POOR - POBRE
POOR – POBRE
As vezes tinha que pensar de aonde tinha
saído, pois tínhamos vivido em tantos lugares, no me dava conta que na verdade
estávamos fugindo de alguma coisa ou de alguém.
Tudo que sabia, pelos comentários das
pessoas, como meu pai podia ser mexicano, se era loiro de olhos verdes, muito
branco, cheio de sardas.
Minha mãe ao contrário era uma bela morena,
cabelos negros, olhos e pele mais escura.
Eu saí uma mistura dos dois, tinha os
cabelos vermelhos escuros, que com a idade, foram ficando cada vez mais
escuros, as vezes quando olhava pareciam quase negros, mas se pegava sol
demais, ficavam mais claros. A pele
tinha como meu pai, branca cheia de sardas, mas ao contrário dos dois era alto.
Sabia que primeiro tínhamos vivido em
Miami, ele vivia falando comigo, depois era ela com a eterna ladainha, que não
falasse com pessoas desconhecidas. Eu
adoraria responder, mas se todos em minha volta são belos estranhos, mas
entendia, só concordava com a cabeça.
Ele trabalhava de taxi em todos os lugares
que vivemos, um belo dia o mataram, nunca descobriram quem tinha sido, ela sim
parecia saber, ficou furiosa, mais uma vez nos mudamos, nessa época vivíamos em
Houston, nos mudamos para Los Angeles, não entendia, pois se fugíamos dos
mexicanos, porque justamente viver num bairro aonde basicamente todos eram
mexicanos, mais uma vez ela conseguiu através de alguém, mudar de sobrenome.
Meu nome virou, Jander Smith, nunca soube o
que queria dizer o primeiro nome até que fui olhar no Google, ao parecer, era
doce por fora, mas uma fera por dentro.
Eu tinha sim uma grande confusão na cabeça,
não tinha ideia de aonde tinha saído, nem porque fugíamos tanto, mudando de um
lugar para o outro.
Na época que meu pai morreu, achei raro,
ela foi ao necrotério, para o reconhecer, disse que era impossível, pois o tiro
tinha destruído sua cara, ele como não tinha nenhuma tatuagem como todo mundo
usava no seu meio, ficou por isso mesmo, mas na verdade anos depois me contaria
que o tinha reconhecido, por uma marca pequena que tinha na mão direita, mas
achou melhor assim, me explicou que não havia dinheiro para o enterro, lá eles
fariam qualquer coisa, ou guardava o pouco de dinheiro que tinha, para fugir,
ou erámos obrigados a ficar lá.
Escapamos no meio da noite pela traseira da
casa, era uma noite sem lua, íamos os dois vestidos de negro. Anos depois eu odiaria me vestir de negro,
pois me lembraria sempre disso, as roupas que usávamos para fugir.
Em Los Angeles, pelo menos ela tinha alguns
parentes, que a ajudaram, mas depois sumiram do mapa, se mudaram de bairro.
Com isso ela abriu um salão de beleza,
aonde todas as mulheres que trabalhavam eram emigrantes mexicanas, as clientes
igual.
Vivíamos no andar de cima, num apartamento
mínimo, uma sala, aonde estava a cozinha, dois quartos, um grande o seu, outro
pequeno para mim, o banheiro tampouco era grande, mas tinha sim uma pequena
varanda atrás, por aonde se podia escapar, pois dava para um beco.
Quando fiz 13 anos, me apresentou um
namorado, creio que com isso, achava que estaríamos livres de perseguição, era
um policial, comigo sempre foi gente fina, me levava com ele nos sábados que
normalmente livrava a ver partidos de basquete que adorava, ou mesmo ir jogar,
me ensinou vários truques, o mais interessante, eu passava por filho dele, pois
erámos muito parecidos.
Foi ele quem na verdade anos depois me
contou toda a verdade dos meus pais, nessas alturas ela já tinha morrido, de
uma maneira idiota, mas analisando, ele me disse que tinha sido assassinada
como meu pai.
Me faltavam dois anos para ser maior de
idade, ele conseguiu me adotar, mudou meu nome, passei a me chamar Jan Sommer,
levava seu apelido, mais uma vez nos mudamos, fomos viver mais para o centro de
Los Angeles, pois ele tinha sido transferido de delegacia.
Peter Sommer, era conhecido como Sargento
Sommer, alguns o sacaneavam o chamando de Summer, pois estava sempre queimado
da praia, aonde íamos aos finais de semana, por minha culpa dizia que tinha
aprendido a fazer surf.
Foi um pai, para nunca botar defeito.
Mas muito antes de minha mãe morrer, eu
achava raro, sempre parava um carro grande negro, na porta do salão de beleza,
abaixava o vidro, uma mão, branca, estendia um envelope.
Nesse dia depois ela ia ao banco,
depositava numa conta, muito tempo depois descobrir que era no meu nome, só o
Peter sabia disso.
Ela a minha avó paterna que fazia isso.
Porque um dia ia saindo da escola, vi o
dito carro, ficou parado perto de aonde eu estava conversando com uns colegas,
vi a janela se abaixar, uma mulher com os cabelos como os meus vermelhos
escuros, branca, mas tinha uns óculos imensos tapando o resto da cara.
Desceu um homem, de terno escuro, com
óculos também escuros, perguntou aonde estava minha mochila, enfiou dentro um
envelope, me disse para ires à universidade, ela sente muito, se referia a
morte de minha mãe.
Nesse dia foi que Peter me contou a
história.
Meu pai era da DEA, tinha se infiltrado
numa organização de tráfico de drogas, conheceu minha mãe que era filha do
chefe, se casaram, ele seguiu passando informação, nem ela sabia desse detalhe,
mas ele avisava de carregamentos, aonde ia ser, essas coisas.
Depois fugiram para Miami, eu já tinha
nascido, ela achava que a família não faria nada, por eu existir.
Mas não foi verdade, ele saiu da DEA, mas
seguia passando informações, tinha contatos que usavam o taxi para isso, lhe
contavam coisas.
Mas alguém lhe traiu, o matando.
Sua mãe, ao parecer, era mulher de um
político, por isso aparecia nesse carro, mas estava proibida de se aproximar
seja dela ou de mim.
Acho que ninguém esperava era que o Peter
me adotasse.
Foi quando descobri a tal conta no banco,
ele tinha conseguido transferir a mesma para meu novo nome, fui com ele no
banco, pois agora ia fazer 18 anos, tinha direito a usar a conta.
Levei um puta susto, quando abri o
envelope, tinha muito dinheiro, no banco muito mais.
Eu que pensava que teria que ir à
universidade com uma bolsa de estudos, não podia imaginar o que tinha ali,
estava quase desistindo do meu sonho de ser médico.
Consegui entrar para a universidade, com
boas notas, mas segui vivendo com meu pai, político como eu dizia.
Os amigos do Peter diziam que tinha enormes
problemas com os filhos, mas quando viam nos dois conversando, ficavam
impressionados, falávamos os dois de qualquer assunto.
Um dia perguntei ao Peter por que não tinha
refeito sua vida?
Me contou que tinha demorado a encontrar
alguém como minha mãe, mas tinha sido a mulher de sua vida. O duro foi que ninguém podia imaginar que
tinha sido um assassinato, como ele dizia, um ajuste de contas, pois foi
atropelada, estava saindo do supermercado perto de casa, quando foi atravessar
a rua, um carro a pegou, mas se deu a fuga, foram encontrar o mesmo depois
queimado num lugar distante.
Nada relacionava com nada, a chapa, tinha
sido roubada, não havia impressões digitais, nada que pudesse usar, em momento
algum aparecia a cara de alguém, pois os vidros eram escuros, ou seja, nada de
nada.
Ele levou anos investigando, mas nunca
encontrou nada.
Estava na universidade, adorava, me saia
muito bem em tudo, no primeiro ano, escapando, fui fazer um estágio num
hospital, quem me arrumou foi o Peter, mas me usavam como um enfermeiro.
Já nos anos depois, eu estagiava como um
médico a mais, em urgências, aprendi horrores lá, mas queria me especializar,
ser um cirurgião para todos os tipos de operações, estagiei com vários médicos
de um dos melhores hospitais da cidade.
Segundo um deles, eu era uma fera em tudo
que fazia, pois me jogava ao completo nisso.
Peter se preocupava, pois mal me sobrava
tempo para nada mais, quando muito num dia de folga fazer surf com ele, ele se
não estava livre nesse dia, arrumava um jeito de trocar com algum colega.
Eu adorava ficar esperando uma onda,
conversando com ele.
Sempre me perguntava se não tinha ninguém
em minha vida, não podia dizer que tinha me apaixonado por ele, no dia que
minha mãe o apresentou.
Ou seja, meu tipo, tinha que ser como ele,
mas era muito mais velho do que eu.
Eu ainda o operei, um dia que apareceu
ferido no hospital, me chamaram rapidamente em urgências, tive que extrair a
bala ali mesmo, tinha caído com um grupo, numa emboscada, alguém tinha dado uma
informação errada, se viram no meio de uma briga de grupos de drogas, eles no
meio, só sobrou para contar, ele, mais um outro, o resto tinha morrido.
O duro era que a informação era da DEA, eles
só acompanhavam para dar um reforço, nem os deles sobraram.
Ele desconfiava que era justamente do grupo
que pertencia a família de minha mãe.
Tinha pensado em se mudar, mas eu estava no
meio do curso.
Com isso o aposentaram, pois perdeu a
mobilidade no braço que atirava, ele achou ótimo, assim podia levar uma vida
mais tranquila.
Reclamava sim que como eu estava fazendo
especialização, não me sobrava tempo para fazer surf.
Justamente nessa época, surgiu a
possibilidade de fazer uma especialização no Monte Sinai de NYC, ele não queria
ficar para trás, ele não tinha família, foi comigo para lá, alugamos um
apartamento, eu tinha que atravessar o central Park para chegar ao hospital,
mas o fazia correndo, ele só reclamava de uma coisa, não ter como fazer surf.
Mas descobriu um lugar com piscina, ia para
lá, com a desculpa de fazer fisioterapia do braço, ficava nadando.
Eu estava mal-acostumado, pois quando ia
para casa, me esperava com a comida feita, tinha aprendido a fazer uma
variedade de comidas diferentes, desde mexicanas, francesas, disse que tinha
descoberto muito tarde isso, senão teria sido cozinheiro.
Me contava que quando era pequeno, vivia
com fome, tinha sido abandonado na frente de um orfanato, o seu sobrenome,
tinha sido, de uma adoção, uma família Sommer o tinha adotado para trabalhar no
campo que tinham, me exploraram, a única coisa boa que a comida era farta,
quando ficou adulto, foi ser policial, que ele sonhava com isso.
Eu confesso que vivia sonhando em voltar
para Los Angeles, ou para um lugar que tivesse praia.
Um belo dia me chamaram para uma cirurgia
do coração, uma coisa complicada, era uma senhora, na hora não me dei conta,
pois tinha uma coisa cobrindo seus cabelos, mas quando a fui ver depois que
tinha despertado, fiquei impressionado, tinha os cabelos como eu.
Era minha avó, ficou rindo, só assim para
poder chegar perto de ti, mas não fale nada.
Pois em seguida entrou seu marido, era um
senador, um homem muito importante e poderoso.
Mas voltei de noite, ele tinha que ir a
Washington, eu aproveitei.
Ela me disse para pegar sua carteira, tirou
dela uma foto do meu pai.
Vejo que realmente aproveitaste do dinheiro
que dei para tua mãe, para um dia ir à universidade.
Nos outros dias passava para ver como ia,
fazia uma coisa, segurava sua mão, com a desculpa de tirar a pulsação. Foi o mais perto que cheguei dela.
Quando lhe deram alta, voltou para
Washington, só soube que tinha morrido de outra coisa, quando anos depois em
Los Angeles outra vez, recebi a visita de um advogado, me deixava mais
dinheiro, me explicou que não podia me deixar no testamento, tinha outros
filhos com esse senador, melhor que nunca descubram de ti.
Além de um apartamento que me tinha
comprado em Los Angeles.
Fui ver o mesmo, era grande, para uma
família, preferi na época alugar o mesmo, seguia vivendo com o Peter, só ele
sabia que eu tinha operado minha avó, bem como a tinha conhecido.
Justo em seguida, tive minha primeira
decepção amorosa, me apaixonei como um idiota por um cliente, era ator de
cinema, um homem lindo, para não botar nenhum defeito.
Peter não gostou dele, me soltou, cuidado, tem um ego imenso.
Ninguém podia saber que era gay, pois fazia
o papel de macho alfa.
Eu ia para o apartamento dele, num dos
lugares mais chic da cidade, ele foi só uma vez ao nosso apartamento, disse que
tinha escapado de um assim.
Um dia cheguei sem avisar, ele estava com
um negro em cima dele, gemendo como uma puta.
Dei a volta sem fazer ruido, nunca deixava
roupas lá, deixei as chaves na porta, fui embora, quando me procurou, eu estava
em plena operação.
Até que dias depois, estava na hora que eu saí
para ir para casa, tive que rir, pois tinha sido como o Peter falou, um ego
imenso, que ninguém o deixava era ele que me deixava.
Soltei uma gargalhada na cara dele, de um
ponto depois comecei a analisar, o que tinha me atraído nele, era bonito como
meu pai, acho que foi isso, era mais velho do que eu, mas a coisa já não andava
bem, pois ele só queria uma coisa na cama, ser o passivo.
Saia em revistas ao lado de atrizes ou
modelos, mas eu uma a mais na cama.
Nessa época ia tirar férias, pensei muito,
os dois vivíamos falando de ir para um lugar que sonhávamos, lá fui com Peter,
para Honolulu, fizemos surf em todos os lugares que podíamos, inclusive, aonde
tinha ondas imensas.
Voltei relaxado para casa, tinham sido umas
férias para ninguém botar defeito, nada de ler jornais, ou telejornais, nenhuma
notícia para estraga tudo.
Foi quando soube que o tinham assassinado,
um rapaz que traficava com drogas, o matou, fazendo sexo, com drogas até a
alma, foi um escândalo, pois como ele fazia o papel de macho, fudeu com tudo de
uma vez, os estúdios fizeram tudo para abafar, mas as revistas de fofocas,
botaram a boca no trombone.
Foi quando se falou no passado dele, pois
ele nunca falava de aonde tinha saído.
Do cu de Nebrasca, de uma fazenda, era o
filho mais bonito, escapou, pois não gostava da vida dura, quando chegou a Los
Angeles, se prostituia, um diretor de cinema se enamorou dele, foi quem o
lançou.
Tudo isso se falava, inclusive um
jornalista de fofocas, levantou quantos amantes ele tinha tido esses anos
todos.
Por sorte, ninguém me descobriu, já que
nunca tinha feito vida social com ele.
Voltei ao meu cotidiano, comentava com
Peter sempre, que o melhor tinha sido as férias no Hawái, que aquilo era o
Paraiso.
Agora sempre que podíamos íamos até lá,
principalmente quando eram férias, podia ficar mais tempo.
Anos depois, estava na praia, quando um
sujeito, sofreu um colapso, o ajudei até que veio a ambulância, Peter ficou com
as pranchas, fui ajudando na mesma. No
hospital acharam perfeito o que eu tinha feito, me identifiquei, logo um
diretor veio me perguntar se não queria trabalhar lá, tinha tirado informação
ao meu respeito.
Disse que ia pensar.
Peter achou ótimo, me mudo contigo, para
quem na época tinha quase 80 anos, isso era uma maravilha, ele dizia que era a
vida que tinha sonhado.
Voltei ao hospital, me fizeram uma proposta
impressionante, durante dois anos, me dariam inclusive um apartamento, eu lhes
disse que meu pai vinha junto.
Não era de frente para a praia, mas só
andávamos dois quarteirões, estávamos nela.
Foi como recomeçar minha vida outra vez,
logo fiz amigos no próprio hospital, ia bem, dois anos depois um dia cheguei em
casa, Peter estava sentado numa poltrona, por uma fresta entre os edifícios se
sentava ali, para ver o mar, se as ondas estava boas, como ele dizia.
Tinha morrido em silencio e sozinho, a
única coisa que tinha me pedido, era ser cremado que eu levasse suas cinzas
para ficar ao lado de minha mãe.
Foi o que fiz na primeira oportunidade.
O apartamento de Los Angeles estava
alugado, como o meu particular.
Me encontrei sem querer com um dos
diretores, me convidou para voltar, quem tinha ficado no meu lugar, tinha ido
embora.
Voltei para casa, depois de ter ido
agradecer tudo em Honolulu, agora só voltaria lá nas férias.
Aproveitei reformei o apartamento todo,
muitas coisas me lembravam o Peter, ele tinha sido além de amigo, um pai para
não botar defeito.
Levei anos para pensar num relacionamento,
tinha aquelas aventuras passageiras, mas foi por um acaso, atendi um diretor de
cinema, diziam que o tio era muito complicado, tive que fazer uma operação
delicada no mesmo, para dois dias depois ele voltar a sala de operação para
outra.
Quando fui vê-lo no quarto, estava sozinho,
eu lhe perguntei se não tinha ninguém para ficar com ele.
Riu, nem pensar, ninguém me aguenta, dizem
que tenho um humor horrível, que sou muito duro, que sou perfeccionista, essas
coisas.
Mas sou na verdade uma pessoa direta, não
suporto a mentira, gente cheia de ego, como os artistas, depois que saio de uma
filmagem, vou para minha casa em Malibu, fazer surf, as melhores ideias que
tenho, são esperando uma onda.
Ri muito, começamos a falar sobre isso, de
noite quando ia saindo o vi, ali sozinho, pensativo, entrei para falar com ele.
Quando vi, fazia dez anos que estávamos
juntos, tinha encontrado a famosa meia laranja, o obrigava a fazer uma dieta,
pois tinha tendencia a engordar, tampouco se cuidava direito.
Discutia comigo os roteiros que estudava,
diziam que tinha um ego imenso, quando trabalhava, mas eu entendia, era duro
aguentar a dos outros, então se impunha nas filmagens.
Na vida a dois, era um grande companheiro,
quando não estava filmando, ficava escrevendo algum roteiro, me esperando para
fazer surf.
Foi outro que me deu um desgosto, um dia
estava fazendo surf, porque não se sentia cômodo escrevendo, ali esperando uma
onda, morreu, ninguém percebeu que tinha tido um enfarte massivo, estava
deitado na sua prancha, por sorte um garoto viu que as corrente o levavam, se
aproximou, chamou os outros o levaram até a praia.
Um vizinho me chamou, fui correndo, mas não
se podia fazer nada. O desgosto foi por
conta que nesse dia, reclamou que nossa vida estava monótona, que até o sexo
era assim.
Pensei que tinha conhecido alguém, mas
nada, queria emoção, achei depois no que escrevia, uma página falando dos dois,
entendia que depois de dez anos, a rotina do meu trabalho, me fazia ficar
assim, não fazíamos um sexo mecânico, mas estava cansado, então era muito
rápido.
Ele queria romance, as vezes não era
possível.
Foi um enterro para ninguém botar defeito,
muita gente do cinema, os amigos mais próximos dele, o pessoal da praia.
Deixou todo seu dinheiro, para sua família,
um dia perguntou se eu queria me casar com ele, assim não teria esse problema,
eu soltei distraído, que não necessitava de dinheiro, que estava bem
financeiramente.
Não gostou muito, pois reconhecia depois
que não tinha feito da maneira correta, queria dizer que me amava.
Voltei a minha vida de sempre, vivendo no
mesmo lugar, dizia aos conhecido, por sorte nunca deixo o apartamento que vivi
sempre com o Peter.
Um belo dia, fui chamado a um hotel, um de
mais luxo na cidade, havia alguma coisa de política lá, eu nunca sabia dessas
coisas.
Quando entrei no quarto que quer era para
atender, era o velho marido de minha avó, ao lado estava um rapaz, mais ou
menos da mesma idade que a minha, era seu outro neto.
Atendi o homem, mas fui chamando os da
ambulância que estavam esperando embaixo, foi direto para a sala de operação.
O rapaz depois me disse que ele se lembrou
que eu tinha operado minha avó.
Começou a conversar comigo, enquanto ele se
recuperava da anestesia, eu lhe soltei que devia levar uma vida mais simples,
tinha lhe colocado dois Stent.
O rapaz riu, imagina, ele é capaz de
preferir morrer que abandonar a política.
De noite passei para ver o senhor, ele
virou-se para o neto, disse, ele é neto da tua avó, ela pensou que eu nunca
sabia de nada.
O velho dormiu, dois dias depois iam
embora, foi quando descobri que seu neto, era professor na universidade,
perguntou aonde fazia surf, apareceu por lá, sempre procurei alguém, pois na
nossa família, só existia meu pai, morreu na guerra do Golfo, então não tenho
família.
Sem querer nos aproximamos, um dia por
acaso fizemos sexo, foi o máximo, éramos iguais em tudo.
Se o velho ficou sabendo, nunca soubemos,
pois morreu meses depois, no meio de uma grande bronca no congresso.
Estive ao seu lado o tempo todo, lhe deixou
um belo apartamento em Washington, mas Rupert, disse que odiava a vida lá.
Nessas alturas estava vivendo comigo, dizia
que adorava essa vida simples, só uma coisa ele sonhava ter filhos, mas nunca
conseguia adotar por ser homem e solteiro.
Estamos nessa até hoje, tentando adotar,
mesmo no hospital, dão preferência a um casal normal como dizem.
Agora vai comigo sempre para Honolulu,
fazer surf. Nunca me preocupei com o
grau de parentesco que temos, mas é a primeira pessoa que realmente amo de
paixão.
Ele tem algumas coisas que me lembram do
Peter, na sua maneira de ser.
A pouco tempo, um dia comentei com ele, o
que me diziam os parentes de minha mãe, me chamavam de pobre Jander, nunca vai
ser nada na vida.
Eles desapareceram, um dia atendi um primo,
o filho da puta, era traficante de drogas, nem desconfiou que quem o tinha
operado era o pobre que nunca seria nada na vida.
Fiquei quieto, pois todos me conheciam como
Jan, ele não ligou uma coisa na outra, ainda ri muito quando apareceu a
família, o chamando de meu pobre filho, assim nessa situação.
Ai descobrir com uma companheira mexicana,
que essa maneira de falar, o pobre, era um coisa típica de lá.
Creio que queriam dizer, o pobre não tem
pai, tive um maravilhoso na figura do Peter, do outro não me lembro direito,
tenho que olhar sua foto, que é a única que tenho, mas Peter sempre está na
minha cabeça.
Rupert, nunca fala na nossa avó em
conjunto, diz que nunca conviveu muito com ela, pois na verdade seu pai era
filho do primeiro casamento do velho.
Não dou muita importância, mas agora tenho
uma família, finalmente saiu uma adoção, não nos importamos se o garoto seja
negro, mas Rupert ri muito, pois diz que sou um paizão, adoro meu filho, o
consegui eu, sua mãe apareceu no hospital, foi operada, aquele garoto sentado
ao lado dela muito sério, entrei para ver o que passava, não tinha sido operada
por mim.
Foi interessante, ele imediatamente ficou
segurando minha mão.
Ela me contou que estavam se mudando de
cidade, pois seu marido tinha morrido quando aconteceu o acidente.
Como estava mal, me deu a guarda dele.
A história do pobre, quem me fez lembrar,
foi uma senhora mexicana, que contratamos para trabalhar em casa, foi a
primeira que soltou que nosso filho Tom, “pobre garoto, criado por dois
homens”.
Eu ria muito, contei para o Rupert, que
soltou, nosso filho será o máximo.
Realmente foi, um garoto que nunca deu
problemas, compartia conosco o surf, quando ficou grande, foi ser médico, é um
dos mais famosos cirurgião do coração, vai falar em todos os congressos dos
avanços que fez, os dois como sempre babamos.
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