava em Paris, mas não frequentava a sociedade, era uma mulher extremamente fechada, linda mas tímida.

Quando os dois descobriram o sexo, foi um com o outro, a partir daí, nunca se largaram, foram a universidade juntos. Nessa época sua mãe se divorciou do marido, casando com outro mais rico, indo para a Nova Zelandia, seu pai, apareceu em Paris, pois não o ia levar junto.

Lhe perguntou o que queria fazer, voltar para os Estados Unidos, ou seguir estudando na Sorbonne como fazia.

Consegui para ele, um pequeno apartamento perto, a cada dois anos, aparecia, soube que os dois viviam juntos, nunca disse nada a respeito.

Chegou a conhecer os dois primeiro netos, menos o pequeno Máxime, ou Max, como ele dizia.

Os dois primeiros eram irmãos, Billy e Paul, os trouxeram do Senegal, aonde eles dois passaram um tempo fazendo um trabalho para o governo.

Os adotaram, pois ficavam imaginando os dois separados, realmente pareciam filhos dos dois, eram mulatos claros, com os olhos azuis, os cabelos eram como os deles, crespos.

Ninguém sabia, nem eles, de aonde tinham saído.

Os levaram para Paris, nessa época o pai do Marcel, morreu, deixando para ele uma boa herança, ficou com o apartamento que era da mãe, ela se mudou com a irmã, para um menor.

Mas se desfizeram de tudo que significasse luxo.

Quando saiu o casamento gay, os dois se casaram, oficializaram a adoção dos dois, esses adoravam os pais.

Quando foram pela milionésima vez a Nigeria, ele por causa de um encontro de Yoruba, trouxeram o Máxime, o encontraram abandonado na rua, negro, mas tinha os olhos azuis também, estava todo sujo, a policia não sabia quem eram os pais, ninguém por ali sabia, conseguiram primeiro a guarda, como nunca houve alguma denuncia de desaparição, Marcel como trabalhava para o governo, conseguiu a adoção, ele já nessa época trabalhava na Sorbonne, dentro de sua especialidade, Yoruba.

Se apaixonou perdidamente pelo filho, o médico dizia que ele não devia ter mais que um ano de vida, estava meio desnutrido, o mais interessante, a tia do Marcel, fazia cargo dos meninos, com ele, ela só soltava um pigarro, ele entendia.

Era mais espontâneo que os outros dois.

Marcel morreu de uma maneira estupida, tinha ido ao médico, estava fazendo um tratamento para o coração, tinha o mesmo problema que seu pai, um dia estava na sua sala escrevendo, caiu duro para a frente.

Ele teve que se segurar, pois sentia-se perdido, mas tinha que pensar nos meninos.

Foi uma coisa complicada, quando Marcel soube que tinha problemas de coração, arrumou todos seus papeis, como eram casados, tudo passava para ele e os meninos.

Sua tia, basicamente veio morar com eles, sua mãe retornou com a família, para a Argélia, a tia ficou, embora fosse mulçumana, se vestia como tal, educava os meninos na religião que o Marcel sempre tinha cultivado.

Ele já era outra coisa, desde criança, quando se despediu do velho do rio, como ele dizia, esse fez um sinal para uma arvore imensa ali atrás de sua casa, apareceu um negro imenso, com a cara cheia de cicatrizes, primeiro se assustou, mas depois entendeu que era um espirito, um Exu, que o acompanhava toda sua vida, o ajudava, com ele conversava em Yoruba.

Marcel, conseguiu vê-lo antes de morrer, mas respeitava, por isso quando chegavam a Africa, logo ele era bem tratado, pois os Babalorixás, sabiam que era professor de Yoruba, mas também um deles.

As vezes as pessoas sem mais o paravam na rua, as auxiliava.

Mesmo Fethima, sabia, o respeitava, dizia que cada um tinha direito a ter suas crenças.

O ajudou a superar tudo, quase em seguida, no meio dessa confusão toda, sua irmã Lucrécia lhe avisou que seu pai tinha morrido, num acidente de carro, não sobrou muito dele, tivemos que enterrar imediatamente, tens que vir para a Leitura de Testamento, sem ti não se pode fazer nada, comento com ele, que seu outro irmão tinha se apossado da fazenda.

Ele disse que dentro de uma semana, entrava de férias, avisou que ia com sua família.

Pediu ao mesmo tempo, um tempo mais largo, tinha direito, queria saber se os meninos se acostumariam, tinha conhecido num congresso de Yoruba, o reitor da universidade de New Orleans, que quando soube que ele era de lá, o convidou para ir dar aulas por lá.

Talvez aceitasse, mas queria ver como funcionava.

Fora do aeroporto esperando estava Max, era um dos muitos irmãos não reconhecido, estava sem entender, pois Lucrécia quando lhe pediu para ir buscar Jean, disse, leva o furgão, é mais prático.

Jean Pierre, saiu sozinho, só com uma mochila, ele ainda pensou, todo esse carro para isso, quando se identificou, ele fez um sinal, saiu uma mulher toda tapada, com dois garotos magros empurrando um carrinho cheio de maletas, com um garoto negro sentado em cima.

Ficou desconcertado, quando ele lhe disse, minha família.

Levou um susto, quase o deixa cair no chão, quando Max, pulou de cima das maletas em cima dele.

Tinha escutado ele dizer que ele se chamava Max, começou a falar com ele, que ele também, como sempre, era um matraca, falava sem parar, nem respirar, foi preciso Jean, dizer, respire.

Só então Max entendeu que o garoto tinha o mesmo nome que ele, depois os apresentou aos dois rindo Billy e Paul, por último Fethima, sua tia.

Max queria ir na frente ao lado do homem negro que tinha o mesmo nome que ele, foi duro convence-lo ir atrás com os outros.

Me desculpe, mas ele é assim.

Tens uma família diferente, mas falta alguém?

Não, meu marido morreu a meses, infelizmente ele nos deixou.

Jean Pierre, estava era fascinado pela boca do Max, era daquelas rosadas, prontas para beijar.

Este lhe explicou, não sou teu irmão, mas sim, quase teu tio, teu pai, era meu irmão, quando o velho morreu eu tinha acabado de nascer na fazenda, nunca me reconheceu.

Mas teu pai, sempre me tratou bem, estou aqui na cidade, porque vosso irmão pensa que agora é dono de tudo.

Lucrécia me acolheu.

Ele nem se lembrava mais da Mansão familiar, os meninos quando desceram do carro, ficaram de boca aberta, viviam num belo apartamento em Paris, mas nada no gênero.

Lucrécia, saiu para recebe-los, era alguns anos mais nova que ele, mas tinha alguns fios de cabelos brancos na cabeça.

Ele apresentou os meninos, mas como sempre, Max, puxou seu vestido para ela abaixar para lhe dar um beijo, ele ia pedir desculpas, mas ela já estava com ele no colo.

Depois lhe apresentou Fethima, minha tia, lhe disse.

Já tinham falado sobre isso, era ela que cuidava dos meninos, enquanto ele estava trabalhando, ou quando os dois iam de viagem.

Cada um pegou sua bagagem, embora Max ajudasse, o pequeno, correu para sua maleta pequena, que ele mesmo tinha escolhido na loja, tinha um super herói estampado.

Deu a mão a Lucrécia, foram entrando.  No hall estavam todos os empregados esperando, dois deles, correram para pegar as maletas.

Eles olhavam deslumbrados o Hall, Max perguntou a tia, em árabe, se aquilo era um palácio.

Ele explicou a Lucrécia, com ela falam em árabe, pois os ensinou, pois Marcel sempre falou árabe, eles falam árabe, francês, inglês e Yoruba, ou seja, em casa sempre fomos assim.

Quando ele chegou ao que seria seu quarto, parou na porta em cima da cama, tinha um gato morto, alguém tinha feito uma bruxaria.

Ele fez um gesto que Fethima entendeu, levou os meninos, para outro lado, ele foi até a cama, com a Lucrécia horrorizada. Pegou as quatro pontas da colcha, rezando em Yoruba, desceu com ela, foi até a cozinha, as mulheres olharam assustadas, ele perguntou quem tinha feito isso.

Uma das empregadas mais jovem, tremia toda, nisso caiu no chão, ele mandou limpar a mesa da cozinha, deitou a mesma em cima, tinha convulsões, abriu sua boca, foi retirando uma coisa larga negra, como se fosse uma fumaça, disse ao Max, coloque fora, a colcha, vou levar isso, pediu uma garrafa de álcool, juntou toda essa coisa negra, falando em Yoruba, jogou álcool e fogo, o gato saiu correndo, ele irá perturbar quem fez isso.

Só pode ser coisa de nosso irmão, lá na fazenda tem uma mulher que o criou, que adora bruxarias.

Ninguém tinha visto que quem tinha feito tudo era o negro ao seu lado, o seu Exu.

Só Max, depois de tudo se virou, perguntou, quem é esse homem negro ao teu lado.

Ah, o consegues ver, sinal que gostou de ti, pois é raro as pessoas que o veem.

É o meu protetor, me acompanha desde garoto quando fui embora, falava com ele, em crioulo.

Rapidamente a menina, que estava em cima da mesa, disse que a mulher da fazenda é que tinha mandado fazer isso.

Não se preocupe, esse gato não vai a deixar em paz, por mais coisas que faça.

Ele subiu, a coisa começava mal, ele nem se lembrava desse outro irmão, ele no fundo era o mais velho do que seu pai tinha reconhecido, nem sabia quantos mais haviam.

O que lhe tinha surpreendido tinha sido Max, ser irmão de seu pai.

Lhe trocaram de quarto, ele tirou de sua maleta, uma vara de incenso deixou acesa no quarto.

Todos tomaram banho, depois desceram para comer, Lucrécia tinha mostrado a casa inteira para Fethima, que tinha retirado o véu da cara.

Só o usava na rua.

Os meninos estavam preguntando ao Max, qual a direção de Meca, para depois rezarem, ele explicou, que a não ser o pequeno, todos eram muçulmanos.

O tio Max, como chamava o Maxime outro, lhe pergunto como iam fazer agora que os dois tinham o mesmo nome.    Te chamarei de Junior, que parece?

Ele adorou, correu para o pai, perguntando se podia.

Virou-se para os irmãos dizendo, agora sou o Junior.

Sentava-se ao lado do pai para comer, ninguém esperava que Lucrécia, rezasse antes de comer, mas fizeram como viram o pai fazer, abaixar a cabeça, esperar até o final.

Os meninos depois subiram para descansar, levados pela tia.

Ele se sentou no salão imenso da casa, conversando com os dois, como era essa história que o outro tinha se apossado da fazenda.

Max lhe explicou, eu sempre administrei a mesma, com a idade vosso pai, o deixava fazer algumas coisas, mas ele colocou na cabeça, como vivias fora, não tinha direito a nada, quando ele morreu, procurou como um louco o testamente, chegou inclusive ser agressivo com o advogado, este lhe explicou, que era alguém de NYC, amigo de teu pai, o que vinha fazer a leitura, ele queria o nome do mesmo, a secretária do advogado daqui, teve que chamar a polícia, ele tem esse problema, não admite ser contrariado.

Voltou, tomou posse da fazenda, me colocou para fora, só não conseguiu colocar a mão no dinheiro do banco, pois imediatamente se fechou a conta.

Vamos ter problema então com ele, ainda fazer uma bruxaria, se ele soubesse que eu sou babalorixá, nem tinha se atrevido, começou a rir, esse gato não vai deixar os dois em paz.

A noite foi tranquila, com todos sentados no salão, Max ou Junior, foi passando de braço em braço até se chegar a ele, como fazia sempre, deitar nas suas pernas, para dormir.

Lucrécia perguntou de aonde ele era.

O encontrei na Nigeria, estava na rua, abandonado, não se sabe se ele era de lá, ou de outro lugar, era muito pequeno, não falava ainda.

Ele abriu um olho, falou em Yoruba, ele, me levou até meu pai, sinalizou o Exu que estava ali ao lado de seu protegido.

Com quem ele está falando?, perguntou Lucrécia, nesse momento ela o viu, abriu uma boca imensa, ah esse é o teu protetor, nosso pai falava nisso, que tinhas um protetor impressionante.

No dia seguinte, escutou uma gritaria imensa, quando desceu descalço, la estava o outro irmão, já o chamando de ladrão.

Ficou olhando para o mesmo, que volta e meia, fazia um movimento para retirar algo do ombro.

Deixe o gato em paz, lhe disse, diga a essa mulher que vai se lascar com o gato, nunca mais poderá fazer nada.

Esse ficou olhando para ele, quando esse cuspiu algo, era como pelo negro.

Foi embora batendo a porta.

Fethima, ficava com os garotos, eles tomaram café da manhã, estranharam ter tanta comida, só Junior, se arriscou provar alguma coisa.

Ele explicou a Lucrécia, os meninos não comem carne de porco, avise a cozinha.

Merda disse, ela, hoje teríamos porco assado.

Sem problemas, mas peça que faça outras coisas para eles.

Ela chamou uma das mulheres, lhe explicou, ela só balançou a cabeça.

Dali os três saíram em outro carro para o fórum.

Na sala estava um juiz, o advogado de New Orleans, bem como um homem altíssimo, muito branco, o advogado de NYC.

O juiz falou primeiro, meu amigo pediu um conselho, eu sugeri que mantivesse, seu testamento fora daqui.

Seu irmão só faltava espumar, na verdade era mais branco do que eles.

Primeiro o Juiz leu uma carta, muitos vão estranhar, mas na minha vida me apareceram tantos filhos que fiz teste de ADN, com todos, assim eliminava um problema para o testamento.

O advogado a um sinal do Juiz, começou, na verdade meus filhos são Jean Pierre, que também fez teste de ADN, bem como Lucrécia, ai soltou a bomba, disse o nome do outro, Tom, eu sempre desconfiei, sua mãe era branca, mas uma puta de um bar de estrada, o criei, para não ficar jogado, mas não é meu filho, por vias das dúvidas, fiz dois testes de ADN, sua mãe antes de morrer, confirmou, ela nem tinha ideia de quem ele podia ser filho, tinha feito sexo com tantos clientes, que era impossível.

O outro se levantou, mentira tudo isso, sou filho dele sim.

O advogado continuou imperturbável, fiz tudo para ajuda-lo, deixo para ele, falou de uma fazenda que tinha comprado a anos atrás, está administrada por uma família, essa será para ele, porque a fazenda original, bem como a casa de New Orleans, ficam para meus dois filhos, bem como para meus netos.

Eu quero essa que cuido eu.

O advogado pediu licença ao Juiz, cuida tu não, te apossaste da mesma expulsando teu tio de lá.

Ele é um bastardo.

O Juiz, soltou, como tu, ainda tens a sorte dele ter deixado alguma coisa, tens um dia para retirar suas coisas de lá.

Nisso, ele enfiou a mão na boca, tirou uma pata de dentro da mesma, esse bruxo me fez isso, vou denunciar a polícia.

Jean Pierre, fez um movimento, ele começou a contar para todos dali, como tinha conseguido que a bruxa que vivia num pântano da outra fazenda fizesse isso, mandar colocar um gato morto na cama que seria de Jean Pierre, agora esse filho da puta, não sai do meu ombro.

O juiz, os advogados olhavam assustado, cada tempo, ele tirava pelo da boca.

Mas não vou sair de lá, essa fazenda tem que ser minha, começou a gritar como um possesso, se jogou em cima do advogado de NYC, eres um mentiroso, meu pai só queria a mim.

Sou filho dele sim.

Tiveram que dois policiais, segura-lo.   O juiz mandou que o prendessem pela desordem no tribunal, bem que como dois psicólogos o analisassem.

O de NYC, seguiu lendo, a quem seu pai deixava dinheiro, em vida dei ao meu tio, umas terras, que ele já administra, mas peço que siga levando a fazenda, pois é o único que a entende.

Deixava dinheiro para as mulheres que trabalhavam na casa.

Quando saíram, depois de assinarem tudo, ele ainda foi com o advogado e Max ao banco, ficou de boca aberta, a quantidade de dinheiro que existia lá, além de uma conta a parte em nome dos garotos, incluído o Junior, para futuramente irem à universidade.

Max, fez um comentário, esse é um idiota, as terras que ele lhe deixou são excelentes, não entendo, ele sempre quis ser o único filho, inclusive ameaçava os que apareciam pedindo a paternidade de teu pai.    Falava que eres um desagradecido, viver sempre na França, teu pai lhe dava uns belos sermão, mas não adiantava, ele era o filho legitimo, os outros eram bastardos, quando a mãe morreu, teu pai, foi ao enterro, mas ele se negou, não conhecia essa mulher, essa puta.

Teriam que agora esperar para saber como fazer.

Dois dias depois o juiz os chamou outra vez. Creio que a coisa se complicou, segundo os psicólogos, ele tem um problema sério, creio que o mesmo explodiu quando teu pai morreu.

O mais complicado, foi que preso, alguém o chamou de bastardo, acabou com a cabeça do sujeito na barra de ferro da cela.

Agora será julgado por assassinato, mas creio mesmo que terá que ir para um hospital.

Ele de longe foi ver o outro, ficou parado, o Exu, sim entrou, ele começou a gritar, tirem esse negro daqui, odeio os negros.

Exu lhe comentou, que ele tinha feito tantas coisas, que acreditava eu tinham se virado contra ele, acho mesmo que teu pai morreu por culpa dele, alguém cortou o freio do carro.

Quando falaram com a polícia, se confirmou isso.

Quando lhe perguntaram, ele começou a rir, soltando uma gargalhada, desconfiava que esse velho ia me deixar de fora, como foi tantas vezes a NYC, me disse que ia fazer o testamento lá.

Imaginei que me deixaria de fora, por isso cortei os freio, filho da puta, o quis a vida inteira como meu pai.

Foi falando de todos os outros que ele tinha feito alguma coisa, esse velho filho da puta tinha o piru solto, fodia todas as mulheres, ainda fudeu minha mãe, essa puta de um bar da estrada.

A matei eu, a envenenei, através de minha amiga a bruxa.

A garota da cozinha tinha desaparecido, a mulher tampouco estava na outra fazenda.

Se comentava que ela tinha um gato podre no ombro, que não a deixava em paz.

Ele nesse tempo, pediu ao seu tio, para administrar a fazenda, foi honesto, não entendo merda nenhuma disso.

Foi sim olhar a universidade, havia outros professores de Yoruba, mas ele era o único que tinha doutoramento na área, além de várias pós-graduações.

O queria contratar, para dar aulas justamente nessa parte.

Os professores o receberam bem.

O escândalo da herança todo mundo sabia, mas ele se negava a falar no assunto.

Seu problema agora era conseguir escola para os meninos, descobriu que podiam estudar ali mesmo na universidade.

Quando os levou, o reitor ficou rindo muito com o Max Jr, que falava muito bem o Yoruba, inclusive fazia sons.

Quando foram para a fazenda, ele foi falando com todos dali, ia com os meninos, além de Lucrécia e Fethima, as mulheres estranhavam aquela mulher toda tapada, mas sua irmã explicava quem era.

Os maiores queriam sair a cavalo, o pequeno também, o jeito, foi o tio Max, o levar sentado na frente do seu.

Ele foi as cabanas do rio, foi falando com cada um, procurou pelo velho, mas segundo uma mulher tinha morrido a muitos anos.

Depois se sentou com tio Max, perguntou por que essa gente seguia vivendo assim, trabalham aqui.

Com o dinheiro que temos, graças a eles, vamos fazer, o seguinte, um levantamento quantos são na família, construir uma casas melhores, para cada família, eles escolhe, se querem que seja ali no rio, mas que tenham altura, por causa das enchentes do rio.

Tio Max, ria, falei tanto isso com teu pai, mas ele era cabeça dura, dizia que essas famílias sempre tinha vivido ali, que mais dava.

As crianças não iam a escola, ele mandou construir uma.

Se lembrou que era interessante, pois sua mãe tinha apesar de frequentar a alta sociedade, dificuldades para ler e escrever.

Tudo vai mudar.

Os meninos quando iam, se juntavam com os dali, nada de ficarem separados como antes.

Ele resolveu fazer o seguinte, trabalharia em New Orleans, alguns dias da semana, o resto passaria lá.

Construiu um boa escola, conseguiu uma professora, um professor, para ensinar os mais adiantados.

Mandou aumentar o salário do pessoal, proibiu os garotos de trabalharem no campo, tinham que ir a escola, mesmos seus filhos iam também juntos.

Agora ele atendia o pessoal numa cabana que fez construir ali, aonde tinha o velho, Fethima, cuidava da horta que o mesmo tinha, usava agora umas calças que Lucrécia tinha conseguido para ela..

Mesmo esta, passava mais tempo lá que na cidade.

Ia com ele, quando ia dar aulas, olhava a casa como estava, voltava para cuidar da imensa casa de fazenda, afinal era dela também.

Ela com isso, foi como apadrinhando as garotas da beira do rio, as que queriam estudar, anos depois as levava para New Orleans, para seguir alguma carreira, algumas seriam depois as seguintes professoras.

Mas o mais surpreendente, era o Max Junior, adorava estar na cabana com o pai, atendendo as pessoas que o vinham consultar.

Ia ele mesmo recolher as ervas que as vezes receitava, ajudava sua tia a cuidar delas, crescia mais que os outros dois, esses aprendiam com tio Max a administrar a fazenda, ele se matava de rir, pois parecia tudo encaixar.

O outro nunca saiu dos hospitais, foi piorando cada vez mais, agora achava que era seu próprio pai, os médicos dizia, que talvez por saber de verdade que não era filho do mesmo, tinha assumido uma personalidade para o agradar, copiava seus mínimos gestos.

Todas as mulheres que passavam por ele, as enfermeiras negras, dizia para elas que tinham que fuder, para terem filhos, bastardos, como ele.

Passava mais tempo dopado por sua agressividade.

Pior nunca saberiam de aonde tinha saído sua mãe, para verificar a história dela, bem como dele.

Tio Max, adorava os Billy e Paul, por o ajudarem, os dois o respeitavam, escutavam tudo que dizia, aprendiam. Quando foram a universidade, um foi estudar agronomia, o outro administração.

Um dia seu tio, lhe perguntou se nunca ia se apaixonar de novo.

Nem posso tio, agora cumpro meu desígnio, cuidar das pessoas, Marcel foi a única pessoa que amei na minha vida, desde o dia que conheci, até morrer.  Não creio que isso volte a acontecer, além de não ter tempo, tenho que cuidar da minha gente.

O mais interessante, o Exu lhe explicava, que futuramente Max Junior ocuparia seu lugar, só que ele foi estudar Medicina, seria um médico completo, como ele dizia, de corpo e almas.

Com os anos, Billy e Paul, se casaram com garotas dali, tiveram filhos, que seguiam formando parte da família.

Já Max Junior, disse que tinha um compromisso, o seu era cuidar das pessoas.

Tia Lucrécia viveu muitíssimo, o mesmo Fethima, essa com o tempo deixou de usar as roupas tradicionais,

Ele tinha ido a Paris, no final da licença que tinha, pediu demissão da universidade, bem como vendeu tudo por lá, depositou esse dinheiro na conta dos garotos, para o futuro deles.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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