BURKE

 

                                                BURKE

Un hombre surfeando en el mar

Descripción generada automáticamente

 

Tinha acabado de levar as cinzas do velho Jimmy, ao mesmo tumulo que meu pai, Tom Burke, um grande amigo, companheiro.

Os dois juntos eram umas figuras, pois tinham mais de 1,85, corpo grande, que como dizia o Jimmy era um perigo, ninguém errava um tiro.

Meu pai tinha sido polícia, mas um dia se encheu o saco de ver merda como inspector, dizia que a ali em Hollywood, até o menos corrupto, era corrupto.

Foi ser detective, era considerado um dos melhores de Los Angeles, tinha seu escritório num lugar que conseguiu, em frente a uma praia, quando não tinha o que fazer, ia pescar, o mais interessante, cobrava, caríssimo, como tinha nome, pois resolvia tudo que lhe caia nas mãos, principalmente erros da polícia, ele sabia como funcionavam os corruptos.

Eu na verdade não era seu filho, mas sim fui adotado por ele, minha mãe tinha sido condenada a cadeia perpetua por uma merda que fez, foi explorada, abusada, nem sabia quem era meu pai, ela tentou ajudar, ao final, estava na prisão, com uma barriga imensa, eu iria para um orfanato, ele conhecia a senhora do sistema social, conseguiu adotar-me.

Fui para sua casa, um desses trailers, que ficam sem mover-se do lugar, minhas mães foram todas as mulheres dali, as roupas ia herdando dos filhos das mesmas, como vinham limpas, eu considerava como novas.

Uma coisa ele fez, ia a uma escola a volta da esquina, nessa época ele se reencontrou com Jimmy, os dois tinham estado no mesmo orfanato, depois os dois serviram o exército, seguia na polícia, dizia que era mais fácil fingir que não via, do que ficar sem emprego, mesmo assim era como se fosse o confidente de Tom.

Conseguia para ele, todas as informações que ele necessitava, inclusive sobre os policiais corruptos.

Ele vivia no trailer seguinte, eu adorava ir lá, pois tudo era perfeito, nada fora do lugar, dizia que tinha aprendido isso no orfanato, bem como no exército, já Tom era ao contrário.

Eu adorava estar no meio dos dois, assistindo uma partida de futebol americano, ou de basquete.

Aprendi a jogar com eles, Jimmy só tinha uma coisa, adorava o Beisebol, me ensinou a jogar, isso depois eu seria o melhor da escola.

Tom tinha uma coisa, ele mesmo tinha feito, no pequeno corredor tinha um tapete, quando se levantava, havia uma tampa, ali ele escondia seu dinheiro, quando ganhava muito num caso, era ali que ele escondia.

Nunca falava nos seus casos na minha frente, só com o Jimmy, dizia que eu inocente demais para me corromper.

Foi um pai, para ninguém botar defeito, me levava todos os dias a escola, mesmo quando me tornei adolescente, os outros criticavam, mas eu ao contrário adorava.

Usava meus cabelos crespos, rebeldes até hoje, ele bagunçava mais.

Se estava com um caso complicado, pedia para o Jimmy fazer isso para mim, as vezes eu ia num carro da polícia.

Nas férias era o máximo, nos dias que não tinha nada para fazer, me ensinou a nadar, a fazer surf, na praia mais abaixo de casa.

O trailer do Jimmy, era o último, então, ele conseguiu, fazer um puxado, ali tinha cadeiras, se podia ver o mar de longe, as vezes eu o via cismando com alguma coisa, sabia que era sobre algum caso, mas não adiantava perguntar, nunca falava nada.

Quando foi ferido num confronto com uma gang, pior, com fogo amigo, o aposentaram, ele tirou licença, foi trabalhar com o Tom.

Ele ao contrário do Tom que tinha sua entrada vetada em vários departamentos ligados a polícia, conhecia todo mundo, era educadíssimo, conseguia tudo que queria em termos de informação.

Os dois juntos funcionavam bem.

Tom guardava dinheiro para que eu fosse a universidade, na verdade nem conseguia imaginar o que fazer.

De repente, Tom ficou doente, algo degenerativo, os médicos diziam que tinha a ver com os anos de sua infância, eu passei a cuidar dele, fiz uma coisa, ao contrário de ir a universidade, fui fazer um curso de enfermeiro, então só precisava do Jimmy, para dar banho nele, o levantar da cama, nos dias que este ficava com ele de noite, eu dormia no seu trailer, assim eles tinham tempo também, juntos.

Quando tinha uns 10 ou 12 anos, os vi se beijando, um fazendo carinho no outro, achei o máximo, era uma coisa diferente, eram dois homens imenso, mas tudo deles era tranquilo.

Ali no parking de trailers, havia muitos ex-militares, a maioria vivia nas drogas, mas respeitavam os dois, tinham tido a sorte de terem saído do exército são e salvos.

Eu descobri essa saída por baixo do tapete, um dia que um carro, subiu a rampa toda, começaram a atirar na nossa, ele rapidamente, me enfiou para baixo, bem como desceu com duas armas na mão, fez uma coisa, como estávamos por baixo, os de fora não nos viam, ele atirou foi nas pernas dos homens, além de dois pneus, nesse momento, Jimmy que tinha um sono pesado, despertou, chamou a polícia, de sua janela atirava também.

A polícia pegou os homens, todos, claro estavam feridos, tentando escapar, deram com carros da polícia, na saída do parking.

Era um caso que os dois investigavam, de um mafioso, que tinha matado a mãe de um rapaz.

Eles conseguiram provar, pior que dois que estavam atirando, eram da polícia.

Moveram uma ação contra os dois, bem como contra a própria, pois o chefe dos dois era amigo do mafioso, tinha oferecido seus homens, atirar num lugar como esse que vivia muita gente, ainda por cima.

Esse dinheiro seria todo para que eu estudasse.

Mas quando ele ficou doente, fomos usando o mesmo, aquele homem maravilhoso foi desaparecendo.

Eu sem querer com isso, encontrei uma coisa que gostava, ser enfermeiro, não gostava a ideia de ser médico.

Quando ele morreu, foi como um descanso, soltou um suspiro, a cabeça caiu para frente, estava morto.

Uma paulada a toda cabeça, dizíamos os dois que ficamos para trás, eu tinha 19 anos, ele tinha deixado tudo organizado, no último ano, nos mudamos para uma casa, que um amigo do Jimmy nos conseguiu, em Venice Beach, era mais fácil para manejar tudo.

Vendeu o carro do Tom, pois só um podia ficar na garagem, ele seguiu trabalhando no mesmo escritório.

Eu acabei o curso, como ainda havia dinheiro fui a universidade, fui fazer enfermaria, mas já com uma boa base, além de me especializar em serviço de Urgência, operações.

Já estava para terminar, quando um médico me levou para uma entrevista, era para ser enfermeiro do exército, aonde o movimento era total.

Se consegues sobreviver a isso, serás bom no que fazes.

Passei cinco anos pelo mundo, aonde me necessitavam.

Mantinha era uma correspondência com o Jimmy, que eu considerava meu segundo pai, fazia uma coisa, como tinha descoberto que censuravam as cartas, escrevia em código para ele, sem nunca mencionar aonde estava.  Falava sim do trabalho, de como ia a vida.

Na verdade não se pode chamar de vida, quando não te sobre tempo para nada. Era o que acontecia comigo, mal tinha tempo para me coçar.

As vezes lhe escrevia, dizia já no principio da carta, sigo sem me coçar.

Um dia um dos homens que fazia a censura, veio falar comigo, o que eu queria dizer com isso.

Acompanhe um dia a dia, como o nosso, as vezes fazemos turno de 24 horas, se algum grupo saiu, voltam com feridos, gente que precisa de operações urgentes, eu tenho que estar em todos os lados, nem posso me coçar.

O mais interessante que esse homem quando voltava para a base central, foi ferido, quem o atendeu fui eu.

Se espantou, pois o médico estava numa operação complicada, eu extrai a bala, além de limpar a ferida, lhe dar pontos, lhe disse, tiveste sorte, pois passou muito perto do coração.

Ao final, o médico de quem era assistente, dizia que eu sabia fazer de tudo numa sala de operações, muitas vezes eu acabava a operação, pois ele tinha uma mais urgente.

Quando voltamos, fiquei num hospital em San Francisco, me limitaram, passei realmente a ser um simples enfermeiro.

Pensei muito, sai do exército, tinha dinheiro guardado de todos esses anos, além do dinheiro que tinha me deixado meu pai.

Esse estava todo aplicado, tinha como viver uns meses, aproveitei para matar a saudades de fazer surf com os amigos.

Jimmy ia junto, já não estava mais para complicações, reclamava sim que sentia falta do Tom, não conseguia ter relacionamentos.

Foi quando um dia, dei de cara na praia com o médico que era assistente, tinha saído também era de Los Angeles, arrumou um emprego num dos melhores hospitais, me arrastou com ele.

Era interessante, se interessou imediatamente pelo Jimmy, mas este estava em outra como ele dizia.

Os dois trabalhávamos em urgência que tinha uma sala de cirurgia da mais moderna, completamente isolada do resto, pacientes que não tinham tempo para subir, era operado ali mesmo, tinha uma menor ao lado, para cirurgias rápidas.

Um dia um dos diretores sofreu um acidente, quem o atendeu fui eu, pois Gerard estava em uma cirurgia complicada, nem tinha ideia de quem era o homem.

Fiz tudo que pedia o caso, inclusive uma coisa, pontos de cirurgia estética, pois tinha afetado sua cara.

Quando se recuperou, eu só lhe disse que teria que ir a um dentista, pois o tiro do assalto que tinha sofrido, tinha lhe rompido dois.

Foi quando descobriu que eu não era médico, Gerard me defendeu, que eu tinha muito mais experiencia que a maioria dali.

Não fez nada, apenas passou a prestar atenção no que eu fazia, duas vezes me ajudou numa operação.

Um dia ia saindo do trabalho, ele também me convidou para tomar algo, conversar.

Queria saber por que eu não tinha feito medicina.

Fui honesto, contei minha história, tomando uma coca cola.

Fez tudo para me convencer, poderia fazer inclusive práticas ali no hospital, pois era um problema, no exército não, mas se acontecesse alguma coisa, imaginem alguém descobrir que foi operado por um enfermeiro.

Falei com o Gerard que me deu força, Jimmy também, pois sabia que não tinha feito por falta de dinheiro, agora tens, faça.

Mas não deixei de trabalhar, todas as práticas fazia no hospital.

Acabei o curso antes do tempo, nem precisei fazer especialidade, o meu eram as cirurgias em geral.

Nessa época o exercito queria que voltássemos, eu disse que nem pensar, me preocupava a saúde do Jimmy, que já tinha uma boa idade.

O caso dele ainda complicava, pois já não tinha vontade de viver, sentia imensas saudades do Tom.

Eu sem querer fui conhecendo o homem que tinha me incentivado, começamos a sair, para papos, me contou que estava num divorcio complicado, pois a mulher queria seu dinheiro, eram casados com separações de bens, sem filhos.

Tinham tentado montar várias ciladas para ele, mas inclusive comigo ele não avançava o sinal.

Desconfiava que o assalto que tinha sido vítima, motivo que eu o operei, era algo a ver com isso.

Foi o último caso que o Jimmy investigou, descobriu que a mesma tinha uma aventura com seu próprio advogado, o tiro saiu pela culatra.

Ele conseguiu o divórcio, só então avançou o sinal, não queria te envolver nessa história, tudo por culpa do meu pai.

Seu pai era um dos cirurgiões mais complicados do hospital, era especialista em cirurgia do coração, tinha ficado puto, pois uma vez um cliente seu entrou, não havia tempo para subir o mesmo, consultei todo mundo, ele estava ocupado numa outra, o jeito foi operar ali mesmo.

Claro tinha o lado de que o mesmo era um homem famoso, ator de cinema, que fazia generosas doações ao hospital.

Ficou fascinado com minha maneira de o atender, fui claro, o senhor decide, se espera pode morrer, eu só posso opera-lo aqui em urgências.

Me olhou tão sério, o operei ali mesmo, avisei o John, no caso foi meu ajudante, pois experiencia em cirurgia do coração não tinha, mas conhecia seu pai, desceu do meio de uma reunião, se aprontou, entrou na sala de cirurgia, era um a mais ali.

Só depois então subiram o paciente para uma suíte, reservada para esses pacientes ricos.

O pai do John ficou uma fera, lhe expliquei que não podia esperar, que o paciente tinha entendido.

Nem queria me deixar subir para revisar o caso.  Quando viu realmente que se o mesmo esperasse estava morto, voltou a trás.

Queria que ele subisse fosse seu assistente.

Disse que não, pois gostava de aonde estava, preciso dessa adrenalina, mostrou a sua ficha do exército.

Pior foi quando soube que John tinha um relacionamento comigo, passava mais tempo em minha casa que na sua.

Ele sempre quis ter um filho, eu entendia, lhe disse que tinha sido adotado pelo Tom.

Nem precisei contar minha história, Jimmy fez por mim, inclusive ensinou o John a fazer surf.

Ele no fundo tinha estudado medicina por causa do pai, mas cuidava mais da parte administrativa do hospital.

Quando conseguiu adotar um garoto, foi interessante, pois o mesmo era super parecido com ele, mas negro, o velho a principio não gostou, mas ele foi viver finalmente comigo.

Jimmy estava muito doente, nos revessávamos cuidando dele.

Ele se dizia orgulhoso, de mim.

Eu entendia, pois os dois tinham sido pais maravilhosos.

Nessa época por causa das histórias que me contava do Tom, comecei a gravar tudo, pois eram reminiscência da época que os dois estavam no orfanato.

O caminho que cada um tinha tomado, o fazia com o menino sentado nas minhas pernas, era muito agarrado comigo.

Achava interessante, as vezes o John chegava, o queria tirar dali aonde estava, reclamava, esse ficava com ciúmes.

Quando Jimmy morreu, foi uma paulada em toda regra em minha cabeça, era o único vinculo que eu tinha com meu passado.

Nem estava em casa na hora que ele morreu, estava no hospital, no meio de uma complicada operação, justamente ajudando o pai do John.

O sujeito quase morre na mesa, tinha tido duas paradas no meio da mesma.

Ele diria depois que graças a mim, que tinha feito inclusive uma massagem no coração com o corpo aberto.

O cliente era super importante, um homem cheio de vícios, morreu meses depois de outra coisa.

Sai correndo, quando terminou a mesma, tinha um recado do John que Jimmy tinha morrido, nos primeiros dias não podia me perdoar isso, não estar ali.

Por isso, depois de cremado, levei suas cinzas para o tumulo do Tom, pelo menos estavam juntos.

O pai do John me chamou outra vez para outra operação, depois saímos para conversar no seu gabinete, me disse uma coisa que fiquei com o pés atrás, que tomasse cuidado, que John era muito volúvel, me contou uma coisa que eu não sabia, que o tiro tinha lhe dado um amante dele, a mim tinha contado outra coisa.

Um dia cheguei em casa, antes da hora, o menino estava sozinho na frente da televisão, quando cheguei ao quarto, ele estava com um surfista, um sujeito que eu conhecia, rindo me chamou para entrar na dança, mas fiz ao contrário, pedi que saíssem da minha casa.

Ele se foi com o outro, deixando o garoto para trás, me soltou em plena cara, ele gosta mais de ti do que de mim.

Consegui a muito custo, adotar realmente meu filho, ele tinha o nome do Tom, passou a ter seu sobrenome, Burke.

Foi interessante descobrir a outra cara da moeda, pois em seguida John parecia estar como louco, a um ponto de seu pai ter vindo conversar comigo.

Foi quando descobrir que ele estava no hospital, porque seu pai era um dos grandes diretores do mesmo.

Pior que antes tinha rejeitado o Tom, agora ia sempre visita-lo.

As vezes chegava, estava na sala, jogado no chão, brincando com o garoto.

Não tive tempo de cuidar direito dos meus filhos, minha mulher era quem fazia essas coisas, eu estava iniciando minha carreira.

Foi quando soube que o mesmo também tinha saído de um orfanato, construído uma grande carreira.

Paguei um preço alto, dizia ele, me casei com uma mulher que não amava, mas ela a mim sim.

John quando soube que o pai aparecia para ver o menino, não gostou.

Veio falar comigo, o pior é que começou a me encher o saco, a cobrar o que tinha feito, me ajudado a estudar medicina, contava para as pessoas que ele tinha me sustentado, pagado meus estudos.

Não gostei muito, recebi nesse tempo duas propostas, uma para ir para Monte Sinai em NYC, outra para ir para Boston Memorial.

Eu sempre tinha vivido bem em Los Angeles, fui as duas entrevistas, levando meu filho.

O do Monte Sinai, era mais interessante, queriam que eu montasse como tínhamos uma sala de cirurgia em emergências, mas desta vez fiz uma coisa, fizemos um contrato de trabalho, com advogado pelo meio. Assim ninguém me enchia o saco.

Levei meses observando o pessoal que trabalhava comigo, para montar uma equipe, dois tinha vindo como eu do exército, estavam acostumado a essa loucura que é uma urgências.

Logo consegui um pequeno apartamento com dois quartos, uma boa sala, além de uma senhora que ficou basicamente morando lá em casa, tinha uma área de serviço com um quarto e um banheiro, Tom a adorava, além disso ela era mãe da enfermeira que era meu braço direito.

Mas ia todos os dias para casa, fazia dois horários diferentes, uma semana trabalhava durante o dia, na outra de noite.

Levei anos para ter um relacionamento outra vez, não queria confusão para meu lado, o pai do John vinha sempre nas férias ficar com seu neto como ele dizia.

Nenhum de seus filhos, lhe tinha dado netos, o mais velho, tinha um, mas fora de seu casamento, esse ele não conhecia.

Os anos foram passando, meu filho crescendo, contava para ele histórias do Tom, do Jimmy, ele um dia com uns 12 anos, disse que eu devia escrever, pois ele adorava essas histórias.

Foi o que fiz nos meus dias livres.

Fiquei conhecido, como o escritor, surfista, pois quando me perguntavam o que eu sentia falta, dizia que do surf.

O livro fez sucesso, pois narrava como o Jimmy me contava, o tempo deles no orfanato, depois no exército, posteriormente na polícia.

Sem querer, comecei a me lembrar das coisas todas que ele tinha guardado, das suas investigações, estavam guardadas num guarda moveis de Los Angeles, não tinha me desfeito da casa, que o Jimmy tinha comprado.

A coloquei em nome do meu filho Tom Burke, seria dele um dia.

Numa das idas, fomos comer com o pai do John, esse já não estava no hospital, tinha feito alguma merda, só me disse que estava descontrolado de vez, tinha aparecido duas vezes totalmente drogado.

Imagine um diretor de hospital, drogado, tinha sido um escândalo.

Ele me contou uma coisa, estava velho, precisava de alguém na sala de cirurgia com ele.

Aceitei, pois estava louco para voltar para casa, meu contrato em NYC, acabava, inclusive hoje em dia Tom era bem independente.

Tínhamos uma senhora que limpava a casa, fazia comida, o resto nos apanhávamos.

Mas fiz da mesma maneira, um contrato, para que ninguém enchesse meu saco.

As vezes no meio de uma cirurgia, o pai do John, me pedia para terminar, estava exausto, um belo dia teve um enfarte no meio de uma operação, eu assumi o mando de tudo, mandei que o levasse para uma sala ao lado, não houve jeito, tinha sido desses fulminantes.

Pelo menos ele acabou como queria, dizia que os atores sonham em morrer num palco, ele sonhava morrer trabalhando.

No enterro conheci seus outros filhos, fiquei horrorizado em ver o John, parecia mais velho que seu próprio pai, no caixão.

Ele não fez o menor gesto para se aproximar, nem eu tampouco.

Um bom tempo depois um advogado me procurou em casa, Tom disse que nessa semana eu estava trabalhando durante o dia, mas que depois de certo horário, estava em casa.

O homem apareceu, era de certa maneira da minha idade, me disse que era o outro neto, ele me ajudou a acabar a carreira de advogado.  Mas meu pai nunca me reconheceu, ele sim, fizemos um teste de ADN, para isso, me deixou em boa situação financeira.

Me pediu uma coisa, eu o aconselhei, conhecendo através dele a família, que fizesse uma coisa a parte, os vi no enterro, como eu vocês dois estavam a parte, sabia de toda a história de vocês.

Ele me deixou esse envelope, bem como tens que ir ao banco comigo, com o Tom, pois ele ainda e menor de idade.

Tinha aberto uma conta no banco para o Tom ir à universidade, fazer o que ele quisesse.

A mim me deixava um belo valor em dinheiro, para alguma necessidade, dizia ele.

Sem querer comentei com Brooks, seu neto, que tinha me acostumado com ele, aquele homem sempre tão fechado, aparecia aqui em casa, ficava brincando com meu filho.

De uma certa maneira, o John tinha tido a guarda dele, mas quem o tinha adotado tinha sido eu.

Brooks, aparecia, para ir fazer surf, as vezes ficava conversando até mais tarde.

Tom dizia que ele era apaixonado por mim, mas muito tímido.

Um belo dia aconteceu, era completamente diferente do John, fomos nos descobrindo, ele adorava meu filho, sempre quis ter um irmão menor, mas minha mãe, era uma dondoca de sociedade, nunca se interessou nem por mim, que dirá ter outro filho.

Nessa época um colega se aposentava, iria embora da cidade, me ofereceu sua casa de Malibu, fomos olhar, pensando numa casa imensa, mas nada, era perfeita para a gente.

Tom encontrou logo um amigo que tinha na escola por lá.

Para ele seria mais fácil ir à universidade.

Estava agora no meu terceiro livro, contando uma aventura de investigação dos meus dois pais.

Uma boa parte dos lucros, colocava na conta do Tom, queria que ele tivesse o melhor.

Ele pensou muito antes, um belo dia, rindo me disse que tinha resolvido, ia tentar medicina, as outras coisas não me atraem.

Nunca soube como o John descobriu que seu sobrinho vivia comigo.  O procurou falando horrores de mim.

Mal sabia que tinha contado tudo para o Brooks.

Esse o mandou a merda.

Depois apareceu um dia lá em casa, Tom estava estudando, abriu a porta, nem o reconheceu, fazia muito tempo que não o víamos.

Foi reclamando que o tinha tratado friamente no enterro do pai.

Mal sabia ele que Tom tinha uma maneira muito própria de se defender, bem como argumentar.

Nisso eu chegava com o Brooks.

Era uma cópia mal acabada do homem que eu tinha conhecido, ao final me pediu dinheiro, tinha gasto toda a fortuna que o pai tinha deixado para ele, inclusive me ameaçou, mal sabia que Brooks tinha mania de gravar tudo que acontecia em volta, quando o viu acionou rapidamente seu celular para isso.

Mas nem precisamos fazer nada, ele morreu de sobredose dias depois.

Talvez por causa dos livros, os personagens tinham justamente os nomes originais, fui um dia procurado por um advogado, o mesmo representava minha mãe verdadeira, queria me conhecer.

Nunca poderia sair, pois tinha cadeia perpetua, não negava o crime que tinha cometido.

Pensei muito, conversei com os dois homens da minha vida, meu filho e meu companheiro.

Foi quando soube que a mesma cuidava da biblioteca do presidio aonde vivia, num dos bairros fora da cidade.

Não me lembrava dela em absoluto, era uma senhora normal, com os cabelos compridos, como os meus, muito crespos, mas apanhados num coque antigo.

Foi educada, riu muito quando mostrei a foto do meu filho, de uma maneira se parece contigo quando eras um bebê.

Se um dia ele quiser, podes trazer para eu conhece-lo.

Numa terceira visita, me deu um caderno, aonde tinha escrito o que tinha acontecido com ela.

Os abusos sofridos, a merda de vida que tinha tido, nem posso falar nada, aqui, encontrei uma estabilidade.

Se quiseres escrever, sobre isso, aqui tens minha autorização, me deu um papel confirmando isso, depois me falou o quanto Tom Burke a tinha ajudado.

Ele enquanto foi vivo, vinha sempre, um dia me trouxe uma caixa, me mostrou todas as fotos que tinha minhas, que ele levava para ela.

Nunca tinha conhecido o Jimmy, mas sabia que tinha existido.

Quando Tom resolveu ir comigo, ela gostou dele, a reciproca foi verdadeira.

Um ano depois, descobriu que tinha um câncer, já não havia meios para cuidar, era um dos mais complicados, Brooks, conseguiu que viesse ficar lá em casa, a cuidamos até morrer, mandei crema-la, a deixei ao lado dos meus pais.

Fiquei uns dias como sempre, chateado, mas o trabalho me absorvia.

Tom tinha se encontrado na medicina, queria se especializar em cirurgia infantil, dizia que era mais complicada, mas adorava, estagiava com um médico do hospital, me um dia no corredor me soltou que meu filho, tinha uma sensibilidade impressionante para analisar, atender uma criança.

Fui treinando gente, sabia que um dia, toda minha vida me passaria fatura, não queria como o pai do John, morrer numa sala de cirurgia.

Me preparei, já tinha tempo suficiente para me aposentar, queria sim curtir a praia, escrever, ninguém me ligava com o médico, para todo mundo, por causa de uma entrevista, eu era o escritor surfista, inclusive numa edição, colocaram uma foto minha, surfando, mas só que o que fez a capa, me colocou em cima de um livro, pois eu tinha contado, que no tempo livre que tinha na frente, entre uma operação e outra, lia tudo que os soldados deixavam para trás.

Tom Burke, hoje é um cirurgião infantil conhecido, eu vivo com meu outro homem, embora ele seja mais jovem do que eu, arrumou uma maneira de estar sempre livre para estarmos juntos fazendo surf, fazemos no horário conhecido como os surfistas Sênior, pois muitos ainda trabalham.

Finalmente tenho paz na minha vida, embora levei tempo para coordenar essa coisa de uma semana trabalhar de dia, na outra de noite, mas já sou normal, como diz o Brooks.

 

 

 

 

Comentarios

Entradas populares de este blog

APRENDER DA VIDA

DRAMATIC

UNTAMED - INDOMÁVEL