BECKET
O dia que ele nasceu, o médico, falou para
seu pai, tens um novo Samuel Becket, não podia ser mais parecido com seu pai,
com uma juba vermelha.
Seu pai era filho de irlandeses, sua mãe de
ingleses, boa mistura, seu pai e ela eram muito brancos, ela loira de olhos
azuis, ele com cabelos vermelhos e olhos verdes, muito magro, gozavam dele, mas
era fibroso.
Serviu no exército, na unidade motorizada,
era mecânico, sua grande paixão, quando voltou, se casou com a namorada de toda
a vida, os dois pareciam eternos namorados, ele demorou para nascer, mas depois
o médico aconselhou que ela não ficasse gravida de novo, pois tinha passado os
últimos meses na cama.
Os dois o amaram imediatamente.
Como explicar isso agora ao homem que o
entrevistava, pois tinha colocado em sua ficha, que só aceitaria algum cargo,
se fosse na delegação de NYC, nunca devia ser transferido, sem sua autorização.
Quando o homem perguntou, ele respondeu
sinceramente, não posso ficar longe, só me resta minha mãe, ela precisa de mim,
tive que pagar uma senhora até o momento de acabar o curso, se os interessa
bem, senão, igualmente, vou embora, tenho outras ofertas.
Estavam interessados nele, porque nos dois
últimos anos da universidade, que tinha feito com bolsa de estudos, ele tinha
as notas mais altas, por isso tinha participado num curso de Analise de perfil.
Ou seja analisar psicologicamente algum
assassino.
Tinha tirado a nota mais alta, bem como foi
um dos poucos aceitados para uma segunda parte, nem sabia que a professora, era
do FBI.
Seu pai tinha morrido de uma maneira
idiota, vinha sendo assaltado regularmente por uma gang, fez uma coisa, colocou
uma câmera de vídeo, que filmava em 360ºgraus, por isso se via quem tinha
atirado nele.
Os mesmos tinham vindo no dia anterior, o
pai, com seu humor característico, disse ao rapazes, que o fizessem uma vez por
semana, pois todos os dias, ele preferia fechar a oficina mecânica, o cara não
gostou na maior lhe deu um tiro no peito.
Ele depois viu o vídeo, tirou uma cópia,
era sabido que a policia da região não fazia nada, depois deu o original ao
policial encarregado, o muito filho da puta, disse que esses não eram do
bairro.
Ele desde garoto para escapar do bullying,
usava um gorro negro na cabeça, para esconder seus cabelos vermelhos.
Passou primeiro a observar o policial, viu
que os rapazes, entregavam para ele uma parte, depois começou a seguir o tipo
que tinha atirado em seu pai.
De uma certa maneira, era um idiota, um dia
se escondeu no parque, levava com ele uma arma branca, nada demais, uma coisa
que seu pai usava na oficina, para raspar alguma coisa, afiou ao máximo.
Ele era como o pai, muito magro, mas
fibroso, tinha aprendido com ele, de garoto, a lutar boxe, seu pai tinha sido
campeão no exército.
Quando o sujeito passou a caminho de casa,
perguntou se tinha alguma droga, o levou até uma árvore, aonde sabia que ele
guarda no tronco, drogas, quando o sujeito ficou de costa, buscando algo dentro
do oco que tinha a mesma, lhe cortou rapidamente a jugular, o outro, nem teve
tempo de nada.
Saiu dali olimpicamente, o idiota tinha escolhido justo essa árvore,
pois ali não tinha sistema de vigilância.
Foi para casa tranquilamente, no outro dia
não se falava outra coisa, mas ele tinha feito uma coisa pior, levou toda a
droga, a escondeu na oficina do pai.
Esperou uns dias, foi pelo policial, sabia
que vivia sozinho, numa casa dessas, pegadas umas as outras, por detrás tinha
um beco, sempre escuro, pois a garotada, brincava de quebrar as lâmpadas.
Entrou por ali, tinha analisado muito tudo
isso, abriu a porta da cozinha, ficou escondido, quando o sujeito chegou,
colocou sua arma, bem como sua placa, logo na entrada numa gaveta, fechou a
mesma a chave.
Entendeu, antes ali, vivia ele com a
família.
Entrou na cozinha com a luz apagada,
descobriria depois por que ele não acendia as luzes, a mesma estava cortada.
Ele abriu uma geladeira, tirou uma cerveja,
quase riu, pois devia estar quente, não acendia a luz dentro, chegou
silenciosamente por detrás, fez a mesma coisa, cortou a jugular do sujeito.
Escondeu na gaveta da arma, toda a droga
que tinha tirado da árvore. Encontrou na
gaveta, olhando pela luz da rua, a gravação do sujeito matando seu pai.
Levou com ele, falando sem parar, filho da
puta.
Só foram descobrir dias depois, o mesmo,
mas não se falou nada das drogas, ele tinha feito uma fotografia do sujeito,
bem como da gaveta aberta, cheia de drogas, a placa, foi a cibercafé, o mais
distante possível, em Long Island, eles viviam no Brooklyn, mandou a mesma para
todos os jornais, principalmente aqueles que faziam escândalos, porque a
polícia não falava nada do crime, bem como da ligação do policial, com gangs do
bairro, junto uma foto deles, com os rapazes.
Foi um escândalo, mas ninguém descobriu que
tinha sido ele.
Ele todas as noites, via televisão com a
mãe, bem como, a colocava na cama, como ela fazia com ele, na infância. Agora se sentia desprotegida, sempre tinha
contado com o marido.
Portanto por um acaso apareceu a polícia,
perguntou se ele tinha saído, claro que não, do meu quarto, escutei vendo um
filme.
Examinaram a oficina que tinha um cartaz
para venda, eles viviam em cima.
Acabaram vendendo tudo, a uma construtora,
se mudaram para um apartamento menor, que daria menos trabalho a mãe, ele
dormia na sala num sofá cama.
Só havia na sala uma foto do casamento dos
dois, na mesa de cabeceira dela uma foto dos três.
Ele seguiu trabalhando como sempre, no
Macdonald perto de casa, no horário que saia da universidade, não tinha
vergonha disso.
A professora o tinha elogiado no final da
segunda parte, perguntou como ele tinha desenvolvido o sentido de observação.
Ele riu, quando aprendi boxe com meu pai,
ele me disse que eu tinha que observar o opositor, para saber o que este ia
fazer em seguida.
Ela chegou a rir, pois magro como era, o
imaginou lutando boxe.
Mostrou para ela, duas medalhas, de
campeonatos universitário.
Normalmente quem luta boxe, tem o nariz
partido?
Não se é observador.
Depois foi fácil, eu tinha sempre meus
opositores, era o melhor aluno na escola, todos queriam fazer bullying comigo,
além claro dos meus cabelos vermelhos, mas isso eu escondia num gorro, então
normalmente puxavam o mesmo para jogar no chão, pois eu fazia o sujeito que
tinha feito isso, se ajoelhar, pegar o mesmo com a boca, de joelhos me pedir
desculpas.
Quando o diretor reclamou com meu pai, este
lhe disse que tinha ensinado seu filho a fazer isso, não levar desafio para
casa.
O diretor o tinha chamado pois tinha feito
isso com seu filho, diante de todos os alunos.
As notas do sujeito eram baixas, mas o pai,
as aumentava, uma secretária que era cliente de meu pai, mostrou como o homem
fazia, mas o mesmo era apadrinhado por um político.
Meu pai sempre se valia dos seu clientes,
tinha um em especial, com quem ele se dava bem, era um juiz, que tinha servido
com ele.
Mostrou para ele, o que lhe tinha dado a
secretária, ele chamou alguém do departamento de educação, que disse que o
mesmo era apadrinhado de um deputado, o juiz foi atrás do mesmo, era um bom
filho da puta, um dia, o diretor sumiu, bem como o filho, além de todo o
dinheiro do caixa da escola.
Os professores adoraram, pois veio uma
mulher para o lugar do mesmo, era uma daquelas que entendem de educação.
Ele seguiu sendo o melhor, por isso ganhou
uma bolsa de estudos para estudar direito, queria ser como o juiz.
No enterro de seu pai, era impressionante,
as autoridades que tinha ali, inclusive o prefeito de NYC, o chefe de polícia
dali.
No enterro do policial, que tinha sido
adiado, foi sem ninguém, nem a ex-mulher ou os filhos apareceram.
Claro, o escândalo, mediático de saberem
que o filho da puta levava uma gang, foi um golpe baixo para a delegacia,
assuntos internos, tinha tomado conta da história, conseguiram pegar os outros,
todos confessaram que agiam inclusive nos roubos, orientados pelo policial.
Alguns pagavam proteção ao mesmo, mas esse
não fazia nada, era pior que muitos mafiosos.
O chefe da delegacia, acabou caindo, pois
tinha mandado tapar a história, o transferiram para Deus me livre, sem um cargo
oficial.
Claro tinha saído logo depois da
publicação, o mesmo dizendo que o sujeito era um bom policial, sempre tinha
estado as suas ordens.
Ele foi para Washington, fazer o curso, já
tinha uma bela base, com o que tinha feito na universidade.
De uma certa maneira, era uma saída, quando
teve que fazer o primeiro estágio, o mandaram para um escritório, desses que a
maioria defende acusados, mas não fazem nada, ganham dinheiro do governo para
defender os mesmos, mas nada.
Ficou horrorizado, sequer liam os
documentos que lhe mandava o juiz.
Como conhecia o amigo de seu pai, foi falar
com ele, com uma filmadora, gravou as conversas dos advogados, como ficavam os
papeis, acompanhou vários, a falar com os prisioneiros, que eles prometiam
proteger.
Depois no julgamento, que não faziam nada.
Como sempre, foi como atirar merda no
ventilador. Como tinha filmado tudo, fez igual, mandou para os jornais de
crimes, tinha que tomar cuidado, para não o ligarem com a morte do policial.
Mas não precisou ir longe, um preso, que
tinha uma gang, quando leu o jornal, que alguém lhe mandou, viu que o sujeito
não tinha feito nada, mandou tocar fogo no escritório, mas numa hora que
estivessem todos dentro, saíram correndo como baratas, as secretárias se
livraram, mas quando saíram os advogados, foram alvo fácil.
O juiz então analisou cada um, eram os
piores alunos nas universidades.
Criou um caso imenso, com o juiz que
escolhia os mesmo para defenderem os presos, inclusive um era filho do próprio.
Ele tinha analisado o homem cuidadosamente,
em seu tribunal, todos os grandes mafiosos, escapavam de um julgamento, logo
colocava uma multa, ou algo de dinheiro.
Ficou observando como o mesmo vivia, como
levava a vida, um carro de luxo, com chofer, pago pelo fórum, além de uma casa
requintada na praia, o mesmo tinha entrado com uma mão na frente outra atrás,
tinha ficado milionário.
Como seu estagio seguinte foi no fórum,
começou a procurar, provas contra o mesmo, tirava copia dos processos todos,
quando conseguiu provas suficientes, passou tudo para o FBI, na época fazia o
curso com a professora na universidade, ela lhe explicou como fazer.
Claro foram em cima do Juiz.
Mesmo o filho dele, morto, dizia que não
conhecia o mesmo, era impressionante a cara de pau do sujeito.
Ele tinha aguentado a vida inteira, os
professores mais inteligentes lhe perguntarem se era parente de Samuel Beckett,
isso seu pai tinha lhe falado.
Os dois somos irlandeses, mas veja o nome
dele é mais fino, tem dois “TT”, o nosso é da ralé, só tem um.
Quando respondia isso, as pessoas riam.
Finalmente aceitaram que ele ficasse na
central do FBI de NYC, durante o primeiro ano, seu trabalho era analisar os
relatórios dos outros investigadores, para formar uma ideia do prisioneiro ou
pessoa investigada.
Ele normalmente ficava atrás do espelho,
via muitos investigadores calejados, deixarem se enganar, analisava os mesmo,
um dia o chefe estava ao lado dele, estava furioso, pois era patente que o investigador,
estava se deixando engambelar pelo investigado.
Fez um sinal para ele, pois o tinha visto
ir anotando tudo.
Mandaram o mesmo sair, que ficasse na outra
sala, disse a um que estava ali, não o deixe sair da sala.
Começou o mesmo a fazer perguntas, o homem
se mexia na cadeira nervoso, ele a queima roupa, perguntou quanto tinha pagado
ao investigador, para fazer perguntas idiotas, pois veja, imagino que o senhor
tenha um, caixa dois, como todos, sonega impostos, com isso pode pagar bons
subornos, verdade.
A cara do homem era vermelha, começou a
suar, vamos investigar toda sua contabilidade, bem como sua conta bancaria,
além imagino que vamos encontrar, transferência de dinheiro para o exterior.
O homem soltou que era amigo do prefeito,
bem como tinha ajudado na sua campanha.
O que tem isso a ver com a investigação.
Somos federais, o prefeito não tem nada a ver com isso.
O chefe o estava deixando levar todo o
interrogatório, se o senhor quer, o chamarei agora, vamos perguntar se ele, vai
ajudar o senhor a escapar dessa, será que ele quer ser investigado por seus
contatos.
Sentiu um cheiro, o homem tinha se mijado
nas calças, soltou esse investigador, me disse que nada ia acontecer, que eu
respondesse suas perguntas, nada mais.
Quanto o senhor pagou para ele?
O mesmo soltou uma quantidade, já paguei
antes para ele.
O sujeito tinha tentado sair da sala que
estava, mas o policial trancou a porta, ele começou a bater no vidro que estava
passando mal.
Mas foi direto para uma cela, no mesmo
corredor do que ele tinha tirado dinheiro.
A partir desse dia, o chefe assistia com
ele os interrogatórios, todos faziam o melhor, sabiam que estavam sendo
observados.
Ele seguia vivendo sua vida simples, saia
do trabalho, ia para casa, substituía a senhora que cuidava de sua mãe. Um dia ao colocar a mesa para comerem, ela
perguntou se não iam esperar seu pai, ele deve estar para subir.
Foi quando soube que estava no inicio de
Alzaimer, falou com os médicos, como estava no sistema como sua dependente,
conseguiu para ela, ajudado pelo chefe, um lugar bom para ficar.
Assim pode arrumar a casa de outra maneira
mais pratica, a tinha montado como tinham em cima da oficina.
Se livrou de muitos moveis velhos,
aproveitou para ver todas as lembranças dela, guardada desde que conhecia seu
pai. Achou inclusive o diário que tinha
escrito, durante o tempo que ele tinha servido o exército.
Foi emocionante ler isso tudo.
Guardou pensou, um dia poderei escrever um
livro sobre os dois.
No trabalho continuou igual, sempre era
considerado como bom, subiram chefes, desapareceram no mapa, mas ele continuava
ali.
Uma vez por semana, ou duas, conforme o
tempo livre ia ver a mãe, agora ela o confundia com seu pai, falava com ele,
quanta falta sentia, se essa guerra nunca ia acabar, estava cansada de ficar
esperando, as vezes tinha o humor de dizer que ali aonde vivia, tinha um homem
que a olhava muito, apontou para o médico, esse quer casar comigo, se não
voltas rápido, vou fugir com ele.
Tudo dela sempre tinha girado em torno ao
seu pai.
Muitos comentavam que sempre o viam
sozinho, como dizer aos mesmo, que quando conhecia alguém o primeiro que fazia
por instinto era analisar a pessoa, as vezes se maldizia por isso, pois
realmente não dava abertura para ninguém.
Um dia no cinema conheceu um homem que se
sentou ao seu lado, colocou a mão em sua perna, disse simplesmente, a muito
tempo o observo, vens sozinho ao cinema.
Olhou o homem espantado, nunca o tinha
visto.
Quando saíram dali o homem o levou a sua
casa, se entrava por um beco.
Não era longe do cinema, fizeram um sexo
fantástico, depois começou a olhar seu apartamento, rindo, pois sem querer o
estava analisando, tudo ali era muito simples como o seu.
O outro lhe contou que a muito tempo vivia
sozinho, sou professor da universidade, mas nunca tive família, sempre tive
medo de ter uma, pois venho de algo muito complicado, pais divorciados, um
irmão para cada lado.
Tive a sorte de ser educado por uma tia
solteirona, o mais interessante, essa casa era dela, a mantive igual, só
tínhamos o necessário, dizia que para que mais, se quando morremos, não levamos
nada para o outro lado. Só minha
paixão, que era a mesma que a sua, livros, o levou ao que poderia dizer que era
uma biblioteca, era a sala dupla da casa, nada de sala de jantar tudo era o
mesmo, livros por todos os lados, era a única janela que dava para a rua da
frente, ou avenida.
Ele adorou aquele lugar.
Marcavam de se encontrar, depois iam para
sua casa.
Um dia estranhou, pois ele não apareceu,
foi até sua casa, estava tudo aberto, o encontrou justo nesse salão, com um
tiro no peito, chamou imediatamente a polícia, nem pensou nas consequências.
Ele era buscado em vários lugares, era um
assassino que fazia tudo por encomenda, nunca viam a cara dele.
Examinando seus livros, quem tinha estado
ali, tinha rebuscado entre eles, se lembrou que ele tinha comentado, que ali
existia uma saleta a mais, escondida, aonde escrevo, disse.
Roubou umas chaves que estavam ali, os da
cientifica não acharam nada, mas ele sim, observou quando ele falava, aqui tem
mais uma saleta, sem querer apontava numa direção.
Buscou ali, foi passando a mão pela
estante, com luvas é claro, deu com um botão, no que apertou o mesmo, se abriu
a estante, tinha um movimento limpo, por isso o chão não estava arranhado.
Ficou rindo, tudo ali, estava em ordem por
ano, em cima do laptop, tinha um bilhete, sei que vai encontrar esse local, te
sinalizei de proposito, sei quem eres, mas me apaixonei por ti.
Leve, estude tudo, indicava aonde tinha uma
série de disco duros, os livros estão todos nesse discos duros, mas feche a
porta ao sair, nunca vão descobrir esse local, se te interessa, podes comprar
esse apartamento, deu como falar com um advogado.
Falavam dele, com esse relacionamento com
um assassino.
Quando buscou o disco duro, mais antigo,
referente aos primeiros livros, entendeu.
Ele comentava de sua família, eram
mafiosos, a tia com quem ele foi viver, tinha se especializado em atirar, ela
assassinava de longe, os homens que a família queria se livrar, policiais,
juízes, casos pelo visto nunca resolvidos, pois não encontravam nada.
Ela o ensinou a trabalha, a atirar.
Quando te vi a primeira vez, numa cena de
um crime, vi, esse homem é especialista, eu por acaso passava por ali, vi como
agias, não me pergunte como, me apaixonei por ti.
Mas minha família quer se livrar de mim, se
me encontra morto, busque meu irmão pequeno, tenho toda a trajetória dele, no
livro referente ao último ano, o venho seguindo a tempo, é um assassino em
série, vocês nunca conseguiram encontrar nada dele.
Foi ao tal livro, ficou de boca aberta,
realmente ele relatava cada crime do irmão, esse não sabia que ele o observava.
Deixo para ti, para parar-seus pés.
Ele fez uma coisa, buscou o inspector que
seguia com seus casos, mostrou para ele as provas, mas não podia dizer de aonde
tinha tirado.
Conseguiram colocar as mãos em cima do
mesmo, normalmente ele assassinava um casal, que tratasse mal seus filhos,
sempre tinham essa característica, ou andavam nas drogas, coisas que tinham que
ver com sua família.
Quando o pegaram, soltou, encontraram os
registros desse filho da puta, me ameaçou de contar para a polícia se eu não
parasse.
Mas essa gente merece, os primeiro que
matei, foram nossos, pais, que escaparam nos deixando nas mãos da família.
Estavam as provas todas ali, ele foi
condenado a perpetua.
Quando falou com ele, soltou, sei que
tinhas uma aventura com ele, quando me viu, nem sequer racionou, só disse que
tinha todas as provas contra mim, descubra aonde. Aquela quantidade de livros,
era impossível, ele foi o que teve sorte, essa tia nossa, podia ser o que
fosse, mas lhe deu uma boa educação, ele chegou realmente a ser professor
universitário, nunca esteve envolvido com a família.
Sabia o que ele fazia, assassinatos por
encargo, mas antes de aceitar, ia analisar a pessoa que devia matar, se a mesma
merecia.
Senão não aceitava fazer o trabalho, o
melhor era que o cliente, mal sabia que ele o gravava, então sabia o seu número
de telefone, quem era, ia pesquisar o mesmo, as vezes acabava ao contrário,
matando quem encomendava o crime.
Tirou uma cópia desses discos duros,
passaram a analisar, desde a época de sua tia, conseguiu para isso montar um
departamento, ele garoto anotando tudo que ela fazia.
Os nome das pessoas, quem encarregava, a
maioria estava morta, mas conseguiram ir fechando uma série de crimes.
Relatava o primeiro dele, na universidade,
ela tinha caído, não podia executar, mas queria o dinheiro, precisavam dele,
para seu tratamento.
Ele fez em seu lugar, contra a vontade
dela, seus últimos anos, ela foi lhe ensinando como passar desapercebido, como
desenvolver o sentido da observação.
Foi saber com o advogado do cartão, a quem
pertencia o apartamento, o tinha deixado para uma igreja, que não sabe o que
fazer com ele, ninguém quer esse apartamento, com essa biblioteca imensa.
Eu sim, soltou ele sem pensar, vendeu o
apartamento que vivia, a muitos anos aplicava o dinheiro da venda da oficina do
pai, do outro apartamento, pode comprar esse tranquilamente.
Fazia o mesmo que ele, entrava pela
traseira, descobriu também que podia fazer o mesmo através de um restaurante
chinês, se sentava na última mesa, perto da cozinha, comia, saia como se fosse
ao banheiro, tinha ao lado a entrada do edifício por detrás.
Nunca entrava pela frente, só levou para
esse apartamento a caixa com as coisas de sua mãe, além de um pouco de roupa.
Depois disso, percebeu que era seguido
sempre que saia de noite, um dia pegou a pessoa, levou um susto, era um antigo
chefe dele. Disse que a central tinha
ficado desconfiado dele, com a história desse homem.
Fez uma coisa que não esperava nunca fazer,
tinha descoberto no apartamento, nessa saleta, um cofre, era fácil de abrir o
mesmo, ali estava cheio de dinheiro, além claro de contas fora do pais.
Posso viver disso.
Pediu as contas, sabia que durante muito
tempo o estariam observando, mas ele nesse ponto era o melhor. Cada vez que pegava um o seguindo, fazia uma
coisa, o prendia com suas próprias algemas, abaixava suas calças, o deixava sem
ela, num beco.
Ia embora tranquilamente.
Finalmente o liberaram, mas assinou um
documento que jamais ia escrever sobre os casos que tinha resolvido.
Não precisava, ia sim escrever sobre os
casos da tia, principalmente o que seu amado tinha feito, por incrível que
pareça, não o condenava, os que ele matava, tinham feito coisas erradas, mesmo
quando matava quem ordenava, era igual, eram filhos da puta.
Arrumou a casa de outra maneira, aprendeu a
cozinhar, coisa que nunca tinha feito.
Vivia aparentemente modestamente, só fez
uma coisa, colocou uma câmera de segurança nas duas entradas, embora uma nunca
usasse, tudo que se gravava ia direto a esse pequeno escritório, ali também
estava a central de hi-fi da casa.
Mantinha sua rotina, uma dia ao visitar sua
mãe, ela falou pensando como sempre que era seu pai, da sua infância naquela
família tão rara.
Disse inclusive o endereço, foi lá olhar,
era uma imensa casa estilo inglês, se informou por ali, ficou sabendo que o
dono original, era um Lord inglês, que tinha negócios nos Estados Unidos, que
quando a guerra ia começar, transladou toda a família para lá, inclusive os
empregados.
Quando mencionou o nome de solteira da mãe,
o homem disse que esse sobrenome era do mordomo.
Havia uma coisa rara, pois todos da casa
eram criados juntos, iam a mesma escola, acho que essa moça, era a única
distinta, essa ia a escola pública, lhe deu a direção, conseguiu tudo sobre
essa época de sua mãe, era uma aluna brilhante pelo visto.
Quem sabe dela é uma velha professora, foi
falar com a mesma que beirava os 98 anos, riu muito quando o viu, soltou na
maior, Samuel Becket, sim os dois estudavam juntos, eram brilhantes, o pai dele
tinha uma oficina mecânica, os da mansão não gostaram que ela se misturasse com
ele.
Mas ela esperou ele voltar da guerra, se
casaram, pois eram maior de idade, foram embora daqui. O que restou da família toda, voltou para
Inglaterra, a mansão foi vendida, se dizia que o pai dela, era mordomo, mas
parece que era filho bastardo do Lord.
Saiu dali, rindo à toa, quando voltou,
sabia que estava sendo seguido, queriam saber o que ele estava fazendo ali, só
disse para a pessoa, hoje estou de bom humor, isso tinha sido no trem, só o
deixou fechado no banheiro do mesmo, desceu uma estação antes, tomou um taxi para
casa.
Se fechou em ler o diário de sua mãe, nele
ela escrevia tudo, falando da família do Lord, bem como de seu pai, sempre tão
serviçal, sem nunca tocar no assunto referente a ligação com a família.
Estava desesperada, pois o Lord, queria
levar toda a família para Londres, bem como os empregados, alguns queriam
ficar, pois tinham uma vida melhor.
Anotou os nomes para procurar.
Na visita seguinte, falou da casa com ela,
ela ria, como quando ele era criança, colocava a mão na frente da boca, me
lembro dessas coisas como se tivesse acontecido ontem.
Por sorte vieste me buscar no último
momento, foi quando fugimos, meu pai tinha um casamento arranjado para mim com
um professor, mas em Londres.
Ia odiar voltar para lá.
Segurava a mão dele, dizia, verdade a
partir desse momento fomos felizes, nunca comemos perdizes, mas tivemos sorte.
Escreveu tudo como forma de um romance,
falava do medo dela dele não voltar, que morresse na guerra.
Fez uma história que de um lado poderia ter
sido transformada numa coisa água com açúcar, ou mesmo um livro para uma
solteirona, como ela anotava os nomes das pessoas, falava da professora, que a
incentivava a construir sua própria família.
Revisou o livro mil vezes, colocou o nome
dela na história Marie Becket, levou para um editor que tinha ajudado uma vez,
comentou com ele que era a história de sua mãe.
Ele queria seu endereço, fez uma coisa que
pensou muito, ali nunca via um carteiro, foi ao correio alugou um caixa de
correio. O homem disse que tinha outra
caixa com a mesma direção, ele com a desculpa que era de seu irmão, levou todas
as cartas que estavam ali, do seu amigo.
O livro foi editado, mandou um para a
professora, outro levou para sua mãe, ela disse que tinha perdido o hábito de
ler, ele fazia uma coisa, a cada visita contava um capítulo, ela ficava rindo.
Um dia chegou para visita-la, tinha morrido
essa manhã.
Providenciou tudo, a enterrou ao lado do
Pai.
Agora estão juntos outra vez, pensou,
ninguém foi ao enterro, eles tampouco iam a igreja, então não saberia aonde
fazer uma cerimônia, tinha feito uma no lugar que ela vivia, no carro fúnebre
ia só ele.
Agora tinha o hábito de ir sentar-se no
cemitério ao pés do tumulo, tinha um banco, ficava ali conversando com os dois,
a respeito do que estava escrevendo.
Escrevia sobre o primeiro crime de Augusto
Maggiore, era interessante, ele anotava tudo com detalhe, como tinha resgatado
cada processo sem conclusão da polícia, podia comparar as duas coisas.
Inventou um inspector, que ficava furioso
por nunca encontrar quem tinha feito isso, o crime era perfeito, sem uma prova
sequer.
Ele analisava quem tinha encomendado, como
faziam contato, através da caixa postal, descobria o endereço do mesmo, de
outro lado analisava quem deveria ser assassinado, o que tinha feito o mesmo,
para quererem isso.
Havia uma coisa, só aceitava dinheiro vivo,
que chegava numa caixa, para a caixa postal, então, estava seguro segundo
pensava.
Detalhou esse crime que sua tia não podia
ter executado, pois estava já mal, precisavam do dinheiro para seu tratamento.
Anteriormente ela trabalhava para a
família, muitos a consideravam um monstro, pois o fazia com a maior frieza
possível, nunca deixava nenhuma prova no local.
Claro colocou vários ingredientes de livros
de novela negra na história, não escreveu como ele fazia friamente, usava esses
dados para criar uma história.
Fez tanto sucesso como o de sua mãe, ele
tinha trocado o nome de Augusto Maggiore, por um nome mais irlandês Samuel
Godot, homenageando quem todo mundo pensava que era seu parente.
Agora era inverno, usava os cabelos que
estavam ficando ralos, curtos, sempre com uma gorro como usavam os jovens,
criou para ele mesmo um uniforme, umas calças cinzas, todas, iguais, camiseta,
no inverno uma de lã de gola alta, uma velha gabardina, que encontrou em uma
loja de segunda mão, mas nunca ia as entrevistas, tampouco a tardes de
autógrafos.
Mas fazia sucesso.
Quando ia pela terceira história, lhe
chamaram, pois estava contando a história que ele tinha descoberto, se matou de
rir, vocês sempre tão observadores, olhem o nome que escrevi renunciando a
nunca falar de nada.
Lá estava escrito Esperando Godot, mas com
uma letra confusa.
Não fui eu que assinei nada disso, eles não
podiam fazer nada, pois na verdade, não tinham resolvido esse crime, na verdade
a maioria estava prescrito.
O fato de não dar entrevistas, nem tardes
de autografo, fazia crescer uma impressionante curiosidade sobre ele.
O dia que ia ao editor levar algum, texto
novo, na verdade já tinha revisado tanto o mesmo, seja gramaticalmente, que
nunca tinha que voltar.
Passou depois que um jornalista, alguém de
dentro, disse que ele iria lá, o seguiu, quando pegou o mesmo, era um tipo
bonito, o deixou seguir, era de noite, inverno, se escondeu, o pegou de
surpresa, abaixou as calças dele, fez sexo com ele ali mesmo no beco.
Esse ficou como louco.
Quem eres, por favor.
Ele ao contrário, foi pesquisar quem era o
mesmo, era um sujeito sério, tinha se forjado, escrevendo realmente sobre o
livro, nunca sobre o escritor, fofocas essas coisas.
Sabia aonde ele comia, bem como seus
gostos, suas idas ao teatro, gostava de coisas clássicas, sabia tudo sobre ele,
um dia o sequestrou o levou para sua casa, mas antes, lhe colocou uma venda.
Sei que eres tu, sinto teu cheiro, não
consigo te tirar da minha cabeça.
Tiveram uma noite sensacional.
Agora já sabes quem eu sou, mas eu sei mais
sobre ti, falou desde a saída dele de um orfanato, seu primeiro trabalho no
jornal que trabalhava até hoje.
Esse se matava de rir.
Pareces um desses homens do governo,
especializados em analisar perfis.
Eu já fui isso, se prometes nunca publicar,
lhe contou sua história, inclusive seu romance com o Augusto Maggiore, esse
crimes realmente existiram, ele era professor da universidade de literatura,
escrevia sobre os crimes que cometeu, falou dos detalhes, mas nunca transformou
em livros, isso faço eu. O amei muito,
foi o primeiro homem em minha vida, que não quis analisar.
Foram se encontrando, quando lançou o livro
seguinte, ele fez a crítica, falava de um escritor que se metia na pele de
outra pessoa, sem julgar a mesma, apenas relatava o que tinha acontecido.
Se passaram muitos anos, o último livro que
ele escreveu, foi justamente sobre o encontro dos dois, primeiro ele seguindo o
homem que achava perfeito, por analisar uma cena de um crime, como devia ser,
depois porque tinha se apaixonado por ele.
A ele deixarei todas minhas histórias, tudo
que fiz, porque achava certo fazer, nunca matei ninguém que não o merecesse.
Os dois já tinham sua idade, o FBI,
finalmente o tinha deixado em paz, mas tinha pelo menos encontrado sua meia
laranja, Max Smith, inclusive o acompanhava em suas idas ao cemitério, ora para
visitar seus pais, ou Augusto Maggiore.
As vezes sonhava com ele, este lhe dizia
que tinha inveja do Max Smith, por viver o que ele tinha sonhado.
Num dos livros, ele comentava da
universidade, foi até lá para saber se realmente tinha sido professor. Tomou uma surpresa, foi atendido pelo
reitor, perguntou se sabia alguma coisa, dele, pois tinha desaparecido no
ar. Foi o melhor professor de literatura
que tivemos, era especializado em autores hoje em dia desaparecidos, mas
especialmente Samuel Beckett, era um apaixonado de “Esperando Godot”.
Lhe perguntou se tinha lido algum livro de Samuel
Godot?
Minha mulher lê todos, pois sabia que era
ele, tinha dupla personalidade, era professor aqui, ao mesmo tempo, fazia
exatamente isso que contam os livros.
O reitor disse que conhecia muito pouco a
vida de Augusto, mas sua mulher sim, com ela tinha largas conversas, nunca me
diz o que falavam.
Um dia foi jantar com Max, na casa deles,
eram dois senhores maiores, ele ainda continuava como decano, não sei fazer
outra coisa, se deixo fico com a ideia de que vou morrer.
Ela sim sabia dele, da biblioteca que tinha
em sua casa, nunca soube aonde, pois quando me levou, chegou uma hora que me
colocou uma venda nos olhos, fiquei pasma dessa biblioteca monstruosa, por
aonde se via, tinha livros até o teto.
Sabia que tinha uma vida dupla, mas nunca
me falou a respeito.
Max se matava de rir, dessas coisas, mas
nunca escreveu nada a respeito.
O decano, disse que o escritório dele,
estava igual como sempre tinha sido, eu sempre pensei que um dia ia voltar.
Foi um dia com Max, a mulher do decano, lá,
abriu a porta, parecia um santuário, era a mesma coisa, estantes até o teto,
várias versões dos livros de Samuel Beckett, em várias línguas, Esperando
Godot, ainda mais, inclusive tinha uma em mandarim, quem tinha feito uma
tradução tinha feito uma dedicatória, ao homem que mais sabe desse escritor.
Agora tinha uma pulga atrás da orelha, foi
analisar desde o dia que ele o ficava observando.
Havia uma nota ao pé dessa pagina que não
estava no computador, ufa, encontrei um descendente ou parente do homem que faz
parte de meus sonhos literários, Samuel Beckett, até o nome é parecido.
Na verdade na primeira noite juntos, tinha
lhe perguntado isso, falou como seu pai, fazia, nos falta um “T”, somos a parte
da família pobre.
Ele tinha se matado de rir.
Agora entendia sua curiosidade a respeito
dele, bem como o tinha amado profundamente.
Não ia escrever sobre como tinha morrido,
tinha tomado essa decisão, apenas escreveu o último, em que os dois personagens
se conhecem, o inspector pensa que o conhece profundamente, sem querer está
apaixonado por esse homem que é perfeito para ele.
Mas não fala em relacionamento, nem prisão,
a última cena do livro é os dois sentados na biblioteca, conversando, como
faziam muitas vezes, de mãos dadas.
Agora o fazia com Max.
Estavam naquela idade, que gostavam como
levavam a vida, um cuidando do outro, as vezes acompanhava Max, para assistir
alguma montagem.
Sem querer tinha se especializado em Samuel
Beckett, tinha lido todos seus livros, mas sua paixão como Augusto, era
justamente “Esperando Godot”, se pudesse ter tido a oportunidade como ele que
tinha sonhado em conhecer o autor, iria conversar com ele.
Hoje em dia segundo o decano, poucos sabiam
sobre esses escritores, fazia uma maldade, se a maioria desse pais, nem sabe
quem foi Mark Twain, imagina os irlandeses.
Que eram tidos como malditos, por aqui.
A BBC, se interessou pelos livros, queria
fazer uma série, mas que fosse passada lá.
Pensou muito, não precisava de dinheiro,
tinha suficiente, até o fim de seus dias.
A única coisa que fez, pois sonhavam em ir
viver numa cabana, nas montanhas, foi conversar com o Decano, juntariam as duas
bibliotecas, a de seu gabinete, com tudo que estava ali, só uma coisa ficou, o
que era o registo de sua tia, bem como dele, não abriu o lugar secreto.
Quando venderam o apartamento, deu uma
parte do dinheiro para o orfanato de aonde tinha saído o Max, esse adorou, o
resto usaram para comprar o lugar aonde iam sempre, agora era deles.
Lá ele fez uma fogueira com todo o registro
de Augusto, já estava nos livros mesmo.
Max tinha se aposentado do Jornal, mesmo
assim os dois não perderam um hábito, de ler, foram sem querer construindo uma
biblioteca, nova ali na cabana que era grande, ficava no alto de uma montanha,
com uma vista imensa de um lago embaixo.
Max dizia o que sua mãe tinha falado para
ele, nunca comemos perdizes, mas somos felizes.
Um dia foram a um restaurante, o mesmo
servia perdizes, ficaram rindo, acharam melhor não comer, podemos estragar
tudo.
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