BOCCA
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Despertava de mais uma operação, esperava
que essa fosse a definitiva, já estava acostumado, depois de tantos anos,
fazendo uma sequência, desde que tinha chegado a Londres, um adolescente, segundo
as enfermeiras, ele tinha começado esse martírio.
Mas sentia a evolução, tinha chegado numa
maca, desde o aeroporto, direto para um hospital, já que aonde vivia não havia
como fazer nada.
Vinha só com a mãe, o pai como sempre
tirava seu corpo fora dizendo que tinha que cuidar das terras, para quando seu
herdeiro voltasse, mal sabia que nunca mais voltaria para lá.
Tudo tinha sido decorrente de um estouro de
uma boiada, ele tinha caído do cavalo, sendo pateado por uma série de animais.
Ficou com a coluna meio destroçada, depois
dessa operação, teve que se submeter a fisioterapia, massagens, o diabo a
quatro, mas claro não sentia as pernas, estava sim condenado a uma cadeira de
rodas.
A princípio tinha professores em casa, para
poder acompanhar as aulas, mas por problemas de dinheiro, passou a ir à
escola. Sua mãe, como a frequência de
dinheiro que chegava era mínima, começou a trabalhar, afinal falava cinco línguas,
foi trabalhar para o governo, assim ele tinha atendimento médico melhor.
A princípio ele ia a escola, acompanhado de
uma senhora, depois de um tempo como conhecia o caminho o fazia sozinho,
levando ele mesmo a cadeira de rodas.
Era considerado o melhor aluno da escola,
bem como elogiado pelos professores, por ser atento, analisar as questões, isso
que consideravam que ele tinha chegado atrasado aos cursos.
Mas esse destaque também lhe causava
problemas, como o bullying, pois consideravam que como ele estava numa cadeira
de rodas não podia se defender.
Ledo engano, pois tinha uns braços potentes
de impulsar a cadeira, pelas ruas.
Tinha colocado uma rampa, para sua cadeira
subir a sala de aulas, mas isso era uma coisa que se aproveitavam os outros
alunos, volta e meia, tiravam a rampa, mas ele nem duvidava, descia pelas
escadas, claro era mais difícil, mas não impossível.
Com os anos, era considerado o melhor,
depois da segunda operação, podia ficar em pé, com ajuda das antigas muletas,
que se colocava embaixo do braço, então, ia até o quadro negro, quando o
professor lhe pedia alguma coisa.
Não se preocupava, nem tampouco gostava que
lhe dissessem, coitado, que pena, esses termos.
Com as muletas também se defendia bem,
depois deixou essa escola, sua mãe arrumou uma que tinha piscina, aonde ele
fazia exercícios.
Estava já na universidade, quando fez a
terceira operação, agora podia andar erguido, embora fosse lento ao caminhar
com as muletas, mas se apoiava bem.
Estava no último ano, quando se inscreveu
para um curso a parte, análise de perfil, ou comportamento, era considerado
pela professora que o administrava o melhor da turma, quando terminou o curso,
vieram entrevistar alguns alunos, entre eles a Scotland Yard, MI5, analisou com
sua mãe, resolveu ficar com a primeira opção, mas foi fazer um curso mais
severo lá. Evidentemente não andava, mas ganhou um troféu nas aulas de tiro ao
alvo.
Com dinheiro que tinham recebido atrasado
do pai, comprou um carro, desses próprios para pessoas menos validas.
Usava agora uma cadeira de rodas leve,
levava preso na mesma duas muletas, que com elas ele se virava.
Claro o colocaram atrás de uma mesa, aonde
ele podia observar tudo que acontecia na sala, acabou sendo o braço direito do
chefe.
Analisava os casos todos que estavam
empacados, que não andavam para frente, ao contrário de serem arquivados, iam
para sua mão, ele se fechava numa sala, usada para reuniões, analisava tudo que
tinha no processo, depois chamava os agentes para conversar, a princípio
pensavam que ele faria um interrogatório, nada, os tratava bem, trocava ideias,
sugeria uma outra visão do caso, assim resolveram muitos.
Hoje em dia, o procuravam, quando sentiam
que a coisa não andava.
Alguns, o paravam mesmo quando estava
descendo de seu carro, queriam ajudar, mas ao mesmo tempo conversar, tipo
soltar que estavam sendo pressionados por algum político, para fazerem vista
gorda no caso. Até isso ele resolvia,
com diplomacia.
Chamava o mesmo, para conversar, esses
entravam na sala, com uma postura tipo, aqui mando eu, davam com um homem muito
bonito, mas sentado numa cadeira de rodas, para eles, parecia insignificante.
Sem querer soltava uma série de bazofia,
mal sabia que estavam sendo gravados, alguns até o ofendiam, mas ele fazia um
papel, esperava para dar o bote.
Quando o dava, como dizia seu chefe que
sempre assistia do outro lado do espelho, rindo, mal sabe com quem estão
tratando.
Soltava na cara do sujeito, então foi por
isso que o senhor mandou matar fulano?
Isso desconcertava a pessoa, que se fazia
de ofendida, alguns até o ameaçavam fisicamente.
Teve um que fez essa besteira, o pegando
pelo pescoço, o policial que estava atrás do espelho, ia ajudar, mas o chefe
lhe disse que não, veja o que vai acontecer, o sujeito voo pela sala, caindo
num canto, ele se levantou com as muletas, foi até o mesmo, pela agressão isso
me dá o direito de revisar, pressionou com uma das muletas os ovos do sujeito,
não sei se quero esses ovos, devem estar podres, acabava o sujeito sempre
confessando.
Como conseguia andar bem, as vezes
acompanhava ou era solicitado pelos outros companheiros a cena de um crime, soltavam
nada mais o ver, há alguma coisa errada aqui, mas estamos confusos.
Ele ficava ali em pé, na porta da cena do
crime, analisando cada coisa que via, observava tudo, como sempre tinha feito
em sua vida, antes sentado numa cadeira de rodas, agora em pé.
Já sentia mais as pernas e os pés, ia
basicamente todos os dias a fisioterapia.
Teve uma que foi algo sensacional, disse
aos dois companheiros, o crime não aconteceu aqui, o corpo foi mexido, veja
bem, a pouca quantidade de sangue.
Analisem o resto da casa, acabaram
descobrindo que tinha sido no andar de cima, no quarto da vítima, inclusive
tinha vestido o mesmo, colocado sentado numa poltrona.
Olhe bem, a roupa está mal abotoada, com a
pressa não prestaram atenção, bem como as pernas está esticada, se estivesse
sentado, as pernas estaria encolhidas.
Foi fácil pegar o que tinha feito isso, era
a mulher com seu amante, um ficou acusando o outro, mas afinal se denunciaram,
ela o tinha assassinado na cama, depois chamou o amante para ajudar a mover o
corpo.
Numa lixeira encontraram a roupa de cama,
suja de sangue, foi ele quem deu a dica de buscarem nas lixeiras, o idiota do
amante, jogou na primeira do caminho para ir embora.
Nos últimos meses, ele vinha sofrendo o
abuso de um inspector novo que tinha chegado, vinha indicado por um ministro,
era alguém do partido.
A primeira merda que fez, foi estacionar na
sua vaga, ficou furioso, porque um policial disse que ali ele não podia
estacionar, fez o maior escândalo, o chefe inclusive desceu para ver o que era.
Sim não podes estacionar aí, vais entender,
tire o carro, foi quando ele chegou minutos depois, estacionou, retirou ele
sozinho a cadeira de rodas que estava atrás, recolheu as muletas, se levantou,
se sentou na cadeira de rodas, por isso a vaga tinha mais espaço.
O outro ficou uma fera, não gostou, mas ele
analisou a pedido do chefe toda a trajetória do mesmo, é um idiota, vai se
enforcar sozinho, pois na verdade nunca resolveu nenhum caso importante.
Nas vésperas da sua operação, o chefe
apareceu em sua casa, foram no seu carro, que era mais prático para ele, quando
chegaram ao local, estavam retirando o carro do dito cujo do lago, o mais
interessante, ele se levantou do carro, já com as muletas, foi até o mesmo.
O mesmo estava dentro, com as calças
abaixadas, com um garoto que se via que era um prostituto, também de calças
abaixadas, sem querer riram o piru do dito cujo era mínimo, em comparação com o
do garoto.
Alguém tinha entrado por detrás, ele tinha
como uma soga, o prendendo ao encosto do assento, o mesmo acontecia com o
garoto. Foram duas pessoas é claro,
disse ele, pois senão o garoto teria escapado.
Ali em pé foi analisando tudo, pelo visto
esse lugar era para encontros assim, mas uma pessoa do outro lado tinha visto
uma grua trazer o carro, empurrar o mesmo ao lago.
A testemunha era um voyeur, ficava do outro
lado, com um binoculo, observando o que acontecia nos carros.
Tinha inclusive anotado a placa da grua,
disse que eram dois homens imensos, como um armário.
O ministro claro queria tapar o caso, mas o
chefe falou com o primeiro-ministro, esse mandou tocar em frente, ao mesmo
tempo que pedia demissão do outro.
O que foram descobrir era que o policial
era amante do ministro, bem como lhe contava tudo que acontecia na central.
Foi de uma certa maneira fácil, tinham o
veículo, que foi encontrado longe dali, mas claro os idiotas tinha se esquecido
das impressões digitais. Pensavam que
ninguém tinha visto jogarem o carro no lago.
Só colocaram luvas na hora que empurraram o
mesmo para o lago, mas a grua estava cheia de digitais, tinham roubado a mesma
num estacionamento.
Os idiotas, riram quando ele entrou na sala
de interrogatório, na verdade aparentemente davam dois dele.
Mas os mandou separar por sala, o que
realmente executava tudo, riu, dizendo que não estaria ali muito tempo.
Dito e feito apareceu um advogado, claro
contratado pelo ministro, a coisa foi para o brejo, quando ele mostrou as
impressões digitais do mesmo na grua.
Viu que o advogado torcia o nariz, como
dizendo em que fui me meter.
Daí para frente foi fácil descobrir que
quem tinha mandado matar os dois tinha sido o tal ministro, além de perder o
cargo, sua mulher pediu o divórcio, foi um bom escândalo.
O mais interessante, era que o policial,
fazia o tipo macho alfa, grande, bonito, musculoso, mas o interessante era que
tinha um piru normal, o do garoto sim era avantajado.
O chefe ria muito, dizendo que inclusive o
sujeito tinha lhe dito na cara, que em breve ele seria o chefe.
O primeiro-ministro, inclusive apareceu
para conversar com eles, me livravam de um incompetente, esses indicados pelos
partidos dá nisso.
Trouxe dois dossiers com ele, pediu para
que ele desse uma olhada, ficou com os mesmo, eram dois candidatos do partido,
a ocupar o cargo.
Analisou profundamente, inclusive, olhou
jornais, toda a gama de notícias de internet, em casa usou seu próprio sistema,
que ele mesmo tinha criado, entrava na intranet, ou a escura como era
conhecida, os dois tinham muitos trapos sujos.
Passou tudo para o chefe, esse leu, dizendo
o outro era uma merda, esses são os piores, um inclusive estava metido no tráfico
de armas, com um conhecido traficante.
O primeiro-ministro, escutou tudo, viu as
provas, chamou o chefe do partido, mostrou tudo, disse que simplesmente ia
indicar uma pessoa de confiança, alguém que não pertencia a nenhum partido.
Queria primeiro o chefe, mas esse disse que
não, lido muito mal com a política.
Era o único que o visitava no hospital, sua
mãe tinha morrido a dois anos atrás, comunicou ao seu pai, mas esse como sempre
não podia vir.
Nem se lembrava mais da cara dele, pois
nunca mais o tinha voltado a ver.
Se despertou, começava a rotina de novo,
fisioterapia, bem como todo um processo para voltar a andar.
As vertebras aplastadas, tinha sido
substituídas por um novo sistema, uma coisa moderna, a princípio, andaria de
muletas, depois passaria para um bastão, até poder andar normalmente.
O chefe tinha trouxe uns casos parados,
sabia que ele ficava de saco cheio no hospital, assim podia usar sua cabeça
privilegiada.
Contou que o primeiro-ministro queria saber
como ele tinha conseguido certas informações dos candidatos a ministro, lhe
respondi que tinhas tuas fontes, que nunca falava a respeito.
Quando saiu do hospital, já andava bem,
sentia todo seu corpo funcionando, depois de dois dias arrumando sua casa, foi
trabalhar, agora só usava uma bengala, nada mais.
Começou a trabalhar com um novo
companheiro, se tinham que correr atrás de alguém o outro o fazia.
Agora se sentia pleno, um dia chegou, lhe
avisaram que tinha uma pessoa lhe esperando, achou estranho, pois normalmente
agendava tudo de sua vida.
Era um advogado, seu pai tinha morrido, ele
era o único herdeiro conhecido, mas foi sincero, não pensava ir até lá, que
vendessem essas terras todas, a quem oferecesse mais.
Segundo seu companheiro, com esse dinheiro
poderia comprar um belo apartamento, mas nem pensar, não ia sair de sua casa,
que estava toda preparada para ele.
Fez sim numa férias, ir a França, primeiro
claro Paris, que ele sonhava, depois foi para o sul, a água do mediterrâneo,
lhe interessava. Tomou belos banhos de
mar, aonde aproveitava para fazer exercícios.
Quando voltou estava moreno, seu
companheiro soltou que voltava como Boccanegra, o corsário. Isso acabou virando, como o chamava, pois era
sagaz com os casos que levavam, raro era os que não conseguiam resolver.
Ensinou o outro, a olhar de outros ângulos
os mesmo, o que podiam ter perdido pelo caminho.
O chefe lhe faltava pouco para se
aposentar, acabou aceitando o convite do novo primeiro-ministro para ocupar um
cargo.
Ele ficou no lugar do mesmo, mas com a
porta aberta como dizia a todos para ajudar a resolverem seus casos, muitos
imaginavam que isso subiria a sua cabeça, seguia sendo o mesmo.
A parte do dinheiro que tinha recebido,
tinha aplicado, quando foi convidado pelo chefe para conhecer a casa que esse
tinha comprado na praia, foi, sem querer comparou com o mediterrâneo, era
diferente, a água era muito fria.
Tinha pensado em uma cabana para o futuro, nas
muitas conversas com seu velho chefe, esse lhe perguntou por sua vida sexual.
Riu muito, sempre me perguntam isso, pois
com a cadeiras de rodas, parecia impossível.
Não ia contar eu durante muito tempo, tinha
tido um relacionamento com um homem que tinha conhecido na piscina.
A única coisa que a esse lhe impressionou,
foi a quantidade de cicatrizes que tinha nas costas, mas depois isso virou uma
coisa normal.
Acabaram depois de anos, ficando amigos,
pois claro se conheciam bem, mas a rotina que acaba com todos os
relacionamentos, resolveram transformar em amizade.
Agora podia sair mais, mesmo assim se
resguardava.
Não poderia dizer que tinha amado
profundamente a outra pessoa, talvez tivesse durado tanto tempo por
conformismo.
Nas férias foi outra vez, para o sul da
França, alugou uma pequena cabana, numa das praias de Sete, ali passou as
férias, agora que podia andar, fazia longos passeios pela praia, assim fazia
exercícios ao mesmo tempo.
Cruzava todos os dias com um homem que lhe
dizia bom dia, em sua cabeça, não era uma pessoa estranha, na terceira vez,
depois de rebuscar muito, encontrou a imagem do sujeito, com uniforme.
Era um policial, que quando ele entrou,
algumas vezes, principalmente em dia de chuvas o tinha ajudado a sair do carro,
se lembrou inclusive de seu nome.
No seguinte encontro, falou seu nome ao
dizer bom dia, o outro se surpreendeu, fizeram uma parte do caminho
conversando.
O outro tinha levado um tiro, que destruiu
suas possibilidades, me aposentaram antes do tempo, tentei ficar fazendo
serviços interno, mas me aborrecia.
Vim passar umas férias aqui, para me curar
de um problema emocional, encontrei meu lugar preferido, lhe mostrou uma casa
no meio de umas dunas.
O convidou para conhecer, vivo aqui o ano
inteiro, como sempre levei uma vida simples, meu salário de aposentado dá para
levar.
A que ele tinha alugado era perto, passaram
a se falar todos os dias, inclusive irem comer no pequeno porto dali.
Pela primeira vez, sem ter tido nenhum
relacionamento com Barry, sentiu falta de alguém, pois se entendiam muito bem,
podiam falar horas de coisas que os dois gostavam, ler.
Como contou para ele, a leitura me salvou
quando cheguei a Inglaterra, pois não tinha nada que fazer, ao mesmo tempo,
melhorava meu vocabulário.
Pegaram o hábito de se falarem por
telefone.
Ele tinha seu dinheiro muito bem aplicado, o
velho chefe se aposentou, lhe ofereceram ficar no lugar dele.
Mas tinha escutado tantas reclamações do
mesmo, que lidar com políticos era uma merda, tudo que envolvia o cargo, disse
que não.
Preparou seu companheiro para ficar no seu
lugar, conseguiu se aposentar antes do tempo.
Primeiro alugo a mesma cabana de sempre,
depois passou a viver com o Barry.
Os dois se davam bem na cama, além de terem
assunto o tempo todo.
Um dia, encontraram num restaurante o tal
ministro, amante do policial.
Barry disse que tinha trabalhado com o
mesmo, que era uma pessoa horrível, tinha claro uma aparência, isso usava ao
seu favor, depois durante um tempo foi guarda-costas desse quando ainda era
somente um deputado.
O mesmo não tinha ido a julgamento, alguma
coisa de tribunal.
Estava sempre acompanhado de um sujeito
muito mais jovem que ele. Um dia os
viram discutindo na praia, isso cheira mal, soltou o Barry.
Dias depois, encontraram o rapaz na praia
morto, o chefe de polícia dali que conhecia os dois, os chamou, pediu ajuda.
O antigo ministro tinha desaparecido, havia
alguma coisa que não encaixava, porque o corpo na praia. Descobriram que o rapaz era da região, analisaram
a família, estavam metidos com a máfia de Marseille, foram encontrar o outro
dias depois, numa outra praia isolada, lhe tinham castrado, os ovos estavam
dentro da boca, claramente era uma coisa da máfia.
Mas para ele a coisa não enquadrava.
O jeito foi pedir informação a Londres, o
mesmo quando deixou a política, além de um divórcio complicado, tinha comprado
essa casa no sul da França.
O que souberam era que o único filho que
tinha, que era adotado, vinha passar as férias com ele, esse rapaz que agora
vivia com seu pai, era seu amigo antes.
Quando o filho apareceu para o enterro,
descobriram que o mesmo tinha estado até a véspera da morte do amigo, lá, seu
pai tinha desaparecido com ele.
O buraco era mais embaixo conforme
analisava, o dito filho, vinha sendo abusado pelo pai, a anos, quando se sentiu
trocado, primeiro ficou contente, mas ser suplantado justamente pelo que ele
considerava seu amigo, não gostou muito.
Quando falaram com um advogado que levava
as contas do homem, este lhe explicou que o mesmo tinha trocado seu testamento
em função do rapaz com quem vivia, deserdando o outro.
Quando pressionado, a coisa veio toda à
tona, ele tinha feito parecer com uma coisa da máfia, mas na verdade era outra.
O chefe de Polícia, agradeceu muito, agora
quando tinha um caso complicado, levava o policial com ele, assim conheceu
Dassin.
Ele era um dos policiais descendente de
argelinos que existia na delegacia de Sete.
Ficaram amigos, trocavam ideias sobre o
caso, o ensinava a analisar o mesmo.
Barry tinha ciúmes, pois sentia que perdia
um certo controle sobre ele.
Nessa época foi a Londres, a casa tanto
tempo fechada, estava dando problemas, o jeito foi vender, com esse dinheiro
comprou uma em sete, ficava perto da lagoa, era perfeita para ele.
Tomou essa decisão, pois quando voltou
Barry, estava doente, mas resolveu voltar para perto de sua família na Escócia.
Ele não, como dizia tinha encontrado seu
paraíso, podia nadar na praia perto, volta e meia a polícia buscava seus
serviços de análise dos casos.
Só quase dois anos depois foi que ele
começou um relacionamento com Dassin, numa das férias dele, foi com ele a Argelia,
foi outro lugar que adorou.
Pela primeira vez, convivia com uma
família, foi honesto com ele, imagina, minha família sempre se resumiu em minha
mãe, a um ponto que as lembranças que eu tinha de meu pai se esfumaram.
Dassin era mais jovem que ele, apaixonado,
o sexo tinha outro sentido, isso nunca tinha tido com ninguém, gostavam de
sentar-se na varanda que estava virada para a lagoa, de mãos dadas,
conversando, a um ponto que os companheiros dele, diziam que claro que seus
casos iam bem, pois tinha um analista junto.
Agora voltava de Londres, tinha ido fazer
novos exames, primeiro tinha considerado de rotina, mas sentia dores, o médico
depois diria que não entendia, pois ele tinha as próteses a muito tempo, mas
havia uma espécie de rejeição de uma delas,
Isso significava a voltar andar de cadeira
de rodas, e muletas durante um bom tempo.
Conversou com Dassin, esse tirou férias foi
com ele, para a operação, bem como o trouxe para casa, tinha aprendido a fazer
a fisioterapia.
O levava a praia, para fazer exercícios na
água, foram levando a vida.
Um dia preocupado, lhe disse que se ele
quisesse poderia tentar fazer vida com outra pessoa, a cara dele foi ótima, mas
como isso, se sou apaixonado por ti.
Ele agora era chefe da delegacia, assim
segundo ele corria menos risco de vida.
Quando quase 15 anos depois de estarem
juntos, deixou tudo para viver definitivamente com ele.
Olhava o tempo, só tinha feito uma coisa,
os tornarem mais amigos, amantes.
O acompanhava cada vez que ia a Londres,
fazer exames, tudo ia bem.
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