KAOS

 

                                           KAOS

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Despertou com o celular tocando com insistência, estava no seu dia de folga, tinha inclusive colocado o despertador em silêncio, queria aproveitar mais um tempo na cama, estava exausto do último caso que tinha levado.

Atendeu imaginando ser seu companheiro, mas não reconheceu a voz, que perguntava pelo senhor Joe Thosh?

Sim sou eu, respondeu.

A voz do outro lado continuou, que era da polícia de Las Vegas, seu pai tinha sido assassinado.

Ficou quieto um momento, para pensar, tudo que veio na cabeça era “eu com isso”.

Na hora não entendeu, porque não usava o sobrenome de seu pai, sim de seu avô.

O homem seguiu, o senhor é único parente que ele tem, gostaríamos que viesse para reconhecer o mesmo.

Achou raro, pois seu pai era da policia de lá, como ele era da de Los Angeles.

Vou conseguir mais uns dias de folga, vou para aí.

O homem disse qual delegacia que era, que o esperavam.

Seu pai para ele, era como olhar outra pessoa através de um buraco de bala, mal o conhecia, a última vez que o tinha visto, tinha ido a Las Vegas com seu companheiro buscar um prisioneiro, deu de cara com ele.

Na hora, pensou no que falar, mas seu pai, era como era.

Falou com ele como se o tivesse visto no dia anterior, perguntou pelo seu avô, esse na verdade era pai de sua mãe, depois é que perguntou por ele, como dizendo, acabaste na polícia como eu.

Isso tudo era uma larga história, nunca tinha sido criado por ele, sim por seu avô, pelo casal que vivia na fazenda que ele tinha, no condado de San Bernadino, tinha sido um desses atores que fazem ou segundo papel, ou de bandido nos filmes de Cowboy, só que foi esperto, guardou todo o dinheiro que ganhava, fez um filme atrás do outro, reconhecia a si mesmo, como um ator canastrão, que só servia para esse tipo de papel, no final, acabou fazendo séries de televisão, papeis de policial, sempre com uma cara fechada.

Ao contrário de tudo isso, era uma excelente pessoa, sua mãe na verdade não era filha dele, mas sim de uma amiga sua, que ficou gravida de um diretor, descobriu tarde demais que estava gravida, faziam um filme junto, ela pensava deixar a criança num orfanato, fez um acordo com ela, nessa época já tinha a fazenda, ficava com a criança, não sabia se era homem ou mulher, mas tudo de papel passado.

Mal sabia que estava fazendo um péssimo negócio, minha mãe foi uma criança conflitiva, bem como cheia de problemas, acabou internada num manicômio, por causas das drogas.

Quando ficou maior, para atriz não servia, mas tinha feito dança, tampouco encaixava em nada, um dia escapou para Las Vegas, para fazer musicais, acabou sendo dessas garotas que vendem cigarro, ou fichas dos casinos.

Foi quando conheceu meu pai, esse começava na polícia, era o típico bonitão, ninguém sabia de aonde tinha saído, quando perguntavam, respondia que de algum lugar ao azar.

Quando ela ficou gravida, viviam juntos, ela era a informante dele, com respeito a coisas que aconteciam no casino.

Me pariu por azar, quase nasci dentro do casino, não teve duvida nenhuma, foi a Los Angeles, entregou o pacote, como Maria a senhora o tinha criado contava, parecia um entregador de uma transportadora, desceu do carro, segundo ela um conversível, com meu pai ao lado, mas o velho os segurou, chamou seu advogado na cidade, esse veio com os papeis pronto, nada de amanhã venho reclamar essa criança.

O deram em adoção para ele, como não tinha nome, passei a usar o seu Joe Thosh.

Ele sempre tinha sonhado em ter um filho, nessa época ainda fazia um papel numa série das famosas na época, se deslocava todos os dias para Los Angeles, mas voltava para casa.

É meu pai, meu avô, meu melhor amigo, com ele posso falar tudo que imagino, sem critica nenhuma.

Telefonei para ele em seguida, sabia que a estas horas estava acordado, perguntei como ia, se estava tudo bem por lá.

Sabia que vinha uma série de reclamações, uma que não aparecia muito, outra que estava velho, que isso era uma merda, era o tipo de homem que não sabia estar quieto.

Se entrava reclamando na cozinha, Maria lhe dava um basta, ele calava a boca no ato.

Contou para ele da chamada.

Vou contigo, assim me divirto um pouco, claro assim teria que passar por lá.

Tomei um puto banho, gostava quando tinha tempo, de ficar embaixo do chuveiro, usava os cabelos bem curtos, ao contrário do meu pai, que era o tipo bonitão, de minha mãe uma dessas loiras burras, eu era feio, ou seja tinha saído ao meu avô, que rindo dizia que parecia que quem tinha me parido tinha sido ele.

Me vesti, preparei uma bolsa para uns dias, fui para a Delegacia que trabalhava em West Hollywood.

Falei com o chefe, como tinha direito a férias, dias livres, resolvi tirar férias, avisei meu companheiro, que reclamou, teria que trabalhar com algum outro esse tempo, estava acostumado comigo, pois ele falava sem parar o tempo todo no carro, eu nunca dizia uma palavra, a não ser que fosse necessário, na verdade estava tão acostumado, se me perguntassem o que tinha falado, não saberia responder.

Ele me acompanhou até meu carro, como sempre fez a eterna gozação, quando eu ia comprar um zero km.

Esse carro era um dos antigos, meu avô o tinha roubado do Estudio, um Dodge, nem existe mais esse modelo, mas eu mesmo arrumava o motor nos meus dias livres, bom a placa era uma qualquer roubada pelo velho.

Fui em direção a fazenda, cheguei tinham acabado de almoçar, Maria, mandou a cozinheira fazer um prato para mim, claro logo dizendo que a garota não cozinhava como ela, eu a imaginava em cima da mesma dando ordens.

De lá telefonei para o homem que me tinha chamado, que sairia no dia seguinte, se podia me arrumar um quarto em algum motel, ia com meu outro pai.

Passei o resto da tarde andando a cavalo com o velho, disse que tinha vendido uma boa quantidade para rodeio, os chucros, assim ganho alguma coisa.

Ele na verdade não fazia nada, o filho da Maria, era quem administrava tudo.  O sonho de ter uma fazenda, era porque tinha saído de uma no cu do judas, quem chegasse via na verdade um rancho mexicano, ele o comprou, quando usaram o lugar para fazer um filme, que ele fazia o papel de mau da história, um sujeito que chega com seu bando para infernizar dos outros.

Ele se apaixonou pelo lugar, o comprou, o dono o alugava para o Estudio, porque queria vender, tinha suas economias num banco, foi fácil, comprar.

Nunca reclamou da distância que tinha que percorrer para ir ao Estudio, nos últimos anos um motorista o levava.

Para a idade que tinha, ele dizia que não sabia quando tinha nascido, então calculava que estava perto dos 85 anos.

De noite fiquei sentado com ele, comentando do meu último caso, tinha saído nos jornais, uma coisa horrível, um sujeito que matou uma família inteira, por besteira, ou melhor por vingança.

Tinha mutilado todo mundo, dar com o mesmo foi difícil.

Meu companheiro dizia que a sorte que tinha, era que eu não falava, mas era observador.

Fomos dormir, saímos no dia seguinte logo depois do café da manhã, chegamos de tarde a Las Vegas, porque paramos várias vezes, ele precisava esticar as pernas, dar uma mijada, coisas de velho como dizia.

Chamei o policial pelo celular, ele nos disse o nome do hotel que tinha feito reserva.

Nos esperava lá.

Pensei em encontrar um velho, mas o sujeito tinha mais ou menos a minha idade, era o auxiliar do chefe de polícia, se identificou como Andrew.

Ficou olhando para o meu avô, soltou o nome dele.

Vi todos seus filmes, meu pai adorava os filmes de cowboy, por isso vi mil deles, foi falando os filmes que meu avô tinha trabalhado.

Só depois entrou no assunto do meu pai.

Antes que alguém comente, ou faça algum comentário de mal gosto, é bom saber que ele estava afastado do cargo, de inspector, porque estava sendo investigado por corrupção, isso não era a primeira vez.

A primeira eu sabia, foi quando o tinha visto da última vez.

O encontraram em sua casa, bem como a mulher com quem vivia, com um tiro no meio da testa.

Uma execução a toda regra, ele segundo soube, tinha concordado em depor contra as pessoas que o subornavam.

Aliás, sempre falavam, como era possível ter essa casa, no melhor bairro de Las Vegas, com o salário que tinha, a muito tempo, ninguém queria trabalhar com ele como companheiro, o pior era que se aposentava dentro de meses.     Era sabido que tinha ficado algum tempo de excedência trabalhando para um casino, como chefe de segurança, depois quando o venderam voltou a trabalhar de policial.

Mas mesmo assim a ordem é que o enterrem com uma cerimônia, mas claro alguém da família o tem que reconhecer.

Deixamos as coisas no hotel, fomos resolver isso rapidamente, deixei meu avô lá, fui com o policial.

Impressionante, quando vi teu nome na ficha, pensei que iria falar com teu avô, mas me deram um toque, que tinhas sido adotado por ele, assim tinhas o mesmo nome.

Meu avô não tinha como a maioria um nome como ator, era, sempre tinha sido Joe Thosh.

Puxaram de dentro de uma gaveta do necrotério, aonde ele estava metido, tinha um tiro no meio da testa que estava com a pele em volta violeta.

Perguntou se queria ver a mulher?

Não tenho a menor ideia de quem seja, foi minha resposta, nunca a vi na vida.

Ele abriu assim mesmo, era uma mulher jovem, devia regular com os dois, ou seja tinha idade para ser sua filha.

A casa ainda está sendo analisada, depois da cerimônia que vai ser amanhã, te levo lá.

Sabes alguma coisa sobre em que ele andava metido.

Entendi que queria descobrir alguma coisa através de mim.

Cai na gargalhada, para esclarecer, soltei, não fui criado nem pelo meu pai, tampouco por minha mãe, era um bebê, quando me deram em adoção.

Quando ela voltou a Los Angeles, estava metida em drogas, foi quando o vi pela primeira vez.  Me olhou como me examinando, os dois eram bonitos, eu era feio.

Depois só o voltei a ver, já era policial, vim aqui com um companheiro buscar um prisioneiro, ele viu meu nome, se apresentou.

A um ano atrás, me telefonou, se eu não podia quebrar um galho para ele, um sujeito, filho de um mafioso, tinha sido preso em Los Angeles.

Por sorte não levava o caso, nem era da minha delegacia, me encheu o saco, mas tirei o meu da reta, achei o cumulo, sabia que tinha sido investigado por corrupção, mas querer me envolver era o máximo.    Imagine um sujeito, nem sei quem é direito, meu pai, verdadeiro é meu avô, ele não conta.

Depois andou ligando, para saber quem era o policial ou inspector quem levava o caso, lhe disse qual era a delegacia, mas não quem.

Tampouco sei como se resolveu a situação, não me interessava.

De noite contei isso para meu avô, creio na verdade que me chamaram, para isso, saber em que andava metido.

Tenho sorte meu velho, de ter sido criado por ti, esse idiota morto, não sei quem é.

O mais cômico foi no dia seguinte, na cerimônia me chamara para falar, declinei o convite, ia dizer o que, “não sei quem é esse filho da puta”, falei isso baixinho para meu avô, que riu.

Depois no cemitério, um advogado me deu um cartão, me disse que precisava falar comigo, por causa do testamento.

O mais divertido, foi que me deram uma bandeira enrolada como fazem com os soldados, quando todo mundo se afastou, olhei bem para o que tinha me acompanhado, a joguei em cima do caixão, disse para ele, é um belo desconhecido, não quero essa bandeira que ele sujou.

O cara deu um sorriso, ficava com a boca torta.

Me perguntou o que o advogado tinha falado?

Me entregou o cartão, disse que tem um testamento.

Quero te avisar, mas no que ia falar, o chefe da delegacia se apresentou, apertou a mão do meu avô, dizendo que sentia muito ele ter perdido seu filho.

Esse soltou uma das suas famosas gargalhadas, deus me livre ter um filho como esse, um bom filho da puta, na verdade seria seu sogro.

Estou acompanhado meu neto, esse sim é meu filho de papel passado.

O homem apertou minha mão, mas não a soltou, me afastou com ele, soltou na maior, que meu pai tinha desaparecido com alguns casos, não estão na rede informática, se encontrar alguma coisa, nos fale.

Entendi, o convite era esse, descobrir em que ele andava metido.

Fomos comer os dois, com uns amigos de meu avô, que viviam em Las Vegas, rimos muito com os comentários dele.

De noite acompanhado dos mesmo fomos a um casino.

Eu sempre gostei de jogar, nos sentamos numa mesa, eu primeiro observei como funcionava a roleta, entendi o manejo da mesma, em seguida ganhei duas vezes, os velhos se deliciavam, segui ganhando, jogava duas, passava duas, ao final fechei a mesa, atrás de mim estavam dois segurança do casino, simplesmente levantei o casaco, mostrando que era policial.

Quando um deles falou comigo, eu disse que estava de férias, era de Los Angeles, por hábito tinha minha placa no cinturão.

Tinha uma bela soma de dinheiro, pedi um cheque, o depositaria no dia seguinte, fomos para o hotel, o meu velho se matava de rir, tens sorte, o filho da puta devia estar controlando a roleta.

No hotel, estava esperando o advogado, me deu uns papeis, leia, é o testamento dele, o modificou depois de encontrar-se com o senhor a algum tempo atrás.

Mas temos que ir ao Banco, pois tem dinheiro lá também.

Ufa disse ao meu avô, estou milionário, vou me aposentar.

Quando li, os papeis, me deixava a casa que era dele, bem como dinheiro no banco, além de uma caixa de segurança no mesmo banco.

Ia conversar com meu velho, mas ele já estava dormindo, deixei para comentar no dia seguinte.

Foi o que fiz logo no café da manhã, nos sentamos numa mesa mais afastada, pois assim poderia falar com ele.

Falei da casa, que não sabíamos como era, bem como dinheiro no banco, uma caixa forte.

Que filho da puta, soltou ele.

Não se preocupe, vou mandar vender a casa, vou juntar com minhas economias, assim compro algo para mim em Los Angeles, mal sabia do que estava falando.

O advogado apareceu, ia nos acompanhar ao banco.

Levei outro susto, a quantidade de dinheiro era muita, ele apresentou um atestado de óbito, bem como uma cópia do testamento.

Estava morto de curiosidade, me entregou a chave do cofre forte, desci com uma moça, que me foi guiando, eu imaginava uma dessas caixas pequenas, retangulares, estreitas.

Mas nada era uma das grandes.

Quando fiquei sozinho a abri, em cima tinha uma outra pequena, ali estavam uma série de casos que era o que procuravam, coloquei de lado, não tinha interesse nenhum em sequer ler os mesmos, não queria estar envolvido nisso.

Depois olhei o que tinha embaixo, quase soltei um “puta que o pariu”, estavam montes de blocos de dinheiro, ainda com o papel do banco central, eram todos notas grandes, fui tirando uma lateral, para saber quantos montes tinham.

Vi que por baixo, tinha papeis, eram mais casos de polícia, caralho, esse sem vergonha devia chantagear muita gente.

Tirei tudo, enfiei na caixa de cima, sabia que se mexesse nesse dinheiro, ia chamar a atenção, calculei quanto tinha ali, pelos blocos, me lembrei o que tinha falado com meu avô, realmente podia me aposentar, deixar a polícia, fazer outra coisa.

Não levava muitos anos na polícia, mas tinha me decepcionado, da mesma maneira que tinha feito com o curso da universidade, tinha feito direito, depois de todas as práticas, vi que tinha errado.  Tinha feito, por não ter outra ideia na cabeça.

Acabei na polícia, mas já como inspector, já que vinha com um título.

Mas pedi para passar algum tempo como policial de rua, para saber como era a coisa, depois fui para essa delegacia.

Guardei tudo de novo, só retirei a escritura da casa, para mandar vender a mesma, teria que voltar outra vez, de preferência na surdina, para enfiar tudo isso na minha conta.

Como tinha conta no mesmo banco, transferi o que estava na conta, para a minha, só deixando um valor, para manter a caixa de segurança.

Entreguei a escritura para o advogado, fomos olhar a casa.

Ainda tinham alguns policiais lá, chamaram o que tinha me recebido que apareceu em seguida, eu o tinha visto de longe no banco, tinham visto eu entregar a escritura para o advogado.

Disse que eu poderia entrar, já tinham analisado a casa.

Realmente um simples policial, nunca poderia ter uma casa assim, tinha uma bela piscina, com jardim, a casa tinha dois andares, em baixo um enorme salão, uma sala de jogo, com mesa de bilhar, uma varanda imensa, além da cozinha também, em cima vários quartos, um se via com roupa da mulher, outro era o dele, com um puta vestidor, lotado de roupas, ternos, etc.

Menos mal que ele era mais baixo do que eu, pois tenho quase dois metros de altura, ele não tinha essa altura, ou seja nada servia para mim.

Falei com o advogado, mande dar isso para a caridade, venda isso, coloque na minha conta, que vou lhe dar, mande preparar uma procuração, não penso em voltar aqui.

Meu avô depois de um tempo quieto, soltou o filho da puta viveu bem, deve ter chantageado muito gente, como falou alto, o policial estava prestando atenção.

Dali fomos almoçar com o advogado, esse já tinha, pois tinha imaginado que lhe perguntaria, tirou de uma pasta o valor que valia a casa, vou pedir mais, mandarei limpar tudo, pintar, assim coloco no mercado, será fácil vender.

Assim que o senhor vender, me avise que venho assinar os documentos, mas fiz um gesto como dizendo, no sigilo, ele entendeu.

Era muito mais dinheiro que eu poderia necessitar a curto e largo prazo.

De tarde, estava sentado na piscina do hotel, primeiro apareceu o chefe da delegacia, me perguntou se tinha encontrado alguma coisa na caixa forte.

Não, só o que entreguei ao advogado, um pouco de dinheiro e a escritura da casa, mandei colocar à venda.

Ele insistiu, nenhum caso, ou nada parecido, que o relacione com o que estamos investigando.

Menor ideia, o senhor acha que ele guardaria lá algo assim.

Vocês revisaram a casa, tinha visto que estava tudo fora de lugar.

Sim a pessoa que os matou também, pois encontramos a casa assim.

Então creio que se encontraram, levaram tudo.

Eu segui as instruções do Andrew, não toquei em nada, sei como são essas coisas, afinal sou da polícia.

O filho da puta, sabia inclusive quanto tinha me tocado de dinheiro no banco.

Ninguém sabe de aonde tirou tanto dinheiro.

Agora é tarde já transferi para minha conta, é meu pelo testamento, quase soltei, foda-se, não deviam ter me chamado.

Estava esperando o elevador, ia tomar um banho, sair para jantar com meu velho e seus amigos.

Quando um homem com cara de mau, perguntou se podia falar com seu chefe.

Entendi, era o típico, mafioso, cabelos cheio de brilhantina.

Me perguntou se tinha encontrado alguma coisa.

No banco, perguntei como um idiota.

Sim, algum papel do que estava fazendo.

Sinto muito, mas só tinha dinheiro, que já coloquei na minha conta, acabei lucrando vindo aqui reconhecer esse filho da puta, o senhor me desculpe, mas não fui criado por ele, tampouco levo seu nome, se era um bandido, com cara de policial, a coisa fica por aqui em Las Vegas.

Nessa noite fomos a outro casino, vi que o sujeito que tinha me levado para falar com seu chefe estava lá.

Os velhos me queriam ver jogar, me sentei na roleta, prestei a atenção, durante duas horas ganhei em seguida, a um ponto que muita gente jogava aonde eu colocava as fichas.

Bom hora de terminar a brincadeira, disse aos senhores, temos que dormir, pois amanhã toca sair cedo.

Se estavam nos vigiando não sei, como saímos as cinco da manhã, não queria pegar o calor do meio-dia, o carro não tinha ar-condicionado, na época da fabricação não existiam.

Fomos os dois conversando, foi quando finalmente falei para meu avô o valor que tinha na caixa do banco, não podia tirar, pois chamaria muita atenção.

Quando vendam a casa, volto, faço isso, agora já sabia que existia uma garagem, ligada ao banco, imaginei como faria.

O que pensas em fazer?

Bom, agora tenho dinheiro suficiente, para mudar o rumo da minha vida.

Sabe avô, o senhor nunca me vê reclamar, mas estou farto, tudo bem não levo tanto tempo como policial, me faltam mil anos para me aposentar, vou é voltar a estudar, agora que tenho dinheiro, acho que vou me dedicar a escrever, tenho mil histórias na minha cabeça.

Meu avô soltou que eu precisava de companhia, ter um filho, ele queria ser bisavô, me matei de rir.

Ele sabia que eu era um gay, meio metido num armário, quando fazia universidade, tinha me apaixonado por um companheiro, falei com ele.

Tens certeza de que esse sujeito, está interessado em ti?

Um dia estava cagando no banheiro da universidade, escutei o mesmo falando com outro, ele com essa cara de bandido que tem, é viado, tenho certeza, vai cair nas minhas mãos, é o que tira as notas mais altas, vou explorar esse filho da puta.

Pensei comigo, bendita hora que tinha vontade de cagar, a merda tinha vindo à tona.

A partir desse dia, passei a ignorar o outro, a um ponto do filho da puta, me perseguir.

Uma noite fui a uma festa, com alguns companheiros, ele estava lá, como o ignorei, bebeu demais, na hora de ir embora, ele estava encostado no meu carro, perguntou se essa coisa andava.

Entrou no carro, foi direto ao meu piru, abriu minhas calças, colocou tudo dentro da boca.

Vi uns amigos dele perto, parei o carro ao lado, para que vissem o que ele fazia.

Ficou furioso, que isso não se fazia, lhe respondi que ele pensava em fazer algo pior comigo, escutei tua conversa com teu amigo de alma, no banheiro, foda-se.

Desceu do carro furioso.

Anos depois o encontrei, quando levava um caso, um pederasta, ele defendia o sujeito, estava gordo, meio careca, tinha perdido toda a beleza que tinha.   Só disse uma coisa, eu continuava feio e gostoso.

Nunca mais me meti, com nenhum conhecido.

Tinha minhas fodas de uma noite, nunca mais ninguém me interessou para ter um relacionamento, se meu companheiro não falasse tanto, talvez, pois gostava dele, mas eu adorava estar em silencio.

Meu avô deu a maior força, acho que estas certo, mas faça o seguinte, tens duas férias como me disseste, peça as mesmas, depois uma licença sem vencimento, se der certo o que queres, depois pedes a demissão.

Essa noite dormi na fazenda, poderia ficar ali para escrever, mas tinha outros sonhos, gostava de lá, mas isso era um sonho dele.

Apesar de venderem cavalos, nunca dava um lucro bom.

Anos atrás eu tinha tido um caso, em Venice Beach, na época tinha ficado interessado na casa do sujeito, iria ser vendida, mas não tinha dinheiro para isso.

Ainda pensei, a primeira história poderia ser essa.

Coloquei as mãos atrás da cabeça, como gostava de fazer para pensar, fui me lembrando detalhes do caso.

No dia seguinte fui para casa, almocei com meu companheiro, disse o que tinha acontecido, o que pensava em fazer, sabes muito bem, que estou farto desse trabalho, esse último, me deixou esgotado.

Que sorte meu irmão, era assim que ele me chamava, tinha sido surfista na sua juventude.

Olhei bem para ele, nessa hora podia lhe tascar um beijo na boca.

Espero que dê certo, eu também sei que errei, estou pensando como tu, em deixar disso, posso voltar a viver com meu pai, em Malibu, ou simplesmente voltar a estudar como dizes tu, vou pensar.

No dia seguinte, fui falar com meu chefe, agradeci me apoiar nesse tempo todo, falei do que ia fazer, ele se matou de rir.

Tirei as duas férias, em seguida entraria com o pedido de licença sem vencimentos.

Semanas depois, eu estava organizando meu apartamento, levava sempre para casa, os blocos que escrevia tudo, nesse ponto era perfeito, tudo tinha data, coloquei em ordem, procurei o caso de Venice Beach, ia começar por ele.

Já tinha me inscrito num curso de escritura, na universidade, era fácil, porque tinha me formado lá.

O mesmo começava dentro de uma semana.

Quando fui ao banco, precisava colocar esse dinheiro para investir, me sentei falei com o rapaz que cuidava da minha conta, falei com ele do dinheiro dentro da caixa de segurança, qual a melhor forma.

Me disse que pagaria mais imposto, que eu devia fazer o seguinte, trazer tudo pessoalmente, mas fazer uma coisa, ir depositando todos os meses uma parte, como se fosse um salário.

Assim não teria problemas.

Quando o advogado me disse que a casa estava vendida, que eu teria que ir para assinar, convidei Brandon para ir comigo.

Falou logo em seguida, em irmos em seu carro, era um Rover ultimo modelo, sempre quis experimentar numa estrada.

Lhe comentei do dinheiro da caixa do banco, ele disse que sabia como fazer, íamos esconder embaixo do pneu de reposição.

Foi o que fizemos, antes passamos pela fazenda, meu avô não andava bem, reclamava que a culpa era porque não o deixavam fazer nada.

Avisou ao Brandon, cuidado, ele arrasa nos cassinos.

Mas desta vez não pensava em ir, pois chamaria atenção.

Pensava fazer uma coisa, desceria com um envelope grande, colocaria todos esses papeis no mesmo, mandaria para o FBI, ali mesmo em Las Vegas tinha uma agência.

Brandon disse que conhecia alguém que trabalhava no FBI, chamou o mesmo, que nos deu o nome de uma pessoa, avisarei que vocês vão procurar.

Chamamos o sujeito pelo caminho, fizemos o seguinte, enfiamos o Rover na garagem ligada ao Banco, fui falei com o Gerente, levava uma maleta de metal, que tinha escolhido, pois cabia justo abaixo do pneu, tínhamos experimentado.

O banco nos deu dois envelopes grandes, fizemos tudo no sigilo, prestei muita atenção no que fazíamos, mesmo ao registramos num motel, na entrada da cidade, o fizemos no nome do Brandon, assim meu nome não saltaria.

Coloquei tudo na maleta, fechei a conta do banco, dois envelopes estavam no nome do sujeito do FBI, fomos direto para lá, entregamos os mesmo, ele nos deu um recibo, me perguntou se eu sabia do que se tratava.

Só sei que a policia estava atrás do mesmo, bem como algum mafioso, creio que por isso mataram meu pai, nada mais, fiz questão de não ler nada, por isso.

Saímos dali, era uma maldade, irmos embora, mas Brandon disse que ainda era pobre tinha que trabalhar.

Quando chegamos a Los Angeles, escondi bem a maleta, no dia seguinte iria ao banco, para começar a lenta transferência do dinheiro.

Dois dias depois Brandon me chamou, olhaste os jornais?

Não, por quê?

Teu pai tinha isto como sua defesa, esses papeis envolvem não a ele, mas o pessoal de sua delegacia em corrupção, bem como quem paga tudo.

Fui dar uma olhada, o tal do chefe estava no meio, bem como o que tinha nos recebido. Os dois estavam em prisão preventiva, pelo FBI.

Meu avô se matou de rir, vai ver que foram os mesmo que o mataram, pois nunca tinham mexido um dedo para resolver o assassinato.

Fiz uma coisa, fui olhar algum lugar para comprar em Venice Beach, mas cheguei à conclusão que precisava de um lugar que fosse tranquilo, segui vivendo no mesmo apartamento, era pequeno, mas confortável para mim.

Brandon sempre aparecia nos dias que tinha livre, um dia soltou, posso fazer uma coisa?

Claro a casa é tua.

Me tascou um beijo na boca, acabamos na cama, foi tudo ao contrário do que eu tinha imaginado, como falava muito, o tinha imaginado na cama falando, mas era ao contrário, tudo era no silencio.

Quando falei isso com ele, riu muito, dizendo que falava, pois eu ficava no silencio, queria me fazer participar das coisas, mas entendia que eu gostava de silencio para pensar.

Quando tive o primeiro texto para apresentar nas aulas, ele foi o primeiro a ler, agora passava todo o tempo que podia lá comigo.

Depois os dois o fomos levar para meu avô ler.

Ele nos olhou, riu, já entendi, vocês estão juntos.

Meu filho, disse ao Brandon, deixe esse merda da polícia, quero que vivam muitos anos juntos.

Na semana seguinte Brando levou um tiro, lhe destroçou o ombro, justo do braço que usava para atirar.

O aposentaram, teria um salário de merda como ele dizia, mas se apanharia.

Me falou de uma casa ao lado da do pai, era no final da praia de Malibu, então, não tinha muitos problemas de ruido.

Fui olhar, adorei, ele estava se recuperando bem, nessa época meu avô foi internado, mas não queria ficar no hospital, o levamos para a fazenda.

Se sentou comigo, para conversar, falou do seu testamento, deixava a fazenda dividida entre o filho da Maria que administrava tudo, claro outra parte para mim.

José tinha planos, depois conversaríamos a respeito.

O velho ainda durou quase um mês, nos revessávamos para ficar com ele pela noite, pois quase não dormia, um dia não despertou, morreu segurando minha mão.

Nunca imaginei tanta gente no enterro, não só amigos com quem tinha feito cinema, mas o pessoal ali da cidade mais perto.

O advogado, avisou do testamento, me surpreendi, pois incluiu Brandon.

Estivemos com ele, realmente a fazenda era para mim e o José, o dinheiro do banco, estava dividido em duas partes, uma para o José, outra para o Brandon, dizia, sei que meu neto não precisa.

José queria transformar a fazenda num haras, especializado em cuidar de cavalos, ele tinha um curso para isso.  Virei o socio capitalista, dividiríamos os lucros.

Deixou uma carta para o Brandon, dizendo que ele tomasse meu exemplo, voltasse a estudar.

Ele me confessou que numa das conversas com meu avô disse que tinha desenhado a vida inteira, mas que seu pai, não queria que fosse um pintor.

Acha que devo tentar?

Estávamos os dois na cama, acabado de fazer uma bela sessão de sexo, em silencio, eu adorava, claro lhe disse, deves tentar, como eu estou fazendo.

Sabia administrar bem meu dinheiro, por isso, só usava o que ia rendendo.

Tinha comprado a casa de Malibu, estavam reformando, assim que me mudasse, venderia meu apartamento velho.

Muita coisa aconteceu ao mesmo tempo, o pai do Brandon, tinha Alzheimer, tinha que ser internado, pois era agressivo, não podia ficar em casa, ele aproveitou reformou a casa, transformando em seu studio de pintura.

Meu primeiro texto o da história de Venice Beach foi publicado, eu tinha começado ao terminar o curso, em fazer um de roteiro, se vendesse o mesmo, queria eu mesmo escrever o texto.

As vezes íamos passar o final de semana na fazenda, saia andando a cavalo com o Jose, nos conhecíamos desde garotos, fomos a escola juntos, a primeira experiencia sexual, foi com ele, mas depois se fechou.

Conversamos de tudo, a coisa funcionava, construí outro dois estábulos, da maneira mais moderna possível, preparou tudo como ele sonhava.

Logo queriam comprar o texto para fazerem um filme.

Eu parei para pensar, sabia que iam modificar tudo, disse que não, estava seguindo a ideia de um professor, ele me disse para construir um personagem.

Se ia seguir escrevendo sobre meu trabalho como policial, devia fazer isso.

Construí o mesmo como um homem alto, feio, desengonçado, mais ou menos como eu era, mas que apesar de viver em Los Angeles, andava de terno e gravata, na última, o mesmo não encaixava com nada da delegacia, como se fosse um dândi.

Reescrevi o primeiro livro, mas como texto de série, assim, o sujeito chegando a delegacia, as pessoas pensando que era algum advogado que vinha criar problemas, é mal atendido, até entenderem que ele vem trabalhar ali.

Misturei ao caso, o problema que todos olham para ele com desconfiança, por mais que ele explique que recebeu uma herança, ninguém acredita, muitos pensam que ele é corrupto.

Mas ao mesmo tempo não entende, ele é sério demais, nunca fala besteira, não bebe, não fuma, ao parecer não tem vícios.

Brandon se mata de rir, ele mostra para o José, esse gosta, sempre foste assim sério demais, podias ser o neto do patrão, mas nunca lhe importou isso, sempre fomos amigos.

As vezes notava que ele tinha ciúmes do Brandon.

Como dizia meu avô, nada é para sempre, quando Brandon fez sua primeira exposição, foi um sucesso, se deslumbrou, claro sempre tinha vivido estrito as coisas do pai.

Agora não só tinha dinheiro, como era conhecido, o chamaram para fazer uma exposição em NYC, ele foi, me consultou, mas eu queria ficar para acabar meu último livro.

As vezes estava escrevendo, ele entrava excitado, querendo me mostrar alguma entrevista, agora ao contrário, falava durante o sexo, de seus sonhos, tudo como eu não gostava.

Entendi que estivesse vivendo sua vida.

Quase com um suspiro de alivio, vi sua ida para lá.

Ainda arrastei o José comigo, pois esse nunca saia da fazenda, a não ser para vir a Los Angeles, discutir alguma coisa comigo, o arrastava para a praia, para um banho de mar.

Mas ficamos num hotel, pois Brandon vivia no seu studio.

Achei estranho seu comportamento, me apresentou um sujeito, um pouco mais velho, me falou que tinha comprado duas obras suas, o sujeito parecia como dizia o José marear a perdiz, pois estava o tempo todo ao seu lado.

Brandon agradeceu os dois termos vindo, me disse que agora iria conquistar a Europa.

Entendi que tinha alguma coisa com a tal sujeito, antes mesmo dele falar.

Eram seus sonhos, não comentei nada, nem com o José.

Um dia esse apareceu, eu estava terminando de escrever a ultima frase do meu novo livro, tirei uma cópia para ele ler.

Agora não serei mais o segundo, a ler as histórias.

Na hora não me toquei, fomos tomar um banho de mar, depois tinha pedido comida, assim conversaríamos sobre o que ele tinha ido fazer lá.

Mas não fizemos nada disso, acabamos na cama, foi como recuperar uma parte de minha juventude, eu sempre tinha gostado de fazer sexo com ele, mas tinha se afastado.

Primeiro seu pai ainda era vivo, o controlava muito, mas creio que Maria sabia o que se passava.

Ficamos deitados na cama, rindo, confessou que sentia ciúmes do Brandon, não entendia por que eu não escrevia na fazenda, arrumaria um lugar só para mim.

Comecei a pensar, realmente no momento, começava a transportar a história para uma série, o personagem estava bem.

Fui passar um tempo lá, pois não queria me afastar dele, fui ficando.

Quando voltei para resolver alguns problemas, vi movimento na casa do Brandon, tinha voltado depois do fracasso de sua exposição em Paris, além de que o namorado o tinha trocado por um mais jovem.

Estava furioso, como pude cair nesse engodo, me perguntou sobre como levava minha vida, lhe disse que muito bem, estava com o José.

O que estranhei foi no dia seguinte José veio me buscar, para resolvermos algumas coisas da fazenda, os deixei um momento a sos, quando voltei, este estava furioso.

No carro me contou que Brandon, tinha mudado muito, se ofereceu para fazer sexo com nos dois ao mesmo tempo.

Confessei a ele que tinha achado o comportamento dele, estranho, como conhecia o dono da galeria que o tinha lançado, telefonei para o mesmo.

Me contou a história de outra maneira, que ele pouco tinha trabalhado em Paris, tinha vivido com o outro na sociedade, nunca cumpria o prazo da exposição, a tinham cancelado, pois vivia nas drogas, além de farras com vários homens.

Me perguntei aonde estava aquele sujeito que eu achava que tinha conhecido tanto.

Por um tempo não voltei a minha casa em Malibu, queria acabar o que estava fazendo, meses depois o dono da galeria me telefonou, estava internado, tinha dado uma festa em sua casa, a maioria eram prostitutos, alguém chamou a polícia, ele estava até a alma com drogas.

Eu não podia entender.

Quando consegui uma autorização para visita-lo no hospital, fiquei literalmente horrorizado, soltou na minha cara, que o homem que eu tinha conhecido, era uma fantasia dele, queria ser uma pessoa certinha, já que seu pai não o era.

Depois que foi para NYC, descobriu que nunca tinha vivido nem sua juventude, nem sua mocidade, que tinha começado a trabalhar cedo, porque o pai, gastava muito dinheiro em drogas.

Eu recriminava, pois não o entendia, depois que comecei a usar, achei que liberava, mas não consigo mais trabalhar, me confundo.

Conversei com o médico, a respeito de seu pai, do Alzheimer, do problema que tinha sido, agora entendia que ele usava muitas drogas antes.

Confesso que me senti perdido, comentei com o José, esse não era o homem que conheci, nem de quem gostava, ao que meu avô fez questão de apoiar.

Depois vim descobrir que ele tinha considerado o que meu avô lhe tinha dado, como uma miséria, já que me tinha dado tanto.

Pensei muito a respeito, principalmente com o José, resolvi, ficar definitivamente na fazenda, lá tinha a tranquilidade de escrever.

O terceiro e quarto livro, fizeram sucesso, o personagem que eu tinha criado funcionava, escrevi os roteiros para a série, mas vi que os diretores nunca iriam montar como eu queria.

Deixei tudo guardado, adorava as minhas saídas pela manhã, com o José, tínhamos uma boa vida, confesso que as vezes tinha medo disso.

Quando ele ficou doente, era a mesma coisa que seu pai, o tratamento era doloroso, mas fiquei firme ao seu lado, foi duro ver o homem que eu gostava, ir se apagando, chegou um momento que teria que ficar entubado, ele se recusou.

Morreu em poucos dias.

Meus livros tinha sido lançados na França, fui para fazer divulgação, por um acaso encontrei o homem com que Brandon tinha vivido alguns anos lá, a história dele, era diferente, depois do sucesso de NYC, que ele aproveitou para fazer sexo com todas as pessoas que se aproximavam, diziam que tinha vivido dentro de um armário, queria aproveitar a vida, quando chegou aqui foi a mesma coisa, me cansei, o deixei, cansei de bancar o pai para ele, lembrar que tinha uma exposição agendada, essas coisas.

Me apresentou a muita gente, um diretor se interessou em transferir minha história para lá, fiquei de pensar, essa coisa de cinema nunca me interessava muito.

Segui vivendo na fazenda, tinha ofertas para vender, mas não conseguia chegar a uma conclusão se o queria fazer, quando Maria morreu, nada mais me prendia lá.

Pensei muito, andei olhando vários lugares para viver, precisava sim de um lugar calmo.

Soube que Brando tinha saído da clínica que estava, um belo dia me encontrei com ele, me disse que estava falido, precisava de um emprego e de dinheiro.

Não movi nenhum dedo, imaginava que seria para drogas.

Um belo dia, me procuraram do FBI, queria saber do dinheiro de meu pai, na caixa do banco, os levei para conversar com meu advogado, não havia nenhum registro desse dinheiro, estava no meio da minha herança, viram o testamento, falava na caixa.

Lhes disse que tinha depositado na minha conta, que pagava impostos em cima disso.

O pior foi descobrir que tinha sido uma denúncia do Brandon, foi como pisar meus calos, eu disse que tomassem cuidado com ele, pois se drogava, tinha saído de uma clínica recentemente.

Em seguida desapareceu, eu ao contrário vendi a fazenda, mas fiz uma coisa, uma parte compartir com antigos empregados, só fiquei com 50% do valor.

Em seguida embarquei, fui passar uma temporada fora, o livro que iria começar a escrever, era justamente era a história que tinha me desgastado na polícia, não estava no meu melhor momento.

Depois de meses viajando voltei, não via por que viver em outro lugar, sempre tinha vivido em Los Angeles, não ia ser agora que ia me mudar.

Aluguei, pois queria levar uma vida mais relaxada uma casa em Venice Beach, fui conhecendo gente, não me atrevia ainda a começar a escrever a história.

Passei sim a fazer como um exercício, escrever contos, histórias curtas, baseadas em notícias que via nos jornais.

Não sei como o Brandon me encontrou, começou uma verdadeira guerra comigo, sempre atrás de mim por dinheiro.

Soube que pedia dinheiro a todo os velhos conhecidos, falava mal de mim, que tinha muito, mas não o ajudava, pedi uma ordem ao juiz, para ele não me encher o saco.

Por duas vezes apareceu em minha casa drogado, não tive conversa, chamei a polícia.

Da última vez, que soube, estava internado, outra vez.

Ficava me perguntando o que tinha saído de errado na cabeça dele.

Fui procurando saber da história do pai dele, descobri que ele era filho adotivo, que sua mãe tinha desaparecido.

Ele estava sempre no carro falando sem parar nesse pai, que lhe enchia o saco, que nunca nada estava bom.

Como eu tentava não prestar atenção, vi que algumas coisas que não encaixavam ficava no meu subconsciente, foi quando sem querer buscando na minha memória, por causa dos abusos desse ultimo caso, que um dia ele soltou que tinha sofrido também, juntar dois mais dois, foi fácil.

Quando falei com o psiquiatra que o cuidava, ele disse que era verdade, esse homem que o tinha adotado, abusava dele, nunca tinha existido nenhuma mãe, o mesmo o devia ter comprado em algum orfanato, ele entrou para a Polícia, porque assim podia enfrentar esse homem.

Um dia o psiquiatra me disse para assistir desde a sala ao lado uma conversa com ele, fiquei de boca aberta, ele tinha começado a se relacionar comigo, porque via o José apaixonado, esse tinha sido um dos motivos, o quanto era difícil para ele fazer sexo, não falar nada, pois eu gostava do silencio.

Ele sempre teve tudo, eu nada.

Eu comentei para com o psiquiatra que isso que ele falava não era verdade, eu tinha sido criado por meu avô, porque meu pai nunca tinha me aceitado como seu filho, tampouco tive uma mãe, mas ele achava isso incrível, eu ter sido criado por um avô, que não abusava de mim.

A cabeça dele estava cada vez pior.

Morreu tentando escapar da clínica, como os seguranças foram atrás dele, se jogou de uma janela, se esqueceu que estava num terceiro andar.

O mandei enterrar, paguei tudo, mas tampouco avisei ninguém.

Tudo isso, me fez de certa maneira considerar o tempo que eu tinha vivido com o José uma pausa maravilhosa.

Seria muito difícil encontrar uma outra pessoa como ele.

Segui em frente, pensava quem sabe um dia encontro uma pessoa, simples, nada complicada, que cause tanta confusão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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