UNCAUSED
Tinha semanas na nova delegacia, aonde
estava destinado, Castro, San Francisco, foi obrigado a parar seu curso de
direito no final do terceiro ano, tinha perdido sua família em Sacramento de
uma maneira besta, só sobrou, ele.
Seu pai para variar bebeu demais, não sabia
dizer o que tinha acontecido, voltavam de um rodeio numa cidade perto, ele
estava cansado, bancou ser cowboy no rodeio, ganhou um prêmio, que na verdade
não lhe interessava, mas seu pai dizia que isso era a prova dos nove para se
fazer homem.
Despertou no hospital, tudo que se lembrava
era do carro dando voltas, ele de cabeça para baixo, mas na sua queda foi
amortizada pelo seu irmão menor que ia ao seu lado, que era gordo, talvez isso
o tivesse salvado, lhe disse o xerife.
O duro foi o depois, no próprio hospital,
em que se recuperava, receber a visita de advogados, para lhe dizer que
finalmente com a morte do pai, tinham embargado a fazenda, que as dividas dele
eram superior a tudo que tinha de dinheiro.
Se viu de uma hora para outra com uma mão
na frente outra atrás, seu tio que era policial na cidade, veio lhe visitar
várias vezes, esse meu irmão nunca teve jeito, lhe disse mil vezes para
controlar seus gastos, mas para ele, que se sentia superior, isso era fácil.
Agora estás sem família.
Te aconselho uma coisa, te recuperes, pense
no que queres fazer, mas voltar a universidade, a boa vida de lá, nem pensar.
Isso se consegues que o juiz te declare em bancarrota, pois iram por ti, para
pagar o resto das dívidas dele.
Ainda fazia fisioterapia, o problema todo eram,
nas pernas, mas graças a deus seus braços tinham ficado intacto.
Riu se imaginando num rodeio, pelo menos
laço poderia lançar.
O primeiro da família ir à universidade,
com 16 para 17 anos, antes do tempo, pelo menos sabia se defender dos bullying,
pois com dois irmãos mais velhos do que ele, se virava para defender-se,
inclusive o menor, era mais forte que ele.
Era como se ele não fosse da família.
Tudo que sabia era que havia, uma irmã mais
velha, mas era um tema tabu na família.
Foi sua sorte o advogado veio vê-lo, lhe
trazia uns documentos, ele na verdade era filho dessa irmã mais velha, filha do
primeiro casamento de seu pai.
Ficou gravida com 15 anos num dos muitos
rodeios que ele levava a família, o pariu, morrendo em seguida, apesar dos
documentos, seu pai fez uma coisa, o registrou com seu sobrenome.
Mas isso talvez lhe livrasse de ter que
pagar as dívidas dele.
Foi o argumento que o advogado deu, mas foi
honesto com o juiz, no momento, ainda estou aprendendo a andar de novo, terei
que conseguir um emprego, mas estou de favor no hospital, bem como irei para a
casa de meu tio quando tudo se acabe.
Mas tudo torceu quando ficou bom, um mês na
casa do tio que falava todo santo dia na história do irmão, que estava de saco
cheio.
Viu um dia nas mensagens que chegava à
delegacia, um curso para policial em San Francisco, atirar ele sabia, tinha
aprendido desde criança.
Falou com seu tio, este achava que ele
sequer passaria nos exames médicos, mas vinha esse tempo todo fazendo
exercícios no ginásio da escola aonde estudava, bem como conseguia correr, além
de uma vantagem, saber usar a cabeça.
Foi para San Francisco, até chegou a rir,
pois seu tio, lhe deu dinheiro para ir, mas não para voltar, dava para pagar o
ônibus, sua tia lhe preparou uns sanduiches, pelo cheiro o motorista avisou que
era proibido comer dentro do veículo.
O comeu na metade da viagem, quando chegou
a San Francisco, sabia aonde se apresentar, passou tranquilamente nos exames,
ainda pensavam que ele vinha do exército por causa das cicatrizes nas pernas.
Foi imediatamente para o campo de
treinamento, se saia bem em todos os exercícios, bem como superava os demais
nos de tiro, como ele só um outro que também vinha do interior, aonde caçava na
floresta.
Quando um dos professores soube que ele estudou
até o terceiro ano de direito, lhe fez uma prova, lhe aconselhou ficar mais uns
meses, assim também teria mais idade, fazer curso para inspector.
Tirou as notas mais altas nos exercícios de
observação, o mesmo o recomendou para a delegacia de Castro, lhe perguntou
antes se ele tinha problema com os gays, ou com raças.
Eu, de maneira nenhuma, imagina tinha sido
criado na fazenda, com mexicanos, negros, o que fizesse falta para a colheita.
Seu melhor amigo, era gay assumido desde sempre,
descobriram o sexo juntos, depois ele foi fazer universidade em NYC, pois sua
família o queria o mais longe possível.
No primeiro dia, ficou parado na frente da
delegacia, olhando o pessoal entrar e sair, no dia seguinte oficialmente
começava a trabalhar.
Um policial, atravessou a rua, perguntou o
que ele tanto olhava?
Vou trabalhar aqui, queria saber como é.
O outro o arrastou para a mesma, foi
falando o nome de todo mundo, o levou até a sala do chefe, mais um garoto para
perder sua virgindade.
O chefe mostrou, sua ficha na frente dele,
foi claro li várias vezes, tens boas notas em tudo, vens recomendado por três
professores, espero que dê a talha.
Nisso entrou um homem, com os cabelos
brancos, indicou o mesmo, teu novo companheiro, o sujeito o olhou de cara feia,
mais um garoto.
Ele disse, já tenho 24 anos, comecei a
universidade com 16 anos, mas não pude acabar.
O outro o olhou sério, pela maneira de
falar, imagino que sejas do interior de Sacramento?
Sim, nasci e vivi lá, mas a porca torceu o
rabo, tive que ir embora.
Venha, vamos dar uma volta pelo bairro.
Saiu com ele, falando como funcionava a
coisa ali, temos sérios problemas com drogas, gays que não sabem se comportar,
mas de uma maneira geral, o pior são os assassinatos, jovens que ninguém sabe
de aonde saíram, que por qualquer coisa matam, alguns saíram de orfanatos que
não os preparam para o mundo exterior, outros são negros, mexicanos, enfim uma
quantidade de jovens que se prostituem pelas ruas, as vezes nos final de semana
as celas ficam cheias.
Foi mostrando os pontos, justo nesse
momento, passavam por uma livraria, ele olhou para dentro, um sujeito ameaçava
o caixa com um revolver, sinalizou para o companheiro.
Esse disse, há uma entrada justo pelo beco,
quando te veja no final, entro.
Não deixou mais ninguém entrar na livraria,
ele foi se escondendo pelas estantes, quando viu estava atrás do sujeito, a
primeira coisa que viu, era que o revolver era de brinquedo, encostou o dedo na
cabeça do mesmo, dizendo que ia disparar, que deixasse a arma no balcão.
O rapaz, chegou a se mijar nas calças, só
disse não atire, o revolver é de brinquedo.
Isso eu sei, segurou as duas mãos do
sujeito atrás, só então seu companheiro entrou, rindo, já funcionas direito,
como sabia que o revolver era de brinquedo.
Ora usei muito desses quando era criança.
Foram os dois pelas ruas levando o rapaz, esse
disse que estava assaltando, pois tenho fome, me jogaram na rua, sai do
orfanato, mas não consigo emprego nenhum.
Passaram num lugar, o seu companheiro
disse, aqui é um posto de recrutamento, venha comigo, o levaram, ele
cumprimentou um sujeito, disse que esse rapaz estava perdido, dormindo nas
ruas, inclusive se mijou nas calças, pensou que íamos prendê-lo, acho que é um
bom caminho o exército.
Ele saiu de fininho, foi ao bar ao lado,
mandou fazer um sanduiche imenso, levou para o rapaz.
Isso vais ver todo o dia, se ele for
esperto, vai fazer algum curso no exército, que o capacite para trabalhar
depois, pelo menos agora não estamos metidos em nenhuma guerra.
Perguntou aonde ele ia morar?
Aluguei um quarto aqui perto, com o
dinheiro que me deram do curso, eu não gastei como os outros indo encher a
cara, tenho péssima experiencia com quem bebe muito.
Estendeu a mão para o outro, Darin Vaughan.
O outro fez o mesmo Jesse White, sai como
esse rapaz de um orfanato.
No dia seguinte se apresentou logo cedo,
Jesse ainda nem tinha chegado, não sabia se tinha que trabalhar de uniforme,
mas o levaram para uma mesa ao lado da dele.
Estava cheia de processos, de todo mundo, o
rapaz que o levou, estavam usando tua mesa como arquivo, o ajudou a limpar a
mesma, lendo de quem pertencia os casos, colocando na mesa dos mesmos.
Cada um que foi chegando, ia se
apresentando, Jesse, chegou mais tarde, disse que tinha passado no Juiz, fui
assinar meu divórcio, não cometa esse erro, nesta profissão, teu amante é teu
companheiro, casamentos não funcionam, filhos pior ainda.
Saberia com o tempo que Jesse, que seu
filho, se perdeu nas drogas.
Ele, separou os casos que estavam sobre a
mesa, que eram dos dois, estava lendo tudo para se atualizar, isso de uma certa
maneira impressionou o outro.
Jesse comentou com os outros, que ele tinha
começado no dia anterior, contou a cena dele entrando, colocando os dedos na
cabeça do rapaz.
Saíram os dois, depois que lhe dessem uma
placa com seu nome, bem como a arma regulamentar.
Pela tua ficha vi que foste campeão de tiro
na escola de polícia.
Sim, mas antes que diga alguma coisa,
imagino que isso não signifique nada, pois no dia a dia a coisa é diferente,
mas aprendi de criança a caçar na fazenda.
A semana transcorreu normalmente, no
domingo que não trabalhou, andou pelo bairro, bem como foi ver o panorama que
se via da ponte. Ainda pensou, um dia
terei um apartamento decente, teria ir com calma com isso.
Na segunda-feira, logo que chegou teve uma
chamada, alguém que voltava do final de semana, encontrou sua oficina aberta,
com uma pessoa morta dentro.
Foram os dois para lá.
Um homem mais alto que ele, forte, parado
na porta, era como uma oficina mecânica, restava uma sombra das letras da mesma
em cima da porta.
O homem se apresentou, fui passar o final
de semana fora, emprestei a chaves para um amigo que precisava usar minha
oficina, hoje quando cheguei vi a porta meio aberta, achei estranho, abri a
mesma acendi as luzes, ele está no chão, o sangue inclusive está seco.
Eu viajei quinta-feira no final do dia,
então, não tenho ideia de quando aconteceu.
Explicou, sou escultor, trabalho com metal,
madeira, esse rapaz é escultor também faz aulas na universidade de belas artes,
eu termino agora, ele está no segundo ano, mas ficamos amigos, pois compartimos
o mesmo espaço lá para executar exercícios das aulas.
Eles depois de olharem chamaram a equipe de
forenses.
Ele foi fazendo as perguntas, aonde passou
o final de semana, se sozinho ou com alguém.
Viu que ele parava, olha vai ser
complicado, mas não tem jeito, eu o levo até aonde é o escritório do meu
namorado, ele ficará puto, mas estava comigo.
Terminamos o relacionamento justo esse
final de semana, o filho da puta, fica dizendo para todo mundo que ele me
lançou no mundo das artes, mas esse rapaz que está morto me ajudou mais que
ele, nunca fez nada por mim.
Espera, vou te levar até seu escritório, só
me falta uma maleta que está no carro, um velho jeep que estava ali, abriu uma
porta ao lado, eu vivo em cima. O
ajudou a levar as coisas para cima, não queria claro que o outro usasse o
celular para avisar com o namorado.
Era um apartamento pequeno, menor que era a
oficina embaixo.
O outro viu que ele reparava isso.
O dono do lugar, dividiu o apartamento em
dois, vivia aqui com sua família, quando se aposentou porque nenhum filho ia
ser mecânico, só que o outro se entra pelo final do beco.
É exatamente igual ao mesmo, agora está
vazio, vivia nele um músico, que agora foi embora.
Sabes quanto pede de aluguel?
Menor ideia, mas depois te dou o telefone
do senhor.
Desceram ele falou com o Jesse, iam ao
escritório do arquiteto, namorado do outro, para confirmar que não estava na
cidade.
Entraram os dois juntos, mas quando ele
indicou a sala que estava o outro, parecia um aquário, todo de vidro.
O homem tinha uns cinquenta anos, não
gostou muito quando ele se identificou como policial, inspetor Darin.
O olhou de cima a baixo, o que fez esse
daí, me denunciou? Que eu sabia não é
menor de idade.
Perguntou somente o que lhe interessava, se
tinha estado com ele o final de semana, esse disse que sim, voltei a noite,
para trabalhar de manhã, esse ficou lá para fechar a casa.
Lhe deu o número de telefone do advogado,
queria saber o que se passava.
Só precisava saber se o rapaz tem um álibi,
mataram alguém na sua oficina, quando ele chegou hoje, nos chamou
imediatamente.
Saímos daqui na quinta-feira a noite, eu
voltei ontem a noite, como disse ele ficou para fechar a casa.
Agradeceu as respostas, foi embora, o outro
insistiu que ele tivesse um cartão.
Talvez esperasse que ele oferecesse um seu.
Qualquer coisa sei aonde o senhor trabalha.
Quando saiu o rapaz, estava rindo, ele deve
ter pensado que faço isso por vingança.
Mostrou uma escultura grande uma mistura de
madeira e metal que estava na entrada, foi assim que o conheci, comprou essa
escultura na galeria que me representa, aliás é a mesma do rapaz morto.
Quando chegaram a equipe forense, estava
levando o corpo num saco, ele perguntou se podia entrar para trabalhar.
O forense disse que estavam tirando ainda
algumas digitais.
Bom vão encontrar principalmente as minhas,
talvez as dele.
O mais macabro que tinha visto, era que
tinham cortado a cabeça do rapaz que estava no chão, colocaram numa escultura
que estava sendo construída.
Merda, agora já não poderei usar esse
trabalho.
Sabes aonde ele vivia?
Si, lhes deu a direção, em Castro, até a
pouco tempo dividia o apartamento com os do lado, mas como ganhou dinheiro com
duas exposições, alugou um ao lado só para ele, assim podia trabalhar
tranquilamente.
Vinha usar a meu lugar de trabalho, pois
não possuía instrumento para o que estava construindo.
Até agora, ele fazia esculturas pequenas,
minimalista, coisas que se transformam em outras.
Espere, mostrou um catalogo que estava ali
na entrada.
A cada página, uma foto, na outra o mesmo
objeto se transformando.
Jesse tinha as chaves que estavam no bolso
do rapaz.
Ah, espere, lhe deu o numero do
proprietário do apartamento ao lado.
Foi comentando com o Jesse, o apartamento
de cima, é jeitoso, não ocupa o espaço inteiro como a oficina embaixo, foi
dividido em dois.
Contou como foi o encontro com o arquiteto,
para confirmar o álibi do outro.
Esses homens mais velhos, se metem com
jovens, querendo recuperar a juventude perdida, nem sempre dá certo, temos
centenas de casos assim.
No que chegaram no apartamento do rapaz
morto, estavam um rapaz e uma garota, tentando abrir a porta.
Ficaram surpreso, com a polícia ali, claro
agora viravam suspeitos do crime.
Antes de entrarem anotaram o nome dos dois,
aonde estavam, um era o álibi do outro, mas havia algo que não encaixava,
porque tentavam abrir a porta.
A desculpa era esfarrapada como ele não
atendia o telefone, queriam saber se estava bem.
Ora, bastava chamar o homem que cuida do
prédio para abrir.
Levantaram os ombros com pouco caso, como
dizendo, para que?
Queriam entrar com eles, mas o fizeram,
fechando a porta, colocaram luvas, bem como protetores de sapatos, saíram
examinando tudo, quando chegaram ao salão, que o mesmo usava para trabalhar,
ali havia uma bagunça incrível, como se alguém tivesse revirado todo o espaço,
a um sinal do Jesse, ele chamou a equipe forense, havia que tirar digitais ali.
Nem se atreveram a tocar em nada, apesar de
estarem de luvas.
O quarto também estava revirado, bem como a
cozinha, o único que estava intocado era o banheiro, que na verdade era pequeno
em comparação com o resto do apartamento.
Que será que procuravam.
Quando chegou com os forenses, eles bateram
na porta ao lado, os dois tinham maletas no salão, a contra gosto os
acompanharam a delegacia.
A garota já queria chamar seu advogado.
Espere ainda não fizemos nenhuma acusação,
por que estavam indo embora?
Se enrolaram, cada um deu uma resposta
diferente, já que não estavam na mesma sala, queriam sair da confusão da morte
do outro.
Mas como sabem que morreu, podia estar no
hospital, aonde realmente está. Não
disse que estavam fazendo a autopsia do mesmo.
Como moravam juntos, sabe de aonde ele
saiu?
Veio do Texas, creio que seu pai tinha
dinheiro, mas o colocou para fora de casa.
Ele chegou aqui com uma bolsa de estudos
para escultura, normalmente ninguém pede as mesmas, querem de outra área.
O rapaz foi dizendo que era uma pessoa má,
pois tinha ajudado o outro escultor, mas a eles não.
Me disse na minha cara que eu não tinha
talento nenhum, só porque sou pintor.
Mas ele fez amizade com o dono de uma
galeria, que conheceu através de uma relação que teve, aproveitou-se disso para
expor lá. Acaba de fazer a segunda, todas
com esculturas pequenas, pois lá em casa não tinha espaço, as grandes fez na
oficina da escola, ninguém sabe como conseguiu isso, dizem as más línguas que
tinha um relacionamento com o professor.
Lhe deu a direção da galeria, o nome do
dono.
Tentamos, mas o sujeito nem se interessou
por nós.
A garota foi a mesma coisa, vinha de Los
Angeles, era de família rica, que a queriam fora de lá.
Ele também veio de fora, do Texas, parece
que seu pai descobriu que era gay, o colocou para fora, mas chegou aqui com uma
bolsa de estudos.
Foi falando mais ou menos a mesma coisa,
reclamando o mesmo que tinha ajudado ao escultor, mas a ela não.
Cada um dizia uma coisa diferente, sobre
aonde estava na sexta-feira, ou seja o álibi que tinham dado antes não
funcionava.
Recolheram o celular dos dois, mandaram
para os especialista analisarem.
Logo apareceu um advogado para dar
assistência a ela, o outro não tinha dinheiro para isso.
Aí, tem alguma coisa estranha, comentaram
os dois.
Foram falar com o dono da galeria, Jesse o
conhecia.
Foi muito simpático, realmente ele me foi
apresentado pelo seu professor, bem como um arquiteto para quem desenvolveu uma ideia.
Sua primeira exposição, foi chamativa, eram
objetos que se transformavam em outro, passou um vídeo para eles, era
interessante, um cubo que de repente se movia, transformando em outra coisa.
Ele investiu esse dinheiro nesse outro
apartamento, estava procurando um lugar para trabalhar coisas grandes, mostrou
uma foto, deve ter isso a oficina desse outro, que represento também, para
poder usar as ferramentas que ele não possuía, começou a fazer esculturas
grandes.
Recebeu, duas encomendas para o arquiteto
que o descobriu.
Não sei se tiveram algum relacionamento,
mas era um rapaz super jovem, para acontecer alguma coisa assim, lhe esperava
um grande futuro.
Além de um detalhe, falam mal dele, por
dizer sempre a verdade, mas em compensação era super educado, o dizia dentro de
um respeito absoluto.
O rapaz que dividia apartamento com ele,
veio aqui, com seu trabalho, fui até sua casa olhar, pois dizia que lá teria melhores,
eu não vi nada interessante, pinturas que todo mundo hoje em dia faz, nada
criativo, esse então quando ele se mudou, vivia falando mal do outro.
Ela é a mesma coisa, filha de pais ricos de
Los Angeles, que preferiram que saísse de lá pois estava metida em drogas, mas
tampouco tem algum futuro na arte.
Imagina em plena exposição aqui na galeria,
falaram mal dele para um crítico de arte, foi quando ele resolveu se mudar de
apartamento.
Foram dali falar com o arquiteto, o mesmo
disse que, seu professor, o tinha indicado, quando precisou de uma ideia para a
entrada de um edifício que construí
, mostrou o vídeo, era o tal cubo, em um
tamanho imenso, que ficava mudando de formas o tempo todo.
Ele chegou a ganhar um prêmio por esse
trabalho, agora ia fazer para mim, duas esculturas, em um material branco,
estive vendo a mesma, está na escola de Belas Artes, por isso devia ter ido à
oficina do outro, pois ele não tem todas as ferramentas.
Eu sei aonde está as mesmas.
Os acompanhou, quando chegaram lá, estava
uma outra delegacia ocupando o caso de duas esculturas que tinha sido
destruídas.
No caso a do rapaz, o porteiro, mostrava o
vídeo, eram seus vizinhos destruindo as mesmas.
Os da outra delegacia, passaram o caso para
eles, pois se referiam ao crime que estavam atendendo.
Voltaram para a sua, levando o vídeo dos
dois, destruindo as esculturas.
O rapaz, quando viu, soltou, sabe quanto
ele ganhou com a outra, que lhe deram um prêmio, uma fortuna, nem nos convidou
para a festa, tampouco pagou uma cerveja para nós.
Agora sai essa outra encomenda.
Ou seja tinhas inveja do sucesso dele.
Ele fazia o gênero mosca morta, nunca
falava muito, quando vivia conosco, fechava a porta do quarto a chave, para que
ninguém visse o trabalho dele.
Nunca saia conosco, sempre com alguém que
lhe pudesse ajudar, pessoas de mais idade.
Tampouco trazia nenhum namorado ou namorada
para dormir.
Por isso foste atrás dele na oficina. Já localizamos teu celular na mesma hora por
lá.
Ficou branco, passou a transpirar, acabou
soltando, a ideia foi dela, me obrigou a seguir o mesmo, quando vimos que ia
entrar, pensamos que ia roubar alguma coisa, mas usou uma chave.
Ela andou atrás desse escultor, mas ele a
ignorou, achou que usava o mesmo, alguma coisa a ver com ele.
Foi ela que lhe deu a pancada na cabeça,
além de lhe cortar a mesma.
Quando falaram isso com ela, a cara era
imutável, isso é para esse idiota saber com quem está tratando, quando o dono
da galeria falou que meu trabalho era uma merda, que nunca seria uma artista,
sabia que o dedo dele estava metido ai, pura inveja, pois minha família tem
dinheiro.
Nunca saia conosco pela noite, as notas
dele eram sempre as mais altas.
Assim destruí o trabalho dele, bem como o
do outro escultor, pois ele não poderá usar mais a escultura que estava
fazendo, está cheia de sangue. Caiu
numa gargalhada imensa.
Porque estavam tentando entrar na casa
dele.
Para ver se encontrávamos o dinheiro que
tinha recebido, íamos escapar para a Europa, lá seremos famosos.
Tudo se referia pelo visto a serem famosos,
grandes artistas, não reconheciam que não eram.
Um dos policiais foi por informações, à
escola de Belas Artes, as notas dos dois eram insignificantes, um professor,
falou que os dois nunca seriam nada.
Levantaram o contato com a família, só um
irmão atendeu o telefone, quando falaram que tinha sido assassinado, se fez um
espaço de tempo impressionante em silencio, vou falar com meu pai, depois me
comunico com vocês.
Depois telefonou, dizendo que o pai, nem
morto o queria lá.
Mas nessas alturas, já sabia que o dono da
galeria, o arquiteto, iam tomar conta do assunto, o iam enterrar como o que era,
um artista de futuro.
Ele falou depois com o dono do apartamento,
marcou com o mesmo de ir olhar para ter uma ideia, conversar a respeito de
preço.
Quando chegou, viu a porta da oficina
aberta, lá estava o escultor, fazendo uma escultura, impressionante, era o
rapaz, talhado em pedra, as asas eram, tiras de metal que saiam da sua coluna.
Ficou impressionado, disse que adorava a
ideia.
Vens ver o apartamento?
Sim, nisso chegou o senhor, que elogiou
também a escultura.
Ele antes de sair disse ao escultor que os
dois estavam presos, que ela estava sendo analisada por um grupo de psicólogos
forenses, a pedido da família dela.
Como é teu nome afinal, ficou guardado na
minha caderneta, mas como fechamos o caso, esqueci.
Gil Baeza, sou descendente de Mexicanos,
não parecia, porque era loiro de olhos verdes.
Foi olhar o apartamento, gostou, o homem
fez um preço bom para ele, por ser policial.
Só faltava um colchão, que ele compraria na
próxima folga, nem queria deposito do aluguel, disse que era novo na delegacia,
mas que podia falar com seu companheiro, quando mencionou o nome do Jesse,
soltou que ele tinha cuidado do caso de um de seus filhos, que tinha terminado
nas drogas.
Boa gente, se es companheiro dele, tudo
bem.
Começou uma nova vida, agora com uma casa,
seguiu em frente, o mais interessante era que o Gil Baeza, aparecia sempre,
sabia quando ele chegava em casa, algumas vezes usava a desculpa de dizer,
sinto muito estou exausto, preciso descansar.
Uma vez que ele foi claro com o que queria,
sexo, descartou rapidamente, espero ser teu amigo, mas isso não está nos meus
planos, se o fizesse contigo, perderia essa possibilidade.
O outro entendeu.
Um dia o dono da Galeria, Tim Claudel, saia
da oficina do Gil, se encontraram, começaram a conversar, com ele sim, sentia
uma certa atração, podiam conversar de muitas coisas, era um pouco mais velho
que ele.
O mais interessante, quando foi conhecer
sua casa, foi honesto, não me sinto a vontade aqui, entendo que é teu meio, mas
gosto do meu apartamento.
Foi uma festa que ele teve que dar, muitos
clientes estavam lá, da porta viu que não ia aguentar, o chamou pelo celular,
disse que estava do outro lado da rua, mas que não ia entrar, não é o meu
ambiente.
Odiava a conversa idiota de um grupo de
gays.
Quando Tim falou com ele, se matou de rir
disso, não negas ser gay, mas só posso dizer que eu aguento, por necessidade do
meu trabalho.
Adorava estar no seu apartamento com ele,
Tim entendeu, antes telefonava para saber se podia ir.
Um dia Gil, lhe perguntou o que via nele,
vive num mundo superficial, é diferente de ti, que eres pé no chão.
Sim é verdade, somos diferentes, mas não se
esqueça que isso nos faz interessar um pelo outro.
Quando foi ferido num tiroteio com uma
banda, Tim ia todos os dias dormir com ele no hospital, cuidou dele, a um ponto
de vir a conhecer o Jesse, que vinha disposto a dormir lá, se matou de rir.
Esse garoto nunca fala nada da vida dele
particular, agora entendo por quê.
Mas tampouco tocou no assunto com ele,
voltou a trabalhar como se nada, anos depois um dia, um dia Jesse dizendo que
lhe faltava finalmente pouco para se aposentar, no que pensava em fazer, foi
que comentou.
Tim me convidou para fazer uma viagem com
ele a Paris, ir a uma feira de arte, estou em dúvida, não é o meu meio, não sei
o que fazer.
Quando Tim voltou, foi claro, senti tua
falta, mas tinhas razão, não tive um momento para mim mesmo, ou estava
mostrando o trabalho dos meus representados, ou olhando o trabalho de algum
para trazer para cá. Pouco pude fazer
de turismo, um dia que parei numa ponte de noite olhando a Torre Eiffel, me
virei para comentar alguma coisa contigo, foi quando realmente me senti
sozinho.
Basicamente só ia a sua casa, para alguma
coisa que necessitasse, no apartamento do Darin uma parte do armário com as
roupas que usava.
As vezes saia com eles de noite, Jesse
adorava conversar com ele.
Um dia ele comentou, creio que Jesse tem
algum problema, noto que as vezes tem dificuldade de respirar, eu perdi meu pai
com câncer de pulmão, acho estranho.
No dia seguinte, perseguindo um rapaz, viu
que Jesse ficava para trás, ele segui atrás do mesmo, um homeless que roubou,
uma senhora na rua.
Quando voltou, viu que Jesse, estava
sentado no chão, respirando com dificuldade, chamou uma ambulância bem como uma
viatura para levar o homem.
Foi com ele para o hospital, ele só fazia
um sinal de silencio, depois falamos.
Foi quando descobriu que ele tinha câncer,
sem tratar, não queria paliativos.
Lhe faltavam dois meses para a
aposentadoria, acabou morrendo no hospital, avisou seus filhos, mesmo sua
ex-mulher, essa só perguntou se tinha direito a alguma coisa.
Ele lhe passou o telefone do advogado do
Jesse.
Foi um enterro com toda a pompa que fazia a
polícia com um dos seus, ele falou sobre seu companheiro, na academia policial,
aprendi técnicas, mas claro não aprendi nada sobre humanidade, meu companheiro
me ensinou isso, bem como foi leal, vou sentir sua falta.
Como a família não estava presente, lhe
entregaram a bandeira, bem como suas condecorações. Passou tudo para o
advogado, esse lhe disse que os filhos, não se interessaram, a partir de que
não iam receber nada, nem a ex-mulher teria, direito a alguma pensão.
Tampouco lhes interessou a bandeira, nem as
condecorações, a mandou emoldurar, estava no salão de sua casa.
Aproveitou a oportunidade, foi de férias
com o Tim, foram a NYC, andaram por todos os lados, olharam galerias como o
outro gostava de fazer, ao mesmo tempo, foram de passeios por lugares que ele
sabia que Darin gostaria de ir.
Gil Baeza, foi para Paris, para uma
exposição que o Tim tinha conseguido para ele, ficou anos fora, quando voltou,
estava diferente, fechado em si mesmo.
Um dia conversando com os dois, falou muito
do famoso cinco minutos da fama, das pessoas que se aproximam por isso.
Quem conversou mais com ele a respeito foi
o Tim, que conhecia muito isso, das pessoas se aproximarem por interesse.
O companheiro que lhe tocou na delegacia,
não lhe caiu bem desde o princípio, até achou raro, dele estar ali, numa
delegacia que não descriminava os gays.
O mesmo era extremamente homófobo, foi
perguntar ao chefe, pois por duas vezes o via querendo agredir alguém.
Ele veio para cá como um castigo,
justamente por isso.
Não durou muito tempo.
Ele ao contrário, resolveu seguir os
conselhos do Jesse, voltou a fazer universidade, acabado o que lhe faltava para
ser advogado, em seguida começou a fazer um curso para ser fiscal.
Foi interessante, pois um dos fiscais com
quem ele mais trabalhava, o levou para trabalhar com ele, assim fazia as
práticas ao mesmo tempo.
Tim disse que pelo menos ficava mais
descansado, pois assim não corria tantos riscos.
Anos depois, assumiu uma vaga, fizeram uma
puta festa para ele, se desligava definitivamente da delegacia que estava, como
assumia uma vaga.
Era super criterioso, analisando provas, os
policiais sabiam que com ele, era diferente, um dia se assustou, levava um caso
de que um amante tinha matado o outro.
Quando foi ver, o que tinha matado o outro,
era justamente o policial que tinha trabalhado com ele.
Foi falar com o mesmo, disse que adorava
sadomasoquismo, que seu companheiro também, mas o tinha trocado por um homem
mais jovem, deixei tudo por ele, me deixou a ver navios, mas comigo é assim.
Foi condenado, não houve pena leve, pois
tinha planejado aos mínimos detalhes a morte do outro, dentro de um sistemas de
sadomasoquismo.
Dizia ao Tim, como pode uma pessoa mudar
tanto.
As vezes se preocupava, agora viviam
definitivamente juntos, Tim quando tinha que fazer uma festa para os clientes,
o fazia num restaurante, reformou a casa dele inteira para ele ter um lugar
para trabalhar, o relacionamento deles, sempre tinha ido em crescente.
Um dia o viu preocupado, lhe perguntou o
que passava.
Contou que um rapaz, um novo que ia fazer exposição
na galeria, simplesmente tinha se desnudado na sua sala, queria sexo com ele.
Levei um susto, ao mesmo tempo, não sabia
como me comportar.
Será que estou nessa maldita idade que os
idiotas pensam que fazer sexo com um mais jovem, vai acabar com sua velhice, eu
espero passar a minha contigo.
Ele que vivia temendo pela vida do Darin,
dias depois saindo da garagem, foi assaltado, como se negava a sair do carro,
seu único capricho, lhe deram um tiro na cabeça.
Darin nessa hora estava tomando banho, teve
uma sensação horrível, quando escutou chamarem na porta do apartamento, era o
porteiro.
Foi como levar uma porrada, o amava muito.
Quem lhe serviu de apoio foi o Gil, vinha
conversar com ele, o pior foi saber que a família do Tim, ia levar seu corpo
para enterrar na cidade que ele tinha nascido.
Gil lhe disse, tu já devias saber disso,
pense é só um corpo, nada mais, o que sentes por ele estai dentro de ti.
Lhe deixou como herança o apartamento, a
galeria seria vendida, para dividir o dinheiro para sua família.
Nunca os tinha visto nesses anos todos, Tim
dizia que era o pior dele, essa família horrorosa que tinha, me rejeitaram
sempre.
Pensou em brigar na justiça, mas quando viu
o tipo de pessoas que eram, inclusive queriam reclamar do apartamento, mas como
tinham se casado, era dele.
Tempos depois conversando com o Gil,
comentou o que ele tinha lhe contado a respeito do rapaz que tinha se oferecido
para fazer sexo.
Sim ele me comentou a respeito, morria de
medo de ceder a essa tentação de uma aventura fora do relacionamento dos dois,
mas tinha uma coisa, vocês segundo ele, tinham renunciado a muita coisa para
estarem juntos, isso não o deixava fazer nada errado.
Eu sempre morri de inveja do relacionamento
dos dois, por isso.
Os meus, são sempre com gente que imagina
que sou milionário, por expor em NYC, Paris, de ir por aí, mas nem me imagino
fazendo sexo com essas pessoas, pois para mim é como sexo de uma noite, depois
estou vazio, o que necessito essas pessoas não podem me dar.
Uma vez, se lembra do rapaz, que nos fez
conhecermos, quis fazer sexo comigo, tinha me ajudado, mas me imaginei fazendo
o ato em si, não me dizia nada, me ajudou, isso sim, mas foi franco comigo, se
sentia sozinho, foi criado num mundo diferente de tudo isso, sentia medo dos
relacionamentos.
Isso eu sempre senti, mas quando vieste
morar ao meu lado, ganhei um amigo, queria fazer sexo contigo por isso,
cimentar nossa amizade, vocês dois foram os únicos amigos que sempre estiveram
com a porta aberta para mim, sem me cobrar nada.
Realmente Gil nunca os apresentava ninguém,
sabia que vivia uma vida solitária, trabalhando sempre, Tim dizia que a fama não
lhe subiu a cabeça, ao contrário de muitos.
Estava exausto, com tudo isso, bem como depois
de um caso complicado que tinha levado, Gil ia expor em Londres, o convidou
para ir junto, o material já chegou lá, só tenho que montar a exposição,
assistir à inauguração, depois estou livre, podemos alugar um carro ir
conhecendo os lugares.
Aceitou, demoraram, tempos depois quando
voltaram, iniciaram um relacionamento, claro agora Gil, não era mais o rapaz
que ele tinha conhecido, meio superficial, era duro, direto, as vezes chocava
as pessoas, que se aproximavam dele pela fama.
Lhe contou que vinha de uma família
mexicana, muito complicada, meus pais emigraram esperando nos dar uma vida
melhor, ele trabalhava numa oficina num cemitério fazendo esculturas para os
túmulos dos ricos, foi com ele que aprendi a base, com isso, consegui uma bolsa
de estudos para estudar aqui na cidade.
Sempre volto, tu sabes pelo Natal, vou
passar com eles, os meus irmãos, cada um foi para um lado, perto só estou eu.
No final do primeiro ano que estavam juntos
foi com ele, foi super bem recebido, num momento que estava a sos com seus
pais, esses lhe soltaram que agora ficavam menos preocupado, ele na verdade é nosso,
filho preferido, nunca se esqueceu de aonde saiu.
Pelo menos tem uma pessoa que gosta, sempre
falava em ti.
Agora, tinham uma casa na praia perto, ali
havia muitas famílias mexicanas, sempre que iam levavam seus pais, se divertiam
como crianças.
Ele era parecido a sua mãe, era mais clara
com os cabelos castanhos, olhos como o dele, os outros tinham saído ao pai.
Adoravam estar ali, os dois os convenceram
de ficar morando na casa, assim algum cuidava dela.
Vinham sempre aos finais de semana, mesmo
numa época que Tim expunha em Paris, foram, voltaram rapidamente.
Passavam horas sentados nessa varanda
virada para o mar conversando.
Lhes contou a sua história, de ter perdido
tudo de uma hora para outra.
Ano depois, num julgamento ficou
horrorizado, um pai tinha tentado vender o filho para pagar suas dívidas, com
as provas de ADN, descobriu que o mesmo foi roubado num orfanato.
Conseguiu o adotar, mas antes conversou com
o Gil, que adorou a ideia, o garoto foi ficar com seus novos avôs durante um
tempo.
Eles iam mais vezes agora a casa, mesmo
depois quando o garoto veio viver com eles, resolveram se casar, os pais do
Gil, foram os padrinhos, foi uma coisa simples entre eles.
Assim a vida do garoto que passou a se
chamar Tim, foi mais completa.
Tim Vaughan, foi crescendo nesse meio, avôs
mexicanos, que falavam em espanhol com ele, esses dois pais, que se queriam,
adorava estar com o pai escultor, foi aprendendo a trabalhar com ele, ia a
escola, aonde era um bom aluno, depois, corria para a oficina de seu pai, que
ainda era no mesmo lugar.
Sua primeira escultura pequena foi para os
avôs.
Darin finalmente se aposentou, pelos anos
de serviço, nunca quis ser juiz, achava que sentenciar uma pessoa, devia ser
terrível.
Agora com tempo livre para acompanhar o
filho em tudo, o incentivava, se era isso que ele gostava de ser escultor.
Mas os dois se surpreenderam, quando
decidiu fazer universidade, mas foi estudar Literatura, tenho muitas histórias
dentro da minha cabeça dizia, quero aprender a entender os escritores, saber
como escrever, colocar para fora tudo isso.
Quando lançou seu primeiro livro, Gil,
desenhou a capa.
Estavam atento, temiam como sempre o
sucesso, mas ele tinha experiencia de casa, aprendeu com o pai, como se livrar
das pessoas incomodas.
Como não sabiam se seus pais, tinha estado
nas drogas, tomavam cuidado com ele.
Ele agora depois de acabar a universidade,
vivia era com os avôs na praia, lá estava, seu lugar preferido para escrever,
muitas histórias, escutou ali de muitos que vinham surfar.
Ele acabou indo morar lá também, Gil fez
uma coisa, descobriu uma garagem grande lá, trouxe tudo de San Francisco, agora
trabalhava devagar, dizia estou ficando velho.
Sua mãe se matava de rir, quando ele dizia
isso, pois velho estamos nós, os dois estavam à beira dos 95 anos, logo em
seguida, morreram um atrás do outro, para eles foi como faltasse uma parte da
família, estavam acostumados a isso.
Gil de uma forma impressionante agora se
agarrava a ele, dormiam sempre abraçados.
Tinham procurado seus irmãos, mas nenhum
apareceu para nada, segundo Gil, era como se quisessem esquecer que eram filhos
de emigrantes, mas de qualquer maneira o enterro foi impressionante, pois
tinham feito muitas amizades na pequena vila.
Estavam atento, sabia o quanto Tim era
agarrado aos avôs, mas eles estavam presentes, se surpreenderam quando ele
apresentou um texto para os dois lerem, era a história dos dois, de aonde
tinham saído no Mexico, todo caminho percorrido, procurando dar uma vida melhor
aos filhos.
Como Gil sofria com os irmãos mais velhos,
que achavam uma besteira, ele trabalhar com o pai, esculpindo anjos, figuras
para os túmulos, depois que começou a fazer sucesso, tinham inveja, foram cada
um indo para um lado.
O livro foi publicado com sucesso, falava
justamente disso, do que sentiam pelos filhos, que foram desaparecendo no
imenso pais, que escolheram para lhes dar uma oportunidade de irem em frente.
Eles dois sabiam que antes de adotarem o
Tim, ele tinha sofrido abusos, por isso ia um psicólogo, mas nunca o viam com
ninguém.
Ele confessou que o medo, vejo as pessoas
se aproximando, quando dou uma entrevista num canal de televisão, ou mesmo saio
numa reportagem, é tudo com um fundo de interesse, construo um personagem, para
assim não chegarem perto de mim.
Mas anos depois conheceu um surfista, se
mataram de rir, pois o mesmo foi para lá para escapar de uma família
complicada, herdou algo de dinheiro, investia, que era o que aprendeu na
universidade.
Comprou uma casa vizinha a deles, iam os
dois sempre fazerem surf, conversavam horrores, um dia os dois viram os dois de
mãos dadas sentados numa pedra na praia.
Depois de muito tempo, ele passou a viver
com o outro na casa ao lado, assim não estou longe dos dois.
Um dia, estranhou, Gil não voltava da
oficina, foi até lá, para sua idade, foi correndo, ele estava caído, no chão,
um enfarte fulminante.
Sentiu que seu mundo terminava naquele
momento, ficou segurando a cabeça dele nas suas pernas, enquanto chamava o
filho.
Deixou uma carta para cada um, na de seu
filho, agradecia dele ter aparecido na vida deles, nos fez mais felizes.
Na do Darin, esperei tanto para ser teu,
que valeu a pena, te amei desde o momento que te conheci, mesmo que tivesse
sido numa fatalidade.
Nunca deixei de querer, esperei, nunca
desejei mal ao Tim, mas ele era uma grande pessoa, sabia do que eu sentia por
ti. Nunca me criticou por isso.
Mas pude finalmente te amar, como sonhava,
sermos uma família, isso valeu a pena todos esses anos.
Se sentiu literalmente perdido, depois da
morte dele, preparou a consciência seu testamento, mas depois teve que o mudar,
pois os dois resolveram adotar um casal de criança que tinham aparecido no
hospital, virou avô, se dedicou a cuidar dos meninos, foi com ter novamente uma
família, morreu como os pais do Gil, com 90 e lá vai pedra.
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