ANÚBIS DREAMS

 

                                     

 

                   Imagen que contiene edificio, pequeño, agua, paradoDescripción generada automáticamente

 

Tinha sonhado outra vez com Anúbis, desta vez era ele mesmo, sabia pelas marcas de seu próprio corpo, no dia anterior, depois da operação que tinha sido submetido, o médico veio falar comigo, claro tocou nas cicatrizes todas que tinha pelo corpo, sabia que a maioria não eram de balas, ou de alguém que esteve no exército.

Isso era uma verdade, como explicar ao homem, que tinha sido maltratado a vida inteira, até conseguir sair adiante.

Tinha sido operado de uma hernia que lhe surgiu de fazer esforço demais, levantando um policial, gordo demais para o serviço, para o salvar de levar tiros.

O filho da puta nem o agradeceu, primeiro porque ele tinha feito um relatório falando nisso, que deviam exigir que os policiais fizessem exercícios, pois acabavam sendo alvo fácil para os tiros.

Ele era do FBI a muitos anos, considerado um agente muito especial, primeiro porque não tinha sentido de humor nenhum, depois dizia tudo que pensava, não fazia politicagem.

Ninguém queria ser seu companheiro, ele entendia, pois era objetivo, quando começavam a divagar sobre o crime, ou o que estivesse analisando, ele soltava logo, desce dessa escada que não vai a lugar nenhum.

O grande problema que tinha, era disléxico, isso as vezes dificultava tudo, mas tinha como hábito usar uma pequena gravadora.

Quando foi selecionado na universidade, para uma entrevista, soltou logo isso na cara dos entrevistadores, “sou disléxico”, mas seguiram com a entrevista, pois no curso que estava fazendo de análise do comportamento, ele era o melhor aluno.

Tinha encontrado um jeito de fazer as coisas, como tinha dificuldade com os computadores de maneira geral, conseguiu que um rapaz, um hacker que ele salvou, lhe fizesse um programa, gravava tudo que pensava, o programa transformava o mesmo num relatório, impresso.

Mas tinha duas coisas ao seu favor, tinha memoria fotográfica, bem como conseguia analisar a cena de um crime como ninguém.

As vezes chegava a ser um chato, ficava furioso de chegar a alguma cena, ver os policiais passeando pela mesma, como se estivesse ali para jogar de mocinho e bandido, dava broncas imensas, inclusive tinha feito vários inimigos dentro da polícia, por seu comentário sobre os gordos.

O sujeito que ele tinha salvado, acabou morrendo meses depois, justamente por isso, era um alvo fácil, era gordo demais, fácil de atingir.

Ele era todo ao contrário, não era alto, tinha 1,75 metro de altura, uma cara mais normal do mundo, moreno, talvez devido alguma mistura de raça, cabelos num corte mínimo, quase do exército, achava mais prático, para quem tomava banho sempre com pressa.

Tinha sido abandonado na porta de um orfanato, devia ter uns dois anos na época, depois foi adotado, abandonado, isso era como uma sequência, lhe devolvia depois de maltratar, pois diziam que não era inteligente, nunca ia bem na escola, ninguém dizia que ele era disléxico, mas sim meio retrasado mental.

Nessa época, começou a sonhar com Anúbis, devia ter visto alguma imagem, numa das muitas casas pelas qual tinha passado.   Sempre era ele mesmo, com corpo de um cachorro grande.

Levou anos para saber quem era Anúbis, bem o que queria dizer isso.

Teve sorte, pois com 14 anos, foi salvo de uma adoção, por um inspector, estava atrás dos donos da casa, o encontrou ali, ferido, cheio de cicatrizes nas costas, mal curadas, das surras que lhe davam.

Esse o levou ao hospital, adorou despertar numa cama branca, quarto branco, na hora pensou que estava no céu, quando entrou o policial, ele perguntou se ali era o céu.

Esse entendeu, pois o tinha achado num porão, cheio de merdas, com as feridas cheias de pus.

Esse homem o acabou adotando, pois quando viu, que o levariam de novo para um orfanato, tomou frente, conversou com a assistente social, ele era viúvo, mas tinha um bom cargo na polícia, era inspector chefe de uma das delegacias mais produtivas de Los Angeles.

Ela foi olhar a casa que ele tinha, estava igual quando vivia sua mulher, essa tinha morrido de uma certa maneira de desgosto, pois tinham um único filho, problemático desde sempre.

Acabou nas drogas, depois disso, mergulhou numa apatia total, se relaxou, mal se cuidava, fumava o dia inteiro sem parar, quando lhe diagnosticaram um câncer de pulmão, se negou a tratar-se, quando se deu conta, era tarde demais.

Tudo que ele tinha feito, foi tirar todos os papeis de paredes da casa, pintar tudo ele mesmo, arrumar os moveis, atirar tudo que fosse velho, ou anteriormente tivesse pertencido a família de sua mulher, só ficou com coisas práticas.

Era uma casa, num dos muitos bairros familiares de Los Angeles. A assistente social, se admirou, que para uma pessoa que vivia sozinha, tudo estava no seu lugar, um apartamento ordenado.

Teve que lhe explicar que tinha passado a maior parte de sua vida, em colégios internos, aonde a disciplina era essencial, só sai para ir à universidade, depois entrei para a polícia.

Conseguiu para ele a adoção do Joel, que nem precisou mudar de sobrenome, Joel Smith, ele também tinha o mesmo, como dizia sempre somos um dos muitos milhões de Smith desse país.

A princípio Joel tinha medo, aquele homem era franco, falava tudo que pensava, nunca lhe escondia nada, já não eres uma criança, deves aprender a encarar a vida.

Quando entendeu que por algum problema ele tinha dificuldade de ler, o levou a um especialista que diagnosticou que ele era disléxico.

A partir disso, foi melhorando, lhe comprou a primeira gravadora, ele levava para as aulas, assim gravava o professor falando, com isso aprendia fácil.

Chegou a ter uma estante cheia, bem-organizada de fitas de gravação, com os anos, foi diminuindo de tamanho.

Até os professores se surpreenderam quando foi analisado para uma bolsa de estudos para a universidade, seu pai, Jasper Smith conseguiu que a prova dele em particular fosse oral, com um juiz amigo dele, explicou a situação.

Como Jasper ele foi estudar direito, para depois entrar para a academia de polícia, aonde se destacou de imediato, lá começou a fazer o tal curso, quando acabou os dois, foi entrevistado pelo FBI, bem como pela CIA.

Nessa época Jasper que era chefe da delegacia, tinha começado com uma doença degenerativa decorrente de sua juventude.

Ele aceitou o tempo de treinamento do FBI, mas foi claro, não podia sair de Los Angeles, teria que ser destinado a departamento de lá.

Quando lhe perguntaram por que, falou do seu pai, eu devo demais a esse homem, para agora cuspir no prato que me alimentou.

Jasper disse que iria para uma casa de pessoas maiores quando a coisa piorasse, mas ele não deixou, só ficou fora o tempo que esteve em Washington se preparando.

Foi interessante, mesmo ele sendo disléxico, era o melhor analista que tinha aparecido em muito tempo, muita gente não gostava, pois era sério demais.

Outra coisa diferente, era sua maneira de se vestir, o fazia como seu pai, bem, poderia ser classificado como um fora de série, suas roupas eram extremamente formais, só vestia uma calças jeans ou camisetas, num final de semana.

Conseguiu com um médico que ele ajudou a resolver um problema, um sistema, que ao apertar um botão, ele saberia que Jasper precisava dele.

Cuidou dele até sua morte a uns cinco anos atrás, este morreu segurando sua mão, agradecendo os cuidados, ele sempre negava isso, eu é que tenho que te agradecer, era como realmente pai e filho, mas acima de tudo amigos.

Tinha desenvolvido um sistema, quando tinha dúvidas, perguntava ao Jasper, agora o fazia mentalmente, pois ele sempre dizia uma coisa, quando chegues a um ponto que não veja saída, recomece, veja tudo de outra maneira, análise de ângulos diferentes.

Isso o tinha tornado famoso no departamento, quando um caso empacava, ele buscava todas as gravações que tinha feito, se fechava em sua sala, colocava um cartaz, como esses de hotel, ocupado, esperar, dizia a sua chefe, não posso ser interrompido, a não ser que seja alguma informação a respeito que mude minha maneira de pensar.

Ela que tinha trabalhado com ele, quando este chegou, o entendia a perfeição, o defendia dos que queriam sempre sua cabeça, por sua maneira de ser.

Na sua mochila, sempre tinha mais de uma gravadora, para o caso de acabar a bateria.

Hoje em dia usava umas preparadas pelo seu amigo hacker, que eram como um microcomputador, depois era fácil passar para o papel.

Quando soube que o policial que ele tinha avisado que estava gordo demais para trabalhar nas ruas, todo mundo ficou contra ele, pois a maioria desse delegacia, inclusive o próprio chefe era gordo.

Nesse tiroteio morreram os dois, um colega disse, que ele tinha razão, pois os mesmo não corriam, eram alvos fáceis, além de estarem sempre com casos mal resolvidos.

Se levantou da cama, as enfermeiras tinha soltado, que gostariam de ter mais pacientes como ele, que aceitava tudo de maneira simples, uma lhe questionou, disse para ela que era como se estivesse de férias num hotel, que cuidava dele, além de uma cama confortável.

Seguia vivendo na casa de Jasper, pois a tinha deixado para ele de herança, tampouco mudou nada na mesma, a um ano atrás tinha feito uma reforma no banheiro, mas por necessidade, havia um vazamento.

Fora isso, nada estava diferente, ao contrário dos outros agentes que anotava tudo, ele não tinha cadernetas, mas sim quantidades de fitas de gravadoras.

A cada final de ano, guardava as mesmas, escrevia na caixa, a qual caso estavam relacionados o que guardava ali.

Inclusive nas salas de interrogatórios, apesar de estarem sendo gravados, ele também gravava o que perguntava, bem como as respostas, isso o tinha salvo mil vezes de apertos.

Pois uma gravação de um interrogatório podia simplesmente desaparecer, mas as suas não.

Muitas vezes, tinha comparado o que tinha sido feito na sala, com a sua gravação, claro existiam corruptos em todos os lugares.

Num julgamento, quando escutou a gravação, se virou para o juiz, dizendo, isso é uma colagem que fizeram do interrogatório, pediu um tempo, foi até sua sala, que estava sempre fechada a chave, buscou o relativo ao que tinha realmente perguntado, apresentou como prova para o juiz.

O homem foi condenado, ficou furioso, pois tinha soltado muito dinheiro a alguém para fazer desaparecer a parte que lhe condenava.

Assim já sabiam que com ele, não adiantava, inclusive, sua porta tinha uma chave especial, que só ele tinha, uma cópia, estava com sua chefa, que nunca tinha atrevido a usar.

Nisso apareceu o médico, vinha com um outro médico, amanhã lhe daremos alta, lhe apresentou o outro, era um cirurgião estético, pediu se podia mostrar suas costas, pernas, braços.

A estas sugerindo que eu faça uma operação para tirar minhas cicatrizes, muita gente diz que é besteira, pois estão por dentro, a mim ao contrário, me fazem lembrar o meu largo caminho até chegar a esse momento, sinto muito mas quero que fiquem do mesmo jeito.

O médico tinha lhe perguntado sobre como fazia sexo com alguém se a outra pessoa não se incomodava.

Riu dizendo que fazia sexo no escuro, com ele realmente era assim, além claro, nada de relacionamentos largos, não tinha paciência de aturar uma pessoa no dia a dia.

Jasper era igual, um dia lhe disse que tinha sido difícil aguentar sua mulher em sua fase má, pois reclamava muito, dizia que era gélido, pois nunca reclamava de nada.

Acho isso perder tempo, quando seu filho morreu, foi um golpe duro, poderia ter ficado acusando a ela de tudo que aconteceu, pois para ela seu filho nunca tinha culpa de nada, era um péssimo estudante, a culpa era dos professores, se metia em confusão, os outros eram culpados, ele nunca.

Acabou como acabou, morto numa sarjeta, pior que fui eu que tinha que o reconhecer, ela se negou, claro quando estava na caixa funerária, o tinham limpado, até feito uma maquilagem, para que ele fosse para o outro mundo, bonito, como ela dizia.

Ele aprendeu com o Jasper, nunca reclamar da vida, não vale a pena, tens é que seguir em frente.

Um dia comentou com ele sobre seus sonhos com Anúbis, foram os dois procurarem o que significava isso, no fundo era realmente como ele se comportava, uma pessoa de pensamento abstrato, que o facilitava analisar tudo, olhava o passado, para ir em frente, além de ser otimista com relação a vida.

Mas nunca demonstrava nada disso, sua chefa o conhecia bem, o tinha visitado no hospital, foi quando lhe comunicou que o policial que ele tinha salvado, tinha morrido justamente por ser gordo.

Pois é aquela delegacia devia era fechar, ou trocarem todo o pessoal.

É o que vai acontecer, pois descobriram tantas merdas por lá, que resolveram fechar por um tempo, reformar o edifício, bem como trocar todo o pessoal.  Aliás, querem que analises cada candidato, me pediram que fosse tu em pessoa.

Bom posso fazer isso enquanto me recupero, assim não me aborreço em casa.

Ela começou a rir, ou então irias para o escritório encher o saco de muita gente.

Perfeito, assim pode analisar todos os candidatos.

Hoje ele saia, o obrigaram ir até a porta em uma cadeira de rodas, normas do hospital, ninguém o esperava fora. Se levantou foi andando, até um taxi, entrou, deu a direção de sua casa.

O homem começou a mudar de direção, ele fez uma coisa, antes que siga em frente, eu sou do FBI, posso te denunciar, faça o caminho como deve ser, sem querer me enrolar.

O sujeito engoliu em seco, voltou a fazer como era para ser feito.

Quando chegou, tudo estava como tinha deixado, se alguém tivesse entrado ele saberia.

Trocou de roupa, colocou traje de esporte, começou a passar a aspiradora de pó, se os colegas descobrissem que quando fazia isso, aproveitava para estar com a cabeça em outro lugar, analisando algum caso.

Depois foi passando pano pelos poucos moveis ali, antes de ir para o hospital, tinha lavado e passado toda a roupa que estava na cama, só tinha que arrumar agora outra vez.

Quando se sentiu cansado, tomou um copo de água, sentou-se em sua poltrona preferida, que ficava virada para a rua, aonde podia ver tudo, mesmo com a cortina fechada, da rua não o viam, mas ele sim.

Em seguida dormiu, sonhou com Anúbis, outra vez, esse estava de costas, se virava para ele, dizia agora terás que analisar bem o que vais fazer, pois tua vida tem uma chance de mudar.

Despertou com seu celular chamando, uma pessoa se identificou com diretor da central de polícia, ele olhou para fora, tinha um carro negro parado em frente.

A pessoa seguiu falando, sei que voltaste hoje do hospital, mas gostaria de falar contigo, estou do lado de fora de tua casa.

Ele se levantou abriu a porta, do carro, saiu um homem que ele conhecia, tinha feito muitas coisas juntos, sempre discordavam de tudo.

Este tinha ficado ofendido, quando ele disse que nessa delegacia, todos deviam ir ao ginásio fazer exercícios, ou andar pelos parques, ou mesmo correr, estavam gordos demais.

Quando o outro reclamou disso, ainda acrescentou que isso também significava que eram corruptos, era a delegacia que menos casos resolvia, isso que estava numa zona conflitiva.

O homem era muito mais alto do que ele, o convidou para entrar, o levou para aonde estava sentado, lhe ofereceu a poltrona que tinha sido do Jasper.

O homem olhou em volta como analisando, existia ali, o mínimo de moveis possíveis, só se destacava uma mesa imensa, aonde ele gostava de estudar os casos que tinha entre mãos.

Mas fazia uma coisa, tinha um cofre na parede, aonde guardava tudo antes de sair.

Realmente mantiveste a casa como o Jasper a tinha, nada fora de lugar, foi o melhor chefe que eu tive na minha vida, aprendi com ele, bem como sei que ele te ensinou muita coisa, vivia fazendo um farol imenso do filho que lhe tinha tocado, pois dizia que eras perfeito, mesmo teu problema de dislexia, o superaste.

Sim, graças realmente a ele, foi um pai, para ninguém que veio da merda como eu vim, jamais reclamar.

O homem foi direto em seguida ao assunto, imagino que tua chefa já tenha falado contigo, queria pedir se podias analisar as fichas todas dos candidatos a essa nova delegacia.

Preciso dar uma volta por cima na mesma, pois depois da merda toda jogada no ventilador, na qual tenho que dar a palmatoria para ti, aconteceu tudo que dizia.

O sistema, declarou a mesma em falência definitiva de pessoal, o menos corrupto, era o pior de todos.

Sim eu disse que podia ajudar.

Gostaríamos que ficasse um bom tempo como chefe de lá, analisar e preparar esse pessoal.

Isso terei que conversar com ela.

Sabia que a mesma em breve iria para Washington, o sujeito que ficaria em seu lugar, era um dos seus inimigos não declarados, ela queria que ele fosse junto, mas não queria sair da sua casa, era tudo que tinha.

Temos uma proposta para lhe fazer, mas antes, pense no assunto, depois podemos discutir.

Desde já, quero sim uma coisa, carta branca para selecionar esse pessoal, nada de interferência, sem indicações que eu não goste, mas quero isso por escrito.

Claro como queiras, na segunda-feira podes passar pela central, vamos conversar direito.

Merda soltou, terei o final de semana pela frente sem fazer nada, isso vai ser uma merda, não posso fazer surf, nem sair para correr, vou é ficar de saco cheio.

O homem começou a rir, tua chefa falou nisso, pegou o celular, falou com alguém que desceu do carro, trazendo duas caixas, a maioria das fichas que já chegaram, estão nessas caixas. De uma olhada sem compromisso, depois falamos.

Gostei disso, podes olhar o que acontece na rua, mas de fora ninguém vê.

Coisa do Jasper, esse era seu lugar preferido da casa.

Abriu a porta para o homem, o conhecia, sabia que ele um dos famosos duros na queda, pediu se podia colocar por favor as caixas em cima da mesa.

Esse rindo o fez.

Até segunda-feira, foi a despedida dele para o chefe, que lhe estendeu a mão, desculpa não ter aceitado bem seus comentários antes, indicou o homem que tinha trazido as caixas, um negro de dois metros de altura, esse também precisa emagrecer, caiu na gargalhada.

Ele apenas sorriu, não gostou do comentário.

Sabia que o mesmo funcionava como chofer do chefe por ter levado um tiro no ombro, que lhe impossibilitava para atirar.

Riu depois sozinho, pois por ele se sentava exatamente nesse momento na mesa para começar a trabalhar.

Vestiu um jeans, camiseta, um casaco esporte, pegou duas bolsas foi de compra, pois a geladeira estava vazia, se queria comer alguma coisa de noite, teria que ir comprar ou pedir.

Abriu a garagem, saiu no velho carro do Jasper, até o supermercado na parte baixa da rua.

Fez suas compras, aparentemente estava distraído, mas estava era pensando no que tinham lhe pedido para fazer, com a ida de sua chefa para Washington, de uma certa maneira ele ficava justamente a mercê de pessoas que não gostavam dele, de um lado podia seguir ou até mesmo ir com ela nessa transferência, mas gostava de sua vida ali.

Ia dar uma olhada nessas fichas, para ver o que podia sair, de uma certa maneira, por ter várias vezes trabalhado com as delegacias de Los Angeles, conhecia bem o pessoal, ele que tinha um habito de observar as pessoas, o que o chefe não sabia, que ele jamais conseguiria ler o que estava escrito nas fichas.

Riu para si mesmo, mal sabia que tinha sua maneira de trabalhar com relação a isso.

Pelo caminho, chamou seu fiel escudeiro, Tony Ruiz, o hacker.

Ele o tinha descoberto, pois o pessoal do departamento, jamais iria imaginar que um jovem descendente de mexicanos, fosse um esperto em informática, podia estar trabalhando em qualquer empresa de Silicon Valley, mas não, tinha era um trabalho numa loja que ele tinha o ajudado a montar, consertava laptops, celulares, qualquer tipo de computadores.

Marcou com ele mais tarde, por isso precisava de comida, pois Tony, sempre estava faminto.

Sabia que o mesmo atualmente vivia no fundo de sua pequena oficina, seu pai, um homem que tinha trabalhado a vida inteira nas obras, não aceitava muito a vida do filho, pior foi quando quase foi preso, ainda mais descobrir através do outro filho, que ele era gay.

Tony veio falar com ele, o aconselhou a seguir sua vida em frente, não podemos ficar presos nas opiniões de outras pessoas, tens que pensar que tem uma vida limitada, casa, comida, trabalho.

Tu da família era o que queria mais, foste a escola, porque uma assistente social os obrigou, quando te colocaram nas mãos o primeiro ordenador da escola, tua cabeça começou a funcionar em outra direção, não se preocupe, estou de teu lado, de mim, ninguém esperava nada, cheguei mais ou menos aonde queria.

Falou com ele, desde uma cabine, no próprio supermercado, assim não se comprometia.

Tony tinha desenvolvido para ele o sistema de colocar o que falava, por escrito, agora era fazer ao contrário.

Esse se matou de rir, não tem conhecem, verdade seja dita.

Lhe disse que viesse pelo beco atrás da casa, tinha reparado num carro parado ali, o estavam vigiando, tinha certeza disso, a coisa piorou, quando ao voltar, vinha pelo sentido contrário, passou justo ao lado do carro, reconheceu um dos homens mais complicados dessa delegacia, pelo que sabia, o mesmo tinha sido colocado na rua.

Quando Tony chegou, o carro estava de novo do outro lado da rua, podia chamar um carro da polícia, mas queria ver até aonde ia a coisa, em momento algum, abriu a cortina da casa, ao contrário, fechou com uma outra por cima, que não deixava nem ver a luz de dentro.

Explicou ao Tony o que tinha que fazer, tirou 10 envelopes, dentro de cada um, tinha um curriculum, com uma foto recente da pessoa.

Desses dez, foi separando os que conhecia, os olhou bem, passou depois só cinco para o Tony, ele escaneou com um aparelho cada folha do curriculum da pessoa.

Ele preparou a gravadora, esse a ligou a esse escâner especial que ele tinha desenvolvido, através de um porto USB, em seguida podia saber o que estava escrito ali.

Desses cinco, separou só dois, pois ao escutar o que estava escrito, viu duas mentiras, casos que os mesmo arrogavam o direito de terem resolvido, mas ele conhecia os processos.

Seguiu assim, até passado todos os 30 pelo scanner.

Riu, só tinham passado pelo filtro, cinco, inclusive dois que na parte da frente vinha um papel dizendo que os mesmos eram bons para serem subchefes.

Mas conhecia os mesmos, um deles tinha ficado furioso quando soube o que ele tinha feito com essa delegacia.

Guardou somente os que tinha selecionado no cofre, comeram alguma coisa, ele mostrou o carro para o Tony, esse rebuscou em sua mochila, encontrou uma escuta pequena, antes pediu que desse uma olhada no seu celular, imagina que estive desacordado muito tempo no hospital, qualquer um tinha acesso ao mesmo.

Estava limpo, segundo o Tony, combinaram o seguinte, ele sairia pela porta da frente, Tony, iria por detrás, assim colocaria a escuta no carro.

Ele só faltou dançar, para distrair o sujeito que estava no carro, viu que Tony passava ao lado do mesmo.

Depois entrou em casa outra vez, foi quando o escutou o mesmo fazendo uma chamada, na hora que esse filho da puta dormir, vou entrar, quero ver o que o chefe trouxe para ele, depois te informo.

Mal sabia que como ele tinha a gravação, inclusive da marcação, em seguida, conseguiram saber a quem ele estava chamando.

Ficou surpreso, pois era justamente o sujeito que estava para ficar no lugar da chefe.

A chamou pelo seu celular particular, combinou com ela, Tony saiu para ir para sua casa por detrás, ele aparatosamente saiu pela frente, entrou no carro, não o tinha guardado na garagem, foi sim prestando atenção se não estava sendo seguido.

Entendeu que o outro ia tentar entrar na sua casa, avisou uma patrulha que sempre estava por ali, mas que esperassem o mesmo entrar, de maldade tinha colocado o sistema de alarma.

O outro, bem como quem estava por detrás disso, jamais iriam desconfiar que ele tinha feito como sempre, usado luvas, o Tony igual, nos envelopes, bem como caixas, não teriam suas impressões digitais.

Se encontrou com sua chefe, mostrou a gravação, ela reconheceu imediatamente a voz do outro, nisso seu celular, apareceu o sinal que tinham entrado em sua casa, a patrulha deve ter chegado no momento certo pensou.

Só não entendia, porque o outro queria saber quem ele selecionava.

Esse sujeito é retorcido, eu realmente esperava que assumisse meu lugar, para o pegar fazendo alguma merda, mas isso vem de bandeja.

Comentou com ela o oferecimento do chefe de polícia.

Foi honesto com ela, não gostava muito da ideia, seria estar preso atrás de uma mesa.

Não, comentou com ela, que odiaria isso, bem como se daria mal, pois teria que ler todos os processos, isso para ele era impossível.

Tampouco comentou nada com ela, do que tinha inventado o Tony, isso podia ser uma merda nas mãos de alguma pessoa.

Disse que ia atender ao chefe de polícia, mas nada de mais, não penso em ir além disso.

A patrulha tinha pegado o sujeito com a mão na massa, saindo de sua casa com os envelopes dentro de uma caixa.

Ele ficou olhando bem para o sujeito, quando olhou o seu sistema de alarma, feito claro pelo Tony, viu que uma luz piscava, entendeu, foi até o lugar correspondente, o sujeito tinha deixado como ele tinha feito no carro, uma escuta, bem como uma pequena peça de vídeo que devia estar ligada a algum lugar.

Mostrou para o sujeito, que ficou mais branco do que já era.

Nisso chegou sua chefe, trazendo inclusive o dito cujo, esse quando viu seu homem ali preso, quis tentar dizer que tomava conta do assunto.

Ele foi direto, me desculpa, abriu o casaco do mesmo, tirou seu celular, ali estava a gravação dele achando o aparelho.

Ficou uma fera, a chefa deu ordem de prisão para o mesmo.

Claro que se tivesse sido antes, se veria o Tony, olhando esses currículos, o que era proibido, bem como ele tinha se safado do assunto.

Ele avisou o chefe de policia que apareceu como sempre no seu imenso carro negro que chamava muito atenção.

Nesse momento a porca torceu o rabo, pois descobriu que o tal que o queria fora do FBI, era seu parente.

Ou seja a coisa era toda premeditada.

Ainda perguntou o que fazia ali, o ex-policial?

Trabalha para seu sobrinho, creio que pretendiam sabotar o que o senhor me propôs, mas assim me facilitou a ideia, entendi que ele me quer fora do FBI, talvez tenha insinuado ao senhor que eu era a pessoa certa para esse posto.

Não se preocupe, nas caixas, só estão os currículos que não achei interessante.

Acabaram todos na sede do FBI de Los Angeles, a coisa ficou feia, o outro tinha convencido alguns que trabalhavam para ele, que iriam dominar o departamento, agora seria como queriam a tempos.

Ele se matou de rir, pois o homem que era o motorista do chefe, lhe fez um sinal desde a porta, ele ficaria de fora, pois era considerado um simples motorista.

O chefe sabia disso tudo, estava ajudando a seu sobrinho subir dentro do FBI, assim dentro em breve fechariam essa delegacia, ficarias no olho da rua.

O agradeceu, não vou esquecer de ti, sei que eres bom no que fazias, mas te colocar de motorista do chefe.

Foi como um castigo, sou obrigado a não prestar atenção nas coisas que faz, mas tenho um registro de aonde o levo, o que faz, tudo isso.

Ou seja a merda era muito maior, com seu sobrinho chefiando a sede do FBI na cidade, ele também ficava com as mãos livres.

Sua chefe num momento que tomavam café, se matou de rir, nem estas trabalhando, mais bem fazendo um favor.

Isso queriam eles, que eu me queimasse antes mesmo de voltar a trabalhar.

Claro que voltasse para meu posto, não ia aceitar ficar quieto com as coisas que deviam estar tramando.

Um chefe desde Washington, veio para ajudar a resolver o problema, pois na verdade o chefe de polícia, era designado pelo governador.

Um carro o levou para casa, já era quase de manhã, estava morto de sono, quando viu passarem por baixo da porta um envelope, olhou para fora, lá estava o motorista, lhe acenou desde o carro.

Era uma lista de contatos que o chefe tinha realizado nos últimos dois meses, encontro inclusive com alguns mafiosos da cidade.

Gente de dinheiro que ajudava o governador nas eleições, que sempre tentava influir em alguma decisão, o que conversavam isso não sei, dizia um bilhete.

Claro não podia usar isso, ao mesmo tempo, pois podia prejudicar o motorista.

Passou tudo pelo tal escâner, que estava no cofre, tinha todos os nomes ali gravados.

Ou seja não precisava apresentar nenhum papel, no dia seguinte, apesar de ser domingo, primeiro saiu de casa vestido como sempre, como se fosse trabalhar, ligou o sistema de alarma, parou mais em baixo, ligou para o Tony, essa invenção tua é barbara, resolve o problema que tenho, contou para ele o que tinha acontecido.

Tome cuidado, soltou o Tony, não quero perder o único amigo que tenho.

Quando chegou no FBI, tinha marcado com sua chefe, foram a uma sala, que era conhecida como sala franca, ali todos os dias se passava um rastreador para saber se tinha escuta, não se podia entrar com celulares, quando o faziam o mesmo era colocado num velho micro-ondas, que impedia que se escutasse o que se falava fora.

Mostrou para ela uma voz monocórdia, relatado tudo que o chefe de policia tinha feito nesses dois meses, encontro por encontro, datas, horários, tudo.

Como conseguiste isso?

Ele não disse, sabes que minhas fontes são só minhas, creio mesmo que o governador esta metido nisso, ou sendo enganado.

Ela chamou o homem que tinha vindo de Washington, ele riu para si, o mesmo parecia impassível, mas tinha um tique nervoso que fazia com um dos dedos.

Telefonou para o governador, que já sabia da história, o convidou para vir até a central, era um material que não podia sair de lá.

O mesmo reclamou, que era seu único dia livre, iria jogar golfe, dentro de meia hora estou aí, tenho que trocar de roupa.

O sujeito apareceu com pompa e circunstância, escutou todo o relato da voz monocórdia, relatando tudo que o chefe de policia tinha feito, seus contatos, inclusive com o mafioso que lhe aportava dinheiro para a campanha.

Que merda é essa, quem é essa voz que fala.

Uma jornalista que seguiu o chefe de policia todo esse tempo, o mesmo não desconfiou de nada.

Não ia falar do chofer do mesmo.

O sujeito estava furioso, ia ser candidato outra vez a reeleição.

Foi embora furioso, eles mostraram para o chefe de policia a gravação, esse só faltou babar, quem é essa voz.

De novo repetiu que era uma jornalista que o tinha seguido todo esse tempo.

Eu não vou levar a culpa de nada sozinho, foi por ordem do governador, ele precisa de financiamento para sua campanha, mas não pode aparecer fazendo esses contatos, então me pediu.

Maldita hora que pensei que te podia neutralizar.

Ele quase se matou de rir, pois, na verdade estava de baixa médica.

Tinha ficado desconfiado do agente que tinha vindo de Washington, saiu com sua chefe, a ideia era que iriam a varanda de cima fumar, já que tenho o gancho da jornalista, como oficialmente não estou trabalhando, posso passar essa gravação para quem fez, que publique em seu jornal.

Sabia de uma que podia confiar, ao mesmo tempo, passou a gravação para o Tony, pediu que mandasse pela intranet, para todos os jornais da cidade, deu uma margem a jornalista que tinha feito contato, tudo lá de cima da varanda, sozinho, a chefa desceu se matando de rir.

Resultado no final do dia o governador, adiantava que desistia da reeleição.

O sujeito de Washington veio falar com os dois, até agora o governador sempre foi nosso aliado, como isso vazou?

Vazou, como assim, se a jornalista que me deu essa gravação, tinha tudo em seu poder, simples como dois e dois são quatro, eu tinha conseguido que esperasse um pouco, mas perdeu a paciência e publicou, nada mais que isso.

O homem ficou olhando para ele, não disse nada.

Sua chefa nesse momento falava com Washington, com um acima desse homem, como podiam mandar alguém que estava metido com o governador, que ela desistia do cargo de lá, preferia ficar aonde estava.

Concordaram plenamente, a eles não interessava ninguém que se metesse com política.

Ele ficou uns dias fazendo surf, afinal estava de licença médica, assim relaxava, tinha sonhado na véspera de novo com Anúbis, que se virava para trás, soltava rindo, sabia que ias descobrir tudo.

Depois era como um sonho, estava fazendo surf, de um lado estava o Tony, do outro o Anúbis em outra prancha, olhava para ele, dizia indicando o mesmo, é um bom sujeito.

Como o chefe de polícia, perdeu seu cargo, bem como seu sobrinho foi mandado embora do FBI, ele tomava cuidado.

Chamou para falar com ele, o motorista.

Se encontraram num lugar de um centro comercial, riu muito, vinha andando pelo corredor, quando o mesmo lhe fez um sinal, entrou por uma porta.

O outro queria saber como ele tinha conseguido usar o que lhe tinha passado, sem mencionar como tinha aparecido o nome dele.

Bom confiaste em mim, melhor não saberes muito.

Pior fico outra vez sem emprego.

Não se preocupe, contou para ele, que normalmente usava algum policial para o levar aos lugares que tinha que ir, pois conduzindo sou um perigo, pois se estou pensando num caso, posso me distrair.

Quando voltou a trabalhar, contou para a chefa afinal como tinha feito, quem lhe tinha passado as anotações, como tinha feito, por isso acho que ele merece uma oportunidade.

O trouxe para trabalhar com ele, Jeremy, tinha direito a férias, foi aproveitar a mesma, ao tempo que ele se reincorporava.

Seguia usando o escâner que Tony tinha desenvolvido para ele, agora para todos os efeitos como o que o queria fora já não estava, os que sempre puxavam o saco do outro, corriam para ele, mas esbarravam numa porta, se era alguma coisa de trabalho os atendia, senão que fosse a merda, alguns foram transferidos.

O novo governador, nomeou outro chefe de polícia, tinha sabido do caso, o procurou para saber se queria o posto.

Disse que nem pensar, assim perderia os poucos dias que lhe sobravam para fazer surf.

O outro riu muito, concordo contigo, é um trabalho cheio de política, eu só pretendo ficar o tempo necessário.

Quase soltou na cara do sujeito, até que o colocassem para fora.

Contou para a chefe, ela lhe disse que tinha oferecido para ela também, esses políticos são uma praga.

Na vida pessoal, seguiu como sempre, com toda a discrição possível, nada de comprometer-se com ninguém, sexo só no escuro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentarios

Entradas populares de este blog

APRENDER DA VIDA

DRAMATIC

UNTAMED - INDOMÁVEL