BIRD
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Muitos me chamam assim, mas tudo por causa
do apelido de meu pai, um jogador de futebol americano, logo depois de nascer,
o mesmo desapareceu, foi jogar em Los Angeles numa grande equipe, ninguém sabe
o que aconteceu, simplesmente depois de um tempo de glória, desapareceu.
Muitos dizem que foi por problemas de
drogas, álcool, o diabo a quatro, mas ninguém se atreve a dizer a verdade.
Minha mãe ficou comigo para trás, vivia com
seu irmão James, numa velha granja, quando eu tinha uns dez anos, teve câncer,
se curou, mas em seguia teve outro, mais agressivo, teve tempo de preparar
tudo.
Os dois eram donos da granja, tinham
herdado de seu avô, era uma coisa confusa, naquela época eu não entendia, minha
avô tinha outra, meu avô, que odiava o campo, vivia na cidade, mas todos
separados.
Minha mãe um dia se sentou comigo, sabia
que não tinha escapatória, seus dias estavam contados, me disse que daria minha
guarda para o tio James, já que ninguém sabia aonde estava meu pai, além
frisou, todos sabem que ele não é de confiar.
Tio James a principio não gostou muito,
pois era solteiro, mesmo vivendo conosco, nunca se aproximava muito, tinha uma
coisa nele interessante, para o tamanho de homem que era, tímido, por qualquer
coisa ficava vermelho, isso que tinha a pele queimada do sol, de trabalhar o
dia inteiro a céu aberto no campo.
Se arrependia sempre, dizia continuamente
isso depois na minha cabeça, tinha que estudar, veja aonde acabei, sem futuro.
Minha mãe levava as contas de tudo, era
organizada, ele se sentiu perdido depois que ela morreu, uma das coisas era
essa.
A principio ele fez uma coisa, que seria
sempre, sentar-se comigo, falar de tudo, nunca me escondia nada, me disse na
cara, nunca tratei de uma criança, estava desligado de ti, pois tinhas tua mãe,
mas eu fui um filho mal criado, dois pais que viviam brigando, hoje
divorciados, quem acabou de me criar foi tua mãe.
Era mal aluno na escola, porque me sentia
sozinho, era diferente dos outros alunos, que adoravam jogar futebol americano,
como teu pai, eu não tinha tempo, vinha correndo para a casa do avô, que nos
recebeu de braços abertos.
No final ele dizia sempre, que sua filha e
seu genro eram pessoas complicadas.
Fazia isso, que estou fazendo contigo, me
tratava como adulto, falava tudo.
Por isso quero que sabias que se comentarem
contigo na escola, ou fazerem brincadeiras de mal gosto, dizendo que eu sou
gay, é a pura verdade, não tenho vergonha disso.
Mas nunca tive ninguém na minha vida, a
vida no interior, numa vila como a nossa, isso é difícil.
Eu já sabia, um idiota veio me perguntar se
eu seria gay quando crescesse, pois meu tio era.
Lhe dei um murro no nariz, ficou me olhando
sério, com as lagrimas escorrendo, quando chegou o bedel, disse que tinha
caído, seria depois meu melhor amigo.
Ele era rebelde, tinha uma família
complicada, Jerry, as vezes vinha de camisa de mangas compridas em pleno verão,
eu sabia que era por causa do seu padrasto.
Meu tio alugava terras a família dele, pois
tinha muita, não tinha como cultivar tudo.
O padrasto dele estava sempre com o aluguel
atrasado.
Sua mãe ainda ajudou meu tio a cuidar da
minha, quando ficou impossível, sair da cama, ela disse que de jeito nenhum
iria a um hospital.
Então eu arrastava o Jerry para casa, assim
ele comia direito, como diria depois.
Quando minha mãe morreu, meu tio, falou
comigo, deu todas as roupas dela para a mãe dele.
Para mim tocou, um crucifixo que usava, que
guardei, depois me esqueci dele, como nunca íamos a igreja, para que.
Um belo dia a família inteira desapareceu,
só voltei a encontrar Jerry anos depois, ele estava no exército, que era o que
tinha conseguido para escapar.
Meu tio falou comigo numa das nossas
famosas conversas, vamos montar um lugar pequeno, no sótão, aonde eu e tua mãe,
escapávamos de jovens, o resto, vamos mudar tudo, confesso que parece que estou
vendo ela e o avô, em cada canto dessa casa.
Tinha algum dinheiro, me contou que tinha
feito uma viajem a tempos atrás, antes dela ficar doente, que tinha sido sua
última oportunidade.
Depois ficaria sabendo de sua fama, nos
bares ali de perto, era um jogador nato.
Foi até Las Vegas, tirou dois dias
observando os casinos, para todos os efeitos, ele era um cowboy chucro, com
cara de idiota.
No primeiro dia que jogou, aprendeu como
funcionava a roleta, chegou com suas botas, chapéu, um casaco e calças jeans.
No final ganhou horrores, depois foi para a
mesa de pôquer, claro antes, mandou trocar o que ele tinha ganhado por um
cheque.
De novo foi a mesma coisa, arrasou, fez
isso em vários casinos, no último apareceu com um terno que tinha comprado, que
depois usaríamos no seu enterro, ali arrasou com tudo.
Com esse dinheiro, fez uma coisa, na época
minha mãe pensava ir atrás de meu pai, embora não soubesse aonde estava, ele
comprou a parte dela da granja, mais bem uma fazenda.
Com esse dinheiro, mais algum dele,
aplicaram no banco, para futuramente eu ir à universidade, que tinha sido o
sonho dos dois.
Modernizou o campo, comprando maquinas de
colher, tratores, uma caminhonete nova, então quando ela morreu, modificou a
casa inteira, contratou uma empresa, reformaram o banheiro, que era velho, a
cozinha, na sala imensa, comprou um sofá desses que davam até para dormir, mas
ele gostava mesmo, de uma poltrona que tinha comprado numa feira de moveis
usados.
Ali era seu espaço, ao lado mandou fazer
uma estante, para seus livros que lia de noite, não tinha televisão na casa,
não gostava, dizia que lhe dava sono antes do tempo.
O único meio de tudo, era uma rádio velha
do avô.
Isso ele colocava logo cedo, enquanto fazia
o café para os dois, enquanto escutava as notícias, principalmente do tempo,
isso era importante para ele.
Quando chegava o inverno, se preparava, eu
o ajudava, me fazia montar com ele num dos tratores, me ensinou a dirigir,
assim arávamos tudo, quando nevava, já estava pronto, claro depois a neve
derretia, era só colocar as sementes, de trigo, cevada, feno para os animais.
Só tínhamos uns cavalos velhos, que ele
usava, o feno era para vender, para quem criava animais, lá só galinhas, num
galinheiro imenso, minha função, era colocar milho para as mesmas, plantava uma
boa quantidade de milho, que depois comiam as mesmas, bem como nós na comida.
Ele era magro, mas comia como um leão,
dizia que depois de tanto trabalho, tinha fome.
Sua mãe quando aparecia, era para encher o
saco dele, reclamar do seu pai, que sempre tinha a pensão atrasada.
Trazia comida, ela virava as costas, ele
jogava tudo no lixo, dizia que era uma comida malíssima, uma vez provei, ele
tinha razão.
Um dia descobri como ele se virava para
fazer sexo com outros homens, me sinalizou um, disse, filho da puta, comi seu
cu, como um louco, mas finge que não me conhece, pior, é casado, vive na outra
vila.
Me mostrou um dia que passávamos, um lugar
na floresta entre as duas vilas, ali, na sexta-feira, os homens vinham paravam
suas caminhonetes, faziam sexo, cada um voltava para sua vila.
Mas tudo mudou, quando chegou um xerife
novo na cidade, um dia ele se apresentou ao tio Bob, ficou segurando sua mão, tinha
o mesmo nome que eu, James, foi interessante, aqueles dois homens imensos,
parado na calçada, na frente do bar, segurando das mãos, falando como nunca
tinha feito.
Tempos depois o James veio viver lá em
casa, passei a ser chamado de Bird, definitivamente, porque um dia, meu tio
soltou, que sonhava que eu fosse a universidade, depois voar como um pássaro.
Nunca ninguém se atreveu a fazer
brincadeira, pelo menos na frente dos dois, pois eram dois homens para ninguém
botar defeito, altos, grandes, fortes.
Eram diferente só numa coisa, meu tio era
loiro, branco, muito queimado do sol, já o James, era ao contrário, moreno,
cabelos negros, uns olhos impressionantes, pois pareciam estar sempre brilhando
quando olhavam meu tio.
Diria sempre depois, que o tinha mandado
para lá, de castigo, pois tinha prendido um político.
Ele sim gostava de televisão, pois no
domingo, ou no seu dia de folga, gostava de ver jogos de beisebol, que me
ensinou a jogar, bem como filmes, claro tio Bob, dormia na metade do mesmo, mas
os dois, fazíamos sempre uma aposta, escrevíamos num papel, quem era o
assassino, ele ganhava sempre.
Eu pensava esse sem vergonha já viu esse
filme.
Para mim, por meu tio ter me contado,
achava natural aqueles dois homens imensos, dormirem na mesma cama, estarem
sempre todo tempo possível juntos.
Ele quando acabava o serviço, se sentava,
ordenava a administração da granja, bem como fazia as cobranças dos alugueis
das terras, ninguém se atrevia a não pagar.
Tio Bob, separava uma quantidade no final
do mês, para minha conta, ia engrossando o dinheiro da universidade.
Eu me esforçava o máximo para tirar as
melhores notas, mas tinha coisas que eram difíceis para mim, principalmente
matemática, quem me ensinou de verdade foi o James.
Olhava sério para mim, Bird, pode ser que
nunca uses matemática, mas é importante por muitas coisas, com ele eu entendia
as questões, passei a tirar a melhorar minhas notas.
O professor era um homem velho, amargurado,
que os filhos tinham dado no pé, ensinava de má vontade, quando soube que quem
me ensinava era o James, o vi falando com ele.
Se aposentava dentro em breve, aconteceu
uma coisa, o James, fez um curso na cidade grande mais próxima, ficou no lugar
dele, deixou de ser xerife.
O pessoal dizia que agora sim, entendia de
matemática.
O velho ficou amigo dos dois, dizia que
tinha sonhado em ter um relacionamento como o dos dois, me casei para me
esconder, tive dois filhos que desapareceram no mundo, não sei aonde andam.
Mas vinha sozinho, dizia que levar a
mulher, era o mesmo que levar um sanduiche ruim a uma festa.
Levei tempo para entender isso, até um dia
que a conheci num supermercado, tinha a cara feia, uns lábios curvos para
baixo, com de quem comeu e não gostou, como diria o James.
Só a voltei a ver no enterro do professor,
fiquei com pena, só tinha os professores da escola, alguns alunos, nossa
família, eu sempre chamaria os dois de minha família.
Eu me matava de rir, se estávamos
comentando alguma coisa, tio Bob começava, mas o James acabava.
Quando íamos ver algum filme, os dois se
sentavam no sofá de mãos dadas, tio Bob acabava com a cabeça no ombro dele,
dormindo.
Ele se era uma comédia, evitava dar uma
gargalhada, para não acordar seu homem como dizia.
Quando tive minha primeira paixonite, por
um garoto que veio de outra vila, ele foi franco comigo, se sentou nos degraus
da varanda, falou que primeiro de tudo, tinham que conhecer o mesmo, observe
como se comporta, o escute emitir opiniões, só depois avance.
Mas foi engraçado, ele logo arrumou uma
namorada, uma das garotas que já estavam pensando em casamento, ele tinha uma
coisa, era bonito, um corpo de fazer inveja, ao contrário de mim que era alto
magro, fibroso, minhas calças, sempre ficavam curtas.
Um dia estava no vestiário, tinha
construído uma piscina, olímpica, na escola, pois apareceu um professor de
natação. Eu claro, adorei, fazia as
aulas, depois aproveitava que todos iam embora, para ficar atravessando de um
lado para o outro, melhorando minhas braçadas.
Quando cheguei ao chuveiros, ele estava lá,
como que me esperando, já tinha me visto nu, se ajoelhou, meteu meu piru na sua
boca, até eu gozar, depois lavou a mesma, se secou, foi embora, passou sempre a
ser assim.
Um dia voltando para casa de bicicleta, me
esperava no meio do caminho, ali tinha umas árvores, abaixou as calças, me
excitou, me fez colocar dentro dele.
Mas seguia com sua namorada, seus amigos,
me evitava, quando muito me dizia bom dia, se algum outro de seu grupo falava
comigo.
Nunca passamos disso, quando contei para o
James, tinha vergonha de falar direto com tio Bob, ele se matou de rir, acabara
se casando com essa menina, será sempre infeliz.
O pai dele, levava uma oficina mecânica ao
lado do posto de gasolina, atrás, tinha um motel, que sua mãe administrava.
No final do curso, pela primeira vez falou
alguma coisa séria comigo, não sabia o que fazer, pois não tinha notas para ir à
universidade, nem sabia o que queria, só não queria fazer como seu pai
esperava, trabalhar na oficina mecânica.
Um belo dia, antes mesmo da prova final,
desapareceu com um vendedor que se hospedava no Motel.
Anos depois o veria em filmes gays, dando o
cu para todo mundo, o mais interessante era que tinha um belo instrumento.
Eu estava em dúvida do que fazer, tinha
inclusive que decidir para aonde ir, agora isso era motivo de conversa entre os
três.
Queria estudar jornalismo, literatura, meus
professores elogiavam sempre como eu escrevia, diziam que sabia montar uma bela
frase, que devia ter escutado por aí, com ela escrever uma história.
Como sempre, a discussão, era mais aonde.
Vivíamos em Iowa, eles por enquanto não me
queria longe deles, James nas nossas muitas conversas, sentados nos degraus da
varanda, me disse, teu tio só tem a ti e a mim, a velha da tua avó, só trás
problemas, bem como o pai dele.
Se eu fosse você, ia estudar em Des Moines,
depois faça uma pós-graduação em NYC, daí para o mundo.
Eu ria muito desse, daí para o Mundo, como
se fosse uma coisa normal, tens que pensar que eres um pássaro em busca de
liberdade.
Nessa época quase que tudo foi a merda,
quando do nada apareceu meu pai, nem sabia a cara dele, cheguei em casa num dia
de verão, que anunciava um belo temporal, vi um carro velho parado na frente da
casa.
Era o mesmo, tinha uma cara estranha, na
hora não entendi.
Quando disseram que era meu pai, parei para
ficar observando o mesmo, a um ponto que ele ficou incomodado.
Queria saber de sua parte na granja, já que
era casado com minha mãe.
James, não teve dúvida, chamou o advogado,
esse avisou a ele, que Bob tinha comprado a parte dela da fazenda, que esse
dinheiro, tinha ido para uma conta em meu nome, para ir à universidade, que ele
todos os meses depositava uma quantidade dos lucros do negócio.
Virou-se para mim na maior, me dizendo que
então era eu que tinha que lhe soltar dinheiro.
Sem querer soltei uma gargalhada, ainda não
tenho a idade limite para tomar posse do mesmo, tampouco disse quando seria
isso.
Ele nem sabia a minha idade, pedi para
falar a sos com o advogado, saímos os dois caminhando, ele foi me orientando,
nunca pagou nada para ti, vai tentar, como é teu pai, passar a administrar teu
dinheiro, vamos fazer o seguinte, te faltam meses para fazeres dezoito anos,
falarei com o juiz, te emancipamos, como vais para Des Moines, nunca diga para
aonde, tomas posse do dinheiro.
Ele deu entrada no julgado, queria ser
agora depois de anos desaparecido, meu tutor.
Nesse meio tempo, tentaram saber aonde ele
tinha estado, para a vila foi um choque, de um sujeito que saiu dali para
triunfar no futebol, tinha estado presos todo esses anos, por matar um outro
jogador, agora era um mal exemplo para qualquer garoto dali.
Nesse meio tempo, fui emancipado.
Quando ele conseguiu levar finalmente pois
seu advogado era de oficio, eu já tinha sido emancipado, todo o dinheiro estava
agora em Des Moines, num banco, perto da universidade, tudo isso foi coisa do
James, tio Bob, ficava uma fera, pois volta e meia ele aparecia pedindo
dinheiro.
Se descobriu que não trabalhava, gastava
dinheiro, dizendo que ia botar a mão no que era dele de direito, a parte da
mulher na granja, dormia no seu velho carro, pois não tinha dinheiro.
Avisaram o Xerife, pois ele as vezes era
violento, um dia num bar, meteu a mão na cara de um sujeito, por dizer que era
um fracassado.
O mais interessante, era quando me via,
ficava me examinando, pois eu parecia mais ao tio Bob que a ele, ou seja, tinha
saído parecido a minha mãe.
Ele era um tipo imenso, cheio de tatuagens,
braços extremamente musculosos, de quem passou esse tempo na prisão, fazendo
exercícios.
Quando o advogado descobriu que eu já
estava em posse do dinheiro, eu já tinha dado no pé, os dois me compraram um
carro de segunda mão, eu tinha tirado carteira de motorista, fui embora, numa
ida antes, tinha ido com o James, além de outros que iam estudar fora, olhar um
lugar para viver enquanto estudava.
Ia compartir quarto com um filho do único
chines da vila que tinha uma loja que vendia de tudo.
Os dois fomos antes, do tempo, assim
teríamos um quarto melhor.
Quando ele descobriu, James soltou que eu
tinha ido para a universidade de NYC, o mesmo ficou uma fera, foi falar com meu
avô, o mesmo levantou os ombros, dos meus filhos, neto, não sei nada, ainda
mais que esses dois homens imensos, vivem maritalmente.
Quando foi encher o saco dos dois, levou
uma surra com todo seu tamanho, apareceu armado na granja, foi para a cadeia,
estava em liberdade condicional, com a arma, voltou para lá.
Eu escrevi minha primeira história sobre
isso, como era encontrar um pai, que nem sequer tinha visto a cara, as
sensações que tinha sentido, tinha usado o que o James tinha me ensinado,
observar, para ver o que havia detrás da máscara desse desconhecido.
Apresentei no curso de escritura, o
professor, me elogiou, tirei uma cópia mandei para os dois.
Me telefonaram rindo, James tinha lido de
uma tacada, mas disse que esse texto agora fazia parte dos que meu tio tinha ao
lado da poltrona, deve ter lido umas quantas vezes.
Voltei no meio do curso, para o casamento
dos dois, tinha sido aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo, fizeram
uma festa na granja, voltei para isso.
Foi interessante, embora quando fui embora,
estivesse conduzindo, ia memorizando cada árvore do caminho, agora fazia em
sentido inverso.
Meu tio tinha contratado um mexicano, que
veio com a família, ficaram numa casa, numa das terras que eram alugadas, mas
ele vinha trabalhar todo os dias, ajudar meu tio, como eu fazia antes.
Foi uma festa fantástica, depois falariam
muito, pois sem querer, alguns que estavam ali, os que iam fazer sexo
escondido, tomaram como exemplo dos dois, passaram a ser normais na vila.
Tinha um professor, que James dizia que
vivia escondido dentro de um armário escuro, esse tempos depois assumiu um
romance com um cowboy da mesma idade dele, os dois sempre se encontravam
escondidos.
Nessa época era final do segundo ano da
faculdade, James, convenceu meu tio, que era o momento que eu devia ir para
NYC, foram os dois comigo, meu tio nunca tinha saído, a não ser quando foi a
Las Vegas, ficou como um louco com a cidade, passeamos por tudo.
Consegui a transferência, embora tivesse
que fazer um curso a mais.
James dizia que meu tio estava deslumbrado
com a cidade, ria dizendo que ia largar tudo para ir viver na grande maça.
Mas nada, uma semana depois, quando já
tinha alojamento, ele virou-se para o James, soltou, podemos ir para casa,
estou louco para voltar.
Voltei com eles, ia sentir falta do meu
companheiro de quarto, os dois fazíamos cursos diferentes, mas nos conhecíamos
desde garotos na escola.
Primeiro fui com meu velho carro, até lá
carreguei o mesmo com minha coisas, livros que não ia necessitar, mas sabia que
meu tio ia adorar, embalei mandei para ele.
Depois tomei caminho para NYC, primeiro fui
até Chicago, fiquei dois dias conhecendo a cidade, anotando coisas que tinha
gostado, depois fui para Cleveland, fiz a mesma coisa, por último Filadelfia,
não pensava em ficar, mas o carro precisou ficar uns dias no mecânico, era
velho essa era a realidade, mas tinha minhas coisas nele.
Quando cheguei a NYC, fui ficar num quarto
que já tinha alugado antes, perto da universidade, era um edifício antigo, era
uma dependência de empregados, quando esses viviam com o patrão, o dono era um
professor da universidade, tinha um quarto, uma saleta, além do banheiro
pequeno, mas perfeito para mim.
O mais interessante, ele pensou que eu ia
me deslumbrar com a cidade, que cairia na gandaia.
Mal me instalei, falei com ele, se soubesse
de algum emprego que eu pudesse trabalhar uma parte do dia, seria perfeito.
Ficou me olhando, como perguntando ele está
falando sério?
Depois viu que eu ia a sério no que estava
fazendo, pois no primeiro final de semana, fui franco com ele, venho do
interior, preciso adquirir cultura, qual os museus que ele me recomendava
primeiro, para ir conhecendo.
Fez uma lista, como eu devia fazer.
Foi interessante o primeiro texto que fiz,
foi justamente sobre isso, um jovem que chega de um lugar menor, o que deveria
ir conhecendo para se construir intelectualmente em termos de arte.
O professor gostou, não sei como descobriu
que eu vivia na casa desse professor, passou para ele, claro eu tinha
mencionado que tinha sido orientado pelo mesmo.
Um belo dia o encontrei no elevador, eu
usava o de serviço, para entrar por detrás, mas claro saia no mesmo hall. Me convidou para entrar no seu apartamento,
me levou a sua biblioteca, que era imensa, me disse que eu podia entrar sempre
que quisesse, se precisava de um livro só me mostrou como fazia, ele mesmo
usava isso, retirava um livro, anotava num livro que ficava ali nas estantes,
de aonde tinha tirado o mesmo.
Eu me matei de rir, ele soltou que tinha
imaginado que eu ia chegar, cair na folia, festas da universidade, droga, sexo.
Eu agora sabia que meu pai tinha matado um
companheiro numa farra, cheia de drogas, bebidas, então não queria isso para
mim.
Dei o texto para o professor, ele revisou,
depois deixou um bilhete na minha porta, para entrar para falar com ele.
Eu teria sempre depois essa imagem dele,
com seus cabelos rebeldes, parecia um leão, espantado, com os cabelos brancos,
todos em pé.
Tinha lido o texto, fez duas correções, ele
seria meu professor no ano seguinte em literatura, na verdade era só trocar
duas frases de posição.
Me disse que estava montando um livro, com
textos de alunos, para a universidade, ele colaborava com a editora da mesma.
Quando o livro saiu, claro mandei para
minha família, fiquei impressionado com o Tio Bob, chamar, quem fazia era o
James, rindo me disse, não me enganei contigo Bird, desde garoto me chamava
assim.
Já li mil vezes, me perguntava o que minha
irmã via nesse sujeito, acho que ela imaginou que a levaria com ele, o que a
salvou foste tu que nasceste.
Depois a cada coisa que escrevia, mandava o
texto para os dois.
O professor me arrumou para estagiar num
jornal, como práticas.
A principio estranhei, pois estava
acostumado, a estar sozinho, comentei com ele, que soltou me enganei contigo
totalmente, pensei errado de ti.
Mas tens que aprender a conviver com essa
gente, pois vais precisar disso quando entrevistar as pessoas.
Por sorte, o jornalista que escrevia sobre
artes, eu o estava ajudando, ia com ele as entrevistas que fazia, ficou doente,
teve um enfarte em plena entrevista, eu voltei, porque o editor me mandou,
acabei eu a entrevista.
O escritor se matou de rir, pois o
jornalista tinha lido por cima o livro, eu ao contrário o trazia embaixo do
braço, cheio de anotações que tinha feito, perguntas que tinha na minha cabeça.
Tinha um personagem que me deixava
inquieto, comentei com o mesmo, que era como me sentia em saber que meu pai
tinha voltado a prisão.
Era o que tinha acontecido, era um dos
poucos personagens reais da história, era seu pai também. Falamos longamente do livro, depois deu
trabalho resumir tudo isso, fiz uma coisa que passaria ser um hábito meu, antes
de publicar, mandei para ele o que tinha escrito, pedindo seu OK.
Se matou de rir comigo, me telefonou as
gargalhadas, para quem esta acostumado, que mudem o sentido do que fala, foste
perfeito, além de escreveres bem.
Tempos depois descobri que o mesmo tinha
tido um romance com meu professor.
Sem querer esse seu personagem, me fez
pensar muito em meu pai, consegui através do James, sempre seria tudo através
dele, era como se fosse um pai postiço para mim.
Todo o processo de meu pai, falou com
alguém em Los Angeles, que me conseguiu o processo.
Tinham levantado, tudo, desde o dia que ele
tinha chegado na cidade, vindo do Iowa, se deslumbrou é claro, um equipe de
primeira divisão, ganhando muito dinheiro, nunca se lembrou dos que ficaram
para trás, inclusive minha mãe.
Claro como todos que veem do nada, se
deslumbrou, praia, com os novos companheiros, festas escondidas, drogas, depois
tinha ido bem no princípio de carreira, era um dos melhores marcadores, de
repente, numa festa, se encheu de cocaína, álcool, alguém fez uma brincadeira
com ele, deu um murro na cara do sujeito, que bateu a cabeça numa estante, mas
seguiu batendo no mesmo, caído ali no chão, li todas as descrições que faziam
os companheiros, como ele tinha perdido a cabeça, diziam que tinha sido
necessário cinco dos que estavam ali, imensos como ele, para o segurarem, a
estas alturas, o outro já foi para o hospital em coma.
Por isso tinha sumido, o dono da equipe,
simplesmente ocultou tudo.
Falei com um advogado, orientado pelo meu
professor, se escrevesse a respeito se teria problema, mesmo sendo filho do
mesmo.
Me sugeriu ir falar com ele, quando
contactei a penitenciaria, somente me informaram que ele tinha morrido um mês
depois que tinha voltado, numa briga por causa de um garoto, que vivia com ele
na mesma cela, era seu amante.
Fiz uma coisa louca, fui até lá, consegui
falar com esse garoto, fiquei impressionado, no fundo era parecido comigo.
Ficou me olhando, a única diferença, era
que estava cheio de tatuagens.
Me contou que quando chegou, era carne
fresca no pedaço, que meu pai, o tinha acolhido como seu amante, me chamava de
Bird, soltou na maior, que quando me viu, por ser parecido com minha mãe,
queria fazer sexo comigo.
Espere, disse que na saída, me dariam um
caderno que ele levava sempre junto, escrevia coisa que pensava.
Quando sai, com um gosto amargo na boca, um
guarda me deu dois cadernos, desses de capa negra.
Abri dentro do taxi para o aeroporto, parecia
letra de uma criança, redonda, como ocupar o menor espaço possível.
Pela data, ele começou a escrever dias
depois de entrar no presidio, a bibliotecária, lhe conseguiu seu primeiro
caderno.
Estava escrito a lápis, se via que achava
melhor, pois algumas palavras acho que ele procurava uma que desse sentido do
que queria escrever.
Quando contei ao James, ele disse que não
falasse ainda com meu tio.
Fui lendo tudo de noite, fiz uma coisa
diferente, lia o que tinha escrito, depois pensava na melhor maneira de
explicar isso tudo.
Começava contando da sua infância, um pai
brutamontes, que lhe pegava, por isso fazia exercícios, do pessoal que fazia
futebol americano, pois era mais duro, assim foi desenvolvendo seu corpo,
chegou o dia, que deu uma surra no mesmo, que chegou em casa bêbado.
Confessava que nunca era muito inteligente
na escola, por isso gostava da minha mãe, pois ela lhe ensinava matemática.
Fiquei de boca aberta, pois comentava seu
relacionamento com o treinador, o mantinha ao mesmo tempo que com minha
mãe. Dizia na maior que gostava mais de
fazer sexo com o mesmo, apesar de ser escondido, que com ela.
Se poderia dizer que uma certa maneira o
professor abusou dele, por ser mais velho, que ele gostava disso no sexo, de
uma certa violência.
Quando fez sexo com minha mãe, queria
provar que era homem, mas que no fundo não estava apaixonado por ela, queria
sim ir embora, ficou grávida, comentava que tinha me olhando pensando,
unicamente, não quero filhos, pois poderia abusar deles.
Escrever o livro foi um suplício de uma
certa maneira estava contando a merda toda que ele tinha se metido, a pior
parte, era quando entrou para o presidio, se esqueceram dele, de uma certa
maneira a equipe o borrou do mapa.
Apesar de ser grande, houve abusos, que ele
dizia que se seguissem muito tempo ia se acostumar, pois da última vez que
foram muitos, tinha sentido prazer, a partir de então sexo para ele, era
sinônimo de brutalidade.
Foi quando soube que minha mãe tinha
morrido, pensou como eu existia, além de ser menor de idade, poderia refazer
sua vida as minhas custas, era como cobrar do mundo, o que tinham feito com
ele, mas quando deu de cara com seu filho, via nele a mulher, passou a pensar
em somente tirar o dinheiro desaparecer.
Mas tudo saiu errado essa é a verdade,
confessava que nunca tinha sido o mais inteligente em fazer coisas, justo no
ônibus que voltava para a penitenciaria, ia junto esse rapaz, o tomou sob sua
proteção para poupar os abusos, mas nem sempre lá isso dava certo, pois no
fundo tinha acabado morto por isso.
Quando acabou de revisar pela milionésima
vez o texto, primeiro o mandou para James, esse mostrou ao Bob.
Telefonou em seguida, dizendo que tinha
lido umas quantas páginas, estou feliz por uma parte, realmente não me enganei
contigo, serás sempre tudo que eu sonhei para mim.
Depois James me chamou dia depois, dizendo
que tinha o apanhado chorando, me contou como era seu relacionamento com meu
pai, era mais velho, se deslumbrava com ele, mas o mesmo tinha sua irmã, que
era como uma bengala, ela não desconfiava de nada dele, com o treinador, ele
sim sabia, tentou avisa-la, mas aí já era tarde, estava gravida.
Ele foi embora, sabia que não voltaria,
dois dias antes tinham matado o pai dele, o xerife depois iria suspeitar que
tinha sido ele, mas ele tinha como álibi, justamente o professor, que disse que
estava treinando.
Quando ele foi embora, logo o treinador foi
colocado na rua, por estar abusando de outro rapaz.
Coisas que sempre aconteceram por aqui.
O livro foi publicado, com ajuda de seu
caseiro e professor, bem como pelo escritor, que escreveu no prefacio.
Se inverteram os papeis, o escritor sugeriu
ao jornal que ele trabalhava, que desta vez, ele faria a entrevista. Foi uma coisa crua, pois não escondeu nada.
Foi chamado para trabalhar só na parte que
escrevia crônicas, sobre livros, já que o velho jornalista se aposentava.
Com isso, sua vida ficou mais rica,
conheceu gente, fez amigos, inimigos, principalmente aqueles que nunca aceitava
críticas sobre seus livros.
Nessa época surgiu o sistema de internet,
montou para a revista de domingo, uma página, aonde convidava autores que ele
entrevistava, para publicarem pequenos contos.
Quando fez 35 anos, Bob morreu, correu para
lá, como louco, nunca perdiam contato, ia sempre que podia passar uns dias com
os dois.
Na sua cabeça, eram como seus pais
verdadeiros, porque ele sequer se lembrava mais do rosto da mãe, a não ser que
olhasse a velha fotografia borrosa que tinha.
Ficou uma fera, com o seu avô, que não foi
ao enterro, mas tinha abordado o advogado, o juiz, para saber da leitura de
testamento.
Bob tinha dividido em partes iguais, afinal
tinha se casado com o James, o velho fez de tudo para conseguir ser ele o
herdeiro, falou mal dos dois.
Descobriram depois que tinha herdado a
granja da sua mulher, a vendeu, gastou o dinheiro todo em besteiras, queria
agora a do filho para pagar dívidas.
Por sorte morreu em seguida, ninguém foi ao
seu enterro, pois com as fofocas que fez a respeito do filho que era querido na
comunidade da vila, se tornou uma presença non grata.
Ele na verdade não conhecia nada do avô, só
que era uma pessoa complicada.
Por sorte tinha um sistema de trabalho,
muito bem montado os dias que esteve fora, tinha gente para cuidar.
Voltou para NYC, James agora cuidava de
tudo, ajudado pelo empregado mexicano, inclusive ajudava que os filhos fossem a
escola.
No enterro, o mais velho o olhava de longe,
era um tipo bonito, James diria depois que ele adorava o que escrevia, estava
fazendo faculdade em Des Moines.
Bob, tinha deixado para ele um envelope,
depois que leu o que escreveste sobre teu pai, ele pensou que fazia escondido
de mim, disse o James, mas começou a escrever como tinha sido sua infância,
juventude, bem como tinha se assustado ao ter que cuidar dele, seguiu uma
coisa, ser honesto sempre com ele.
Levou os três caderno que tinha escrito,
falava da sua infância já infeliz, uns pais complicados, sua irmã, procurava
levar em frente o protegendo, quando os mesmo finalmente se separaram, nenhum
dos dois queria ficar com eles, foram viver na granja do avô. Segundo Bob, uma época feliz da vida dele,
estudava, mas dava duro na granja, sua mãe tinha aprendido com o velho como se
administrava a mesma, inclusive melhorou o jeito de fazer isso.
Ou seja os dois compartiam o gosto pelas
terras, longe dos pais verdadeiros.
A mãe só aparecia para reclamar do pai, que
sempre tinha a pensão dos dois atrasadas, mas o interessante era que nunca
viram a cor desse dinheiro, ficava para ela.
As pessoas a evitavam, pois vivia
reclamando da vida, tinha uma família que trabalhava na verdade na granja para
ela, a odiavam, pois era mesquinha.
No fundo devia ter sido eles os herdeiros,
mas ela nunca fez testamento, foi tudo para o ex-marido.
Anos depois voltaria para o enterro do
James, lhe doeu muito, justo um ano antes tinha publicado a história de seu
tio, depois de publicar uma outra.
A comunidade LGBT, o chamava para
conferências, James cobrava dele que encontrasse alguém para compartilhar sua
vida. Alegava nunca sobrar tempo, pois
ao mesmo tempo de dirigir a revista, tinha a parte da internet que ficava todas
nas suas costas.
Pouco antes de James morrer, teve um princípio
de enfarte, o médico disse que devia parar um pouco, diminuir a velocidade de
sua vida.
Foi quando voltou para casa outra vez, para
enterrar seu pai postiço como o chamava, bem como amigo.
A família de Rafael, cuidava de tudo a
muito tempo, deu de cara com o rapaz, que tinha visto no enterro do Bob, ficou
encantado pelo mesmo.
Na leitura de testamento, James deixava as
terras em que eles viviam para eles, mas a de seu tio, devolvia para ele.
Tinha agora que pensar o que fazer, claro
agora a casa, tinha Hi-Fi, podia trabalhar desde lá.
Um dia estava sentado aonde sempre
conversava com o James, quando o rapaz se aproximou.
Sempre que vinha conversar com o senhor
James, fazia sentado nessa escada, ele dizia que ali era seu consultório,
porque meus irmãos quando tinham dúvidas o que fazer da vida, vinha aqui falar
com ele.
Pois eu fui o primeiro disse rindo, tive as
melhores conversas da minha vida aqui, sentado nesses degraus.
Pensou muito, foi a NYC, pediu as contas,
tinha um bom dinheiro, voltou para lá, algo lhe dizia que ia acontecer em sua
vida.
Quando James Jr, ou Junior, viu que ele
voltava, se atreveu em avançar.
Ele cuidava da parte administrativa, tinha
aprendido com o James, levava seu nome, escolhido pela sua mãe, pois agradecia
sempre que ele os tivesse ajudado.
Se sentou com Junior, conversou muito,
quero que sigas administrando tudo, vou arrumar a casa, fazer um escritório
para mim.
Quando viu estavam os dois metidos num
relacionamento, o pai dele a princípio não gostou muito, mas os outros filhos
tinha indo pelo mundo, voaram como dizia o senhor James.
Anos depois os dois se casariam, numa
cerimonia simples, nada de propaganda.
Uma das irmãs dele voltou, trazendo duas
crianças, o mais interessante, ficou com eles, tinha câncer como sua mãe,
deixou as duas crianças sobre a guarda do Junior, era como uma repetição das
sua própria história, se jogou em cima delas, para ensinar, a encaminhar pela
vida, aumentou a casa, construindo de um lado, aproveitando uma parte da
varanda, um escritório para ele seguir escrevendo.
Ali ao mesmo tempo era refugio dos meninos,
que adoravam a tranquilidade dali, o silencio.
Na verdade pareciam filhos dos dois, eram
uma mistura de mexicanos com algum descendente de irlandeses, tudo que sabiam
era que tinha morrido se metendo no que não devia.
Mais tarde ele adotou os garotos que
passaram a se chamar Stanford.
Adorava quando o chamavam de tio Bird.
Seguia escrevendo com esse nome, Bird
Stanford.
Levou anos para aceitar que o livro sobre
seu pai, fosse transformado em filme, antes aprendeu a escrever roteiro,
mostrou para o diretor interessado o mesmo.
O dinheiro que ganhou com isso, que foi
muito, colocou no banco para os meninos, era como uma repetição, se preocupava
que fossem a universidade.
Sem querer tinha o relacionamento com que
tinha sonhado, Junior confessava que quando lia o que ele escrevia, pois tio
James mostrava, já estava apaixonado por ele.
Ajudava também a escola da vila, que nunca
ia para frente, passou a dar aulas de literatura a alunos interessados,
melhorou a biblioteca, tinha tempo de se sentar com eles para falar do futuro,
de uma certa maneira era o jeito que tinha de agradecer aos seus dois pais, que
tinham feito isso por ele.
O filme fez sucesso, ele escreveu um outro
roteiro, mudando algumas coisas a história do Bob e do James, como se tinham
conhecido, como tinha surgido o romance entre eles, nessa vila perdida do Iowa,
aonde ser gay era complicado.
O ator que fez o papel de seu tio, veio
ficar um tempo com eles, se insinuou, mas ele tinha o romance que queria com o
Junior.
O filme fez um sucesso danado, agora ele
fazia conferências nas associações que existiam por ali, para que deixasse de
ter uma vida dupla.
Mas tinha tudo que tinha sonhado na vida, o
mesmo diretor, pediu que ele escrevesse sobre sua infância, que contasse como
tinha se sentido, lhe deu primeiro o texto que tinha muito bem guardado na
biblioteca, seu texto que apresentou na escola.
Mas escreveu um outro, falando do tempo que
tinha aprendido a amar seu tio, mais tarde o James que se transformou em seu
confidente, como foi depois para todos os jovens que apareciam lá com dúvidas.
Esse texto foi tão largo, que acabou
virando uma série de televisão, filmada ali mesmo na vila.
Ele seguia como sempre, mas o que mais
adorava, era uma coisa que Junior fazia, desde a primeira vez, segurar sua cara
para lhe dar um beijo, pois era um pouco mais baixo que ele.
Com o tempo, adotaram mais dois garotos, de
famílias que os tinham abandonados na vila, podia dizer que tinha finalmente
uma família sua.
Todos eram Bird Stanford, muita gente não
entendia, pensava que seu nome era esse.
Mas nunca explicava, tinham vários James
por lá.
A mãe do Junior dizia que seu pai
reclamava, mas agora tinha vários netos para ensinar a cuidar de cavalos, a estudar
na vila.
As comemorações agora eram sempre com
todos.
Um dia, dizia ao Junior, seremos avôs.
Os dois caiam na gargalhada, com os meninos
em volta deles.
Sabia que alguns voariam, afinal levavam
isso no seu sobrenome, Bird.
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