MAURYTANIUS

 

                                   

 

Sem saber por que, se lembrou que na época que entrou para a École de Commerce de Paris, tinha parado do outro lado da rua, fechou os olhos, sentiu o cheiro que nada tinha que ver com a que ia na Mauritânia, a de lá cheirava a datiles, pois ao lado do edifício de adobe, tinha muitos, a garotada se divertia subindo nas palmeira para buscar os mesmo.

Ele era um desse, adorava isso, se sentia livre, agora pensava, fui feliz um dia, nunca poderia esquecer de sua pátria pequena, como dizia sua mãe.

Era filho de uma berbere, com um francês, nunca poderia entender, porque o pai o tinha trazido desde lá, para Paris.

Sua mãe chegou a Paris, coberta como andava por lá, com sua melhor roupa tradicional, levou um susto, como seu pai era um homem que falar, não era seu negócio, ficou assustada, imaginando como faria agora para viver.

Ele ao contrário, tinha a cara enfiada no vidro do carro que os levava a sua nova casa.

Aparentemente ou em comparação era todo um luxo, mas descobriria depois que nada disso era verdade iam viver numa parte humilde de Paris, menos mal que não era o bairro dos árabes, seu pai os enfiou num dos apartamentos pertencente a sua família, perto do Mercado de Saint Queen.

Vinha falando o tempo todo, com sua mãe, no dia seguinte, a levou para comprar roupas de acordo, por sorte ela falava a língua.

Estava completamente assustada, o pior foi descobrir que seu pai tinha outra família na cidade, era casado com uma mulher judia, com duas filhas, nunca cruzou com elas, a não ser quando ficou adulto.

Mas ele passava o tempo todo lá na casa deles, dizia que ali se sentia livre, mas os finais de semana era com as reuniões de sua família, os Saint-Pierre.

O colocou na melhor escola ali perto, ele desde o principio era um estranho no ninho, aquele garoto de pele um pouco mais escuro, mas com os olhos azuis, cabelos crespos castanhos, magro, isso seria sempre, magro.

Mas o que se atreveram fazer bullying com ele se deram mal, estava acostumado a lutar aonde tinha estudado, embora a maioria das vezes era de brincadeira.

Seus companheiros eram brutos, então os jogos estavam a base da brutalidade.

Descobriria anos depois, que seu pai, tinha sido convidado a abandonar o país, por causas de seus negócios de tráfico de pedras preciosas, vindas dos países vizinhos, daí sua fortuna.

Teve sorte, a primeira vez que lhe fizeram bullying, um professor viu quem o fazia, era um sobrinho do diretor, quando este ameaçou a chamar sua família, lhe disse que como sempre era seu sobrinho que fazia essas merdas.

A cara do diretor veio abaixo, o mesmo estava ali de favor, além de ter sempre queixa dos professores, pois era o pior de todos, o mais idiota, notas baixas.

O que ele não esperava, depois do murro que deu no outro, o jogando no chão, foi como faziam sempre ajudar o mesmo a se levantar.

O outro ficou surpreso, a partir desse dia, se tornou um de seus amigos, quando ele viu que o outro não entendia as aulas, ousava criticar os professores, dizendo que não tinha entendido nada, que explicasse direito, porque o senhor não pergunta se todos entenderam realmente o que ensinou.

Ao contrário do outro, ele absorvia o que lhe ensinavam, os professores descobririam depois aquele aluno que tinha aceitado contra a vontade de todos, era o mais inteligente da classe.

Chamaram seu pai, que foi irritado até lá, quando soube que era para autorizar um pedido de exame para saber seu QI, disse que nem pensar, queria que seu filho fosse o mais normal possível, nada de chamar atenção.

Depois tive uma conversa com ele, tens que passar desapercebido, imagino que te aborreças nas aulas, isso aconteceu comigo, mas no momento que me adiantaram, começou a merda da minha vida, minha família sempre quis se aproveitar da minha inteligência, por isso fui para Mauritânia.

Ele nesse dia perguntou ao pai, porque tinha colocado nele esse nome, Maurytanius?

Riu muito, para nunca me esquecer que eras um filho esperado, que eu queria, na verdade seu pai era seu melhor amigo.

Mas fora ele, todos o chamavam de Maury, que parecia mais inglês, nunca diria seu nome completo para os companheiros.

Era o mais esperto, só sentia falta era de seus amigos de lá, todos de pé no chão, jogando bola com uma de trapos, era mais divertido, era como se todos jogassem no mesmo time, pois só havia um gol.

Era como se fosse cada um por si, deus por todos, os pontos contavam ao que fazia mais gols contra todos.

Um dia explicou a Jean, como era lá, esse se matou de rir, conversou com os outros, tentaram fazer assim, acabou dizendo que era mais divertido.

O encontro dos dois, resultou numa amizade eterna, ensinava ao outro o que ele não entendia, percebeu que com ele as palavras difíceis não funcionavam.

Perguntou o que faziam seus pais, achou incrível os dois eram professores na Sorbonne, mas não tem tempo para mim, passo a maior parte do tempo na casa de meu avô.

Um dia o levou até lá, adorou, descobriu que o avô do mesmo, tinha uma loja no Mercado de Saint Queen, vendia moveis antigos.

Nos finais de semana os dois iam até lá, ajudavam as senhoras a levarem o que compravam até o carro, sempre ganhavam um trocado.

Depois iam com o velho tomar sorvete, ou tomar um chocolate quente no inverno.

O mais interessante, sua mãe que só tinha estudado um básico na Mauritânia, voltou a estudar numa escola de adultos, não queria que seu homem tivesse vergonha dela.

Usava agora seus cabelos imensos, negros, presos numa trança, quando seu pai não estava, ele se dedicava a escovar de noite para ela, antes de dormir.

Ele as vezes, desaparecia por um bom tempo, mas avisava aonde ia.

Quando ele fez 16 anos, foi com ele a um banco, abriu uma conta em seu nome, surpreendeu o homem, ao tirar de uma pasta, blocos de dinheiro, ainda com o papel segurando o mesmo, uma parte levou com ele para baixo, tinha alugado uma caixa forte, ali ao contrário, foi como dizia ele, fez um colchão com mais dinheiro, além de muitas bolsas de pedras, lhe mostrou, não deve misturar uma com as outras, mostrou que estavam por cores, pedras já lapidadas, outras não, estavam em bruto.

Disse ao seu ouvido, isso é teu futuro, quero que sejas melhor do que eu.

Cada vez que voltava de alguma viagem, voltavam ao banco, agora tinha duas caixas iguais, uma só com saquinhos.

Sentia falta do pai imensa, tinha morrido a questão de semanas no Mali, voltando para casa num avião pequeno, alguma coisa saiu errado.   Uns diziam que tinha sido um atentado.

Nesse dia apareceu um advogado que ele já conhecia, na casa deles, falou com os dois, se queriam ir ao enterro, já sabiam o que ia acontecer.

Sua mãe disse que não ia, os da sua raça, as mulheres nunca iam ao enterro, só os homens, levavam o morto, em cima de uma prancha de madeira, enrolado num sudário.

Ele será enterrado a moda judia, pois sua família era dessa raça, mas na verdade a caixa vai estar fechada, pois tiveram que recolher os pedaços dele.

Ele foi com o advogado, este lhe comprou um traje completo, cortou os cabelos que estavam grandes, se sentou no fundo da sinagoga, esperando que alguém da família rezasse o Kadish, o ia fazer um homem velho, ele institivamente se levantou, foi até o mesmo, o conhecia da sinagoga, sabia que o mesmo era seu avô, segurou sua mão, entoou como tinha aprendido a oração, viu que umas mulheres de negros, além dos irmãos de seu pai, olhavam feio.

Mas não era com ele, o velho sorriu, sabia que ele amava seu pai.

Sua mãe tinha sido contra ele fazer todas as obrigações judias, foi quando conheceu seu avô, quando acabaram o velho o arrastou para se sentar ao seu lado, lhe disse baixinho, ignore esses daí, soltou com um sorriso na cara, são todos filhos da puta.

Sabia que o velho não se dava com os outros filhos.

Depois foi com ele ao cemitério, no carro do advogado só iam ele, o velho, o resto iam em limousines alugadas.  

O velho ainda soltou, pensam que vai sobrar alguma coisa para eles, mas teu pai nunca foi tonto, sempre foi mais inteligente que esses daí, fazia um sinal com o queixo sinalizando as limousines, amanhã vão aprender com quantos paus se faz uma canoa.

Quando chegaram ao cemitério, o velho o arrastou com ele, o colocou ao seu lado, o advogado ficou atrás, diria depois que era como se fosse seu guarda costa.

Do outro lado, estavam seus tios, os conhecia por fotografia, um dia seu pai lhe mostrou, disse se algum deles se aproximar de ti ou de tua mãe, desconfie, são uns merdas.

Ele de novo se levantou, ajudou o velho a ficar em pé, a cadeira era incomoda, rezaram de novo o Kadish, espero que rezes no meu.

Foi quando viu pela primeira vez a cara das irmãs, levantaram os véus, eram feias, a mulher então mais ainda, com um nariz imenso, parecia um homem vestido de mulher.

Depois foi tomar um café com o avô que se negou a ir com os filhos, vim muito bem com meu neto e seu advogado.

Esse lhe telefonou no dia seguinte, para dizer quando seria a leitura de testamento, esteja quieto, escute tudo, sem dizer nada.

O veio buscar, sua mãe, tinha ido a mesquita rezar, para que tudo saísse bem, imagine viver numa casa, ela mulçumana, ele judeu, mas nenhum dos dois interferiam nisso com ele.

Estava parado na frente do escritório do advogado, quando seu avô chegou, enfiou o braço no seu, foram para os elevadores, seus tios iam atrás olhando feio.

A mulher e suas filhas já estavam lá.

Segundo seu avô foi a leitura de testamento mais rápida que tinha visto.

Para o pai, deixou um envelope fechado, com um selo.

Depois começou a falar, se levantou entregou a sua mulher um envelope igual, a cada filha e a ele o mesmo.

Na verdade não me deu muito trabalho, ele deixou as coisas todas feitas, as filhas, tem contas no banco, além da fortuna pessoal de sua mãe, que ele nunca tocou.

A ourivesaria, continua com o controle de seu pai, então nada mais a dizer.

A cara dos irmãos, era horrível, ainda se levantou, entregou a ele, uma caixa, essas pedras, estavam com ele no voo, a policia finalmente a liberou, tem uma ordem dentro, para entregar para ti, deves mostrar as mesmas para teu avô, para decidirem o que fazer.

A cara dos seus tios era de inveja pura, sabia que cada um tinha uma loja de joias, que exploravam seus empregados, queriam essas pedras.

Ele saiu dali com seu avô, os dois de braços dados, foram até sua loja, seguidos por um guarda costa, que era um judeu já com sua idade.

É meu homem de confiança, riu dizendo teu pai se vingou, esses dois nunca o suportaram, são filhos de meu primeiro casamento, fui obrigado a me casar com a mãe deles, não sabem administrar o que tem.

Ele tinha acabado a meses a universidade, estava pensando no que fazer.

Quando entraram no loja do velho, era super conhecida, ali ao lado da Place Vendôme, aonde estavam as lojas das grandes marcas.

Todos vieram falar com ele, dar os pêsames, alguns ele conhecia do enterro de seu pai. O velho o arrastou para o andar de cima, para ele foi como entrar na Disneylândia, os homens todos trabalhando pedras.

Riu muito, o senhor não sabe, mas sonhei sempre com isso, aonde vivíamos, tinha um senhor que fazia isso, eu me sentava olhando, ele ia me dizendo o nome de cada ferramenta, foi dizendo as que estavam numa mesa ali ao lado.

Queria aprender, mas acabamos vindo para cá.

Queres aprender isso, tudo isso um dia será teu.

Se é assim tenho que aprender a trabalhar, começar de baixo verdade.

Amanhã, procuras o senhor, Abraham, ele é o mestre, foi até a mesa de um senhor, com os cabelos imensos, brancos, presos num rabo de cavalo, será teu mentor.

Estendeu a mão para o mesmo, que estava com uma luva metálica.

Esse disse, as 8 da manhã em ponto, te espero na porta de baixo.

Foi almoçar com o avô, um fato que aconteceria sempre.

No dia seguinte, se arrumou como tinha visto os outros dali, colocou um casaco de seu pai, que adorava, porque tinha o cheiro dele.

Sua mãe depois de ter aprendido, agora dava aulas na mesma escola, para mulheres árabes que buscavam aprender.

Seu avô o tinha avisado, não sabes mas na porta da casa, tem um alarma, lhe disse como fazer, saíram os dois juntos.

Estava ali trabalhando, quando seu avô apareceu do lado dele, venha comigo, pediu desculpas ao Abraham. O carro já estava esperando na rua, seus tios tentaram entrar na casa, a polícia chegou em seguida, estão lá.

Estavam com um advogado que parecia um mafioso.

Eles queriam as pedras que seu pai, devia ter escondido pela casa.

Ele se matou de rir, meu pai era muita coisa, mas não um tonto, nunca faria uma coisa dessa, pois sabia que eu descobriria.   Eu sabia tudo sobre seus negócios.

O filho da puta, nos vendia as pedras mais caras, exigia que o dinheiro fosse novo, que fossem precintadas, tem que estar em algum lugar.

Ele não disse nada, para aprenderem, não retirarei a acusação de invasão de domicilio.

Eles pediram ao pai, para retirar a queixa.

O irmão de vocês, sabia que se alguma coisa lhe acontecesse, como agiriam, por isso tomou suas precauções, eu mesmo lhe disse como fazer, por isso, suas filhas tinham conta no banco a herança delas esta já em seu poder.

Meu neto começou a trabalhar hoje para mim, por baixo, não como vocês que quiseram já chegar mandando, fazendo merda, por isso dei uma loja a cada um, essa é a única herança que terão de mim, a que toca ao meu neto, era a que tocaria ao meu filho favorito.

Agora quero ver de quem vocês vão comprar pedras?

Eu sempre me neguei a vender qualquer coisa para vocês, são mal pagadores, se fosse comigo, eu tampouco retiraria as acusações.

Ele teve que aguentar a mulher dos dois, irem a seu trabalho, quando quiseram falar com ele, disse que estava em horário de trabalho, que falassem com seu advogado.

Como se nada, nem levantou a cabeça do que estava fazendo.

Abraham falou baixinho, esses dois, são uns idiotas, podiam ter começado como vocês, preferem explorar gente que trazem de Israel, que mal sabem trabalhar, só fazem o básico.

Levou dois anos ali trabalhando com o Abraham, primeiro aprendeu a lapidar, depois montar uma peça, principalmente a desenhar a mesma, calcular o preço, isso aprendeu com seu avô.

Foi quando fez seu primeiro trabalho completo.

Apareceu uma cliente, antiga de seu avô, uma milionária americana, queria um colar para si mesma, os melhores presentes Joseph são os que me faço, meu marido prefere comprar para suas amantes, mas não tem bom gosto.

Ela mostrou uma foto de um vestido que Dior estavam fazendo para ela, olhou bem a senhora, viu que seus olhos eram negros, brilhavam como azabache, ficou desenhando, mostrou para o Abraham primeiro, depois levaram para seu avô, esse apresentou a senhora.

Era de Jaspe negro, lapidado, bem como polido, cercado de pequenos diamantes, tudo feito em ouro branco, era um desenho simples, formavam uma rosa, como as pequenas negras em seda, presas ao vestido.

Quando ficou pronto, ele foi chamado a sala do avô, ao lado do Abraham, apresentaram a senhora.

Teu novo aprendiz Abraham, perguntou ela.

É meu neto, senhora disse seu avô Joseph.

Ela se levantou, foi até os dois, adorei o trabalho, tenho uma outra encomenda, façam o mesmo em prata, com pedras similares, mas sem muito valor, conhecendo meu marido, ele pode querer roubar, essa ficará no meu cofre particular, para usar quando eu queira.

Foi interessante, na hora ficou com vontade de rir.  Não estranha um dia aparecer alguma mulher aqui com uma cópia de algum trabalho feito por mim, que lhe deu seu amante, pensando que é original.

Quando seu avô lhe ensinou a outra parte do trabalho, gostou, mas gostava mesmo de estar ali na oficina, preparando as coisas.

Uma cliente encomendou um trabalho, mas morreu antes, seu avô mandou prepararem a pequena vitrine da loja, só tinha uma grande na porta, o resto eram essas pequenas, aonde de noite se retiravam as peças, eram guardadas no cofre, ele fazia cada dia isso com seu avô.

Um dia esse lhe comentou, nunca falaste o que estava escrito no envelope de seu pai?

Soltou uma gargalhada, me esqueci de abrir.

Nesse dia, procurou o casaco que tinha sido de seu pai, lá estava.

Nele estava o documento de posse do apartamento que viviam, bem como de uma loja no mercado de Saint-Queen, além de orientação para ele tomar posse do que estava no banco.

Mostrou para seu avô.

A ideia dele, com essa loja, era criar joias antigas, reproduzir as mesmas, mas com pedras mais baratas, vender lá.

Gosto da ideia.

Convidou Abraham para almoçar, foram a um bistrô ali perto, falou com ele, pelo que soube do advogado está vazia, gosto da ideia dele, queres vir como meu sócio?

Mas não tenho tanto dinheiro!

Não se preocupe, podes não ter dinheiro, mas eres suficiente bom no teu trabalho, pois me ensinaste, queria aproveitar a ideia de meu pai, fazer joias com cara de antigas, cópias de alguma importante, mas sendo honesto, dizer que são antigas, nada por enquanto de diamantes, pedras caras, tudo teria que se de imitação.

Vou falar com o patrão, tem outros que são bons para me substituir, afinal ensinei a todos.

Nessa noite conversou com a mãe, que ela com um belo vestido, podia trabalhar de vendedora.

Se matou de rir.

Seu avô no dia seguinte lhe chamou, que história é essa?

Lhe contou a ideia, esse ria muito, batia com as mãos nas pernas, teu pai sabia bem o que fazia, começar com pedras falsas, mas ao atender algum cliente especial, fazer com pedras boas, falava muito nessa ideia.

Olhe bem essas pedras da caixa que estava com ele, desta vez, creio que pensava nisso, são variadas, nada de diamantes.

Ele tinha colocado as mesmas no cofre, sem olhar muito.

Foram os três olhar a loja, tinha um andar em cima aonde trabalhariam os dois, disse que tinha falado com sua mãe para ser ela a vender, assim se aparece algum cliente árabe, querendo uma joia para uma amante ela saberá atender.

Pensas em tudo, vou sentir falta dos dois, o mais divertido, foi que acompanhou com eles a reforma da loja, decidiu com o Abraham que o nome seria Maurytanius, mas com um desenho rebuscado, feito por ele mesmo.

No centro da loja duas estantes pequenas, iluminadas desde cima, com duas joias prontas, ao lado uma foto da original, no cartaz diria cópia.

Descobriu que seu avô, era amigo do avô de seu amigo Jean, perguntou por ele, fazia tempo que nada sabia do mesmo.

Está nos Estados Unidos, seus pais se separaram, sua mãe foi para trabalhar no MIT, segundo diz está odiando.

Pediu seu telefone, o convidou para vir, para conversarem, tai uma pessoa para trabalhar com a gente Abraham.   A ideia era algumas fazer para venda em boutiques, nada demais, coisas especiais.

Jean quando apareceu, estava diferente, magro, com seus cabelos loiros imensos, muito moderno.

Disse para ele o que queria que fizesse, sempre foste bom de lábia, apresentar nossa trabalho para criadores de moda, aqui, bem como nos Estados Unidos, já que falas bem inglês.

Jean tinha uma coisa, se tinha transformado num homem bonito, por conta de trabalhar com o avô que era um Dândi, sabia se vestir, se comportar com um cliente.

Nesse dia saíram para jantar os dois, foram a um bistrô que os dois gostavam, ficaram numa saleta pequena só eles.

Me conta tuas aventuras americanas?

Jean se matou de rir, os americanos são chatos, não querem romance, só o que tenho no meio das pernas, fui com minha mãe, pois ela nunca esperou que meu pai, pedisse o divorcio para se casar com uma aluna, mais jovem do que nos dois.

Mas me cansei, ela queria que eu fizesse alguma pós-graduação, mas meu amigo preferido, não estava lá.

Falou que sua mãe ia trabalhar na loja, sei que podes a ajudar a mudar sua maneira de vestir.

Assim o fez, inclusive fez uma coisa, convenceu sua mãe a tirar uma pequena tatuagem que tinha na frente, para dizer que era uma mulher casada.

A levou a um cabelereiro, manicure, nova maneira de se vestir, se seu pai a achava bonita, agora estava uma senhora de classe.

Se lembrou da outra que inclusive se via que tinha bigode.

Seu avô a conhecia, elogiou, disse que realmente sabia se vestir.

Quando tiveram uma boa quantidade de trabalho feito, Abraham tinha muitos livros, escolheram com cuidado.

Nesse meio tempo Jean, foi fazendo contatos, com muita gente.

Eles descobriram pedras elaboradas pelos chineses e coreanos, foram até lá para trazer o que achavam o melhor.

Um dia depois da inauguração, apareceu um senhor acompanhado do avô do Jean, mostrou uma foto, eles ampliaram, contou que era uma joia da família, roubada pelos nazistas.

Ele redesenhou a mesma, o homem ficou emocionado, disse que era isso mesmo, queria uma para dar de presente a sua neta, na foto se via os brincos que acompanhavam o desenho, o fizeram também, antes lhe deram o valor ao homem, ele pagou imediatamente a metade.

A neta ia se casar com um homem milionário, saiu uma reportagem sobre o casamento numa das revistas de moda.   Inclusive falava que eles tinham recriado a joia, a partir de uma foto da época, mas eram pedras de grande valor.

Seu avô apareceu por lá, dizendo quando eu te coloquei com o Abraham, sabia que os dois teriam química.

A joia nunca esteve exposta na loja, tinha ido direta para uma caixa que ele tinha desenhado, que tinha em cima, dentro de um círculo, com um desenho Berbere, Maury’s, com isso com argumento, com o desenho, Jean conseguiu que um grande costureiro, mostrasse o esboço de sua coleção para a feira da moda de Paris, eles fariam as joias, mas com material diferente.

Um dia apareceu na loja uma senhora, vinha indicada pelo avô do Jean, tinha uma maravilhosa peça de âmbar, com uma abelha presa dentro, meu avô era louco por âmbar, me deixou muitas peças, não sei se os interessa, tirou da bolsa, uma boa quantidade.

Eles compraram várias peças, o tom delas combinava sem querer com o das roupas do costureiro.

Desenharam em cima disso, criaram as peças, Jean levou todas dentro de caixas para o mesmo, ficou alucinado, o preço ia junto.  Mas na verdade seria como uma boa promoção.

Fez uma para sua mãe usar na loja.

Era um âmbar, que tinha outra pedra dentro, era interessante.

Saiu uma reportagem na Vogue francesa, que se repetiu na americana, nasce um novo criador.

Quando devolveram a coleção, o costureiro ficou com algumas para sua loja, ele levou algumas para a loja do avô, eram expostas dentro das caixas, ficou com outras que não tinha mandado.

Voaram, apesar de caras, os dois fizeram um curso de como criar através de outros materiais modernos, peças únicas.

Apareceu um homem, justo no dia que seu avô vinha trazer o dinheiro das peças que tinha vendido, voaram, claro tinham colocado ao lado a reportagem da vogue bem como do desfile.

Seu avô lhe fez um sinal, saiu da loja, lhe chamou pelo celular, esse homem trabalha para um dos teus tios, cuidado.

O homem queria que ele desenvolvesse uma coleção.

Foi educadíssimo, como quando queria ser, o outro foi atendido numa saleta que usavam para atender clientes, não se via nada da oficina, os moveis era antigos, nada mais.

Infelizmente estamos transbordados, sem material, o âmbar, é protegido, o fornecedor de quem compramos não tem mais, estamos em via de desenvolver material sintético, mas ainda estamos no começo, sinto muito em não poder atender.   Fez uma coisa acionou um sistema, faziam isso, para gravar o cliente fazendo a encomenda, aceitando o trabalho, bem como o preço, assim depois não podiam reclamar.

Jean tinha ganho um bom dinheiro com o seu trabalho, agora era independente, nada de contar com seus pais.

Vivia diretamente na casa do avô, quando não estava trabalhando para eles, atendia na loja do velho.

Contava sempre os dias que iam jantar, suas aventuras, ficava pasmo que ele não tivesse nenhuma, não sobra tempo.

O mesmo costureiro, queria uma coleção, para o inverno, a maioria de seus tecidos eram negros.

Tinham conseguido desenvolver um material sintético, que a base era negra, fizeram uma série de experiencias, incrustando pequenos pedaços de tecido nas peças, depois de lapidadas e lustradas, ficavam geniais.

Só uma tinha um valor absurdo, pois era um Onix, mas cercado de pequenos diamantes que estavam no cofre, seria usado com o vestido de noiva que o mesmo apresentava no final.

Pediu para ficar exposto na sua loja, as pessoas quando viam o preço se assustavam.

Depois foi para a loja do avô, dois dias depois se vendeu.

Usaram esse dinheiro para irem buscar no Dubai, tinham conseguido através do Jean, um contato com um exportador de lá.

Foram os dois, o homem não sabia que ele falava árabe, queria enganar o Jean, mas ele se adiantou, falando com o homem.

Esse ficou surpreso, acabou conseguindo o preço que ele queria.

A coisa agora era levar para Paris, tinha levado com ele a caixa que seu pai usava para transportar pequenas pedras, aparentemente era de madeira, mas tinha metal, que impedia que se visse o interior.

Como iam de primeira classe, além de controle vip, passaram facilmente.

Misturadas com as que tinha comprado, vinha uma falsa, que ele queria que o Abraham olhasse bem, pois depois só compraria destas.

Claro seu pai, tinha fornecedores, diretos das minas da Africa, o que facilitava, mas não tinha seus contatos.

Quando comentou isso almoçando com seu advogado, esse riu, esperava chegar esse dia, foi com ele ao seu escritório, abriu um cofre, lhe entregou um envelope imenso.

Ali estavam os contatos, bem como era o procedimento que fazia.

Sair do pais, dentro de um avião pequeno, de algum aeroporto simples, descer no Marrocos, atravessar, de ferry para o continente, levar por terra atravessando Espanha, não havia problema nenhum, foi pela primeira vez com o Jean, esse tinha feito com ele, bem como Abraham, um curso intenso para analisar as pedras.

Numa das idas ao banco, tinha descoberto misturado nos sacos de diamantes sem trabalhar, um de cor rosa, Abraham, estava trabalhando o mesmo, para fazer uma joia especial para um cliente árabe.

Na primeira vez, procuraram pelos nomes que seu pai tinha na caderneta, riram muito quando um deles disse que seu pai era um homem inteligente, apareceu aqui um homem dizendo que tinha sido mandado por ele, seu irmão, mas o sem vergonha queria pagar pouco.

Nunca fizemos negócio.

Os dois analisaram cada pedra que compravam, traziam dinheiro das caixas, com os papeis, assim os que vendiam sabiam que estavam negociando com o legitimo herdeiro de seu pai.

Um deles apresentou dois diamantes rosas, um tinha um pequeno defeito, mas trabalhando podia ficar bem, vendia esse mais barato.

No dia que iam embora, esbarrou com seu tio, esse veio falar com ele.

Mas entrou no carro sem falar com o mesmo, embarcaram em seguida, fizeram todo o caminho tomando cuidado, a partir de agora, mandaria o Jean, com o Abraham.

Comento com seu avô o encontro.

Esse dos dois, era o que tem mais conhecimento, mas ninguém quer vender para ele, me telefonou para saber como fazes.

Disse que nem sabia que não estavas em Paris.

Com o diamante defeituoso, criaram pequenos brincos, para fazer composição com o outro.

Venderam para um mulher árabe riquíssima.

Se mataram de rir, quando ela pediu se podiam fazer uma cópia com material sintético, assim diria ao marido que era falso.

O usou numa grande festa no Palacio do Eliseu, fez um sucesso incrível.

Saiu nas revistas, agora tinham clientes que queriam igual ou coisas similares.

Mas atendiam em especial, aparentemente a pessoa vinha comprar alguma joia de imitação como tinham na loja.   Mas o desenho era em especial.

A sua primeira cliente americana, foi a loja do avô, perguntou por ele, pelo Abraham, seu avô a levou até lá, fez uma boa compra das de imitação, disse que era para dar de presente para as amigas, bem como pediu uma joia que fosse simples, para uma a festa do Metropolitan, não tenho idade para usar uma dessas roupas espalhafatosas, disse qual costureiro ia fazer sua roupa, eles foram os três juntos com ela, Jean conseguiu o desenho, como era o tecido, ele foi ao banco rebuscou, entre as coisas de seu pai, até encontrar uma bolsa com pérolas, alongadas, dentro de aonde tinha comprado as mesmas, das ilhas Fuji, construíram o desenho com um acabamento de pequenos diamantes, sobra dos rosas, uma perola mais alongada, bem como dois brincos similares.

Saiu no Vogue americano, bem quem eram os criadores.

Logo claro choveu mulheres americanas procurando criações iguais.

Foram de férias os três, arrastaram sua mãe, tinham um sistema de segurança da loja bom, mesmo assim, deram dinheiro aos seguranças do mercado para isso.

Seu avô reclamou, se fosse mais jovem ia também, tinha numa pequena pagina o contato com quem seu pai tinha comprado, a muito custo encontraram o mesmo, ele já não mergulhava, mas seus netos sim, lhe mostraram várias peças, Abraham gostou mesmo de algumas que ele separavam dizendo que tinha defeito, eram diferentes, compraram das boas, traziam dinheiro cada um, separado em suas bolsas, ele fez uma coisa, compraram colares de perolas falsas, colocaram no meio o que tinham comprado.

Aproveitaram dois dias de praia, para voltarem.

Um dos seguranças, disse que um de seus tios tinha andado ali olhando a loja fechada, não se via nada exposto, tinha feito perguntas.

Um vizinho disse que estavam no sul de férias.

Fizeram com as de pequeno valor, uma série de joias de um livro que encontraram, joias antigas que levavam perolas, mas com as diferente que Abraham tinha querido comprar, fizeram uma coleção que Jean saiu mostrando para lojas famosas de Paris, duas ficaram em exposição na loja do avô.

Era como se a imperfeição se transformasse em perfeição, valorizavam isso.

Dos alongados, que claro pareciam imperfeição, fizeram joias misturadas com diamantes, essas Jean, levou para dois clientes ingleses, que atendiam árabes.

Fizeram muito dinheiro, os dois se surpreendiam, pois ele distribuía o valor entre eles, inclusive com sua mãe.

Seu avô ria, dizendo que ele tinha saído ao seu pai, se teus irmãos fosse inteligentes, o teriam tratado bem, mas são bons idiotas.

Se surpreendeu, um dia ser chamado das ilhas Fiji, o homem disse que em nome dele tinham aparecido seus tios, se deviam vender para eles.

Se vende nunca mais compro nada de ti.

Bom, porque não sabem analisar o valor do que temos.

Alguém da loja do avô estava passando informação a eles, foram descobrir, pois seu avô colocou seu homem de confiança verificando que era uma das vendedoras, que queria ser a chefa, mas a outra não permitia, inclusive era amante de seu tio.

Com a fotos dos encontro dos dois, seu avô mandou para a mulher desse, que sabia que era uma dessas judias de muito cuidado, era ela que sustentava as merdas que ele fazia.

Cortou o grifo, além de pedir o divórcio.

Pior foi que apareceu, pedindo satisfação, dizendo que era um golpe baixo.

Se fez de desentendido, não sei do que estás falando, o mesmo falou das fotos.

Não sei de nada disso, tens certeza de que fui eu, nem sabia que tinha ido atrás das pérolas.

Queria comprar dele.

Sinto muito, não tenho nada a vender, se queres uma das expostas aqui tudo bem, mas o preço é como para qualquer cliente.

Em seguida falou com Jean e Abraham, avisou o homem da ilha que iam comprar mais coisas com ele, os dois tinham visto como ele negociava.

Compraram muitas, além claro de outros fornecedores, principalmente as pequenas que funcionavam bem na composição das grandes.

Descobriu uma foto, antiga de um filme, em que a atriz principal usava uma joia impressionante fazendo papel de uma concubina de um harem, Jean se encarregou de descobrir se da foto eram de alta gama.

Nada era tudo imitação, o desenho tampouco era original, copiado de uma foto também, criaram em cima da foto, mas fazendo uma coisa bem oriental.

A principal colocaram na loja do avô, foi vendida no mesmo dia, por uma fortuna.

Se pagavam em dinheiro, o avô sugeria que o dinheiro viesse precintado do banco.

Assim era mais fácil usar para negociar.

Agora os meses antes da grande festa de Paris da Moda, tinham muitas encomendas.

Eram convidados pelos costureiros, para verem os desenhos de sua futura coleção, desenharem para eles.

Trabalhavam como loucos, Jean se matava de rir, dizia que assim nunca ia conseguir ter um namorado, ao mesmo tempo que reclamava de sempre acabar sozinho.

O avô estava doente, o chamou para conversar, como ia fazer com sua loja, guardei essa loja para teu pai, mas fostes esperto, criaste a tua própria, não precisas de mim.

Foi sincero, gostava como trabalhava, aqui teria que sempre fazer uma coisa mais formal, se fosse o senhor, garanto que tens ofertas de outras grandes, venda, retire uma parte para seus dias finais, reparta esse dinheiro entre suas netas, seus filhos, ou coloque num fideicomisso para seus netos que eles não possam colocar a mão.

Cada um tinha dois filhos, o velho pensou muito, fez o que ele tinha sugerido, mas a parte que recolhia para ele mesmo, ficaria para ele.

Os novos proprietários, uma empresa de Londres, mandou um homem para falar com ele, esperava que seguisse fazendo o que fazia com seu avô criar peças que podiam se vender lá ou em Londres.

Seus tios ficaram uma fera, queria colocar a mão no dinheiro do velho, mas quando viram o que ele tinha feito, ficaram furiosos, pois nunca poderiam colocar a mão no dinheiro de seus próprios filhos, a partir que o controle estavam nas mãos do advogado do velho.

Esses são capazes de roubarem seus próprios filhos.

Um Sheik, queria uma joia masculina, para uma traje que usava, que ficassem em seu turbante.

O fizeram, isso abriu uma porta a novos clientes.

Quando foi ao enterro do avô, estava disposto que ele rezaria o Kadish, no cemitério, estavam todos, inclusive sua mãe, com um vestido que Jean tinha escolhido para ela, bem como o avô do mesmo.

Falou da grande amizade que tinha com o velho, depois rezou para ele, seus tios estavam afastados, pois os dois tinham se divorciado, quem ocupava ao pés do túmulos, eram suas ex-mulheres e seus filhos.

Ele na época estava com quase trinta e cinco anos, olhou os rapazes, pensando, eu nunca terei um tempo como o deles, para fazer uma família.

Tirou umas férias, foi com a mãe a Mauritânia, queria voltar por instinto ao lugar que tinha saído.

Ajudou na escola, comprando material que pedia a professora, visitaram os amigos todos hoje homens grandes.

Só um tinha morrido, deixando um filho, com esse tinha jogado muita bola, foi visitar os pais deles, o menino correu para ele, abraçou sua perna, meu pai falava muito no senhor, que era o melhor jogador de futebol daqui.

Perguntou aos velhos, como iam fazer com o garoto, conseguiu contornar a situação, adotou o mesmo, ficou mais uma semana, para isso.

Um dos amigos, fazia o que seu pai fazia, lhe trouxe muitas pedras, comprou as melhores.

Gostou de um lote de diamantes, que tinham veios negros, por um preço irrisório, já imaginando o que faria, foi visitar nesse meio tempo o senhor de fazia lapidações ao seu pai, comprou mais com ele.

Disse que ele tinha sido seu incentivador, mostrou que sabia trabalhar, o garoto que o acompanhava todo tempo, ficava de boca aberta.

Deu o nome de seu pai para ele, Charles Saint-Pierre, quando voltou já tinha um filho, Jean conseguiu resolver seus problemas de nacionalidade.

Achou estranho pois agora o via sempre sozinho.

Um dias nos jantares que seguiam tendo lhe perguntou?

Riu, descobri que venho evitando a anos, uma coisa, me apaixonei sendo um garoto, por uma pessoa que me deu um soco me jogando longe, depois me estendeu a mão.

Sempre procurei homens como ele, mas estava ali ao meu lado, procuro algo que nunca tive coragem de dizer. Colocou a mão em cima da sua.

Começaram a sair como um namoro, queria ter certeza de que era isso que queria, o menino adorava o Jean, acabaram vivendo juntos, sua mãe, acabou se casando com o Abraham, pois tinham um largo historial de convivência.

Ele ficou com a casa para eles.  Ela adorava o neto, com quem só falava em árabe, assim ele não perdia seu contato como ele tampouco tinha perdido.

Seguiram trabalhando, o dinheiro que o avô tinha deixado para ele, além de que era proprietário da loja só estava alugada para os ingleses, tudo ia para um fundo para o futuro de seu filho Charles.

Esse não só tinha uma família completa, pais, avôs, tudo que podia pedir, enquanto seus avôs de lá foram vivos, iam todos os anos passar um tempo de férias.

Seu amigo agora trazia pedras para ele, como sempre contou que seus tios tinham vindo, mas claro como sempre queriam pagar pouco, por isso cobro mais caro, riu muito soltou uma que não sabia que agora os dois trabalhavam juntos, pois um tinha perdido a sua loja no jogo.

Vivem brigando, discutem por tudo.

Esse um dia veio pedir emprego, ficou espantado, seu filho sentado ao lado do Abraham, aprendendo a lapidar, ia a escola, depois ia para a loja.

Abraham dizia que esse menino ia longe, era melhor que ele inclusive.

Numa visita seguinte, o filho lhe fez um sinal de silencio, o arrastou com ele para uma parte afastada, meu pai, trazia como teu outro amigo pedras, por isso morreu,

Desenterrou atrás da casa do avô, um pouco mais afastado, uma caixa dessas de biscoito, cheia de pedras.

A foram levando aos poucos, Abraham as analisava, dizia o valor, ele depositava o mesmo na conta de seu filho, seria seu futuro.

Uma das mais bonitas, ele ensinou o Charles a lapidar, depois o obrigou a imaginar essa mesma numa joia.

Quando ficou pronta, ele disse ao pai que não queria vender, a tinha feito em homenagem a sua mãe.

Foi para o cofre no banco, quando ele fez quinze anos, o levou até lá, para ele ver o que tinha, sempre temos que trabalhar em cima do que temos.

Mas a pessoa que ele conversava mais era como o Abraham, que era como seu avô Joseph tinha sido para ele, conversavam discutiam peças.

Com 18 anos fez pela primeira vez um grande trabalho para uma cliente que só quem atendia era sua mãe, esta chegava num carro negro com chofer, encomendava alguma coisa, quando essa a levou ao andar de cima, o apresentou como seu neto, que ele tinha desenhado essa joia a mulher ficou como louca.

A dinastia segue disse ela a sua mãe, pois se via que o Charles era Berbere.

Ele um dia acabo confessando ao Jean, que tinha ciúmes quando ele contava de suas aventuras, pois sempre tinha gostado dele.

O achava extremamente bonito, o que ele não era.

Se não fosse você eu acabaria sendo um merda, desde a época da escola, estava sempre no meio das briga de meus pais, com você comecei a entender as coisas, me ensinavas quando não sabia, brigava com os professores, sabia que era por minha causa.   Temia perder isso.

Eram uma família, nos finais de semana, ou comiam na casa de Abraham, ou eles na deles.

Educou seu filho nas duas religiões.

Quando Abraham ficou doente, ele se dedicou de corpo e alma, ao homem que considerava seu avô, não só porque o tinha ensinado a trabalhar, mas que o acompanhava sempre a sinagoga.

Quando ele morreu, sua mãe, voltou para casa, ninguém sabia a real idade de Abraham, ele deixou tudo que tinha ao seu neto.

A ele uma carta, agradecendo a oportunidade que tinha tido de ser alguém, não um simples empregado.

Foi duro levar tudo, agora seu filho lhe ajudava, ele teria adorado trabalhar com seu pai, falava sempre no seu avô com o mesmo nome, bem como no velho Joseph.

Seus tios pelo que sabia acabaram perdendo tudo.

Como dizia o velho, não eram inteligentes como seu pai.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

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