HAROLD BLOOM
Meu pai, James Bloom era professor de
literatura da universidade de Dublin, justamente na época complicada, IRA
versus SINN FEIN, quando lhe perguntavam sua religião, ele se safava bem,
porque era Judeu, ia a sinagoga de Dublin, na maior, as vezes algum professor
católico o provocava, mas ele não entrava na dança.
Ele era o único da família que professava a
religião do avô, o resto nem sabia o que era.
Minha mãe a conheceu na universidade, veio fazer um curso sobre James
Joyce, achou interessante ele ter o sobrenome do personagem de um livro dele,
justamente Ulysses, começaram a conversar, se deram bem, ela foi ficando, ele
vivia fora do lugar familiar, num apartamento relativamente perto da
universidade, na verdade era um grande salão de uma casa antiga que tinha sido
divida em apartamento, tudo o que tinha na época, era uma cama imensa, era
muito alto, além de uma mesa aonde colocava seu trabalho, o resto eram estantes
de livros, um banheiro mínimo, que ela ria sempre depois comentando, que quando
viu o mesmo, ficou imaginando ele tomar banho ali.
Ao contrário dele que tinha 1,98metros de
altura, ela tinha 1,69 metros, loira de olhos azuis, judia como ele, quando
acabou seu trabalho, tinha que voltar, se casaram.
Dois anos depois nasci eu, parecia karma,
pois dava aulas numa escola do governo, rompeu águas antes do tempo ali mesmo
na sala de aulas, uma aluna saiu correndo para pedir uma ambulância, mas foi
socorrida por uma enfermeira que trabalhava lá.
Pariu ali mesmo, ou seja eu nasci no lugar
adequado, colocaram meu nome Harold, Harold Stein Bloom.
Claro tiveram que mudar, como os dois
trabalhava, conseguiram um apartamento que coubesse os livros de meu pai, com
isso, comíamos na cozinha, nada de sala de jantar ou sala de visita, tudo era
domínio dele.
Eu tinha uns onze para doze anos, quando vi
em cima da mesa, Ulisses de James Joice, o levei para meu pequeno quarto, era
realmente pequeno, até mesmo a janela o era.
O li inteiro, era como fosse descobrindo
uma parte de Dublin que não conhecia, mas não disse uma palavra, o livro era da
minha mãe, que o procurou durante semanas.
Quando o descobriu no meu quarto, cheio de
pedaços de papel com anotações, me chamou, nos sentamos nessa mesa imensa,
território dele.
Foi analisando comigo, cada detalhe que eu
tinha anotado.
Ria muito, quando ele chegou de noite,
mostrou para ele, foi interessante, me olhou como se me visse pela primeira
vez, nunca chegava muito perto de mim, fiquei espantado, ainda pensei, o que
ele olha.
Se sentou do outro lado da mesa, abriu o
livro por acaso, mais para o final do mesmo, pegou o papel que estava ali, me
fez uma pergunta, eu disse qual o parágrafo que ele se referia, veja bem,
teríamos que voltar a pagina anterior, citei de cabeça a que me referia,
comecei a falar, ele me cortou, argumentando uma coisa que eu não tinha falado,
mas que ele pensava.
Soltei na cara dele, o senhor fala assim,
porque é pedante como professor, está em cima de um pedestal. O escuto falar
com seus companheiros, vejo que nunca entenderam esse senhor, alguns falam
horrores dele, mas se analisam de outra maneira, ele simplesmente fala de uma
coisa corrente, talvez use palavras difíceis, eu mesmo tive que ir atrás delas
no dicionário.
Minha mãe se matava de rir, pois quando
esse pessoal aparecia, discutindo, ela se levantava, ia para a cozinha preparar
um chá, mas ficava por lá.
Dizia que esses irlandeses, eram muito
chatos.
Todos usavam uma linguagem pedante, como só
eles soubessem de tudo, meu pai era assim.
Se sentiu desarmado, mostrei o erro de seu
raciocínio.
A historia se passava durante 18 horas, o
personagem andava por Dublin, por curiosidade, eu tinha lido a história grega
da biblioteca da escola, por isso sabia das duas.
Ao contrário do personagem de James Joyce,
o outro Ulisses, tinha andado anos, enrolado com sua vida.
Sem querer falei no alto de minha
ignorância, reconhecia isso, não tinha vivido para saber, acho que a tal mulher
dele era uma chata, foi o jeito dele não voltar para casa.
Minha mãe se matou de rir, disse que
pensava o mesmo, meu filho, muitos homens fazem isso, porque crês que
inventaram os Pubs.
Meu pai me olhava, pois tinha falado em
sério.
Agora permitia ficar na sala grande, quando
vinham os amigos dele.
Escutava a todos, mas tinha um professor,
que me espantava, falava muito, os outros ficavam quietos, até que descobrir
que o mesmo era como um chefe de departamento, que ele tinha o poder e a gloria
de os mandar a merda.
O mesmo além de pedante, era tonto, minha
mãe dizia que estava no cargo, porque tinha costas quentes, algum parente, com
poder.
As vezes tinha vontade de o mandar ficar
quieto sem dizer nada.
Um dia começou a falar de Godot, que era um
texto de teatro de outro escritor Samuel Becket, fiquei curioso, fui procurar o
livro na biblioteca de meu pai, encontrei dois, um escrito em inglês, outro
numa língua diferente, Gaélico, achei o máximo, fui perguntar a uma professora,
ela me indicou um professor a beira da aposentadoria, esse riu muito, disse que
ninguém mais se interessava.
Comecei a fazer aulas com ele, depois que
levei um papel, para minha mãe assinar, nesse dia estava distraída, com alguma
coisa que a preocupava.
Chegava mais tarde em casa, vinha morto de
fome, um dia cheguei, a vi sentada na mesa, com as mãos cobrindo sua cara.
Fiquei assustado, me contou que
anteriormente tinham lhe avisado que sua mãe estava mal, que claro não havia
dinheiro para ir a NYC, agora sabia que ela tinha morrido.
O mais interessante, foi que dois dias
depois chegaram duas passagens, uma para mim, outra para ela, lá fomos os dois
para NYC, levei os dois livros comigo, achava graça, pois os garotos da minha
idade liam comics, eu ao contrário lia dois escritores considerados pelos
outros, pesados.
Nos foi buscar no aeroporto, um homem que
me caiu bem de primeira, meu tio Tom Stein, a primeira coisa que fez, foi
despentear meus cabelos, que eu adorei, meu pai quando muito me dizia olá, ou
me chamava de garoto.
Nos primeiros dias não entendi muito, pois
ela tinha levado todos meus documentos, levei um susto quando um dias os dois
se sentaram comigo, para me dizer que ela se divorciava de meu pai, que agora
viveríamos ali, no Brooklyn na casa familiar, aonde só vivia ele.
Tínhamos ido cemitério judio Beth Olam, ali
no Brooklyn, aonde já estavam meu avô, os bisavôs, toda a família, inclusive um
irmão de minha mãe que tinha morrido na guerra.
Tio Tom, trabalhava com dinheiro segundo
ele, na bolsa de valores de NYC, se vestia bem, era diferente dos amigos de meu
pai, sempre falava comigo, quando viu os dois livros me pediu emprestado, logo
conversava comigo, trocando ideias, eu me sentia bem com isso, me dava valor.
Fomos a Dublin, meu pai ficou uma fera, não
lhe queria dar o divórcio, mas meu tio contratou um advogado dos bons, foi
quando descobri que nos últimos anos, quem sustentava a casa era ela, pois ele
gastava maior parte de seu salário com livros, como se fosse um estudante
solteiro.
Caiu na besteira de falar com o juiz, que
se tinha casado, só porque ela tinha ficado gravida, estava bem com minha vida.
O juiz não teve piedade, devia depositar
uma mesada para mim, ela não queria nada dele.
Voltamos para NYC, a única coisa que pedi
para levar, foi alguns livros, fui me despedir do meu velho amigo o professor
de Gaélico, me deu o endereço de um professor que tinha sido aluno dele.
Falei com meu tio, que gostava de estudar
línguas, nunca se sabia o dia de amanhã.
Ele pagava para que esse homem me desse
aulas particulares, só que ele vinha a nossa casa.
Estava já aposentado da universidade, dizia
rindo que esse vai e vem, lhe fazia bem pois se movimentava.
Trazia pequenos livros para mim, em
Gaélico, ao mesmo tempo me foi contando a história de Irlanda, imagina eu
escutava falar do Ira, do Sinn Fein, mas sem saber muito o que eram, pois meu
pai não gostava do assunto, soltava logo sou judeu.
Sem, querer ao mesmo tempo que aprendia a
língua, aprendi a história da Ilha.
Minha mãe, logo estava dando aulas na
universidade, esse professor a tinha ajudado, o que foi bom, vivíamos com meu
tio. Eu achava interessante, pois as
vezes me telefonava, me dizendo que ia dormir fora, ou ia passar o fim de
semana com alguém.
Mas minha mãe tinha me educado, a nunca
fazer perguntas sobre a vida das pessoas, se te contam bem, senão bico calado.
Meu pai, claro nunca mandava direito o
dinheiro que teria que mandar, o mais interessante como meu tio dizia, era que
convertido em Dólares, não era muito.
Sem eu saber, ele tinha feito um fideicomisso em meu nome, minha avó que
eu nunca conheci, tinha deixado dinheiro para minha mãe, para mim, ele aplicava
esse dinheiro, assim poderás ir à universidade.
No Natal meu pai telefonava, mas era como
estar falando com um estranho. Um dia
me perguntou se eu iria fazer a universidade em Dublin.
Nem tinha pensado no assunto, lhe disse
honestamente que não sabia ainda o que ia estudar, estava era falando com um
advogado, para saber.
De um lado, eu queria ser como meu tio, ele
me tirou o cavalo da chuva, dizendo que era muito chato seu trabalho, lidar com
dinheiro de outras pessoas.
Que eu devia pensar em fazer algo que
gostasse, pense, levaras o resto de tua vida vivendo com isso.
Não queria ser professor como meus pais,
gostava de escrever, isso sim, só tinha mostrado meus escritos ao velho
professor, esse se matava de rir.
Dizia que eu tinha um certo humor no que
escrevia.
Estava profundamente apaixonado, por Godot,
me imaginava as vezes falando com uma árvore, um dia vi uma foto que depois
muita gente publicaria, uma árvore queimada na Namíbia, no meio de um deserto
vermelho.
Procurei saber aonde era.
Escrevi um texto, imaginando uma pessoa,
ali nua, sentada aos pés da mesma, sobre um sol escaldante, mas sem poder
usufruir a sombra da mesma, está contava a esse homem tudo que tinha visto na
vida.
O professor gostou, levou sem eu saber uma
cópia a um editor, mas não disse minha idade para o mesmo, só deu o endereço.
Um dia um homem bem vestido, com uns óculos
redondos, que ficava divertido na sua cara, bateu lá em casa, só perguntou se
era a casa dos Stein Bloom, pensei que queria falar com minha mãe, o fiz
sentar-se no salão, disse que teria que esperar.
Me sentei na mesa, usava uma velha maquina
de escrever Remington, estava escrevendo baseado numa outra foto, uma conversa
de Ulises com um rio, que fluía sem cessar, mas não lhe dava as respostas que
ele queria, de como, porque deveria voltar para casa.
Estava tão concentrado, que nem vi que o
homem com o copo de água que tinha lhe dado, nas mãos, estava atrás de mim,
lendo ao mesmo tempo que eu escrevia.
Quando percebi, ele foi até aonde estava
sentado, tirou o meu texto de uma pasta, quem escreveu isso foi você.
Me encheu de perguntas, mostrei a
fotografia para ele, além de meus dois livros preferidos, um Ulisses, outro
Esperando Godot.
Ele riu a bessa, devias estar escrevendo
sobre Batman, Super homem, quantos anos tens.
Lhe respondi que 17 anos, apesar da cara de
garoto que tinha, nem tinha ainda barba, nem bigode, sim usava cabelos
compridos, num rabo de cavalo.
Ficou me olhando, eres menor de idade.
Nisso chegou meu tio, o apresentei ao homem
Rubert Maxim, foi interessante, vi que já se conheciam.
O apresentei como meu tio, Tom Stein, logo
chegou minha mãe, sentamos todos na sala, li o texto que seu filho escreveu,
gostei demais, deu um cartão aos dois, queria publicar.
Os dois não sabiam de nada, meu tio tinha a
boca aberta.
Esse que ele está escrevendo também.
Aliás quando acabares, podemos publicar os
dois juntos, fazendo um livro mais grosso.
Bom vamos ler o que ele escreveu, depois
falamos.
Na despedida, meu tio ficou segurando a mão
do outro, que lhe disse que telefonasse.
Entendi finalmente, meu tio era gay, mas
muito discreto.
Não fiz nenhuma pergunta, minha mãe seguia
sentada como texto na mão, lendo o mesmo.
Nesse dia, como não se mexia, fomos comer
uma pizza, ali perto.
No dia seguinte, me despertou com um beijo,
meu futuro escritor. Disse que tinha
gostado do texto.
Passei para teu tio, vamos ver o que ele
diz.
Nesse dia eu tinha provas na escola, tinha
as melhores notas da turma, estava louco para conseguir uma bolsa de estudos,
mas tinha descoberto recentemente, que como meus primeiros documentos eram
irlandeses, era como um estrangeiro.
Quando comentei com meu tio, ele começou a
mover seus contatos, não se preocupe, vou conseguir uma bolsa para o que
queiras estudar, embora desconfie que já estás a caminho, li o texto, achei
demais, entendi agora, porque o Rubert pensou que eras um adulto.
Os dois dessa vez, leram antes o livro de
Ulisses, conversando com o rio, de como voltar para casa.
Creio que tens razão, porque num
determinado momento do livro, quase no final, o rio se vira para ele,
perguntando, já enrolaste demais por todo esse mundo, tens certeza de que
queres saber o caminho para sair daqui, ou preferes que te diga que sigas rio
acima até a nascente, pergunte por lá, porque pelo caminho eu vou coletando
perguntas, mas não tenho nenhuma respostas para ninguém, sigo um curso tão
somente.
Revisei várias vezes, inclusive minha mãe
que ficou surpresa de não encontrar erros de gramática, disse que na
universidade, quando corrigia provas, tinha que corrigir a gramática, pois seus
alunos, pareciam analfabetos.
Telefonei para o Rubert, marquei com ele na
editora, levei os dois textos, tinha revisado o primeiro.
Pedi para minha mãe, que era a pessoa que
mais me conhecia, escrever no começo do livro.
Quanto aos valores, telefonei para meu tio,
que veio negociar com o Rubert.
Esse via meu tio, sorria, foi fácil,
concordou que eu não assinaria nenhum contrato, tinha acabado de fazer 18 anos,
iria à universidade. Se escrevesse algo, bem, mas senão tampouco passava nada.
O livro foi editado com H. S. Bloom, mandei
um para meu pai, que telefonou, quem era esse escritor, algum parente dele, que
eu tinha descoberto.
Perguntei se tinha gostado do livro, me
parece muito americano, usar dois personagens totalmente irlandeses, para isso.
Mais parece uma fabula, sinceramente não
gostei.
Quando falei que o texto era meu, ficou
quieto, não sabia o que dizer.
Desligou o telefone, sem dizer mais nada,
nem até logo.
Comentei com minha mãe, ela se matou de
rir, conhecendo teu pai, saber que seu filho conseguiu escrever e publicar um
livro, quando ele nunca conseguiu terminar nenhum, tem graça.
Ela deve ter telefonado para ele, quando eu
não estava em casa, dias depois recebi uma carta, me pedindo desculpas, morri
de inveja, relatava, sempre fiquei presos a esses escritores, mas nunca
imaginei uma saída para esses personagens que amo.
Tornou a perguntar, se eu ia estudar lá.
Disse que não sabia, mas na verdade me
tinha escrito na universidade, para estudar literatura comparada, bem com
escritura, além de duas línguas que me interessavam, que a maioria descartava,
hebreu, que eu falava um pouco por causa da sinagoga, bem como aramaico.
Meu tio quando viu, bateu nas pernas.
Usei o dinheiro que tinha ganho com o
livro, para pagar minha matricula, mas ele me fez ir ao banco, agora tinha
direito ao fideicomisso que ele administrava, aplicando, herança da minha avó.
Perguntou se eu ia continuar em casa, ou
preferia viver sozinho.
Olhei para a cara dele, não entendi a
pergunta, já tinha feito o caminho para a universidade, de metro, não via
problema nenhum.
Nem tinha passado pela minha cabeça ir
embora de casa.
Perguntei por que ele queria que eu fosse
embora?
Viu que eu não tinha entendido, sua
pergunta, soltou sem querer que o Rubert, dizia que as vezes ele não sabia se
expressar direito o que queria falar.
Por mim, aqui é tua casa, mas todos os
jovens sonham uma vida própria fora da casa familiar.
De brincadeira soltei, por isso nunca
trazes teus namorados para cá.
Ficou me olhando sério. Como sabes disso.
Fiquei sem graça, vejo como o senhor se
comporta com o Rubert, se vou a editora, a primeira coisa que ele faz, é
perguntar por ti.
Acho normal, que um homem goste de outro,
sem querer de brincadeira disse que ia escrever um livro, sobre porque Ulisses
não voltava para casa, se ficou para atrás preso a um ninfo, numa floresta, nem
o rio, nem as árvores lhe ensinam o caminho para voltar, mas ele tampouco quer,
quer sim viver essa vida nova que descobriu.
Meu tio se matou de rir, Rubert com certeza
vai gostar, ele é como tu, romântico, achas que deveria dar uma chance a ele,
estivemos juntos um fim de semana, gosto dele, mas não sei.
Se o senhor não experimenta, nunca saberá.
Ele se matou de rir, meu pequeno sobrinho
indicando como caminhar.
Ora tio, já não estamos no passado, se
fosse na Irlanda ia dizer para fazer tudo escondido, mas aqui em NYC, que
importa a vida dos outros.
Nisso minha mãe chegava, ele contou para
ela.
Ele não é tonto.
Comecei sem querer, a escrever essa
história, um homem que não sabe se deve voltar para a família que vive num pais
distante, porque sem querer encontrou um rapaz, que faz ele feliz.
Um encontro furtuito, o faz repensar toda
sua vida, a analisa desde uma infância numa família judia, fechada a outro tipo
de mundo. Tinha tirado isso de uma
conversa que escutei na Sinagoga, dois rapazes conversando, pois não viam
futuro, tudo era coordenados pelos pais.
Então o personagem quando se afasta indo
trabalhar numa ilha, encontra um pescador, um homem simples direto, vivem uma
grande paixão, até o pescador desaparecer, ele seguiu adiante, imaginando como
seria se seus pais se encontrasse agora, ela tinha desabrochado como
professora, ele ainda era um adjunto por muitos anos da universidade, depois de
viver com ele, ela era outra pessoa, se arrumava, se vestia bem, saia com suas
amigas, tinha uma vida própria.
Seu personagem como Ulisses volta para
casa, encontra sua Penélope, que subsistiu todos esses anos tecendo, mesmo
assim mudou sua maneira de pensar, é astuta, para escapar de outros casamentos,
inventa um compromisso, uma promessa.
Mas na verdade, é que não quer ninguém
interferindo na sua vida. Ele modernizou
essa ideia, agora independente, para que ela quer esse homem.
Se ele já estava perdido com a desaparição
do homem amado, o que faz ele agora.
Quando ele viu o livro tinha um bom volume
de páginas.
O final é esse personagem desiludido, pois
perdeu o que queria, não sabe na verdade quem é, porque em momento algum saiu
do armário fechado em que vive.
Deu primeiro para seu tio ler, pois tinha
aceitado o desafio dele.
Estava sim, corrigindo se havia algum erro
de gramática.
No dia seguinte pela manhã, era um sábado,
o tio entrou no seu quarto, antes bateu na porta, sempre fazia isso, lhe deu um
beijo na testa, convidei o Rubert, para comer hoje aqui em casa, assim mostra o
texto para ele.
Tinha tirado outra cópia, tinha comprado
uma pequena impressora, no Natal, meu primeiro computador.
Vi minha mãe rindo na cozinha, perguntei
por que, eu fico imaginando seu pai, que sempre viveu cercado desses seus
amigos todos, gays dentro do armário, nunca tocam no assunto, mas estão loucos
por sexo, fazem tudo escondidos.
Tirei uma cópia mandei para ele, agora era
esperar a reação.
Rubert, chegou em casa, com um ramo de
flores, para minha mãe, mas ela estava sentada na mesa lendo meu texto, hoje
nada de fazer comida, saímos para comer, tampouco comida judia, vamos comer
alguma coisa que nos faça feliz.
Ri muito com isso.
Quando vi, Rubert, já estava com a cópia de
meu tio nas mãos, matarei se alguém oferece para editar esse livro.
Ninguém na universidade, sabia que eu já
tinha um livro publicado, tampouco ia ser pretencioso para comentar.
Um dia um professor me perguntou se eu
conhecia esse H. S. Bloom, li o livro desse filho da puta, escreve bem, se é
teu parente, leia, aprenda a escrever.
Não disse uma palavra, nem sim, nem não.
Um dia estava de tarde, fazendo um trabalho
da universidade, escrevendo sobre uma noticia de jornal, era um exercício.
Meu pai me telefonou, tinha lido o texto, só
me disse que eu tinha me tornado americano demais, que só faltava eu escrever
um texto sobre Hercules, que esse tinha na verdade um romance com o Minotauro.
Tai, lhe respondi, vou escrever a respeito.
Mas gostou?
Ele riu, passei cópia para todos que veem
aqui em casa, sem falar que o texto era teu, todos acharam um escândalo, a não
ser o sem vergonha do Joseph, que disse que esse autor estava certo, na Grécia
os homens fazia sexo entre eles.
O livro foi editado, agora, eu estava no
terceiro ano da universidade quando saiu.
Rubert, me disse que devia dar entrevistas,
me levou as mais sérias, a melhor foi num canal de televisão, minha mãe disse
que iam gravar para mandar para meu pai.
Um dos entrevistadores, me perguntou se eu
tinha uma vida sexual muito ativa, para escrever esse tipo de livro.
Sorri, ficava com a boca torta como meu
pai, soltei, nada disso, ainda sou virgem, nunca me apaixonei, nem tive nenhuma
aventura sexual, antes que me pergunte, não estou me guardando como uma donzela
que espera seu príncipe encantado.
Caíram na gargalhada, o que dirigia o
programa, soltou, gosto como escreves, como falas, não tens tabus.
Nenhum, aprendi desde cedo a pensar, não
que ninguém me tivesse ensinado, contei do que tinha feito, um dia que tinha
encontrado o livro de Ulisses, de James Joyce, em cima da mesa, o li e reli mil
vezes, escutava depois os amigos de meu pai, todos professores universitários
falando, via que tinha uma visão oposta em tudo a minha, ainda pensei, será que
quando esse homem escreveu esse livro, esperava mentes abertas.
Acho que é isso, agora vou escrever sobre
um coisa que me falou meu pai, ele que me aguarde.
Fazia anos que não nos víamos, o primeiro
livro ia ser lançado na Irlanda, Londres, lá fui eu com minha família de
férias, com Rubert a tiracolo, disse que por nada do mundo ia perder isso.
Ver meu pai, foi interessante,
disfarçadamente lhe passeio o texto que tinha escrito.
Um dia tinha saído andando, vi uma lugar
desses que fazem culturismo, fiquei olhando todos aqueles homens com o corpo
super esculpidos, os imaginei como o Hercules.
Vi que um deles era diferente, pois chegava
vestido de terno e gravata, uma roupa que ficava horrível nele, por estar apertada
naqueles músculos todos.
Perguntei se podia falar com ele.
Ficou me olhando espantado, aquele jovem,
magro, sem corpo nenhum, cara de garoto.
Pegou sua bolsa, disse que me tinha visto
olhando eles fazerem exercícios.
Levava meus livros, entreguei para ele,
escrevi essas três histórias, gostaria de te falar da ideia que tenho, falei de
Hercules, do Minotauro.
Ficou me olhando, lhe expliquei aonde
queria chegar, você tem pequenas coisas, que me faz pensar que é um gay dentro
do armário que faz todos esses exercícios, buscando uma escapatória.
Foi abrindo a boca num protesto.
Não se preocupe, não sei teu nome, só
queria saber algumas coisas.
Mesmo na mitologia falam do corpo de
Hercules, como o que vocês, tem, fui mostrando fotografias de esculturas, mil
coisas, que tinha anotado.
Ele começou a rir, venha comigo, me levou
ao seu apartamento, tirou toda a roupa, ficou completamente nu.
O corpo era imenso, mas o piru pequeno.
Entendi, os homens quando me vem nu, acham
um pena, eu devia ter meu sexo, igual, imenso.
Lhe disse uma coisa, sou virgem, imagino
que tenhas experiencias sexuais, mas imagino que isso que tanto falam do
tamanho do piru, não tem nada a ver.
Escuto meus companheiros de universidade
falando, do tamanho, etc., mas no fundo creio que nenhum deles sabe fazer sexo
direito, por isso, apesar das cantadas, nunca fui para a cama com nenhum deles,
suas cabeças são como um alfinete.
Ele começou a rir, é uma verdade.
A maioria, faz sexo com outro homem, como
se fizesse com sua mulher, papai, mamãe.
Se aproximou, percebeu que tinha ficado
excitado, fui com ele para a cama, seria meu primeiro amante.
O deixei me explorar com quis, depois se
encaixou comigo, sentando em cima de mim, sempre me olhando na cara, esperando
que eu tivesse um orgasmo, foi genial.
Depois ficamos na cama, conversando,
falando como eu imaginava isso do Minotauro.
Lhe disse, que o touro, devia ter um piru
imenso, por isso, Hercules, queria mata-lo.
Riu a bessa, tens uma imaginação boa, na
verdade eu já li teus livros, gosto muito.
Eu adorava sua boca, quando me beijava,
fizemos sexo de novo, ele queria mais, mas desta vez, eu já tinha aprendido,
fui eu a deixa-lo louco, depois diria um virgem me fez feliz pela primeira vez.
Conversei muito com ele, se ele precisava
desse corpo todo, passou a fazer outro tipo de trabalho, que foi fazendo mais
ou menos seu corpo voltar ao normal.
Antes de o apresentar ao meu tio, o
apresentei ao Rubert, esse disse que tinha escolhido bem, falei do que estava
escrevendo, na verdade estava escrevendo como éramos os dois.
Aprendi a fazer uma coisa, a enfiar meu
dedo, por detrás do piru dele, empurrando o mesmo para frente, ficava maior,
ele achava fantástico.
Um dia me disse uma coisa que me
impressionou, eu tinha tirado os medos dele, queria agora experimentar com
outros, coisa que ele tinha se negado todo esse tempo.
Não posso dizer que o amasse, apenas estava
explorando o que achava de devia fazer.
Já não era virgem, mas aquela coisa do
amor, que todo mundo falava, não o sentia. Nos afastamos, só o voltaria a ver
anos depois.
Por isso entreguei o texto para meu pai,
ele riu.
Pela primeira vez me acompanhou em tudo, no
fundo sabia pelos seus amigos que estava orgulho, eu tinha realizado os sonhos
dele, tinha sonhado tanto em escreve livros, mas temia ficar a sombra dos dois
que ele amava, Joyce e Beckett.
Houve debates na universidade, ficaram
impressionados, eu ainda não tinha terminado a mesma, me ofereceram bolsas de
estudos para pós-graduação, agradecia, mas ainda estava pensando no que iria
fazer, nada de tomar uma decisão muito rápida.
Sai em todos os jornais cercado daqueles
homens que conhecia desde criança.
Meu pai tinha feito uma cópia para todos,
nos reunimos em sua casa que ainda era a mesma aonde eu tinha dado meus
primeiros passos.
Pela primeira vez, era uma conversa
diferente, alguns amavam esses mitos e lendas da Grécia, um deles ria muito,
pois eu comentava no texto que Hercules, devia ter um problema sério, com seu
piru, se eram retratados nas esculturas com uma coisa pequena.
Na história que escrevi, Minotauro o ensina
a fazer sexo direito, claro tem um piru como o animal que é, Hercules o mata no
final, com medo de que não possa mais sair dali, viciado em sexo como está.
Riam muito, tens uma imaginação fértil
dizia um deles, era sempre o mais descarados, talvez o único sem muito
preconceito.
Lhes disse que tinha baseado a história, o
Hercules e Minotauro, tinha sido coisa minha, de meu pai, mas tinha conhecido
um Hercules, perdi a virgindade com ele, gostava que eu fosse o Minotauro.
A cara de meu pai, ficou vermelha.
Mais tarde, como minha mãe e Tom, além do
Rubert, tinha voltado para NYC, tinha combinado com meu pai de ir a Londres,
aonde tinha uma tarde de autógrafos.
Sentados em sua casa me disse uma coisa,
que não sabia dizer se me surpreendia, me falou do largo romance que tinha
justamente com o mais descarado, não esperava ter um filho, imaginamos sempre
escapar daqui, ir viver junto em algum paraíso, mas o tempo passou, conheci tua
mãe, ele se afastou de mim, embora eu sonhe com ele, já não sei se me quer.
O convidei para ir a Londres, conosco,
sorriu, um dia saiu comigo, só os dois fomos sentar no seu lugar predileto, na
beira do rio.
Falou como tinha amado meu pai, era meu
deus, mas ele parou no espaço, hoje sou o chefe dele, porque ele não se mexeu
para conseguir esse posto, não que eu goste, mas tenho livros escritos, nunca
publicados é claro, falando dessa paixão que tinha por ele.
Pedi para ler, foi conosco a Londres, os
dois pareciam dois garotos de férias na escola, nem notavam que tinham a cabeça
cheia de fios brancos.
Quando voltamos, meu pai pela primeira vez
me beijou, me abriste os olhos.
Os convidei para ir a NYC, na próximas
férias.
Mas claro nem tudo são rosas na vida, um
dia meu pai estava fazendo compras numa rua movimentada, um dos últimos
atentados do IRA, aconteceu, só sobrou uma parte de seu corpo, bem como a
cabeça.
Viemos correndo, mas não havia nada para
fazer.
Olhei aquela casa, pensei que desperdício, pela
leitura do testamento, a tinha comprado a anos, era para mim, se voltasse.
Pensei em vender, mas queria usufruir desse
lugar pelo menos um tempo.
Levei os livros de Joseph para ler, sem
querer entendi mais meu pai, só tinha conhecido os parentes dele, no seu
enterro, aonde rezei o Kadish, ficaram surpresos.
Eram todos ultraortodoxos, complicados,
senti logo no primeiro momento, só um disse que tinha lido meus livros, mas que
nem imaginava os outros saberem.
Que lastima pensei, que perda de tempo.
Joseph, ficou abalado com a morte de meu
pai, veio ele sozinho para as férias, saia muito com Rubert, meu tio, se davam
bem.
Eu li os textos dele, os coordenei, pois as
vezes as imagens que ele passava estavam dispersar.
Fiz um descobrimento, no dia que eu nasci,
os dois estavam na cama, meu pai dizendo que o deixava, não conseguia seguir
adiante, estava confuso.
Argumentava com ele, que confuso ele tinha
sido sempre, sem saber se situar, o que o fez ficar ofendido.
No final do dia tinha um filho, isso em vez
de arrumar as coisas, o fez se fechar numa casca.
Quando se separaram, nunca tinha amado
minha mãe, apreciava sim a cabeça dela, como ia pela vida, tinha inveja disso.
Não queria assinar o divórcio, pois era
como assinar que tinha fracassado.
Segundo Joseph, ele tinha eternamente o
medo ao fracasso, por isso, nunca ninguém viu o que tinha escrito, estavam
escondido pela sua biblioteca.
Talvez o que me fez, no final do curso,
tomar a decisão de passar um tempo por lá.
Joseph sem querer se transformou em meu
segundo pai, me chamaram para fazer a pós-graduação na universidade, fui
assistir uma aula dos professores, não me interessavam, tinham outra maneira de
ver Joyce.
Os dois começamos a procurar, os textos do
meu pai, ele os escondia por detrás dos livros, eram todos escritos a mão, com
uma caligrafia, perfeita.
Conseguimos colocar em ordem, pelo quando
tinha começado, ainda como estudante, seu sonho era ser um escritor famoso,
para mostrar a sua família que era alguém.
Os primeiros textos por data, no final eu
ria, ele tinha se perdido na história, tinha começado bem, colocava os
personagens, mas chegava um determinado momento, que se bloqueava, era como se
comparasse esse personagem com os de Joyce.
Peguei nesse texto, tinha colocado um
computador, uma impressora em casa, passei tudo para o mesmo, fui revendo o
texto, quase que frase por frase.
Foi como fazer uma brincadeira de criança,
em que cortava, colava a frase, mais acima ou mais abaixo, levei dois meses
nisso, falava duas vezes por semana com ela.
Um dia chamei, quem me atendeu foi o
Rubert.
Estava vivendo lá com meu tio Tom.
Ele tinha publicado o livro do Joseph,
sobre meu pai, segundo ele agora existia um consumidor assumido, homens que
saiam do armário, que gostavam de histórias que sugeria uma relação entre eles.
O livro fez sucesso, foi editado primeiro
em Londres, depois chegou a Dublin.
Mas Joseph, não queria falar no assunto, me
dizia uma coisa, coloquei para fora, ajudado por ti, tudo o que eu senti por
ele, agora me sinto livre.
Apesar de ser o mais descarado, me
confessou que o fazia para provocar, no fundo só amei teu pai.
Eu fui honesto com ele, esse homem que conheci
quando escrevi o livro, gostava de fazer sexo com ele, mas não saberia dizer se
o amava.
Isso um dia acontecera.
Quando acabei essa história dele, mandei
para minha mãe, me telefonou em seguida a ter recebido, ele sempre escondia o
que escrevia, não me deixava ler.
Quando toquei o segundo texto, foi
interessante, era como ele, um covarde conversasse com Joyce, se sentia perdido
nesse mundo, em que os professores eram pedantes, sem querer estava se
transformando em um, não sabia exprimir seus sentimentos, a dificuldade de
ter-se fechado num casulo.
Coloquei o nome do livro disso “casulo”,
refiz o texto todo, eu nunca tinha ido a um pub, fui com Joseph, aquilo era
muita confusão.
Um dia, sem querer encontrei um mencionado
no livro por Joyce, tinha como saletas, imaginei os dois ali conversando, fui
criando um dialogo entre os dois, a partir do que ele tinha escrito.
Joseph que basicamente vivia lá em casa,
pois se preocupava que eu me alimentasse bem.
Ia lendo o que eu revia do texto dele, era
como uma coisa nova.
Pegava as perguntas que ele fazia ao
escritor, imaginava como o mesmo responderia, inclusive as vezes o mandando a
puta que o pariu.
Quando terminei, mandei uma cópia para o
Rubert, adorou, disse que ia publicar, mas que eu apresentasse o mesmo, a um
editor que tinha conhecido numa convenção.
Lá fui eu, esperando um sujeito velho,
rabugento, era uma imagem eu as vezes Joseph fazia dos editores.
Dei de cara com um homem uns dez anos mais
velho do que eu, tinha vivido muito tempo na França, tinha estudado na
Sorbonne.
Fiquei fascinado por ele, era diferente
totalmente de mim.
Leu o texto me chamou, me convidou para um
jantar, achei interessante, fui me encontrar com ele, na porta da editora, me
levou para sua casa, fez um jantar meio afrancesado para mim.
Acabamos na cama, as vezes ele dormia lá em
casa, outras eu ia a casa dele.
Joseph estava preocupado, me dizia cuidado
é um encantador de serpentes.
Editou o livro, como autores “Bloom &
Bloom”, num prologo, explicava que o texto original era de meu pai, mas o tinha
modernizado.
Numa entrevista, disse que não era assim, havia
o texto de meu pai, ele conversando, mas não tinha respostas, eu tinha
reescrito o mesmo com suas perguntas, além ter criado o escritor que respondia
as dúvidas dele.
Ficou furioso, como eu tinha ousado
desmenti-lo.
Entendi finalmente quem ele era, um dia fui
por acaso a editora, para receber dinheiro o vi conversando com um escritor
jovem, fazia o que o Joseph dizia, parecia estar encantando o rapaz, me vi na
sua casa, no dia do jantar.
Tinha mais dois textos do meu pai, os levei
comigo, fui para NYC, ao lançamento de lá do livro.
Só mantive uma coisa, autores eram Coisas
de Bloom, ninguém entendia, mas me dava igual.
Me telefonou várias vezes, mas eu estava em
outra sintonia.
Essa pausa, de estar querendo honrar meu
pai, tinha me afastado dos meus objetivos, conversava demais com o Rubert,
agora como ele era da família, me sentava com ele, para largos papos.
Via minha mãe, estranha, foi quando
descobri que tinha câncer, os tratamentos não funcionavam, agora tinha
conversas homéricas com ela, um dia tocou no assunto de seu relacionamento com
meu pai.
Tinha se deslumbrado com ele, aquele homem
alto, serio, que parecia entender Joyce como ninguém, me deslumbrei, quando vi
estava casada. Estava gravida, mas tive um aborto, foi duro,
me falou como tinha se sentido, arrasada, demorei para me levantar, nessa época
quem, me ajudou foi o Joseph, eu sabia que entre eles havia alguma coisa, pois
tinham coisas de cumplicidade. Foi
quando fiquei gravida de ti.
Joseph de repente se afastou lá de casa,
seu pai não esperava que eu ficasse gravida de novo, acho que tinha pensado em
pedir o divórcio, embora para ele significasse fracasso, isso era difícil dele
levar.
Acho que estava tão assustada, quando rompi
águas ali na sala de aula, só as alunas mais velhas que conheciam como se
processavam isso, saíram correndo buscando ajuda.
Nasceste ali na escola, ajudada por uma
enfermeira, que vinha sempre olhar as garotas, dava aulas explicando para não
ficarem gravidas antes do tempo.
Para ela, foi a oportunidade, fez as
garotas assistirem meu parto.
Teu pai levou um susto, quando chegou em
casa, já estavas lá nos meus braços, senti o que aconteceu imediatamente, ele
em vez de ficar alegre murchou.
Fomos viver nessa casa, nunca gostei dela,
a pequena me parecia uma aventura, mas essa não, era como um compromisso para
sempre.
Algumas vezes, quando estavam todos lá, me
escondia na cozinha, odiava essas conversas sem parar, me faziam lembrar, dos
meus tempos de adolescentes, que os garotos discutiam quem era mais forte,
Batman ou Super Homem.
Por isso quando meu pai morreu, eu vi a
hora de escapar, ela foi uma mulher que viveu a vida inteira a vida de outra
pessoa, no caso meu pai, mas era ela, que levava tudo, as finanças, foi quem
ensinou ao Tom cuidar de dinheiro, depois ele foi a universidade para se
especializar.
Voltei para cá, foi como me sentir livre de
amarras, teu pai não gostou, Joseph foi quem me comentou que ele odiava essa
ideia que tinha fracassado.
Mas por um erro dele, que as vezes não
sabia falar o que sentia, o juiz me deu o divórcio, bem como tua guarda.
Nunca me arrependi, essa e a verdade, aqui
pude retomar, ser realmente quem eu era.
Seguimos falando, eu gravei todas as
conversas, quem sabe depois seguia um livro sobre uma mulher batalhadora.
Sem querer comecei a escrever uma história
sobre duas pessoas, tinha sonhado toda a infância com seus heróis, mas não
sabiam entende-los.
Fui a biblioteca, comecei a ver todos os
comics dos dois personagens.
Foi interessante, fui construindo a coisa,
de um lado Super Homem com suas roupas coloridas, sua dupla personalidade, um
jornalista e um herói.
Do outro lado, fui distorcionado o Batman, fiz
uma coisa segundo o Rubert perigosa, fui conversar com os garotos das gangs,
eles todos adoravam o Batman, pois havia nele alguma coisa negra, escondia
algo, no fundo todos me confessavam uma coisa, era filhos de emigrantes, quando
criança, os deixavam na frente daqueles aparelhos de televisão velhos, vendo
essas serie dos dois.
Um deles ainda me soltou, que claro,
sabíamos que o Super Homem voava, mas algumas vezes se via os cabos que o deixavam
suspenso no ar, ria muito me contando isso.
Depois o rapaz ainda me contou que o Batman
com aqueles roupas o excitava, me masturbava pensando nele, não gostava quando
estava vestido normalmente.
Esse rapaz, queria sair da gang, eu o
ajudei a escapar, se mudar, foi viver no antigo apartamento do Rubert, cortou
os cabelos, usava barba na época, passou a raspar a mesma, se vestia diferente,
o ajudei a acabar o curso que fazia, um dia me vi na cama com ele, parecia uma
criança, nunca tinha feito sexo direito segundo ele, tudo muito rápido,
escondido.
Ainda não era época que todos tinham mil e
uma tatuagens, ele não tinha nenhuma.
Sua família deu graças a deus ter
desaparecido, uma boca a menos para sustentar.
Eu fiquei vivendo com ele no apartamento do
Hubert, aproveitei esse gancho, fui escrevendo a história, justamente disso.
Duas pessoas que se conhecem, tudo que
podiam conversar depois do sexo, eram sobre seus super-heróis, discutiam sobre
o mesmo, cada um queria melhorar o seu.
Um dia o pararam na rua, tinha uma estampa
impressionante, o chamaram para fazer um filme em Hollywood, se deslumbrou,
apesar de todo mundo falar, foi, fez um filme, desapareceu, como tinha
aparecido, o encontraram morto cheio de drogas.
Foi como eu finalmente acabei o livro, os
dois personagens num delírio de drogas, defendendo seus heróis, mas viviam
claro na beira da miséria, era emigrantes, que só sabiam disso.
Muitos achavam que eu queria criticar o
sistema americano, outros sabia que isso era verdade, que os jovens tinha uma
ideia de que lhes passava os emigrantes, no caso seus pais, que a América, era
o pais que todos sonham, ficam ricos, mas na verdade eles nunca estavam
preparados para isso.
Sem querer conversava sempre a distância
com o Joseph, sobre essa minha frustração, de não conseguir levar em frente
meus relacionamentos.
Ele se aposentou veio viver lá em casa,
vendi a casa de meu pai em Dublin, fiz uma doação através do Joseph de sua
biblioteca a universidade.
O livro apesar de tudo, fez um relativo
sucesso, um ator, me pediu para transformar essa conversa entre os dois numa
peça de teatro, como era um homem de mais idade.
Transformei o texto no reencontro de dois
amigos, um tinha tido uma carreira, o outro, não, tinha sido traficante, esteve
preso, um fanático por Super Homem, era o bom, o outro com seu passado escuro,
era o Batman.
Na cena final, vestiam as roupas de seus
heróis, saiam de cena voando, o público achava demais, a maioria entendia que
eram realmente os dois heróis de muitos.
Queriam levar ao cinema, eu adverti que não
ia funcionar, menos mal que me escutaram.
Um dia tinha ido ao teatro falar com eles,
sobre isso, na saída esbarrei com meu Hercules, estava mais bonito, tinha um
corpo bonito, sem aquele exagero todo.
Nos sentamos para conversar, ele foi honesto,
achava que eu era muito jovem para ele, inventou a história que queria mais
aventura.
Fiquei no ora veja, mas acompanhei tudo que
escreveste, tens imaginação, sem querer começamos a sair, conversar, voltamos a
ir para a cama, tinha a mesma magia que da primeira vez.
Adorava estar encaixado com ele, frente a
frente conversando, as vezes terminávamos de fazer sexo, mas ficávamos assim
conversando.
Finalmente agora era maduro para saber o
que queria, sempre tinha me sentido imaturo, no ponto de vista sexual, era
inteligente no resto, mas não tinha tido uma juventude normal como os outros
garotos, já estava metido numa vida intelectual, sem ver o sentido de estar com
outra pessoa.
Nesse ponto as conversas com o Joseph,
foram super interessante, ele atuava como um pai para mim.
Naquela casa agora viviam cinco homens,
Joseph se negava a tentar qualquer relacionamento, seguia apaixonado por meu
pai, um dia conheceu um amigo do Rubert, um escritor negro, ninguém sabe, como
os dois começaram a sair na surdina, um dia ele chegou em casa rindo, soltou na
maior, finalmente tive uma relação sexual, de um homem adulto.
Continuo escrevendo, numa me imaginei dando
aulas, não preciso de muito para viver, todo meu dinheiro deixo que tio Tom se
encarregue de render.
As vezes para me distrair, enquanto não
aparece uma ideia, faço revisão de texto com algum escritor que edita livros
com Rubert.
Me paga é claro, alguns eu faço rever o
texto inteiro.
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