SCOTT
SCOTT
Quando vi essa foto de meu pai, me
matei de rir, ele que se achava moderno, a tirou da minha mão, sorriu, naquela
época eu era o moderno, nunca pensei que iria acontecer tudo ao contrário na
minha vida.
Tinha saído do meio oeste para
estudar em NYC, me senti um caipira, queria ser mais moderno que os meus
companheiros, fui mudando, deixei os cabelos crescerem, usava roupas
chamativas, não encaixava no padrão da universidade, claro alguém que estuda
física quântica, não se veste dessa maneira.
Mas no fundo queria me sentir livre,
meu pai, era estrito, dava aulas de matemática, além de física na escola que
estudei.
Por minha sorte, no ano que ganhei
minha bolsa de estudos, ele já estava mal, não dava mais aulas, eu fiquei
preocupado, sem o seu salário como seria a coisa, para os dois.
Minha mãe, um dia me arrastou com
ela, para ver o médico, os dois se sentaram me contaram uma história, que na
hora me parecia exagerado.
Meu pai, como físico, tinha
participado de coisas para o governo, por isso tinha uma boa aposentadoria, se
podia dar o luxo de realizar seu sonho, que era um velho carro conversível
desses que aparecem em filmes.
Estava sempre guardado na garagem,
agora quem o usava era minha mãe, mas tinha que levantar a capota, pois ele não
podia pegar sol.
O tratamento segundo o médico era
basicamente ineficaz, não funcionava como devia, ninguém sabia direito, pois
nisso ele tinha um acordo de confidencialidade com o governo, senão perdia a
pensão, não dizia no que tinha andado metido.
Por sorte, o que lhe tirava sua
preocupação, era que eu tinha sido parido antes, viviam numa base americana,
nunca soube aonde, o puto acordo me incomodava.
Os dois foram francos, podes ir
tranquilo, para sua bolsa de estudos, nesse dia ainda minha mãe foi ao banco,
sempre achei interessante, ela economizava em tudo, nunca comprava mais que o
necessário.
Abriu uma conta, aonde depositariam o
dinheiro da bolsa, bem como tirou dinheiro da conta deles, que ela
administrava, passou a metade para a minha, assim podes ficar tranquilo.
Meu pai, era uma pessoa extremamente
fechada, mas nas vésperas de ir embora, me soltou algumas coisa, me pediu como
eu ia estudar física quântica, que eu nunca trabalhasse para o governo, que
esses nunca te ajudavam depois, olha para mim.
Dava pena, tinha a pele toda
manchada, ou com crostas de queimaduras, o médico não sabia como tratar.
Minha mãe me levou até a estação, iam
no ônibus, mas dois da escola, um para Chicago, outro para NYC, para estudar
literatura.
Fomos os três conversando no ônibus,
era uma viagem longa.
Todos os três na verdade não
passávamos de caipiras, mas inteligentes.
Eu, quando cheguei, claro me
deslumbrei, fui ficar no alojamento que a universidade, dava aos bolsistas,
cheios de regras, eu que sonhava com a liberdade.
Só entendi muito mais tarde o porquê
das restrições de casa, era a maneira que os dois tinham sido educados.
Música, ufa, nem radio tinham em
casa, televisão menos ainda, ou seja, só me sobravam os livros, se queria ler
algo moderno, tinha que o fazer na biblioteca, mas escondido, mesmo os outros falavam
disso.
Num primeiro momento, quando cheguei
ao quarto que ia compartir, fiquei de boca aberta, meu companheiro de quarto,
tinha uns cabelos imensos, estava escutando um rock, fingindo que tocava uma
guitarra.
Ao contrário de lhe chamar a atenção
fiquei foi deslumbrado com ele, era tudo que eu chamava de liberdade, anos
depois seria um sujeito de direita, político, dos sem vergonhas.
Depois o vi fumando maria, minha
primeira experiencia, ele parecia alucinado, a mim, só relaxou, fiquei olhando
seu comportamento, me parecia uma encenação.
Quando me atrevi, a sair por ai,
Soho, Village, era um must, todo mundo era moderno, se misturavam, hippies,
gays, tudo que me pareciam parecer mais caipira ainda.
Mas mudei, comecei a comprar
camisetas chamativas, a escolher música que gostava, comprei um dos primeiros walkman,
que fui gravando as músicas que gostava, deixar os cabelos crescerem, os
professores, ficaram preocupados, pensando, esse vai se perder.
Eu tinha era facilidade para tudo,
devia ter herdado do meu pai isso, tirava as notas mais altas da turma, mas fui
mudando.
Era virgem ainda, um dia vi um
sujeito na rua, o achei interessante, era um mulato, me sorriu, quando vi
estava na sua cama.
Durante um tempo, foi meu amante, ele
usava umas roupas loucas, eu achava o máximo, tínhamos o mesmo corpo, magro, mas
duros dos exercícios que fazia na escola.
Um belo dia fui a sua casa, não
estava, tinha desaparecido, o proprietário do studio veio falar comigo, pois me
tinha visto com ele, devia meses de aluguel, me contou que tinha trocado as
chaves, assim ele não pode levar suas roupas.
Eu achava o lugar fantástico,
perguntei quanto era o aluguel, se podia me mudar, me sobrava dinheiro do que
minha mãe tinha dado, bem como o dinheiro da bolsa, resultava bom, o caso era
que tinha sido educado por ela, nada de comprar o que não se necessitava, só o
básico.
Ali, eu poderia cozinhar, não gostava
muito da comida do refeitório da universidade, tinha aprendido a cozinhar com
ela, nesse studio tinha uma pequena cozinha dentro de um armário, depois eu não
ia precisar mais obedecer os horários.
Aluguei o mesmo, levei meus livros,
para lá, agora podia sair de noite quando me desse a louca, o que gostava,
tinha uma mesa imensa, aonde podia estudar.
Meu cabelo como era loiro, liso,
passei a usar dessa maneira, bem como as roupas que estavam dentro do armário.
Alguns esperavam um viado, desses
afetados, mas davam de cara que eu era sério.
Passei a levar vários tipos para a
cama, mas o interessante, era, gostava dos mulatos, negros, que eram diferentes
de mim.
Nessa época tive um namorado, que era
músico, foi quando descobri o jazz, ele só me pedia uma coisa, que me vestisse
de outra maneira para ir assistir ao show que fazia.
Mas em casa os dois andávamos nus.
Ao contrário de mim, se preocupava
pelas minhas notas, dizia que eu tinha tido sorte ter uma bolsa de estudos, ele
não tinha podido ir a universidade.
Um belo dia, me disse que ia de
turnê, com um grupo, nos despedimos no final de semana, com muito sexo, não
havia limites.
Na semana seguinte eu tinha mil
exames, parei a farra para estudar, ainda fui chamado ao gabinete do professor,
ou catedrático da área, queria saber como eu fazia, pois tirava as notas mais
altas, mal prestas a atenção, quando coloco uma coisa no quadro, já sabes a
respostas.
Fui honesto, prestava atenção sim,
falei do que sentia em casa, estar numa prisão, queria sentir o que eu achava
que era liberdade.
O homem riu, soltou, outro dia um
professor me disse, que fica excitado com a roupa que veste que mostra todo teu
instrumento.
Nem me tinha dado conta disso, fiquei
como um bobo.
Soltei uma coisa, que o deixou sério,
não adianta ter um belo instrumento, se não aprendes a usar o mesmo, eu era
virgem quando cheguei, estou aprendendo a usar o mesmo.
Eu ia de férias, para casa, a pedido
da minha mãe, deixei com o proprietário, tudo pago, não queria perder o
apartamento.
Claro voltei com as roupas que tinha
saído de lá, mas meus cabelos nem pensava em cortar, estavam imensos, usava um
rabo de cavalo.
Ela ficou rindo muito quando me viu,
assim me alegras a vida.
Meu pai, era pele e osso, passou uma
mão, cheia de feridas pela minha cara, dois dias depois morreu.
O enterramos, o mais afastados de
todos no cemitério, ordens do médico da cidade, não se sabia se aquilo era
contagioso.
Minha mãe ficou uma fera, pois se
fosse assim ela também teria.
Nos sentamos, falou que ele tinha
escolhido esse lugar para viver, pois ninguém sabia quem ele era.
Ela mais uma vez, me perguntou se o
que eu estudava, me daria algum futuro, além de ser um professor de física?
Isso ficou na minha cabeça.
Ela resolveu ir para a casa de uma
irmã dela, perto de San Francisco.
O carro ficou para mim, tinha
aprendido a conduzir com ela, dividiu o dinheiro que tinha no banco, me disse
que receberia agora uma pensão do governo.
Chegar com o carro em NYC, foi o
máximo, principalmente aparecer com o mesmo, na universidade.
Mas tinha um problema, aonde guardar
o mesmo, tive que alugar uma garagem no edifício ao lado.
Fui conversar com o catedrático,
nunca tinha pensado nisso, o que fazer depois da universidade, para que servia
afinal o curso, tudo bem eu tirava de letra, todas as matérias, mas estava num
vazio.
Ele riu muito com minha maneira de me
expressar.
Por isso muitos desistem do curso na
metade, veja, eres bom e matemática, bem como física, mas tuas opções são
poucas, ou trabalhar para a Nasa, que vive buscando gente nova, ou para alguma
coisa do governo, no âmbito militar.
Eu devia estar olhando horrorizado
para ele, tinham me martelado tanto na cabeça isso de trabalhar para o governo,
que não sabia como reagir.
Por último, soltou, ou ser professor
como eu.
Se continuas como es, vais ser
durante um bom tempo professor adjunto, o que dá aulas, mas quem leva a gloria,
será o catedrático.
Poderás sim fazer pós graduações com
essas notas, bolsas muito fáceis, Oxford, Sorbonne, só terás que escolher para
aonde.
Era uma saída, gostava de explicar
aos companheiro os que eles não entendiam, tinham dois que adoravam ir ao meu
apartamento, pois depois acabávamos fazendo sexo.
Ficavam literalmente loucos, com o
instrumento, eu achava interessante, escutava falar em amor, mas era uma pessoa
vital, gostava mesmo era de fazer sexo, sabia o que estava fazendo.
Levei o curso adiante, minha mãe, me
escrevia, telefonava sempre, mas nas cartas se abria mais, tinha arrumado um
emprego, assim se ocupava, era secretária na escola que minha tia era
professora.
Nas férias seguintes fui visita-la,
tomei um avião para ir até lá, tinha pensado em ir de carro.
O bom que minha tia conhecia muita
gente, conversei com as duas sobre o problema de meu curso.
Ela quando escutou falar na NASA,
telefonou, apareceu um homem que me deslumbrou no mesmo instante, me contou que
tinha trabalhado lá, é como um jaula de ouro, todos se casam entre sim, não
existe muito aonde ir, pois todo mundo é controlado.
Se pudessem te colocavam um controle
no cu, pois querem saber sempre de tudo, o pessoal vive fechado como se fosse
um lugar protegido, mas é uma prisão.
Os solteiros, mal podem sair, estão
sempre nos observando.
Eu cheguei a um ponto de desconfiar
de todo mundo, por isso aceitei ser um simples professor de matemática, vou
levando a vida.
Depois que foi embora, minha tia me
contou que vivia com um outro professor, que era gay.
Minha mãe nesse ponto, era curta de
miras, como dizia minha tia, ficou horrorizada, mal sabia que eu tinha feito
sexo com todos os homens que passaram na minha frente.
Fui embora, mal começaram as aulas, o
catedrático me chamou, disse que em deferência as nossas conversas, me avisava,
que tanto da Nasa, como do exército, FBI, viriam entrevistar alguns alunos, meu
nome estava incluído.
Me preparei, falei com ele antes, se
matou de rir da minha estratégia.
A primeira era da Nasa, fui com a
roupa mais louca que tinha no armário, a primeira coisa que soltei, uma
pergunta se tinham muitos gays por lá, pois adorava fazer sexo.
O sujeito me olhou escandalizado, fez
mais duas perguntas, me dispensou.
O do exército, fui com um shortinho,
como esse da foto, fiz a mesma coisa, perguntei se tinham problema de ser gay,
de gostar de fazer sexo, lá como deve ter muito homem, será como fazer um
bacanal, na verdade nunca tinha ido a um.
O sujeito creio que ficou com vontade
de me dar uma surra.
O do FBI, talvez já tivesse falado
como os outros sequer me entrevistou.
Fui sim me candidatar as duas bolsas
que me interessavam, ganhei primeiro uma para a Sorbonne, arrumei um professor
de francês, que se surpreendeu com minha facilidade de aprender.
Era um senhor de muita idade, tinha
sido professor na universidade, sabendo o que eu iria estudar, se aprofundou
nesse sentido.
Um dia me encontrou na rua de noite,
eu estava com uma roupa super louca, riu muito, disse que na França, apesar de
ser a capital da moda, verás que são mais recatados.
Foi passar as férias de novo com
minha mãe, mas desta vez atravessei o pai inteiro com meu carro, o ia deixar
lá.
Aproveitei horrores, num motel que
fiquei, tinha uma turma de Hells Angel, fiz sexo pela primeira vez em um grupo,
foi uma experiencia interessante.
Jamais poderia verbalizar isso para
as duas, me receberam como sempre, ia comedido, acharam minha decisão certa, só
voltei para NYC, para a Graduação, embarcar para Paris.
De uma certa maneira eu era
culturalmente caipira, lá me deslumbrei com os museus, com a cidade, me
destaquei em seguida que começaram as aulas, consegui um apartamento pequeno
perto da universidade, tinha retirado do apartamento que vivia minhas coisas em
caixas, o proprietário guardou para mim.
Não sabia quando voltaria. Fui para ficar dois anos, que vivaram seis,
pois me apaixonei pela primeira vez, conheci um homem na universidade, era
carismático, logo quase fui viver com ele, mas decidi que não, dormia quase
todas as noites em sua casa, depois corria para a minha, para escrever minha
tese de doutorado, assistia aulas.
Mas claro, tudo vira rotina, senti
que ele já não estava interessado, um dia me soltou na cara, que se o sexo
comigo não fosse tão bom, já estava fora.
Entendi a mensagem, arrumei a
desculpa de tanto tempo fora, voltei primeiro fui visitar minha mãe, o tempo
tinha passado, embora nos escrevêssemos sempre, ver em pessoa, era outra coisa.
Estava envelhecida, o mais
interessante, me falou muito do meu pai, como nunca tinha feito antes, como
tinha se conhecido, como tinha sido o princípio de tudo.
Apareceu o amigo de minha tia, o da
Nasa, como sempre mexia comigo, agora se dividia em aulas na universidade de
San Francisco, me levou até lá, apresentei meu curriculum, bem como minha
pós-graduação da Sorbonne.
Me contrataram, como professor
adjunto. Me mostrou o apartamento que usava quando estava por lá, podia ficar
com ele.
Um dia indo para San Francisco, falou
do seu relacionamento, que tinha se enganado, ele pensava que era para sempre,
mas não tinha dado certo.
Um dia ele saia do banheiro nu, não
aguentei avancei o sinal, ele depois me fez ver, que era mais velho, mas eu
cagava para isso.
Não comentamos nada com minha mãe,
tampouco minha tia, apenas as via mais vezes agora, as duas estavam já com uma
boa idade.
Andrew era como eu tinha imaginado,
era uma verdadeira batalha campal na cama, um dia rindo me contou, que seu ex
queria o que ele tinha no meio das pernas, afinal era como estar casado com uma
mulher.
Comigo ele tinha aventura, se
preocupava que eu não saísse pela noite.
Ri muito com isso, lhe disse que
quando cheguei a NYC, tinha me deslumbrado, pois me parecia isso ser a
liberdade, mas com o tempo aprendi, seguia me vestindo a minha maneira, mas
muito mais comedido, gostava de roupas sim, mas coisas práticas, um dia mostrei
essa mesma foto para ele, se matou de rir, soltou na minha cara, a se eu pego
esse galinho, ele ia ver o que é bom.
Ele tinha uma coisa que tinha sonhado
a vida inteira, ter filhos, pois como eu era filho único.
Nessa época minha mãe morreu, estava
na fila de um banco, assaltavam o mesmo, ela levou um susto, teve um enfarte,
morreu ali mesmo, segurava com tanta força a bolsa, que os ladrões não
conseguiram tirar dela.
Ela tinha mania, de receber o
dinheiro da pensão num banco, ir a outro aonde tinha conta, separava em duas
partes, uma para mim no futuro, outra para as despesas.
Foi quando soube dessa outra conta em
meu nome.
Minha tia ficou abalada, era mais
jovem, resolveu como se aposentava, já que não iriamos viver lá, ir para uma
casa de maiores.
Mas antes, apareceu você na nossa
vida.
Um dia nos chamou, sabia que Andrew
sempre tinha sonhado em ter filhos, uma aluna, estava gravida, os pais não
queriam a criança.
Ela tinha levado tua mãe para a casa
dela, os dois a ajudamos nisso, foi quando descobriu que não só vivíamos
juntos, mas éramos como um casal.
Andrew conseguiu te adotar, afinal
tinha posses, um belo trabalho, tanto na cidade, como em San Francisco.
Eu que tinha receio, fiquei louco por
ti, não sabia que tinha essa parte, querer uma família, que antigamente era
tudo ao contrário em minha cabeça, seria sinônimo de prisão.
Tua mãe morreu na mesa de operações,
pois se sentiu mal, caiu no meio da rua, estava já no último mês de gestação,
saímos correndo de San Francisco.
Te retiraram por cesária, ficaste
sendo cuidado, Andrew ficou como louco, de uma certa maneira eras parecido com
ele.
Agora tínhamos que decidir,
resolvemos morar em San Francisco, com o dinheiro que tinha, ajudei a comprar o
apartamento, não podia me imaginar, vivendo sem ele, segundo alguns conhecido,
se ele me mandasse atirar da ponte, eu o faria.
Minha tia, que tinha pensado ir para
uma casa de pessoas de idade, veio morar conosco, cuidava de ti, enquanto
trabalhávamos. Foi ela quem te ensinou
a ler e escrever antes do tempo.
Andrew sempre ficava como um bobo
contigo no colo, apresentava para todo mundo, meu filho.
Mas gostavas mesmo de correr era para
meu lado da cama, pois quem te contava histórias, te colocava na cama era eu.
Qualquer coisa, era a mim que
procuravas, nisso ele dizia, que tinha conseguido um filho velho, podia ser teu
avô.
Quanto tinhas uns dez anos, minha tia
foi finalmente para a tal casa de maiores, viveu um bom tempo por lá.
Andrew se aposentou, juntando o tempo
todo que tinha trabalhado na Nasa, bem como na escola, na universidade, podia,
já disse que ele era muito mais velho do que eu.
Fizeste 12 anos, ele morreu dois dias
depois, estávamos sentados na sala, escutando música, senti um suspiro imenso,
a cabeça dele caiu para frente, já tinha partido.
Minha tia veio correndo, afinal eram
muitos amigos, foi quando eu soube que ele tinha ido ao médico, esse o tinha
alertado do coração, que devia fumar menos, essas coisas.
Mas fumar ele adorava, dizia que
fumava desde os dez anos de idade.
Eu como tinha agora um horário mais
complicado na universidade, era o catedrático, ao mesmo tempo, escrevia baseado
na minha tese, uma teoria, então, não prestei atenção.
Foi um belo baque, se minha tia não
me chama a atenção, pois eu tinha que cuidar de ti, foi quando me dei conta
disso, te adorava como meu filho.
Andrew, pensando nisso, tinha deixado
sobre minha guarda, logo consegui te adotar.
Agora me dividia, consegui uma
senhora para cuidar da casa, limpar, cozinhar, essas coisas, ia te buscar na
escola, vinhamos os dois para casa conversando.
Foi interessante, talvez por não ter
feito isso com meu pai, tinha sonhado fazer isso, contigo era fácil, ficávamos
conversando, um dia me perguntaste, porque tinha dois pais, te expliquei,
sempre te falei a verdade, bem como do meu relacionamento com o Andrew.
Quando fizeste 15 anos, um belo dia
me disseste, acho que meu professor, gosta do senhor, está sempre perguntando.
Foi interessante, o mesmo tinha sido
meu aluno, não era brilhante, mas sim muito distraído, quando o vi, me lembrei
dele em seguida.
Um dia conversando, disse que a pior
época de sua vida, tinha sido a universidade, tinha problemas particulares, de
família complicada, mal podia estudar.
Volta e meia o encontrávamos, depois
descobri que eras tu que dizia aonde íamos no final de semana.
Mas claro não deu certo, eu procurava
outra coisa, alguém como o Andrew, mesmo sabendo que isso era impossível.
Tinha sim, um belo grupo de amigos,
que na verdade conheci através do Andrew, me chamavam para mil coisas, eles
sabiam que quando começavam a falar sobre as aventuras que tinham, sexo com
fulano, ou sicrano, eu me mandava, me enchia o saco, nem quando vivi em NYC
experimentei a liberdade, de fazer sexo com muita gente, eu jamais comentava
nada, era uma coisa muito particular.
Na nossa rua, tinha uma oficina
mecânica, a especialidade do John era motos, um dia parei, tinha uma que estava
a venda, que gostei.
Me perguntou se tinha conduzido uma,
ri muito, ele era altíssimo, dois metros e dez de homem, negro como a noite.
Fiquei rindo, contei do conversível,
que acabei vendendo para um colecionista, pois passava mais tempo na garagem.
Não, mas posso aprender.
Ficou me olhando sério, eu na verdade
estava olhando a boca dele, com vontade de beijar.
Daí foi um passo, um dia sai com ele
de moto, íamos a uma área, para ele me ensinar.
Fiquei de pau duro, sentado atrás
dele, eu que sempre fui sem vergonha nenhuma, não sabia o que fazer.
Depois foi ele, se sentou atrás para
me ensinar, voltamos rápido para sua oficina, ele vivia em cima, fizemos sexo,
até não aguentar mais.
Ele ria me chamando de meu
branquinho.
Te apresentei, para surpresa dele,
abraçaste dizendo, cuida do meu pai.
Ele veio viver depois de algum tempo
conosco, aliás vive dizendo que eres mais esperto que os dois, te ensinou a
andar de moto, assim podias escapar da cidade, para acampar em algum lugar.
Foi ele quem me disse, teu filho
precisa estudar artes, passei a prestar atenção um dia te perguntei, me
mostraste uma quantidade imensa de desenhos que tinha do Andrew.
Um coloquei num porta foto na sala.
Depois fizeste um dos dois sentados
como sempre fazemos, de mãos dadas.
Eu quase soltei, que amava aquelas
mãos grandes, duras, percorrendo meu corpo.
Os dois temos a mesma idade.
Agora vais partir, sei que sempre
vais voltar, depois de tua primeira exposição, que foi bem, vais expor em NYC, de
lá quem sabe.
O caminho de casa, está ai.
Queres a foto minha como shorts, não
consigo me lembrar quem fez, sei que foi no metro em NYC, te matas de rir, mas
eu gosto dessa imagem com que rompi tudo, para pensar que agora era livre das
amaras.
John quando viu essa foto, me disse
que me encontrasse nessa época ia abusar sexualmente de mim.
Tenho sorte com meus homens, nenhum
faz papel de frágil na história.
Amanhã, vamos te levar no aeroporto,
vou sentir tua falta, mas tens o direito a voar como eu fiz, eu entendo, mas
não se esqueça do teu pai.
Sei que tiveste uma conversa séria
com o John, para que ele cuide de mim, isso ele faz sempre, somos diferentes em
muitas coisas, mas nós queremos.
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