PETTY - SEM IMPORTÂNCIA
Roland Bojardin, escutava a lenga, lenga do
advogado que lia o testamento de seu avô, um velho artista de Hollywood, nos
últimos anos fazia uma série de televisão em Londres, justamente na BBC, papel
de um velho detective, mas cheio de manhas para encontrar o culpado.
A anos atrás tinha roubado um Rover, que
ele adorava, o tinha ensinado a conduzir nele.
Levou um cutucão de
seu pai, pois não estava prestando atenção, na verdade não esperava nada do
velho, apesar de ser o único neto que o visitava, adorava seus papos, que os
outros achavam um saco, pois falava sem parar nas suas glorias passadas.
Ele como estudava literatura, corria para
casa, isso desde garoto, anotava tudo, pois sabia que na vez seguinte ele
contaria a mesma história de um ângulo diferente.
A primeira vez que se atreveu a verbalizar
isso, argumentou com ele, que da vez anterior, o caso era enfocado desde outra
perspectiva, o senhor disse que o bandido do filme, agiu assim, agora conta de
outra maneira, como se estivesse do lado direito da cena.
Ele se matou de rir, bateu as duas mãos nos
joelhos, finalmente alguém que presta atenção no que eu falo.
Ele sempre dizia o que pensava, motivo de
atrito sempre com seu pai, que era um interesseiro.
Olha avô, meu pai me manda aqui, porque
sabe que o senhor me dará algo de dinheiro, é o que ele quer, mas não sou
tonto, na hora que saio, coloco uma parte nas meias, bem embaixo, assim ele não
vê, depois corro para casa anotar tudo que o senhor falou, não quero ser no
futuro como ele, um sujeito sem profissão, que vive às custas do pai.
Fazia questão, porque o velho perguntava,
suas notas na escola, quero ser escritor, era sempre o primeiro da classe, seu
pai não se interessava a mínima pelo assunto, a ele lhe dava igual, viviam numa
casa que era do avô, uma das primeiras que ele tinha vivido, antes de ir para
Hollywood, como um grande ator inglês.
Conseguiu com um amigo, um velho tipo de
leitor de DVD, que hoje em dia nem existia mais, assim no seu quarto, via os
filmes antigos do avô, isso era motivo de conversa entre os dois, comentava com
ele, sobre determinada cena, acho que cortaram a ação final do senhor.
Um dia discutiram o final de um filme, que
de sério que era, virava uma besteira, como se tivesse acabado o dinheiro, o
filme não tinha feito sucesso por isso, embora de certa maneira a representação
do velho era considerada um clássico.
Como o pai não prestava a mínima atenção
nele, estava sempre pelos pubs com seus amigos, ele saia da escola, ia para a
casa do avô. Ultimamente este estava
furioso, pois tinha cancelado a série, tinham matado seu personagem.
O problema dizia ele, é que não sei ficar
quieto, a muito tempo vinha contando sua vida inteira para ele.
Nesse dia preocupado que o avô não tivesse
mais trabalho, soltou sem pensar muito, o senhor não se preocupe, não venho
aqui todos os dias, para o senhor me dar dinheiro, eu guardo tudo que separo,
assim não se preocupe, o ano que vem irei a universidade com bolsa de estudos,
não quero depender de meu pai para nada, tampouco se ele pedir o senhor lhe dê
algo, assim com tuas economias o senhor poderá seguir vivendo bem.
O velho se matou de rir, tens razão é o que
vou fazer.
Quando tiras férias, quero fazer uma viagem?
Dentro de duas semanas estou de férias.
Ótimo, assim vou te levar de aonde sai, mas
o mais importante não avise seu pai de nada, pois o sem vergonha é capaz de
querer ir junto.
Ele disse ao pai, que ia passar as férias
na casa de sua mãe, que vivia com seu novo marido no interior.
Só disse uma coisa, que lhe impressionava,
vê se tirar algum dinheiro dela, o marido é rico.
Quando se sentou no velho Rover Defender do
seu avô, contou isso para ele, o senhor pode me explicar, como meu pai pode ser
dessa maneira, um sujeito que não pensa em nada a não ser estar com esses
amigos, todos filhos de gente rica, que não fazem nada.
As vezes quando era pequeno, me levava com
ele, nos dias que tocava ficar comigo.
Era um inferno, eu ficava prestando atenção
nas conversas, isso que eu era um garoto, mas pensava, aonde esses idiotas vão
chegar.
Até que consegui aprender a arrumar
desculpas para não ir com ele.
Com isso passei a ter horror, aos pubs,
gente falando alto, enchendo a cara, cheiro de vomito nos banheiros, fumaça de
cigarro, acho uma merda, alguns colegas da escola, estão loucos para entrar num,
poder beber, isso penso que é perder tempo.
Foram para o interior, uma região que
antigamente estavam as minas de carvão da Inglaterra, ele foi lhe falando a
respeito, lhe perguntou se falavam disso na escola.
Muito pouco, só sei pelas classes de
história contemporânea, que Margareth Thatcher, causou muitos problemas para os
mineiros.
A pouco tempo tinha lido um livro na
biblioteca, pois me interessava o assunto, falou o nome do escritor, ele falava
nisso, bem como a perda da maior parte do império inglês.
Te interessa por história, lhe perguntou
seu avô.
Sim, penso em fazer literatura, pensei em
história, mas vejo tudo totalmente infra valorado, que mudei de ideia, quero
escrever histórias.
Seu avô, foi lhe contando, que seu pai,
tios, primos, todos trabalhavam nas minas, que ele tinha o mesmo destino, uma
vez fui com minha mãe a Liverpool, ela tinha problemas sérios, eu era o único
que podia acompanha-la, ficávamos na casa de sua irmã, mais nova que tinha
escapado da vila.
Vi um cartaz de uma obra de teatro,
comentei com minha tia, enquanto fomos ao médico, ela comprou os bilhetes.
Fomos ver uma obra de Shakespeare, eu
fiquei como louco, virei para ela dizendo, eu quero fazer isso, ser alguém que
possa falar essas belas palavras.
Ela convenceu minha mãe, já que não tinha
filhos, a me deixar com ela, assim eu poderia estudar. Dizia que na vila as pessoas aprendiam
pouco, só o necessário.
Minha mãe concordava, já que meus irmãos
tinham acabado todos trabalhando nas minas, soltou que se eu voltasse com ela,
meu pai não deixaria.
Meu tio, disse que só teria que mandar os
documentos da escola, bem como uma certidão de nascimento.
Ela quando voltou disse que eu tinha ficado
de férias lá.
Mandou os papeis, morreu quase em seguida,
tinha problemas de pulmão, por causa do ar contaminado da vila.
Meu pai achou melhor eu ficar, assim era
uma boca a menos para sustentar.
Na escola, minha tia me meteu no grupo de
teatro, quando me chamaram de viado a primeira vez, imagina eu vinha do
interior, dessa vila, ali brigávamos todos os dias na escola, dei um murro no
sujeito que me encheu o saco, ninguém mais falou nada.
Foi quando comecei a aprender a
representar, a ler, no Natal meus tios me deram vários livros de Willian
Shakespeare, eu os decorei, meu primeiro papel foi vários personagens de Sonho
de uma noite de verão, como faltavam atores, eu fazia todos os pequenos, tinha
que trocar de roupa rápido.
Depois meu tio conseguiu um emprego em
Londres, fomos para lá, ela me arrastou a escola de teatro a mais
respeitada. Fiz provas com o que já
sabia, foi meu começo.
Os dois foram uns pais maravilhosos para
mim, ele era duro, havia que respeitar as regras da casa, nada de bebida, fumar
impossível, quando fiz meu primeiro papel importante, eles ficaram felizes na
plateia, acho que assistiram o mesmo umas dez vezes.
Fui subindo, pensava no futuro, guardava
dinheiro que ganhava, pois dava uma parte em casa, o resto no banco, orientação
dele. Se fosse meu pai, que pegava a
metade dos salários de meus irmãos, do que ganhavam nas minas, estaria fudido.
Depois das obras clássicas, descobri os
autores contemporâneos, foi lhe dizendo as mesmas, com isso fui
melhorando. Caçoavam de mim, por viver
com meus tios, não cair na farra como queriam muitos, se achavam o máximo, já
morreram todos.
Eu devia muito a eles, viviam no subúrbios,
mas não me incomodava.
Algumas garotas sabiam que eu faziam
teatro, me perguntavam logo se eu ganhava bem, entendia que se queriam casar
com alguém com dinheiro, que as tirasse da vida que levavam.
Eu dizia que não, era uma maneira de
escapar, soltava veja bem, ainda vivo com meus tios.
Infelizmente não viram minha carreira
deslanchar, morreram antes, na verdade eram muito mais velhos que minha mãe,
perdi um atrás do outro.
Para quem sempre gostou de hábitos, eu
segui vivendo na mesma casa, não mudei nada.
Fui melhorando nos papeis que me ofereciam,
me mantinha, pagava os impostos da casa, o que sobrava tudo era para o banco.
Foi quando fiz o primeiro filme da minha
vida, foi difícil, era diferente de fazer teatro, havia que fazer a cena de
várias maneiras, para o diretor encontrar a perfeita segundo ele.
Por isso quando me falaste de como conto as
histórias, repetidas, mas de ângulos diferentes, foi assim que aprendi a fazer
cinema.
Logo em seguida meu pai, apareceu, alguém
lhe disse que pagavam bem para os atores de cinema, queria dinheiro, soltou na
minha cara, que tinha gastado muito dinheiro na minha educação.
Eu agora era mais alto que ele, forte, não
trabalhava duro nas minas, mas fazia exercícios.
Disse que nem pensar, que comigo ele não
tinha gastado nada, tinham sido meus tios.
Ficou furioso, como sempre, bebia demais,
me ameaçou, me levantei, lhe disse que ele estava na minha casa, que a porta da
rua era logo ali.
A casa era pequena, dois quartos, os de
meus tios e o meu, uma sala pequena, cozinha, depois atrás um pequeno espaço,
como eram as casas de subúrbios.
Ele me soltou na cara, realmente não deves
ganhar muito dinheiro, pois vives nessa merda de casa, soltei uma gargalhada,
isso me diziam os companheiros, quando sabiam aonde eu vivia.
Mas na verdade, eu passava o dia inteiro no
teatro, ensaiando alguma coisa, nem sempre viam a luz dos holofotes como digo
sempre.
Fiz outro filme, do anterior tinha colocado
todo o dinheiro no banco, esse novo, fez mais sucesso, eu fazia o segundo
papel, era uma coisa tonta, uma comedia, nem existem cópias hoje em dia, mas
passou no pais inteiro, passaram a falar comigo de outra maneira.
Nunca dizia aonde vivia para ninguém,
marcava que fosse me buscar para as filmagens, ou dizia que chegaria com meus
próprios pés.
Foi quando fui a primeira vez para
Hollywood, imagina um avião para NYC, dois dias depois fiz o casting, o duro
foi o outro voo, que atravessava o pais inteiro.
Os Estúdios da Universal, me mimaram,
queriam que eu assinasse um contrato, um velho ator inglês, que estava a muito
tempo lá me soltou, te obrigaram a fazer muitas merdas, me deu um cartão de um
advogado.
Esse leu o contrato, disse que eu só faria
esse filme, pois tinha um outro em Londres.
Não gostaram mas aceitaram, em seguida fiz
outro, esse mais importante, em outro Estúdio, queriam a mesma coisa, mas agora
era macaco velho, já sabia por aonde iam os tiros.
Tinha dinheiro, nada de ficar por conta dos
mesmos, aluguei um apartamento, pequeno como era minha casa.
Depois de vários filmes, finalmente fiz um
bom, desses que se veem pela televisão, com noite de estreia, tapete vermelho,
etc.
Tinha que ir acompanhado de uma iniciante,
a mesma logo quis se encostar comigo, dizia para todo mundo que era minha
namorada, era tipo loira, como dizem hoje, fazendo o famoso personagem de loira
burra, com biquinho e tudo.
A
mandei a merda, só muitos anos depois, tinha feito todos os tipos de filme
inclusive de Cowboy, já nem tinha o sotaque inglês, me comprei uma casa, um
pouco melhor, nada demais, ali nas colinas de Hollywood, de um ator que estava
na merda, tinha tido vários casamentos, pagava pensão para essas mulheres.
Foi quando conheci tua avô, ela vinha daqui
da mesma maneira que eu.
Conversamos, ficamos primeiros amigos,
fizemos um filme juntos, quando vimos, estava gravida de teu pai.
Mas não nos casamos, ela queria ser livre,
tinha sua casa eu a minha.
Confesso que o fato de não me casar, viver
juntos foi ótimo, assim eu podia fazer minha vida, logo fui fazer uma obra na
Broadway, a crítica gostou, falava da minha carreira no East End de Londres,
essas tonteiras todas.
Eu procurava sempre outros espetáculos,
agora fazia de tudo, até musicais fiz, era uma época que surgiam novos
dramaturgos.
Mas resolvi que nunca mais estaria ligado a
ninguém. Se paras, para perguntar, eu
tinha relacionamentos de uma noite, achava bom, homens, mulheres, o que me
interessava era estar livre.
Seu pai, foi educado por ela, que lhe fazia
todas as vontades, quando lhe interessou se casar com um diretor famoso, o
meteu numa escola interna, de gente rica claro.
Ela já não fazia sucesso, depois se casou
com um outro mais rico, chegou a se casar pelo menos umas cinco vezes.
Mas eu nunca pude fazer nada, ela tinha a
guarda dele. Eu voltei para Londres,
para fazer um espetáculo, acabei ficando novamente, fazia sim filmes aqui, o
que fizesse falta, além de gostar do roteiro.
Por mim mesmo, fui me educando, mas de uma
maneira, levei sempre a vida simples, primeiro comprei esse apartamento que teu
pai usa.
Depois comprei o meu atual, mas isso,
depois que voltei da América outra vez, fiz de novo por lá, uns dez filmes,
alguns queriam era meu sotaque britânico, papeis de militares, essas coisas.
Tinha um pequeno apartamento só para
mim. Tua avô morreu num acidente de
carro, teu pai, estava na universidade, era péssimo aluno.
Queria manter sua boa vida, lhe dei uma
mesada, segundo um companheiro num filme, era o que ele pagava para o seu, mas
para ele isso nunca bastava, tentava me chantagear, que era um péssimo pai,
caia do cavalo, pois eu concordava, nunca me senti pai dele, era um belo
desconhecido.
Voltei para cá para fazer um filme, uma
parte foi filmada aqui, outra na Índia, ele veio, foi junto comigo, o coloquei
como meu ajudante, mas o idiota se metia em todas as merdas possíveis, o mandei
de volta para Londres.
Ele nunca parava em emprego nenhum, eu
seguia pagamento a mesma mesada, aliás quem o fazia era meu advogado.
Teve primeiro seu irmão mais velho, que foi
um golpe dele, pois ela tinha dinheiro, foi esperta, fez um contrato, quando se
separaram, ele era como uma puta, ela lhe pagava uma pensão.
Depois foi a segunda, eu estava de novo em
Hollywood, agora só me chamavam para fazer papeis de homens sérios, nunca mais
uma comédia que eu adorava.
Finalmente nasceste tu, foi o único que ele
trouxe pequeno para conhecer, pela primeira vez senti afinidade com algum neto.
Lhe disse uma coisa, que ele devia guardar
o piru nas calças, deixar de dar golpes em mulheres ricas.
Tua mãe morreu logo em seguida, mas deixou
pouco dinheiro para ele.
Ficou uma fera, pensou que ia ficar rico de
vez.
Por isso sempre me visitava com algum neto,
para me tirar dinheiro, foste o único que prestava atenção realmente no que eu
contava.
A viagem foi interessante, eu de noite, me
sentava no quarto, escrevia tudo que ele me contava, ainda fazia uma coisa,
imaginava a cena, num outro caderno escrevia como imaginava isso.
Quando voltamos, mostrei para ele, se matou
de rir.
Tens imaginação.
Quando fui para Oxford, ele ia me visitar,
com seu velho Rover, aprendi a conduzir com ele me ensinando.
Com a idade, ele tinha um chofer, mas era o
mesmo carro.
Quando acabei de escrever as histórias
todas que me contava, mandei o texto para ele, me disse que estava bem, mas que
devia fazer um curso de escritura narrativa.
Teve uma conversa longa comigo, eu fui
franco, engordei a bolsa de estudos, com minhas economias, mas precisava
trabalhar.
Ele levou o texto que tinha revisado comigo
várias vezes, a uma editora, adoraram a ideia uma biografia, escrita pelo neto
do ator famoso.
Foi publicado, mas conversando com o
editor, arrumei um emprego como leitor.
Fiz uma coisa como ele dizia, arrumei mais
perto o possível do trabalho, um apartamento pequeno, assim me livrava de meu
pai, que pensou que eu tinha ficado rico, estava cheio de dividas.
Dizia na maior cara de pau, esse velho não
morre, para receber logo sua herança.
Foi nesse momento do testamento que ele me
cutucava, eu só pensava, será que me deixou o Rover, eu adorava esse carro
velho, ele me emprestava quando precisava sair da cidade para falar com algum
escritor.
Meu segundo livro, foi ele quem leu
primeiro o texto, fez uma série de sugestão, que aceitei.
Ficou mais limpo, fez sucesso, como sempre
meu pai, como não sabia aonde vivia, correu a editora, para pedir dinheiro
emprestado.
Disse ao porteiro que não conhecia esse
senhor, porque senão ia aparecer sempre, saia pela entrada de serviço do
prédio, ou seja por detrás, pois o vi várias vezes me esperando.
Meu avô cada vez que o via, reclamava dele.
Na hora não entendi nada, o advogado me
chamou, me deu um envelope grande, pelo visto tinha deixado a casa que meu pai
vivia para ele, a outra, era para ser vendida, dividir o dinheiro entre todos
os netos, o jeep era para mim.
Quem vai querer um Rover velho, disse meu
pai, olhou para mim, eu disse que só queria isso, adorava esse carro.
Só mesmo tu, para querer como herança isso.
O advogado me fez um sinal, fingi que ia ao
banheiro, deixei todos irem embora, já que quando se vendesse a casa,
avisariam, mandaria a parte limpa para cada um.
Me mandou abrir o envelope, dentro estava
uma carta, siga as instruções do advogado, pense bem na minha oferta.
Me deixava o apartamento que eu vivia, o
tinha comprado para mim, sabia que tinha trocado de proprietário, mas
depositava num banco o pagamento.
Além de uma caixa no mesmo banco aonde eu
pagava, autorização para aceder a caixas bem como sua conta particular nesse
banco.
Ao final uma sugestão, saia daqui, te deixo
o apartamento de Los Angeles, vá para lá, faça o tal curso que te falei, bem
como um de roteiro de cinema, tens imaginação, mas tudo isso, quieto, não faça
alarde de nada, pois teu pai, vai gastar o dinheiro que lhe toca, ira atrás dos
filhos.
Marquei de ir ao banco com o Advogado.
Fui para casa pensando, ele sempre tinha
vivido modestamente, mesmo o apartamento que deixava para nós os netos, apesar
de valer muito, dentro a decoração era a mais simples e confortável possível.
A única coisa que valia, já tinha me dado a
meses antes, um dia cheguei em casa o porteiro me avisou que tinha uma série de
caixas que tinham chegado para mim.
Fiquei surpreso, eram os roteiros de toda
sua carreira, com uma nota, guarde, podem servir de inspiração.
Na hora não entendi, telefonei para ele,
espere e vera, não seja afoito.
Como o apartamento tinha no último andar,
um pequeno armazém, levei tudo para lá, ajudado pelo porteiro, ele tinha
conhecido meu avô no dia que veio para conhecer minha casa, conhecia todos os
filmes do velho.
Ainda disse para o mesmo, cuide de meu
neto, tirou a carteira, notas de valor, deu ao mesmo.
Agora teria que arrumar um lugar para o
Rover, teria que saber se o edifício tinha garagem, nunca tinha olhado por
isso, pois ia de metro para o trabalho.
Não tinha prestado atenção no valor, tinha
deixado de dinheiro para meu pai, mas tampouco era problema meu.
No dia combinado, fui com o advogado ao
banco, levei um susto era muito dinheiro, depois desci sozinho, para os cofres,
fiquei surpreso, ali estavam alinhados por ano, cadernos de anotações, com um
bilhete, isso com os manuscritos, eu tinha material para escreve um ou mais
livros, mas crie personagens, nada de falar que é a minha vida.
Falava novamente que eu devia aproveitar
esse dinheiro, ir para Los Angeles, o apartamento é teu.
Então de todos, eu tinha saído ganhando.
Sabia que meu irmão mais velho tinha um bom
emprego na bolsa de valores, que o outro, também era professor na universidade,
a única coisa que tínhamos em comum, era que todos fugíamos de nosso pai.
Esperei chegar o final do ano, com uma
carta do advogado de Londres, para o de Los Angeles, comprei um bilhete para
lá, ia dar uma olhada, estava de férias.
O apartamento dele ainda não tinha sido
vendido.
Tinha feito uma besteira na leitura de
testamento, dei o número do meu celular para meus irmãos, algum deles, deu para
meu pai.
Não cansava de ligar, para me pedir
dinheiro, com o que tinha recebido parece que pagou suas dívidas, mas enchia o
saco de todo mundo.
Troquei o número do celular, para o
trabalho usava outro que deixei na empresa, embarquei num voo noturno direto
para Los Angeles, era uma viagem pesada, mas fui de primeira classe.
O advogado de lá me esperava no aeroporto,
me levou direto ao apartamento, mandei limpar tudo, o apartamento estava
fechado, uma empresa limpava o mesmo.
Riu, um dos comentários do pessoal que
vinha, como podia ser apartamento de uma estrela de Hollywood, se ali faltava
charme, tudo era do mais simples.
Estava morto de cansado, tirei as coisas da
mala, fazia muito calor, tinha saído de Londres com frio, embaixo de chuva.
Ali fazia um sol tremendo, achei
impressionante era a vista, dava para o mar, não era a primeira linha de praia,
mas como era um último andar, se via o mesmo.
Assinei os papeis que ele me passou, me deu
o número de seu celular, eu disse que lhe chamaria, teria que ter um de lá.
Tomei um banho, desci para comer alguma
coisa, ali por perto era perfeito, cheio de lojas, restaurantes, vi que estava
bem situado, não tinha ideia de como resolver as coisas ainda.
Fui andando até o mar, logo estava um píer,
me sentei por ali, se ficasse teria que comprar roupas, tudo que usava era
muito sério.
Voltei olhando vitrines para o
apartamento. Apesar de ter dormido a
maior parte do tempo, estava cansado.
Meu celular de Londres, não parava, sabia
que era ele, fiquei puto, quem tinha sido o idiota de lhe dar esse no número,
resolvi pelo mais simples, apagar o mesmo.
Aproveitei comprei um bem barato, só copiei
no mesmo o telefone da editora, do advogado de lá, o de Los Angeles, isso
bastava.
Avisei a editora de Londres, eram eles que
chamavam, meu pai tinha conseguido entrar, tinha feito um escândalo, pois
precisava de mim, não acreditava que estivesses de férias.
Alguém do escritório do advogado tinha
comentado, que o melhor parado do testamento era eu.
Falei com o advogado, ele tinha colocado na
rua sua secretária, tinha sido a mesma.
Mas avisei o porteiro de teu edifício, para
não o deixar entrar, qualquer coisa que chame a polícia, bem como a mim,
desculpas.
Comecei bem as férias pensei.
Mas me informei, fui a universidade para
saber sobre os dois cursos que ele insistia que eu fizesse.
Teria que trazer papeis de Oxford, esse
nome sempre impressionava, meu nome não lhes dizia nada, porque ele usava
outro.
Mas voltei por NYC, pois meu editor me
disse que também podia fazer lá.
O mais fácil de Los Angeles, era porque
teria aonde viver.
Quando cheguei a Londres, o porteiro estava
farto de meu pai, fiz uma coisa que jamais imaginei fazer, fui com o advogado a
um juiz, conversei com o mesmo, a eterna pressão dele, querendo dinheiro, o
senhor imagina nunca parou em nenhum emprego, enche o saco dos filhos atrás de
dinheiro, ganhou uma fortuna no testamento de meu avô, mas já gastou tudo,
segundo o advogado estão querendo lhe embargar a casa, ele ao mesmo tempo
entrou na justiça, acredita que o apartamento do meu avô deve ser dele também.
Pediu uma ordem de que ele não podia se
aproximar dele, quando comentou com os irmãos todos acharam ótimo, vamos fazer
isso também.
A primeira vez que tentou entrar em seu
apartamento, chamou a polícia, apresentou o documento assinado pelo juiz, o
levaram preso, não retirou a queixa.
Quando descobriu que os filhos tinha feito
a mesma coisa, ficou uma fera.
Aproveitei, pedi as contas da editora, fui
a caixa do banco, retirei uns quantos cadernos, busquei os textos
correspondentes, estavam super ordenados.
Deixei para comprar roupas lá, transferi
dinheiro para um banco de lá, não toquei no do meu avô, mas sim minhas
economias, bem como o que tinha ganhado com meus dois livros, estavam aplicados.
Tomei um voo, desta vez ia na classe
executiva, nada de gastar dinheiro demais.
O problema foi no aeroporto, senti falta
nessa hora do Rover, o tinha deixado com o porteiro, ele cuidaria para mim.
Mas consegui um tipo de furgão que me levou
até o meu novo lugar para viver.
Finalmente comprei roupas, como via os de
minha idade ou mais jovem usando, eu nunca me dava conta da minha idade, ainda
não tinha trinta anos.
Como estava matriculado, logo comecei a ir
as aulas, fazia os dois cursos ao mesmo tempo, já que estava formado em
Literatura.
O que notei de imediato, era que tinham uma
maneira de ensinar diferente, nada a ver com o pomposo de Oxford, tampouco em
termos de linguagem, ia ser um bom aprendizado.
Ao mesmo tempo, arrumei um dos quartos do
apartamento, comprei um laptop, bem como uma impressora, coloquei uma mesa que
tinha no apartamento, para usar para separar os textos, bem como coordenar com
os cadernos aonde ele escrevia.
Na carta tinha me explicado que isso lhe
ajudava a trabalhar os textos, bem como durante a filmagem.
Li primeiro o texto do filme, cheio de
anotações dele, algumas era críticas, sobre o personagem, entendi de imediato o
que era, claro estava acostumado a uma linguagem britânica, ali era ao
contrário, como se filho da puta fosse uma vírgula.
Li várias vezes o mesmo, para entender não
só os textos, bem como suas anotações.
O texto estava baseado num acontecimento
original, quando abriu o caderno, além de anotações, indicando a página do
texto, recortes de jornais da época tudo amarelado, ele para construir o
personagem, que era o mau da história, que cumpria pena de prisão, tinha ido
falar com o mesmo, escutou uma outra versão da história.
Calculei quanto anos tinha isso, fui me
informar a respeito, consegui que o advogado procurasse saber se a pessoa ainda
era viva, pois tinha prisão perpetua.
Me disse que sim, que atualmente tinha
quase 90 anos, era uma dos presos mais velhos do pais.
Conseguiu que autorizassem uma visita, me
identifiquei para ele.
Riu muito, durante anos, teu avô me
mandava, todos os anos, uma cesta de Natal, ele entendeu o que aconteceu
comigo, eu realmente matei essas pessoas, não só porque mereciam. Mas todos os dias penso nisso, se o faria
novamente, não me arrependo.
Eu tinha lido o texto do cinema, falei que
meu avô depois das visitas, tinha escrito toda a história que ele tinha lhe
contado, assim montou o personagem.
Contei dos comentários das briga dele, com
o diretor do filme, por isso fez um personagem diferente.
O homem sorriu muito, disse que meu avô
tinha tido sorte, ter um neto como eu.
Ele me deslumbrava, lhe contei da maneira
como contava as histórias, os meus irmãos fugiam dele, pois diziam que essas
histórias eram sempre as mesmas.
Mas nunca prestaram atenção que ele fazia
de proposito, eu descobri que ele fazia de uma maneira, analisando como se
filmava, de vários ângulos, para ver como saia melhor, a história era a mesma,
mas os ângulos dela não. Quando comentei
com ele isso, me deu um beijo, finalmente tinha alguém que o entendia.
Fiquei pensando nisso, que todas as
histórias tinham vários ângulos, bem como a maneira de ver de cada um dos
personagens.
Li tudo que tinha nesse caderno, ele só não
tinha podido ajudar o mesmo, em termos de conseguir livrar o mesmo da cadeia,
pois tinha realmente matado as pessoas.
Tinha agido como um Robin Hood, matado
todos que tinha abusado dele.
Mergulhei em cheio em cima disso, o texto
do filme, bem como o trabalho do meu querido velho ficaram dentro de mim.
Mas fiz uma coisa, escrevi a primeira
parte, fui ao presidio, perguntei se ele podia ler para mim, estava contando a
história dele, vista por outras pessoas, queria ver sua versão.
O homem com os cabelos brancos, cheio de
tatuagens, se matou de rir, disse que na saída pedisse um livro negro, disse o
nome do texto, vais ter trabalho, escrevi no meio das frases, não tinha aonde
escrever.
Assim reconstruir toda a história, quando
apresentei no curso o professor me perguntou o que queria aprender afinal, se
tinha todas as ferramentas.
Lhe comentei da maneira diferente de
escrever, dos americanos para os ingleses.
Riu muito com meu comentário, mas segui com
o curso, quando tive o texto pronto, levei uma cópia para a prisão, me
perguntou como eu tinha me saído com o texto do livro, na vez seguinte, eu
tinha levado uma série de blocos, pedi para ele escrever sobre os anos passado
na prisão.
O diretor depois que eu falei com o mesmo
concordou.
Ele me disse que tinha sido como uma explosão
de uma bolha de sabão, tudo isso guardado dentro de mim, me disse que tinham
dois esperando na saída.
Me saia bem no curso, o mais complicado
para mim, era o de roteiro, pois tinha que criar personagens em volta do
acontecimento, mas isso fiz com o que meu avô tinha escrito, não comentei nada
com o professor.
Fiz uma coisa, comecei a rebuscar, para ver
se encontrava uma cópia do filme, fui dar um arquivo de filmes de um
colecionador.
Me permitiu ver o filme, mas não fazer uma
cópia.
Era interessante ver meu avô jovem, fazendo
o papel desse homem, procurava dar veracidade ao mesmo.
Coloquei um anuncio, buscando alguém que
tivesse uma cópia do filme.
Me respondeu um homem de San Francisco,
falei com o mesmo, lhe contei que o personagem era meu avô, queria ter uma
cópia, para juntar com o que ele tinha escrito a respeito.
Concordou, desde que eu deixasse ele ver o
que ele tinha escrito.
Não falei nada do texto do filme, nem de
suas anotações.
Era um senhor de idade, tinha trabalhado no
filme também.
Falamos muito a respeito, aproveitei para
conhecer a cidade, o mais interessante, me senti como carne nova na praça, um
termo que o homem da prisão mencionava nos seus primeiros dias lá.
O ator fez um jantar em sua casa, todos
tinha sido atores, eram gays dentro do armário, a maioria queria saber se meu
avô falava algo a respeito.
Sim sempre encarou isso com simplicidade,
me disse só para ser honesto comigo mesmo, confessei que tinha medo das
relações, principalmente por causa do meu pai, que era um homem complicado,
acho que passou por tantas mulheres, quando devia ter ido atrás de um homem
rico para sustenta-lo.
Riram muito com isso.
Completei dizendo que na verdade não tinha
criado filho nenhum, queria sim depois pedir dinheiro a todos.
Alguns tinha conhecido meu avô, o homem que
me deu a copia do filme passado para DVD, comentou em particular, que tinham
tido uma noite juntos depois do final do filme.
Queriam lhe empurrar uma das famosas
starlets, para passar por sua namorada, ele disse que não estava isso no
contrato, aliás era interessante, não gostava de festas como eram as antigas de
Hollywood.
Vi o filme várias vezes, a maioria
acompanhado de suas anotações, ele analisava cena por cena, como a teria feito,
como queria o diretor, que no fundo distorcionava a história.
Estava reescrevendo tudo isso, telefonei
para o presidio, perguntei se podia levar o DVD, para o que na verdade era
personagem do filme.
O texto do filme tinha sido escrito por um
jornalista, que imaginou a história, mas a maioria não era real.
O homem ficou feliz, lhe contei que estava
reescrevendo, tudo, queria ver como ficava, me entregou seus últimos escritos,
acaba aqui.
Ainda não tinha chegado a essa parte,
estava juntando toda a parte escrita pelo meu avô, com a que ele tinha me
passado no primeiro livro, escrito em cima da história do mesmo.
Alguém deixou na cela que uso, esse livro,
resolvi começar a escrever por cima.
Foi uma bela experiencia, um dia tinha
escrito a noite inteira, tinha caído rendido na cama, quando tocou o celular,
era do presidio, tinha morrido durante a noite, tinha um câncer sem tratar.
Perguntei como ia ser enterrado, faremos
uma missa aqui, pois ele era católico, depois o enterraremos aqui mesmo, como
todos que cumprem cadeia perpetua.
Fui a missa, a assisti ao lado do homem que
compartia cela com ele, me disse que eram amantes a muitos anos, lhe deste um
motivo de felicidade nesses últimos tempos.
Avancei a história, pois quando ele chegou
no presido entendeu que se queria sobreviver, teria que viver com algum dos
homens que mandavam no pedaço, com os anos ia analisando isso, ao final dizia
que com seu último companheiro, que cumpria perpetua como ele, tinha encontrado
a paz que buscava.
Quando acabei tudo, tinha um puta livro,
tive que reduzir o mesmo, a ideia foi, escrever como uma sequência, até uma
parte, depois a entrada dele no presido, ao final nosso encontro.
Inclusive falava do meu avô, como tinha
buscado o contacto com ele para poder criar o personagem.
Levei o texto para uma editora, indicada
pela de Londres.
Dois dias depois me chamaram, queriam
editar, comentei que o livro tinha sequência, na verdade eram três.
Mas por experiencia, fui com o advogado,
mostrei a história vista de vários ângulos, o do meu avô, o do rapaz/senhor,
agora vinha a parte que ele começa visitando o mesmo para construir o
personagem, ao mesmo tempo que ele começa a sobreviver dentro do presidio.
Queriam fazer um contrato, dizendo que
poderiam vender para uma série de televisão, eu disse que não que no momento
fazia um curso para isso, que a etapa seguinte seria justamente essa, escrever
eu mesmo o roteiro, não gostaram muito.
Tinha mandado o texto para Londres, através
do meu advogado lá.
Queriam editar também, me falaram de novo
da editora de NYC, resolvi tomar um avião, levar pessoalmente o texto em mãos,
eles já sabiam do que tinha acontecido em Los Angeles, três dias depois, me
chamaram.
Editava, com a ressalva num contrato, que o
direito a explorar o mesmo como roteiro para cinema ou série de televisão era
minha.
Eles mandariam o contrato para o advogado
de lá.
Mas fui a editora retirar o texto, não
gostaram muito, foi quando lhe disse que tinha experiencia tinha trabalhado
numa editora em Londres.
Queriam mudar tudo, mas já tinha assinado o
contrato com a de NYC.
O advogado de Londres, disse que meu pai,
não parava de criar confusões, que finalmente tinha vendido o apartamento do
velho. Depositei o dinheiro na tua
conta.
Ele queria saber aonde estavas.
Pela primeira vez na minha vida, tinha uma
certa paz, em saber que ele não iria aparecer.
Resolvi criar um personagem como autor do
livro, usando o nome do meu avô no cinema, Roland Bojardin, consegui
documentação, nos Estados Unidos era permitido isso.
Quando saiu em Londres, nos Estados Unidos
o primeiro, meu pai começou a bombardear, mas não sabia aonde eu estava.
Um belo dia o advogado de lá me chamou, ao
parecer ele tinha se metido com quem não devia, dizendo que eu pagaria suas dívidas,
segundo parece, vivia num pequeno apartamento, cercado de emigrantes, que era o
que podia pagar.
Foi assassinado.
Telefonei para meus irmãos, ninguém queria
como dizia o mais velho, suas mãos com ele.
O mandei enterrar ao lado do meu avô, que
nem assim se livraria dele, imaginei ele falando a respeito, mas era o único
jeito, ou ser enterrado como indigente.
Mas foi cremado, só suas cinzas estavam
ali.
Ninguém foi ao enterro, tinha morrido sem
pena, nem gloria, o único que acompanhou tudo, fui eu, que aproveitei as férias
do curso, para ir a Londres.
Comentei com o advogado, se ele soubesse do
que eu tinha, teria me infernizado a vida, o outro completou que era capaz até
de me matar.
Apesar de ter avisado meus irmãos, não
apareceram. Não havia nada para fazer um testamento, a única coisa que serviu,
foi que resolvi mandar meu Rover para lá, sairia caro, mas me dava igual.
Aproveitei mandei o resto do material do
velho, os textos, os cadernos, que iam melhorando conforme o anos.
Só fiz uma coisa, com o dinheiro do
primeiro livro, resolvi me mudar, arrumei uma casa, grande, em meus termos
claro, em Malibu, diante da praia, preparei no andar de cima, um quarto seria
meu escritório, no outro arquivo com tudo isso.
O professor me orientou que eu olhasse,
livros que tinha sido transformado em série, leia primeiro o livro, depois como
fizeram a transformação, como ele dizia, os diretores transformavam as
dificuldades de um texto numa coisa banal.
Acabei o curso engavetei o mesmo, estavam
editando a sequência, claro agora era conhecido, queriam me entrevistar,
organizei de tal maneira, que fosse uma entrevista só, no auditório da
universidade.
Claro o que chamava atenção agora, era que
falava do encontro do meu avô com o personagem, que tinha representado.
Uma das perguntas me chocou, como sendo um
ator sério, meu avô tinha ido falar com um assassino.
Perguntei ao jornalista, se tinha lido o
primeiro livro?
Me disse que não.
Soltei sem pensar, esses americanos, leia
para depois entender, quem sabe se estivesse no lugar do criminoso não terias
feito pior.
O segundo texto, li várias vezes, descobri
que ele tinha odiado fazer esse filme, porque o texto inicial era um, estava
preso ao final do que foi feito o filme, depois o diretor apresentou outro,
modificado por ele, de uma coisa séria, interessante, tinha virado um filme
comercial.
Li depois o caderno todo a respeito, ele
comentava dia a dia a filmagem, de como podiam olhar dessa maneira o texto
original.
Procurei saber se o escritor original era
vivo.
Vivia perto de Carmel, telefonei, me
identifiquei, perguntei se podia falar com ele.
Me convidou para o visitar, foi uma
surpresa, imaginava um homem de muita idade, mas era jovem.
Me contou que era seu primeiro roteiro, fiz
a besteira, só descobriria depois, assinei um contrato, eles podiam fazer o que
queriam do texto.
Mas tinham convencido teu avô a fazer o
filme com o original.
Estava baseado no meu primeiro livro,
depois desse escrevi uns tantos, até que me dei conta que falava de mim mesmo
em alguns casos.
Nunca fui um escritor vamos dizer de
investigar, lia alguma notícia me colocava no lugar do personagem.
Soube sim fazer uma coisa, na época conheci
um homem, com quem vivi algum tempo, ele investia, fui colocando o dinheiro que
ganhava para isso, valorizar, hoje não escrevo mais, li teus livros, gostei
demais, na época tive uma aventura com teu avô, mas ele era sério demais para o
sistema americano, eu diria seco, como sempre falava não tinha tempo a perder,
ia direto ao assunto.
Na época tinha se separado da mulher que
teve seu filho, era complicado, comentava que não suportava a maneira como ela
o educava, permitindo tudo.
Me disse que vinha de outra formação, que a
vida de aonde tinha saído era dura, que nunca esbanjava o seu dinheiro.
Seu apartamento era o menos glamouroso que
se podia ver, tanto que contava rindo que quando queriam fazer uma entrevista,
o Estudio montava um cenário, representando sua casa, como iam mostrar uma casa
que parecia pobre.
Tinha tirado uma cópia do texto original, o
que tinha modificado, bem como as anotações do velho, ele se matou de rir, até
eu fico imaginando escrever algo a respeito.
Combinamos que eu escreveria alguma coisa,
ele também.
Me perguntou se eu era como meu avô na
cama, com um sorriso na cara.
Não sei, nem tenho ideia, sei que sou
complicado isso sim.
Mas resolvi não tentar nada, não queria
perder meu tempo com uma foda inecessária pensava eu.
Resolvi criar um personagem, no caso meu
velho, esbarrando com isso, um texto que ele tinha lido o livro, como
mencionava, o texto original, quando chegava a filmagem, preparado, o diretor
lhe dava outro texto, ficava furioso, nessa época o Estudio controlava tudo.
Pensou em abandonar a filmagem, mas
perderia dinheiro, procurou fazer o melhor possível, apesar de tudo, fez um
relativo sucesso, porque a atriz principal era conhecida.
Inventou conversas com ela, sabia que na
sua autobiografia, ela falava disso, de ter vindo da Broadway, assinado um
contrato, que a prendia a vários filmes.
Procurava fazer o mais seriamente possível,
mas a maioria era uma merda, depois voltou para o teatro raro foram os filmes
depois, só fazia se fosse em NYC.
Ao contrário do que ele tinha feito, o
autor do mesmo, reescreveu seu roteiro original, de outra maneira, colocou nele
personagens que tinha no livro, que tinham sido engolidos, achou o trabalho
excelente, ia publicar, agradeceu o chute na bunda, volto a estar no circuito.
Resolveu não publicar por enquanto o mesmo.
Depois desse filme seu avô tinha voltado
para Londres, fez um filme que 80%, foi filmado na Índia, a filmagem eram
complicadas, pois tinham além de um elenco grande, cenas de multidão, de
soldados, enfim, era como o começo da queda do Império Britânico, no pais.
Pela primeira vez ele fazia comentários
políticos, de como se manejava tudo.
O roteiro também era mudado, como era da
BBC, vinha junto um homem que controlava o texto.
Leu a respeito, o filme foi indicado a um
Oscar, pelo diretor, mas não ganhou, segundo procurou saber, era político
demais.
Levou anos escrevendo, com este fez uma
coisa, aproveitou fez uma viagem a Índia, queria ver o que tinha resultado.
Se entrevistou com professores de história,
na universidade, mas pelo visto não se aprofundavam no assunto, lhe indicavam
livros, só um que era inglês, que tinha vindo muito jovem, por não encontrar
empregos na Inglaterra, esse tinha uma visão diferente, um pais difícil, com
excesso de população, lhe apresentou um ator e diretor de cinema, de um lado
ele fazia os filmes que faziam sucesso, Bollywood, como se dizia, com esse
dinheiro fazia outros mais sérios, lhe apresentou seu filho, um ator conhecido.
Esse começou a cerca-lo, entendeu o jogo
dele, queria escapar dali.
Conversou com o mesmo, talvez em Londres
ele conseguisse o que queria, pois já existiam atores Indianos trabalhando, mas
em Hollywood, ele não sabia, se aconteceria alguma coisa.
O outro queria como estava acostumado, ser
reconhecido como famoso.
Comigo não vais a lugar nenhum, pois odeio
tudo isso do famoso, quando muito dou uma entrevista quando lanço um livro,
nada mais.
Escreveu uma história, justamente sobre
isso, agora o fazia se documentando, que como os atores de outras raças,
dificilmente conseguiam transpassar a barreira, a maioria faziam filmes
independentes, entrevistou uma série de atores negros, outros de outras raças,
sempre era mais ou menos igual.
O que tinha agora, eram textos de filmes
que ele tinha feito na Inglaterra, resolveu voltar para seu apartamento em
Londres, de novo movimentou tudo, levou o Rover, não podia ficar ali, ia se
estragar com o ar marinho.
Mandou os textos todos de volta, fez uma
coisa que ninguém iria imagina, vendeu a casa de Malibu, tinha imaginado uma
coisa, mas ali era festivo demais para ele.
Se instalou em seu velho apartamento,
primeiro fez contatos, conseguiu, conhecer os Estudio que ele tinha filmado em
Londres, assistir algumas gravações, era totalmente diferente da maneira
americana de filmar.
Agora as revistas queriam que escrevesse
artigos, sobre o que ele via e pensava do cinema.
Durante um tempo, conjugava isso com
escrever alguma história.
Voltaria as coisas de seu avô só anos
depois, necessitava se afastar disso, construir ele mesmo as histórias.
Pelo menos ali, não era considerado um
famoso, era um escritor, nada mais, vivia modestamente, nada de luxo, quem ele
conhecia, pela noite, achava interessante sua maneira de vida, a única coisa
que fazia, quando iam a sua casa, era fechar a porta de seu escritório.
Por um acaso conheceu, um homem que ele
tinha visto no cenário do Estudio, começaram a conversar numa festa.
O mesmo fazia papeis menores, não era
bonito, não faço o gênero galã, sou mais pela velha escola, quando soube quem
era seu avô, soltou na maior, era meu ídolo, uma vez uma professora minha usou
isso para me criticar, eu nunca seria um galã, desses tontos, seria uma pessoa
complicada como teu avô, a mesma tinha contracenado com ele, no teatro e algum
filme, disse que levava tudo como uma linha, brigava muito nas filmagens por
causa dos textos, ao contrário de simplesmente representar.
Contou que ele era realmente assim, deixava
tudo escrito.
Procurou saber que filme ela tinha feito
com ele, viu o mesmo, ela fazia um papel pequeno e tonto, nada de valor,
mostrou para seu amante, por isso, hoje em dia dá aulas, quando vê alguém que
leva a serio isso a deve incomodar.
Foi ver um trabalho que Peter fazia no
momento teatro, seu nome parecia pomposo, Peter Everton, disse que era seu nome
real.
Gostou do trabalho dele, em seguida faria
um filme, apareceu com o texto para ele dar uma olhada, ainda não assinei o
contrato, me querem para o papel tal.
Leu o texto, sinalizou para ele outro
papel, veja, podes fazer um belo trabalho com isso.
O mesmo falou com o diretor, esse se matou
de rir.
Pediu para o conhecer, foi franco, não
gosto do texto como está, quem escreveu, morreu nas drogas, por isso o Estudio,
quer fazer o filme, podes me ajudar.
Sentou-se com ele, reescreveu o texto, o
que faria o Peter na verdade era o próprio escritor.
Um sujeito que entrava e saia das clínicas
sem dó nem piedade.
No fundo era um tipo como seu pai, de
família rica, tinha feito um curso em Oxford, no qual pelo visto ele ficava
mais tempo nos pubs, que estudando, se achava acima do bem e do mal.
Mas era filho bastardo de um Lord, por isso
era complicado.
A partir disso, reescreveu o texto
aumentando o papel do Peter, foi um sucesso.
Ao mesmo tempo, se meteu em pesquisar a
vida do sujeito, escreveu outro texto, já para o cinema em cima do personagem,
no filme o personagem aparecem entrando numa clínica, ele fez a sequência, dele
saindo de uma, jurando nunca mais cair nas drogas.
Do texto, para o cinema, achou que valia a
pena, apesar de não ter bagagem, mas conhecia o trabalho do Peter, para montar
um monologo, em que a pessoa jura sempre que será a última vez, mas recai,
sempre, até virar um trapo, o personagem é só uma ponta para ele escrever sobre
o assunto.
Fez um sucesso incrível, queriam fazer um
filme a respeito.
Peter disse que estava cansado, tinha sido
meses de ensaio, com ele retocando o texto, por palavras mais do cotidiano das
pessoas, nada de ser uma coisa rebuscada.
Depois meses fazendo o mesmo, indo depois
pelas capitais de províncias.
Ele ia junto, gostava de estar com Peter.
Esse ria, dizendo como ele era bonito,
tinha medo de que fugisse com alguém.
As conversas que tinham eram
impressionantes, em Liverpool, um rapaz se aproximou, apresentou um texto para
o Peter, depois que vi como trabalhas, gostaria que desse uma olhada no meu
texto.
Acabou trabalhando com o rapaz o texto, foi
o lançamento do mesmo.
Peter fez o papel que tinha escrito para
ele, no teatro e no cinema, mas logo em seguida o rapaz ficou famoso, se
perdeu.
Das mil e umas conversas que tinha com ele,
escutou como fazia com seu avô, depois ia para casa, escrevia, fazia anotações,
era como se soubesse o que ia acontecer.
Os momentos de euforia, nas vésperas da
estreia, aonde ele via que o mesmo já consumia drogas, fez de tal maneira o
texto, primeiro como livro, contando a história do buraco que ele tinha saído,
do porto de Liverpool, de uma família complicada.
Foi visita-lo aonde estava, mas segundo os
médicos não tinha solução, a cabeça estava perdida.
Escreveu de tal maneira que depois viraria
um texto de cinema, Peter fazia o papel do rapaz com mais idade.
O mais interessante, era que ele nem
fumava, nem bebia, odiava drogas, o acompanhou a esses lugares todos que o
pessoal vivia como homeless, nas drogas, ou de okupas.
De uma certa maneira tudo isso mexeu como
Peter, vinha de uma família parecida, tinha se salvado por um triz, descobri o
teatro na escola.
Ao mesmo tempo começou a ir a um psicólogo,
tinha mexido muito com ele.
Se perguntava isso, seu avô tinha saído
também de um lugar complicado, como tinha feito para se construir a partir
disso, ser um homem que tinha conseguido uma certa gloria, no cinema e teatro.
Nunca tinha falado a respeito a não ser
durante a viagem que fizeram, mas era como ele estivesse contando a história
como gostaria que fosse.
Começou a fazer o que ele fazia, contar a
mesma história de várias maneiras, embora escrevesse a mesma coisa.
As partes ocultas, o porquê essa repulsa
com seu pai, o fato de nunca ter casado com sua mãe, talvez uma repulsa a
família.
Peter em seguida ia filmar em Hollywood,
perguntou pela primeira vez se queria que fosse junto.
O olhou de lado, não me imagino indo, sem
ti.
Pensei muito a respeito, conversei com ele,
podia ir, mas sentia que alguma coisa me escapava.
Entre nós o relacionamento agora era mais
de amizade, nos entendíamos, mas sentia que para ele faltava algo, talvez
aventura.
Disse que iria depois, quando terminasse o
que estava escrevendo, comentou isso de seu avô com seu pai, achava
interessante isso dele ter finalmente escolhido um neto.
Sem querer depois do Peter ter ido para
Hollywood, resolveu ir olhar o último do livros, agora eram como as livretas
que ele usava, negras, não se referia a nenhum texto.
Mas a conversação que ele fazia com os
netos, queria saber se havia algum interessante como pessoa, tinha se
surpreendido com ele, dizia que era o único que prestava atenção no que ele
fazia, de contar a mesma história uma e outra vez, como se tivesse com
Alzheimer ou coisa parecida, do que ele tinha falado.
Uma parte do meio, era a viagem dos dois,
queria que ele entendesse de aonde tinha saído.
Apesar de todo mundo pensar que vivia num
mundo de glamour, ele gostava de ter o pé no chão, saber quem era, considerava
com tendo encontrado um trabalho interessante, mas era como se o contratassem
para trabalhar na mina, só que a sua era no palco, ou no cinema.
Como explicar isso as pessoas, me pagam
para executar algo, me preparo, como se vestisse a roupa para abaixar as minas,
o resto é mergulhar, para encontrar alguma coisa no fundo de mim mesmo.
Falava de ter escolhido a solidão, como as
pessoas se decepcionavam com ele, esperavam um homem com um certo glamour, para
descobrir ao final que eu não passava daquele rapaz que escapou das minas.
Esse sentimento, era sempre o mesmo,
chegava à conclusão, que a palavra amor, era uma coisa de textos, cinema, que
iludia a cabeça das pessoas, que tinha encontrado no neto, essa paixão que ele
tinha de observar, ler, buscar nas entrelinhas um caminho a seguir, sei que fará
um bom uso dos meus escritos, dos textos, alguns hoje em dia estão
ultrapassados, mas cada um tem uma história por detrás.
Estava analisando sobre isso, no que
escrevia sobre seu pai, quando escutou o grito de socorro do Peter, pegou o
primeiro voo.
O personagem era justamente do que ele
tentava escapar, deu seu apoio a ele, ficou observando se não consumia drogas
ou outra coisa, o acompanhava inclusive as filmagens, trabalhava o texto com
ele.
Acabou as rodagens, arrumou as malas,
queria voltar para casa.
Logo em seguida, viu que ele tinha lacunas,
começava a falar alguma coisa, se perdia, tinha visto duas vezes isso durante a
filmagem, parava do meio do texto, procurando algum sentido no que falava, ou
era isso que pensava.
Foram aos médicos, esse se mostrou
preocupado, pois ele tinha uma espécie de um síndrome, como se alguma coisa o
tivesse afetado muito.
Voltou outra vez ao psicólogo, que o chamou
em particular, o texto sobre as drogas tinha mexido muito com sua cabeça, devia
conversar com ele, para descobrir o que tinha por detrás disso tudo.
Foi quando se abriu com ele sobre seu
passado, pais complicados, irmão mais velho justamente se unindo a traficantes
de drogas, como tinha morrido fuzilado na rua, pela polícia.
Aparentemente os pais, deram graças a deus,
foi quando escapou de casa, na escola aprendeu a fazer teatro, foi sua solução,
tinha começado como um a mais, até mostrar que podia ir a mais.
Se abriu com ele, que uma vez o irmão até a
alma de drogas tinha abusado dele, ao tocar no assunto isso voltou a minha
cabeça.
Disso não gostava do filme de Hollywood,
era sobre uma família complicada.
As vezes se levantava de madrugada, ia se
sentar na sala.
Um dia o viu sentado quando se levantou
para preparar café, estava morto, tinha tido um enfarte, pressão demais,
pensou.
Quando achamos que passamos dos problemas.
Foi um enterro como ele queria, poucos
conhecidos, a maioria gente do teatro, lhe pedia que pagasse para esse
beberrões uma ronda de cerveja, nada mais.
Ele ficou pensando nisso, de certa maneira,
sem sua mãe, nunca se falava muito a respeito, ele tinha sido criado por um
entre e sai de babas, até que apareceu uma senhora, essa tinha sido contratada
pelo seu avô, quando seu pai lhe dava uma ordem, ela dizia na cara dele, que
estava ali para cuidar do menino, quem me paga é o velho.
Agora se lembrava desse detalhe, o levava
para ver o avô, nessa época ele não se aproximava muito, mas ficava fascinado
por algum livro que via por ali.
Dava dinheiro a mulher para o levar a uma
livraria, para escolher o que ler.
Desde criança tinha isso, se evadia nas
histórias dos livros, construía um mundo totalmente seu, nada da realidade
daquela casa.
Um pai que chegava sempre de madrugada, que
as vezes passava dias sem falar com ele, nunca lhe perguntava nada.
Quem fazia isso era o avô, por isso levava
sempre com ele o boletim da escola para mostrar para ele, achou estranho ele
começar a contar sempre a mesma história.
Ficava quieto o observando, os olhos do
velho brilhavam, como se tivesse em cima de um palco representado, ao mesmo
tempo o observando, até que se atreveu a falar com ele.
A morte do Peter, tinha aberto para ele,
uma coisa, rever esse passado, podia considerar que talvez a pessoa que
realmente tinha amado na vida, era seu avô, pois tinha ajudado que ele se
construísse.
Mesmo depois da morte de seu pai, pouco
sabia de seus irmãos, viviam suas vidas, nunca o procuravam, nem quando lançava
algum livro.
Agora pela primeira vez se sentia sozinho,
com todas essas histórias ao longo do tempo acabou de rever tudo, mas nenhuma
como a primeira.
Gostava mesmo era do final, construiu um
personagem em que todos o querem por seu dinheiro, fica observando a família,
para saber se realmente alguém se interessa por ele, descobre isso num de seus
netos, que presta atenção no que fala.
Pela primeira vez, fala do relacionamento
com seu avô, mas despejando isso no livro, como os dois se encontram, um
querendo pela primeira vez gostar de alguém da família, o outro porque precisa
que alguém goste dele.
O livro fez muito sucesso, lhe perguntaram
se ia transformar em roteiro de cinema, ou texto de teatro, não tinha pensado
nessas possibilidades.
Um ator amigo do Peter o procurou, queria
montar o texto, a conversa de um velho, com um garoto.
Ficou de pensar, no momento queria um
momento de folga, pegou o Rover, fez a mesma viagem que tinha feito com seu
avô, queria lembrar de detalhes de que tinham falado, as vezes parava nos mesmo
lugares, aonde ele ia falando coisa, por mais que escrevesse, era como
recuperar nuances dessa conversa, detalhes que ele olhava o que tinha escrito,
era diferente.
Tinha as anotações dele, também para
confrontar, o que tinha falado, ele o que tinha escutado, as vezes eram
completamente opostas, talvez ele falasse de uma maneira que queria se
entendido, num dos comentários dizia, que tinha sido como reviver um período de
sua vida que pensava ter esquecido completamente.
Seguia escrevendo sobre o assunto, criou um
livro interessante sobre essa viagem, numa pagina o que seu avô tinha falado,
na outra o que ele tinha entendido, como no jogo que fazia de contar a mesma
história de ângulos, perspectivas diferentes.
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