É A VONTADE DE DEUS
É A
VONTADE DE DEUS
O que ele mais escutava em sua casa, era
isso, tudo que acontecia era vontade de Deus, o pior era que diziam que ele
tudo via, mas pensava, deve estar meio cego, porque viver nessa merda não tem
igual.
Os pais, ele nunca ia entender, tinham
deixado Barcelona, para viver em Israel, precisamente em Jerusalém, no bairro
ultraortodoxo, o pai vivia rezando, lendo as escrituras, que ele odiou desde o
primeiro dia, ir a esse lugar, aprendeu hebreu, bem como aramaico, todas as
línguas necessárias para isso.
Sua mãe vivia coberta, só tirava aquelas
roupas absurdas quando ia dormir, isso que agora dormiam em quartos separados,
num apartamento horrível, ele por causa disso tinha que dormir na sala.
Era o último andar de um edifício velho,
nunca sabia de aonde seu pai tirava dinheiro, pois não trabalhava.
Mas tinha um dia, que o carteiro passava, o
raro que olhava seu pai, com uma cara de asco, tinha inveja do homem, pois ele
também gostaria de expressar assim. Seu pai somente se lavava, tomar banho
inteiro nem pensar.
Ele estava naquela idade que questionava
tudo, suas poucas lembranças que tinha, era de uma imensa discussão, no dia
seguinte, tinham arrumado as malas, ido para o aeroporto, embarcado para Tel
Aviv.
Depois isso, essas roupas escuras, quando
lá ele andava de camiseta, bermudas, jogando bola na rua com os amigos.
Seu pai tinha ido a Israel, voltou
diferente, pior era que sua mãe concordava com tudo, não conseguia entender
quem era, nem como quem discutia, era como se sua mente tivesse borrado isso.
Nesse dia, ele recebeu o correio, deixou em
cima da mesa, disse a sua mãe, a velha está ficando muquirana, olha a merda que
mandou.
Sua mãe estava fazendo comida, seu pai foi
se fechar no seu quarto, como sempre fazia.
Ele passou a mão na carta, leu com
dificuldade, pois estava em catalã, que era tudo que podia mandar, sentia
muito.
Ele rapidamente copiou o endereço que
estava atrás, o nome da pessoa lhe era estranho, Anne Vittor, o endereço era do
Bairro Gótico.
Teve sorte de colocar o papel no bolso, a
carta em cima da mesa, quando seu pai saiu do quarto perguntando se a comida
estava pronta, pois tinha que ir a Yeshivá.
Comeram uma comida horrível, isso era uma
verdade, sua mãe não sabia cozinhar, estava reclamando sempre de tudo, das
roupas, que recebiam de doação, que tudo ali era de segunda.
Ele foi a Yeshivá com o pai, era a escola
que ia, de manhã tinha aulas, depois voltava pela tarde para ficar como os
outros balançando.
Aprendeu a fazer uma coisa, a fingir que
estava realmente lendo, fazia uma coisa, quando o companheiro do lado virava a página
ele virava também, pois era a repetição da repetição sempre.
Não tinha amigos, conhecia alguns da classe
da manhã, mas o pai não permitia muito mais.
Sair pela cidade, nem pensar, tudo era ali,
um dia escutou um dos companheiros da Yeshivá, dizendo que viver nesse gueto o
estava levando a loucura.
Realmente dias depois desapareceu, escutou
um outro dizer que ele tinha fugido.
Começou a alimentar isso, fugir.
Tudo que sabia era que era jovem demais
para isso, como em casa nunca se comemorava nada, não sabia sua idade certa.
Um dia por acaso, viu seu pai com suas
notas da escola, num outro papel da Yeshivá.
Levou uma surra de fazer gosto, tinha
tirado as notas mais baixas possíveis.
Como explicar que odiava tudo isso.
Não houve conversa, nesse dia, só lhe
permitiu comer pão e água.
Sua mãe não gostou muito, mais tarde o
chamou com um sinal, lhe deu um sanduiche.
O sabor era impressionante, foi quando
entendeu que ela comia escondia, depois da comida horrível que fazia.
Pensou ainda em perguntar quem era que
mandava dinheiro, mas não tinha coragem.
Na hora de comer, sempre era ela que servia
a comida, o fazia de costas para ele, um dia chegou em casa, na hora que
acabavam as classes na Yeshivá, estranhou seu pai, não estar esperando, quando
chegou em casa, sabia o caminho, tinha feito uma coisa, demorou o máximo
possível, fez o caminho por ruas diferentes, para olhar o comercio, parou na
frente de um café, que via a gente comendo com gosto, se tivesse dinheiro iria
entrar para pedir para ele também.
Quando finalmente chegou em casa, encontrou
a mãe, jogada no chão, tinha levado uma surra de fazer gosto.
O pai tinha diarreia, voltou para casa, a
encontrou comendo tudo que estava proibido.
A foi ajudar a se levantar, para que,
sobrou para ele, foi de uma violência tão grande, que nos dias seguintes, não
pode ir à escola.
O ódio que tinha do pai, era cada vez
maior, ele agora abria os armários, fiscalizava tudo, ela simplesmente abaixava
a cabeça.
Tinha guardado o endereço com muito
cuidado, se passaram dois meses, deixaram de receber a tal carta, ou seja,
agora dependiam da caridade totalmente.
Ele ficava uma fera, sempre descontava nos
dois, que a culpa era deles, ele nunca tinha culpa de nada.
Um dia que sua mãe, estava cortando
legumes, todos com uma aparência horrível, coisas que uma vizinha tinha dado,
pois se estragavam na sua geladeira.
Ele passou por ela, lhe deu uma pancada tão
forte, que ele chegou a escutar o ruido.
Ela se virou com a faca na mão, lhe enfiou
no peito, com todas as forças, foi como ver um balão esvaziando, foi caindo no
chão, primeiro dobrou as pernas, depois ficou de joelhos, olhando assustado
para ela, como dizendo o que fizeste, ao mesmo tempo talvez de surpresa, pois
não esperava isso.
Por incrível que pareça, ela fez uma coisa,
o deixou ali, foi ao seu quarto, saiu vestida de outra maneira, entrou no dele,
buscou os documentos dos dois, disse para ele que seguia parado, venha vamos
embora dessa merda.
Nem lenço na cabeça levava, um velho
vestido florido, de anos atrás, o saiu arrastando, ainda fez uma coisa antes de
sair, passou a mão numa tesoura, cortou os rabichos do pai, bem como os seus,
jogou no lixo, tirou tudo que ele tinha de roupas da Yeshivá, pegou só uma
bolsa que se via surrada, abriu seu armário do quarto, retirou uma tampa do
fundo, retirou dali dinheiro, montes dele.
Desceram, era olhados com espanto, antes
ela fez uma coisa, fechou a casa totalmente, inclusive a porta da rua com
chave, para dar tempo, disse para ele.
Na avenida que ele nunca ia, pegou um taxi,
disse Tel Aviv, aeroporto, passaram pela segurança, comprou bilhetes de um voo,
que saia, para Paris, dentro de uma hora.
Espero que dê tempo, foi tudo que disse.
Depois sentados esperando o avião, disse,
para ele, tinha que acabar mal assim, eu nunca quis vir para cá, isso é uma
vida de merda.
Ele sem querer sorriu, era uma dura
verdade, soltou para ela, odiava tudo isso.
Quando embarcaram, ao se sentar, ela soltou
um suspiro profundo, vamos tentar recuperar nossas vidas.
Ele não se lembrava disso, Paris, só vagas
lembranças de Barcelona.
Ainda riu, quando ela lhe disse ao ouvido,
nunca mais escutaremos falar “é a vontade de Deus”, quero que seu deus vá para
a puta que o pariu.
Escutar ela falando palavrão, de um lado
lhe dava vontade de rir, de outro, pensava, como é possível, essa mulher que
sequer levantava o olhar quando ele batia nela.
Ela conseguiu um papel, com uma aeromoça,
lhe disse baixinho, se acontecer alguma coisa, pegue minha bolsa vá para esse
endereço, ele te ajudara.
Ele fez cara de interrogação, ela falava
com ele baixinho, pois podem ter descoberto, podem me prender no aeroporto.
Lhe deu seu passaporte, foi quando ele
olhou, nem era o nome que seu pai o chamava, Gabriel Ferrer.
Ela tinha razão, quando chegaram no
aeroporto, mal desceram do avião, apareceram dois policiais, ela fez um sinal
para ele, deixou a bolsa no chão, para ele pegar, seguiu os homens.
Ele aproveitou, viu por aonde as pessoas
saiam, foi em frente, ela tinha colocado no seu bolso notas de Euros.
Entrou num taxi, que estranhou, ver um
rapaz jovem, ele não sabia falar francês, lhe deu o papel que a mãe a tinha
dado.
O homem o levou, ele estava assustado, ao
mesmo tempo deslumbrado com a cidade, foi quando o homem parou o carro, daqui
não posso passar, a rua é a seguinte paralela a essa, lhe fez um sinal, viu o
nome na placa, Rue du Rosiers, ele desceu levando a bolsa de sua mãe, apertada
nas mãos, achou estranho o número correspondia a uma porta pequena, ao lado de
uma loja chamada Les Petites, apertou o botão para chamar.
A mesma se abriu, olhou o homem com
surpresa, o tinha visto várias vezes por volta de sua casa em Jerusalém.
Ele o fez entrar, já sei o que aconteceu a
polícia, está te procurando, falava com ele em hebreu, venha, o levou para
cima, foram subindo, não posso te ter em casa, pois vão aparecer aqui atrás de
ti.
Quando saíram no último andar, o levou para
um outro diferente um prédio ao lado, foi o que ele entendeu.
Era um quarto numa varanda, de aonde tinham
vindo, não se via.
Acabo de arrumar tudo, a partir do momento
que tua mãe me chamou, lhe estendeu a mão, Joseph Ferrer, sou teu tio.
Sentou-se com ele, perguntou se tinha fome?
Comi no avião, disse.
Escutou o mesmo ruido de campainha na
porta, vou atender, não saia daqui lhe deu uma chave, quando eu saia, feche por
dentro.
Não sei o que vai passar, tinha uma mesa,
ali, ele levantou um pano, viu que tinha sanduiches, posso demorar, pois podem
me levar para a delegacia ou para o aeroporto.
Abriu uma pequena porta, era baixa, seu tio
tinha que se dobrar, aqui podes fazer tuas necessidades.
Não se esqueça, feche a porta a chave.
Desapareceu, ele se sentou na cama, por
instinto, fez uma coisa, colocou a bolsa da mãe, embaixo da cama.
Ficou ali sentado, até que lhe apertou a
vontade de mijar, entrou nesse banheiro minúsculo, mijou, mas ficou com medo de
dar descarga, podia escutar embaixo.
Não tinha como ver o que se passava na rua,
escutou vozes na varanda vizinha, por aonde tinham passado, ficou quieto.
Viu que passavam, tentavam abrir a porta,
ele tinha feito uma coisa, quando escutou as vozes, apagou a luz, se meteu
embaixo da cama.
Ficou quieto, ali tinha uma janela, viu que
alguém olhava por ela, pois refletia no chão, mas não se moveu. Escutou dois homens falando, depois o ruido
que iam embora, mesmo assim ficou um tempo ali, deitado no chão, sem querer se
lembrou da última vez que o pai, tinha lhe dado uma surra, o tinha jogado no
chão, no final tinha lhe dado um ponta pé.
Filho da puta, pensou, quase soltou uma
gargalhada, ao pensar isso, pois era uma coisa proibida, ficou mentalmente
falando todos os palavrões que tinha escutado hoje.
Sorria, pois tinha medo de soltar uma
gargalhada.
Logo caiu a noite, saiu debaixo da cama,
comeu um sanduiche, tomou água da torneira, deitou-se em cima da cama.
Na sua cabeça seu pai merecia, pois vivia
pegando sua mãe, nunca nada estava bom.
Sem querer se lembrou do cheiro dele,
quando o pegava, suava normalmente, era um cheiro azedo, como um limão podre.
Estava dormindo, quando escutou baterem
suavemente na porta, foi olhar, era seu tio Joseph.
Desculpe, mas a coisa está feia.
Eles querem saber aonde está, para te
devolverem com ela a Tel Aviv, mas minha desculpas é que nunca te vi.
Eu sim vi o senhor, várias vezes, perto de
casa, verdade.
Sim queria te conhecer, mas claro não podia
me aproximar, por causa de teu pai, tudo tinha que acabar mal assim, não tinha
jeito.
Quando vocês estavam na Yeshivá, eu
conseguia conversar com ela, mas se negava a voltar sem ti, eu entendia, mas não
podia fazer nada, esse mundo dos ultraortodoxos, é uma merda.
Hoje dormiras aqui em cima, pois examinaram
tudo no meu apartamento, mesmo aqui, foste inteligente, apagando a luz, me
fizeram esperar do outro lado.
Como esse lugar, não faz parte do meu
prédio, acho que não viram nada, mas esses dias tens que ficar aqui, até que
consiga uma solução.
Amanhã, vou com um advogado tentar
liberta-la, pois afinal é cidadã francesa.
Viu que ele tinha mijado, podes das
descarga, o ruido vai para os apartamentos desse prédio não para o meu, vejo
que es inteligente.
Ficou ali sentado na beira da cama, não
existia nenhuma cadeira ali.
Tua mãe, é minha única irmã, eu estudava
nos Estados Unidos, quando meus pais, a casaram com teu pai, ela era menor de
idade, a levou para Barcelona, mas depois a coisa ficou feia, a família dele, é
toda assim uma parte tem a cabeça perturbada, pelo tempo que passaram num campo
de concentração, são teus avós.
Foi ela que antes de morrer, me contactou,
pois eu não sabia aonde estava tua mãe, me deu o endereço, não tinha mais
dinheiro para mandar, como fazia sempre, estava muito doente, pediu desculpas,
por não me avisar antes.
Por isso, fui até lá, mas ela me avisou,
que ele era desequilibrado.
Nunca entendi como meus pais consentiram
nesse casamento.
A mim me chamavam de louco, pois sempre
odiei ir a sinagoga, mesmo morando nesse bairro que judeus, eles já morreram,
acharam que comigo ela iria pelo mal caminho.
Tentei traze-la, mas como te disse, teu
pai, não te deixava livre, chegava ficavas dentro de casa, nunca saias, ainda
pensei em te raptar, assim podia tirara-la de lá.
Mas em se tratando de Israel, isso fica
difícil.
Tanto que ela escapou com os documentos que
tinha, por isso foi fácil localiza-la.
Mas ele não morreu, alguém, desconfiou
quando a viu saindo vestida de outro jeito, foi bater lá, escutou o ruido dele
reclamando. Estava jogado no chão.
Ele sem querer falou, como ele fazia com
ela e comigo, nos pegava, ficávamos jogados no chão.
Seu celular tocou, ah, meu melhor amigo, um
advogado, vou falar com ele.
Falava num francês muito rápido, ele não
conseguia entender.
Depois viu que ele tinha comido os
sanduiches, quando subiu, tinha trazido yogurt, duas garrafinhas de água, era o
tinha em casa.
O colocou na cama, fez tirar os sapatos,
passou a mão pelos seus cabelos, era uma forma de carinho que adorou.
O cobriu como lençol e manta, hoje dormes
aqui, colocou as chaves embaixo do travesseiro, eu tenho outra, fecho a porta,
lhe beijou na testa, coisas que seu pai nunca tinha feito.
Em seguida ele apagou, dormiu pesado, teve
pesadelo com seu pai caindo, o olhar do mesmo assustado, era como sempre se
lembraria dele.
No dia seguinte, seu tio bateu suavemente
na porta, disse que viesse com ele, quando chegou embaixo, tinha um homem lindo
no apartamento a mulher o surpreendeu, tinhas os cabelos quase vermelhos.
Ela o abraçou e beijou, ficarás na minha
casa até tudo se resolver, Marie, esse é meu marido, amigo de teu tio, Jeremy.
Mas vamos sair pelo outro edifício.
Subiram novamente, ele só fez uma coisa,
pediu um tempo, foi buscar a bolsa embaixo da cama, desceram pelo outro lado,
saíram, a rua estava cheia de gente, melhor assim, ela segurando sua mão, se
meteu meio dessas pessoas, foram andando até a esquina, atravessaram a rua Roi
de Sicile, foram até a rua du Rivoli, ali pegaram um taxi.
Ela deu uma direção, sentou-se ao seu lado,
segurando sua mão, fazia um carinho nela.
Umas quantas vezes, sua mãe, fazia igual,
quando seu pai não olhava, se visse, era motivo de gritar com os dois.
Achou interessante, entraram por detrás,
ela disse que era para não chamar atenção, subiram de elevador, era um
apartamento, totalmente diferente do dele, posteriormente ele daria o nome de
Lar para ela.
Era um lugar bem decorado, depois
descobriria que era uma mistura de moveis antigos com modernos, que o
apartamento tinha pertencido aos pais do Jeremy.
Preparei ontem à noite um quarto para ti,
não tenho filho, por isso, vai te parecer muito sério.
Ele soltou, nunca tive quarto, dormia num
sofá na sala.
Ela o abraçou, conforme for o resultado de
hoje, amanhã saímos para fazer compras ok.
Venha, ele adorou, era inclusive diferente
do que ele tinha dormido essa noite.
Era retangular, a janela dava para uma
praça, disse que era melhor ele não olhar muito.
Abriu a porta de um banheiro imaculado,
disse que era melhor ele tomar um banho, enquanto preparo um café para os dois.
Na casa deles, tinha uma banheira velha,
que por mais que sua mãe limpasse, não saia o amarelado que tinha, a água
quando se abria, saia escura, depois ficava mais clara.
Nesse não, tinha chuveiro, tomou um banho
gostoso, com água morna, como ela tinha explicado para ele, o sabonete era
cheiroso, não como o que tinham em casa, que era o mesmo usado na cozinha.
Se sentiu como novo, embora as roupas
fossem as mesmas.
Ela bateu na porta antes de entrar, venha,
lhe estendeu as mãos, a pele dela era muito branca, cheia de sardas, isso ele
tinha também.
O levou para a cozinha, sentaram-se, lhe
colocou café com leite, tinha umas torradas, acho que vamos almoçar tarde, eu
trabalho, mas tirei uns dias de licença, aleguei problemas familiares.
Depois mostrou a casa para ele, ele quando
viu a biblioteca, ficou de boca aberta, adorou, passou as mãos pela lombada dos
livros, espero nunca mais ter que ler aqueles livros horrorosos.
Ela se matou de rir, com ele, depois o
levou para o salão que era grande, mostrou os outros lugares da casa. A porta de entrada, dá para um elevador, mas
claro sai no hall de entrada, nós entramos pela antiga entrada de serviço, por
aonde entravam os empregados.
Isso graças a deus acabou.
Falava com ele devagar, o fazia lembrar-se
um pouco do catalã.
Eles depois foram para a cozinha, ela
começou a preparar uma salada, viu que nada tinha a ver com as verduras que
tinham na sua casa.
Quando deu duas horas da tarde, chegaram os
dois com os ombros caídos, a tinham devolvido a Tel Aviv, mas tinha conseguido
fazer um documento, como ele tinha registro francês, o dava de guarda ao seu
tio.
Teremos os dois que ir a Israel, para
conseguir defende-la, ele está num hospital.
Mas sabe como é essa gente.
Jeremy, fez a mesma coisa que a Marie,
despenteou seus cabelos crespos.
Ficas aqui por enquanto, esses filhos da
puta, sabem aonde vive teu tio, por enquanto é o melhor.
Depois que eles saíram novamente, iam
comprar bilhetes para ir a Tel Aviv, aonde ela ficaria presa.
Jeremy virou-se para a Marie, perguntou se
ela conseguia mais dias.
Claro que sim, falou isso, colocando a mão
sobre a dele, não se preocupe.
De tarde, ela riu muito, venha, vamos falar
com uma amiga minha, foram ali perto mesmo, uma senhora simpática, lhe cortou
os cabelos mais curtos, como ele tinha sempre querido usar, fez alguma coisa no
seu cabelo, que ficou da mesma cor que Marie.
Espere, subiu, voltou com uma bolsa, pode
ficar um pouco grande para ele, mas foi o que consegui.
Quando voltaram, Marie foi abrindo a bolsa,
tirando calças compridas, caqui, bem como camisetas, ao final uma calças jeans.
Ele disse que não tinha cuecas, nem meias.
Isso compramos amanhã.
De noite os dois apareceram outra vez, o
tio o beijou na testa, amanhã vou para Tel Aviv com o Jeremy, para ver se
conseguimos libertar tua mãe, teremos que contratar um advogado de lá, pois as
leis são diferentes.
Jantaram uma sopa que ela tinha feito,
rindo dizia, não sou boa cozinheira, mas estava uma delícia, chegou a tomar
dois pratos.
Ela tinha colocado escovas de dentes no
banheiro, bem como pasta de dente.
Ele riu, lá em casa isso nunca existiu,
gostava do sabor que ficava na boca.
Seu tio foi embora, vou preparar uma
maleta, aqui ficarás bem, riu quando tinha chegado, vendo a cor de seus
cabelos, agora pareces filho da Marie.
Ela e Jeremy o colocaram na cama, ele ia
dizer que já estava grande para isso, afinal tinha onze anos.
Foste muito corajoso, saindo do aeroporto,
pegar um taxi, ir até a casa de teu tio.
Durma bem, disse ele, lhe dando um beijo na
testa, ela ainda ficou conversando com ele, sobre o que tinha estudado.
Preciso pensar em te conseguir uma escola,
uma professora de francês.
No dia seguinte de manhã, soube que os dois
já estavam no aeroporto, vamos rezar para que tudo saia bem.
Ah, antes que me esqueça, não sou judia,
sou católica, ok.
Dali saíram por detrás, foram de compras,
comprou cuecas para ele, meias, provou roupas, ele queria era usar calças
jeans, sempre olhava com inveja os outros garotos que não eram ultra ortodoxos,
por isso. Comprou várias camisetas, o
deixou escolher, queria que tivessem estampas.
Quando se olhou no espelho, estava
completamente diferente.
Desta vez entraram pela entrada principal,
tinha um senhor ali, ela o apresentou meu sobrinho Gabriel, vem passar uma
temporada comigo, sua mãe, está doente.
Ele se sentiu bem, o homem era educado, um
senhor de cabelos brancos.
Seu Jeremy, me avisou disso, não se
preocupe, estou atento.
Entendeu que o homem sabia da verdade.
De tarde saíram, ela o levou até a Église
da Madeleine, ali ela se ajoelhou, ficou rezando, ele olhando por tudo, não
sabia como se devia comportar.
Depois foram a um lugar atrás, que ele
ficou de boca aberta, Fauchon, nunca tinha visto tanta coisa interessante,
Marie, disse que iria comprar café, chá, comprou uma caixa de Macarrons, lhe um
para provar, ele adorou.
Se meu pai tivesse aqui, iria logo dizer
que era pecado, soltou.
Ela rapidamente disse, nada é pecado, isso
é invenção para controlar as pessoas.
Depois quando chegaram em casa, tinha uma
senhora esperando, subiram, Marie preparou um chá, a senhora, iria todos os
dias dar aulas para ele de francês, para poder ir à escola, iria lhe ensinar o
que as crianças de sua idade sabiam.
Gostou da mesma, nada a ver com os
professores, aonde estudavam, com aquela cara de quem comeu e não gostou.
Riu pensando nisso, comentou com as duas,
inclusive chegou a imitar o que lhe dava aula, parece que tem sempre dor de
barriga.
Mais tarde Jeremy chamou Marie, se via que
estava preocupado.
Disse que sua mãe tinha passado mal da
volta, estava num hospital, que lhe estavam fazendo exames.
Ele quando bate nela, sempre bate na
barriga, nunca entendi por que, viu que Marie ficava horrorizada.
Nessa semana se acostumou com ela, tinha as
medo de acordar, de estar no velho sofá da sala, que tudo continuava igual,
sentia falta da mãe, inclusive contou para a Marie, que o pai controlava os
menores gestos de carinho dela com ele.
Um dia que foram a igreja novamente, se viu
contando para ela, como era a vida deles, a casa como era, as roupas que ela
tinha que usar, que nunca podia sair na rua, sem a cabeça coberta.
Eu conheci tua mãe, muito antes dela casar-se,
estudávamos na mesma escola, tinha uma série de sonhos, mas nunca entendi,
porque a obrigaram a se casar com teu pai.
Um belo dia desapareceu da escola, tudo que
soube depois pelo Jeremy, era que a tinham obrigado a se casar com ele, que a
tinha levado para Barcelona.
Teu tio nessa época estava em NYC, ele só
soube quando chegou aqui, mas tampouco sabia aonde estava, seus pais não
falavam com ele, segundo os mesmos levava uma vida dissoluta.
Pois nunca ia a sinagoga, eles eram pessoas
complicadas, cheguei a conhecer teu avô, quando ela morreu, era daqueles que
iam a sinagoga todos os dias, imagina um filho não ir nunca.
Teu tio sempre odiou tudo isso, é como o
Jeremy, seus pais eram judeus, imagina ele se casar com uma católica., ainda
por cima da Bretanha, mostrou no mapa de aonde era.
Quando voltaram, vinha horrorizado, sua mãe
estava no mesmo hospital que seu pai, esse entrou no quarto que estava, a
matou.
Quando os três contaram para ele, sentados
na biblioteca, ficou literalmente horrorizado.
Marie foi quem tomou a frente de tudo, teu
tio tem a tua guarda, mas ele trabalha fora o dia inteiro, aliás como todos
aqui, mas a pergunta é, queres ficar aqui conosco, eu adoraria, sempre quis ter
um filho, mas não foi possível.
Ele como se tocaria depois, ali era como a
casa que tinha sonhado sempre, aonde lhe quisessem, ela o queria sabia disso.
Sim quero ficar aqui, se não for incomodo,
já falava melhor nesses dias o francês, a professora o ajudava muito, disse que
o fato dele falar hebreu e aramaico, ajudavam a entender qualquer outra língua.
Pelo menos agora esse filho da puta ficará
preso.
Mas temos que ter cuidado, ele pertence a
uma sinagoga, complicada, podem tentar te raptar.
Amanhã o vou levar, aonde os dois
aprendemos a nos defender na escola, lembra-se Joseph, foi lá que nos
conhecemos.
É verdade, sofríamos bullying, assim os
primeiros que se atreveram levaram uma surra, não esperavam.
Ele seguiu com as aulas, com a senhora,
Marie o levou a igreja, mandou rezar uma missa pela alma de sua mãe, ele não
entendia nada, mas achou melhor.
Meses depois soube que o pai tinha sido
julgado, como atenuante, o condenaram a algum tempo de prisão, lá os homens se
protegem entre si, essa gente é foda, soltou o Jeremy.
Mas tinha dado entrada em documentos que
sua mãe tinha assinado, assim tinha a guarda dele.
Foi para a escola, quando começou o ano
seguinte, fez todas as provas, por sorte tinha absorvido bem o que a senhora
tinha ensinado, foi aprovado.
Mas não era uma escola religiosa, sim
laica, nada de religião mais.
Ele aprendeu a fazer vários caminhos,
prestava atenção, como tinha lhe ensinado o Jeremy, passava quase todo o dia
lá, tomava o café da manhã com os dois, depois ela o levava a escola, almoçava
lá, no final da tarde voltava para casa.
Quase todos os dias, seu tio o vinha ver,
soltou que ele estava crescendo muito.
Um dia que ficou só com ele, falou do
dinheiro da bolsa.
Vamos abrir uma conta no banco para isso,
não é muito dinheiro, mas servira para teres uma saída. O tio foi junto, o gerente era amigo dos
dois, entendeu a situação contornou tudo, depositaram dinheiro, seu tio
colocaria dinheiro todos os meses, para fazer um fideicomisso para ele ir à
universidade.
Quando fez 17 anos, falaram com um juiz que
o independizou, tinha dinheiro no banco, mas seguia vivendo com os dois, eram
os pais que ele tinha sonhado, isso ele tinha certeza.
Nesse dia, se sentaram com ele, seu tio
tinha vindo jantar para comemorarem seu aniversário, ele o avisou, teu pai foi
libertado, pode aparecer, vais que ter que tomar cuidado.
Esse ano ele iria estudar na Sorbonne,
aonde seu tio dava aula.
Tinha ainda dúvida, mas sua facilidade com
as línguas ajudava muito, resolveu estudar linguística, já que falava aramaico,
hebreu, francês, inglês, tirava as notas mais altas.
Seguia indo ao lugar que Jeremy o tinha
levado para aprender a se defender.
Sem querer, nunca verbalizava isso, era uma
maneira dele colocar para fora, uma certa violência que tinha de imaginar seu
pai matando sua mãe.
Tampouco tinha perdido a mania de prestar
atenção na rua, tinha aprendido isso com o Jeremy.
Eles agora eram sua família.
Seu tio um dia estava dando aulas, quando
entraram na sua casa.
Ele entendeu o avisou rapidamente tome
cuidado.
Sem ele saber, Jeremy e ele tinha
contratado uma pessoa discreta que o vigiava.
No dia que seu pai, apareceu, ele saia da
última prova da escola, o seguinte passo, com as boas notas que tinha, eram a
universidade.
Se sentiu agarrado, reagiu como sempre
fazia nos exercícios na academia de luta livre, jogou a pessoa no chão, foi
quando viu que era seu pai.
Chamou a policia que estava ali, esse homem
estava tentando me sequestrar.
Em seguida ligou para o Jeremy, depois para
seu tio.
Foi uma bela confusão, ele ficou uma fera,
quando descobriu que ele era considerado como maior de idade, decidia ele o que
fazer.
A coisa que mais gostou, foi o fato, de ver
o mesmo no chão, ele com o pé em cima de seu peito.
Como sempre ele não esperava isso.
Dois dias depois tentou de novo, mas desta
vez ele fez pior, deu uma surra nele, como tinha feito com ele em criança, o
deixou jogado no jardim pelo qual passava, ainda lhe disse me hebreu, cuidado,
sei fazer coisas piores.
Desta vez o pai foi parar no hospital,
depois foi deportado.
Seu tio ia dar aulas em Oxford, conseguiu
que ele fosse também, mas foi tudo na surdina, ele ia sentir falta da Marie, do
Jeremy, que eram sua família.
Mas foi, vinha passar as férias com
eles. Conversava muito com ela.
Soube que seu pai tinha aparecido várias
vezes, mas não sabia aonde estavam.
Quando um dia, o viu através deu um vidro,
em Oxford, pensou nunca ficarei livre desse filho da puta.
Ao contrário de ser caçado, resolveu caçar
ele mesmo.
O seguiu, viu a pensão que estava
hospedado, o mesmo saiu de noite, indo em direção, aonde eles moravam, não
esperava uma coisa, tinha que passar por um parque que a estas horas estava
muito escuro, o pegou de surpresa, o encostou numa árvore, perguntando o que
ele queria.
Disse que ele vivia no pecado, que tinha
que voltar para Israel, que lá o endireitaria.
A época que o senhor me dava surras, se
acabou, tampouco, sou mais judeu, me converti ao catolicismo, a cara de horror
dele o fez rir.
Essa tua religião para mim é uma merda,
homens idiotas como o senhor, que ficam se balançando na frente de um livro,
que cheira mal, como o senhor que mal toma banho.
O levantou em cima de sua cabeça, como um
boneco, o atirou no rio.
Viu que o outro gritava, não sabia nadar.
Ele ficou na escuridão olhando sem
mover-se, alguém se atirou na água o salvando.
Ele do outro lado, olhava com ódio, o
procurando no meio da escuridão.
No dia seguinte descobriu qual quarto
estava da pensão, conseguiu com um amigo drogas, deixou no seu quarto, depois
fez uma chamada a polícia, a fez da rua, falando desse hebreu que estava metido
no tráfico de drogas, vinha vender drogas ali em Oxford.
Seu tio não sabia de nada, estava em
Londres, dando um seminário.
Ele ficou num beco, prestando atenção, a
policia chegou, viu o mesmo sair algemado, da mesma maneira, procurava para ver
se o via, viu um dos inspectores, sair com a bolsa de drogas que tinham
encontrado.
No dia seguinte saia nos jornais da cidade,
que graças a um topo, tinha descoberto um sujeito ligado a espionagem
israelita, tentando vender drogas na cidade.
Seu tio quando soube, se matou de rir,
vamos ver se aprendeu a lição.
Foram passar as férias em Paris, lá os
quatro foram para o sul.
Lá soube um dia conversando com o tio,
estamos sempre vigiando teu pai, se casou outra vez, mal saiu da prisão, o
tempo que apareceu aqui, ou foi a Oxford, já estava com outra família, tem um
filho, parece o que o maltrata como tu.
Lhe mostrou um vídeo dele arrastando um
garoto pela rua, se lembrou que fazia isso com ele.
Antes de ir para Oxford, concordou porque
lhe pediram foi adotado por Jeremy e Marie, não tinha filhos, nem para quem
deixar seu patrimônio, fez uma coisa, tirou novos documentos com o sobrenome
deles que tinha adotado, tinha passado a se chamar Gabriel Klein, foi a Israel,
andou dias seguindo o pai, com o garoto.
Esse chorava cada vez que ia entrar na
Yeshivá, arrumou um apartamento que dava para o seu, viu como tratava a
família, era igual.
Se preparou, fez uma coisa que nunca
pensou, mas só de ver o maltrato do garoto, tomou a decisão.
Conseguiu comprar duas canetas de Insulina,
um dia quando este voltava da sinagoga, ele tinha estudado bem, passava por um
beco escuro para cortar caminho para casa, o pegou por detrás, enfiou a
primeira no meio dos cabelos, logo quando ele foi caindo no chão, fez com a
outra, dali foi direto para o aeroporto, tomou o primeiro voo para Paris.
Dias depois, o chamaram no consulado de
Israel, pediam ajuda com o garoto, foi até lá com seu passaporte antigo que
teve que renovar, conversou com a garota, pois era isso, não tinha nem 17 anos,
a iam casar de novo com um velho, trouxe o irmão com ele.
Esse o olhava deslumbrado, nunca falou com
ele, em religião nenhuma, o preparou para ir a escola, agora era como se Jeremy
e Marie fossem avôs, seguia vivendo com eles, nunca tinha conseguido ter um
relacionamento, não confiava nas pessoas, tudo fruto de sua infância e adolescência.
Anos depois, quando o menino já homem
terminou a universidade, se sentou com ele, contou o que tinha feito, isso para
saberes o que fazer no futuro se alguém queria abusar de ti, não tenho remorso,
ele matou minha mãe, desta vez já começava de novo, te maltratava.
Quando trouxe o garoto, tinha mandado fazer
um exame, tinha o corpo cheio de marcas, de apanhar do mesmo.
Ele só fazia isso, com os mais frágeis,
contou o que tinha feito com ele em Oxford, infelizmente alguém o socorreu,
pois eu não me mexi.
O irmão ficou olhando para ele, sei que me
salvaste dele, mas na verdade, odiava ir a sinagoga e a Yeshivá.
Imagina quantos odeia, não podem fazer
nada, são educados assim.
Na verdade, não tinha remorso nenhum,
estava fazendo da vida do irmão, o que tinha feito com a dele.
Tivemos sorte de ter Jeremy e Marie, foram
nossa verdadeira família.
Agora era ver como o irmão reagia, esse o
abraçou, ficou ali, com ele, obrigado por ter-me salvado.
Souberam anos depois que a mãe dele tinha
morrido nas mãos do velho com quem a casaram, nada aconteceu com o mesmo. Ainda pensou em fazer o mesmo, mas conseguiu
parar seus impulsos, se tornaria para sempre um assassino.
Nunca entenderia o que se passava com esse
grupo de gente.
Se lembrou da ladainha de é por vontade de
Deus, por isso ele não tinha nenhum, sempre tinha acompanhado a Marie a igreja,
mas por respeito a ela.
Jeremy e Joseph, não iam a nenhuma.
Ele tampouco depois que ficou adulto, achava
sempre que usavam o nome de Deus, para fazer absurdos.
Comentarios
Publicar un comentario